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Catarina Lameiras Grosso
Melhor
Interviewer
é difícil. É um podcast em que Maria João Avilés entrevista portugueses que são exemplos de excelência. São os melhores nas suas áreas e contam como chegaram ao topo. Catarina Lameiras Grosso tem 30 anos. As suas classificações académicas, desde a escola primária até ao doutoramento feito este ano com 20 valores, foram sempre de excelência. É licenciada em Economia e Mestra em Gestão por Escolas Britânicas, professora universitária na Nova SBE, tem um doutoramento em Ciências da Comunicação, com forte especialização em Liderança, Ética e Comunicação. Melhor deve ser difícil. Catarina, bem-vinda. É um gosto enorme recebê-la aqui. Mas começo já com uma dúvida. Com este currículo, eu interrogo-me começar por onde? Então devolvo-lhe a pergunta. Para falar de si, eu devo começar por onde?
Catarina Lameiras Grosso
Muito obrigada pelas generosas palavras e pela honra deste convite.
Interviewer
Já está a rir. Então, como é que começamos a falar de si?
Catarina Lameiras Grosso
Pode ser logo por comunicação e liderança. Pode ser logo por essa área.
Interviewer
Por essa área. Está bem, mas então, como eu quero chegar a essa área, preciso saber uma coisa antes. Você chegou onde chegou porque foi sempre a melhor aluna e as classificações mais altas. Como é que se é naturalmente tombou à luna sempre. Você própria diz, eu queria sempre os 100%. Houve uma precoce paixão pelo saber? Houve uma curiosidade infinita? Houve um ambiente de casa que propiciou isso?
Catarina Lameiras Grosso
Sim, ou seja, sim a tudo. Acho que tudo fez muita diferença na minha vida, a casa em primeiro lugar, a família é base de tudo e que sempre me estimularam muito a tentar dar o meu melhor. Os meus pais disseram, fosse onde fosse, não precisava de ser o 100% e o doutoramento eu aos 20 não cheguei.
Interviewer
Em 1920.
Catarina Lameiras Grosso
Em 1920 uma colada.
Interviewer
Depois a gente já lá vai, já explicamos. Portanto, a casa era uma casa onde se lia, onde se conversava, onde se sabia, onde se cultivava a cultura.
Catarina Lameiras Grosso
Onde não havia tabus e não havia segredos. Eu acho que isso foi sempre muito importante. Ou seja, as conversas dos adultos eram também as conversas das crianças, apesar de talvez com alguns filtros, mas sempre com as explicações devidas. E acho que isso fez toda a diferença desde o início. A curiosidade também sempre fez parte de mim, tentar compreender o porquê. Mas porquê que é assim? Era sempre a minha pergunta.
Interviewer
Quantos eram em casa? Quantos irmãos tem?
Catarina Lameiras Grosso
Éramos quatro. Agora já não sou eu e o
Interviewer
meu marido, mas em casa de família éramos quatro.
Catarina Lameiras Grosso
Eu, a minha irmã e os meus pais.
Interviewer
E a sua irmã também tem um currículo tão bom como o seu, não sei se alguém tem, mas também avançou pelo estudo e pelo saber.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, sim, também sempre muito interessada e também com uma carreira profissional, talvez ainda não se dedicou tanto à academia como eu me tenho dedicado agora, mas também está a tirar o doutoramento, por isso acho que é sinal que algo ficou aqui de querer saber mais, querer investigar e querer explorar esse conhecimento que eu não acho que seja nunca um conhecimento definitivo, um saber definitivo.
Interviewer
Não há saberes definitivos, não sei se há.
Catarina Lameiras Grosso
Eu não acredito que haja, pelo menos do que tenho explorado até agora. Ou seja, ele é sempre provisório e em construção, mesmo quando nos parece que já está tão completo. Há sempre uma outra perspectiva, há sempre uma outra lógica que nós podemos encontrar, que se calhar ainda não tínhamos, uma lente que ainda não tínhamos explorado. E essa nova lente torna-se um ponto de partida para muitas novas perguntas. Eu acho que isso também, o doutoramento ensinou-me isso.
Interviewer
E é por essas vias que você atua?
Catarina Lameiras Grosso
Sim, ou seja…
Interviewer
É por essas vias que segue, melhor dizendo.
Catarina Lameiras Grosso
É por essas vias que sigo, de tentar fazer perguntas cada vez mais exigentes e como ensinaram no doutoramento que eu tinha muito medo de não conseguir dar uma resposta a uma questão científica e ensinaram-me que não é preciso. Se nós tentarmos dar um contributo para a ciência sobre um problema, então nós já estamos de alguma maneira a acrescentar valor.
Interviewer
Claro, claro, claro. Oh Catarina, que criança era, já falou um pouco disso, mas e que adolescente foi? Eu pergunto porque se eu olhar hoje para a sua esplendorosa juventude, mas ao mesmo tempo para o peso que tem sido o seu currículo de peso, no sentido de importância e da acumulação de saber para o seu currículo académico, fico na dúvida, havia tempo para o voleibol ou para o campo que você gosta, para namorar, sair com amigos, Sim, felizmente sempre houve tempo.
Catarina Lameiras Grosso
Houve alguns sacrifícios também ao longo percurso.
Interviewer
do Mas isso é diferente. Mas uma coisa é fazer sacrifícios de vez em quando, quando são necessários. Outra coisa é gerir bem o tempo. A Catarina gera bem o tempo.
Catarina Lameiras Grosso
Gosto de acreditar que sim e, sobretudo, há coisas das quais também não prescindo na minha vida pessoal e a tentar encontrar um equilíbrio. Por exemplo, algo que foi mais difícil durante o doutoramento, fazer pausas, estar com os amigos, estar com a família, fazer programas em que estamos ali só. Não é preciso haver grande coisa, pode ser um almoço.
Interviewer
É a companhia, não é?
Catarina Lameiras Grosso
É a companhia, exatamente.
Interviewer
A companhia é fundamental.
Catarina Lameiras Grosso
Lembro sempre das palavras da minha avó, que também era professora, que dizia, este almoço já ninguém nos tira.
Interviewer
Pois claro, exatamente. E momentos com os amigos são sempre uma coisa muito fraternal, muito quente, quase calosa.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, esses momentos de estar só, de existir, que eu acho que às vezes nos esquecemos um pouco, que às vezes é suficiente estar lá, estar sozinho.
Interviewer
Claro, claro, estar. Exatamente, exatamente. Portanto, teve uma adolescência completamente normal, como qualquer outra adolescente, e uma infância como qualquer outra criança.
Catarina Lameiras Grosso
Tudo normal. Acho que não dei demasiadas preocupações aos meus pais, mas certamente deve ter dado algumas.
Interviewer
Mas, por exemplo, chegava das aulas e ia imediatamente estudar. Isto ainda é o seu currículo na minha cabeça.
Catarina Lameiras Grosso
Não, não.
Interviewer
Ia lanchar... Sim, ordenava-se, geria-se bem.
Catarina Lameiras Grosso
Sim. Mas tinha esse calendário do que era preciso fazer e tive a sorte, muita sorte, de me ter cruzado com pessoas extraordinárias na minha vida e por isso comecei pela família. A minha avó, que era professora, estava lá em nossa casa à tarde a acompanhar e às vezes quase a coordenar. Se calhar já foi muito descanso, se calhar era preciso agora ir trabalhar também um bocadinho.
Interviewer
Sim, sim, quase uma espécie de mentor ou de orientadora.
Catarina Lameiras Grosso
Sem nunca impor, mas a guiar.
Interviewer
Mas os inteligentes não precisam de impor, não é? A argumentação deles é convincente.
Catarina Lameiras Grosso
É pôr vontade no coração das pessoas.
Interviewer
Exatamente. Olha, após a sua licenciatura em economia, fez mestrados em gestão e direito em escolas inglesas, não foi?
Catarina Lameiras Grosso
Sim.
Interviewer
E agora temos, ou seja, estamos aqui com a economia, as leis e a comunicação, visto ou depois em Ciências da Comunicação. Quer falar-nos um bocadinho do mundo onde, de repente, para qualquer pessoa, podem parecer três áreas distintas demais. Não são, mas pode parecer.
Catarina Lameiras Grosso
pode parecer isso e acho que eu própria me fui obrigando também, como estas áreas têm estado presentes na minha vida, a fazer esta reflexão de consistência e de coerência e de tentar compreender. E, se virmos bem, não é uma mudança radical, ou seja, é quase, para mim, foi uma continuidade natural, também por ter começado a lecionar estes temas, mas porque a economia ensina como funcionam os sistemas, as estruturas E a comunicação dá-nos como funcionam as pessoas dentro dessas próprias organizações, dentro dessas próprias estruturas. E acaba por ser um complemento muito importante à primeira parte. Ou seja, e eu tento dizer isso aos meus alunos, muitas questões, muitas falhas acontecem, não porque as pessoas não sabem fazer uma balança de pagamentos, também há quem não saiba, obviamente, e há uma competência técnica importante de adquirir. Mas muitas vezes não é por isso, não é porque não se pensou na estrutura ou porque faltam dados, é porque algo não foi comunicado, algo não foi explicado, algo não foi legitimado socialmente ou naquele ambiente e muitas vezes também, claro, e aí é outra parte, porque as pessoas colocam interesses individuais à frente daquilo que seria o benefício coletivo.
Interviewer
coletivo, acontece, exatamente. Mas, portanto, para si, economia de leis e comunicação, economia de direito e comunicação é uma espécie de bolo, por assim dizer, é uma espécie de mapa-mundo, é uma espécie de…
Catarina Lameiras Grosso
De um mapa que nos permite ler a realidade não só de um lado. Essa foi a minha preocupação. Percebo, obviamente, o interesse e o valor também de afunilarmos o conhecimento, de o tornarmos específico, mas é importante também não esquecer uma visão mais ampla daquilo que estamos a falar e conseguimos ter essa perceção. E não foi um salto imediato, ou seja, o meu interesse por comunicação surgiu precisamente na licenciatura de economia, onde havia uma cadeira de comunicação aplicada aos negócios.
Interviewer
E foi aí que surgiu o interesse. Mas foi através da economia que chegou aquilo em que se veio a doutorar.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente, pois eu fiz o mestrado em gestão, também nesta lógica já há mais gestão de pessoas, do que isso significa, e o direito permite-nos ler de outra maneira, permite-nos ter consciência do mundo, permite-nos gerir a nossa vida, sem ser só na parte financeira, mas também analisar contratos, saber o que estamos a falar.
Interviewer
De que estamos a falar, exatamente.
Catarina Lameiras Grosso
E esta interação toda, que no fundo acaba e começa nas pessoas, no emissor, no receptor, nas mensagens, no feedback, agora só para cuidar esta lógica, no fundo é comunicar em todas estas vertentes e todas estas áreas é sempre uma forma de responsabilidade porque, como sabemos, as palavras carregam significado, não são inócuas e também moldam a forma como nós percepcionamos e vemos o mundo. E eu acho que com toda essa consciência foi aí que eu me tentei localizar. Cada vez compreender mais as pessoas que vivem dentro destes sistemas económicos.
Interviewer
Já vamos falar disso e começa já com isto que eu lhe vou dizer. Já este ano a Catarina chegou ao cime da montanha com um doutoramento que obteve suma cum laude, é assim que se diz, não é?
Catarina Lameiras Grosso
É assim.
Interviewer
Que significa em latim, com a maior das honras. Ora, nós temos que parar aqui nesta honra e nesta glória. Eu gostava que explicasse o doutoramento, porque é que escolheu o que escolheu, como é que reagiu a ter tido a maior das honras. pode perder tempo e pode começar por onde quiser. Porque é que escolheu doutorar-se, etc.
Catarina Lameiras Grosso
Foi uma felicidade enorme a concretização deste doutoramento, quer pelo processo todo, que me deu mesmo um gosto enorme, quer pela forma rigorosa e muito desafiante como também fui orientada, mas sempre acompanhada, ou seja, na verdadeira noção de orientador e de me ir estimulando para mais e melhores questões.
Interviewer
É a Catarina que escolheu os seus orientadores?
Catarina Lameiras Grosso
Sim, exatamente. Eu escolhi todos.
Interviewer
Quantos é que se escolhe normalmente numa tese de doutoramento como a sua?
Catarina Lameiras Grosso
Um orientador, pode haver dois, mas geralmente é um. E a mim foi uma escolha completamente acertada e que estou mesmo muito grata.
Interviewer
E da sua total responsabilidade.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, ou seja, é um pedido feito formalmente que depois foi aceito.
Interviewer
Uma pessoa que está já a fazer um doutorando, pode ver muitas vezes ou poucas o orientador, depende das suas necessidades, das suas hesitações.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente, o acompanhamento não é fixo, não é fixo, não há uma data concreta, também depende muito da evolução do próprio trabalho do candidato, primeiro do aluno, que depois se torna candidato depois de defender o projeto de tese e depois aí prossegue com os estudos até terminar, até entregar o doutoramento e depois o defender.
Interviewer
Temos que falar, evidentemente aqui, da sua tese, que foi tão interessante como surpreendente, e cito o nome. Cobertura da guerra colonial na transição do poder 1966-70. Portanto, a época, a passagem do doutor Salazar para o professor Marcial Caetano.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente.
Interviewer
Como é que se lembrou disto? Não, é muito interessante.
Catarina Lameiras Grosso
É uma excelente questão. É uma combinação de um interesse académico e também de uma inquietação pessoal. Aliás, tive que defender precisamente essa questão na própria defesa da tese de doutoramento.
Interviewer
Qual era a inquietação pessoal?
Catarina Lameiras Grosso
Tentar ter respostas.
Interviewer
Porque achava que as que havia oficiais ou oficiosas não eram suficientes ou não aclaravam.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, ou pelo menos havia pouco nesta parte do que é que a imprensa, como é que a imprensa apresentou o conflito neste momento político tão específico, ou seja, não apenas o acontecimento histórico em si, que também acaba por ser um trauma e um silêncio na sociedade portuguesa, tal como o investiguei, mas a forma como este foi, à época, claro, comunicado à sociedade. E eu tinha todas essas inquietações de compreender mais este interesse pessoal, o interesse académico.
Interviewer
Mas quando diz a forma como foi comunicada, era como era comunicada a guerra colonial nessa transição e como é que era? Eu não li a sua tese. Com certeza que não podemos resumir aqui uma tese de doutoramento. Mas como é que a Catarina ficou a perceber que era? Como é que era comunicada a guerra nessa transição? Foi de uma forma muito diferente do que no tempo do doutor Salazar.
Catarina Lameiras Grosso
Não muito diferente, não, mas foi possível ainda assim encontrar diferenças. A guerra era, se calhar sabe melhor do que eu, mas era um não assunto, ou seja, algo que não era explícito como uma guerra. Era uma contenção de ataques terroristas, muitas vezes enquadrada de forma a uma operação militar, que até podemos encontrar alguns paralelismos com outros momentos e até com a atualidade, e por isso esta lógica Manteve-se, não é? Numa lógica também de censura e, portanto, não há aí uma diferença ideológica propriamente dita. Ainda assim é possível encontrar diferenças na relevância que é dada, talvez a denotar uma certa brecha, uma certa abertura no destaque que é dado.
Interviewer
Mas era aí que eu queria chegar, exatamente. Porque o professor Marcelo Quentempo, quando entrou, trazia atrás de si água de alguma esperança, uma mudança mesmo gradual, mesmo que lenta.
Catarina Lameiras Grosso
A lógica de renovação na continuidade que permitiu essa abertura inicial da Primavera Marcelista e, de facto, eu queria ver o que é que isso...
Interviewer
O que é que se tinha traduzido?
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente, se se refletia ou não na alguma diferença daquilo que, efetivamente, foi publicado. E foi possível, de forma muito interessante, encontrar diferenças, até mesmo algumas críticas pontuais. externas e internas, caricaturas, por exemplo, do professor Marcel Caetano, que nunca tinham sido encontradas anteriormente.
Interviewer
Quais foram os seus centros de investigação? Na imprensa, com certeza.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, foi em particular o jornal O Século.
Interviewer
Foi a sua base, aliás.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente.
Interviewer
Aliás, foi expresso, foi público, na defesa da sua tese, Foi com base no jornal O Certo.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente. O Jornal de Defesas Públicas em que se especificou e até mostrei vários excertos do próprio jornal, que recolhi por folhamento manual de todas as páginas ao longo destes anos, 1966 e 1970, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. e recolhi depois, com base na relevância, analisei as páginas que teriam algum acontecimento do que estava a acontecer no então ultramar, ou seja, fiz aí essa seleção e digitalizei-as e analisei 3.033 páginas, aquelas que eu analisei mesmo.
Interviewer
Mas a sua fonte foi o século e coisas que leu, autores que leu do Antigo Regime e deste.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente. Também documentos de arquivo e entrevistas semi-estruturadas a algumas pessoas, embora não fosse o foco da tese em si.
Interviewer
Militares, por exemplo.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, falei.
Interviewer
Com militares que tinham estado, claro.
Catarina Lameiras Grosso
Com militares que tinham estado na guerra colonial, também com antigos jornalistas, com investigadores, o que também foi muito rico em termos de construir sobre conhecimento.
Interviewer
Claro, os investigadores que são bons é formidável.
Catarina Lameiras Grosso
Pois é.
Interviewer
E essa tese e esta classificação foi a sua maior alegria, o maior orgulho A melhor recompensa foi o quê? Este 19-20 e este suma com laude. Foi o quê para si? Recompensa, orgulho?
Catarina Lameiras Grosso
Para mim sim, eu acho que foi um grande orgulho e uma consciência de que nos tornamos também graças ao nosso trabalho, ao nosso sacrifício. Tenho muitas mensagens para responder de muitos amigos meus. Tenho programas por combinar e, portanto, houve aí um período de sacrifício, mas foi um investimento que naquele dia eu senti compensou.
Interviewer
Como tinha valido a pena.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, valeu a pena. Vale a pena. Pelo contributo também num momento único. Se calhar esta tese daqui a uns anos não pode ser feita ou não pode ter estes testemunhos vivos que também têm a sua relevância. É maior, eu também concordo. E, por isso, tentar aqui conjugar várias coisas. Reparei ao longo de vários semestres, vários anos que tenho lecionado, que os alunos traziam este tema de forma recorrente. Quando discutíamos temas específicos do semestre, por exemplo, como comunicação e conflito, comunicação e memória, comunicação e esperança.
Interviewer
Vamos continuar a conversar e acabou de dizer três exemplos de comunicação tão interessantes, mas temos que fazer aqui uma pequena pausa. Esperem por nós, voltamos já, já a seguir.
Catarina Lameiras Grosso
O
Interviewer
Renato estava apático.
Catarina Lameiras Grosso
Ele parecia que não estava lá.
Narrator
As testemunhas, as mensagens e os vídeos que ajudaram a polícia a desvendar a forma como Renato Seabra assassinou Carlos Castro em Nova Iorque.
Interviewer
Até hoje, gostava muito de perceber o que aconteceu.
Narrator
Estes são os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Os Ficheiros do Caso Carlos Castro é uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador. É narrada por mim, Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Rezende. Último episódio. O júri chegou a uma decisão.
Interviewer
Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Kia. Ainda sobre a tese, e ainda sobre o dia em que ficou doutorada, já me disse que foi um orgulho e explicou muito bem. Contava com uma classificação tão alta?
Catarina Lameiras Grosso
Não.
Interviewer
Não?
Catarina Lameiras Grosso
Não. Não podia tanto.
Interviewer
Pois, não podia tanto. Não podia tanto. Tinha a consciência que tinha trabalhado melhor que sabia que podia, mas não esperava tanto.
Catarina Lameiras Grosso
Dei o meu melhor, achei que, lá está, muito bem orientada e achei que a investigação estava relevante, mas não esperava tanto desse dia. Felizmente também a defesa correu bem, penso que consegui ir ao encontro da maior parte das questões sem me desviar muito delas.
Interviewer
Além da excelência da classificação, a escolha da tese foi com certeza também uma coisa que deve ter interessado e surpreendido o júri. Ainda sobre a tese, como é que uma rapariga de 29 anos, que era o que tinha, com que idade começou a fazer o doutoramento, a estudar e a investigar?
Catarina Lameiras Grosso
Com 26.
Interviewer
Com 26, pronto. Como é que olhava para a África? Para a África onde se fala português. Como é que olhava? Porque também acho muito interessante uma jovem com 26 anos, passar tanto tempo sobre a independência das Áfricas lusófonas, ter ido buscar esse tema.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, eu olhava com muita curiosidade e sempre à procura de respostas concretas, mais do que só perspectivas ou interpretações.
Interviewer
De interpretações ou ideológicas, sim.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, também tenho tido a sorte de ter ao longo dos anos muitos alunos...
Interviewer
Que vêm de lá, sim, ou que são africanos, sim.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente, e que vêm ainda com algumas referências também do que era anteriormente a África Portuguesa e agora com uma nova perspectiva sobre isso e tenho tido também a sorte que partilhem comigo outras visões, outras perspectivas e queria ver o que é que... Resultava. Exatamente.
Interviewer
Muito bem. Olha, é professora universitária, mas com 22 anos foi assistente de liderança ética e comunicação. Era até confundida com os alunos, mas nunca se intimidou. Conseguiu sempre, apesar de tão nova, tão nova, conseguiu sempre uma espécie de imposição, não forçada, mas natural, do respeito que merece sempre um professor, tenha a idade que tiver. Foi isto.
Catarina Lameiras Grosso
Foi isso que eu sempre senti, mas às vezes era confundida. Logo à entrada... Sim, não sabia que era algo... Estávamos todos à espera do professor e eventualmente entrava eu. O que era bom, porque assim a pessoa tinha uma perceção do que é que de facto achavam de nós, e da cadeira, antes de nós termos que... termos entrado e começado a falar. Mas eu sinto que consegui esse equilíbrio entre, como estava a dizer, entre a proximidade e um formalismo ideal também para conseguirmos trabalhar todos, para conseguirmos cooperar, aprender nesse...
Interviewer
Aliás, a Catarina diz, vejo-me sempre a ensinar, é o momento em que vou explicar e vou contar. É sempre como se o vivesse pela primeira vez. Pergunto, transmitir o saber é uma vocação criativa até.
Catarina Lameiras Grosso
eu encaro assim, ou seja, das coisas todas que eu alguma vez fiz, e felizmente já foram bastantes, aquela em que sinto que é a minha vocação, aquilo que me faz mais sentido e dá mais sentido ao meu percurso, é ensinar e essa partilha de nunca o fazer da mesma forma, nunca, eu sei que parece às vezes um lugar comum, um clichê que muitas pessoas dizem, mas é verdade, ou seja, Nunca dou uma aula da mesma maneira. Nem pela mesma ordem, provavelmente, daquilo que falo, tento sempre dar o conteúdo e as matérias, mas nunca é igual. Ainda ontem tivemos uma aula completamente diferente, já dei aquela aula em si inúmeras vezes e foi completamente diferente do que costuma ser, porque os alunos tinham outras questões, tinham outra forma de ver. porque eram outros e porque vêm com uma outra perspetiva e tudo isso torna este processo muito interessante em que se aprende.
Interviewer
E os alunos vão para o Curuna depois da aula para dizer qualquer coisa, comentar qualquer coisa, perguntar qualquer coisa?
Catarina Lameiras Grosso
Sim, é bastante habitual e é um momento que eu também estimo muito e estimulo, ou seja, dar essa abertura para que venham falar, como é também uma cadeira que tem a ver com a comunicação interpessoal, com a parte de falar em público.
Interviewer
Pois, vamos agora falar disso, mas de certa maneira, quando os alunos a procuram, é uma espécie de continuação da aula de outra maneira, de um resto da aula.
Catarina Lameiras Grosso
A professora não me sentia à vontade para dizer isto a todos, mas eu ainda lhe queria perguntar como é que eu posso melhorar isto? Ou o que é que acha sobre isto? Se a professora tivesse que responder a esta questão, como é que o faria? E será que me pode dar mais autores sobre feedback, ou resolução de conflitos, ou uma parte em particular? E é com todo o gosto que o faço.
Interviewer
Vamos então falar de liderança e ética. Agora falta uma terceira. Liderança e ética. Comunicação.
Catarina Lameiras Grosso
Essa já falámos mais, por isso.
Interviewer
Como é que se ensina? É difícil a pergunta, eu sei, mas liderança, ética e comunicação, as três palavras são poderosas e são fortes. Todas juntas ainda são mais e sinalizam coisas importantes. Eu gostava que falasse um bocadinho disso.
Catarina Lameiras Grosso
Liderar é, como já falámos aqui, mas é essencialmente comunicar sentido.
Interviewer
Sentido.
Catarina Lameiras Grosso
E por isso tem aqui logo a ponto com a comunicação, ou seja, muito simplisticamente pode ser definido como o processo de influenciar, de motivar e de capacitar os outros a atingir um objetivo comum. Às vezes tentamos complicar um pouco, mas a liderança pode acontecer nas mais diversas áreas, nos mais diversos momentos. Mas é esta lógica que tentamos colocar vontade nas pessoas, vontade de fazer, que não seja imposta, que não seja por uma ameaça.
Interviewer
Que venha de dentro delas.
Catarina Lameiras Grosso
que as pessoas vejam uma razão para fazer o que estão a fazer e essa influência é transformadora. Fez uma questão muito importante, como é que se ensina? E nós também nos temos debatido ao longo, nós eu digo a equipa, nos temos debatido com essas questões ao longo de todo este processo.
Interviewer
Exato, como é que se ensina?
Catarina Lameiras Grosso
E talvez a melhor resposta seja que se aprende mais do que se ensina e por isso nós temos feito com os alunos, claro que lhes damos as bases, a parte teórica, os autores, mas mais do que isso temos tentado que os próprios alunos saiam e entrevistem pessoas que possam dar uma perspetiva real daquilo que é o dia-a-dia de liderança. O que é que é liderar no dia-a-dia? Mais do que uma visão utópica ou idealista? que se traduz? Como é que as pessoas ultrapassam diariamente questões com as equipas? Como é que as motivam? Será que é fácil quando uma pessoa não está bem tentar outro da outra equipa compensá-la e isso é possível fazer? E os alunos têm nos dito, aliás há um trabalho em específico que é mesmo entrevistar em líder, chama-se Listen to Lead, Nesta lógica...
Interviewer
É sempre em inglês, sim, as aulas.
Catarina Lameiras Grosso
As aulas na Nova são sempre em inglês, na Católica são em português, mas esta lógica de tentarem ir entrevistar e tentarem ver o que é que as pessoas têm para dizer sobre isto. Não só nesta lógica de nós tentarmos ensinar o melhor que sabemos do que é possível dentro da sala de aula num determinado momento, mas depois também irem ver o que está a acontecer e as dificuldades que é tentar colocar essa vontade e comunicar esse sentido em momentos de crise, quando as coisas não correm bem e aqui como um dos principais motivos pelo qual as pessoas deixam as organizações, para além de... Qual é? do ambiente, de problemas de relação.
Interviewer
Não conseguirem nadar nesse ambiente, ser nesse ambiente.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente. Muitas investigações apontam o primeiro, o salário, a vontade de subir na carreira, que por vezes não acontece ou é muito lenta dentro da mesma organização. Um dos segundos fatores que imediatamente aparece é este, o ambiente, não se identificarem, não se sentirem bem em seu local de trabalho.
Interviewer
O ambiente não ser interpelador.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente. Motivador.
Interviewer
E esse curso tem quanto tempo?
Catarina Lameiras Grosso
O curso dura um semestre.
Interviewer
Um semestre, sim. E na Católica o que é que a Catarina dá?
Catarina Lameiras Grosso
Do Gestão Internacional.
Interviewer
Gestão Internacional. Portanto lida bem, lida muito bem com as contas, já percebi aqui assim também, não pelo currículo, já tínhamos conversado, e da importância da gestão e do saber gerir. Mas como foi, como viveu e ensinou também em universidades estrangeiras, pode comparar métodos de trabalho, exigência, aprendizagem? entre Portugal e os países onde esteve.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, acho que pelo menos posso dar a minha própria perspectiva.
Interviewer
Exatamente, eu estou a falar com certeza.
Catarina Lameiras Grosso
Eu acho que cada país tem uma cultura académica muito própria e viver e trabalhar em algum deles dá-nos outra perspectiva, dá-nos como Derek Seavers diz, abre aquela janela e da nossa consciência de perceber que o oposto também pode ser verdade. E isso eu acho que é muito enriquecedor, ou seja, tentamos compreender que existem formas diferentes, formas inteligentes de fazer a mesma coisa, para tentar responder à sua questão mesmo.
Interviewer
Por exemplo, alguma vez deu consigo a dizer que pena eu não poder levar isto para Portugal ou que Portugal tivesse esta cultura. Por exemplo, como é que define a nossa cultura académica portuguesa?
Catarina Lameiras Grosso
A nossa cultura académica, eu acho que tem muitas qualidades interessantes que por vezes até subestimamos. Nós somos, em geral, temos muito boa capacidade de trabalho, muito boa capacidade de adaptação, não é? Sempre tenta encontrar uma forma, uma solução, uma maneira, sensibilidade relacional, criatividade para fazer diferente e eu acho que isso que isso é muito bom, mas por vezes também acho, se me permite, que somos demasiado modestos ou pouco assertivos na forma como comunicamos o nosso valor.
Interviewer
E pouco ambiciosos.
Catarina Lameiras Grosso
Pouco ambiciosos às vezes. Ou não dizemos algo com medo de parecer mal. Por exemplo, só para dar o contexto britânico, o que mais me impressionou nele foi essa clareza, essa assertividade, essa capacidade de mostrar valor e de como eu posso acrescentar.
Interviewer
E orgulho.
Catarina Lameiras Grosso
E orgulho nisso. E orgulho nisso.
Interviewer
Aqui não há. Não se valoriza nada ao mérito, não acha? Aqui não se valoriza ao mérito e não há ambição de se expor que se quer valorizar o mérito e que se tem orgulho no que se faz. Não há esta ambição.
Catarina Lameiras Grosso
Acho que às vezes também porque ela pode ser mal interpretada, não é? Nós associamos isso como uma falta de humildade quando às vezes não é. É queremos mostrar o nosso trabalho e queremos que... E lá está, e queremos que seja de uma forma direta, que se possa apresentar de forma clara daquilo que temos feito e estruturada. Em Itália encontrei uma abordagem diferente, mas diria que é igualmente rica. Ou seja, há uma noção de que tudo se consegue resolver, eventualmente.
Interviewer
Ah não, isso também é muito italiano.
Catarina Lameiras Grosso
E uma dimensão muito forte da valorização da vida, de que o trabalho é uma parte, sim, muito importante e que faz parte e que temos que lhe dar valor, mas que não deve apagar e talvez nem prejudicar demasiado a nossa existência, a nossa felicidade.
Interviewer
O tempo que consagramos ou que não é o trabalho.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente.
Interviewer
E que envolve família, ócio, amigos, desporto, sei lá.
Catarina Lameiras Grosso
E que também tem muita noção de... e deve sim tentar encontrar, eu lembro-me uma professora a dizer isto várias vezes, de tentar esforçar ao máximo por encontrar algo em que esteja feliz enquanto trabalha. Algo que não lhe custe levantar da cama para ir fazer. E eu felizmente tenho a sorte de ter encontrado.
Interviewer
Exatamente, levanta-se da cama sempre muito contente.
Catarina Lameiras Grosso
Uns dias custam mais do que outros, mas sempre muito contente. E mesmo quando chego a casa muito cansada, às vezes porque também dou aulas até às nove ou oito da noite, nove da noite, mesmo aí às vezes chego Dei tudo o que tinha, mas ainda assim chego feliz e acho que isso faz toda a diferença.
Interviewer
A academia foi a grande escolha da sua vida.
Catarina Lameiras Grosso
Sim, tem sido a grande aposta da minha vida.
Interviewer
Mas partiu de uma escolha.
Catarina Lameiras Grosso
Mas partiu de uma escolha inicial.
Interviewer
Podia ter ido por outros caminhos, teve outro tipo de... eu não pude ler o seu currículo todo, outro tipo de atividades, muitos convites e, portanto, decidiu-se, houve a decisão de seguir a sua vida pela academia, porque tem uma frase muito engraçada que diz que o mais importante são as pessoas, fazê-las chegar mais longe, acrescentar. É muito motivada para a plateia dos alunos que tem à sua frente, e para o universo dos alunos.
Catarina Lameiras Grosso
Sou, pela tentativa de que, pelo menos há alguns, consigamos chegar e consigamos ajudar. para aqueles alunos que dizem que não conseguem falar em público porque estão demasiado nervosos, ou porque deixam de conseguir pensar de forma clara os argumentos que querem dizer. Ver um aluno desses ao longo do semestre, ou até depois, quando trabalhamos noutros momentos, em horários de atendimento extra, em treinos, ver esses alunos que nos vêm dizer, professora, consegui.
Interviewer
Consegui é uma palavra É um grupo
Catarina Lameiras Grosso
fantástico e que vem acompanhado dessa alegria, dessa superação e de dizer assim já posso fazer este mestrado ou já me candidatei a este local onde era preciso falar, era preciso fazer esta apresentação ou já vou escolher esta cadeira porque já não tenho nenhum problema com o que é necessário.
Interviewer
apresenta junto-se e tendo deixado para trás, talvez irreversivelmente, aquilo que seis meses antes a impedia ou de ser ela própria, ou de ter encontrado um caminho, ou de se ter encontrado ela própria.
Catarina Lameiras Grosso
Exatamente, pelo menos é essa a partilha que vêm fazer e vêm ainda mesmo fazer. Eu acho que isso é fascinante e dá muita motivação também, e à equipa toda, que já não são nossos alunos, já não têm nada a ganhar nesse sentido. Nós às vezes temos esta lógica de não há almoços grátis, ou seja, sempre a lógica economista de que é preciso que alguém troque, mas esses alunos já não querem nada em troca. Eles vêm só partilhar o que conseguiram. E isso é…
Interviewer
Deve ser um grande momento para uma pessoa.
Catarina Lameiras Grosso
É um grande momento. E queria só dizer que aquela entrevista correu bem, que estou a trabalhar neste sítio.
Interviewer
E também é interessante, eles quererem lhe contar a si. Houve um elo que não se interrompeu por terem saído ou por terem… Mas isso também quem quer ir. Com alguns. Com alguns, claro, mas isso é a vida.
Catarina Lameiras Grosso
Não conseguimos agradar a todos, exatamente. Nem devemos tentar, porque isso nos leva a outro caminho que já não é o nosso.
Interviewer
Não devemos tentar agradar a todos, pois não, eu também acho que não. Explica lá porque é que acha que não.
Catarina Lameiras Grosso
Acho que mesmo que tentássemos, nunca iríamos conseguir, também convicta racionalmente desse ponto. Mas depois porque devemos ser nós, ou seja, não podemos perder, isso é essencial também na própria comunicação, a nossa autenticidade, aquilo que somos, aquilo que defendemos e por isso deixarmos de defender tudo aquilo em que acreditamos torna-se um vazio.
Interviewer
E o fracasso, se me é permitido um pequeno desabafo, Eu suspeito um bocadinho do agradar a todos e das pessoas que agradam a todos. Suspeito é uma palavra feia e forte demais, mas fico um bocadinho desconfiada e também acho que não é preciso de maneira nenhuma agradar a todos.
Catarina Lameiras Grosso
Acho que não faz falta.
Interviewer
Não, não faz falta.
Catarina Lameiras Grosso
Acho que para quem quer agradar pode ser uma tristeza o que estou a dizer.
Interviewer
Não, e não faz falta.
Catarina Lameiras Grosso
Perdemos a noção daquilo que nos é, para nós, essencial.
Interviewer
O que é que é essencial na vida para si?
Catarina Lameiras Grosso
Eu estava a dizer aquilo que é para nós essencial, ou seja, neste sentido que também é uma questão ética de como é que eu devo viver, o que é que eu devo fazer para uma vida com significado. E agora está me a devolver a pergunta de o que é que isso é para mim. Uma vida com significado. É uma vida onde eu consiga acrescentar valor aos outros.
Interviewer
Mas é uma belíssima definição. Foi o que fez quando colaborou com a Autarquia de Lisboa entre 2021 e 2022, onde, entre outras responsabilidades, tratava da relação dos cidadãos com a cidade. Eu gostava... Ai meu Deus, o tempo voa. Temos tão pouco tempo. Faça só aqui uma passagenzinha. de um minuto por isto, por este trabalho na Câmara, que é tão diferente apesar de tudo da academia.
Catarina Lameiras Grosso
Foi uma experiência muito interessante esta da lógica da relação com os cidadãos e a cidade, tudo aquilo que aprendi, e mais do que isso, desta noção de que a gente há valor de uma outra forma, não é? De contribuir para esta noção de que os cidadãos querem e gostam de estar mais envolvidos e ensinou-me muito, foi a minha maior experiência de liderança, levou-me a outros países também nesse cargo, nessa representação e nessa noção da responsabilidade, da responsabilidade de quem confiava em mim, de quem eu também estava a representar e acho que essas lições ficam também para sempre.
Interviewer
É muito engraçado porque a Catarina está sempre a ensinar e sempre a aprender. Se eu tivesse que definir, dizia isto. É uma boa definição.
Catarina Lameiras Grosso
Eu fico felicíssima. Esse é sempre o meu objectivo principal.
Interviewer
É porque nesta conversa fomos misturando, quer o valor de um bom professor, quer do que uma aluna conseguiu fazer com o saber que tinha a sua tese, quer as vezes que me disse que aprendia e que não esquecia.
Catarina Lameiras Grosso
Acho que um bom professor tem que estar sempre aberta a essa aprendizagem constante, a essas novas inquietações, novas questões, mas também às respostas que vêm dos alunos, dos locais onde trabalhei.
Interviewer
Tem que estar atenta à vida.
Catarina Lameiras Grosso
Da parte institucional, exatamente.
Interviewer
Ao palpitar da vida. Catarina Lameira Grosso, muito obrigada por ter vindo, é um exemplo de cidadania, um exemplo de civismo, mas é sobretudo um exemplo do que se pode fazer com o saber. Muito obrigada.
Catarina Lameiras Grosso
Muito obrigada, eu que lhe agradeço muito, foi um gosto.
Date: May 15, 2026
Host: Maria João Avillez
Guest: Catarina Lameira Grosso
This episode is part of a series of conversations with Portuguese figures of excellence since April 25, 1974. The focus is on Catarina Lameira Grosso, a young academic whose outstanding career in economics, management, and communication led her to become a university professor and recent PhD graduate. The discussion dives into Catarina’s path, motivations, research, teaching philosophy, and the importance of leadership, ethics, and communication in modern Portugal.
Catarina Lameira Grosso embodies the power of rigorous inquiry, interdisciplinary learning, humility, and social responsibility. At the heart of her mission is a desire to empower students to go further—not just academically, but personally. Her journey and thoughtfulness inspire both educators and learners, confirming that “ensinar é fazer com que as pessoas cheguem mais longe.”
“Uma vida com significado. É uma vida onde eu consiga acrescentar valor aos outros.”
— Catarina Lameira Grosso (38:00)