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Este podcast é apoiado pelas redes sociais do exterior do Reino Unido. Olá, sou Ray Winstone. Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4, História dos Heróis mais difíceis. BBC.
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LIVE! Quando li Einstein, ele parecia mais radical que Che Guevara e Mao Tse Tung", diz o aclamado físico Carlo Rovelli, a BBC. Reportagem publicada pela BBC News Brasil em 13 de outubro de 2025. Lida por Silvia Salec. O físico italiano Carlo Rovelli adora ficar deitado no sofá analisando números. Ele gosta de pensar e escrever artigos sobre buracos negros e maneiras de testar a teoria sobre eles. Mas ele confessa ter uma luta interna constante. Há uma voz dentro de mim que diz, vamos lá Carlo, você é um cientista, não fale sobre os problemas do mundo, fale sobre ciência e cale a boca. No entanto, não é uma voz que ele queira obedecer. E Carlo Rovelli, considerado um dos físicos teóricos mais proeminentes das últimas décadas, também se tornou um intelectual. Em 2019, a revista Foreign Policy nomeou Rovelli um dos 100 intelectuais globais mais influentes. Eu descobri que sou uma voz que muitas pessoas ouvem. É minha responsabilidade falar sobre o que eu considero serem os erros que estamos cometendo coletivamente", diz. O acadêmico e autor do best-seller internacional Sete lições curtas de física, obra que o catapultou ao estrelato científico, conversou com o jornalista da BBC, Amol Rajan, no podcast Radical. Ele não apenas discutiu o tempo, o espaço e porque acredita que o Big Bang pode ter sido mais um Big Bounce ou a teoria do grande rebote, mas também discutiu sua preocupação com a forma como as potências globais priorizam a competição em detrimento da cooperação. Ele argumentou também que a inteligência artificial está sendo superestimada, embora tenha destacado seus usos e a necessidade de regulamentação. Carlo Rovelli ainda acha difícil acreditar que sete breves lições da física tenha se tornado um best-seller. Não era algo que ele ou sua editora italiana poderiam ter imaginado quando o livro foi publicado em 2014. Ele acredita que um dos motivos é que o livro mistura ideias da física teórica com as grandes questões, como o que estamos fazendo aqui e quem somos. O livro não separa nossas emoções, nossa busca por significado do conhecimento científico atual. Pelo contrário, ele tenta ver o que os dois estão dizendo um ao outro, diz o físico. Para ele, de certa forma, estamos nos aproximando de responder às perguntas mais fundamentais sobre as origens do universo e, ao mesmo tempo, não. Os cientistas têm sido espetacularmente bons em reconstruir o que aconteceu em larga escala no universo nos últimos 13, 14 bilhões de anos, diz. Para ele, as evidências agora são esmagadoras de que todas as galáxias eram um espaço muito menor, mais comprimido e mais quente. E que, de certa forma, emergiu dessa enorme explosão que é o que chamamos de Big Bang. Não temos certeza, mas podemos estar começando a entender o que aconteceu nessa passagem. Por exemplo, pode ter sido um salto, um universo que primeiro se comprime e depois dá um rebote. Carlo Rovelli acredita que há uma boa chance de que esse tenha sido o caso e que, nos próximos anos, especialistas em Física, Cosmologia, Astrofísica e Astronomia serão capazes de esclarecer a pergunta. No entanto, tudo dependerá do quanto as evidências forem convincentes. Imagine que, por alguma medição, nos convencemos de que houve um grande rebote. Mas será que respondemos à pergunta de onde o universo veio? Não. Seria mais um passo em um caminho complexo em direção à resposta. É como se houvesse um grande mistério atrás de uma colina, mas, ao chegar ao seu topo, você encontra um vale e o resolve. Você descobriu tudo? Não. Há outra colina além daquele vale. Em outras palavras, há outro mistério a ser desvendado. Nessa busca constante por conhecimento, será que a inteligência artificial conseguiria alcançar um entendimento que os cientistas não conseguiram? Carlo Rovelli é direto. Acho que a inteligência artificial é extremamente superestimada. Por enquanto, deixa eu ser direto. Essa tecnologia vai produzir algo mediano em comparação com o que já existe. Até agora, é notavelmente pouco criativa. É muito menos criativa do que o pior dos meus alunos. Talvez melhore, não sei, diz. No entanto, ele reconhece a utilidade da inteligência artificial em muitos campos, incluindo o seu. Por exemplo, ela é usada para realizar alguns cálculos complexos na área de gravidade quântica. Quando damos um salto tecnológico, há uma tendência de dizer, esse é apenas o primeiro passo, então isso e aquilo vai acontecer, mas nem sempre é assim, afirma. O cientista era criança quando começaram os primeiros voos entre Londres e Nova York, uma viagem que antes levava semanas. As pessoas começaram a dizer que, com o passar dos anos, esses voos de 8 horas seriam reduzidos para 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1 hora. Mas, como diz Rovelli, 50 anos depois ainda são 8 horas. A tecnologia dá esses saltos enormes e, para mim, está longe de ser óbvio que este seja apenas o primeiro passo de um enorme crescimento. Talvez seja, não sei, posso estar enganado, mas tenho a sensação de que há muita publicidade em torno da inteligência artificial", diz. E assim, ele se declara como São Tomé, só acredita vendo. No entanto, alerta que não é má ideia ser cauteloso com seu desenvolvimento, porque a inteligência artificial será muito poderosa. Ele enfatiza a importância da regulamentação de instituições globais que ajudem a controlar de forma transparente o que acontece em torno dessa tecnologia, especialmente porque haverá um enorme investimento em inteligência artificial pelos setores militares das grandes superpotências, na tentativa de se superarem mutuamente por meio dela. E essa dinâmica competitiva, diz ele, é perigosa. Infelizmente, vivemos nessa loucura que é a política de dissuasão nuclear, a destruição mútua assegurada se alguém lançar uma bomba nuclear. Como os seres humanos puderam ser tão idiotas a ponto de se colocarem nessa situação? Por isso, ele acredita que não precisamos, como humanidade, de mais inteligência artificial. Precisamos de mais inteligência natural para parar de fazer coisas estúpidas, como matar uns aos outros regularmente. A inteligência artificial não vai nos tirar disso, só conseguiremos isso sendo razoáveis. O físico italiano está preocupado com o fato de estarmos entrando no século XXI como entramos no século XX. Guerras enormes, todos estão fabricando armas, demonizando uns aos outros, se sentindo ameaçados uns pelos outros. Esses são os sintomas que levam a grandes conflitos", diz. Ele conta que a cada duas semanas faz um exercício que consiste em ler os jornais das principais capitais do mundo e o que encontra é uma narrativa surpreendentemente divergente. Cada um de nós, incluindo o Ocidente, está em sua própria pequena bolha de histórias, enquanto outros veem o mundo de forma diferente. E não é porque eles são autocracias e nós somos democracias. Não, é porque estamos nos distanciando e temo que estamos caminhando para um confronto maior", diz. Mas em meio a esse pessimismo, Carlo Rovelli sente que há esperança. E é algo que ele vê em muitos jovens que ele considera igualmente preocupados com a crise climática, o perigo nuclear, os conflitos armados e, em geral, com os problemas globais. Precisamos de uma cultura que reconheça que somos uma tribo em todo o planeta, diz. Para ele, não se trata de qual sistema político é o melhor. Essa realmente não é a questão principal. A questão é, podemos viver juntos nesse planeta e resolver problemas juntos? Pergunta. Houve um tempo em que Carlo Rovelli, nascido em 1956, queria transformar o mundo e ele não estava sozinho. A maioria dos meus amigos, não apenas em Verona, mas no mundo todo, pensava, bem, o mundo é assim, mas vamos mudá-lo para melhor. Como eles fariam isso era assunto das conversas em todos os lugares por onde ele passava. Ele diz que se sentiu deslocado no ensino médio, onde encontrou professores que não escondiam sua simpatia pelo fascismo. E lembra de parte de sua juventude, viajando, lendo muito e seguindo seu próprio caminho. Como muitas pessoas, acreditava no amor livre, mas não em fronteiras ou no exército. Ele se considerava um radical e, embora tenha se matriculado na faculdade, não frequentava as aulas regularmente. Adorava estudar sozinho e, quando necessário, abordava os professores com perguntas. Até que algo aconteceu. Eu me deparei com a física moderna, mecânica quântica e relatividade geral de Albert Einstein, que eram os principais tópicos das aulas", disse. Ler o que os cientistas haviam descoberto no século XX sobre a natureza da realidade foi como um choque, contou. Ele mergulhou na teoria da relatividade geral e ficou absolutamente cativado por ela. Na verdade, ele a achou mais radical do que Che Guevara e Mao Tse Tung. E as ideias de Einstein eram absolutamente radicais. Tempo e espaço não são algo fixo lá fora. São apenas a manifestação de um campo. As coisas não acontecem no espaço e tempo. Elas acontecem por si mesmas. E espaço e tempo são apenas maneiras de descrever a ocorrência das coisas. É uma mudança profunda. É uma maneira radical de pensar, disse. Se a teoria da relatividade nos diz que o espaço e o tempo não são o que pensávamos que fossem, a mecânica quântica, que descreve o mundo em escala atômica e subatômica, nos diz sobre tudo. Cada pedaço de matéria, cada componente do universo, cada objeto, você não deve pensar neles isoladamente. Você não pode descrever uma coisa por si só, mas como as coisas afetam umas às outras, como elas se veem. E é isso que a mecânica quântica descreve, explica. Carlo Rovelli assumiu o desafio de ajudar a conciliar duas das grandes teorias do século XX, a mecânica quântica e a relatividade geral. Nesse sentido, ele dedicou grande parte da sua carreira a construir, junto com colegas, a chamada teoria da gravidade quântica em loop. E há várias razões pelas quais Einstein é o herói de Carlo Rovelli, e nem todas são científicas. Em outubro de 1914, o físico alemão, com outros três acadêmicos, assinou um texto pacifista contra a Primeira Guerra Mundial, chamado de Manifesto aos Europeus. Nele, eles clamavam pela unidade europeia e exigiam o fim imediato das hostilidades para evitar a todo custo uma guerra fraticida. Eles escreveram um belo texto, que infelizmente ninguém seguiu, no qual diziam, o que estamos fazendo? Isso é uma loucura completa. Somos todos civilizados. A pior coisa que podemos fazer é começar a nos matar. Eu gostaria que muitos intelectuais hoje vissem isso, que tivessem a coragem de se manifestar, mesmo contra a narrativa predominante, e dizer, não devemos ser movidos pelo medo dos outros ou pelo desejo de sermos os mais poderosos. Devemos trabalhar juntos. E Carlo Rovelli espera continuar fazendo seus cálculos no sofá, se dedicando à sua pesquisa sobre gravidade quântica, mas sem deixar de apoiar o mundo em que acredita, um mundo onde a cooperação prevalece sobre a competição. A verdadeira luta, diz ele, é entre colaboração e confronto. Você ouviu a reportagem quando Lee Einstein parecia mais radical do que Che Guevara e Mao Tse Tung, diz o aclamado físico Carlo Rovelli, a BBC, publicada pela BBC News Brasil em 13 de outubro de 2025.
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Olá, sou Ray Winstone. Estou aqui para lhes contar sobre o meu podcast na BBC Rádio 4, História dos Heróis mais difíceis. Eu tenho histórias sobre os pioneiros, os rebeldes, os outcastes que definem o difícil. E essa foi a primeira vez que alguém dirigiu um carro tão rápido sem pneus. É quase como se seus olhos fossem sair da sua cabeça. Difícil o suficiente para você? Inscreva-se em História dos Heróis mais difíceis, onde quer que você encontre seu podcast.
Podcast: BBC Lê
Episode: "Quando li Einstein, ele parecia mais radical que Che Guevara e Mao Tsé-Tung", diz o aclamado físico Carlo Rovelli à BBC
Host: BBC Brasil, reportagem lida por Silvia Salec
Date: October 28, 2025
This episode presents an in-depth profile of the celebrated Italian physicist Carlo Rovelli, focusing on his perspectives about science, society, and the radical nature of Einstein’s thought. Through a reading of a BBC News Brasil article based on Rovelli’s interview with Amol Rajan (for the "Radical" podcast), listeners are invited to reflect on the intersections between scientific knowledge, existential questions, global challenges, and the urgency of collaboration in the modern world.
The episode conveys Rovelli's deeply reflective, candid, and sometimes critical take on science and society. It oscillates between philosophical inquiry, sober warning, and hope—especially his trust in the younger generation and in humanity's enduring potential for reason and collaboration.