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O que terapeuta de ricos aprendeu sobre felicidade ouvindo os problemas dos milionários? Reportagem de Paula Adamo e Doeta, publicada pela BBC News Brasil em 13 de agosto de 2025. Lida por Sílvia Salek. Desde que se especializou em atender pacientes milionários, o psicoterapeuta americano Clay Cockrell afirma que desistiu de tentar ele próprio enriquecer. Eu parei de jogar na loteria, percebi os perigos de se ter tudo em excesso, disse. Cockrell, que tem uma clínica em Nova York, nos Estados Unidos, conta que tenta ajudar seus clientes a lidar com o que ele chama de efeito tóxico da abundância, a ideia de nunca se ter o suficiente. Aquela ideia que quando eu tiver 10 milhões de dólares, eu vou estar seguro. E daí você chega aos 10 milhões de dólares e percebe que, na verdade, precisa de 50 milhões. A conclusão é que a felicidade não vai vir da conta bancária. Simplesmente não vai. Diz Cockrell em entrevista à BBC News Brasil. Esse comportamento tem um certo grau de vício, porque os 50 milhões não serão suficientes, aí eu vou precisar de 100 milhões de dólares, 250 milhões", disse. Um dos ângulos da terapia, portanto, é ajudar os pacientes a identificar propósitos que vão além de acumular dinheiro. Se a felicidade não está em uma cifra, onde ela está? E, a partir disso, começamos a experimentar. Está na filantropia? Está nos relacionamentos? Ou em construir algo novo, do zero? Ter ambição é ótimo, mas desde que analisada e alinhada com um porquê. Explica. Clay Cockrell se especializou em atender os super ricos por acaso. Foi depois que um paciente de altíssima renda gostou do seu estilo. O terapeuta faz suas sessões durante caminhadas pelo parque, em vez de dentro de um consultório, e aí o indicou para outras pessoas desse círculo. O próprio terapeuta se surpreendeu com os problemas trazidos pela riqueza, até os que são desdenhados como problemas de primeiro mundo. Assim como muitas pessoas, eu acreditava que o dinheiro solucionava problemas. Ele soluciona alguns, mas não todos. Muitos dos meus clientes dizem que terapeutas anteriores ouviam as queixas deles e respondiam. Você não deveria tratar como problema coisas como onde estacionar seu iate ou como resolver a herança dos seus filhos, mas eu sempre acreditei em uma abordagem de compreensão e aceitação, de achar que os problemas deles são legítimos, disse o terapeuta. Podem não ser os mesmos problemas que os meus, mas agora eu sei que o dinheiro é um fator complicador na vida das pessoas." O terapeuta ressalta que essa é, claro, a experiência de uma parcela ínfima da população global. Para a maioria, questões relacionadas à escassez de dinheiro e não à abundância é que são fatores complicadores. Um exemplo, uma pesquisa da Associação Britânica de Psicoterapia apontou que quase todos os terapeutas do país, 94% deles, identificaram que a saúde mental dos seus pacientes havia piorado por causa de preocupações financeiras e alta no custo de vida. Especialistas explicam que a sobrecarga mental de fazer o dinheiro render até o fim do mês impacta nossa tomada de decisões e o desempenho cognitivo. Mas de volta aos super ricos, Clay Cockrell faz a ressalva de que conhece tantos deles infelizes porque sua amostra é naturalmente enviesada. As pessoas não procuram terapeuta quando estão felizes, diz ele. Mas ele aponta que as pessoas que eu atendo são aquelas que o dinheiro complicou sua vida e trouxe alguma negatividade. Falta de empatia, falta de capacidade de compreender quem não alcançou o mesmo nível de sucesso, entre outras coisas. Na mesma linha, ele diz que super ricos acabam desenvolvendo dificuldades de relacionamento na família, tendem a se desconectar do mundo real e sentem muita desconfiança em relação a pessoas que se aproximam deles. Pessoas ricas costumam interagir apenas com quem consegue entendê-las. Isso é muito comum. E o que acontece é que elas ficam muito, muito isoladas e desconfiadas de pessoas novas, diz. O medo é, será que você está entrando na minha vida só pelo que eu posso fazer por você, por causa do meu status de celebridade ou da minha riqueza? Talvez paranoia seja uma palavra forte, mas existe muita suspeita e isso impede que novas relações sejam formadas. E passar a infância e a adolescência em uma família endinheirada também traz desafios. Os pais costumam querer poupar os filhos das dificuldades que eles próprios enfrentaram e dar-lhes uma vida mais fácil. Isso é normal, mas é preciso perceber que superar as dificuldades foi o que fez você ser como é, diz o terapeuta. Além disso, quando você expõe seu filho, criança ou adolescente a esse mundo de jatinhos particulares, restaurantes maravilhosos e férias em lugares incríveis, quando ele tiver 21 anos, vai ter a sensação de que já viu tudo, já provei tudo e se sentirá entediado. E aí pode começar a testar limites, seja com o uso de drogas ou comportamentos de risco para sentir adrenalina, só para ter a sensação de que está fazendo algo novo. disse o terapeuta. Ele também observa que filhos de super ricos sofrem uma enorme pressão para se saírem melhor do que seus pais, em especial os que seguem a mesma carreira que os pais como celebridades no mundo do entretenimento chamadas pejorativamente, em inglês, de napple babies. É uma grande pressão que contrasta com a ideia de percorrer um caminho próprio, descobrir as próprias paixões e ter direito a errar e fracassar. Em contrapartida, muitos também sofrem com a falta de ambição. Para que eu vou cursar uma faculdade ou começar meu próprio negócio? Ter tanta riqueza pode ser deprimente, seja porque você deixa de ter propósito, seja porque você está sempre pressionado a se sair melhor do que seus pais. Explica. Clay Cockrell ganhou mais destaque nos últimos anos justamente escrevendo artigos de opinião para jornais e revistas sobre os paralelos de sua prática com a série Succession, que mostra as disputas de uma família multimilionária para controlar o conglomerado midiático criado pelo patriarca. A série é bem correta ao retratar o efeito tóxico do excesso sobre os multimilionários. Apesar das licenças dramáticas, avalia o terapeuta. Parte do sucesso de Succession se deve ao fato de que super-ricos costumam despertar de fascínio a rejeição a depender do interlocutor. Bilionários tornaram-se ídolos, ganharam enorme influência política e tem para alguns o status de visionários e inovadores, mas para outros viraram símbolos de um sistema fiscal global considerado injusto que críticos dizem favorecer a concentração de renda à custa da população mais pobre Quando o bilionário Jeff Bezos organizou uma suntuosa cerimônia de casamento no centro de Veneza, na Itália, em junho, por exemplo, foi recebido com manifestantes com cartazes que diziam, se você tem dinheiro para alugar Veneza, tem dinheiro para pagar mais impostos. O casamento acabou sendo transferido para fora do centro da cidade. A organização britânica Oxfam calcula que a riqueza dos cinco homens mais ricos do mundo dobrou desde 2020, enquanto a riqueza de cinco bilhões de pessoas caiu. É o que a ONG chama de crise de desigualdade. Clay Cockrell diz que seus pacientes ultra-ricos estão cientes dessas diferentes percepções sobre eles. É algo que vai e vem em ciclos. Há momentos em que a sociedade admira os mais ricos como pessoas que trabalharam duro e há momentos em que isso muda. e se converte em sentimentos negativos de que eles conquistaram tudo por meios nefastos. Muitas dessas pessoas são incrivelmente inteligentes, batalhadoras e conquistaram coisas admiráveis em suas vidas. Às vezes elas são admiradas e às vezes vilipendiadas. E elas se sentem muito confusas quanto a isso, diz o terapeuta. para as pessoas comuns, Clay Cockrell acha que o maior aprendizado da sua prática é não acreditar que se tornar milionário é o segredo da felicidade. Para o restante de nós que acreditamos que se eu conseguir aquele aumento, se eu trabalhar ainda mais, vou ser feliz, veja as pessoas que têm tudo, elas não estão felizes. Isso nos desafia a pensar, então o que vai me trazer felicidade e alegria? É nisso que está o valor. É nos relacionamentos, na família, na contribuição que fazemos para a comunidade. É daí que virá a felicidade, sugere o terapeuta. Você ouviu a reportagem o que terapeuta de ricos aprendeu sobre felicidade ouvindo os problemas dos milionários, publicada pela BBC News Brasil em 13 de agosto de 2025.
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Este episódio, baseado na reportagem da BBC News Brasil, apresenta a experiência do psicoterapeuta Clay Cockrell, especializado em atender milionários em Nova York. Cockrell compartilha lições surpreendentes sobre felicidade, riqueza e o “efeito tóxico” da abundância, revelando como acumular dinheiro pode criar tantos desafios quanto resolve. O episódio também contrapõe os dilemas dos super-ricos com as dificuldades financeiras da maioria da população, destacando o impacto da riqueza excedente na saúde mental e nos relacionamentos.
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O episódio revela que, segundo Clay Cockrell, o dinheiro em excesso traz desafios psicológicos próprios, incluindo isolamento, desconfiança e falta de propósito. A felicidade, ele sustenta, não é uma questão de cifras, mas sim de propósito, relacionamentos e contribuição social. A experiência rara de Cockrell revela a ilusão da felicidade associada à riqueza extrema e oferece lições valiosas tanto para os ricos quanto para o público geral, demonstrando que a busca por sentido é universal, independente do saldo bancário.