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BBC Lê. Suplementos de colágeno funcionam? E é melhor tomar, injetar ou passar na pele? Reportagem de Ruth Clegg, da BBC News, publicada pela BBC News Brasil em 8 de outubro de 2025. Lida por Silvia Salek. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano. dá sustentação à pele e ao sistema músculo esquelético, ajuda a manter a firmeza da pele, fortalece os ossos e articulações e contribui para a saúde de cabelos e unhas. O colágeno se tornou tão valorizado que alguns dermatologistas recomendam estocá-lo, investir no suplemento cedo para acumular reservas antes do desgaste inevitável do organismo que vem com o envelhecimento. O suplemento ganhou espaço até em festas, onde há quem o consuma em doses às vezes seguidas por tequila, apesar de bebidas alcoólicas não serem recomendadas para manter a pele jovem e radiante. A partir dos 20 ou 30 anos, o corpo passa a perder colágeno de forma natural, em média 1% ao ano. A velocidade dessa queda varia de acordo com fatores como exposição solar, alimentação e níveis de estresse. A questão é, existem evidências científicas confiáveis de que os suplementos realmente repõem esse estoque em declínio? E se sim, qual a forma mais eficaz de consumir o colágeno? De forma geral, muitas afirmações da publicidade sobre os produtos de colágeno por via oral não resistem às pesquisas. Na União Europeia, nenhuma promessa de benefícios à saúde, como a ideia de que o colágeno ajuda a manter a elasticidade da pele ou que melhora o funcionamento das articulações, conseguiu aprovação, explica Leng Heng, cientista sênior de nutrição humana da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar. Faisal Ali, dermatologista consultor do Midchester Hospital, afirma que um dos problemas enfrentados por consumidores e médicos é a quantidade de informações conflitantes e os interesses concorrentes na pesquisa sobre suplementos. Um estudo recente, relativamente pequeno, comparou pesquisas financiadas pela indústria do bem-estar com estudos sem o mesmo conflito de interesses. Enquanto os estudos financiados pela indústria sugerem que os suplementos de colágeno melhoram significativamente a hidratação, a elasticidade e reduzem rugas da pele, os não financiados por empresas farmacêuticas não mostram efeito algum. A realidade de muitos desses estudos é que é difícil encontrar qualquer um deles que seja totalmente independente da indústria, afirma o pesquisador clínico em reumatologia David Hunter, da Universidade de Sydney, na Austrália. Faisal Ali ressalta que pesquisas financiadas pela indústria não são intrinsecamente ruins, mas apresentam resultados muito mistos. Ainda assim, ele afirma que faltam evidências sólidas de que o colágeno oral ou tópico tenha efeito substancial. Então, se eu pudesse voltar no tempo e começar a tomar e armazenar colágeno aos 20 anos, teria eu hoje uma pele mais lisa e jovem? Me pergunto. Provavelmente não. O colágeno não permanece no corpo por tanto tempo, não temos uma reserva de colágeno que possamos usar facilmente. Acrescenta. Fazawali acredita, no entanto, que é possível aumentar a produção de colágeno e manter a elasticidade da pele por meio de técnicas especiais como estimulação a laser e microagulhamento. O procedimento envolve o uso de pequenas agulhas especializadas ou de um laser para fazer incisões mínimas na pele, estimulando o processo de reparo e desencadeando a formação de novo colágeno. O custo, no entanto, é alto, até 400 dólares, o equivalente a cerca de 4.300 reais por sessão. Mas existe uma alternativa mais acessível? A melhor coisa que você pode fazer por sua pele é usar um bom protetor solar. Sabemos que o sol tem um enorme impacto no envelhecimento da pele. Protetor solar, dieta saudável e se você fuma, pare. Isso terá um impacto muito maior do que suplementos de colágeno, diz o especialista. Segundo estudos, os riscos à saúde dos indivíduos pela suplementação com colágeno aparentemente são baixos, mas existem possíveis consequências maiores da demanda crescente pela substância. Os suplementos de colágeno de origem bovina, por exemplo, já foram relacionados ao desmatamento no Brasil. Paralelamente, a Comissão Europeia encomendou pesquisas sobre a possibilidade de que o colágeno ou a gelatina possam gerar novos casos de encefalopatia espongiforme transmissível ou doença de prion. A Autoridade Europeia para Segurança Alimentar estimou a exposição oral de seres humanos à gelatina infectada em cenários hipotéticos, considerando o pior dos casos, e concluiu que o risco era ínfimo ou inexistente. O aumento da ingestão de uma proteína como colágeno pode ser uma preocupação para pessoas com condições renais ou hepáticas que afetem o metabolismo das proteínas, afirma o professor de fisiologia neuromuscular Robert Erskine, da Universidade John Moores, em Liverpool, no Reino Unido. Além disso, como ocorre com qualquer suplemento, existe o risco de interação com outros remédios. Por isso, David Hunter aconselha a qualquer pessoa que esteja considerando a ingestão de um suplemento que converse primeiramente com um profissional de saúde. Kimberly Smith começou a tomar colágeno há seis meses. Após um ano traumático em 2024, ela decidiu investir no suplemento. Seu filho nasceu prematuro e ela, mãe de três filhos, conta que o estresse afetou muito sua pele. Desde então, consome diariamente colágeno marinho, derivado de peixes, em um gel com sabor tropical. Minha pele parece mais brilhante, iluminada, e meu cabelo nunca esteve melhor desde que comecei a tomar. Como mãe privada de sono, para mim fez diferença", diz. Emma Wedworth, dermatologista consultora na Harley Street, em Londres, afirma que, embora existam pesquisas sugerindo impacto positivo do consumo oral de colágeno, ela se mantém cética. Segundo ela, a ideia de que a substância percorre o corpo e chega exatamente onde é necessária é provavelmente ilusória. Para começar, o colágeno precisa atravessar o intestino sem ser totalmente decomposto. O colágeno é uma molécula grande, então as empresas passaram a quebrá-lo em fragmentos menores, chamados peptídeos de colágeno ou colágeno hidrolisado. Embora, em sua forma menor, o colágeno tenha mais chances de atravessar a parede intestinal e chegar à corrente sanguínea, o trajeto até a pele ainda é longo. Ele precisa atingir a pele para fazer efeito, mas a substância pode ser facilmente desviada para auxiliar outros órgãos, já que é considerado um recurso valioso. Há poucas evidências confiáveis sobre isso, mas existe a teoria de que, por a pele ser o órgão com renovação celular mais rápida, teria maior propensão a utilizar esses peptídeos de colágeno do que outros órgãos. Nesse caso, seria possível observar o aumento da produção de colágeno nas células cutâneas. Tudo isso pode soar complexo e pouco conclusivo. Surge, então, a dúvida. Os cremes de colágeno aplicados diretamente na pele não teriam mais chances de agir onde é necessário? Não, responde Emma Wedgworth. O colágeno fica depositado apenas na camada externa da pele, não alcança a derme, que é a camada intermediária, diz. Há três tipos principais de suplementos de colágeno. Marinho, extraído de peixes, bovino e vegano. Para ingestão oral, a dermatologista recomenda o marinho por conter maior concentração de colágeno tipo 1, o mais comum entre os cinco tipos existentes, responsável por dar estrutura às células da pele e essencial para ossos, tendões e tecidos conjuntivos. O colágeno vegano é o menos eficaz, afirma a médica. Como o colágeno é uma proteína de origem animal, esses produtos não contém colágeno de fato, mas sim uma combinação de aminoácidos e vitaminas. Eu fui fisgada, diz Ali Watson, apontando para os pacotes de colágeno bovino em pó na cozinha. Sim, esse é pra mim, e bem, esse é pro Tommy. Tommy é um cãozinho marrom e magro que acompanha a entrevista, com bigodes grisalhos aparecendo ao redor do focinho. Ele ergue uma sobrancelha em sinal de reconhecimento do seu nome. Ali Watson é uma neuroanestesista que, como ela mesmo admite, sabe muito sobre dosagens. Ela afirma que, desde que começou a tomar colágeno, não consegue imaginar parar nem deixar de dar o suplemento ao seu cachorro. Eu comecei a tomá-lo em pó há alguns anos. No início, não era pela minha aparência, mas pelas articulações. Queria protegê-las porque eu faço muito levantamento de peso. Ali Watson não tem certeza se notou alguma diferença em suas articulações, mas notou uma mudança em outras partes. Eu sinto a pele mais brilhante, o cabelo mais grosso, as unhas mais fortes. Olho para Tommy, que parece mais interessado na ração do que em qualquer suplemento em pó. Eu sei, parece loucura, mas Tommy parecia um pouco mais lento, um pouco menos entusiasmado, pouco antes do verão. Então, eu pensei em experimentar colágeno para cães. Eu queria ver se ajudaria nas articulações dele, ele está envelhecendo. E eu noto que ele está um pouco mais alerta, mas isso pode ser porque está mais frio de novo, ele está com menos calor, ele é tárdico, diz. Ela não está totalmente convencida de que o suplemento esteja fazendo diferença e custa ela 80 dólares por mês, o equivalente a cerca de 430 reais por mês, para garantir que ela e Tommy recebam a sua dose diária. Mas Allie Watson diz que não pode parar agora. É isso que acontece com esses suplementos. A vida tem seus altos e baixos. Você pode tomá-los quando estiver se sentindo mal e aí as coisas melhoram. Isso pode ter pouco a ver com os suplementos, mas quando você chega a esse ponto, não quer correr o risco de deixá-los, diz Allie Watson, que tem 46 anos. De forma geral, considerando as muitas razões que podem levar alguém a procurar o colágeno, não existe uma única resposta sobre a utilidade dos suplementos de proteína. Tudo vai depender do motivo pelo qual você quer tomar o suplemento, por quanto tempo você pode continuar tomando, do preço, e se o colágeno é combinado com outros ingredientes e como ele poderá afetar outros aspectos da sua saúde. Nem todas as pessoas vão reagir aos suplementos de colágeno da mesma forma, destaca Robert Erskine, da Universidade John Moores, em Liverpool. Você ouviu a reportagem Suplementos de Colágeno Funcionam e é Melhor Tomar, Injetar ou Passar na Pele, publicada pela BBC News Brasil em 8 de outubro de 2025.
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Reportagem de Ruth Clegg (BBC News), lida por Silvia Salek
Data da reportagem: 8 de outubro de 2025
Podcast publicado: 23 de outubro de 2025
Este episódio do podcast “BBC Lê” explora um tema em alta: a real eficácia dos suplementos de colágeno para pele, ossos, articulações, cabelos e unhas. A reportagem aborda as evidências científicas por trás das promessas dos suplementos, detalha as diferentes formas de uso (oral, injetável, tópica), discute potenciais riscos e impactos ambientais e ainda compartilha experiências de consumidores e opiniões de especialistas. O tom é informativo e crítico, desmistificando expectativas e apresentando o que há de mais relevante nas pesquisas atuais.
Muitas afirmações publicitárias, como melhora da elasticidade da pele e articulações, não são reconhecidas por órgãos regulatórios europeus (03:05).
Há conflitos de interesse:
Conclusão de dermatologistas:
O episódio desconstrói o hype em torno dos suplementos de colágeno, mostrando que as evidências positivas são, na maioria das vezes, frágeis e misturadas a interesses comerciais. Procedimentos dermatológicos específicos podem estimular a produção natural, mas saem caro. Para a maioria, melhor investir em proteção solar, alimentação saudável, e parar de fumar. Os consumidores relatam melhorias, mas mesmo entre médicos entusiastas há dúvidas sobre resultados práticos. A decisão de usar suplementos de colágeno é individual, baseada mais em expectativas do que em provas robustas.