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Como o roubo de Mona Lisa no Louvre fez dela a pintura mais famosa do mundo. Reportagem de Olivia Sorel de Gerain, publicada pela BBC News Brasil em 22 de outubro de 2025. Lida por Thomas Papon. Em 19 de outubro deste ano, o Museu do Louvre, em Paris, foi palco de um roubo audacioso que chamou a atenção do mundo. Joias da coroa francesa de valor inestimável foram levadas por ladrões em uma ação que durou cerca de sete minutos. Tudo aconteceu em plena luz do dia, pouco depois da abertura do museu aos visitantes. Quatro criminosos utilizaram um elevador mecânico para acessar a Galerie d'Apollon através de uma varanda próxima ao rio Sena. Para entrar no museu, eles cortaram os vidros com um cortador alimentado por bateria. Em seguida, ameaçaram os guardas, que evacuaram as instalações, e roubaram peças que estavam em duas vitrines. O crime expôs falhas de segurança do local, interrompeu temporariamente o fluxo de visitantes e colocou as autoridades francesas em uma corrida contra o tempo para prender os ladrões e recuperar as joias antes que fossem desmontadas e levadas para fora do país. O episódio, no entanto, remete a outro furto célebre que aconteceu no mesmo museu, em 1911, o da Monalisa, quadro de Leonardo da Vinci, um crime que, paradoxalmente, transformou a obra-prima na pintura mais famosa do mundo. O roubo aconteceu em uma segunda-feira, em 21 de agosto de 1911, um dia em que o museu estava fechado. O homem que a roubou, Vincenzo Perugia, conseguiu entrar no Louvre e sair com a pintura de Da Vinci com o mínimo de preparação. A ausência do quadro só foi notada no dia seguinte. Na época, o museu ficou fechado por uma semana em meio ao escândalo que ganhou repercussão internacional. Durante a investigação, a polícia seguiu várias pistas sem sucesso. O poeta vanguardista Guillaume Apollinaire chegou a ser preso por uma semana. E seu amigo, o pintor espanhol Pablo Picasso, também foi suspeito do roubo. Ambos eram inocentes. A Monalisa ficou desaparecida por mais de dois anos e só foi recuperada em 10 de dezembro de 1913, quando Vincenzo Perugia foi capturado ao entregar a obra a Alfredo Gheri, um vendedor de antigüidades de Florença, na Itália. Segundo o historiador de arte americano Noah Charney, autor do livro Os Roubos da Mona Lisa, esse foi o primeiro delito contra a obra a receber a atenção da imprensa internacional. É fácil presumir que o incidente causou tal sensação porque a Mona Lisa era a pintura mais famosa do mundo, mas naquele momento ela não era. O que realmente a catapultou para a fama foi justamente o roubo. A cobertura midiática que ela teve durante o tempo em que esteve perdida foi o principal motivo de sua fama mundial. Antes disso, muita gente nunca tinha visto. A imagem começou a aparecer em noticiários cinematográficos, caixas de chocolate, postais e anúncios publicitários. De repente, ela se transformou em uma celebridade, como estrelas de cinema e cantores", escreveu o escritor britânico Darian Leader, autor do livro Roubando a Mona Lisa, o que a arte não nos deixa ver. Multidões passaram a ir ao Louvre só para ver o espaço vazio onde o pequeno retrato da mulher do século XVI costumava estar. Antes disso, o Louvre já tinha muitas obras de destaque, como a estátua Vênus de Milo, a pintura Liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix, e o quadro A Bolsa de Medusa, de Theodor Géricault. Mas após o roubo, a Mona Lisa conquistou uma fama única. O furto tornou-se assunto de Estado e despertou discussões apaixonadas na mídia francesa. Segundo o jornalista francês Jérôme Cuinart, autor do livro Uma Mulher Desaparece, uma vez que os jornais franceses descreveram as circunstâncias do roubo, não tinham mais o que dizer. Por isso, começaram a inventar histórias sobre o quadro, como a de que Leonardo da Vinci teria se apaixonado pela modelo. Apesar da fama, a verdade é que o ato aparentemente espetacular do ladrão não necessitou de nenhum plano grandioso. O museu tinha um sistema de segurança duvidoso e poucos guardas. De fato, o trabalho que se fazia para melhorar a má segurança das obras foi o que inspirou Vincenzo Perugia. O italiano havia trabalhado no Louvre em 1910 e instalado pessoalmente a porta de vidro que protegia a obra-prima. E ele ainda tinha o uniforme branco que os empregados do museu usavam e sabia como a pintura estava presa. Todos esses conhecimentos se juntaram quando ele teve uma oportunidade, diz Noah Charney. Após sua captura, Perugia alegou que sua motivação era patriótica. Ele teria pensado que Napoleão havia roubado a pintura da Itália e que sua missão era levá-la de volta para casa. Ele estava enganado. O quadro havia sido comprado pelo rei francês Francisco I no século XVI por uma quantia considerável de dinheiro. Perugia também argumentou que havia sido vítima de racismo por parte de seus colegas franceses por ser imigrante italiano. No entanto, segundo Noah Charney, ele havia feito uma lista de colecionadores de arte americanos, o que indicava que ele tinha planos de vender a obra. Há outras hipóteses sobre os motivos do ladrão, mas até hoje a verdadeira razão permanece um mistério. Vincenzo Perugia não era um conhecedor de arte. Parte do motivo pelo qual ele escolheu a Mona Lisa era o seu tamanho pequeno. O quadro mede 53 por 77 centímetros. Desde o retorno do quadro ao Louvre, em 1913, pessoas de todas as partes do mundo vão visitar a Mona Lisa. Mas, segundo Jérôme Coynard, esse pequeno e íntimo retrato requer calma e tempo para ser realmente apreciado. Poucos realmente veem a pintura. O que importa é estar ali e poder dizer que a viram", avalia o jornalista francês. Apesar do mito, o ladrão foi rapidamente esquecido depois de capturado, especialmente por causa da Primeira Guerra Mundial, que começaria no ano seguinte, 1914. E hoje, as pessoas pensam nele como alguém extravagante e adorável, que se apaixonou por uma obra de arte e que não a danificou, diz Noah Charney. Você ouviu a reportagem como o roubo de Mona Lisa no Louvre fez dela a pintura mais famosa do mundo, publicada pela BBC News Brasil em 22 de outubro de 2025.
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Episode: Como roubo de Mona Lisa no Louvre fez dela a pintura mais famosa do mundo
Release Date: October 30, 2025
Reportagem por: Olivia Sorel de Gerain
Narrador: Thomas Papon
Este episódio da “BBC Lê” apresenta uma leitura jornalística detalhada sobre como o icônico roubo da Mona Lisa, em 1911, transformou a pintura de Leonardo da Vinci na obra de arte mais famosa do mundo. A matéria explora o contexto do furto, o impacto midiático e a diferença entre a fama da obra antes e depois do crime, além de lançar luz sobre o protagonista do roubo, Vincenzo Perugia, e os mistérios em torno de sua motivação.
“É fácil presumir que o incidente causou tal sensação porque a Mona Lisa era a pintura mais famosa do mundo, mas naquele momento ela não era. O que realmente a catapultou para a fama foi justamente o roubo.”
— Noah Charney, historiador de arte ([04:27])
“Multidões passaram a ir ao Louvre só para ver o espaço vazio onde o pequeno retrato da mulher do século XVI costumava estar.”
— Narração ([05:02])
“Poucos realmente veem a pintura. O que importa é estar ali e poder dizer que a viram.”
— Jérôme Coynard, jornalista francês
A reportagem mantém um tom jornalístico, informativo e investigativo, equilibrando análise histórica e relatos envolventes. Utiliza falas de especialistas, escritores e jornalistas para enriquecer a narrativa sobre fatos, interpretações e lendas a respeito do roubo da Mona Lisa.
Para quem não ouviu, este episódio conta de forma cativante como um crime aparentemente simples mudou para sempre o status de uma pintura e redefiniu o papel da mídia e do imaginário coletivo na história da arte.