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O Império da IA, com Karen HaoEm 2019 — tempos mais simples! — a jornalista Karen Hao foi fazer o primeiro “perfil” jornalístico da sua carreira, aquelas reportagens em que um jornalista passa dias acompanhando uma pessoa ou empresa, uma coisa meio biografia, meio retrato congelado no tempo.A tal empresa era uma startup do Vale do Silício, ainda pequena e desconhecida dos meros mortais como eu e você, mas que hoje é a mais valiosa da história: a OpenAI, também conhecida como “a criadora do ChatGPT”.A Karen Hao vendeu o projeto do perfil para o MIT Technology Review porque a OpenAI parecia, naquela época, uma startup diferente. O “open” no nome nasceu da visão de que inteligência artificial é um assunto tão importante para o futuro da humanidade que precisava ser explorado de um jeito aberto, compartilhando conhecimento com todo mundo, e mais preocupado em proteger esse tal futuro do que em só gerar lucro.Hoje, aqui direto de 2026, a gente já sabe que não foi exatamente isso que aconteceu. Com o tempo, a OpenAI se transformou numa empresa oficialmente voltada para o lucro como qualquer outra e chegou a ser processada por Elon Musk — um dos apoiadores iniciais do projeto — por quebrar essa promessa de ser ‘open’. Em maio, o Elno perdeu a causa, e a OpenAI agora se prepara para lançar as ações na bolsa e, pelos números atuais, já largar valendo mais de 1 trilhão de dólares.Mesmo em 2019, a Karen Hao sentiu que todo esse papo de “open” não era bem assim: segredos e competitividade em todas as conversas que ela ouvia na empresa. Publicou o tal perfil contando isso e o pessoal da OpenAI… não gostou muito. Achou que ela ia só falar bem deles, e a empresa cortou contato com ela por três anos.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago.Até que, em maio do ano passado, ela lançou nos EUA o livro O império da IA: Por dentro da corrida irresponsável pela dominação total, que segue contando a história da OpenAI — e abre com a bizarra saída do Sam Altman, demitido do cargo de CEO por “nem sempre falar a verdade” ao conselho da empresa, para voltar quatro dias depois nos braços dos funcionários.Mas esse livro não é exatamente uma biografia da OpenAI. Para mim, é mais um retrato de todo o sistema empresarial em que vivemos hoje — inteligência artificial ou não. O importante é que ele acabou de sair no Brasil pela Editora Rocco, que me procurou para saber se eu queria entrevistá-la aqui no programa, aproveitando que ela veio participar do Esquenta do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O congresso, aliás, acontece dia 30 de julho — vai lá no site da Abraji saber mais, quem sabe comprar seu ingresso.Mas enfim, claro que eu queria conversar com ela. Obrigado, Abraji, obrigado, pessoal da Rocco, pelo presente. Quem me conhece sabe que IA agora é um assunto muuuito importante no meu trabalho. Eu fico aqui tentando navegar o meio do caminho entre o fim do mundo exterminador do futuro e a utopia vendida por muita gente. Não acredito em nenhum dos dois cenários, falei disso com a Karen antes e durante a conversa. Mas no final da entrevista a gente volta para falar não só disso, como também de como o IA em Curso, minha comunidade de letramento contínuo em IA, se conecta com tudo. Com promoção? Pode ser. Quem ficar até o fim, verá.A entrevista foi gravada em inglês — a Karen também fala mandarim, mas não fala brazilian —, então vai funcionar assim. Se ouvir no áudio, vai ser a versão original, do mesmo jeito que foi com o Ted Chiang ano passado, para você botar o seu cursinho para trabalhar. Aqui no site boanoiteinternet.com.br você está acompanhando a transcrição completa traduzida, se quiser ler enquanto ouve. E no YouTube tem uma versão legendada. Assim, você entra na conversa do jeito que preferir.Combinado? Então, bora lá entender O Império da IA com Karen Hao, no Boa Noite Internet.Cris: Karen Hao, bem-vinda ao Boa Noite Internet.Karen Hao: Obrigada pelo convite.Cris: Que bom ter você aqui. Espero que o Brasil esteja te tratando bem durante a Copa do Mundo — a gente veio falar sobre isso. Hoje é dia de falar de futebol, de Copa do Mundo, quais são as chances de cada país. Mas a primeira coisa que você precisa saber sobre essa conversa é que eu não sou jornalista. Não sei fazer isso. Peço desculpas antecipadas à sua profissão e ao seu ofício.Além disso, você foi enganada. Eu não estou aqui pra te entrevistar. Isso aqui é uma sessão de terapia. Você vai me ajudar a superar meus traumas.Porque eu sou da… do que eu chamo de “geração esquecida” — sou geração X, nasci nos anos 70. Esquecida porque, nessa guerra de gerações, as pessoas esquecem que a gente existe, e isso é incrível, porque a gente causou muito estrago no planeta. O Elon Musk é geração X, então é só isso que você precisa saber sobre a minha turma. Gente como ele, ou como Marc Andreessen… eu cresci lendo e assistindo à ficção científica que dizia que tecnologia é a melhor coisa do mundo, que ciência e engenheiros são incríveis e vão nos levar pra um lugar incrível.Sou uma daquelas pessoas que, quando a internet surgiu, falou: a paz mundial está logo ali. O conhecimento a um clique de distância, o futuro vai ser incrível. E aqui estamos nós. Então, quando usei o GPT pela primeira vez, e depois o ChatGPT, fiquei super empolgado. Foi a primeira vez, desde a internet, que eu fiquei realmente empolgado.Tenho até uma certa fama de ser mal-humorado com tecnologia: Bitcoin é lavagem de dinheiro, Clubhouse não presta — e as pessoas, ah, Clubhouse é a próxima grande coisa. Mas quando a IA chegou, eu falei: isso é importante. Só que eu já não era mais aquela criança dos anos 70. Tinha crescido, tinha visto o que aconteceu com a internet, tinha trabalhado numa big tech. E estava em desespero com o sistema em que a IA estava sendo construída.Dito tudo isso, o seu livro, aqui, já nas livrarias, recebe provavelmente o melhor elogio que eu posso dar: é otimista. Não é uma lista de reclamações e gente má fazendo coisas más. Claro, você fala muito sobre a OpenAI — ela é o fio condutor da história, especialmente aqueles quatro dias em que o Sam Altman saiu e voltou. E é muito divertido de ler. Mas você toma o cuidado de ser otimista.E uma das coisas que você menciona é como as pessoas na OpenAI, e em todas essas empresas, dizem: “isso é inevitável, a gente tem que fazer”. Quero falar sobre isso. Mas a gente tem que começar pela pergunta que você provavelmente ouve em todo podcast, a do título — Império da IA. Por que império?E acho que essa pergunta é ainda mais relevante no Brasil, país do sul global, colonizado. Por que império da IA?Karen Hao: Antes de mais nada, obrigada por dizer que o livro é otimista. Muita gente não reconhece isso, mas é verdade. Eu escrevo com um profundo otimismo de que os danos que a gente vê podem mudar. Não faria o trabalho que faço se não achasse que as coisas vão mudar.Sobre por que eu uso a expressão império, ou império da IA: a forma como empresas como a OpenAI operam é impressionantemente parecida com a dos impérios antigos. Eu traço quatro paralelos no livro. O primeiro é que elas reivindicam recursos que não são delas — os dados das pessoas, a propriedade intelectual de artistas, criadores como você, jornalistas.Segundo, elas exploram uma quantidade extraordinária de mão de obra. Isso vale tanto para os trabalhadores da cadeia de produção de IA, mal pagos e maltratados, que ainda assim geram uma riqueza extraordinária para essas empresas, quanto para os trabalhadores cujos empregos são automatizados e cujos direitos são corroídos pela implantação dessas tecnologias em diferentes setores.A terceira característica é que impérios controlam os fluxos de informação na sociedade. Essas empresas censuram a pesquisa fundamental sobre essas tecnologias, o que limita nossa capacidade de entender as verdadeiras limitações e capacidades dos modelos que desenvolvem. E estão criando uma tecnologia de informação que tentam transformar no portal único pelo qual qualquer pessoa se relaciona com o mundo.Esse portal impregna as ideologias do Vale do Silício, seus sistemas de ...

O ano já está chegando ao fim e, como era de se esperar, a inteligência artificial apareceu de novo na conversa. Dessa vez, chamei a Ana Freitas pra um papo sobre IA — mas com uma proposta: nada de hype vazio, nem previsão de fim do mundo. A gente quis entender, com os pés no chão, o que realmente muda na vida das pessoas agora que essas ferramentas estão em toda parte. A Ana trouxe uma ideia daquelas de alugar triplex na minha cabeça: a IA, no fundo, tem esse poder de puxar todo mundo pra média. Quem é ruim em alguma coisa pode parecer melhor com a ajuda da máquina, e quem é excelente, se não souber usar direito, pode acabar ficando... só ok.Falamos também de um medo mais profundo, que não é da tecnologia em si, mas do que o capitalismo vai fazer com ela — a partir do papo que tive este ano com o Ted Chiang. E de como, talvez por isso, a gente só sabe imaginar futuros distópicos com robôs e algoritmos — e nunca utopias. Falta sonhar melhor. Falta disputar esse futuro. Foi daqueles episódios que começam falando de ferramentas e terminam em filosofia de bar, com direito a Black Mirror, Spore e simulações do universo. Ou seja: minha cara.No final, aproveitamos para falar do IA em curso — conhecimento à prova de futuro, uma comunidade que criamos para continuar esse papo de forma prática e constante — e explicamos por que não é só um curso. Tem mentoria quinzenal comigo e com a Ana, grupo de troca no Telegram, recursos comentados e um monte de conversa boa pra quem não quer só entender IA — mas aprender a viver com ela.Ainda por cima, mostramos como somos os piores vendedores do mundo, sem saber ser coach e vender fórmulas mágicas e certezas. É o nosso jeitinho, espero ver você lá. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Dá pra transformar uma página de memes num negócio de verdade? E pagar boleto com piada e seguir sendo autêntico enquanto fala com marcas, rola? Neste episódio, eu conversei com Yuri Zero, CEO da Melted Videos — uma das principais páginas de memes do Brasil — sobre o que acontece quando humor (muitas vezes autodepreciativo) vira empresa.A gente falou sobre a profissionalização da creator economy, o momento em que se percebe que precisa de alguém pra cuidar do Excel enquanto você cuida das ideias, e o desafio de continuar sendo “a Melted” mesmo com briefing, cliente e KPI na jogada.Tem também papo sobre comunidade, cultura de internet, e essa eterna dança entre criatividade e negócio — quando dizer “não” vira a coisa mais importante pra não perder o que te trouxe até aqui. E, claro, como sempre, sobre o impacto da IA no nosso trabalho.Um episódio pra quem vive de conteúdo, quer viver disso ou só quer entender o que acontece quando o meme encontra o CNPJ.Essa semana tem nova rodada do Clube de Cultura do Boa Noite Internet começando! Entre para o clube e ajude o Boa Noite Internet a continuar contando histórias. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

É possível ser feliz no trabalho? Essa pergunta, que parece tirada de um cartaz de RH com fonte Comic Sans e fundo azul piscina de bolinhas, foi o ponto de partida da minha conversa com a Renata Rivetti, especialista na ciência da felicidade e fundadora da Reconnect. Mas calma, aqui felicidade não é clichê motivacional. Não tem dancinha nem Sonho de Valsa como recompensa por bater a meta.A gente falou sobre o que significa, de fato, ter uma relação mais saudável com o trabalho. E já começamos mandando a real: a empresa não tem que te fazer feliz. Mas ela também não pode ser mais um fator de desgaste da sua saúde mental.A Renata explica como a ideia de felicidade foi sequestrada por discursos que vendem alegria constante como sinônimo de sucesso. E isso, longe de ajudar, tem deixado todo mundo mais ansioso, mais cansado e mais frustrado. Felicidade, de verdade, tem mais a ver com três coisas: alegria (sim, mas não o tempo todo), satisfação (ter metas, sentir que está realizando algo) e significado (entender que o que você faz importa, mesmo que não seja salvar as baleias).Falamos também sobre o papel do Chief Happiness Officer — não como animador de festa corporativa, mas como um cargo estratégico que olha pra sobrecarga, pra segurança psicológica, pra cultura de bem-estar que vai muito além de sexta-feira da bermuda. Ah, e se você acha que isso é coisa de empresa “Nutella”, Renata traz dados, estudos e exemplos práticos que mostram como ambientes saudáveis dão resultado, sim.Ainda rolou papo sobre semana de quatro dias, ghost working, dopamina rápida, cultura da produtividade tóxica e aquele velho conhecido: o culto ao workaholic. Um episódio para repensar não só o trabalho, mas a vida que a gente está construindo em volta dele.O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por pessoas como você, nosso público. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

“Inovação” é o tipo de palavra que todo mundo fala, mas nem sempre entende. Por isso, convidei Amanda Graciano, economista e estrategista de negócios, para conversar não só sobre inovação, mas para saber o que é fazer inovação no Brasil e como isso pode ser um diferencial. Será que só nos resta seguir os “guias de tendência” de eventos como SxSW? Ou o famoso jeitinho brasileiro é, na verdade, nossa arma secreta?O Boa Noite Internet é uma publicação apoiada por leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou pago. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

O mundo do trabalho mudou — e quem lidera precisa mudar junto. Neste episódio do Boa Noite Internet, a psicóloga e escritora Mariana Clark, especialista em lutos corporativos, fala sobre um novo jeito de exercer liderança: menos “controle e comando”, mais “escuta e cuidado”.A gente cresceu achando que trabalho era lugar de performance. Que quem lidera tem que dar exemplo de força, segurar as pontas e “resolver”. Mas e quando alguém do time está passando por uma perda? Quando não tem resposta pronta? Quando o silêncio pesa mais que qualquer planilha?Por isso, Clark propõe uma mudança de postura: não é ter que virar terapeuta, é reconhecer a humanidade do outro — e a sua também. Acolher não é “passar pano” nem “baixar a régua”. É criar espaços seguros onde as pessoas possam ser inteiras, mesmo quando estão quebradas.Falamos de saúde mental, de escuta ativa, de como o modelo tradicional de liderança já não dá conta do que a vida real exige. Também conversamos sobre as novas gerações que rejeitam a lógica do “aguenta firme” e sobre como construir ambientes de trabalho que cuidam — sem perder a entrega. Além de analisar pessoas usando IA como terapeuta e até para resolver seus lutos.Uma conversa pra quem lidera, pra quem quer liderar e pra quem acredita que trabalho não precisa ser sinônimo de sofrimento calado.Nova turma do meu cursoAgora em outubro começa a nova turma do meu curso, Apresentashow: Como fazer apresentações corporativas que são um espetáculo.É um curso ao vivo onde, durante 3 dias, vou te ensinar tudo que aprendi sobre como contar histórias no ambiente de trabalho. Vamos muito além do “slide bonito”: é um curso sobre narrativas e como encontrar sua história, um método anti-ansiedade para vencer o desespero da página em branco e o medo do palco (nem que seja na tela da videoconferência).Técnicas, inclusive, que usei para preparar a Mariana Clark (entre outros) para falar no TEDxBlumenau!Até o fim desta semana, o curso está com 20% de desconto então vem logo que você vai curtir. Olha o que quem já fez o curso tem a dizer:“Me inscrevi no curso com o objetivo de melhorar minhas apresentações, mas, na verdade, aprendi a aprimorar minha comunicação de forma geral. Percebi que tudo o que comunicamos é, de certa forma, uma apresentação, independentemente de usarmos slides ou não. Essa mudança de perspectiva ampliou minha visão sobre diferentes formas de transmitir ideias. O curso foi realmente valioso!”— Luciana Sombrio Soares“Eu quis fazer o curso para conseguir entender melhor quais são as técnicas usadas para construir uma boa apresentação. Saí sabendo isso e muito mais, porque o curso não se limitou apenas ao PPT: o Cris abordou outros temas super relevantes, como a construção de narrativas, a entender o público e como engajá-lo, além de boas práticas na hora de apresentar.”— Paulo Koja, Product Manager“Saí do curso com ferramentas práticas, como o leave behind e as dicas de design para não designers, entre outras - mas também com um conhecimento mais aprofundado e estratégico sobre estrutura, impacto emocional, conexão com o público, e outros elementos essenciais para uma boa apresentação. Assistir as aulas do Apresentashow foi um prazer.”— Barbara Axt, Especialista em comunicação"Foi então que me deparei com o curso APRESENTASHOW, do amigo Cris Dias, que dispensa apresentações. O título já diz tudo: 'Como fazer apresentações corporativas que são um espetáculo'. Era exatamente o que eu precisava, e o curso superou todas as minhas expectativas. O conteúdo não foi só útil, mas extremamente prático. Consegui aplicar imediatamente o que aprendi, e os resultados foram impressionantes."— Alexandre Kavinski, AI & Innovation Lead @ WPP This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

A temporada de entrevistas do Boa Noite Internet voltou com tudo e temos nosso primeiro repetente! Não porque ele mandou mal na primeira vez que veio ao programa, mas porque se não fosse pelo incentivo dele sabe-se lá quando íamos voltar. Sim, estou falando do antropólogo do luxo: Michel Alcoforado.E que conversa. A gente falou do livro novo dele, Coisa de Rico, que é daquelas leituras que dá de presente ao mundo uma nova lente para se ver o mundo. Você termina o livro vendo coisa de rico em tudo: do LinkedIn ao almoço em família, na série da academia e na harmonização facial.Sabe o meme “quando ficar rico não direi nada, mas haverá sinais?”. Pois o Michel explica que “coisa de rico” não é só Ferrari ou casa em Angra, são justamente os sinais que mandamos para o mundo da nossa riqueza. Pode ser o filho que passou na Olimpíada de Matemática, o diploma de Harvard, o vinho certo dado na hora certa. É, também, a hora certa de rir. Porque existe uma risada de rico.Falamos dos ricos que se acham pobres, dos pobres que acham que vão ficar ricos, dos emergentes que performam riqueza com força (e harmonização) e dos tradicionais que fingem que são ricos desde sempre. Tem coach vendendo “potencial desbloqueado”, tem influencer ensinando como ter atitude de rico, e tem a gente aqui tentando entender esse Brasil onde ninguém é rico, mas mundo tem seu “rico de estimação”.Nessa conversa, aproveitei para desabafar, contando que o livro me fez feliz pelas escolhas que fiz na vida, até aquelas que me fizeram ganhar menos dinheiro. Porque, no fim das contas, como diria o próprio Michel, dinheiro não traz felicidade — mas ajuda a pagar a conta do sushi com o professor de cultura japonesa em Tóquio. E esse jantar não se agenda sozinho.Vem ver ou ouvir, porque esse episódio está fino. E me conta depois: qual é a sua coisa de rico?Ouça também:Obrigado por ler. Aqui não tem algoritmo nem feed, então não deixe de enviar este artigo para quem você acha que pode gostar. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Na primeira semana de agosto, ganhei um presentão e nem foi de Dia dos Pais. Fui convidado pela Pina a passar 20 minutos com o escritor estadunidense Ted Chiang e perguntar sobre tecnologia, IA, arte e por que temos medo do futuro. No dia seguinte, Chiang falou para uma plateia de 80 pessoas na Casa Manioca e lá estava eu mais uma vez encontrando o cara que é dos meus maiores ídolos na literatura, parte de uma nova geração de escritores de sci-fi e fantasia que não contam apenas a história do homem branco genial que precisa vencer obstáculos para concretizar sua genialidade, que também tem nomes como N.K. Jemisin, Robin Sloan, R.F. Kuang, Nnedi Okorafor e muito mais gente legal. (Ou nem tão nova assim, Chiang nasceu em 1967.)A conversa foi o empurrão que faltava para voltar com o Boa Noite Internet neste segundo semestre, que você escuta agora em toda sua glória… em língua inglesa, porque Chiang não speak Brazilian.Nada tema! A seguir, você encontra a tradução da nossa conversa. Mas o podcast não traz só nossos 20 minutos de papo, mas outras conversas que tivemos sem microfone durante os dois dias de Chiangpalooza. Falamos de criatividade, tecnologia e o que nos faz humanos (spoiler: a arte). Nesta conversa, Chiang apresenta a visão da professora Anna Rogers sobre diferentes usos da IA para escrita, como “incômodo” ou como “pensamento”. This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

Boa noite, RESUMIDO, bom dia Brasil!O Boa Noite Internet voltou com a colab que ninguém esperava, um programa especial com Bruno Natal, do RESUMIDO com um bate-bola, um pá-pum, um toca-y-me-voy, sobre assuntos relevantes no cruzamento entre a vida digital e o mundo real.Falamos de enshittification, que já passou por aqui, de “cozy web” (mas também pode chamar de internet gourmet), da Netflix 16 do sogro do meu amigo e do cansaço de publicar sempre — você também tem postado menos?Esta colab traz várias perguntas: a gente devia fazer mais vezes esse tipo de programa? E, a mais importante:Gostou do que ouviu? Vem conversar no Discord do Boa Noite Internet.O podcast do Boa Noite Internet estava fora do ar, mas o conteúdo não parou. O site aqui tem ensaio novo toda semana e segue forte o Clube de Cultura do Boa Noite Internet, benefício exclusivo para quem apoia a gente aqui por menos do que uma coquinha zero (que tá cada vez mais cara!). This is a public episode. If you'd like to discuss this with other subscribers or get access to bonus episodes, visit boanoiteinternet.com.br/subscribe

This is a free preview of a paid episode. To hear more, visit boanoiteinternet.com.brUm herdeiro de vida boa. Um condenado a trabalhar sem recompensa nem sentido. Um exterminador de zumbis. Todos descobriram, de um jeito ou de outro, o que acontece quando esforço e recompensa se desencontram. Quando nada mais parece depender da nossa vontade — e até as vitórias perdem o gosto.Neste episódio do Boa Noite Internet, vamos falar sobre desamparo, meritocracia, conforto demais, e aquela sensação incômoda de que talvez a vida não tenha um código-fonte pra ser decifrado. Mas mesmo assim — ou justamente por isso — a gente segue empurrando a pedra.* O Mito de Sísifo — Albert Camus* O Estrangeiro — Albert Camus* The Tyranny of Convenience — Tim Wu* The Grand Experiment — artigo da Universidade de Richmond sobre os “ratinhos herdeiros”* Clube de Cultura do Boa Noite Internet