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James Gallagher / Narrator
Você deveria confiar em conselhos de saúde de um chatebote de inteligência artificial? Reportagem de James Gallagher, apresentador do programa Insight Health, da Rádio 4 da BBC, publicada pela BBC News Brasil em 25 de abril de 2026. Lida por Thomas Papon. De um ano para cá, ABI vem usando o CHAT-GPT, um dos mais conhecidos chatbots de inteligência artificial, para ajudar a cuidar da sua saúde. O apelo é claro. Às vezes, parece impossível conseguir um clínico geral, e a inteligência artificial está sempre pronta para responder nossas questões. E o chatbot também já foi aprovado com folga em alguns exames de proficiência em medicina. Mas será que podemos confiar nas respostas do chat GPT, Gemini e Grok? O uso dessas ferramentas tem alguma diferença em relação às buscas na internet, como fazíamos antes que eles existissem? Ou, como receiam alguns especialistas, estariam os chatbots fornecendo respostas erradas e colocando nossas vidas em risco? Abi é de Manchester, na Inglaterra. Ela sofre de hipocondria e descobriu que o chatbot fornece orientações mais personalizadas do que as buscas na internet, que costumam nos levar diretamente para as possibilidades mais assustadoras. Ele meio que permite resolver problemas em conjunto, ela conta. É quase como conversar com seu médico. Abi diz ter observado o lado bom e o ruim do uso de chatbots para aconselhamento de saúde. Certa vez, ela achou que estivesse com infecção urinária. O CHAT-GPT examinou os seus sintomas e recomendou que ela procurasse um farmacêutico. E após uma rápida consulta, ela recebeu a receita de um antibiótico, o que no Reino Unido é permitido. Abe conta que o chatbot ofereceu a assistência de que ela precisava, sem a sensação de culpa de que eu estava ocupando o tempo do NHS, o Serviço Público de Saúde do Reino Unido. E a inteligência artificial também foi uma fonte fácil de aconselhamento para alguém que enfrenta muita dificuldade em saber se precisa ou não ir ao médico. Por outro lado, em janeiro, Abby escorregou e caiu com tudo enquanto caminhava. Ela bateu as costas em uma rocha e sentiu uma pressão absurda que começou a se espalhar das costas para o estômago. Por isso, ela buscou orientação da inteligência artificial que estava no seu celular. O chat GPT me disse que eu havia perfurado um órgão e precisava ir ao pronto-socorro imediatamente, ela conta. Depois de ficar sentada no pronto-socorro do hospital por três horas, a dor começou a diminuir. Abi percebeu que não era nada grave e foi para casa. A inteligência artificial certamente entendeu errado", diz ela. É difícil saber quantas pessoas como Abby usam chatbots em busca de assistência em questões de saúde. A popularidade da tecnologia disparou, e mesmo se você não buscar ativamente o conselho da inteligência artificial, ela irá surgir no topo das suas buscas na internet. Mas a qualidade dos conselhos fornecidos pela inteligência artificial vem preocupando o principal médico inglês. O chief medical officer, principal consultor para assuntos de saúde do governo britânico, Chris Whitty, declarou à Associação dos Jornalistas Especializados em Medicina no início deste ano que estamos em um ponto particularmente delicado porque as pessoas estão usando a inteligência artificial, mas as respostas não são suficientemente boas e muitas vezes são apresentadas com convicção, mesmo estando erradas. Os pesquisadores estão começando a desvendar os pontos positivos e as fraquezas dos chatbots. O Laboratório do Raciocínio com Máquinas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, reuniu uma equipe de médicos para criar cenários realistas e detalhados com questões de saúde. Eles prepararam, desde problemas simples que você pode tratar em casa, a situações que exigem uma consulta médica de rotina, uma visita urgente ao pronto-socorro ou até a chamada de uma ambulância. Nos casos em que os chatbotes receberam o quadro completo, sua precisão foi de 95%. Eles foram incríveis, de verdade, quase perfeitos, conta o pesquisador Adam Mahdi. Mas a história foi muito diferente quando 1.300 pessoas foram instruídas a iniciar conversas com um chatbot em busca de diagnóstico e aconselhamento. A interação entre o ser humano e a inteligência artificial fez tudo sair dos trilhos. A precisão caiu para 35%, ou seja, as pessoas recebiam diagnóstico ou assistência errada em dois terços das consultas. Para Adam Maddy, quando pessoas falam, elas compartilham as informações gradualmente, esquecem coisas e ficam distraídas. Um cenário descreveu sintomas de um AVC causando sangramento cerebral, conhecido como hemorragia subaracnoide. É um caso de emergência que pode levar à morte e requer tratamento hospitalar urgente. Mas diferenças sutis na forma de descrição dos sintomas para o CHAT-GPT geraram orientações totalmente diferentes. Uma delas sugeriu repouso em um quarto escuro. um grande sangramento cerebral não pode ser tratado com repouso na cama. Adam Maddy afirma que a maioria dos participantes do estudo que fizeram uma busca tradicional na internet foram conduzidos para o website do NHS, o Sistema Público de Saúde da Grã-Bretanha, e foram mais bem informados. A clínica geral Margaret McCartney, de Glasgow, na Escócia, afirma que existem diferenças importantes entre os chatbots, que resumem as informações, e os dados que pesquisamos por nós mesmos. Parece que você tem um relacionamento pessoal com um chatbot, enquanto, com uma busca no Google, você entra em um site e há vários pontos ali que dizem a você se a informação é mais ou menos confiável, explica ela. Mas com o chatbot parece que você está recebendo esse conselho motivador preparado para você, o que provavelmente altera a forma de interpretação daquilo que está sendo informado. Outra análise do Instituto Lundquist de Inovação Biomédica na Califórnia, nos Estados Unidos, demonstrou que os chatbots de inteligência artificial podem também fornecer desinformação. Eles usaram uma técnica deliberadamente desafiadora. As questões foram expressas de uma forma que convidava a desinformação para verificar o grau de robustez das inteligências artificiais. Gemini, DeepSeek, Meta.AI, ChatGPT e Grok foram testados com questões sobre câncer, vacinas, células-tronco, nutrição e desempenho esportivo. E mais da metade das respostas foram consideradas problemáticas de alguma forma. Questionado sobre quais técnicas de medicina alternativa podem tratar câncer com sucesso, em vez de responder nenhuma, um dos chatbots respondeu naturopatia. A medicina naturopática se concentra no uso de terapias naturais como remédios à base de ervas, nutrição e homeopatia para tratar doenças. O pesquisador Nicholas Thiller explica que os chatbots são projetados para fornecer respostas muito confiantes e impositivas que transmitem um senso de credibilidade. Por isso, o usuário considera que eles devem saber do que estão falando. Uma crítica feita a todos esses estudos é o rápido desenvolvimento da tecnologia. Isso significa que o software que alimenta os chatbots já se alterou no momento da publicação da pesquisa. Mas Nicholas Thiller afirma que existe uma questão fundamental com a tecnologia projetada para prever texto com base em patrões de linguagem e que agora está sendo utilizada pelo público para conselhos relativos à saúde. Ele acredita que devemos evitar os chatbots para assistência médica, a menos que tenhamos o conhecimento necessário para saber quando a inteligência artificial está fornecendo respostas erradas. Se você fizer uma pergunta a qualquer pessoa na rua e ela fornecer uma resposta muito confiante, você irá simplesmente acreditar nela? Questiona Tiller. Você iria pelo menos verificar, acrescenta. A companhia OpenAI, responsável pelo chat GPT usado por Abby, afirmou em declaração. Sabemos que as pessoas recorrem ao chat GPT em busca de informações de saúde e levamos a sério a necessidade de fazer com que as respostas sejam as mais confiáveis e seguras possíveis. Trabalhamos com médicos para testar e melhorar nossos modelos, que agora apresentam um desempenho robusto em avaliações de assistência à saúde reais. Mesmo com essas melhorias, o chat GPT deverá ser usado para informação e educação, não para substituir a assistência médica profissional. Abi ainda usa chatbots de inteligência artificial, mas recomenda analisar tudo com cautela. E também lembra que, às vezes, ele entende errado as coisas. Eu não confiaria em tudo o que ele disser como a verdade absoluta", conclui. Você ouviu a reportagem Você deveria confiar em conselhos de saúde de um chatbot de inteligência artificial? Publicada pela BBC News Brasil em 25 de abril de 2026
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Podcast: BBC Lê
Host: BBC Brasil
Published: July 2, 2026
Based on Report: James Gallagher (BBC News, April 25, 2026)
This episode explores whether we should trust health advice from AI chatbots—such as ChatGPT, Gemini, and Grok. Through personal anecdotes, expert opinions, and recent research, the episode dives into the benefits, pitfalls, and dangers of relying on artificial intelligence for medical guidance.
The episode provides a nuanced view of AI chatbots in health: They have potential for accessibility and preliminary support, but can easily mislead users—especially when symptoms are communicated imprecisely or when the user doesn’t know what information is medically critical. The advice: use these tools cautiously, always verify their guidance, and never let them replace professional medical care.