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Lê. Nos reencontramos depois de 40 anos e o amor ainda estava lá. A comovente história de dois adolescentes separados quando ela engravidou. Reportagem adaptada do programa Outlook da BBC. Publicada em 26 de novembro de 2025. Lida por Thomas Papon. Kevin Carroll e Debbie Weber se apaixonaram na primeira vez em que se viram. O ano era 1967. Os dois estavam no ensino médio e eram membros do grupo de teatro das suas respectivas escolas. Eu estudava em um colégio de meninos e Debbie, em um colégio de meninas, contou Carol ao programa de rádio Outlook do Serviço Mundial da BBC. E em um teste de talentos, estávamos todos no auditório nos apresentando, quando eu disse para um amigo meu, está vendo aquela menina? Vou levá-la para a festa do colégio. A reação de Debbie Weber foi parecida, segundo contou a BBC. Eu estava sentada sozinha no auditório porque não conhecia nenhuma das meninas da escola que estavam no teste, ela conta. Mas me lembro de que quando o vi, ele me pareceu o menino mais bonito que já havia visto na vida. Eles não só acabaram indo juntos para a festa, como, dali em diante, passaram a querer fazer tudo na companhia um do outro. Eles chegaram a planejar uma fuga para uma pequena cidade no estado americano de Maryland, onde as pessoas podiam se casar com 15 anos de idade sem a permissão dos pais. Mas, duas semanas antes, a notícia de que Debbie estava grávida frustrou os planos e acabou separando o casal por mais de 40 anos. Foi uma fase difícil, mas em que o amor de um pelo outro sempre esteve presente. Antes de me casar com minha esposa, eu disse a ela, existe uma parte do meu coração e da minha vida que você nunca poderá ter, disse ele. Hoje, depois de muitas voltas na vida, Debbie e Kevin estão juntos e vivem todos os dias esse amor que não conseguiram viver na juventude. Mas, para chegar até aqui, eles precisaram passar por uma intensa trajetória que parece obra das melhores mentes criativas de Hollywood. A reação dos pais de Debbie à notícia da gravidez foi de total apoio, mas era o tipo de apoio que os pais podiam oferecer às filhas naquela época, quando os valores sociais eram diferentes dos que existem hoje nos Estados Unidos. Eles foram muito carinhosos, amavam Kevin, sabia que ele era um ótimo rapaz e que nos amávamos muito, conta Debbie. Mas naquela época, tudo era muito diferente para as meninas que ficavam grávidas. Foram tomadas providências para me enviar para um lar de mães solteiras, que permitia que minha mãe me buscasse nos finais de semana para sair com ela, passear e jantar. Nesse período, tanto Debbie quanto Kevin mantinham a ilusão de que quando ela saísse daquele local poderiam formalizar seu amor e se dedicar a criar o bebê que estava por nascer. Kevin estava tão certo dessa ideia que convenceu sua mãe a alistá-lo na infantaria da Marinha quando estava com 17 anos. Fiquei sabendo que se me alistasse, mesmo não estando casados, eu poderia enviar dinheiro para Debbie, e a Marinha ofereceria os cuidados médicos necessários para ela e o bebê." Ele lembra. Minha ilusão era que quando me deixassem sair do treinamento, poderíamos nos casar. Mas tudo acabaria assim, na ilusão. Durante seu treinamento, Kevin recebeu uma carta de Debbie, anunciando que iria entregar o bebê para adoção. Recorda o sentimento, conta ele com a voz embargada. Eu estava naquele treinamento com vários marinheiros e não podia demonstrar meus sentimentos, mas por dentro eu estava desmoronando. Para mim, aquilo se transformou em uma grande perda, recorda ele. Eu não culpava Debbie, eu entendia, sabia porque ela estava fazendo aquilo, mas foi difícil. Kevin estava para embarcar para o Vietnã. Debbie conta que depois de terminar seu relacionamento com ele, foi atormentada por pesadelos. Neles, ela abandonava seu bebê na ala do local onde ocorriam as adoções. Por isso, ela ficou aliviada quando o médico particular que a acompanhava no final da gravidez contou sobre uma família que estaria interessada no seu bebê. Ele disse, tem uma família com quatro filhos e uma mãe que não pode mais ter bebês. Se você tiver uma menina, eles gostariam de adotá-la, conta ela. Isso fez com que tudo ficasse mais fácil, se é que se pode dizer isso. Fez com que eu me sentisse melhor com aquela situação. Debbie teve uma bela menina que, segundo ela, era parecida com o Kevin. Ela a entregou sem de fato conhecer as pessoas que seriam a nova família da bebê. Precisamos sair da zona do hospital", relembra ela. Nós nos encontramos em um estacionamento. Um carro se aproximou e uma mulher, que me fez lembrar Jackie Kennedy, saiu do carro enquanto os filhos dela olhavam pela janela. Minha mãe veio, pegou Val, a bebê, e a entregou para sua nova família, ela conta. Depois disso, a família de Debbie vendeu sua casa e foi morar em outra região do país, onde ninguém os conhecia, para começar uma vida nova. Paralelamente, Kevin foi enviado como parte das Forças Especiais da Marinha Americana para combater na Guerra do Vietnã, uma guerra que contou com participação dos Estados Unidos a partir de 1965. Meu trabalho era recuperar os pilotos que caíam em combate. E no dia 10 de outubro de 1969, fomos ao resgate de um helicóptero que transportava mantimentos, conta ele. Quando localizamos o piloto, vimos também cerca de 80 ou 90 norte-vietnamitas tentando alcançá-lo. Fui metralhado nos braços, nas pernas e nas costas, e precisei usar barro de um riacho próximo para tentar evitar sangramentos. Não pensei que fosse sair dali com vida e tive uma conversa com Deus", contou Kevin. Eu disse a ele, não consigo acreditar que você vai me deixar morrer aqui, no meio do nada, a milhares de quilômetros de casa, sem voltar a ver Debbie, sem ver meu bebê", conta Kevin. A resposta chegou enquanto ele perdia lentamente a consciência. Outro fuzileiro naval o recolheu e conseguiu evacuá-lo a tempo para tratar dos ferimentos. Kevin foi transportado para as Filipinas, depois para o Japão e, por fim, conseguiu regressar aos Estados Unidos para prosseguir com o difícil e complexo processo de recuperação. Eu fui submetido a 18 cirurgias naquele período, relembra ele. Desde então, tive mais 20. Mas passei da cadeira de rodas para o andador, do andador para as muletas, das muletas para a bengala, e nunca olhei para trás." Com o passar dos anos, Kevin foi à procura de Debbie, mas não conseguiu descobrir seu paradeiro. Já Debbie fez o possível para tentar esquecer uma situação que, para ela, estava relacionada ao sentimento de culpa que ficou depois de entregar seu bebê. Debbie se casou várias vezes e teve três filhas. Já Kevin ficou viúvo e nenhum dos dois voltou a saber da filha que haviam tido juntos tantos anos atrás. Com o passar dos anos, Debbie chegou à conclusão de que precisava deixar sua culpa de lado. Ela decidiu contar às suas outras filhas o que havia acontecido na sua juventude. Era dia das mães, relembra ela. Estávamos na cozinha e eu disse a elas, tenho algo para contar. Quando eu era muito jovem, tive um bebê. Expliquei a elas toda a situação e como Kevin e eu havíamos nos apaixonado. Uma de suas filhas tomou a iniciativa de juntar os poucos dados de que sua mãe ainda se lembrava para tentar encontrar essa bebê. Eu sabia o sobrenome, sabia que havia quatro meninos na família e a região em que moravam, diz Debbie. Os dados foram suficientes para que sua filha encontrasse a família que fez a adoção, e Debbie fez contato com um dos homens dessa família adotiva. A mensagem foi respondida com uma ligação telefônica, e do outro lado da linha estava Val. Liguei para ela às oito horas da manhã, contou Val a BBC. Naquele momento, eu já tinha amadurecido o suficiente para começar admitindo que tínhamos muito o que conversar, mas que eu entendia o que ela havia feito e o que havia acontecido, que não havia rancores de nenhum tipo. Para Debbie, a resposta teve efeito curador. Todos aqueles sentimentos de vergonha e culpa simplesmente desapareceram, afirma. Elas se conheceram naquela mesma noite e, durante o encontro, surgiu a pergunta, o que teria acontecido com Kevin? Elas recorreram novamente à internet e o localizaram rapidamente, graças ao obituário da sua falecida esposa. Debbie decidiu, então, escrever uma carta. Lamento sua perda recente e adoraria conversar sobre os tempos da escola. Espero que você esteja bem. Escreveu ela acrescentando o seu número de telefone. Para Kevin, receber a carta foi um milagre. Nunca esquecerei o momento em que recebi aquela carta. Peguei imediatamente o telefone e disse a ela que não conseguia acreditar que estávamos tendo aquela conversa. A surpresa não acabou ali. Eu disse, tenho algo para contar, relembra Debbie. Encontrei nossa filha. Você quer conhecê-la? Depois de um sonoro, sim, Debbie e Kevin combinaram de se encontrar na casa de Val. E quando ambas o viram chegar, a filha recorda, entre risos, a reação de sua mãe biológica. Ela disse, ah, mas como ele é bonito. Debbie ficou em silêncio enquanto Val e Kevin interagiam. Depois, quando os pais biológicos se despediram e deixaram a casa, Val observou da janela que Debbie e Kevin ficaram sentados no carro, conversando por horas. Kevin relembra que depois que contaram um ao outro tudo o que havia se passado nas suas vidas, ele confessou que nunca havia deixado de amá-la. Debbie, emocionada, respondeu que se, em seis meses, ele continuasse sendo a pessoa maravilhosa que ela recordava e havia acabado de reencontrar, eles poderiam continuar juntos. Seis meses e 14 anos depois, continua sendo incrível, conta Debbie sobre o homem do qual precisou se separar por tanto tempo, mas com quem agora compartilha sua vida. Mais de 40 anos depois dos seus planos frustrados de fugir para se casar, Kevin e Debbie finalmente contraíram o matrimônio. Agora que ambos estão na casa dos 70 anos de idade, sua preocupação é se manterem saudáveis e juntos. Somos capazes de cuidar e amar um ao outro durante essa etapa da vida. Sinceramente, não sinto falta de mais nada", conclui Debbie. Você ouviu a reportagem. Nos reencontramos depois de 40 anos e o amor ainda estava lá. A convente história de dois adolescentes separados quando ela engravidou. Publicada em 26 de novembro de 2025.
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Podcast: BBC Lê
Host: BBC Brasil
Episode: "Nos reencontramos depois de 40 anos e o amor ainda estava lá"
Date: December 23, 2025
Reader: Thomas Papon
This profoundly moving episode recounts the story of Kevin Carroll and Debbie Weber, two American teenagers who fell in love in the late 1960s, were separated following an unplanned pregnancy, and spent over 40 years apart. Despite painful circumstances, societal pressures, and the winding turns of fate—including war and adoption—they ultimately reconnect, rekindle their love, and reunite with the daughter they were forced to give up. The reportage explores themes of first love, societal expectations, loss, resilience, and the enduring nature of human connection.
1967: Kevin and Debbie, high school students from single-sex schools, meet during a theater talent show. Both instantly feel an attraction:
Their relationship grows; they plan to elope to Maryland, where marriage at 15 was legal.
Two weeks before their planned escape, Debbie discovers she is pregnant. This news shatters their plans and leads to their separation.
At the time, her parents are supportive "within the limitations of the era’s social norms":
Debbie is sent to a home for single mothers, maintaining the hope that they'd reunite to raise their baby.
Kevin, still in love, enlists in the Navy hoping to support Debbie via military benefits.
Kevin receives a letter during basic training: Debbie will place the baby for adoption.
Debbie endures nightmares about giving her baby up, feeling somewhat comforted when reassured her baby will go to a loving family.
The baby, Val, is handed over in a hospital parking lot; Debbie’s family soon moves to another state to start over.
Kevin serves in Vietnam, involved in dangerous rescue missions.
He survives, undergoes dozens of surgeries, and recovers through iron will:
Both try, unsuccessfully, to find each other or their daughter over the ensuing years.
Debbie, after many years and several marriages, tells her other daughters about the baby she gave up. One daughter helps her find Val, their lost daughter.
The first call between Debbie and Val is “curing” for both:
Soon after, they search for Kevin and find him via the obituary of his late wife. Debbie sends him a letter.
Kevin receives Debbie’s letter:
Debbie reveals: “Encontrei nossa filha. Você quer conhecê-la?”
They reunite at Val’s house, where old feelings resurface:
They spend hours talking in the car:
The reportage adopts a tender, sensitive, and occasionally wistful tone, mirroring the emotion and introspection of the storytellers. It weaves first-person recollections (many direct quotes), preserving the sincerity and emotional weight of Kevin and Debbie’s words. The style is conversational yet respectful, ensuring listeners feel both the heartbreak and hope at the story’s core.
This episode stands out for its poignant narrative of young love lost and found, grappling with loss, guilt, and the passage of time. It’s an affirmation that forgiveness, love, and reconnection are possible even after decades—and that some bonds endure, no matter the distance or circumstance.
Listeners are left with a profound sense of hope and admiration for the strength, compassion, and perseverance displayed by Kevin, Debbie, and their family.