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A
São 8h18, é hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Para participar, só tem de ligar para o 911-002-4185, mas também nos pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio através do WhatsApp. Carla. O aparecimento num navio de cruzeiro de um novo vírus de que poucos tinham ouvido falar, um antivírus, a morte de vários passageiros e os regimes de quarentena a que foram sujeitos os restantes, ressuscitaram à escala mundial o receio do regresso de uma epidemia global como a que vivemos há apenas seis anos, quando o outro vírus, o coronavírus, Dias depois apareceu um outro vírus, num outro navio de cruzeiro, agora um norovírus, e de repente há o receio de termos de voltar todos para casa, somou-se o medo de entrar num desses enormes paquetes que todos os dias aportam às nossas cidades. Haverá razão para tanto alarme? Ou devemos, pelo contrário, manter tranquilidade e apenas os cuidados habituais? É sobre isso que vamos falar no Contra Corrente de hoje. José Manel, bom dia. Ai, ai, já voltaste a lavar e a desinfetar as mãos como fazíamos em 2020 e 2021.
B
Dentro daquilo que é o normal, mais nada do que isso. E de facto nós temos que perceber que os vírus não são todos iguais, não é? Enfim, nós vivemos literalmente rodeados de vírus. Mas quando digo rodeados, é rodeados numa escala que temos dificuldade muitas vezes em entender, não é? Só para teres uma ideia. Nós temos 100 milhões de diferentes tipos de vírus, o que faz com que os vírus sejam, digamos, os seres mais variados e mais do planeta. Portanto, cada litro de água do mar, reparem, é um litro, um litro de água do mar, contém 10 mil milhões, 10 mil milhões de vírus. 10 mil milhões de vírus num apenas um litro. Portanto, e há vírus em todo lado e os vírus muitas vezes são essenciais inclusivamente para funções de outros organismos como nós, não é? Ora bem... Os vírus, no entanto, são muito, muito, muito pequenos. Nós só percebemos que havia qualquer coisa mais pequena que as bactérias. As bactérias conseguem-se ver ao microscópio óptico, normal. Se percebemos que havia qualquer coisa mais pequena que as bactérias, enfim, no princípio do século XX. Mas não sei exatamente o que era, por exemplo, quando foi a famosa pneumónica, que era um vírus, uma gripe, não se conseguiu identificar a sua origem, precisamente porque na altura só havia ainda microscópios ópticos. O microscópio eletrónico aparece na década de 30 do século passado, tem um pouco menos de 100 anos, e são nessa altura que se conseguem ver pela primeira vez os vírus, que são de facto muito, muito, muito pequeninos e são máquinas muito simples, não é? Portanto, por assim dizer, aquilo basicamente é uma cápsula de proteína com um bocadinho de material genético dentro e o material genético dentro pode ser o DNA, que é aquela dupla hélice, ou apenas um dos lados da hélice, portanto um dos braços da hélice, digamos assim, o que é o RNA. Isto não é exatamente o RNA, não é exatamente isso, mas é parecido, pronto. E é o caso deste vírus, deste antivírus, como era o caso do coronavírus e como é o caso do norovírus, portanto do outro que, entretanto, apareceu naquele navio maior. Agora, a forma como os vírus infectam as pessoas e se transmitem, e depois até que ponto é que são, ou não, perigosos, é que é importante. Este vírus, este antivírus, é um vírus conhecido, portanto, enfim, não é conhecido há muito tempo, mas pelo menos há uns 30 anos, mais ou menos, os primeiros casos diagnosticados e descritos ocorreram nos Estados Unidos, não é exatamente a mesma estirpe que está agora aqui em causa, que é a estirpe dos Andes, a estirpe dos Estados Unidos é um vírus que até recebeu um nome sem nome, e dá-se o nome em castelhano porque ele aparece primeiro no Novo México e depois percebeu-se que era um vírus que vinha de roedores, pequenos ratos. e naquela circunstância inicial até tinha a ver com a meteorologia de dois anos seguidos, que provocaram um excesso de roedores nas ondas rurais e isso permitiu que houvesse transmissão a humanos. de todos os antivírus conhecidos, só a existir pelos antes é que se pode transmitir de humano a humano. Mesmo assim de forma extraordinariamente difícil, porque isso tem a ver com a forma como o vírus se instala no nosso organismo. E ele instala-se no nosso organismo de uma maneira em que está de facto silencioso durante semanas, E é nesse período que, em princípio, os vírus que se propagam, por exemplo, pelo ar mais facilmente, como era o caso da Covid, nós esperávamos, nós respirávamos, nós tocavamos com a mão ou com os celíbros nos outros e ele, bumba, passava de uma pessoa para a outra. Este vírus, apesar de também se poder instalar nos pulmões, não tem essas características, ele esconde-se dentro das células. e aí multiplica silenciosamente, tão silenciosamente que o nosso sistema imunitário não dá por ele. E quando finalmente o nosso sistema imunitário dá por ele, já ele está um pouco por todo lado, e então aquilo que acaba por provocar a doença e a morte, e a morte pode acontecer em 40% dos casos, é de facto um vírus muito perigoso quando se instala, acontece por sobre-reação do sistema imunitário. Não sei se te lembras, Carla, mas quando foi a Covid, no início também houve casos desses, porque também havia situação em que o vírus os instalavas e depois era a sobre-reação do sistema imunitário que provocava aquela espécie de afogamento dos pulmões, uma coisa que era descrita no início. Este vírus tem semelhanças, não é o mesmo processo exatamente, mas tem semelhanças. Agora, é apenas essas, porque depois a capacidade de transmissão é quase indesistente, portanto é um vírus que está adaptado ainda basicamente a roedores, nos roedores vive com eles sem problemas, está lá, é um vírus como muitos que nós temos connosco que não se fazem mal nenhum, às vezes até podem ser úteis, como eu já disse, O problema é, de facto, quanto passa para os seres humanos, mas como na maior parte dos casos dos antivírus não se transmite de pessoa para pessoa, não há grande risco. Neste caso pode ter existido. Nós não sabemos exatamente como é que é essa transmissão. Mas repara, estávamos num caso em que temos um barco, aquele barco é um barco de cruzeiro, mas de cruzeiros muito especiais, portanto estamos a falar de cruzeiros nas zonas polares, no Ártico e no Antárquico, naquele caso era um barco que vinha do Antárquico, ele tinha estado, portanto o vírus, este vírus dos Andes é um vírus que está presente na Patagónia, portanto em roedores da Patagónia, uma espécie de roedores da Patagónia, As pessoas teriam embarcado em Ushuaia, que é a ponte sul do continente americano, eu não sei se naquela viagem em concreto ainda foram à Antártida ou se vieram logo para Cabo Verde, mas são viagens de semanas, naquele caso de semanas, e que custam dezenas de milhares de euros, portanto não são viagens baratas, são viagens muito caras, e com poucas pessoas, por isso é que também são tão caras, em barcos relativamente pequenos, e eu até já estive a ver como é que o barco era, boa parte das cabines são cabines de 4 pessoas, com belichos, um ambiente mesmo muito apertadinho, digamos assim. E mesmo assim, em 170 pessoas, houve poucos casos de transmissão, felizmente apenas 3 mortes, terá havido 11 infecções e apenas 3 mortes, o que é menos do que a taxa habitual, que é 40%, como eu já referi. Mas é um sinal, precisamente, desta dificuldade na transmissão. Vamos saber mais coisas e isto tem muito pouco a ver com o outro, que de repente também se tornou notícia, o norovírus. porque esse norovírus também é um vírus de RNA, como era o resto também o coronavírus, mas o norovírus é muito menos perigoso, digamos assim, a doença tem basicamente uma chama de gastroenterite, não é? Portanto, pode ser muito desagradável, pode ser, em alguns casos pode ser fatal, mas passa, não é? Passa, passa. Portanto, vamos falar um pouco sobre isto tudo, sobre estes mecanismos, e recordar um pouco o que eram os vírus, porque nós já nos esquecemos um pouco disso, e saber que nós vivemos com eles, não é? Que eles estão cá por todo lado.
A
Fala a pena fazer esse ponto de situação, então. Até já.
B
Ok, até já.
Episode Theme: Hantavírus, Norovírus, cruzeiros e os fantasmas do Covid-19
Host: Observador (Maria João Avillez)
Date: May 14, 2026
This episode of "Contra-Corrente" deeply examines the recent media alarm over outbreaks of new viruses—specifically Hantavírus and Norovírus—on cruise ships. The discussion contextualizes these fears within collective memories of the global Covid-19 pandemic, questioning whether such alarm is justified. The hosts explore virology basics, modes of transmission, and the real risks at stake, encouraging a balanced perspective rooted in scientific understanding rather than panic.
On viral omnipresence:
"Cada litro de água do mar, reparem, é um litro, um litro de água do mar, contém 10 mil milhões, 10 mil milhões de vírus."—B (01:36)
On human-virus relationship:
"Às vezes até podem ser úteis, como eu já disse, o problema é, de facto, quando passa para os seres humanos..."—B (07:55)
On response measures:
"Já voltaste a lavar e a desinfetar as mãos como fazíamos em 2020 e 2021."—A (00:56)
This episode provides a scientifically grounded, measured discussion about recent virus scares, notably distinguishing between alarmist responses and true public health risks. Listeners are encouraged to understand the biology and transmission of these viruses, maintain perspective, and adopt only reasonable precautions—without reverting to the level of pandemic paranoia witnessed during Covid-19.