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Narrador/Anunciante
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Apresentador do Podcast
O que eles ultimamente estão tentando criar vai mudar os humanos.
Narrador/Anunciante
O que está fazendo é queimar o interior do seu cérebro.
Co-apresentador/Comentador
Este poderia ser um ponto de virada na história da mídia social.
Apresentador do Podcast
Bem-vindos ao Interface, o show que explora como a tecnologia está reabrindo sua semana e seu mundo.
Co-apresentador/Comentador
No próximo episódio, olharemos as reuniões secretas na maior junta de AI do mundo, a verdade sobre o mistério de uma arma que melhora o cérebro e o julgamento que poderia mudar o futuro da mídia social. Ouçam no bbc.com ou em qualquer lugar que vocês recebam seus programas.
Apresentador do Podcast
BBC lê. Minha mãe entregou minha vida a um homem quando eu tinha 14 anos. O drama do casamento infantil nos Estados Unidos, onde a prática é legal em 34 estados. Reportagem de Ayelen Oliva, da BBC News Mundo, publicada pela BBC News Brasil em 18 de janeiro de 2026. Lida por Camila Veras Mota. A cerimônia de casamento de Patricia Lane, de 14 anos, com Timothy Gurney, de 27, durou quatro minutos Patricia não usou o vestido de noiva nem adornou seu cabelo com flores A união legal se concretizou no simples escritório de um juiz de sucessões do estado do Alabama, no sul dos Estados Unidos A mãe da noiva foi a única testemunha. Foi rapidíssimo. Eu não queria estar ali, recorda Leine, a BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Hoje, ela tem 58 anos e mora na cidade de Saint Paul, em Minnesota, nos Estados Unidos. Eu não gostava daquele homem e minha mãe estava irritada comigo. Foi horrível. Lamenta ela." Poucos minutos depois de receber a certidão de casamento, seu primeiro ato foi cruzar o parque que fica em frente ao tribunal e ir brincar em um dos balanços. Seu impulso infantil irritou sua mãe e seu marido recém-casado. Nada daquilo foi como eu imaginava que seria um casamento, recorda ela. Na época, ela estava nas primeiras semanas de gravidez da sua primeira filha, que posteriormente ela daria para adoção As normas não mudaram muito no Alabama desde que Lane foi casada com o marido no dia 21 de maio de 1980 Atualmente, uma pessoa de 14 anos já não pode se casar, mas o casamento é permitido aos 16, desde que com o consentimento de um dos pais. Não há outras salvaguardas, explica Anastasia Elor, responsável pelos programas para a América do Norte da organização Equality Now. O Estado não exige que o menor manifeste seu consentimento independente, nem autorização judicial. O Alabama integra a lista dos 34 estados americanos onde pessoas menores de 18 anos ainda podem se casar mediante exceções legais. As Nações Unidas consideram casamento infantil uma união formal ou informal envolvendo pessoas menores de 18 anos. Esta prática é reconhecida internacionalmente como violação dos direitos humanos. Nos Estados Unidos, pelo menos 314 mil menores de idade se casaram legalmente entre 2000 e 2021, segundo registros da organização Unchained at Last, dedicada a eliminar os casamentos forçados e infantis naquele país Alguns desses menores contraíram o matrimônio com apenas 10 anos de idade Mas a maioria é de pessoas de 16 ou 17 anos Grande parte delas é de meninas que se casaram com homens adultos A falta de uma lei federal traz impactos significativos para o casamento infantil nos Estados Unidos, afirma Anastasia Law. Sem ela, precisamos seguir com o nosso trabalho de defesa dos menores estado por estado, convencendo cada um deles a mudar sua legislação. Os organismos de defesa dos direitos humanos defendem que o primeiro passo é a implantação de uma idade mínima em nível federal. Mas eles destacam que é preciso um enfoque integral para erradicar definitivamente o casamento infantil nos Estados Unidos Sem leis que estabeleçam a idade mínima de 18 anos, sem exceção, os meninos e meninas ficam desprotegidos, prossegue Anastasia Law Permitir legalmente o casamento infantil ratifica a aprovação social desta prática Patricia Lane cresceu em Eden Prairie, uma pequena localidade de colinas verdes com vista para o rio, perto da cidade de Minneapolis, em Minnesota Para muitos, aquele é um lugar dos sonhos Mas, para ela, Eden Prairie traz a lembrança de uma infância afastada do mundo Meu irmão e eu estávamos culturalmente muito isolados Mesmo morando no subúrbio de uma grande cidade americana, minha vida era muito rígida e opressiva, relembra ela Vítima de abuso sexual desde muito pequena, Lane mergulhou em uma depressão profunda que a levou, com 12 anos, a buscar em uma linha de atendimento a pessoas em crise o apoio que não recebia em casa Foi assim que ela conheceu Timothy Gurney, o homem que atendeu sua ligação naquele dia e que meses depois se tornaria seu marido Tim, como ela o chamava, tinha 25 anos e estudava em um seminário religioso E para se tornar missionário, ele trabalhava em uma pequena organização, atendendo ligações para uma linha de auxílio a pessoas em crise. Depois daquela primeira chamada, eles ficaram de se encontrar. E pouco tempo depois, Patricia Lane ficou grávida, aos 13 anos de idade. Descobri que a oração não funcionava como método contraceptivo. Eu estava grávida e não queria me casar com ele, ela conta. Patrícia Laine foi criada em uma família evangélica. Quando ela contou a inesperada notícia aos seus pais, a resposta de sua mãe não foi a que a jovem esperava. Ela a culpou de ter desonrado a família. Minha mãe foi muito clara. Eu era culpada de toda a vergonha que havia trazido para a família e a única solução possível para remediar o caso era me casar com aquele homem e ser uma boa esposa, recorda Laine. Ou seja, se Patrícia Helene quisesse ter o bebê, ela deveria se casar Foi assim que seu pai assinou o consentimento e, no dia seguinte, ela, sua mãe e Tim viajaram de carro até o sul do país em busca de um tribunal onde pudessem se casar, o que era proibido em Minnesota Não senti que tivesse outra opção. Eu não queria me casar com ele, mas desejava, com todas as minhas forças, ficar com aquele bebê e criá-lo. Eu sabia que poderia ser uma boa mãe", diz ela. Em muitos casos, a gravidez das menores de idade serve de base para autorizar a exceção para a idade mínima de casamento. Atualmente, este é um argumento legal em estados americanos como Arkansas, Maryland, Novo México e Oklahoma. Mas mesmo quando os pais recorrem a este fator como uma suposta forma de proteger suas filhas grávidas, o casamento infantil pode complicar ainda mais a vida das meninas. Anastasia Eló defende que esta prática serve apenas para legitimar ainda mais as relações e atos de exploração, que de outra forma seriam considerados violação estatutária ou abuso infantil. Patricia Lane, sua mãe e Tim Gurney foram primeiro para Kentucky, o estado mais próximo de Minnesota que permitia o casamento com aquela idade Mas as autoridades locais rejeitaram o pedido De forma nenhuma, são jovens demais, foi a resposta, recorda Lane E para ela, toda razão, eu era muito pequena Eles então seguiram para o Alabama, onde naquela época eles poderiam se casar desde que tivessem a permissão dos pais E ao chegarem ao condado de Lauderdale, no sul dos Estados Unidos, Lane e Gurney se casaram em poucos minutos. Assim funcionam estes casamentos. Outras pessoas entregam você e não se pode escapar até completar 18 anos", descreve Patricia Leine. Nos últimos tempos, as regras foram alteradas. Mas ainda em 2025, apenas 16 estados americanos mais o Distrito Federal, Washington DC, estabeleciam 18 anos como idade mínima para se casar, sem exceções, como reivindicam as organizações de direitos humanos Entre as exceções, destacam-se mulheres grávidas do seu futuro marido, que deram à luz o filho do futuro cônjuge e o consentimento dos pais para contrair matrimônio No Brasil, a lei só permite o casamento a partir dos 18 anos e entre os 16 e os 18 com autorização dos pais Nos anos que se seguiram ao seu casamento, Patrícia Leine enfrentou decisões difíceis como dar sua filha em adoção e se divorciar do seu marido Mas ela voltou a se casar posteriormente, desta vez por sua própria vontade Anastasia Law afirma que, atualmente, os estados mais permissivos onde não há idade mínima para se casar com consentimento paterno nem judicial são a Califórnia, Mississipi, Novo México e Oklahoma Isso significa que menores de qualquer idade podem se casar com pessoas também de qualquer idade, ela explica Uma lei federal eliminaria as lacunas legais que atualmente permitem e incentivam o casamento infantil e o tráfico de crianças sob a aparência de matrimônio Para Patricia Laine, seu casamento aos 14 anos de idade não foi uma escolha, mas uma imposição familiar que limitou vários aspectos da sua vida. Entre eles, a educação, os vínculos sociais e sua capacidade de desenvolvimento profissional. Perdi dois anos de educação, depois recuperei, mas não é a mesma coisa. Ela lamenta. Segundo as organizações dedicadas a combater os casamentos forçados infantis nos Estados Unidos, as meninas afetadas costumam se isolar e têm mais probabilidade de abandonar a escola. Com isso, elas se tornam ainda mais dependentes dos seus maridos. Meu marido não me deixava ter amigos. Eu estava totalmente sozinha, conta Patrícia Leine. Ainda luto contra o isolamento até os dias de hoje Eu me sinto mais cômoda sozinha do que em grupo, pois ainda me custa confiar nas pessoas A longo prazo, o casamento infantil deixa duras sequelas nas pessoas envolvidas Por fim, consegui me desfazer dessas ideias tão negativas Mas ainda hoje, com quase 60 anos, tenho dificuldade para confiar em mim mesma, afirma Len De 2018 para cá, 16 estados americanos alteraram suas leis para proibir o casamento infantil, graças ao persistente trabalho de defesa das vítimas e da sociedade civil. Mas ainda resta muito por fazer. Acredito que muitas pessoas não entendem que isso ainda acontece. Eles pensam que só ocorre em países do terceiro mundo ou em certas religiões. Mas não. Nos Estados Unidos também acontece. Para Anastasia Law, o desconhecimento de que o casamento infantil é um problema nos Estados Unidos, aliado aos arraigados preconceitos de gênero, dificulta os esforços para impulsionar a mudança legal no país. Para esses homens, ou melhor dizendo, pedófilos, o casamento é uma forma de evitar acusações judiciais. Peço às pessoas que fazem as leis que não permitam isso." Defende Lane. E para os que defendem que com 16 ou 17 anos já é amor verdadeiro, ótimo. Se for assim, continuará sendo amor verdadeiro quando eles tiverem 18 anos. Defende Patricia Lane. 45 anos depois do casamento assinado pela sua mãe. Você ouviu a reportagem Minha Mãe Entregou Minha Vida a Um Homem Quando Eu Tinha 14 Anos, o drama do casamento infantil nos Estados Unidos, publicada pela BBC News Brasil em 18 de janeiro de 2026. O que eles estão ultimamente tentando criar vai mudar os humanos.
Narrador/Anunciante
O que está fazendo é queimar o interior do seu cérebro.
Co-apresentador/Comentador
Este poderia ser um ponto de virada na história da mídia social.
Apresentador do Podcast
Bem-vindos ao Interface, o show que explora como a tecnologia está reabrindo sua semana e seu mundo.
Co-apresentador/Comentador
No próximo episódio, olharemos as reuniões secretas no maior sumite de AI do mundo, a verdade sobre o mistério de uma arma que melhora o cérebro, e o julgamento que poderia mudar o futuro da mídia social. Ouçam no bbc.com ou em qualquer lugar que vocês recebam seus programas.
BBC Lê – ‘Minha mãe entregou minha vida a um homem quando eu tinha 14 anos’: o drama do casamento infantil nos EUA
Data: 3 de março de 2026
Host: BBC Brasil
Leitura: Camila Veras Mota (reportagem de Ayelen Oliva)
Este episódio aterrador e revelador traz à tona a prática do casamento infantil nos Estados Unidos, contada através da história de Patricia Lane, forçada a se casar aos 14 anos após engravidar de um homem 13 anos mais velho. A reportagem investiga o contexto social, legal e emocional que permite que milhares de menores de idade ainda sejam submetidos a casamentos, dando voz às vítimas e ressaltando os desafios para erradicação dessa violação dos direitos humanos.
"Assim funcionam estes casamentos. Outras pessoas entregam você e não se pode escapar até completar 18 anos." – Patricia Lane ([11:06])
"Para esses homens, ou melhor dizendo, pedófilos, o casamento é uma forma de evitar acusações judiciais." – Patricia Lane ([13:25])
"Peço às pessoas que fazem as leis que não permitam isso […] se for amor verdadeiro, continuará sendo quando eles tiverem 18 anos."* – Patricia Lane ([13:42])
| Citação | Autor | Timestamp | |---------|-------|-----------| | “Foi rapidíssimo. Eu não queria estar ali.” | Patricia Lane | 02:00 | | “Meu irmão e eu estávamos culturalmente muito isolados... minha vida era muito rígida e opressiva.” | Patricia Lane | 06:20 | | “Eu era culpada de toda a vergonha que havia trazido para a família…” | Patricia Lane | 09:02 | | “Assim funcionam estes casamentos. Outras pessoas entregam você e não se pode escapar até completar 18 anos.” | Patricia Lane | 11:06 | | “Perdi dois anos de educação, depois recuperei, mas não é a mesma coisa.” | Patricia Lane | 12:30 | | “Meu marido não me deixava ter amigos. Eu estava totalmente sozinha.” | Patricia Lane | 12:53 | | “Para esses homens, ou melhor dizendo, pedófilos, o casamento é uma forma de evitar acusações judiciais.” | Patricia Lane | 13:25 | | “Peço às pessoas que fazem as leis que não permitam isso … Se for amor verdadeiro, continuará sendo amor verdadeiro quando eles tiverem 18 anos.” | Patricia Lane | 13:42 |
O episódio revela como o casamento infantil, frequentemente invisibilizado nos Estados Unidos, representa uma grave violação de direitos com impactos duradouros para milhares de jovens — especialmente meninas. A força do testemunho de Patricia Lane é uma convocação clara para mobilização da sociedade e dos legisladores para, finalmente, erradicar essa prática de forma definitiva.