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A
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B
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C
Passei de me sentir sozinha 24 horas por dia a nunca mais estar só. as mulheres que escolheram viver com outras mulheres ao envelhecer. Reportagem de Becca Jones, Datsyane Navanayam e Jane Turlow, do programa The Conversation, do Serviço Mundial da BBC, publicada pela BBC News Brasil em 11 de março de 2026. Lida por Silvia Salek. Pat Dunn chegou aos 70 anos de idade em situação desesperadora. Seu marido acabara de morrer repentinamente e sua aposentadoria como enfermeira não era suficiente para pagar o aluguel na cada vez mais cara província de Ontário, no Canadá. não havia onde eu pudesse morar sozinha. Por isso, comecei a considerar a possibilidade de viver acompanhada", disse a BBC. Inspirada pela famosa série de TV americana Supergatas, de 1975 a 1992, Pat Dunn começou a procurar nas redes sociais mulheres que estivessem passando por circunstâncias similares, dispostas a compartilhar uma moradia. No final do primeiro mês, após criar meu grupo no Facebook, havia 200 membros, lembra? Esse grupo na internet cresceu até se transformar em uma organização não governamental com mais de dois mil associados no Canadá. A organização se chama Senior Women Living Together. Mulheres idosas morando juntas, em tradução literal. Iniciativas como essa começaram também a surgir em outras partes do mundo. Hanne Nuttinen se mudou do seu país natal, a Finlândia, para a França. Lá, ela ajudou a formar um lar, conhecido como Sede Central da Alegria, onde mulheres de todo o mundo podem permanecer por diferentes períodos de tempo. Chamamos de moradia conectada. É uma forma mais holística de morarmos juntas. É um espaço onde você pode ser você mesma, mas também morar e compartilhar coisas e experiências com outras pessoas, diz. Essas duas mulheres explicaram à BBC os motivos que levaram elas a buscar esse novo estilo de vida e relataram também suas experiências morando com mulheres completamente desconhecidas até então. Na série Supergatas, quatro mulheres passam a morar juntas, respondendo a um anúncio classificado. Três delas têm entre 50 e 60 anos de idade e a outra, 80. Quando Pat Dunn descreve seu lar atual, parece estar detalhando a sinopse do programa que a inspirou a compartilhar moradia, adaptada ao Canadá e ao ano de 2026. Eu moro com duas mulheres que não conhecia até abrir o grupo no Facebook. Uma delas é um ano mais nova que eu, nunca se casou e nunca teve filhos. A outra é mais jovem, perto de 65 anos. Ela se casou várias vezes, mas nunca foi mãe. Pat Dunn conta que se agrupar levou cerca de quatro meses e tudo se baseou na sinceridade entre elas. Ninguém quer viver receoso no seu próprio lar, por isso é importante ser sincera e dizer, isso pode ser algo pequeno, mas me irrita infinitamente e é melhor a gente conversar. Exemplifica. Para Han Nutinen, esse compartilhar cotidiano é exatamente o que ela procurava quando se aventurou a procurar espaços de coabitação depois de viver por 10 anos como mãe solteira. Era a questão de ter apoio no dia a dia e compartilhar essas experiências, compartilhar essas vidas que vivemos, seja trabalhando ou como aposentadas. Era simplesmente difícil fazer tudo sozinha e eu queria compartilhar os altos e baixos da vida", conta. Ela diz ainda que sua decisão chegou quando percebeu que estava entrando no que ela define como fase Q3, o terceiro quarto da vida. normalmente começa a partir dos 50 anos, mas essa etapa pode representar a metade ou um terço da nossa vida, é muito tempo. E nessa idade já sabemos o que queremos, quem nós somos e a vida que de alguma forma queremos viver. Explica. Um ponto importante que as duas rapidamente entenderam é que nem todas as pessoas têm a mesma tolerância para compartilhar seus espaços pessoais. Além disso, cada mulher que recorre a essa solução de moradia o faz por diferentes motivos e com expectativas diversas, levando ao surgimento de vários estilos de coabitação. O lar de Hanne Nuttinen, por exemplo, recebe mulheres com mais de 50 anos, que vêm de comunidades de diferentes países da Europa e também do norte da África. Elas inauguraram sua primeira base no sul da França e se expandiram para a Itália, Espanha e Marrocos. E a intenção é continuar essa expansão. Fizemos uma pesquisa de mercado e percebemos que essas mulheres de todas as partes do mundo desejam ter um pouco de tranquilidade nas suas vidas, além da comunidade, conta. As bases criadas por ela em conjunto com sua sócia também oferecem flexibilidade. Elas permitem que as mulheres morem nelas de forma temporária, seja por semanas ou meses. Já a Pat Dunn abriu um grupo no Facebook e tem hoje cerca de 2.800 mulheres e nem todas as histórias são encorajadoras. Às vezes são histórias muito tristes. Ouço suas histórias de morar em carros, por exemplo, e que não contam aos filhos por vergonha. Essas histórias não são agradáveis de se ouvir, mas me convenceram ainda mais de que se eu precisasse me dedicar a algo pelo resto da vida, seria ajudar essas mulheres", diz. Apesar da penúria que precisaram enfrentar muitas dessas mulheres que hoje pertencem ao grupo de patidan, tem medo de dar o salto e coabitar com outras mulheres. Sempre digo que não é para todos e recomendo. Você não precisa fazer isso, pense um pouco mais. Ela diz que o fator incerteza pesa muito para muitas mulheres que planejam a coabitação. Tento animá-las a começar a conversar com outras mulheres da região de Ontário e organizamos reuniões. Não fazemos nenhum trabalho de convivência no grupo do Facebook que é apenas para debater, de forma que eu tento fazer diversas perguntas que sei que preocupam as pessoas. Ela sabe que sua plataforma não existe para conectar as mulheres, mas para oferecer recursos para que elas tomem a decisão entre elas mesmas, se for o caso. Fornecemos apenas a plataforma, destaca ela. Isso é o que você pode fazer, as reportagens que você deve ler, as informações de apoio, mas a decisão é sua. Nos lares de Hanni Nuttinen, existe um processo de seleção para assegurar que as aspirantes estão prontas para a comunidade, porque nem todas estão. Algumas entendem que, afinal, não é para elas, ou retornam em alguns meses, quando tiveram os recursos, ou estiverem física ou mentalmente prontas, diz. E também é preciso explicar que os lares não contam com nenhum tipo de assistência de enfermagem ou pessoal médico. Esse é outro negócio, não é o nosso. O grupo de Pat Dunn, no Facebook, oferece perguntas e respostas sobre a vida em coabitação com pessoas estranhas. As coisas óbvias, cozinhar, limpar, como se faz mercado, como pagar as despesas, tudo isso. Também falamos de temas relacionados à idade, o que acontece se uma de nós fica doente ou precisa ir ao hospital ou para um lar geriátrico. O que acontece se observamos sinais de demência? É preciso considerar todos esses fatores", diz. Existe também uma sessão importante sobre como manter relações saudáveis, colocar limites e formas de se comunicar. Nuttinen explica que, nos seus lares, existe também a figura da anfitriã, que serve de moderadora no caso de atritos. No processo de chegada ao lar, apresentamos as mulheres por chamada de vídeo para que todas elas saibam quem está vindo, e meio que as encaixamos suavemente para que tenham interesses similares ou atividades parecidas. Às vezes, o mais difícil da vida é compartilhar seu lar com alguém. Pat Dunn conta que a maioria dos casos de sucesso que ela presenciou ocorreu em situações em que as mulheres que iriam morar juntas se encontravam em paridade de condições. São histórias de sucesso de duas, três ou quatro mulheres que se conhecem no nosso site, decidem morar juntas e nós as ajudamos a procurar um lugar para alugar, detalha ela. Ela diz ainda que o mais difícil ocorre quando uma mulher dona de um imóvel recebe outras para conviver no mesmo espaço. Pode haver um desequilíbrio de poder desde o princípio, dependendo da personalidade da proprietária. Nós as ajudamos a considerar isso mais como uma amizade que elas desejam construir com as outras mulheres e como conseguir isso dentro da realidade dos fatos, diz. Como essas mulheres estão decidindo compartilhar seus lares com estranhas, existem também limitações sobre quem pode entrar nas casas e quem não pode. Pattidan afirma que muitas das mulheres do grupo proíbem taxativamente visitas de namorados ou similares, outras nem tanto. e também aos filhos. Tanto Pat Dunn como Hanne Nuttinand são mães e acabaram abrindo a filhos a experiência de moradia coletiva. Minha filha ainda é muito jovem, conta Hanni Nuttinen. Ela é adolescente e teve o prazer de estar comigo em uma dessas bases, o que é raro, já que não permitimos que os filhos venham. Mas no Natal, por exemplo, há mais família e amigos e os filhos. Amigos e namorados podem vir se quiserem. Ela pôde vivenciar isso e ficou realmente encantada, lembra? Já os filhos de Pat Dunn são maiores de idade e quem mais a apoia é a mais nova. Quando contei a ela o que eu estava fazendo, assim que eu comecei, ela disse, mamãe, você é o máximo. Para Pat Dunn, em um lugar como Ontário, onde acredita-se que existam 150 mil idosas vivendo na pobreza, é fundamental que existam esses espaços de coabitação. Estamos começando a receber o apoio de construtores e donos de imóveis. Estamos despertando um sério interesse dos parlamentares, diz. Para Hanne Nuttinen, a experiência de conectar as mulheres tem sido imensamente gratificante e mudou a sua vida. É um sonho que se tornou realidade. Morar em lugares diferentes, conforme a estação ou o negócio. Isso me permite ter a vida que sempre quis, sem estar presa a um só local. No caso de Pat Dunn, a mudança foi igualmente radical. Deixei de ficar desesperadamente isolada e aterrorizada por ficar sem casa e passei a ter um lar seguro com mulheres com quem posso conversar, me sentir segura, me divertir e ainda sobra um dinheiro no banco. Passei de me sentir sozinha 24 horas por dia a nunca mais estar só outra vez, concluiu ela. Você ouviu a reportagem, passei de me sentir sozinha, 24 horas por dia, a nunca mais estar só. As mulheres que escolheram viver com outras mulheres ao envelhecer. Publicada pela BBC News Brasil em 11 de março de 2026.
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O apoio está disponível 24 horas por dia com o VerboCare. Estamos aqui dia ou noite. Fique pronto quando você precisar de ajuda, porque uma ótima viagem começa com o bom apoio.
Podcast: BBC Lê
Episódio: "Passei de ficar sozinha a nunca mais estar só": as mulheres que escolheram viver com outras mulheres ao envelhecer
Data: 7 de abril de 2026
Matéria original: BBC News Brasil (11 de março de 2026)
Repórteres: Becca Jones, Datsyane Navanayam e Jane Turlow
Lida por: Silvia Salek
O episódio apresenta a reportagem sobre mulheres maduras que, enfrentando desafios da solidão, insegurança financeira e desejo por comunidade, escolheram viver juntas na velhice. O relato centraliza nas histórias de Pat Dunn, do Canadá, e Hanne Nuttinen, atualmente na França, que buscaram alternativas à moradia solitária e agora inspiram uma tendência global de coabitação feminina na terceira idade.
Pat Dunn:
Hanne Nuttinen:
O episódio ilustra uma tendência crescente de mulheres maduras se empoderando e criando redes de apoio mutuamente benéficas, superando não apenas a solidão, mas também desigualdades sociais. Os exemplos de Pat Dunn e Hanne Nuttinen servem de inspiração para novas formas de morar, priorizando autonomia, companhia e sustentabilidade na terceira idade.