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A
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B
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C
BBC Lê As mulheres que se arrependem de ser mães. Uma armadilha impossível de escapar. Reportagem de Kirsten Brewer, da BBC News, publicada pela BBC News Brasil em 20 de março de 2026. Lida por Silvia Sarek. Carmen adora seu filho de 10 anos de idade, mas ela conta que se pudesse voltar no tempo, não teria sido mãe. A maternidade acabou com a minha saúde, meu tempo, meu dinheiro, minha força, meu corpo. O preço é alto demais e o custo é para sempre, diz. Carmen é professora, está na casa dos 40 anos. Ela faz parte de uma comunidade oculta de mulheres que se arrependem de ter tido filhos. Esse arrependimento é raramente expresso em voz alta. As mulheres que entraram em contato com a reportagem da BBC só concordaram em contar como se sentem em condição de anonimato. Receiam ser objeto de julgamentos severos e suas famílias não conhecem o seu sentimento. Carmen tentou expressar seu arrependimento em palavras em um fórum geral de paz há alguns anos. Ela conta que algumas pessoas demonstraram empatia, mas outras reagiram como se ela fosse um monstro. As extremas pressões e sacrifícios que podem envolver a maternidade são retratadas no filme Se eu tivesse pernas, eu te chutaria. Sua protagonista, Rose Byrne, concorreu ao Oscar de Melhor Atriz em 2026, vencido por Jesse Buckley, que atuou em Hamlet, A Vida Antes de Hamlet. Rose Byrne interpretou um retrato visceral de uma mãe desgastada que se sente sozinha na luta para atender às necessidades de sua filha e manter a estrutura familiar. Carmen se identifica com o tema do filme. A maternidade é um trabalho sem fim que você faz mesmo quando não quer, porque uma pequena pessoa depende de você. Parece uma armadilha da qual você não consegue escapar", diz. Ela é inflexivelmente sincera ao expressar como acha que ser mãe é devastador. Mas o brilho na sua voz é perceptível quando pergunto sobre seu filho, Théo, também nome fictício. Théo não tem nada a ver com meu arrependimento. Ele é um menino fantástico e adorável, que eu amo intensamente. Eu daria minha vida por ele, sem dúvida. Ele é gentil, fácil de lidar e um aluno brilhante. Para a psicoterapeuta Anna Mathur, muitas vezes quando as mulheres sentem segurança suficiente para falar sobre o arrependimento maternal, o que aflora não é falta de amor, mas a sensação de isolamento, exaustão ou perda de identidade. Carmen se descreve como uma perfeccionista. Ela considera difícil suportar a responsabilidade de criar um bom cidadão, uma pessoa boa e feliz. Carmen prometeu a si mesma que Theo nunca se sentiria como ela enquanto crescesse. Ela vem de uma família pobre, disfuncional, onde a violência era a linguagem principal. Ela diz que nunca se sentiu amada. Inicialmente, ser mãe era uma alegria, ela conta. Théo dormia bem e ela gostava dos dias que passava cuidando de seu bebê quando estava em licença-maternidade. Mas tudo mudou quando seu filho começou a mostrar sérios atrasos de desenvolvimento. Cada momento simples se transformou em motivo de observação e preocupação. Eu me senti muito culpada. Eu reciei que sua vida se tornaria uma luta, conta. Por fim, Theo não foi diagnosticado com problemas temidos por Carmen. Agora ele se sai bem, mas a mãe afirma que o estresse e a preocupação constante fizeram com que ela desenvolvesse uma doença autoimune. Relacionar o arrependimento materno a pais negligentes e pouco amorosos é uma conclusão precipitada, segundo a socióloga israelense Orna Donath, autora do livro Regretting Motherhood, a Study. Maternidade arrependida, um estudo, em tradução literal. A autora entrevistou 23 mães. Cada uma delas enfatizou a diferença entre seus sentimentos de arrependimento da maternidade e como elas se sentiam em relação a seus filhos. Diversas se sentiam enganadas pela maternidade porque a realidade não correspondia à versão idealizada vendida pela sociedade. Lamento ter tido filhos e sido mãe, mas amo os filhos que tenho, disse uma participante do estudo, mãe de dois adolescentes. Eu gosto que eles estejam aqui, mas eu simplesmente não quero ser mãe, acrescentou. Os poucos dados disponíveis indicam que essa sensação não é incomum. Um estudo de 2023 realizado na Polônia estima que de 5% a 14% dos pais se arrependem da sua decisão de ter filhos e optariam por não ser pais se tivessem uma nova chance. Os pais podem não falar abertamente sobre o arrependimento, mas eles estão encontrando uma comunidade na internet. Carmen percebeu que não estava sozinha quando entrou no grupo do Facebook I Regret Having Children. Eu me arrependo de ter tido filhos, em tradução literal, com 96 mil membros espalhados pelo mundo. A maternidade é repleta de doces momentos, mas eles não compensam a liberdade que eu poderia ter, declarou a BBC uma das mães desse grupo. Ela mora na Austrália e tem uma filha de cinco anos. Eu uso bem a minha máscara na frente da minha filha, mas quando ela está dormindo e eu e meu marido temos aquela janela curta de tempo de qualidade juntos, eu tiro minha máscara e prefiro ficar sozinha", disse. Ter filhos pode significar pressão financeira e ter que colocar de lado ambições como viajar, abrir um negócio ou construir um portfólio de investimentos. Perdi toda a motivação para tudo, exceto tentar criar um ser humano decente nesse mundo confuso", disse. Outra mãe, essa do Reino Unido, afirma que acha um menosprezo quando as pessoas consideram que uma mãe feliz deve estar sofrendo de depressão pós-parto. As pessoas ficam mais confortáveis rotulando dessa forma. Meus filhos agora são adultos e eu ainda lamento a vida que eu nunca consegui ter. Agora minha preocupação é ter que cuidar dos futuros netos. A criação não acaba nunca. O grupo do Facebook foi criado em 2007. O seu conteúdo vem direto dos pais, principalmente mulheres, que enviam mensagens privadas com suas histórias para que sejam postadas de forma anônima. A moderadora do grupo é a cientista norte-americana Janina, de 44 anos. Ela conta que o objetivo nunca foi envergonhar os pais nem promover um estilo de vida específico. É mais uma questão de documentar um fenômeno cultural que muitas vezes não tem espaço nas conversas comuns. A comunidade é grande e ativa porque muitas pessoas lutam silenciosamente com sentimentos que, segundo ouviram, não deveriam existir. Janina tinha dúvidas se deveria ter filhos e conta que a leitura das histórias no fórum influenciou sua decisão de não ser mãe. Os jovens adultos atuais abordam a questão de ter filhos de forma muito diferente das gerações anteriores, segundo a psicoterapeuta irlandesa Margaret O'Connor, especializada em ajudar as pessoas a decidir se devem ou não ser pais. Existe muito mais o entendimento de que isso é uma escolha, não é algo automático que você tem que fazer. Eu tenho pessoas que me procuram na casa dos 20, 30 anos de idade, que sabem que querem ter filhos, mas ainda se preocupam um pouco com as dificuldades e gostariam de ter mais apoio para enfrentar isso", diz. Segundo ela, é difícil identificar os sinais que podem levar uma mulher a se arrepender da maternidade. Você deve ter a máxima certeza possível sobre essa grande decisão e tomá-la por seus próprios motivos, não por pressões externas do seu parceiro ou dos pais", sugere. Ela também aconselha a não comprar com tanta rapidez a ideia de aldeia que muitos irão defender. A mensagem que recebemos geralmente é de que todos estaremos aqui para cuidar do bebê, para ajudar, mas as pessoas muitas vezes não estão. E você é que será responsável pelo seu bebê, acrescenta. Para Margaret O'Connor, é totalmente normal que os pais se arrependam considerando a dimensão e o grau de exigência da função. Ela sugere que, em casos como esses, se procure um terapeuta para tentar descobrir a causa do arrependimento e falar em um espaço seguro onde não haverá julgamentos. Segundo a psicoterapeuta Anna Mathur, o arrependimento materno nem sempre é irreversível. Para algumas mulheres, esses sentimentos de arrependimento são significativamente reduzidos ou se alteram com apoio, descanso, tempo e mudança nas circunstâncias. Mas para outras, elementos dessa sensação ainda assim podem permanecer e é importante dar espaço para essa honestidade sem sentir vergonha, diz ela. O estudo de Orna Donner também concluiu que, para algumas pessoas, o arrependimento da maternidade é uma sensação que nunca desaparece. Todas as mulheres com que eu conversei tentam fazer o seu melhor paralelamente ao arrependimento. Há alguns anos eu recebi uma carta de uma mulher que se arrepende de ser mãe. Ela escreveu que o que a ajuda não é ter a esperança de que um dia isso desapareça. Ela prefere aceitar em vez de lutar contra isso e ficar desolada toda vez que percebe que isso não passa. Carmen acredita que a sensação é permanente, porque o sacrifício é para sempre. Mas ela consulta um terapeuta há alguns anos e afirma que ele a ajudou a se aceitar e reconhecer como se sente em relação à maternidade. Eu não vivo mais me sentindo amarga, diz. Agora, Carmen conta que reserva um tempo para ir à academia, encontrar amigos e tenta se permitir a não lutar pela perfeição. Eu finalmente posso dizer, não, desculpe, eu tô cansada, eu vou dormir cedo, como que você quiser na janta, papai tá aqui. Ela aprendeu que quando faz isso, o mundo não implode. Théo observa que eu sou um ser humano, que eu não sou perfeita e aceita isso. Eu pergunto à Carmen qual o momento mais feliz que ela passa com seu filho. Ela responde que todas as noites, antes de Théo ir dormir, eles contam seu dia um para o outro. Nesses momentos, Theo se aconchega junto à mãe e é ali que eu entro realmente em conexão com ele e observo a pessoa que eu mais amo no mundo e deixo de me sentir um monstro", diz. Você ouviu a reportagem As Mulheres Que Se Arrependem de Serem Mães, publicada pela BBC News Brasil em 20 de março de 2026.
D
Quem disse que aluguel não pode se sentir como casa? Faça seu aluguel se sentir como o seu. Tudo começa com um scroll. Acesse o TikTok para descobrir ideias de decoração fácil de casa. Este episódio é apoiado por Forkful. A maioria das serviços de entrega alimentos prometem comida saudável, mas olhe mais perto e você geralmente encontrará óleos de semente indústria barata escondidos nos ingredientes. Forkful faz as coisas de uma forma diferente. Forkful entrega alimentos preparados por chefes, feitos com ingredientes premiados que você esperava em um ótimo restaurante, de filé mignon do centro ao macarrão e queijo de lobisomem lobisomem. E cada almoço é 100% sem óleo de soja. Em vez de canola ou óleo de soja, os chefes de Forkful cozinham com óleo de leite extra virgem, óleo de abacate e manteiga feita de grama, porque melhores gorduras fazem melhores alimentos. Os alimentos chegam frescos, nunca frios, com transparência de nutrição e ingredientes, para que você sempre saiba exatamente o que está comendo. Comidas de qualidade de restaurante. Ingredientes reais, sem óleos de leite. Descubra a Forkful hoje em ForkfulMeals.com.
Data: 16 de abril de 2026
Leitura e adaptação: Silvia Sarek, baseada em reportagem de Kirsten Brewer (BBC News Brasil, 20 de março de 2026)
Neste episódio, a reportagem aborda de maneira franca e sensível o tabu do arrependimento materno, dando voz a mulheres que, apesar de amarem seus filhos, se arrependem da decisão de serem mães. São narrativas ocultas, raramente expressas em público, que revelam os desafios, pressões e o isolamento enfrentados por quem não enxerga a maternidade como realização plena. O episódio também traz análise de especialistas, estudos recentes e o impacto de comunidades online para dar suporte a quem vive esse sentimento.
Grupo no Facebook “I Regret Having Children” reúne 96 mil membros (mundo todo), oferecendo espaço anônimo para desabafos.
Dados de um estudo polonês de 2023: entre 5% e 14% dos pais se arrependem de ter tido filhos e optariam por não ser pais se pudessem.
Margaret O’Connor (psicoterapeuta):
Anna Mathur:
Este episódio do BBC Lê destaca a importância de criar espaço para conversas honestas e sem julgamentos sobre o lado oculto da maternidade, mostrando que o amor pelos filhos pode coexistir com o arrependimento pela decisão de ser mãe. A reportagem, sensível e equilibrada, aponta para a necessidade de apoio emocional, reflexão consciente antes da maternidade e aceitação de que sentimentos ambíguos são humanos – e podem ser compartilhados sem vergonha.