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A
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B
Focamos na parte da internet que a maioria das pessoas não conhece. É chamada da Dark Web. BBC Lê. Saravá, a palavra de origem afro que marcou o MPB, escancarou preconceitos e hoje estampa itens de decoração. Reportagem de Edison Veiga, publicada pela BBC News Brasil em 29 de dezembro de 2025. Lida por Thomas Papon. Saravá nada mais é que uma palavra de origem banto que denota uma saudação de acolhida e boas-vindas. Mas até as palavras podem ter trajetórias atribuladas, e esse é o caso desta. Nos mais de cem anos, desde seu primeiro registro escrito, do qual se tem notícia até hoje, a palavra foi alvo de preconceitos e chacota, mas também de exaltação por alguns setores da sociedade que enxergam nela um ícone da cultura nacional. Sua história no Brasil remonta a séculos ainda mais antigos. O termo chegou aqui com os grupos de negros trazidos no primeiro ciclo de escravização entre os séculos XVII e XVIII, de acordo com a cientista da religião, jornalista e escritora Cláudia Alexandre, pesquisadora do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras da Universidade de São Paulo. Esses escravizados eram designados como bantos, generalização aplicada a dezenas de grupos étnicos distintos da região onde hoje são Angola e Congo. Este grupo está na origem de expressões culturais como os batuques, sambas e capoeiras, aponta Cláudia Alexandre. Saravá significaria inicialmente um cumprimento na língua quimbundo, parte da família linguística banto. Uma saudação, salve, esclarece a pesquisadora, autora de livros como Orixás no terreiro sagrado do samba. A saudação acabou sendo perpetuada por práticas religiosas dos negros, como na Umbanda e Quimbanda. Segundo a historiadora Lumi Watanabe, pesquisadora na Universidade de São Paulo e mãe de santo no terreiro de Umbanda, Urubatão da Guia, Saravá aparece escrita pela primeira vez em um ensaio jornalístico de 1923 de Carlos Alberto Nóbrega da Cunha, um jornalista e professor de escola pública branco. Ele era admirador da cultura dos morros, entusiasta do samba, é considerado um dos precursores do carnaval carioca, inclusive. O texto de Cunha tinha como título Os Mistérios da Macumba. Ele menciona no final que Saravá era o salve, a maneira como os pretos velhos saúdam na Umbanda, contextualiza a historiadora. Na mesma época, despontava na sociedade carioca o samba, capitaneado por nomes como Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, nascido em 1890, morto em 1974. Filho de um pedreiro com uma mãe de santo, negro e pobre, ele era um ícone daquilo que passaria a ser visto como cultura afro-brasileira, inclusive com o componente religioso. Sua composição, Sai Echu, fez com que a palavra Saravá saísse dos terreiros de Umbanda. Na música de Donga, os versos são estruturados como um canto responsorial de perguntas e respostas. Isso é próprio de uma estrutura musical centro-africana, analisa a historiadora Lumi Watanabe. É banto. Nessa música, basicamente, é uma pergunta falando saravá, vamos saravá, e a resposta vem do coro. Nos anos 1930, músicas conhecidas como do gênero macumba começam a se tornar populares, principalmente graças ao trabalho de J. B. de Carvalho. O cantor e compositor levava representações dos pontos de um banda a programas de rádio e gravações de discos. Outro nome de destaque foi o sambista Getúlio Marinho. Eles gravavam encenações, como se uma pessoa estivesse incorporando um preto velho. O JB de Carvalho, por exemplo, cantava com a fala do preto velho, aquelas coisas guturais, explica Watanabe. Segundo a historiadora, o público tinha posturas ambíguas diante dessas apresentações. Ao mesmo tempo em que uma parcela da sociedade, das pessoas brancas e letradas, queria saber o que acontecia nas, entre aspas, religiões dos negros, com curiosidade, existia também a repressão, uma postura pública de vamos condená-los, avalia. Nos anos 1960, o Saravá chega de vez às salas de jantar da classe média por meio de uma dupla muito associada à Bossa Nova. O violonista e compositor brasileiro Baden Powell, descendente de africanos, resolveu mergulhar no mundo do candomblé e nas sonoridades da capoeira. Encontrou como parceiro perfeito para a empreitada o poeta e compositor Vinícius de Moraes. Autodenominado o branco mais preto do Brasil, Moraes conhecia esses discos de Macumba desde pelo menos 10 anos antes e era fascinado por esse universo musical. Em 1966, a dupla lançou o LP Os Afro-Sambas. Uma das faixas mais famosas do disco, Canto de Elsanha, diz, Canto de Xangô também traz a saudação. Xangô, meu senhor! Saravá! A cultura afro-brasileira estava de vez arraigada no suprassumo da musicalidade produzida e consumida pela alta costura do intelecto nacional. O influenciador digital e empresário Jonathan Pires, idealizador do evento Marcha para Exu, em São Paulo, lembra que várias músicas brasileiras passaram a celebrar o termo, como Saravá, Saravá, de Martinho da Vila. Isso, irmão, ajudou a naturalizar a saudação no país inteiro", comenta. Mas o próprio Budden Powell rejeitaria a palavra e suas músicas que a incluíssem no fim da vida. Convertido como evangélico, o músico disse ao jornal Folha de São Paulo, em 1999, que só continuaria a cantar alguns de seus afro-sambas. Só alguns não posso gravar, né? O samba da bênção, por exemplo. Não digo mais Saravá. Posso tocar o samba da bênção, mas não falo Saravá, porque é um louvor a Satanás", afirmou Powell ao jornal. Furar a barreira em torno da cultura negra tinha, na primeira metade do século XX, um obstáculo escrito, o Código Penal. A legislação instituída logo após a proclamação da República criminalizava as práticas de matriz africana em terreiros e festas populares, classificando-as como espiritismo, magia e sortilégios, ou curandeirismo. Essa moldura legal dialogava com visões de cientificismo e moralismos então dominantes e reverberou na imprensa, criando estigma e medo em torno do que era afro-brasileiro". Comenta Jonathan Pires Cláudia Alexandre lembra que até 1976 era obrigatório registrar os terreiros na delegacia. Além disso, ela aponta para a existência de várias leis que atingiam diretamente o negro e da frequente perseguição de sambistas pela polícia. Segundo a pesquisadora, contribuíam para essa perseguição a polícia, a Igreja Católica e a imprensa. Historiador do cristianismo, o pesquisador Lucas Gesta reconhece a participação do catolicismo na construção do preconceito contra as religiões de matriz africana. Assim, uma expressão comum na Umbanda, como Saravá, simplesmente pelo fato de ser oriunda de lá, acaba sendo rejeitada, caricaturizada e ridicularizada. Repare isso em programas de comédia antigos na TV e outros meios de comunicação em massa", acrescenta Gesta. O pesquisador diz já ter presenciado várias ocasiões em que pessoas brincam com a palavra saravá como se ela propagasse uma maldição. O mesmo eu via em programas na TV brasileira de comédia, no qual os atores, de forma caricaturizada, usavam o termo como uma quebra ou corte de alguma ação má. Também já presenciei que, quando alguém dizia que iria acontecer uma coisa ruim a alguém, a contraparte respondia saravá, mas não por crer ou seguir a religião, e sim apenas para o chiste. Relata Lucas Gesta. Mas também é fato que o Saravá se tornou pop. Jonathan Pires comenta a tendência. Nos últimos anos, o movimento negro, as casas de religião e os artistas vêm revalorizando o Saravá em rituais, em redes sociais, na moda, na decoração e na cultura pop. Há uma pedagogia cotidiana contra a visão anterior, diz o empresário. Para ele, esse cenário é resultante de avanços jurídicos, como a Lei de 1997, que criminaliza o preconceito religioso, e campanhas públicas, como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado em 21 de janeiro. Mas para Lumia Watanabe é preciso cuidado com as novas modas. O mercado de consumo pega termos próprios das religiões afro-brasileiras e transforma tudo isso em produto, diz a historiadora. Há uma tendência de ganhar dinheiro em cima dessa nova modalidade a partir da valorização atual. Saravá está presente em camisetas e em itens de decoração, acrescenta. O Atanabe conta que há alguns anos, quando teve problemas com sua família e enfrentou LGBTfobia, postou em suas redes sociais a frase, é de Saravá que vivemos. De lá para cá, vejo gente postando essa frase nas redes sociais. É curioso, comenta a historiadora. Em sua empresa de artigos religiosos, a Xetruá, Jonathan Pires tem copos, camisetas, placas decorativas e adesivos estampando a palavra. Mas ele ressalva que faz tudo com respeito à origem e ao sentido, junto a mensagens educativas e símbolos que afirmam a fé sem estereótipos. Meu critério é simples, não é só estampa, é narrativa. Cada produto vem contextualizado, com texto explicando o sentido e a saudação, para ajudar quem compra a entender que se trata de uma expressão de respeito e boa energia. Não é folclore vazio, diz Pires. Mas ele conta que não foram poucas as vezes em que lidou com preconceitos do outro lado do balcão, gente que lê Saravá e assume como coisa do mal. A resposta é sempre educativa, explica a origem e o sentido, e muitas vezes a pessoa muda de postura na hora, conta. Em outras ocasiões, observa clientes que se sentem acolhidos ao ver a palavra. Entram emocionados dizendo, é a minha fé sendo reconhecida, relata. Para a historiadora Lumi Watanabe, o Brasil lida mal com a herança africana porque o contato com isso é o contato também com o trauma da escravidão. Mas os movimentos negros, principalmente a partir dos anos 1970, têm promovido um discurso de autoafirmação que celebra o resgate de manifestações culturais como a própria palavra Saravá. Para Jonathan Pires, esse termo expõe um paradoxo. Somos uma nação profundamente moldada por matrizes africanas, mas por muito tempo ensinada a temê-las", reflete o influenciador. Quando uma saudação, que significa salve, vida, força, vira xingamento, não é a palavra que está errada, mas é a leitura racista que se impôs. O resgate atual diz muito sobre um Brasil que deseja reconhecer sua origem, reparar injustiças simbólicas e falar de si com verdade. Recolocar Saravá no lugar de honra é, no fundo, recolocar pessoas negras e suas espiritualidades no centro da narrativa nacional", conclui. Você ouviu a reportagem. Saravá, a palavra de origem afro que marcou MPB, escancarou preconceitos e hoje estampa itens de decoração. Publicada pela BBC News Brasil em 29 de dezembro de 2025.
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Podcast: BBC Lê
Host: BBC Brasil
Episode: 'Saravá': a palavra de origem afro que marcou MPB, escancarou preconceitos e hoje estampa itens de decoração
Date: February 19, 2026
Reportagem: Edison Veiga (lida por Thomas Papon)
This episode presents a reading of BBC Brasil’s in-depth feature on “Saravá,” a greeting of Bantu origin that has traveled from Afro-Brazilian religious rituals into the lexicon of Brazilian music and, more recently, into pop culture and consumer goods. The episode explores the word's journey through prejudice, cultural affirmation, and commercialization, reflecting larger currents of race, religious intolerance, and identity in Brazil.
Meaning & Linguistic Roots:
Religious Context:
Movement from Terreiro to Song:
Affirmation and Contradiction:
The 1960s marked a turning point, with Baden Powell and Vinícius de Moraes’ album “Os Afro-Sambas” embedding “Saravá” into mainstream Brazilian culture and bossa nova.
Memorable quote from the song “Canto de Xangô”: “Xangô, meu senhor! Saravá!” (08:30).
However, Baden Powell later distanced himself from the term after converting to evangelical Christianity. In 1999, he stated:
“Não digo mais Saravá. Posso tocar o samba da bênção, mas não falo Saravá, porque é um louvor a Satanás"
— Baden Powell (09:45)
Legal and Social Obstacles:
During the early 20th century, Afro-Brazilian religious practices were criminalized, labeled as “espiritismo, magia e sortilégios” or “curandeirismo” (10:15).
Persecution was reinforced by police, the Catholic Church, and the press.
Until 1976, it was mandatory to register terreiros with the police.
Sociologist Lucas Gesta highlights how “Saravá” became the butt of jokes and stigmatized in comedy programs and everyday speech, often as if it were a curse.
“Repare isso em programas de comédia antigos na TV e outros meios de comunicação em massa”
— Lucas Gesta (11:30)
Stigma in Popular Culture:
Revalorization in Black Movements and Pop Culture:
From the late 20th century onwards, the Black movement and artists reclaimed “Saravá,” reversing its negative connotations and embracing it as a symbol of Afro-Brazilian pride and spirituality (12:10).
Jonathan Pires (influencer and entrepreneur) notes the presence of the word in songs such as Martinho da Vila’s “Saravá, Saravá” and its spread into nationwide consciousness.
“Isso, irmão, ajudou a naturalizar a saudação no país inteiro”
— Jonathan Pires (08:50)
Pires links this shift to advancements like anti-discrimination laws and public campaigns, notably the Day of Combatting Religious Intolerance (January 21).
Cautions on Appropriation:
Lumi Watanabe warns of consumer culture appropriating religious language:
“O mercado de consumo pega termos próprios das religiões afro-brasileiras e transforma tudo isso em produto”
— Lumi Watanabe (13:15)
“Saravá” now decorates t-shirts, mugs, and homeware, sometimes stripped of its sacred context.
Balancing Respect and Popularity:
Pires ensures his merchandise comes with educational context, to foster understanding instead of trivializing the term.
“Meu critério é simples, não é só estampa, é narrativa. Cada produto vem contextualizado, com texto explicando o sentido e a saudação.”
— Jonathan Pires (13:45)
He recounts both prejudice and affirmation from customers:
“Entram emocionados dizendo, é a minha fé sendo reconhecida”
— Jonathan Pires (14:00)
The word “Saravá” exemplifies Brazil’s fraught yet rich intersection of African heritage and national identity.
“Somos uma nação profundamente moldada por matrizes africanas, mas por muito tempo ensinada a temê-las. Quando uma saudação, que significa salve, vida, força, vira xingamento, não é a palavra que está errada, mas é a leitura racista que se impôs.”
— Jonathan Pires (14:15)
The current reclaiming of “Saravá” is seen as symbolic repair, restoring pride and visibility to Black spiritualities in the national narrative.
“Recolocar Saravá no lugar de honra é, no fundo, recolocar pessoas negras e suas espiritualidades no centro da narrativa nacional.”
— Jonathan Pires (14:25)
Cláudia Alexandre (researcher):
Lumi Watanabe (historian, mãe de santo):
Lucas Gesta (historian):
Jonathan Pires (influenciador):
The episode provides a rich and nuanced look at how a single word, “Saravá,” encapsulates Brazil’s historical tensions and evolving attitudes regarding race, religion, and cultural identity. Through expert commentary and powerful narrative quotes, listeners are invited to reflect on both the persistent prejudices and the important movements towards affirmation and pride in Afro-Brazilian heritage.