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Este podcast é apoiado pelas redes sociais do exterior do Reino Unido. Olá, sou Ray Winstone. Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4, História dos Heróis mais difíceis. BBC Lê.
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Aceitei um emprego por impulso num réveillon e acabei presa no mar por seis meses". Reportagem de Laura Thomas, da BBC, publicada pela BBC News Brasil em 4 de outubro de 2025. Lida por Silvia Salek. Véspera do Ano Novo de 2020. Giulia Bacosi estava em uma festa com seus amigos quando apareceu uma mensagem no celular. A jovem, de 31 anos, tinha aceitado recentemente um novo emprego na Sicília, Itália, mas estava em dúvida sobre se era a decisão correta. Meu coração me dizia que talvez eu devesse reconsiderar. Conta ela ao podcast Lives Less Ordinary, da BBC. Olhei para o céu e pedi um sinal para o universo, me dizendo se eu estava no caminho certo. A mensagem no celular de Giulia Bacosi veio de uma amiga dizendo que uma embarcação transportando rum e azeite de oliva estava prestes a zarpar da Europa para a América Central e precisava de um cozinheiro. Giulia Bacosi já havia trabalhado como cozinheira em um navio e resolveu aceitar esse novo emprego em vez de ir para Sicília. — Vou com você até o México e depois eu saio — disse ela por telefone ao dono da embarcação. A previsão era de que esse trecho da viagem levaria cerca de três meses e, em seguida, Giulia Bacosi pretendia retornar para sua vida na Itália. Mas não foi bem assim que as coisas ocorreram. No início de janeiro, a Avontur, a escuna de 100 anos de idade, deixava a Alemanha e se dirigia às áreas agitadas do Mar do Norte. Giulia Bacchosi tinha que cozinhar três refeições por dia para a tripulação faminta e também gerenciar os suprimentos. A primeira escala foi Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A tripulação pôde ouvir os tambores distantes do enorme carnaval da cidade. Depois de 36 dias no mar, todos estavam ansiosos para se divertir. E ao descer no porto, a tripulação se viu rodeada de foliões com roupas deslumbrantes. Decidimos participar da festa, lembra ela. Na manhã seguinte, em meio a uma leve ressaca, circulou um boato sobre visitantes na ilha que ficaram doentes devido a um vírus misterioso e tinham sido colocados em quarentena em um hotel. Mas a tripulação logo esqueceu o incidente enquanto se preparava para seguir viagem. Dias depois, a caminho do Caribe, a tripulação foi chamada para se reunir no convés. O capitão então leu um e-mail do dono da embarcação. O mundo que vocês conhecem não existe mais. Começava a mensagem. Os portos estão fechando, os aeroportos estão fechando, voos são cancelados. Supermercados, lojas, fronteiras, está tudo fechado. Dizia a mensagem. Após um momento de silêncio, ficamos nos olhando uns para os outros, um tanto surpresos, confusos. O que estará acontecendo com nossos parentes, nossa família em casa? Lembra? O mundo estava começando a fechar devido à pandemia de Covid-19, mas ali na Ascuna, as pessoas estavam com dificuldade para entender exatamente o que isso significava. Eu quis falar com meu namorado, quis ligar para minha mãe, minha avó, meu irmão. Lembra, Giulia? Fiquei tomada pelo medo de que algo acontecesse com eles enquanto eu estava no mar, sem poder nem mesmo falar com eles uma última vez. Lembra? O único ponto de contato entre a tripulação e o resto do mundo era um e-mail diário por satélite que conectava o navio ao seu local de procedência na Alemanha. E o sinal de telefonia ainda estava a pelo menos seis dias de distância Sem saber se teria autorização para atracar em algum lugar, o Aventure seguiu em direção ao Caribe Ao se aproximar de Guadalupe, Julia Bacosi se sentou no convez agarrada ao celular, aguardando um sinal Quando a ligação finalmente foi completada, ela se desmanchou em lágrimas. — O que vocês vão fazer? — perguntou o parceiro dela. — Não tenho ideia de nada. Ninguém sabe. — respondeu a jovem. — Normalmente, a chegada a um novo porto significa carga e descarga, licença para desembarcar e a compra de provisões. Para a tripulação, deveria ser uma oportunidade para descansar, andar em terra firme, fazer telefonemas, enviar mensagens e ter um tempo para se divertir. Quando você compartilha um navio com 15 pessoas, você nunca fica a mais de alguns metros de distância de todos os outros com quem você convive, contou ela. No porto, havia pouca atividade, até que surgiram alguns funcionários usando máscaras cirúrgicas Eles pediram aos tripulantes do Avontur que deixassem Guadalupe o mais rápido possível A tripulação não conseguia acreditar no que estava acontecendo Após mais de três semanas no mar e ainda se recuperando da notícia de que o mundo estava em lockdown, os tripulantes não foram autorizados a desembarcar e se viram obrigados a seguir em frente Sua próxima escala foi a Honduras, que estava a até 15 dias de distância. Nas semanas seguintes, enquanto as pessoas em terra estavam trancadas em suas casas, a tripulação do Aventur foi proibida de descer do navio na maioria dos portos que cruzavam pelo caminho. Ficou claro que todas as chegadas e partidas planejadas do navio eram impensáveis, incluindo o plano de Giulia Bacchosi de desembarcar no México. E começou a parecer improvável que alguém colocasse os pés em terra firme em qualquer porto até que o Aventur retornasse à Alemanha. Com isso, conseguir comida ficou cada vez mais difícil e preocupante. Como conseguiriam alimentar 15 membros da tripulação agora confinados em um espaço com tamanho aproximado de uma quadra de basquete? E isso enquanto a tensão entre eles aumentava. Os pensamentos da jovem se voltavam cada vez mais para sua família. Parece surreal ficar confinada nessa bolha flutuante. Espero que vocês todos estejam bem e seguros por aí. Escreveu ela em uma mensagem aparente pelo Instagram. Para combater o tédio e a ansiedade, a tripulação começou a fazer artesanato, a desenhar e a tocar instrumentos. Eles montaram um esquema usando uma rede de carga para poderem nadar com segurança em volta da popa. Alguns tripulantes encontraram alívio em relacionamentos amorosos. Existe química, existe atração. Buscar intimidade e toque físico é muito humano. Nesses momentos, você consegue esquecer que existe algo lá fora que está fora de controle. Conta. A tripulação também encontrou conforto nas maravilhas do oceano, como golfinhos e peixes voadores. Uma noite, eles receberam a visita de um grupo de baleias, minke, nadando em água bioluminescente. Elas ficam tão próximas que podíamos sentir sua respiração. É o momento mais bonito, magnífico, maravilhoso, onírico, mesmo com cheiro de pum, lembra, Júlia. Em um certo momento, o Avontur precisou evitar um furacão e navegou para o norte, até a Terra Nova, no litoral do Canadá. comida estava acabando. Júlia Bacosi fez um inventário e percebeu que eles não tinham comida seca suficiente para voltar para a Alemanha. Alguns produtos, como o café, precisaram ser racionados e ela se deu conta de que o gás também estava acabando. Era a nossa principal fonte de energia para cozinhar e não tínhamos um plano B, lembra? Eles construíram uma panela de cozimento lento, improvisada, usando uma caixa de madeira, espuma de construção e uma esteira de ioga. E funcionou. De alguma forma, partindo de uma situação muito séria e preocupante, acabamos comendo alguns dos melhores cozidos que eu já fiz na vida. Contou. Em junho de 2020, o Avontur finalmente pôde atracar em Horta, no exuberante arquipélago vulcânico dos Açores, a oeste de Portugal. A tripulação era toda de cidadãos da União Europeia e o desembarque seria permitido se todos fizessem um teste de Covid. Dias depois veio a autorização. Depois de quatro meses e meio no mar, eles finalmente puderam desembarcar. e Giulia Bacosi queria aproveitar cada momento. Eu queria as flores, a grama, o bar, as pessoas, sair, comprar chocolate, a possibilidade de andar e decidir se você vai para a esquerda ou para a direita, disse. O ânimo melhorou entre a tripulação e eles começaram a olhar ansiosos para o trecho final da viagem. Sabíamos que estávamos indo para casa. No final de julho, depois de 188 dias no mar, o Avontur finalmente se aproximou do Porto Alemão de Hamburgo e a tripulação deu as mãos quando o navio atracou. Meus olhos se encheram de lágrimas. Esperamos esse momento por tanto tempo e agora era real. Em uma festa de retorno ao lar, a tripulação vestiu camisetas com os dizeres, o mundo que vocês conhecem não existe mais. Júlia Bacosi começou a sentir como se fosse outra pessoa. Estou de volta, mas não sou a mesma pessoa de antes. Eu fico imaginando como vou me encaixar, como um novo eu na minha velha vida. A longa viagem da Escuna não impediu que Giulia Bacossi retornasse à vida no mar. Ela não esperava voltar a trabalhar como cozinheira em uma embarcação, mas, cinco anos depois, ela estava a bordo novamente, em algum lugar perto do litoral da Groenlândia. De vez em quando, como fez na véspera do Ano Novo, cinco anos atrás, ela olha para o céu e pede um sinal para o universo para ter certeza de que está no caminho certo. Você ouviu a reportagem Aceitei um emprego por impulso num réveillon E acabei presa no mar por seis meses Publicada pela BBC News Brasil em 4 de outubro de 2025 Olá.
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Sou Ray Winstone Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4 História dos heróis mais difíceis Eu tenho histórias sobre os pioneiros, os rebeldes, os extranjos que definem o difícil. E essa foi a primeira vez que alguém correu um carro tão rápido sem pneus. É quase como se seus olhos fossem sair da sua cabeça. Difícil o suficiente para você? Inscreva-se no History's Toughest Heroes onde quer que você encontre seu podcast.
Podcast: BBC Lê
Episode: Aceitei um emprego por impulso num réveillon e acabei presa no mar por 6 meses
Date: November 11, 2025
Original Report by: Laura Thomas
Narrated by: Silvia Salek
This episode delivers the gripping true story of Giulia Bacosi, who, after spontaneously accepting a cooking job aboard a sailing ship on New Year’s Eve 2020, found herself unexpectedly isolated at sea for six months due to the onset of the Covid-19 pandemic. The narrative explores themes of impulsivity, isolation, adaptation, and transformation, reflecting the turbulence and surreality of a world in sudden lockdown, viewed from the unique perspective of a small ship’s crew cut off from the rest of humanity.
“Meu coração me dizia que talvez eu devesse reconsiderar… Olhei para o céu e pedi um sinal para o universo.”
(Giulia Bacosi recounts her doubt and search for guidance.)
“Na manhã seguinte, em meio a uma leve ressaca, circulou um boato sobre visitantes na ilha que ficaram doentes devido a um vírus misterioso.”
“O mundo que vocês conhecem não existe mais… Portos estão fechando, os aeroportos estão fechando, voos são cancelados. Supermercados, lojas, fronteiras, está tudo fechado.”
“Após um momento de silêncio, ficamos nos olhando uns para os outros, um tanto surpresos, confusos.”
“O que vocês vão fazer? — Não tenho ideia de nada. Ninguém sabe.”
“Parece surreal ficar confinada nessa bolha flutuante.”
“Existe química, existe atração. Buscar intimidade e toque físico é muito humano… você consegue esquecer que existe algo lá fora que está fora de controle.”
“É o momento mais bonito, magnífico, maravilhoso, onírico, mesmo com cheiro de pum.”
“De alguma forma, partindo de uma situação muito séria e preocupante, acabamos comendo alguns dos melhores cozidos que eu já fiz na vida.”
“Eu queria as flores, a grama, o bar, as pessoas, sair, comprar chocolate, a possibilidade de andar e decidir se você vai para a esquerda ou para a direita.”
“Meus olhos se encheram de lágrimas. Esperamos esse momento por tanto tempo e agora era real.”
“Estou de volta, mas não sou a mesma pessoa de antes. Eu fico imaginando como vou me encaixar, como um novo eu na minha velha vida.”
“Vou com você até o México e depois eu saio.” (02:13)
“O mundo que vocês conhecem não existe mais.” (04:34)
“Fiquei tomada pelo medo de que algo acontecesse com eles enquanto eu estava no mar, sem poder nem mesmo falar com eles uma última vez.” (05:53)
“É o momento mais bonito, magnífico, maravilhoso, onírico, mesmo com cheiro de pum.” (09:20)
“Estou de volta, mas não sou a mesma pessoa de antes. Eu fico imaginando como vou me encaixar, como um novo eu na minha velha vida.” (11:12)
The report is intimate, candid, and evocative—carrying Giulia’s vulnerability, the crew’s fluctuating moods, and the unrelenting uncertainty of the months at sea. It transitions between anxiety, resourcefulness, moments of wonder, and deep reflection, culminating in a sense of irrevocable change.
The episode captures what it feels like to be unexpectedly caught at the edges of a global event—and how, even in forced isolation and adversity, people adapt, connect, and transform. Giulia’s journey is both literal and deeply metaphorical: a lesson in letting impulse and openness guide a life rewritten by circumstance.