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Katie Milkman
Choiceology, um podcast original de Charles Schwab, é um show sobre a psicologia e a economia atrás das nossas decisões. Junte-se a Katie Milkman, um cientista de comportamento e autor do livro mais vendido, How to Change, onde ela compartilha histórias verdadeiras de laureados nobel, autores, atletas e pessoas de todos os dias sobre como fazemos as escolhas que fazemos e como fazer melhor para evitar erros caros. Ouçam Choiceology em schwab.com.br ou onde quer que vocês ouçam.
BBC Narrator
BBC lê.
Thomas Papon
Os animais que realizam trabalhos que nem humanos ou robôs conseguem. Reportagem de Simon Watt e Emily Knight, do programa de rádio Discovery do Serviço Mundial da BBC. Publicada pela BBC News Brasil em 2 de fevereiro de 2026. Lida por Thomas Papon. Eles conseguem vasculhar uma área do tamanho de uma quadra de tênis em cerca de 20 minutos, enquanto humanos com detectores de metal levariam até quatro dias, diz Cynthia Fast, que treina esses animais extraordinários na ONG Apopo. A Apopo se dedica à detecção e remoção de minas terrestres e outros resquícios explosivos de guerra, utilizando métodos inovadores, como o treinamento de ratos gigantes africanos, a espécie Cricetomys gambianus. Todos os anos, minas terrestres matam ou mutilam milhares de pessoas no mundo todo. Segundo o Mines Advisory Group, em 2024, foram 5.700. Trabalhamos com o rato-gigante africano, ou rato-gigante da gâmbia, que tem aproximadamente o tamanho de um gato pequeno. Esses animais recebem esse nome por causa de suas grandes bolsas nas bochechas, semelhantes às de um esquilo ou hamster, onde gostam de armazenar comida, diz ela. Eles são chamados de hero rats, algo como ratos-heróis, em tradução livre, e fazem um trabalho à altura do nome. Desminam áreas de risco de minas terrestres em algumas das regiões mais problemáticas do mundo. Em outras palavras, salvam vidas. Atualmente, eles estão em Angola, Azerbaijão e Camboja. E anteriormente, tínhamos ratos trabalhando em Moçambique. Até agora, eles limparam 120 milhões de metros quadrados de antigos campos minados. Essa é uma área maior que cerca de 17 mil campos de futebol. Essas criaturas são perfeitas para o trabalho, longevas, inteligentes e altamente treináveis, grandes o suficiente para cobrir vastas áreas, mas pequenas o suficiente para caminhar sobre uma mina sensível à pressão sem acioná-la. A Apopo nunca perdeu um rato em um campo minado. Além disso, eles são muito mais eficientes do que detectores de metal, porque se houver muita sucata metálica na área, eles a ignoram. Quando os ratos sentem o cheiro dos vapores de substâncias explosivas como o TNT, eles arranham a superfície do solo. Esse é o sinal para os tratadores marcarem o local. e um humano com ferramentas e tecnologia poder retornar mais tarde e remover as minas com segurança. Cynthia Faust afirma que seus ratos nunca deixaram de encontrar uma única mina em mais de 25 anos. Apesar desse histórico impressionante, uma equipe de ratos não inspira imediatamente confiança nas comunidades com as quais trabalha, mesmo que usem coletes com identificação. No início, havia muito ceticismo, e quando tentamos realizar essas cerimônias de devolução de terras às comunidades, elas se recusaram até mesmo a pisar nelas porque não confiavam no trabalho dos ratos, diz Cynthia Fast. Uma das coisas que implementamos foi organizar uma partida de futebol no terreno que antes estava minado. E quando viram que confiávamos o suficiente em nossos ratos para jogar ali, as pessoas também começaram a participar. Continua ela. Agora, em comunidades como Camboja, as pessoas vêm até mim e dizem, quando vocês vão trazer um rato aqui perto do meu arrozal? Porque tenho medo de que possa haver mais minas aqui. Os Hero Rats não servem apenas para desarmar minas terrestres. A equipe também está experimentando o seu uso em missões de busca e resgate, encontrando e ajudando pessoas soterradas sob escombros após desastres naturais. E em uma era de automação e robótica, não apenas essas criaturas, mas também outras, como furões e cães, continuam indispensáveis para fazer o que nós não conseguimos. Em um campo no norte de Derbyshire, na Inglaterra, uma profissional altamente qualificada, chamada Emily, se prepara para o trabalho. Se você a vir tremendo, não é porque ela está com frio ou com medo, é porque seu corpo está se preparando, aquecendo os músculos. Emily é uma furão dourada clara de aparência alongada, ágil e flexível. O homem que a segura é seu chefe, ou talvez mais precisamente, seu colega, James McKay. James tem mais do que apenas Emily na equipe. Ele dirige a Escola Nacional de Treinamento de Furões e gerencia uma equipe de elite, com mais de 40 animais da espécie Mustela putorius furu, o furão doméstico, que no Brasil geralmente é importado dos Estados Unidos. Eu acredito que suas habilidades são inatas e tudo o que fazemos é canalizá-las, diz James. Que os furões realizem trabalhos não é exatamente uma novidade. Eles foram domesticados pela primeira vez há cerca de 2.500 anos para caçar animais que os humanos não conseguiam alcançar facilmente. As legiões romanas os levavam consigo porque, onde quer que fossem, precisavam de uma maneira de expulsar os coelhos de suas tocas, e a única forma de fazê-los correr era enviar algo que os forçasse a sair, explica James. Nos séculos seguintes, além da caça, eles também foram usados historicamente para proteger celeiros e plantações de roedores. Mas Emily e seus colegas não se limitam à caça. Eles fazem todo tipo de coisa. Na década de 1980, James percebeu que seus furões tinham diversas habilidades que eram úteis. Uma fazenda, onde eu costumava ir para coletar coelhos para controlar a população, estava com um problema nos drenos do campo. e o dono reclamava que teria que contratar equipes para cavar todo o campo e encontrar onde estavam os bloqueios, lembra James. Tive um lampejo de inspiração e disse a ele que poderíamos colocar um furão em uma das extremidades do ralo, ver até onde ele ia, marcar aquele ponto e depois fazer a mesma coisa na outra extremidade. Fizemos isso e descobrimos onde estava o bloqueio, acrescenta. Hoje, James é requisitado para todos os tipos de trabalhos, não apenas para encontrar bloqueios em canos e ralos, mas também para instalar cabos de fibra óptica de alta velocidade. Eles fazem isso prendendo um fio fino à coleira do furão, que então se move como uma agulha peluda por recantos e frestas que nós, humanos, simplesmente não conseguimos alcançar. Eles podem ir muito fundo no subsolo ou através de cavidades ou atrás de paredes falsas. Uma boa comunicação é vital para o trabalho em equipe e James nunca perde contato com seus engenheiros, entre aspas, que carregam um transmissor. Ele diz que às vezes as pessoas se preocupam com o bem-estar do animal, mas ele tem certeza de que suas criaturas estão felizes com o seu trabalho. Eu não faria isso se achasse que havia ali qualquer crueldade ou risco real envolvido. Quando coloco o meu furão na frente de um buraco, tudo o que ele quer fazer é entrar e ver o que há do outro lado, diz ele. James, é claro, não é o único que reconheceu o potencial de engenharia dos furões. Uma das doninhas, que é um tipo de furão selvagem, mais famosas de todos os tempos, se chamava Felícia. Em 1971, durante a construção do Laboratório Nacional de Aceleradores de Partículas, posteriormente renomeado Fermilab, em homenagem a Enrico Fermi, surgiu um problema. os longos e estreitos tubos de vácuo que fariam parte do acelerador de partículas precisavam estar perfeitamente limpos de poeira e detritos metálicos. Para resolver isso, um engenheiro britânico lembrou que as doninhas exploram naturalmente túneis e frestas e sugeriu que uma fosse usada para percorrer os tubos e arrastar um fio que permitiria a passagem de um grande cotonete com solução de limpeza ao longo do tubo. E assim, Felícia assumiu a tarefa de resolver o problema para os cientistas que pesquisavam física de partículas. Você já deve ter ouvido falar de cães farejadores de câncer, aqueles que conseguem detectar a doença. Mas o alcance deles vai muito além disso. Epilepsia, malária, Parkinson e até mesmo Covid-19. Como os cães conseguem farejar doenças em humanos ainda é uma ciência em desenvolvimento. Mas Claire Guest, cofundadora e diretora científica da Medical Detection Dogs, um centro de treinamento em Milton Keynes, na Inglaterra, está envolvida desde o início. Os cães nos ensinaram coisas que não imaginávamos antes. Foi completamente revolucionário pensar que o câncer tinha cheiro. Agora sabemos que as doenças têm sim um cheiro", diz ela. O que os torna realmente excelentes no que fazem? Bem, em primeiro lugar é o incrível olfato deles. Estamos falando de 300 milhões de receptores sensoriais. Os humanos têm apenas 5 milhões. Se um humano consegue detectar uma colher de chá de açúcar em uma xícara de chá, um cão consegue detectá-la em duas piscinas olímpicas cheias de água. Explica ela. Clare acrescenta que o tipo de nariz que esses animais possuem é incrivelmente bem projetado. Os cães conseguem inspirar o ar em um fluxo contínuo enquanto o expiram por outras partes do nariz. Isso permite que o cheiro alcance os receptores olfativos com mais eficácia, sem que o ar antigo se misture com o novo. Em outras palavras, eles conseguem inspirar e expirar simultaneamente pelo nariz, maximizando a detecção de moléculas de odor. É por isso que eles conseguem detectar cheiros muito sutis e seguir rastros por horas. É um sistema muito sofisticado", conclui Claire Guest. Mas há outra qualidade importante que torna esses cães eficientes em seu trabalho. Tudo se resume à motivação. Os cães não fazem isso apenas pelas recompensas que recebem. Eles querem que seus donos sejam felizes, afirma ela. Um estudo recente mostrou que quando estamos com o nosso cachorro e o acariciamos, liberamos oscitocina, o hormônio do amor, que antes se acreditava ser produzido apenas entre mães e filhos ou casais muito próximos. Mas o que é ainda mais incrível, eu acho, é que o cachorro nos reflete e também libera o citocina, completando assim um vínculo total e recíproco. O cachorro é tão apegado a nós quanto nós a ele, diz Claire Guest. Além de treinar cães biodetectores que trabalham na identificação de amostras, o centro também treina cães de assistência médica que vivem e trabalham com um único humano. Eles são treinados para soar o alarme quando uma emergência médica pode ocorrer. Lauren sofre de síndrome da taquicardia ortoestática postural e um distúrbio neurológico funcional que causa convulsões não epilépticas e Mabel é sua cadela de assistência, o que significa que ela a alerta quando está prestes a passar mal e ter uma crise. Por exemplo, ela coloca a cabeça no meu colo e, se eu tento me levantar, ela não se mexe, indicando que eu preciso ficar sentada porque vou desmaiar, diz Lauren. Isso mudou a vida dela. Eu tinha uns 16 anos quando fui diagnosticada. Eu estava estudando e indo bem academicamente, eu era dançarina e, de repente, passei a não conseguir me sentar na cama sem que alguém estivesse lá para garantir que eu não caísse e me machucasse. sem conseguir me vestir, me lavar ou me alimentar sozinha. Senti como se meu mundo tivesse realmente encolhido." Lembra Lauren. Ter a Mabel mudou tudo. Posso sair e me locomover sozinha. É absolutamente incrível. Se existisse uma máquina que pudesse fazer tudo o que a Mabel faz, qual ela escolheria? Eu sempre escolheria a Mabel em vez de um robô, porque ela faz muito mais do que apenas alertar sobre algo. Existe também essa conexão emocional, diz Lauren. Imagine o pior dia da sua vida, mas ter alguém sentado ao seu lado, fazendo você se sentir melhor. E não há nada tão especial quanto acordar de manhã e ver alguém tão feliz em te ver. Eu jamais a trocaria por um robô", diz ela. E se você quiser ver fotos das espécies mencionadas nesse áudio, é só acessar o link da reportagem original na descrição do vídeo mais acima. Você ouviu a reportagem Os animais que realizam trabalhos que nem humanos ou robôs conseguem Publicada pela BBC News Brasil em 2 de fevereiro de 2026
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BBC Narrator
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Podcast: BBC Lê
Episódio: Os animais que realizam trabalhos que nem humanos ou robôs conseguem
Data: 19 de março de 2026
Host: BBC Brasil
Reportagem original: Simon Watt e Emily Knight (Discovery, BBC World Service)
Narrador: Thomas Papon
Neste episódio, a BBC explora como diferentes espécies animais são treinadas para realizar tarefas altamente especializadas nas quais humanos e até robôs falham ou são pouco eficientes. O programa detalha as habilidades únicas de ratos, furões e cães, destacando suas contribuições em missões que vão da detecção de minas terrestres à assistência médica sofisticada. O episódio mergulha na ciência, no treinamento e, principalmente, no vínculo afetivo que esses animais criam com seus parceiros humanos.
Tópicos abordados:
Citação marcante:
"No início, havia muito ceticismo... Quando tentamos realizar essas cerimônias de devolução de terras às comunidades, elas se recusaram até mesmo a pisar nelas porque não confiavam no trabalho dos ratos." — Cynthia Fast (04:10)
Tópicos abordados:
Citação marcante:
"Quando coloco o meu furão na frente de um buraco, tudo o que ele quer fazer é entrar e ver o que há do outro lado." — James McKay (09:55)
Tópicos abordados:
Citação marcante:
"Os cães nos ensinaram coisas que não imaginávamos antes. Foi completamente revolucionário pensar que o câncer tinha cheiro. Agora sabemos que as doenças têm sim um cheiro." — Claire Guest (12:40)
Citação tocante:
"Eu sempre escolheria a Mabel em vez de um robô, porque ela faz muito mais do que apenas alertar sobre algo. Existe também essa conexão emocional." — Lauren (14:55)
Cynthia Fast (Apopo):
James McKay (Treinador de furões):
Claire Guest (Medical Detection Dogs):
Lauren (dona da cadela Mabel):
O episódio mostra que em um mundo cada vez mais tecnológico, existem tarefas de precisão, sensibilidade e relacionamento emocional que só animais podem executar. Ratos, furões e cães demonstram não apenas talentos extraordinários, mas também promovem laços de confiança e afeto com os humanos — algo irreplicável pelas máquinas. O programa ilustra de forma vívida que, para muitos trabalhos essenciais, os animais ainda são — e talvez sempre serão — simplesmente insubstituíveis.