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A
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B
BBC Lê.
C
Por que os chineses estão pagando mais para usar camisinha a partir deste ano? Reportagem de Osman Shia e Ian Shen, da BBC News, publicada pela BBC News Brasil em 1º de janeiro de 2026. Lida por Thomas Papon. A partir de 1º de janeiro de 2026, consumidores chineses passaram a pagar 13% de imposto sobre as vendas de contraceptivos como camisinhas e pílula. Paralelamente, os serviços de creche terão isenção fiscal como parte das medidas da segunda maior economia do mundo para aumentar suas taxas de natalidade. A reforma do sistema fiscal do país, anunciada no final do ano passado, elimina diversas isenções que estavam em vigor desde 1994, quando a China ainda adotava a política do filho único, que passou décadas em vigor. As medidas também incluem a isenção do imposto sobre valor agregado de serviços relativos a casamentos e cuidados com os idosos. Elas fazem parte de um esforço maior, que inclui também o aumento da licença-paternidade e o oferecimento de bônus em dinheiro. O envelhecimento da população e uma economia que caminha a passos lentos levaram Pequim a tentar incentivar os jovens chineses a se casarem e os casais a terem filhos. Os números oficiais demonstram que a população chinesa diminuiu três anos seguidos. Em 2024, nasceram no país 9,54 milhões de bebês. Esse número representa cerca de metade dos partos registrados uma década atrás, quando a China começou a relaxar suas normas, limitando a quantidade de filhos das pessoas. Ainda assim, o imposto sobre contraceptivos, incluindo preservativos, pírolas e dispositivos anticoncepcionais, gerou preocupações com ocorrências de gravidez indesejada e com os índices de HIV, sem falar na ridicularização da medida entre os chineses. Algumas pessoas apontam que seria necessário muito mais do que aumentar o preço dos preservativos para convencê-las a terem filhos. Um revendedor orientou os lojistas a estocar o produto antes do aumento dos preços. E um usuário das redes sociais brincou. Vou agora comprar um estoque de preservativos para toda a vida. Outro usuário escreveu que as pessoas sabem a diferença entre o preço do preservativo e o custo de criar um filho. A China é um dos países mais caros para se criar filhos, segundo um relatório do Instituto de Pesquisa Populacional Yuwa, de Pequim, publicado em 2024. Os custos são impulsionados pelas mensalidades escolares em um ambiente acadêmico altamente competitivo e pelas dificuldades enfrentadas pelas mulheres para conciliar trabalho e maternidade, segundo o estudo. A redução da atividade econômica no país foi causada, em parte, por uma crise imobiliária que atingiu a poupança da população. Ela gerou entre as famílias, e especialmente entre os jovens, a sensação de incerteza e falta de confiança em relação ao futuro. Tem um filho, e não quero mais, contou Daniel Luo, de 36 anos. Ele mora na província de Renan, no leste do país. É como acontece quando aumenta a tarifa do metrô. Quando ela sobe 1 ou 2 yuan, as pessoas não mudam seus hábitos. Você ainda tem que pegar o metrô, certo? Lu afirma que não está preocupado com o aumento do preço. Uma caixa de preservativos poderá ficar 5 yuans mais cara, talvez 10, no máximo 20, cerca de R$ 4 a R$ 16. Em um ano, são apenas algumas centenas de yuans, o que é totalmente acessível. Mas o custo pode ser um problema para outras pessoas. É isso que preocupa Rose Zhao, que mora na cidade de Xi'an, na região central da China. Ela conta que aumentar o custo da contracepção, que é uma necessidade, pode fazer com que estudantes ou pessoas em dificuldades financeiras corram risco. Parasal, este seria o possível resultado mais perigoso dessa política. E observadores parecem estar divididos sobre o objetivo da reforma fiscal. A ideia de que o aumento do imposto sobre preservativos irá influenciar os índices de natalidade é supervalorizar a medida, segundo o demógrafo Yifu Xian, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Ele acredita que a China esteja disposta a cobrar impostos, sempre que possível, por enfrentar um mercado doméstico em recessão e o aumento da dívida estatal. A receita gerada pelo imposto sobre valor agregado chinês é de cerca de US$ 1 trilhão, cerca de R$ 5,5 trilhões, o que representa perto de 40% da receita total dos impostos do país no ano passado. A criação do imposto sobre preservativos é simbólica e reflete a tentativa de Pequim de elevar os índices de fertilidade surpreendentemente baixos da China, segundo Henrietta Levin, do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos, nos Estados Unidos. Para ela, o que também dificulta os esforços é que muitas políticas e subsídios precisarão ser implementadas pelos governos provinciais, que estão endividados, e não se sabe ao certo se eles poderão dedicar recursos suficientes para essas medidas. Os incentivos chineses para que as pessoas tenham filhos também correm o risco de sair pela culatra se as pessoas perceberem que o governo está sendo intrusivo demais em uma decisão profundamente pessoal", explica Henrietta Levin. Surgiram recentemente notícias na imprensa de mulheres em algumas províncias que receberam ligações de autoridades locais perguntando sobre seus ciclos menstruais e planos de ter filhos. O Escritório de Saúde Local da província de Yunnan, no sudoeste do país, afirmou que esses dados eram necessários para identificar mulheres grávidas. Mas isso não melhorou a imagem do governo, segundo Levin. O Partido Comunista não consegue deixar de se infiltrar em todas as decisões preocupantes para ele, explica ela. Por isso, de certa forma, ele acaba sendo o seu pior inimigo, explica. Observadores e as próprias mulheres afirmam que a liderança do país, dominada por homens, não compreende as mudanças sociais por trás dessas alterações mais amplas e que isso não ocorre apenas na China. Países ocidentais e mesmo na própria região, como o Japão e a Coreia do Sul, vem enfrentando dificuldades para aumentar o índice de natalidade e lidar com o envelhecimento da sua população. Um dos motivos é o trabalho de criação dos filhos, que cai desproporcionalmente sobre as mulheres, segundo pesquisas. Mas existem também outros fatores, como a redução dos casamentos e até dos namoros. O conjunto de medidas sendo tomadas pela China não aborda o verdadeiro problema, a forma como os jovens interagem hoje em dia, que evita cada vez mais as genuínas conexões humanas, segundo Daniel Luo. Ele destaca o aumento das vendas de brinquedos sexuais na China. Para Luo, esse é um sinal de que as pessoas estão se satisfazendo sozinhas, pois interagir com outra pessoa passou a ser mais um incômodo. Os jovens hoje em dia lidam com muito mais estresse da sociedade do que as pessoas de 20 anos atrás, explica Luo. É claro que materialmente eles vivem melhor, mas as expectativas colocadas sobre eles são muito mais altas. Todos estão simplesmente esgotados", conclui Luo. Você ouviu a reportagem Por que os chineses estão pagando mais para usar camisinha a partir deste ano, publicada pela BBC News Brasil em 1 de janeiro de 2026.
Podcast: BBC Lê
Host: BBC Brasil
Episode Date: January 22, 2026
Reporters: Osman Shia & Ian Shen
Reader: Thomas Papon
This episode explores a recent policy shift in China, where as of January 1, 2026, the government imposed a 13% sales tax on contraceptives such as condoms and birth control pills. The move is part of a broader attempt by Chinese authorities to counter the country’s declining birth rate. The episode discusses the motivations behind the reform, public and expert reactions, potential consequences—both intended and unintended—and how these measures fit into China’s ongoing demographic and socio-economic challenges.
Implementation:
Broader Fiscal Reform:
Shrinking Population:
Policy Rationale:
Public Skepticism and Satire:
Concerns of Unintended Consequences:
Economic and Social Skepticism:
Cost of Raising Children:
Climate of Uncertainty:
Symbolic Rather Than Practical:
Social Monitoring Backlash:
Daniel Luo, 36, Henan Province:
Trends in Solitude:
The Chinese government’s recent tax hike on contraceptives is emblematic of its urgent efforts to reverse a steep demographic decline, but reactions suggest it is unlikely to meaningfully raise birth rates. Instead, the policy spotlights deeper societal and economic anxieties, gender imbalances, and generational fatigue. Experts and everyday citizens alike doubt that financial nudges—especially those that increase the cost of reproductive autonomy—can override complex social realities and personal choices.