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A
Muito que bem!
B
Fala rapaziada, tudo certo com vocês?
C
Já estamos no ar!
B
Beijo pra todo mundo, abraço pra todo mundo e vambora Carica!
A
Vambora, hoje teremos aqui um papo maravilhoso!
B
Muito legal!
A
Pra você que está assistindo, preste atenção! A psicologia é o segredo do sucesso.
B
É o segredo do sucesso.
A
E nós estamos aqui com um cara monstruoso na internet.
B
Verdade.
A
Com muitos seguidores. E o papo vai ser... Você usa psicologia, Bola?
B
Não uso. Nunca fui.
A
É importante.
B
Preciso ir, né?
A
Precisa.
B
Nunca fui. Minha irmã é psicóloga.
A
Então. E eu acho que você, principalmente. Nós dois, né? Todo mundo. Você também. Então, se você está com algumas coisas na sua cabeça, estamos diante de um cara fantástico.
B
Boa, Carica.
A
Vai ser um programa especial, então fica aí, não sai daí, que você vai gostar muito. Fernando Segredo. Tudo bom, Fernando? Obrigado.
B
Fernandinho, bem-vindo, irmão.
A
Fernando, tem quantos milhões de seguidores na internet, Fernando?
C
Um milhão e seiscentos.
A
Um milhão e seiscentos, quer dizer... Que beleza. Vai ser muito mais, porque o teu trabalho é muito bacana.
C
Obrigado.
B
É muito legal mesmo.
A
Lá vai dando uma olhada, tu já me pegou, já... Tu deu um tapa na minha cara, velho. Eu dou um tapa na minha cara, sério.
C
Então, eu recebo muita mensagem assim, porra, mas na cara assim, de graça.
A
É, estragando o velório.
B
Mas tem que ser, né irmão? Você não pode ir muito alisando, né?
C
É, não dá. A psicanálise, ela é... ela traz muita... porque não tem comprovação científica, né? Mas ela traz muita verdade, quando você começa a entender, você começa a ver os conceitos, aí você... transfere pra você aquilo lá, você fala, puta, isso é pra mim.
B
A psicanálise é aquela coisa que a gente vê em filme, no divã, aí a pessoa deita e bate papo, é isso mesmo? É. É bem isso.
C
É, só que tem as linhas, né, tem as linhas da psicanálise. Então, hoje em dia, depois da pandemia e tudo, né, hoje eu só atendo online. Você só atende online? Só atendo online.
B
Que loucura, cara.
C
Algumas linhas são mais tradicionais, mais ortodoxas e tá tudo certo, né? Eu sou da linha mais não muito ortodoxa, então atendo só online. E é de fato assim, a gente traz muita questão do passado, né? Ali, da infância, né? Enfim, que é a base, né?
B
Você vai buscar lá no fundo mesmo, né?
C
Vai buscar lá no fundo. Por isso que tem muita coisa que faz muito sentido, né? Quando você fala, putz, a pessoa tá, sei lá, uma carência ali e tal, pode ter certeza. Ou ela teve falta de carência lá atrás, ou ela teve excesso de carência e ela quer ter cada vez mais aquilo, né?
B
Que loucura.
A
Você acha que a dopamina é estimulada hoje por esse aparelho delicioso chamado smartphone.
C
Total.
A
Está causando um colapso no homem?
C
Total, total. Eu vi uma notícia que hoje o ser humano consome um dia de conteúdo que era consumido na década de 50 em um ano. Então em um dia a gente recebe a quantidade de informações. É uma puta diferença. Nossa, você fala caramba.
B
É porque antes ele ia num jornal e eu ia lá.
C
É, exato. Inclusive até eu vi, acho que vocês já devem ter visto um post. de uma repórter entrevistando o pessoal na rua na década de 70. Ah, você lê quantos livros? Vocês já viram esse post?
A
Eu não vi.
C
Você não viu? É uma reportagem, não sei qual canal que era na época. Ah, você lê quantos livros? Ah, eu tô sem tempo, né? Mas por mês eu leio 10 livros.
B
Isso porque ele tá sem tempo, né?
C
Isso porque ele tava sem tempo naquela época, né? Só que eu vi um post que fez uma análise desse conteúdo que eu achei sensacional, que é a forma como a galera falava. O pessoal falava mais devagar, mais pausado.
B
Mais bonito, né?
C
Ah, eu leio 10 livros por mês, porque eu tô um pouco sem tempo, mas eu gosto de ler... Você vê que é outra parada, que hoje em dia tá tudo muito assim, né?
B
Hoje é tudo abreviado, tudo é...
A
É banda larga.
C
Fibra ótica na banda. É o negócio que é assim, você fala, gente, calma, né? E aí, o que eu vejo muito em consultório é a galera... querendo botão mágico. Fernando, eu quero mudar e não sei o quê, como se tivesse um botão que liga e desliga na cabeça, que eu vou virar...
B
Mas quer ser menos dependente disso aqui?
C
Do celular? É, menos ansioso, menos dependente, menos tudo, né? Então eu vejo que a galera tá muito preocupada e tudo é rápido, né? Tudo é... Eu quero também mudar rápido.
B
É instantâneo. É.
C
Foi calma, né? Inclusive, tem até um caso interessante que eu atendi, Atendi, fiz duas sessões com a pessoa. Gente, loucura. Fiz uma sessão com ela, tal, tudo, beleza, marcou a segunda. Uma semana, na semana seguinte, marcamos a segunda. Basicamente, ela trouxe os mesmos conteúdos que ela trouxe na primeira. E a psicanálise tem um negócio chamado regra fundamental. O que que é isso, né? Que é, a gente trabalha com o conteúdo que a pessoa traz.
B
Tá.
C
Então, eu não vou chegar pra ela e falar assim, ó, me conta sobre o seu pai aí, sua mãe. Não.
B
Calma, você tá falando disso, vamos no conteúdo que você trouxe. É, vamos lá.
C
Entendi, entendi. Então assim, como é que eu posso te ajudar hoje? O que que tá acontecendo? Como é que tá? O que que você tá, né? Enfim. E a pessoa trouxe, basicamente, conteúdos muito parecidos com o que ela tinha trazido na primeira sessão dela, né?
B
Tá.
C
E aí a gente vai trabalhando, a gente foi conversando, tal, tudo. Fechou o mês, minha assistente passou a conta pra ela. Eu falei, ah, não vou pagar porque eu não me senti melhor. fez duas sessões, mas como assim?
B
Calma né, tia, porra.
C
Exatamente, é tipo isso.
B
Ah, lançou essa?
C
Lançou essa. Aí eu falei, bom, então tá bom, não quer pagar, então não paga, né? Paciência, vida que segue, né? Pô, mas que coisa, irmão. Eu percebo muito isso, Bola, que o
B
pessoal até... Olha a pilantragem da turma, irmão. Não é, nego, picareta, velho? Que tem de monte hoje em dia, né?
C
Tem de monte, tem de monte.
A
Mas não acho que seja só picareta.
B
É o quê? Ele não quer pagar?
A
Não, direito do consumidor. Eu pagaria, mas é o direito do consumidor. Ela esperava.
B
Ela faz 10 sessões e não paga o direito do consumidor.
A
Não, porque as pessoas não querem resolver o problema delas, elas querem milagre.
C
Elas querem milagre, exatamente.
B
Miracle.
A
É, elas querem milagre, entendeu?
B
Milagre dentro de graça.
A
Mas as pessoas, tem muita gente que acha que tudo na vida tem atalho e não tem. Não é?
B
Vai lá pro aeroporto hoje, embarcar sem passagem, não vou pagar.
A
Não, mas não é isso, é que é diferente a prestação, é diferente a...
B
Não, mas você usou o serviço do cara.
A
Você pode não pagar a passagem aérea.
B
Você usou o serviço do cara, você tem que pagar.
A
Tá, mas você pode pegar, usar o cartão de crédito, voa e não pagar o cartão.
B
Sim, você é um puta pilantra. Sim, mas... Você é um safado sem vergonha, vagabundo.
A
Sim, mas é que...
B
É o caso da mulher com ele, ela foi pilantra, safada, sem vergonha. Sim, foi. Usou o serviço do cara e não quis pagar. Por quê? Porque é malandrona, velho, lógico.
A
Só para esclarecer.
B
Ah, não vi, melhora.
A
Fernando, nós temos o vídeo aqui que você falou.
B
Ah, falou, é verdade.
C
Olha esse daí, ó. Vamos lá.
B
Ó. Ó o boizão da época.
C
Policial, romance, variedade. Policial, romance.
B
E fala devagar, é verdade. Caraca, velho.
A
Mais ou menos, quando há tempo para ler.
C
Quando há tempo para ler. Quanto você lê por mês, mais ou menos?
B
Três livros.
A
Você compra todos os que você lê?
C
Compro, gosto. O senhor lê quantos livros por mês?
A
Dois, em média.
C
Quanto o senhor lê, mais ou menos, por mês? Eu lê três livros.
A
Romance,
B
porra. Ele é... Em média, três livros por mês.
A
O brasileiro, ele mente, né? É de 79.
B
É de 79 isso aí, porra.
C
É, você vê que o negócio, a pessoa fala mais devagar e tudo, né? Então, é uma coisa que eu falo nos meus atendimentos, porque não existe fórmula mágica, gente. Pra transformação pessoal ali, pro desenvolvimento psíquico e tudo, não tem um negócio que é mágico. A evolução, eu falo muito isso. A evolução, ela é gradual, ela não dá salto, ela é... Por exemplo, vai... É, vamos pegar aí uma mania, alguma coisa que vocês fazem, assim. É fácil mudar?
B
Não.
C
Depende de hábito, de um monte de coisa.
B
E quanto mais velho você fica, pior é.
C
E quanto mais velho fica, pior é. Fica pior, né? Eu falo muito disso em relacionamento, né? A pessoa vem no set lá reclamando do marido, da esposa, tal, tudo, não sei o quê, porque não faz isso, porque faz aquilo, porque não sei o quê, tal. Eu deixo a pessoa falar, deixo falar, aí eu faço essa pergunta. Escuta, uma mudança, assim, em você. Pensa uma mudança em você. Você precisa mudar alguma coisa em você. É fácil ou é difícil? Ah, é difícil. Então por que você está exigindo do outro mudar rápido?
B
Mudança pra caramba, é.
C
Por que você está exigindo? Calma, né? Se tem disposição, é o grande negócio, né? Então tem técnicas que a gente vai... Por isso que eu uso a psicanálise como base, mas eu trago a PNL, hipnose, outros conceitos também pra... E você
B
consegue fazer tudo isso online.
C
Online. Hipnose online é muito louco.
B
Então, é isso que eu não consigo entender. Hipnose online, que loucura.
A
Só pra concluir a questão do celular, eu acredito, pra analisar, é que antigamente, por exemplo, bola. Adorava ir pro banco. Nunca vi.
B
Eu tinha que ir pro banco.
A
Ele tinha.
C
Tinha o que? O termo já...
B
Não tinha celular, não tinha nada.
A
Tudo numa palma na mão. Eu não vou na minha agência não
B
sei há quantos anos.
A
a ir dos 15 anos, a 15 anos, 10, 15 anos, pagar e tal, você parece que, ok, qual é o próximo? Então você vai aumentando a sua carga pela expansão tecnológica, né? E isso, por exemplo, o WhatsApp, é uma coisa infernal. Você tá muito acessível.
B
É um negócio infernal.
A
Trabalho, 11 horas da noite, o cara tá te chamando coisas que você poderia resolver no outro dia.
B
E mandando merda pra você.
A
E você não dorme direito, às vezes.
C
Por exemplo, eu tirei já há muitos anos notificação no meu celular.
A
Ah, é?
C
Eu tirei tudo. Eu tirei tudo. Esse é o botão mágico que a gente faz.
B
Você diz o barulhinho.
C
Tudo. Assim, você pega o meu celular, não tem notificação.
A
Instagram, WhatsApp, tudo.
C
E como é que te acessa?
A
Filho e tal.
C
Então, aí tem um combinado com a minha esposa, que é o quê? Você precisa falar urgente comigo, me liga.
B
Liga.
C
me liga, mas pras pessoas, sei lá, minha esposa, minha filha, enfim, as pessoas próximas, ó, me liga. Então, mandou mensagem, eu não vou...
B
Não vai nem vir, só depois.
C
É, eu vou ver quando eu quero ver, quando eu preciso ver. Só que aí tem um outro controle, que é o quê? Aquela pessoa que pega toda hora o celular e fica, né? Será que tem? Será que tem? Aí é um controle pessoal dela. Por isso que, por exemplo, vai uma técnica da PNL, né? Eu uso sempre os elásticos, né? Pra me lembrar, né? Segundo a PNR, tudo, qualquer coisa...
B
O que é PNR, se eu põe em PNR?
C
Programação Neurolinguística.
B
Tá.
C
Que foi desenvolvida lá, década de 60, 70, por Bendler e pelo Grindr, que eles analisaram lá o Milton Erikson, que era um terapeuta que tinha um modo de operar que não era muito ortodoxo na época, que ele misturava hipnose, só que de outro jeito, enfim. Que acabou se criando a hipnose eriksoniana. E aí o Bendler e o Grindr, um era... Era linguístico, o outro era matemático, uma coisa assim... Eu sou meio perdido pra história, assim, na cabeça funcional.
B
Enfim, é mais pra entender esse uso elástico.
C
Ah, uso elástico. Então, o que a PNL fala, né? Que tudo, qualquer coisa pode ser gatilho. Gatilho emocional, né? Então... aquilo que eu vejo, aquilo que eu escuto, aquilo que eu sinto, enfim, qualquer coisa pode ser um gatilho, disparar alguma coisa na gente. Então, por exemplo, vamos supor essa garrafa de água, né, pra você é uma garrafa de água, pro Carioca é uma garrafa de água, pra mim, essa garrafa de água, quando eu pego ela na mão, me dá uma tristeza, porque Foi essa garrafa, parecida com essa, que eu tava tomando quando eu tava num funeral de não sei quem, que morreu acidentalmente.
B
Ah, entendi.
A
Que loucura.
C
Putz, eu lembrei disso. É a representação que eu tenho daquilo.
B
Qualquer coisa que te lembre, entendi.
C
Exatamente. Então...
A
Associou uma coisa... Entendi. Associação.
C
É, por associação.
B
Que coisa, cara.
C
Isso aí começou aonde? No Pavlov. Nossa, tem uma história incrível, assim. Pavlov, ele é um... Um cara maluco, que ele queria entender em que momento que o cachorro dele produzia saliva. E aí ele foi fazer um teste que ele tirou a glândula salivar do cachorro, colocou o cachorro em cima de uma mesa e deu comida pra ele. Obviamente a primeira vez o cachorro começou a salivar quando ele começou a comer. E foi assim um dia, dois, chegou no, sei lá, quinto dia. o cachorro tava em cima da mesa e o cachorro já começou a salivar, só que ele não tinha colocado comida ainda. Ele falou, peraí, tem alguma coisa aí estranha, né? Porque eu não coloquei comida, ele associou, ele...
B
É, já se ligou.
C
Ele se ligou que alguma coisa vai acontecer aqui e ele já começou a produzir saliva. Ele falou, deixa eu fazer o seguinte, ele fechou a mesa, então ele botou o cachorro lá, o cachorro já no outro dia, né? O cachorro já não sabia o que ia acontecer, aí ele pegou o metrônomo, tec, tec, tec, colocou uma portinha e colocou a comida enquanto ele ligou o metrônomo. E ele repetiu isso aí algumas vezes. Até a hora que ele só ligava o metrônomo e o cachorro começou a produzir saliva.
A
Caraca, só com o som.
C
É o comportamento condicionado, entendeu? Só com o som no metrônomo. Então, isso daí ele já, ele criou ali, ele desvendou ali o comportamento condicionado, que é o que a gente faz pra cachorro.
A
Aonde o estelionatário trabalha, né?
B
É, mais ou menos isso mesmo.
A
Estelionatário trabalha aí. Ele estuda isso aí. Estelionatário é sinistro, né?
C
Técnica de venda, por exemplo, a pessoa que estuda programação neolinguística e trabalha com venda, puta, vai ser um vendedor, vendedor de carro. Nossa, vendedor de carro. Na hora que ele estuda a PNL, ele consegue, conversando com uma pessoa, saber se a pessoa é mais visual, se ela é auditiva ou se ela é sinestésica. E aí ele usa isso pra poder vender um carro. Então, por exemplo, a pessoa é mais sinestésica, né? Que sente mais as coisas.
B
Obviamente... Senta aí.
C
Senta aí, sente o ronco do motor. Sente aqui a...
B
A vibração.
A
Se imagina dirigindo.
C
Se imagina dirigindo. Ele vai usar esses termos aí.
B
Vamos fazer um ronco, vamos dar uma volta no quarteirão.
C
Pegou o cara, ferrou.
B
Eu sou eu, sou eu. Eu se eu andar na desgraça do carro, meu amigo, puta, eu compro na hora. É bola. Acelerei, gostei, puta vida.
C
E dá pra descobrir com pergunta, com pergunta assim, então tipo... Entendi. Sei lá, me conta como tava teu dia ontem, aí se a pessoa, pra onde ela olhar... a gente consegue descobrir qual que é o canal representacional mais ativo dela. Então se ela olhar pra cima é o visual, se ela olhar pro lado é o auditivo, se ela olhar pra baixo é sinestésico.
A
Que loucura.
B
É mesmo.
C
Caraca, Fernando.
A
Que doideira.
C
É sinestésico.
A
Tá vendo? Você enrolado... Pra onde você olha, você sabe... Você tem sempre alguém querendo entrar no teu bolso, irmão.
C
E aí dá pra... Assim, eu não sou especialista em microexpressão facial, tudo, mas assim, dá pra você, dependendo se a pessoa é destra ou canhota, dá pra saber se ela tá mentindo ou lembrando, dependendo pra onde ela tá olhando. Porque tem um lado, dependendo se ela é destra ou canhota, tem um lado que é imaginativa e outro lado é lembrança. Por isso que, assim, quando a gente fala de psicanálise ali bruta, ali clássica, de van, né? Funciona, óbvio que funciona. Não pra todo mundo, mas funciona. Só que eu tô perdendo um monte de informação se eu não tiver olhando pra pessoa. Se eu não tiver ali frente a frente pra ela. Então, quando eu comecei a estudar psicanálise, E foi assim, uma conexão de avatar, né?
B
Porque... Você começou por quê, irmão?
C
É, vamos lá. Eu era publicitário, né? Eu era publicitário. Trabalhei quase 20 anos em agência, 19 anos e pouco em agência de propaganda. Desses 19, uma boa parte atendendo, né? Na psicanálise. Então, eu atendi... Eu trabalhava das 9, das 10 às 19, eu andava em agência das 10 às 10 do outro dia, né? Que é varar a noite, o caramba, tal, tudo.
A
Tranquilo.
C
E aí, enfim, eu sempre fui o cara que a galera vinha conversar, e eu gostava de ajudar as pessoas, eu gostava, né, daquilo lá, enfim, tudo, né.
A
Você descobriu o talento.
C
É, e meus pais são psicólogos.
B
Ah, pô, tá em casa.
C
Mas eu falei, pô, eu acho que tá meio que na veia isso, mas eu nunca dei atenção, porque eu queria ser um publicitário mesmo, ganhar prêmio pra caramba e não sei o quê, né, enfim. E aí... Em alguns momentos da minha vida, assim, eu comecei a perceber algumas campanhas que eu fiz que eu falei, putz, né? Então...
B
Mas putz o quê? Você não gostou?
C
É, começou a me dar um... Cara, não tá me... Não representa... Não sou mais isso, sabe? Entendi. Por exemplo, vai, eu fiz campanha pra camisinha... Beleza, eu sou... Todo mundo gosta de sexo, é legal, tudo, mas, pô... Colocando duas mulheres na cama com um cara, eu falava, cara...
B
Não é minha praia, né?
C
Não é muito minha praia isso, sabe?
A
Pô, mas eu já bolei uma aqui, ó. Eu tenho mente maluca, né, de publicitário. Já bolei uma campanha maravilhosa.
C
Vamos lá, Brainstorm.
A
Brainstorm, adoro. Um casal com três filhos capeta, causando na casa dele um casal que não tem filho.
B
Ele falou assim... Nós usamos camisinha.
C
Camisinha.
B
Você não.
C
A paz está... Cobra a sua paz. Se você não quer viver isso, é melhor remédio. Ou tá os dois casais, né? O casal mais jovem ali, tá o outro cansado, os três filhos brincando, tá no mercado ali. Você tomou o quê?
A
Que você tá tão bem?
B
É muito boa na Pan, você apresentando a Pan com o Rabin, velho.
A
O quê?
B
Que o Rabin, é muito boa o que ele tá apresentando, não era carnaval. Aí acabou o programa, um carnaval com a gente, bom carnaval pra todo mundo, e pô, usem camisinha. Vamos se proteger, rapaziada. Doença, tal coisa e tal. E o rabinho, o rabinho vira e fala, é, e cê pode também ter um filho que é bem escroto.
A
Eu chorava de rir.
B
Foi o que o cara lançou, velho. O cara lançou uma puta barbaridade. Eu falei, cara, que coisa maravilhosa o Rabin, bicho. Ele é muito louco, velho.
C
Ele é muito papo.
B
É, o Rabin é sensacional.
C
O Rabin, ele fez uma apresentação, quando eu me formei na SPM, Ele foi convidado e apresentaram ele. Ah, temos aqui uma mensagem de um ex-aluno e tal, não sei o que, né? E aí a turma lá, a galera lá que fez a formatura e tal, convidou o Rabin pra palestrar. Nossa, cara, imagina, eu tô lá sentado, todo bonitinho lá, o Rabin falando, ah, eu não quero trabalhar, aí não sei o que. Eu falei, nossa, os pais assim do outro lado, sabe?
B
Puto exemplo.
C
Horroroso, sabe? Eu lá atrás assim, né? Nossa.
B
Não, o Rabin é maravilhoso.
C
Eu já conheci esse texto do Rabin, né? Eu falava, puta, trouxeram o cara aqui, nossa, meus pais assim, ó.
B
Que porra é essa?
C
Que merda é essa que meu filho tá se formando?
B
E aí cê fez isso, publicitado...
C
É, aí eu percebia que aquilo lá não tava... Pô, puta, não tá rolando mais, eu fazia campanha pra produtos que curavam a ressaca, tava tudo certo e beleza, só que eu falava, cara, isso aqui não tô mudando a vida das pessoas, eu não tô, né? E aí, o que que acontece? Na área publicitária, os líderes, assim, uma grande parte dos líderes que eu trabalhei, que eu vejo, assim, não são preparados pra lidar com pessoas, gerenciar pessoas. São pessoas muito criativas, premiadas, o caramba, mas não tinha isso de, sabe, lidar com pessoas, lidar com time, sentar com ó, cê não tá bem, vem cá, tal, não sei o quê. Não é um...
A
É um ambiente horroroso.
C
É um ambiente, vamos falar, ser sincero, é um puta ambiente bosta. A gente sabe disso. Cara, trabalhei final de semana, carnaval pra caramba, varava a noite.
B
Final de ano.
C
Final de ano. Puta filha... Nossa, eu rodei comercial... Natal, é. Rodei comercial 25, 24 de dezembro até 6 horas da tarde.
A
Não é culpa da agência, é culpa do cliente.
C
É, mas a agência é.
A
O cliente não está satisfeito, tem que entregar.
C
É, tem que entregar.
A
É uma merda, é uma merda.
C
É uma bosta. Isso aí vem com aquela coisa de dopamina, aí vem ansiedade, aí vem não sei o quê, tudo, né. E aí eu falei, pô... O burnout, que tá muito na moda. O burnout, enfim. Aí eu falei, pô, eu vou começar a estudar pra realmente poder virar um líder melhor, né, pra virar um cara melhor. É quando eu comecei a estudar PNL, fui começar a estudar a psicanálise, só que aí quando eu entrei na primeira sessão de atendimento, foi uma sessão inclusive social ali, tudo e tal, a pessoa não pagava, né? Falei, puta, é isso que eu quero fazer.
B
Você sentiu na hora?
C
Falei, puta, é isso. É isso que eu preciso fazer, eu preciso fazer isso, eu preciso continuar com isso, tudo, e foi.
B
Mas no começo era tradicional, no divãzinho, sofazinho.
C
Então, eu nunca atendi no divã. A minha escola foi sempre atender olho no olho ali.
B
Sentava um de frente pro outro.
C
Sentava um de frente pro outro. O máximo que eu fazia na época do presencial, quando eu fazia uma sessão de hipnose, aí a pessoa deitava ali.
B
Pra ficar mais confortável.
C
Pra ficar mais confortável. E aí veio isso, atendendo já antes da pandemia, depois a pandemia online 100% e tal, e eu cruzando as duas, trabalhando com as duas em conjunto, né? Então, das 9h, 9h30 até as 19h lá em agência, e das 19h, 18h, 19h em diante, atendendo no online. Quantas vezes eu tava lá atendendo, toco o telefone, era a agência pedindo. Falei, gente, eu não posso atender, não posso atender, não posso atender. E aquilo começou a agenda...
B
A pegar, né?
C
A pegar pra caramba. Lógico. Nossa, você fala, puta, eu tô aqui, celular tocando. Então, quando eu atendia, eu deixava o celular do lado. Aí vem a bosta dos aplicativos de mensagem, né, de... Uma da manhã. De empresa, uma da manhã eu toco o Teams lá. Precisamos de você aqui na reunião, nove da noite." Eu falava, meu irmão, tô atendendo aqui, cara, não posso, né. E aí eu falei, puta, chegou uma hora que eu não... Vou largar a mão. Vou largar a mão. Aí eu cheguei pra minha chefe, falei assim, ó, vou viver meu propósito, chega, não quero mais, obrigado, tudo. Só que eu falei isso pra ela depois que ela me mandou embora.
B
Que do caraca.
C
É isso.
B
É mesmo.
C
Foi isso, porque ela falou, ó, não tá rolando, não tá rolando não, né, mas precisamos ter corte aqui e tudo, e rodou uma galerinha lá na agência, e falei, tá bom, então beleza, obrigado. De fato, eu falei, ó, então vou viver meu propósito, tá, e... Vou aproveitar
B
o embalo, né, mesmo.
C
Vou aproveitar o embalo e tudo, né, e aí... Concentrei na agenda, falei, deixa eu ficar na agenda aqui e tudo, né, e tal. E eu era redator na época de agência, né. Eu era redator publicitário, então eu fiz campanha pra caramba, assim.
A
Tem alguma conhecida que a gente lembra, assim?
C
Cara, eu fiz, de camisinha, eu fiz com a Anitta. Quando a Anitta tava começando a estourar, assim, eu lembro que a gente tava numa sala de reunião, a gente foi apresentar a campanha lá de Ola.
A
E fez certo, porque até hoje não teve filho.
B
Deve usar direto, é. É verdade.
C
Mas foi muito louca essa campanha, porque eu lembro até hoje, tava mó galera na sala, assim, tudo, né? E a gente apresentando uma campanha atrás da outra, uma campanha atrás da outra, tal, tudo. E a minha esposa tinha falado, ó, essa mulher vai bombar e tal. E ela tava com o show das poderosas aí.
A
Sim.
C
Né? E aí, entrou o CEO da companhia lá, não vou falar o nome, mas enfim, entrou o CEO da companhia, Ah, não gostei de nada, tal, não sei o que, acho que a gente tem que contratar um garoto propaganda, uma música, alguma coisa assim, tal. Na hora eu falei, pô, tem a Anitta, a Anitta tá estourando. Ninguém na sala conhecia.
B
Sabia quem era.
C
E a minha esposa um dia anterior, juro por Deus, a minha esposa um dia, a gente namorava ainda, um dia anterior, ela falou, poxa, acho que eu tenho que usar a Anitta fazer uma campanha, tal.
B
pra Essa menina vai arrebentar.
C
Eu mostrei, juro por Deus, eu mostrei o vídeo do... Show dos Poderosos. Do Show dos Poderosos, tinha um milhão e meio de visualizações no YouTube. Tava começando, aí... contratamos a Anitta, a empresa contratou a Anitta e a gente fez o comercial lá dela, enfim, era o Show das Poderosas, né, tudo, e ela caía na cama, outros casais caíam na cama, que era uma referência de um filme dos Penetras Bons de Bico lá, que é uma cena lá que eles tão dançando e cai com a mulher na cama, eles tão dançando na pista de dança e cai, é um match cutting, né. Falei, puta, vamos aproveitar isso pra Ola, e aí veio a ideia e... Que legal. E aí eu lembro quando a campanha saiu, nossa, a Anitta estourou. Aí a Anitta foi no… Na época eu acho que foi no Gugu, depois foi no Faustão, foi no… Nossa, aí ela…
B
Foi tudo que é campo.
A
Exponencial, exponencial.
C
Foi assim, providencial ali. A empresa pagou muito barato pra ela na época, né?
A
Quer dizer, você fez um bom negócio pros caras, né?
C
Fiz um bom negócio pros caras. Estourou, a campanha teve que… Foi pro ar, ela teve que ser suspensa por um período. por conta de compra mesmo, de produto e tal, de não conseguir vender e tal, tudo. E o meu bolso... ganhava nada mais, sabe? Você fez um bom trabalho, só isso.
B
Parabéns.
C
Parabéns. E aí foi por isso que eu falei, um dos motivos também, né? Falei, pô, tô trabalhando pra caramba aqui, e a publicidade...
B
Podia vender um milhão de dólares e 50, você ganha a mesma coisa. Ganha a mesma bosta. Entendi.
A
Ô, Fernando, vamos patuar. Não vamos perder o seu brilho, o seu talento, que além de publicitário, é psicologia. Tenho uma olhada no teu canal. E eu queria entender, acho que todo mundo aqui, não é bola? Todos nós queremos entender. Essa coisa, por exemplo, eu vi um negócio lá que eu me identifiquei muito. Que é o sentido de urgência das coisas.
B
né?
A
Todo mundo, muita gente opera na hora.
B
Que é a coisa pra já, né?
A
É, às vezes poderia ter se preparado melhor. E eu me identifiquei muito dessa coisa da, do sentido de urgência, o porquê que as pessoas, elas agem muito emergencialmente pra tudo.
B
Quando o bicho pega... Hoje em dia, né?
A
Poderia ter sido um caminho muito mais tranquilo, mas as pessoas tem essa coisa de reage quando a coisa realmente chega num ponto e quando vai ver, às vezes é tarde demais. Por que as pessoas são assim?
C
No vídeo eu até falo assim, a magia da psicanálise é colocar o ser humano como evidência ali, né? Então, a psicanálise ela não coloca as pessoas numa caixa, ela coloca as pessoas num pedestal, dá um microfone pra elas e tem que fazer sentido pra elas, né? Então, Uma análise que eu fiz no vídeo ali, que acho que é mais geral ali, né, é que, de fato, a pessoa pode ter aprendido lá atrás, na infância dela, que o caos funciona, né? Então, assim, a casa dela funcionava daquela forma ali...
B
Quanto mais confusão...
C
A hora que fez o gol, nos 45 do segundo tempo, ela resolveu o negócio e ainda recebeu parabéns, então ela entendeu, ela associou aquilo que, pô, beleza, se eu deixar o negócio...
B
Não preciso garantir antes, né?
C
Eu não preciso garantir antes, então se eu fizer isso aqui dessa forma eu vou continuar, só que aí nesse período todo ela se estressa, ela tem uma série de coisas, né, que ela vai por água abaixo. Né?
A
Ela termina destruída, né?
C
Ela termina destruída, por mais que... Mesmo ganhando. Mesmo ganhando. E o contrário também é muito real, né? Às vezes a pessoa, ela tem que... A terminologia, ter que, que é o grande problema. Ela tem que ser 100% planejadíssima ali, tudo seguir a risca e tal, por quê?
B
Tem que.
C
Na casa dela, ela aprendeu que pra você poder ganhar um reconhecimento e tal, porque o ser humano, ele busca 100% do tempo essas duas coisas, segurança e reconhecimento. Segurança e reconhecimento. É o que a gente quer, né? A gente quer ser reconhecido.
A
É o petisco humano.
C
É o petisco humano.
A
É o petisco humano.
C
A gente quer ser reconhecido o tempo todo da nossa vida, né?
A
Validação, né?
C
Validação, que aí a gente vai lá pra infância, fazer oral e tal, né? Então, do contrário, também é a mesma coisa. A pessoa, putz, ela... Ah, você cumpriu aqui. Isso, isso, isso, isso. Tá bom, tô aqui. Te amo.
B
Parabéns.
C
Te amo, vem cá e tal, tudo. Eu lembro, por exemplo... Meu pai vai ficar chateado que eu vou contar. Eu vou falar. Eu falo nas minhas sessões coisas que aconteceram comigo, que acontecem comigo, que eu acho que humaniza, né, a coisa.
A
É, as pessoas se identificam, né?
C
É, eu sou um cara que eu não sou muito ortodoxo, eu... psicanalista aqui.
B
Legal.
C
Eu tiro a crachá quando tem que tirar e conto a minha história mesmo, né? Mas o meu pai, quando... Ele era exigente pra nota, assim, né? Eu nunca fui... Minha irmã é super estudiosa, e eu estudava... Tu tá exigente igual.
B
Minha irmã era... E eu também. Eu sou na média 5.
C
Minha média era um pouco mais alta.
B
Minha média era essa, 5, 6. Não pode ser a nota vermelha.
C
É. Eu era mais ou menos isso, mas ali pro 1,8. Minha irmã era 9, 10, 9 mesmo. Eu já era mais ali o 7, 8. Às vezes eu puxava ali pro 1,9 e tal tudo. Eu lembro até hoje, eu tava na aula de... Tava na aula de futebol, escolinha de futebol ali e tal, e eu tinha tirado nove e pouco numa prova de matemática, meu pai foi me buscar, tava na arquibancada, minha mãe tava lá já esperando, que a gente foi a pé, depois meu pai saiu do trabalho, foi lá pra pegar a gente de carro, né, que era mais tarde, era umas seis, meia, sete horas da noite. E aí chegou lá, falou, pai, cê viu? Tirei nove na prova de matemática, tá? Por que não tirou dez?
B
Puta merda.
C
Aí eu... Porra, tem que ser o perfil 10 pra receber e tal.
B
Não tá feliz com nada, né?
C
Caraca, porra. Exatamente. Só que aquilo foi uma brincadeira dele.
B
Foi um... Ah, foi uma desnoção.
C
Meu pai era assim, é um cara assim e tudo, né? Só que foi, ah, por que você não tirou 10? Só que...
B
Mas você entendeu de outra forma.
C
Aí girou um drive, guardou um negócio em mim aqui, que eu falei, puta, eu preciso tirar 10 pra me sentir reconhecido, pra me sentir... Porque se eu não tirar tudo...
B
Eles não vão me aceitar, o caralho.
C
Não vão me aceitar e tal. E quando que isso saiu? Na análise, na análise. Eu falo assim, né, hoje a gente tem inúmeros cursos de psicanálise, todo mundo pode se formar porque é uma atividade livre, né? E eu acho que o conhecimento, ele tá aí, lindo ter vários cursos, tudo, mas a formação do psicanalista, ela se dá no setting de análise. Ela se dá... É o cara fazer a pessoa, ela fazendo análise, perguntando, cavucando ali o passado, entendendo como é que foi, o que aconteceu com ela, o comportamento dos pais, respeitando isso.
B
Sim.
C
Amando isso, perdoando isso, né? Acho que isso, o perdão é a base, pra mim, da vida.
B
Dá pra entender uma coisa, Fernando. Quando a pessoa se tá nessa... Tentando chegar no ponto da família e tal. Se você sente que a pessoa tá ali... Resistindo não quer te falar. Você vai insistindo até a pessoa falar ou você respeita? Como é que funciona essa parte? Ah, não quero falar do meu pai. Vamos supor. Como é que funciona isso?
C
Como é que funciona isso no set? Eu respeito. Eu respeito, tem profissional que pega a faca e vai enfiando, né. Depende muito do momento, na maioria dos casos, eu respeito e falei, tá bom, você não quer falar, na hora certa nós vamos tocar nesse assunto.
B
Entendi, perfeito.
C
Às vezes eu pergunto, tá, o que você tá sentindo quando você tá falando sobre isso? Tocou no seu pai, o que que tá vindo aí?
B
Entendi.
C
Tocou na sua mãe? Tocou no seu... O que que tá acontecendo aí? O primeiro passo é nomear o que você tá sentindo. Vamos nomear o que você tá sentindo. Que aí, opa, beleza, tô sentindo raiva, tristeza. E aí a pessoa começa a tirar aquilo pra fora, né? E aí a gente tá numa geração ali, os filhos de baby boomers e tal, ali falando dos millennials, do geração X e tal, tudo. Essa galera cresceu entendendo que, inclusive até os próprios baby boomers, né?
A
O bola é baby boomer, né?
B
O que é baby boomer? Eu não sei.
A
O bola é baby boomer. Eu sou X, eu acho.
B
Que que é Baby Boomer?
C
Você é nascido em que... 67. Eu acho que... É Baby Boomer, né?
A
Eu sou X, 76.
C
Você é X. É X até 81, né? 80, 81. E o... 61. Milênio 80 até 96, né? É, 96, não, Milena é década de 80 até 90 e pouco, o Zé nasci dos 90 ali e tal, agora a geração A, minha filha é a geração Alfa.
B
Alfa.
C
A geração Alfa. Eu vou ver aqui. Pesquisa aqui. Ah, boa, ó. Aí, ó. Ó, Baby Boomers. Ó, o Bola é a geração X.
A
É, o Bola é a geração X, que nem eu, então.
C
É.
B
Aí até 80 geração Y, 95 geração Z, e 2010 pra frente geração Alfa.
C
Isso aí. O que que acontece?
B
Isso quer dizer o que?
C
São os comportamentos, né?
A
Onde acontecem as mudanças, as transformações.
C
Então, por exemplo, você pega ali os Baby Boomers X e Y, que são os Millennials, né? Essa é uma galera que cresceu ouvindo que tem que ser submisso, respeitar pai e mãe, né?
B
Perfeito, perfeito.
C
Beleza, a gente, né, até a geração Z e Alpha também tem que saber disso, né? Tem que respeitar pai e mãe e tudo. Só que teve o entendimento do quê? Que respeitar pai e mãe não pode sentir raiva, não pode sentir medo, não pode sentir tristeza dos pais. E são sentimentos, emoções base. A gente pode sentir raiva, só que a gente não pode, obviamente, não deve, não deveria, né? Transformar isso em processos destrutivos, né? Suzane...
B
Bater no pai, é, pô, pra provar aqui.
A
Caralho, velho. Mas é exceção.
C
Mas é o extremo, né? É, pô.
A
É bizarro, né?
C
É bizarríssimo. Aí já é outra coisa.
A
É psiquiátrico.
C
É, já pra outra camada ali, né, tudo. Mas assim, as pessoas elas não se permitem sentir aquilo e engolem aquilo. E aí, a psicanálise nasceu exatamente do engolir, que é o reprimir, né, que é o recalcar, né, o termo recalque vem do Freud, né, do recalque ali, que na verdade o recalque é uma memória em volta de uma emoção negativa. E ela não sai do nosso inconsciente porque vai causar constrangimento, vai causar dor, tudo. Então a gente tem uma instância dentro de nós que chama-se superego, que é o nosso juiz interno. E ele bloqueia aquilo lá. Falou, ó, não sai. Isso aqui não pode sair de jeito nenhum. Porque se sair...
B
Não fala disso, meu.
C
Não fala disso, porque senão vai vir dor, tristeza, constrangimento.
B
Entendi.
C
Vem qualquer coisa, né? Só que sai em alguns... De algumas formas.
B
De algum momento vai sair.
C
Algum vai sair. No sonho sai. No sonho sai pra caraca, assim. Sonho, a pessoa... Putz, Fernando, eu tô tendo um sonho que se repete todo dia. Vamos falar sobre ele. Aí o sonho conta lá a história, não sei o quê. Por exemplo, quer ver, ó. Isso aconteceu comigo, tá? É um sonho meu, na minha análise, eu tava num processo que eu tava muito ansioso, eu sofro muito com ansiedade, né gente? Até hoje eu sofro, eu sou um cara super ansioso, e eu lido hoje muito melhor com isso do que na época atrás, né? Mas na época que eu tava passando por um processo muito de ansiedade, de querer ir lá pra frente, pensar e tal e tudo, e eu tive um sonho que eu acordei me sentindo muito mal, mas muito mal, e no dia eu tinha sessão. da minha análise didática, aí eu contei o sonho, o sonho era mais ou menos o seguinte, eu já falei aqui, eu tenho uma filha hoje de 11 anos, na época ela era bem menor, e aí eu tava num carro, numa pista, tentando seguir alguma coisa que tava lá na frente que eu não sabia o que era. Eu lembro, nossa, se eu fechar o olho, eu lembro exatamente tudo que era do sonho, assim, parecia um videogame, assim, de carro, assim, sabe? Antigo, assim, 2D ali, da Atari, Mega Drive e tudo. Era o cenário, era esse. E eu correndo, correndo, correndo, e aí a pista começou a ficar sinuosa, como se tivesse uma fase piorando ali, tudo, e eu, puta, acelerando e tal. E atrás do meu carro, tava um BB Conforto com urso de pelúcia. um coelhinho rosa. E eu lá correndo pra caraca, tal, não sei o quê, de repente eu faço uma curva e o coelhinho sai pra... pra janela. Eu paro o carro desesperado e vou lá no coelho, tal, tudo, e só vejo o coelho ali, mas não vejo... Acordei, sabe?
B
Assustado.
C
Caraca, o que é isso? Não sei o quê e tal. Levei o sonho pra análise, aí o meu analista, o Adriano, que é o cara espetacular, assim, ele fala assim... Fernando, será que essa tua ansiedade, isso que você tá querendo fazer, essas coisas que você quer viver no futuro, que você quer trazer pra hoje, não tá prejudicando a saúde da tua filha? Aí eu parei assim e falei, por quê? Falei, será que o ursinho de pelúcia não era tua filha e tal?
B
Caraca, velho.
C
Aí eu comecei a, ó, deu minha emoção de falar, porque eu comecei a chorar na hora, porque, puta, é isso. Porque pra mim fez sentido.
B
Na hora se sentiu.
C
É, eu falei, puta, é isso. E aí, o que que era, né? É uma mensagem do meu inconsciente na hora ali falando, cara, você tá acelerado demais, você tá colocando em risco a tua filha, meu irmão, vai... desacelera um pouco aí, né? E de fato eu lembro dessa sessão, dia em diante, em diante dessa sessão, assim, depois dessa sessão eu mudei, assim, falei, puta, beleza, calma, né? E sempre ele puxando... Que legal, né? É isso, tá?
A
Eu entendi.
C
Entendeu? Então assim, o sonho é uma das formas, outra forma é o ato falho. O ato falho é, nossa, inclusive, é um ato perfeito, na verdade, né? Porque o ato falho é pra nós, assim, mas é o ato perfeito pra pessoa, porque é o conteúdo que realmente a pessoa quer... Que aconteça. Que aconteça, de fato. Então, por exemplo, vai, a pessoa tá lá, vamos imaginar um cenário aqui, o cara tá lá, é casado com uma mulher, vamos pegar o nome, chama Selma, vai.
B
Tá.
C
Casado com a Selma, né? Só que ele tem um caso com a Sônia.
B
Tá.
C
Casado com a Selma, tem um caso com a Sonia.
B
A Sonia, ele pega por fora.
C
Ele pega por fora. Aí o cara tá lá, né? No... No...
B
No Rally Rola.
C
No Rally Rola com a esposa dele e fala o nome da... Puta, meu
B
irmão, manda um Sonia.
C
É porque no inconsciente dele ele tá...
A
É, olha que loucura, eu li uma vez um estudo sobre essas revistas que eu gosto bastante, tipo super interessante, aquelas matérias bem extensas assim, sobre a capacidade do cérebro, a nossa inteligência era tamanha que a gente não é nem capaz de percebê-la. E é por isso que muitas pessoas que seguem uma coisa chamada intuição. A minha intuição me diz que eu... Não! A intuição é a sua inteligência que você não consegue perceber. né? Então, por exemplo, pô cara, vou fazer um negócio ali, sabe quando você faz uma coisa, mas tem alguma coisa dizendo assim, porra, você tá no desejo de fazer, principalmente em relacionamento.
B
Não faça isso, é.
A
Principalmente em relacionamento, eu queria entrar nesse, você como psicanalista pode ajudar. Por exemplo, você tá entrando num relacionamento, conhecer uma pessoa, só que aí você tá adorando aquela pessoa, mas tem alguma coisa lá dentro dizendo assim.
B
Não vai.
A
É o seu cérebro, é isso aí? Você pode ajudar a gente a esclarecer isso aí, Fernando?
C
Assim, o Freud, ele foi, quando ele desenvolveu toda a teoria... Freud é o Pelé da psicanálise. É, é o criador, é o pai da psicanálise, né? Então, o Freud quando ele desenvolveu a teoria psicanalítica, ele percebeu que o nosso inconsciente, que é essa força que nós temos dentro de nós, É algo muito grande. Ele comparou como se fosse um oceano e o nosso consciente fosse uma casquinha de nós. E ele opera numa força de princípio do prazer. Então ele quer prazer o tempo todo. Então ele vai forçando o nosso consciente a agir toda hora. Dentro do inconsciente mora o id, que na tradução do alemão é aquilo, esse, aquele que tá distante. No campo consciente mora o ego. Então o id é a nossa criança. O id é aquela criança que se você botar um prato de salada, um sorvete, um hambúrguer, ele vai querer um hambúrguer fácil o tempo todo.
B
Vai na hora.
C
Vai na hora. Então, naquela época, né, Freud já descobriu que existe uma força, hoje a neurociência já mostra que, sei lá, 95% das nossas decisões durante o dia são tomadas de forma inconsciente, porque é essa força que vem que vem... Essa inteligência mesmo. Essa inteligência que vem... E a gente não compreendê-la. E a gente não compreendê-la. E segundo, a psicanálise, no nosso inconsciente moram três coisas. Já falei o primeiro aqui, que é o recalque. O segundo é toda a nossa função do organismo, que opera de forma inconsciente.
A
Mão, respiração, batimento involuntário.
C
Exato, porque se a gente tivesse que ter consciência disso, a gente não ia ter podcast. Porque... peraí, deixa eu respirar aqui, deixa eu converter a sério, deixa eu mandar
B
o sangue... Deixa o fígado, deixa eu
A
desopilar agora o fígado.
B
É verdade.
C
Exato, funciona automaticamente, né? E a terceira grande esfera é a esfera dos desejos.
B
Tá.
C
Né? Então, que são desejos sujos, né? Não é desejo... Ah, meu desejo é ipadismo. Não, é desejo de matar alguém, de... Sim, de ódio. De transar com alguém que não pode e por aí vai. né, porque é proibido, né, que seria proibido, né. Então, são essas forças aí que, putz, minha intuição tá mandando não ir. Tá, então vamos lá, vamos chegar numa análise aqui, tá, você tá se relacionando com uma pessoa, mas tem algo falando pra você que não. Vamos entender o que que é esse algo, o que que tá te incomodando especificamente, né, qual que é o nome disso. Vamos supor, sei lá, que uma mulher começa a se relacionar com um cara, E um cara legal, bacana, enfim, tá curtindo o cara, só que ela percebe que o cara é um cara mais enérgico, mais, né?
B
Nervoso. Ah, não sei o quê. Tá.
C
Só que, por outro lado, ele é um cara bacana, ele é um cara, né, que, sei lá, compra flor, enfim, é um cara legal, um cara divertido.
B
Sim, mas é enérgico.
C
Mas tem essa atitude meio ali e tal. Vamos supor que essa mulher, ela tenha sofrido alguma coisa, algum abuso, ou o pai dela foi assim, bateu antes desse cara, tudo. Essa talvez seja a intuição dela, ó. Cuidado. Porque tem um sinal de alerta ali ligado, que você viveu lá atrás, você apanhou do seu pai, ou apanhou do seu primo, sofreu um abuso, tal, tudo, e aí ela não consegue se relacionar com a casa.
B
Mesmo ela tá gostando, ela não consegue.
C
Mesmo ela não consegue, aí a gente precisa... Separar as duas coisas, óbvio né, precisa analisar, não analisar o cara, mas eu tenho um caso que eu atendi, que é um caso nesse sentido assim, que é um caso muito louco. A mulher ela veio, me procurou, porque ela tinha sofrido abuso de um cara. E aí, ela tinha, o cara tinha quebrado duas costelas dela e tal, ela veio dez dias depois do acontecido, né. E foi, na sessão, nas sessões ali e tal, ela não queria prestar queixa, prestou queixa, medida protetiva, começou a caminhar, né, a entender o porquê que ela se relacionava com um tipo de gente assim, né, e tudo.
A
Que o pessoal chama de dedo podre, né.
C
Mulher de malandro, é puta justificativa. Mulher de malandro. Porque ela entendeu, ela aprendeu lá atrás que ela tinha... Enfim, no caso da família era muito assim, o pai era muito assim, então ela aprendeu que isso era... Era o
B
exemplo que ela tinha.
C
Era o exemplo que ela tinha, tudo. E aí ela foi caminhando, caminhando, caminhando, caminhando, até que teve um dia, numa sessão, que eu falei, puta, eu fiquei assim, meu coração disparou, né? Porque ela abriu a sessão e falou, Fernando, eu preciso falar uma coisa pra você, mas eu tô com medo da tua reação. Eu tô preocupada com a tua reação.
B
Caraca.
C
Aí eu falei, putz, duas coisas. Primeiro, ela vai cancelar, não vai passar mais, e que ela tava melhor, tudo. Eu falei, e tá tudo bem com relação a isso.
B
Sim.
C
Ou porque ela tava gostando de mim. Porque acontece também, né?
B
É mesmo.
C
É, de ter uma transferência, uma contra transferência nesse sentido da pessoa gostar do...
A
É porque você traz o alívio, né?
C
Exatamente.
B
Traz a paz.
C
Então eu falei, putz, É o lugar seguro. É, é o lugar seguro. É o pai que eu não tive. Eu falei, puta, ela... ela vai falar uma dessas duas coisas. Eu já, que beleza, tranquilo. Ela falou assim, Fernando, eu tô querendo voltar pra ele.
B
Puta merda.
C
Aí eu falei, puta. Aí eu na hora que... Tá, beleza. Aquela chazão aqui, psicanalista escrito, né? Aí eu falei, ah, que se foda.
B
Rancor.
C
Porque eu falei, ó, pelo amor de Deus, não vota pra ele.
B
Clarice já foi embora.
C
Foi embora, não vota pra ele. Pelo amor de Deus.
B
Não faz essa cagada ali.
C
É, não faz, senão você vai virar estatística. Eu não quero que você vire estatística. Quero que você... Puta, que situação, irmão. Aí ela foi entendendo por que que ela tava querendo voltar pra ele e tal, tudo, porque... É exatamente isso, né? Que o nosso inconsciente vai empurrando coisa, né? Você já viveu isso e isso é o seguro pra você, porque ela viveu isso com o pai. E o inconsciente nosso, ele opera nessa dinâmica. Ele quer aquilo que ele conhece. Por mais que estraga a dor, porque ele quer aquilo que ele conhece.
A
É o padrão que a gente chama, né?
C
De repente, ela conhece alguém que não
B
é assim, e ela não quer.
C
Exato. Ele não quer o desconhecido, porque o desconhecido, ele não sabe o que é, se vai trazer dor, se não vai e tal, tudo. Ele quer o conhecido, ele não quer o que traz prazer, o que traz dor.
B
Mesmo trazendo dor.
C
Mesmo trazendo dor.
B
Ela sabendo, mas ela quer o conhecido.
C
Ele quer o conhecido, então... Entendi. Isso é uma... É um padrão inconsciente nosso que funciona, e aí quando ela começa a descobrir coisas novas, ela, opa, né, é que nem por exemplo, vai, vamos provar uma comida nova. Se você nunca comeu aquilo lá, nunca cheirou, nunca... Você fica... Foi difícil. Eu lembro quando eu comecei a gostar de comer japonesa. Foi dos 20 e tantos anos, eu não curtia. Puta, o negócio... Lembra a primeira vez? Eu não como peixe cru. Você não come?
B
Não.
A
Eu também não.
B
Acho horroroso.
C
Por quê?
B
A textura, gelado, sabe? Não é uma coisa que me agrada.
C
O que que te lembra quando você...
B
O que me lembra? Eu lembro é uma gosma, eu não sei, irmão.
A
Eu não gosto de peixe porque, olha só, você falou...
B
Não, peixe eu como.
C
Eu não como peixe cru.
A
Eu não gosto de peixe porque eu morava perto de uma fábrica de sardinha.
B
E o cheiro?
A
E era ruim o cheiro. Perto assim, não tanto, da coqueiro, em São Gonçalo. Então o cheiro, às vezes, aquele cheiro eu não gostava, me enjoou. Então eu não quero.
C
E o que que acontecia ali? Nessa época ali, como é que era?
A
Tiros... Não, eu tô brincando.
C
Puta, eu já tava aqui, eu tô aí.
B
Tiro, nego morto, é. Uma coisa leve. Não, não. Por isso que ele não gosta de peixe.
A
Eu não gosto de peixe. Eu não gosto de peixe.
B
Eu gosto, eu não como peixe cru.
A
Não gosto. O peixe eu como. Literalmente, não gosto de sabor. Não é uma coisa que me apetece.
C
Mas, por exemplo, você lembrou ali da época onde você morava.
A
Sim.
C
Você tinha quantos anos?
A
Sei lá, oito, sete, por aí.
C
Aí já começa a entrar, por exemplo, se fosse uma análise, tá? Como é que era tua infância ali, como é que era?
B
Não era legal.
A
Não era legal mesmo, o tempo horrível, sei lá.
C
Então, é.
A
Eu acho que, o que eu me lembro da infância, eu falo aqui e eu fico puto com essa galera saudosista, sabe, Fernando? Ah, é porque naquele tempo, eu já fico puto. Falo assim, naquele tempo era chato, gente. Eu lembro das tardes de eu ficar trancado aí de casa, no portão, e não tinha porra nenhuma pra fazer. Eu olhava na rua pra ver se tinha alguém pra jogar bola, não tinha. Era chato, era tédio, era um tédio. Na minha opinião, era um tédio.
C
Era ruim, né?
A
Era ruim.
C
E aí você associou, é.
A
A gente guarda momentos da vida excelentes. O cérebro, acho que meio que guarda as coisas mais legais. Músicas, momentos e tal. Mas eu lembro do dia a dia de ser uma coisa entediante.
C
Então, aí lembra que eu falei o negócio da PNR e da programação neuroclística de associar e tal? Por exemplo, se você sente o cheiro do pé. O cheiro da sardinha. Talvez o cheiro da sardinha me remeta a tédio, a coisa chata, abandono. Você falou aí, né? Eu tô sozinho aqui sem ninguém pra brincar.
B
Sem ter porra nenhuma pra fazer.
C
Pode estar ligado.
B
Enxerando aquele peixe.
C
Exatamente.
A
Mas não é verdade? Você não acha que na nossa época... Sabe quantos anos? Desculpa te perguntar.
C
41.
A
Ah, você é mais...
B
Não é novo.
A
Mas não tinha videogame, não tinha... Eu não tinha a Barça pra... Eu sempre fui curioso, então queria ler tudo e não tinha. Então assim...
C
Eu me lembro de muito tédio.
A
Minha rua passava muito carro, então minha mãe não deixava eu ir na rua. Numa época, né? Depois eu fui pra um lugar maravilhoso. Mas assim, eu me lembro de muito tédio. Muito tédio, assim. Terminava as coisas da escola, caramba, me sentia aprisionado. Aí depois que eu fui nadar, eu me descobri, aí comecei a ganhar medalha.
C
O esporte foi uma favora de escape.
A
Porra, melhor. Aquilo era uma coisa que... Então, aí
C
você tocou num negócio muito legal, que é um... Que eu falo muito em sessão isso, que é o processo... Como é que a gente lida, né? Dos nossos desejos, dos nossos traumas, tal, tudo, né? A gente precisa descarregar a energia. Esse... O recalque, né? Que a nossa memória repleta em volta de uma emoção negativa. Essa emoção negativa, o Freud chamou de quântum de afeto, uma energia que nos afeta, que nos prejudica, que nos detona a gente, né? A gente precisa drenar isso daí, de alguma forma, né? Então, por exemplo, a pessoa que é o destruidor, a que fica com raiva e quebra tudo e tal, psiquicamente ela... Tá ok, porque ela tá drenando, só que ela vai ter problema na sociedade ali e tal. Pô, o cara quebra tudo, não sei o quê.
B
Vem aqui e regaçou a porra toda.
C
É, entendeu? O cara... beleza, né? Esse processo que você fez na natação, de pegar esse tédio quântum de afeto, na psicanálise chama de sublimação. Que é você pegar isso daí e transferir pra uma coisa que seja agradável pra você, mas que faça bem pra você. ou pra sociedade que você tá. Então, por exemplo, processos de... A pessoa tá... Faz uma obra artística, a pessoa faz uma caridade, isso pode ser processo de sublimação, entende? Então, pô, tô me sentindo vazio, tal, não sei o quê, tudo... Ah, vai fazer uma caridade, vai ajudar alguém, vai não sei o quê. Ah, me senti vivo, me senti... Sublimação.
A
Útil, né?
C
Útil, exatamente. É uma coisa útil, entendeu? Então... Esse processo, ele é lindo, né?
B
Ele é lindo.
C
E o outro processo, que é o processo de elaboração, que esse daí é o ápice do ápice, que é, de fato, você, por exemplo, perdoar pai e mãe, o que aconteceu, de você, de fato, ali, compreender que todo mundo tem uma estrutura, as nossas estruturas, os nossos inconscientes, os desejos, os traumas e tal. E o que aconteceu...
B
Esse é o topzera, é isso.
C
Esse é o top, é que a pessoa consegue elaborar e... Aí ela...
A
É, o perdão, o perdão é muito legal quando eu converso com amigos, parentes, pessoas muito próximas, que elas não conseguem digerir certas atitudes da vida. O bola tem muita dificuldade, inclusive, né bola?
B
Ah, depende da coisa eu tenho mesmo.
A
Não, você tem muita dificuldade. O bola ele é muito binário nessa coisa de... Nego safado. É assim, eu falo, cara, as pessoas erram.
C
Sim.
A
Agora, perdoar uma pessoa não significa que você vai dar a mão novamente.
C
Exatamente.
B
Né? Exatamente.
A
Mas você tem dificuldade de perdoar. Tem coisas que acontecem, não bola, já foi isso aí.
B
Não, eu não quero mais pra minha vida.
A
Sim, mas isso não é perdoar. O jeito que você fala não é perdão. Assim, eu por exemplo, eu não consigo ter raiva, é engraçado isso, eu não consigo ter raiva de ninguém, eu posso estar puto na hora. Mas cara, é impressionante.
B
Um pouquinho tem, vai, um pouquinho tem.
A
Não, claro, um pouquinho tudo mundo tem, é normal. Mas a cicatrização é muito rápida pra mim, assim.
C
É, mas é o quanto um dia... Por exemplo, você não precisa drenar 100% do quanto já fez. Se você drenar ali 50% e você lembra daquela pessoa e tá ok, beleza. O problema é quando você lembra da pessoa e fica... né? Muita que pariu, não sei o quê, muda de assunto e sai e tal.
A
Mas precisa de enigma, precisa falar, né?
C
Precisa falar. Aí Freud, é, a cura vem pela fala.
A
A cura vem pela fala, né?
C
A cura vem pela fala, não tem jeito, gente. Você tem que falar sobre o assunto e... cara, vai pra um terapeuta, vai pra um amigo, sabe, fala, não guarda dentro de você, porque quando você reprime, é como se você estivesse pegando uma bomba de pneu de bicicleta e faz assim ó, e enche. Ah, não fez nada, tá tudo tranquilo, aí você vai lá, aí passa dia seguinte, mais uma, até que chega um dia, meu irmão, Explode.
B
Puta, encheu demais.
C
Aí explode. Aí é caco pra tudo que é lado, aí você vai ter que sair recolhendo tudo. Não é melhor você, ao invés de fazer, primeiro né, ao invés de fazer isso, você vai lá e tsss, tira o pneu ali e tudo.
B
Dá outra.
C
Aí depois da outra, você vai compreendendo, esse é o processo de elaboração, sublimação, enfim, que a gente tem que mergulhar e olhar para o nosso interior, porque senão a gente não consegue viver, a gente vai projetando o que a gente viveu nos outros, e aí chega a ser até injusto, né. Eu projetar no bola, no carioca, ou qualquer outra pessoa, algo que eu vivi lá atrás esperando ver.
A
O legal é se inspirar, né? O legal é se inspirar e não projetar, né?
C
Exatamente. Então, pô, eu tô num relacionamento, eu inconscientemente acabo projetando uma falta que eu tive no meu parceiro, numa parceira. Chega a ser injusto até com a pessoa, que a pessoa não tá nem sabendo que tá acontecendo, né? Porque é o inconsciente da outra pedindo uma coisa que ela nem sabe que ela tem que entregar.
B
É, exatamente. Não sabe nem o que tem que entregar.
C
Porra, cheguei cá, tá bravo. Tá bravo por quê? De que eu fiz, tal, não sei o quê.
B
À toa, né?
C
Por exemplo, pega o exemplo do carioca que ficava atediado lá, tédio, em casa, sozinho, tinha ninguém pra brincar. Vamos supor que ele tá um dia em casa, 50 anos na escola, 40 anos na escola, entediado, aí chega a namorada e ele tá entediado, mas não é com ela, ele tá entediado que veio pra trás.
B
Mas acaba sobrando pra ela.
A
Eu tenho dificuldade de me programar em sair, eu tenho dificuldade, sabia, Fernando?
B
Como programar em sair?
A
Sei, se eu deixar ficar em casa, eu fico. Mas se quiser me chamar pra sair e me levar, eu sou fácil, entende? Mas eu bolar um negócio fantástico, olha, bolei essa programação pra gente sair, pra gente curtir, por isso é que eu sou horrível, mas eu acho que pode fazer sentido. Eu sou um cara que viveu, por exemplo, eu fui pra... Eu lembro da minha infância, eu amo praia, amo, amo. Quando eu era pequeno, se eu fui a praia três vezes, foi muito. Morando no Rio de Janeiro.
C
Olha só, caramba.
A
Tá ligado? Eu ia nada pra praia, nunca me levavam pra praia. Eu tenho hoje um afeto muito querido por uma tia que eu amo, tia Bete, porque ela percebia, ela morava longe e ela começou a me levar na praia e ela viu que eu gostava. Então hoje eu tenho uma afinidade muito grande e ela nem é minha tia direta, ela é minha tia indireta, o marido dela que é meu tio sanguíneo. Um amor muito grande porque eu tenho essa recordação da tia me levar sempre pra praia. E eu adorava ir pra praia. Eu sei lá, tinha 9 anos, 10 anos, e a tia me levava pra praia.
C
Olha só.
B
Né?
A
Então, aí, tá vendo como é que a gente vai... Vai mexendo nas peças e vai... Puta, esse fio aqui, que tá um tempão aqui, que eu não sabia onde tava.
C
É, você vai falando, né?
A
A caixa de bugigo.
C
A caixa de bugigo, você abre e...
B
O meu caso é o contrário, eu sou muito mais no campo. Porque quando eu era moleque, eu ia muito mais pro interior. Minha mãe não gostava muito de ir pra praia, pra se afogar, tinha muito medo dos filhos. Sabe, eram três crianças.
A
Como se não tivesse açude no campo,
C
que é pior ainda.
B
Não, não, mas não tinha lago, a gente não ia pra um lugar que tinha, mas enfim. Como eu convivi muito no interior, eu sou apaixonado pelo interior. Adoro ir pra algum sítio.
A
Memória afetiva.
B
Um sítio, sabe, um lugar com bicho.
C
Você nasceu em São Paulo?
B
Nasci em São Paulo, capital.
C
São Paulo, capital. E aí pro interior, pro interior era férias ali, era...
B
Férias direto, passava um mês fora. Quando tinha férias no meio do ano, final de ano, era interiorzão brabo. Mas de fogão a lenha, sabe, de... Era uma delícia.
C
É, é muito parecido comigo, assim.
B
Adorava, adoro até hoje, né?
C
Eu cresci, eu vim pra São Paulo com três meses, né? Que você vai... Eu nasci no Pará, Porque meu pai trabalhava em Tucuruí, na hidrelétrica lá de Tucuruí, na época, com o Ludo. A minha irmã nasceu em Belém, eu nasci, três anos e pouco depois, nasci em Tucuruí. E aí, com três meses, a gente veio pra São Paulo, que minha irmã ficou doente e tal, tudo, tive que tratar aqui, né. Aí, graças a Deus, ela se recuperou tudo. Só que as minhas recordações de infância, assim, de brincadeira, tudo interior de São Paulo. Nossa, comida de fogão a lenha, a casa da minha avó tinha um fogão a lenha.
B
Puta delícia.
C
Nossa, aquele chapa de ferro, o bife era passado direto.
B
Puta, na ferrugem ali.
C
Na ferrugem ali, nossa.
A
Banho de porco, puta delícia.
C
É, banho de porco.
B
Puta merda.
C
Beleza, essa é uma recordação de infância positiva, tal, tudo, enfim, que pode trazer também negativa, né, a representação de cada um. Mas quando, por exemplo, vai numa técnica de PNL, vai, que eu quero fazer pra pessoa ali, pensa num lugar seguro seu, um lugar onde você foi muito feliz, pra você poder ativar isso em algum momento na sua vida, né? Pensa num lugar muito feliz. Esse, por exemplo, pode ser um lugar feliz meu, pode ser um lugar feliz seu, né?
B
Outra pessoa pode ser uma desgraça.
C
Outra pessoa, puta, não tem mais isso, não sei o quê e tal. Aí a gente tem que deixar a pessoa... E aí vem o conceito da hipnose ericksoniana, que é a sua imagem, é aquilo que representa pra você, é aquilo que tá certo pra você. E aí, numa técnica dessa, por exemplo, eu gosto muito de orientar, quando a tenda vai executivo, gente assim, mais atleta, tudo, né, a disparar âncora. Então, você pega alguns atletas ali, tem até um vídeo na internet que mostra uma corredora australiana chamada Michelle Genecchi, que ela corria, se não me engano, acho que 400, 200 metros com obstáculo, né?
B
Com barreira.
C
Com barreira, isso. E aí eu não tenho 8, 10 corredoras e as corredoras tudo lá, né? Tudo sério, tal, batendo aqui no peito, alguma coisa assim. Bicho, ela pulava, fazia sinal de borboletinha, botava a mão na cintura. Ela fazia um monte de coisa disso, entendeu? Isso aí é tudo gatilho que ela disparava, provavelmente... Pra poder correr melhor. Pra poder correr melhor. E a mulher disparava, né? Disparava na frente ali tudo. Então, dá pra usar numa técnica dessa. Ah, putz, eu vou entrar numa reunião importante, vou ter uma conversa difícil, vou ter... Pensa num lugar seguro, por exemplo, e ancora isso daí com algum movimento, algum gesto, algum objeto, alguma coisa, entendeu?
A
Eu pago um pau pro Bernardinho, por isso que ele acho que foi tão vencedor do vôlei, né, Bernardinho. Ele acho que é o profissional hoje mais contratado por empresas pra palestra, por técnica, porque, por exemplo, o vôleibol, ele é um esporte, Que ele é muito decidido do placar 20. A gente fala isso, né? Quando chega no 20. O bicho pega do 20 aos 25. Pra concluir o jogo. Pode ver, tá sempre pau a pau ali. A coisa acontece entre o 20 e o 25. Ali determina quem leva ou quem não leva. Olha que filha da puta. Ele pegava, ele tinha compulsão por treinar. Então, por exemplo, uma vez, acho que estava na Holanda, eu vi essa história cheia do caralho, e era um feriado lá. E quando é feriado lá, é assim, feriado. Não é igual aqui, que tem 50 feriados, mas é meio feriado, né, porque tem um monte de coisa aberta e tal. Lá fecha tudo. É proibindo qualquer pessoa trabalhar.
B
Tem dois por ano e fecha tudo e se lasca.
A
Fecha e dane-se.
B
E se lasca, e se lasca.
A
Os jogadores que eram sabendo e começaram a rir entre eles e falaram assim... Puta, porque ele tinha o hábito de chegar na cidade, foda-se, deu 18 horas de voo, troca de roupa e bora treinar. Entendeu?
B
Pô, feriado vai estar fechado o ginásio.
A
E aí o cara no ônibus falou, olha... Eu nem holandês sou, tô aqui porque... A gente não nem ia buscar vocês no aeroporto. É... Não abre nada. O Bernardo falou assim, como assim? Não abre nada. Não vai abrir o ginásio pra gente poder treinar? Não, não vai abrir ginásio. Os caras já...
B
Lógico. Puta, que delícia. Obrigado, senhor.
A
Caralho, vamos descansar, vamos dormir.
B
Maravilhoso.
A
Vamos ficar no hóstio, que delícia, vamos descansar. Desceu do ônibus, Bernardo veio. Todo mundo sobe, troca de roupa, estacionamento. Nós vamos treinar no estacionamento do hotel. Foda-se. Não é negócio? Foda-se. Nós vamos bater bola, treinar...
B
No estacionamento.
A
No estacionamento do hotel. Aí pergunta, por quê?
B
Sem rede, sem nada.
A
Não, é treinar físico. Vamos bater bola, bater bola no estacionamento. Aqui eu já vi que é bom e dá pra fazer. Mas qual que era a lógica dele? Toda vez que estavam com ele, ele levava o cara pro estresse máximo.
C
Por quê?
A
Porque entre os vídeos 25...
C
É onde o bicho pega.
A
Se eu transformar esses caras a se acostumar com esse estresse, essa coisa que
C
incomoda... Nos vídeos 25 tá... Tá tranquilo. Tá de boa.
A
E é por isso que ele venceu tanto.
C
Porque eles estressavam. É o processo, cara. É o processo, exatamente. Então, por exemplo, eu tomo banho...
B
Desculpa, eu não queria banho na TV.
C
Eu quero o estresse do caralho.
A
É verdade.
B
Era estressante?
A
Não.
B
Puta que pariu, mano.
A
Mas atingiu o objetivo.
B
Atingiu o objetivo, exatamente. Atingiu o objetivo. Atingimos o objetivo.
C
Eu tenho um hábito meu, que é tomar banho gelado todo dia.
B
Meu pai era assim.
C
Teu pai era assim?
B
Meu pai, eu nunca vi meu pai resfriado. Nunca vi. Meu pai tomava banho gelado o ano inteiro.
A
O tempo todo?
B
O tempo todo.
A
Nunca tomou banho quente?
B
Nunca. O que eu vi, nunca.
A
Eu tomei muito na infância.
B
Eu nunca entrei no banheiro depois dele sair e estar embaçado.
A
Minha mãe, uma da manhã...
B
Ele tomava banho frio.
C
Banho frio.
B
Cara, que louco, velho.
C
Porque tem a parte física do negócio, tudo, de imunidade e tal, tudo que a gente sabe, mas tem a parte cerebral mesmo do negócio, né? Então, até o próprio Joe Dispenza já falou sobre isso, tem um livro dele chamado Como Se Tornar Sobrenatural, né? E na imersão dele que tem lá nos Estados Unidos, eles fazem vários testes e tal, tudo. Eu ainda não fui, quero muito fazer essa imersão dele, que você fica lá quatro, cinco dias lá, você faz vários exames e, nossa, é um negócio louco, assim. E foi comprovado da conexão neural, de neurônios ali... É, porque você tá se estressando, né? Você tá se colocando num ambiente de estresse, então você tá ativando dois neurônios ali, que grudam em um...
A
Isso é... Sinapsou.
C
Sinapsou. Isso é o que o pessoal fala da expansão da consciência, a neuroplasticidade e tal, tudo, né? Então, quando você toma um banho gelado, você tá se colocando num ambiente de estresse. É o que o Bernardinho fez no... Puta, vamos treinar aqui, ambiente de estresse e não sei o que e tal, tudo por quê? A hora que passar no 20 a 20, 21 a 20 com os Estados Unidos, Italiano, os caras tão apertando lá, meu.
B
Você tá preparado.
C
O cérebro já tá funcionando naquela coisa, naquele modo, né? Porque... Pra nossa mente não interessa se a gente tá tendo uma conversa difícil com alguém ou se a gente tá vendo um leão na nossa frente. Dispara o sistema simpático, ele liga. E aí a gente precisa ativar o sistema parassimpático. Como? Respiração, meditação, calma, tá tudo bem.
B
Pensa num lugar feliz.
C
Pensa num lugar feliz. E aí, aonde que eu conecto as duas? Pô, Fernando, você tá falando de neurociência, não sei o quê, que eu estudei, mas não sou especialista. E psicanálise, onde você conecta tudo isso? Aí volto pra Freud. O inconsciente é um oceano tentando entrar numa casquinha de nós. Imagina a força disso. O que o nosso consciente precisa ter para tomar decisões mais assertivas? Tempo. Comprar tempo. A gente precisa comprar, é isso, a gente precisa comprar tempo. E como que a gente compra tempo? Respirando. usando uma pulseirinha pra te lembrar. Outra técnica de PNL, por exemplo, você ativar os sentidos, né? Então você tá ali muito nervoso, tá? Tô vendo uma garrafa de água, tô sentindo a minha respiração, tô sentindo o clima aqui do estúdio. Você traz pros sentidos, né? Aí você volta pro presente.
B
Pessoal da pulseirinha, você pode falar por quê que você tá usando? Pra te lembrar de quê?
C
Pra me lembrar do passeio.
B
Eu já caí no passeio 32 vezes.
C
Eu tô brincando, não é do passeio, cara. Isso aqui é pra me lembrar da Yasmin. Ah, é?
B
Mas foi bom pra caralho. Que passeio? Passei o pau na sua cara.
C
Não, mas tô brincando, tô brincando. Isso aqui é pra lembrar da... Bom demais. Qualquer um dos dois, é pra me lembrar da Yasmin.
B
Entendi.
A
Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não,
C
não, não,
A
não, não, não, não, não, não, não,
C
não, não, não, Fernando não, não, é malandro. Eu sou quinta série, cara. Adoro as piadas quinta série, nossa.
B
Eu sou...
C
Eu adoro piada quinta série. Eu adorava, via vocês não, no... Nossa. Puta, era... Por exemplo, a memória do pânico é uma memória pra mim muito afetiva, por quê? Eu assistia muito com o meu pai. Puta, a gente dava... Que legal. A gente dava muita risada e tal. Então, se eu tive que lembrar de um momento feliz com o meu pai, cara, era domingo ali, vendo pânico, vendo risada.
A
Sentadinho. O teu pai queria ver as paniquetes.
B
É lógico, né?
A
Mas a...
C
Mas a... A pulseira. A pulseira, então. Aqui eu gatilhei o quê? Ah, toda vez que eu olhar... Tá com duas pulseiras. É, eu tô com duas, mas é a mesma coisa, assim, né?
B
Tá.
C
Toda vez que eu olhar, me lembrar de ser mais consciente. Me lembrar de respirar, tudo. Então, assim, você pode gatilhar qualquer coisa. Por exemplo, eu atendo atleta de triátilo, né? Tá. O triátero é uma... Pô, que é brabo, hein? Puta, você tem que ter uma cabeça ali. Eu fiz triátero numa época, tudo. Você tem que ter uma mentalidade ali de esforço, resiliência e o caramba, né? Eu lembro da primeira prova que eu fiz, eram os últimos 10km de bike, eu comecei a chorar, cara. Comecei a chorar.
B
Desespero, doendo.
C
Falei, puta, já tava doendo, já. Comecei a chorar, que tinha uma... Essa prova que eu fiz tinha uma subida muito íngreme da bike, eu comecei a chorar. Falei, puta, aquela subida de novo, tá? Aí eu falei que se for, vai.
B
Não vou conseguir, né, meu?
C
Não vou conseguir tudo. Galera, o que, toda vez que você olhar pro computador de bordo, olhar pro relógio, você vai lembrar de força, daquilo que a pessoa precisa, que ela acha que ela precisa pra desempenhar aquilo. Então, por exemplo, vai, já atendi atleta que queria usar a raiva como combustível. Então, toda vez que você olhar pro relógio, cara, você vai sentir essa raiva, e essa raiva vai se transformar num combustível, numa força extra pra você.
B
Ó, eu tô fazendo em quanto tempo? A hora que você olhar, você...
C
É, aí a pessoa continua o processo. Então, os meus elastiquinhos é pra isso, é pra... É uma técnica de lembrança, tem outra técnica que é de... Que aí é o condicionamento ruim, mas aí eu oriento a usar elástico de... De escritório, que é, por exemplo, você fez alguma atitude ruim, ou algo que você não queria fazer, que você quer mudar e tal, você vem e... E puxa.
B
Pra sentir uma dorzinha.
C
Pra sentir uma dorzinha.
A
Então, por exemplo... Tipo condicionamento.
C
Condicionamento. Eu vou ficar...
A
Isso é condicionamento.
C
Eu vou ficar 21 dias sem reclamar. A primeira reclamação, puta.
B
Por eu perco o braço. Minha mão cai tanto elasticada que eu vou tomar...
A
É o cachorro, né? Eu percebi muito isso, sabe onde? Na China. Até eu conversei com uma amiga minha que foi pra Taiwan, que pra mim é mais ou menos a mesma cultura, mesmo sendo países, né, independentes. Mas o chinês, cara, eu fiz um teste desse aí. Os caras riram pra caralho. Eu fui, tava andando lá, e por isso que é importante você conhecer outras culturas. Aí nego, pô, os caras que são educados, né, não sei o que, eu falei, eles não são educados. Eles são condicionados. Como um...
B
A do tchauzinho que você falou.
A
É, a do tchauzinho.
C
Como é que é a do... Ah, maravilhoso.
A
Porque assim, cara, eu percebi que eles são muito... parecem um exército. É tudo... Cada um faz uma função e ninguém atropela ninguém. A organização da coisa, eu falei, caralho, velho.
B
Que foda, né?
A
Eles não fogem do escopo. Eu falei, não é possível.
C
É um ensaio, né, praticamente.
A
Por exemplo, o Brasil, ele é bom e ruim ao mesmo tempo, né? A delícia, a dor e a delícia de ser o que é. Porque o Brasil é uma zona, improvisa e tal. E lá não. Lá, aí tem uma menina, algumas meninas, que elas só ficavam fazendo assim, dando tchau, né?
B
Você passava lá.
A
Aí eu olhando aquilo, eu falei assim, que porra é essa, cara? Sabe assim, a pessoa no mesmo lugar, duas horas depois termina com o mesmo lugar, com o mesmo rosto, com a mesma... passa uma pessoa. Aí eu, cara, isso não é educar, isso é condicionar. Aí, e a disciplina. Aí eu falei, tá. Aí eu tava já tomando uma, a galera ali, né, os dealers ali e tal, não sei o que, a galera do, do, do, do, que tava no evento. Aí eu vi pelo vidro, assim, tava a menina no mesmo lugar, a chinesa. Aí eu falei assim, os caras falaram, pô, os caras aqui são educados. Eu falei, não, cara, eles são condicionados. Aí eu falei, ih, eu vou provar. Eu vou passar ali 20 vezes.
C
E as 20 vezes?
A
Num espaço de 10 minutos.
B
E ela vai dar caos 20 vezes?
A
Como se fosse o banheiro e voltar. E todas as vezes que eu passar, eu vou fazer o mesmo movimento, o mesmo tchau, ela vai subir a mão, vai dar tchau, vai rir. Em dois segundos, e vai recolher, e vai ficar no mesmo lugar, e vai fazer a mesma coisa. As 20 vezes que eu passar, ela
B
vai fazer a mesma coisa.
A
Não, ela não vai fazer. Ela vai ficar puta quando você for assim. Não vai. Porque ela já está condicionada.
B
Você podia passar 30.
A
E ela nem vai perceber. Aí eu começava.
C
Aí ela. É, isso é condicionamento e acaba virando cultural, né? Porque eu falo assim, a mudança ela vem por dois motivos, né? Duas formas que você consegue mudar e melhorar, né? Ou por hábito, né? Repetição, repete, repete, repete, pronto, aquilo vira seu.
B
Vira costume, né?
C
Vira costume. Inclusive, a Universidade de Londres fez um estudo que os gurus aí de internet falam que tem que ser 21 dias, 90... Não, é 66 dias pela Universidade de Londres pra você adquirir um novo hábito.
B
A mesma coisa, 66 dias.
C
66 dias, a média.
B
Aí você acostuma com isso.
C
Você acostuma com isso.
A
Dois meses e uma semana.
C
Dois meses e uma semana, então... Tem hábitos que demoram 250 dias, tem hábitos que demoram 6 dias. Mas a média são 66 dias, né? Ou você muda por isso, por repetição e tal, que aí acaba virando hábito, ou por um trauma negativo muito forte. Eu falo muito um exemplo num consultório, que é o seguinte. Imagina que você vai... Trocou o interruptor do banheiro de lugar. Tá do lado direito, você coloca do lado esquerdo.
B
Putz.
C
Já aconteceu isso com todo mundo. Ou parou de funcionar o interruptor, tem que acender outro.
A
Quer trocar aqui o bonequinho, bola?
B
Não, pode deixar aí.
C
Não mexe.
A
Ele não quer nem que encoste.
B
Não, pode trocar, mas não é porque ele quer quebrar. Não é porque ele quer trocar, ele quer quebrar o negócio. E esse negócio eu não acho nunca mais.
C
E aí, o que acontece? A primeira vez, você vai... Puta, esqueci.
B
Não, isso dá desespero.
C
Aí a segunda, até uma hora que você acostuma.
B
Você vai na outra tomada.
C
Aí você vai na outra tomada, né? Beleza, aí você aprendeu que... E se arrumar outra, fodeu. Se arrumar outra, aí... Você vai na outra, é.
B
Você continua indo na outra.
C
É, você dá esse tchutchu na cabeça, né?
B
É isso mesmo, é verdade.
C
Repetição, você vai repetindo ali, tá, beleza, entendi que agora é outra tomada. Agora, se você pegar a outra, deixar desencapado o fio, na primeira que você meter a mão ali, Já entendi, pronto, você não vai mais.
B
Não mexo mais.
C
Não mexo mais, entendeu? Então, é o trauma negativo.
B
É verdade, uma vez só já basta.
C
Uma vez só, porque é a descarga emotiva muito alta naquele momento.
A
De proteção, né? O teu sistema de proteção, né? Ele é ativado.
C
Ele ativou na hora ali, aí você, puf, beleza. Ufa, agora já sei que aqui eu não posso mais meter a mão, né? Então, ó, não sei que a pessoa seja sadomasoquista e fica lá...
B
É, tomando um choque, né? Porra.
C
Tomando um choque direto.
B
Entendi, entendi.
C
Aí não rola, mas assim... São as duas formas, né, que eu falo, ó, talvez seja mais interessante repetir, né, do que ficar sofrendo trauma, trauma, trauma ali toda hora, né. Seja mais saudável pra você, ó, vamos mudar esse hábito aqui, vamos, né, entender qual que é a dificuldade que tá aqui, vamos um passo de cada vez, né, 1% por dia, do que de fato arrancar o band-aid de uma vez, né. Vamos devagar ali tudo e aí o processo caminha, né?
A
Bom, eu queria tocar num ponto que eu acho que é importante e muito discutido hoje em dia sobre esse conflito de gerações, né? Muito se fala que a geração atual é mimada, que demora a sair da casa dos pais, é diferente da nossa.
B
Não quer fazer nada.
A
Eu queria muito, por você ter falado sobre essa coisa da infância, eu queria tentar encontrar uma resposta. Vamos lá. Nossa geração, não digo você, me parece que não, mas eu e o Bola e muitos de nós aqui dessa geração, não sei o Renato também, que tá aqui, nosso parceiro Renatão aqui, nosso diretor, a gente apoia pra caralho, velho. Uma geração que as coisas já são vidas na base do chinelo.
B
Na barra da porrada.
A
Na vara de goiaba.
B
Fazia cagada na cinta.
A
Da cinta. De apanhar. A gente apanhou. Eu apanhei. Meu irmão apanhou. Paulo apanhou. Era uma cultura de bater.
B
Fazia coisa errada, tomava notícias.
C
Apanhei também, apanhei também.
A
Apanhou? Apanhou. Eu nunca bati em um filho. não transferir, né? Nunca, nunca... Eu lembro de pedir adeus quando tomava uma surra por ter feito merda, de falar assim, eu prometo que eu nunca vou transferir isso. Era uma coisa que eu tinha comigo, tipo assim, eu não vou transferir. Eu vou criar técnicas, formas de resolver melhor, porque isso aqui é um absurdo, certo? Sabe? Eu achava um absurdo.
B
Você tomou açúcar?
A
É, apanhava, tomava chinelada, acorreada, apanhava, né? Era uma coisa cultural, não era uma coisa por maldade, era uma coisa que educa-se dessa forma. Porém, eu acredito que essa geração que não foi educada dessa forma, mais frágil, faz sentido.
C
Faz, faz sentido, porque o que tem acontecido muito, que eu tenho percebido, as crianças hoje em dia, não vou generalizar, né, mas é preciso passar pelo processo de frustração. A criança, a psicanálise fala que a gente precisa, a educação vem pelo não. É falando não que educa. Só que a gente tem que agir com equilíbrio.
B
Exatamente.
C
É o equilíbrio, né? Então, por exemplo, eu apanhei também, enfim, muitos amigos meus também... Puta, meu pai
B
bateu... Teve muitos nãos.
C
Teve muitos nãos, tudo, né? O que eu oriento, assim, hoje quando eu atendo pais e até quando eu faço conteúdo sobre isso tudo, a gente tem que... ir pro equilíbrio, né? Nem o seu comportamento super tirano, por exemplo, vamos trazer o exemplo do Michael Jackson, né?
B
Super tirano, exatamente.
C
Puta, o... Super tiraninho.
B
O pai era um capeta, né?
C
O pai era um capeta, porque era um ex-lutador de boxe e transferiu aquele treinamento de boxe pro... Pra educação. Pra educação dos filhos, né? E aí o Michael Jackson cresceu como, coitado, né? cresceu.
A
Já era um cara sensível.
C
Já era um cara mais sensível, que dançava, que, né, tinha uma veia artística extremamente apurada, tudo. E aí o cara cresce achando que ele tem que ser perfeito pra agradar o pai e a mãe.
A
Ou pra não sofrer.
C
Ou pra não sofrer, então.
A
Acho que é mais pra não sofrer do que pra agradar o pai.
C
É, ou pra conquistar um amor.
A
Ele nem queria agradar, ele queria não sofrer.
C
É um trauma ali que ele passou absurdo, né? E aí aquilo desenvolveu uma culpa, e eu te ligo.
B
É.
C
O Vitiligo foi o... É, a complacência somática dele e tudo, né? Então, precisa... Como educar os filhos, né? Como que a gente tem que educar os nossos filhos? agindo com equilíbrio. Putz, Fernando, mas 100% do tempo eu vou ser pedagogo, vou... Não, não é isso. Mas, por exemplo, tem momentos que você, na minha opinião, você tem que, eu acho que... Ser duro. É, você tem que falar. Não, por quê? Porque eu tô mandando... Porque quem manda aqui sou eu e sua mãe. Acabou. Ah, mas eu quero dormir na casa de fulano. Tá, você não vai dormir. Não vai. Ela tem que lidar com a frustração, ela tem que saber que aquele pai, aquela mãe, necessariamente ama, mas também deixa triste. Ama, mas frustra. ama, mas eu fico puto com ele também". Ela precisa entender, porque se ela não entende aquilo, que ela não entende que a pessoa, pô, a fulana me frustra, tal, não sei o que, o que pode acontecer, né? Ah, eu vou lá e maltrato ela, eu vou lá e... Por exemplo, o comportamento de um feminicida é assim. É um cara que nunca ouviu, não. Tudo bem, vamos pegar o traço nesse sentido, sem ser psicopatia nada, mas é um cara que nunca viu não.
B
Primeiro não que ele ouve e fica um demônio.
C
É, como é que é? Você não vai fazer o que eu tô pedindo, o que eu tô mandando? Ah, não, não sei o quê. Aí começa, aí vai Narcisi, aí vai uma bola de neve, né? Até a hora que chega ele vai... Que barbaridade, né? Entendeu? Então, o não, ele é necessário. Se frustrar e frustrar a criança, é necessário. Só que também não é sempre frustrar a criança, tem que...
A
É um equilíbrio, é difícil, é dificuldade.
C
É, por exemplo...
A
Não, mas eu quero entender, por exemplo, eu percebo, por exemplo, eu tento... Eu não moro mais com meus filhos, né? Mas eu tinha uma estratégia, quando chegar no 16, 17, começar a tornar o ambiente um pouco inóspito pra eles, sabe qual é? O que que é, bicho? Vai procurar você, pô, irmão. Por quê? Porque o cara precisa criar a independência.
B
Sim.
A
Senão o cara vai estar 40 anos morando comigo, caralho.
C
Você sabe como...
A
Entendeu? Vai me tornando as coisas mais difíceis. É. Você é uma porra. Tá, valeu. Se vira, irmão. Não quero você aqui dentro.
C
Sabe como o pássaro...
A
Não por falta de amor, mas pra ele crescer.
C
Sabe como o pássaro ensina o filhote de passarinho a voar?
A
Jogando.
C
Jogando do ninho. Cara, não tem outra... Joga, se vira, né?
B
Senão ele vai ficar no ninho ali e não vai aprender nunca.
C
Exato. Inclusive, eu até tava nos meus pais agora no último feriado e falei essa história pra eles. Eu falei, ah, por isso que tem um monte de passarinho pequenininho aqui, filhotinho no chão aqui, é por isso? Eu falei, é por isso. Porque eles montaram o ninho num lugar não muito alto, joga e tá lá no chão tentando voar, entendeu? E provavelmente não vai conseguir voar. Então, assim, é isso, a gente tem que educar as nossas crianças a se frustrarem, mas também não só se frustrarem.
B
Lógico, lógico.
C
Tem que, pô, por exemplo, vai, minha filha tem várias vezes que eu dou uma bronca nela, ali, nunca bati, mas... Mais duro, mais... Ah, eu quero dormir na casa de fulano, não vai dormir. Ah, você é chato.
A
Sou.
C
É, tô aqui pra ser pai, não tô aqui pra... Passa meia hora, eu vou lá no quarto dela, oi filha, tudo bem? Como é que você tá? Fiz aqui pra você e tal. Te amo, viu? Aí te amo, pronto. Ela entendeu que esse cara me frustrou, mas ele também me ama. E eu lidei bem com essa frustração, né? E aí voltando pra psicanálise, né? Que ferveu o inconsciente ali, emoção e tal, não sei o quê. Vamos comprar tempo pro nosso consciente poder agir de uma forma mais equilibrada, né? Deixei meia hora ela quieta ali, no canto dela.
B
Deixou ela sossegar.
C
Sossegar, ó, filha, tudo bem, tá? Mas eu queria dormir lá e tal. Eu falei, ó, filha, lembra que a gente combinou, o nosso combinado é esse, você pode dormir só na vovó, você pode dormir só nessa amiguinha aqui, nessa outra, a gente não conhece os pais. A gente já tinha combinado, né? A gente já tinha combinado. Ai, tá bom, beleza.
B
Ela entende.
C
Ela entendeu. Então, assim, o que eu vejo hoje muito, assim, o que acontece, né? Vamos pegar um pai, uma mãe que apanhou pra caramba quando ela né, apanhou muito.
B
Criança.
C
Quando era criança, apanhou.
A
Como forma de educar, vamos deixar claro.
B
Como forma de educar, é.
A
Porque as pais faziam isso, gente, não por maldade, é por crença que aquilo funcionava.
C
Que aquilo funcionava.
A
Deixar isso claro.
B
Sim, sim, sim.
C
Mas vamos lá, aí cresceu, casou, teve um filho. Nossa, eu nunca vou bater, só que aí entende, eu nunca vou bater com um ser permissivo 100% do tempo.
B
Deixa ele fazer qualquer coisa.
C
Aí, meu irmão.
B
Aí lascou.
C
Você pega, por exemplo, os caras lá de Copacabana, que fez o estupro coletivo, é molecada que nunca ouviu não. É molecada que nunca ouviu um não na vida. E se ouviu, driblou pai e mãe pra conquistar aquilo que ele queria.
B
E conseguiu passar a perna.
C
E conseguiu passar a perna, entendeu? Então tinha que ter ouvido não. Entendeu? E é um cara...
A
É porque dá trabalho, né? Às vezes dá muito trabalho.
C
É, dá um puta trabalho.
A
Se eu ter uma educação forte, dá trabalho. Tem que bancar.
B
Mas aí, se não der trabalho, dá essas cagadas que aconteceu.
C
Exato.
A
Você acha que é isso, então? Falta de... Porque assim, cara, eu tenho algumas dúvidas, eu tenho muitas dúvidas em relação à preocupação que as pessoas têm. Porque, por exemplo, essa coisa da mulher ir ao trabalho. Isso prejudicou. Pode... Gente, não é machismo, tá? É uma questão de... Porque antigamente, por exemplo, a minha geração, a sua, não sei você, mas a minha mãe era do lar.
B
É, tinha cuidado dos filhos.
A
Então, a atenção maternal, ela era direta. Tipo, o tempo todo sendo olhado, sendo cuidado, não pode isso, a comida tá aqui. Hoje, a mulher trabalha e o filho terceirizou.
C
Pra celular...
B
Não, não.
A
Atencionizou pra...
B
Babá.
A
Colégio longo... É... Babá... Ou alguém que... Vó que cuida...
B
Mas os dias de hoje não pedem isso.
A
Sim, mas é uma equalização, a gente tem que entender o porquê, porque assim, realmente há uma cagada que precisa ser, isso é uma constatação meio uníssona, todo mundo percebe que Essas gerações são mais frágeis, são mais preguiçosas, são difíceis de trabalhar. Obviamente elas são muito mais informadas, porque a internet, a tecnologia, comunicativo e tal. Mas tem alguma coisa aí que... Tem alguma coisa certa que tá errada, sabe? Tem um incômodo na sociedade hoje de filhos saírem bem mais tarde de casa. Não sei, eu tô falando merda, não sei.
C
Não, assim, tem uma questão interessante que é o caráter, a alma de caráter masculino e feminino. Na minha visão, trazendo Jung também, a criança precisa ter a visão do ânimos e do ânima, que é a alma de caráter mais feminino e mais masculino. Então, mesmo em casais homoafetivos, é importante a criança enxergar essas duas coisas. Então, o que é isso? caráter de alma mais feminina. É o cuidado, o amor, o afeto, o carinho, o ânimos, fé, força, determinação, tudo. A criança precisa ter isso assim, né, do ponto de vista da psicanálise. Por exemplo, tem uma série que eu acho sensacional, Modern Family. Essa série é fantástica, fantástica, porque conta a história de uma família, são três famílias e uma família grande, e uma das três famílias é um casal homoafetivo, que é o Mitchell e o Cameron, e eles adotam uma menina. no Vietnã e tal, tudo adotaram a menina. O primeiro episódio conta essa história deles adotando e tal. E ao longo da série, fica muito claro, o Mitchell é o advogado, é o cara que sai com a pasta... Com o terno. Com o terno, tal, tudo, que é o ânimos, né? E o Cameron é o que fica em casa, que cuida, que faz a comida, tal, não sei o quê, é o ânimo. Só que o Cameron, ele é do Missouri. E quando eles... Teve uma temporada que eles... A temporada começa, eles viajando pra lá. Redneck e tal, tudo. Esse papel se inverte. É, e esse papel se inverte. O Cameron vira o cara de chapéu, fivelona e tal, tudo.
B
Bota.
C
Bota. É o cara que vai lá no gado e não sei o quê. E o outro mais delicado, mais ali, né, do caráter de ânima e tudo.
B
Imagina a confusão na cabeça da criança.
C
Não, então, mas ela entende isso daí.
B
Ela conseguiu entender.
C
E a série mostra que ela não fica confusa com isso.
B
Entendi.
C
Ela entende isso daí.
B
Entendi.
C
Então, quando... Sim, a mulher no mercado de trabalho, tudo, e eu acho que tem que estar, e tá tudo certo.
B
Sim, lógico.
A
Sim, eu tô aqui... Não, não, eu tô dizendo... É uma coisa que a própria mulher tem uma culpa, né?
B
Exato.
A
Eu percebo que as mulheres falam, cara, eu quero... Por isso que elas estão engravidando tão tardiamente, né?
C
É, fica a culpa, deixa a vida pronta, tal, tudo. Eu acho que, assim, vamos tirar esse peso. Gente, tenha tempo de qualidade com seus familiares, seus filhos. Não é quantidade de tempo, é tempo de qualidade. É você puta, eu tenho uma hora só com o meu filho, então eu vou fazer essa uma hora, vai ser uma puta de uma hora.
B
Vai ser legal pra cacete, entendi.
C
E se você quiser ter mais tempo de qualidade, então tá bom, hoje eu trabalho das 9 às 18, eu tenho que sair de casa às 8, chego em casa às 19, eu tenho só... duas horas com meu filho, beleza, vamos aproveitar esse jantar ali e tal, tudo, e começa a se preparar pra poder sair desse ambiente de trabalho, pra empreender, pra poder fazer uma outra coisa, pra ir pro digital, pra não sei o que, pra você poder ter o seu tempo que você quer, eu quero ter, duas horas é pouco pra mim, eu quero ter quatro com ele.
B
Vou tentar... fazer menos isso, menos aquilo. É. Tentar equalizar as coisas.
C
E tentar equalizar, mas assim, é uma questão muito ali de fato, ali de viver aquele tempo de qualidade. Porque hoje o que eu vejo são os pais ali, ah, filho, tá bom, vai lá, toque teu celular, vai lá, que não sei o que e tudo.
B
Não tá nem aí.
C
Eu sei que o dia a dia é uma... Nossa, gente, é o inferno, tem gente mandando, tá, não sei o que, mensagem e tudo. Às vezes tem que dar o celular e tem que deixar a criança vendo televisão lá e tudo bem. Mas será que todo dia assim? Será que não pode? Tipo, duas vezes na semana, meia hora. É, entendeu? Então, teve uma vez que eu fiz, eu faço uma conta que é sensacional. Inclusive, acho que o Maurício Meirelles, ele fez essa conta num podcast, não sei se foi aqui, mas enfim. Que uma pessoa que eu atendia, reclamando muito do pai e tal, não sei o quê, aí eu perguntei, né? Quantos anos tem teu pai? Meu pai tem 75, 73. Expectativa de vida do brasileiro hoje, o homem, é 76 anos. Aí na hora eu já fui fazendo a conta e tal. Quanto tempo de qualidade você passa com seu pai por semana? Ah, passo no máximo uma hora por semana. Aí eu fiz a conta e falei, tá bom, você tem mais sete dias com teu pai. É como assim?
B
Caraca, é verdade.
C
É como assim? Falei, ó, fiz a conta, mostrei pra ele. Puta! Falei, ó, agora você tem uma escolha. E aí é o que eu falo, né? Pessoas conscientes têm um grande poder nas mãos, que é o poder de escolher as coisas. Poder escolher como é que ela vai. E a psicanálise traz isso. Você tem uma escolha agora. O que você vai fazer? Você vai continuar, né, com essa... Uma semana, com uma hora ruim. Você vai aumentar essa hora ou você vai fazer essa uma hora que você tem que... É o que você tem mesmo, você é do caramba. Aí a pessoa, opa, entendi, agora eu consigo escolher.
B
Vamos fazer uma hora legal pra cacete.
C
Vamos fazer uma hora legal pra caramba. Então, eu vejo muito assim, Carioca, sabe? Tipo, se eu não tenho o que eu desejo, Então, que se lasque, entendeu? Então, eu tenho uma hora por dia com meu filho, faz essa uma hora cedo do caramba, sabe?
A
E assim, por exemplo, eu acho que tudo tem... Voltando, né, o Marcelo Rezende, saudoso Marcelo Rezende, falava uma coisa que ficou guardada, ele falava assim... Todo crime... É fácil de resolver, é só voltar. É do corpo pra trás, o corpo fala. Então, a vida é assim, a consequência, por exemplo, hoje percebe-se uma sociedade em que o divórcio vira uma coisa natural.
B
Ah, sim, virou costume.
A
Sim, que era uma coisa antigamente... Porra, baba. Né?
B
Porra.
C
Era duro, né? Era duro, né? A pessoa... Duríssimo, duríssimo. E pior ainda pra mulher, né? Nossa, só divorciada ali.
A
E pros filhos, enfim. Era uma coisa traumática, a criança chegava na escola, ah, isso aí o pai é separado. Meio que isolava, era uma coisa muito assim. Hoje, o isolado é quem tem pai
C
que tá a tempo.
A
É impressionante. É impressionante. Então assim, mas isso gera consequências, né? Isso gera consequências. O seio familiar, ele... Há uma nova sociedade, então.
C
É uma nova sociedade. Tem até um livro que fala, né, que ainda somos uma família, né, que conta, né, que mesmo separados, né, continua sendo uma família. Pai, mãe, filho, continua sendo uma família, né. E aí é preciso o quê? Respeitar essa dinâmica, né. Então, por exemplo, tem casal que eu conheço que a mulher vai pegar os filhos na casa dele e ele fica de costas pra Me olhando na cara. Me olhando na cara. Aí, nossa, numa sessão, eu quebrei a pessoa. Tá, que exemplo você tá dando pros seus filhos tratando uma mulher desse jeito? Nossa, aí vem uma ficha caindo, né? Uma bomba, né? Uma ficha, uma bomba caindo, né? Fala, puta, mas eu vou ter que engolir tudo. Eu falo, não, não é engolir, é aceitar, é trabalhar, é o processo de elaboração, é uma sublimação. Puta, você fica com raiva, né?
B
Só ser o maior carinho do mundo, respeita.
C
É, não é estender a mão. Vem cá, vamos tomar um café. Não, se fez mal... Civilidade. É uma civilidade.
A
Mínimo de civilidade.
B
É, entendeu?
C
Pelo menos para quem é... Para quem... Para os seus filhos, para quem você mais ama no mundo, né?
B
Para não dar um exemplo ruim, né?
C
Para não dar um exemplo ruim.
A
É, não precisa ser o melhor amigo, mas também não pode ser o maior inimigo.
B
Exatamente.
A
Um mínimo de civilidade, tratar com normalidade.
C
Tratar com normalidade.
A
Tá bom, como se nada estivesse acontecendo.
B
Exato.
A
Não deixar transparecer, né?
C
É, e assim, até falando, né, será que também não é processo do divórcio também não é uma falta de aceitar processo de frustração? Por exemplo, vai, a pessoa tá casada ali, dois, três anos, se frustrou com o marido ou com a esposa, tal, tudo, não sei o quê, tá... Não quero mais. Divorceu. Não quero mais, não quero mais, acabou. Não sabe se frustrar. Não sabe aceitar que o outro, não sei o quê... Nossa, gente, esse de casal que se separou por... Ah, por que se separou? Ah, porque ele...
B
Bobagem.
C
É, por bobagem. Não foi nem por traição, por não sei o quê, nada.
A
Faltou a surra lá do pai. Aí, ó. Ó, começando a concordar com a cultura.
C
Faltou a cinta lá. Rapaz, é um dilema.
A
É um dilema. É um dilema.
B
A primeira coisa ruim já quer separar,
C
já quer... Já quer separar, já quer aquilo, né?
A
Porque não tem resistência, né?
C
Porque não tem resistência, porque... É louco. Aí você fala... Saudade do chinelo. É, saudade do chinelo. É problema da geração. Problema dos pais. É problema dos pais, isso aí foi o pai que causou, porque... Voltando, né? O nosso superego, que é o nosso juiz interno, a criança, ela desenvolve o superego sendo espelho pelo superego dos pais. Então, pais que foram muito permissivos, vai criar crianças que são permissivas, ponto. E pais que foram muito tiranos, vai criar crianças muito tiranas. É isso, esse é o...
A
É o espelhinho mesmo, né?
C
É a esponja.
B
Não tem jeito.
C
É o espelho, né? Principalmente até os 7 anos, né?
B
Até os 7?
C
Até os 7 anos é... Nossa, é...
A
Ô, Fernando, como é que condiciona o cérebro com a verdade? Porque as pessoas... eu percebo assim em conversando até comigo mesmo acho que com bola com todos todos nós nós temos uma dificuldade em aceitar a dor o medo a verdade enfrentar e a gente vai colocando para debaixo do tapete vai dando um jeitinho aqui vai aconchambrando aqui colar. Às vezes tem coisas que a gente
B
não quer enfrentar Resolve uma coisinha, mas não resolve duas.
A
Em relacionamento, até com filho ou com amigo, tem coisa que às vezes o Bola fez e eu falo, porra, caralho, como é que eu vou contar isso pro amigo? Como a gente consegue, ou com a gente mesmo, né? A gente tem os nossos defeitos e foge deles e não quer enfrentar aquilo. Como vencer esse obstáculo?
C
Excelente pergunta e a resposta é simples e desafiadora. Tem que falar. Tem que enfrentar. Não tem outro método. Não tem outro caminho. Por exemplo, se você tá com uma coisa dentro de você que tá te incomodando, Trazendo a programação neurolinguística de novo pra cá, a PNR tem vários pressupostos, né? Então, por exemplo, o primeiro pressuposto é que o mapa não é território, aquilo que eu vivi não é território 100%. Então, por exemplo, você gosta de campo e viajar pra campo, carioca é praia, e quem tá certo e quem tá errado? Ninguém. Ninguém, tá, entendi. Um outro pressuposto muito forte da... Não, nada. Um outro pressuposto muito forte da programação neolinguística é a gente tem dentro da gente tudo pra resolver os nossos conflitos. Basta a gente acessar, né? Saber acessar. Então, a gente precisa, de fato, ali, querer, né? Eu falo muito de disposição, né? De estar disposto a querer resolver. Putz, Fernando, eu quero melhorar e tal, tudo. Tá bom, eu vou medindo se a pessoa tem um grau de chegar na conversa ali, de fato, pra chegar num ponto principal. Tá disposta? Se tá disposta ou se não. Se ela não, eu vou pra técnica, sabe? Quer coisa ali, tudo. Até que chega uma hora que ela consegue falar, ela consegue lidar. Vou com conhecimento, com teoria, tudo. Agora, as pessoas que de fato... Fernando, eu quero entender o porquê que eu sou tão explosivo com a minha esposa, com a minha filha, com o meu marido. Eu quero entender de onde que vem isso. Eu tô muito nervoso no trabalho. Eu quero entender porquê que eu tô tão triste. Quando a pessoa chega com o porquê, aí a psicanálise bruta, porque a psicanálise vai te mostrar o porquê daquilo lá.
B
Entendi.
C
E aí vai... E a pessoa tem que estar disposta a tirar todas as defesas. né, então negação, racionalização, intelectualização, né, ela tem que tirar todas as defesas. Por exemplo, teve um caso que eu entendi uma vez, que acho que foi umas 10 sessões e a pessoa estourava o tempo toda hora, são 50 minutos de sessão, ficava 1h20, 1h10 e ela não parava de falar. não parava de falar. Isso é um comportamento oralizado. Então, tá fixada na fase oral, né? Que é onde a gente recebe a amamentação, tudo, e eu até falo que o leite, né, a comida ali, é quase que um secundário, porque o que a criança precisa ter ali é feto, carinho, reconhecimento da mãe, de quem tá amamentando ali. Um abraço. Um abraço, enfim. A pessoa que é muito oralizada, chega no ambiente e só ela fala, só ela não sei o que... Teve alguma questão ali na fase oral, que a gente precisa investigar.
A
Eu sou essa pessoa. Eu sou essa pessoa, reconheço.
B
Fala mais que o Batman.
A
Reconheço, reconheço. Mas estou trabalhando.
C
É, você vai entendendo. É, é um trabalho, é um processo.
A
Tô trabalhando.
C
Exato.
A
O maior problema é a percepção, né?
C
É, exato. A pessoa percebeu.
A
Saber o freio.
C
Saber o freio. E aí chegou nada.
A
Mas eu tenho amigos que me controlam.
C
Meu chat querido. A gente vai trabalhando.
A
A gente tenta melhorar, né?
C
Vai aos poucos, vai devagarzinho. Devagarzinho vai resolvendo.
A
Eu tô na eterna busca.
B
A gente vive na paz, velho.
C
Mas por exemplo, logo que você percebe que você tá...
B
A gente não é brigão.
A
Mas eu tenho esse efeito absurdo.
C
O bola tem o elástico, né?
A
Que você puxa.
C
É, você pode fazer isso, deixa o elástico no braço.
B
No carioca, é.
C
E puxa, né? E vai puxando.
B
De verdade, de verdade.
C
E vai puxando. Mas eu lembro que lá pela, sei lá, décima segunda, décima primeira sessão, chegou no final ali, já tinha estourado o tempo de novo, ele falou, viu, você pode puxar, viu, você pode, né, não sei o quê, você tá muito quieto, você não tá falando nada, tal, tudo. Aí eu falei, agora ele deu a abertura, meu irmão.
B
Agora vai.
C
Mas eu falei, eu deixei você falar mesmo porque você tá oralizado, você precisa falar, e agora que tua análise vai começar. Aí ele ficou assim, né. Aí eu apresentei esse conceito da fase oral ali pra ele e tudo, né, do amamentar, que a criança precisa receber carinho, atenção, afeto, reconhecimento, segurança nesse momento. Na hora que eu falei esse conceito, na próxima sessão ele falou, cara, quando eu tava no final da minha amamentação ali, de um ano e pouco, nasceu outro irmão.
B
Então a mãe meio...
C
É natural, a mãe vai dar atenção pro outro e o outro...
A
É a minha mãe, a minha mãe, a mesma coisa da minha mãe. Quando eu quis ter o segundo filho... Aí eu queria, primeiro tava gostando, tava um ano ali e tal. Minha mãe falou assim...
B
Segura.
A
Não deixa o outro roubar o colo do outro. Espera ele sair do colo.
C
Sensacional.
A
A hora que sai do colo... Tem a outra. Porque treta de irmão próximo é porque o... Roubou o colo.
C
É. Aí, nossa, gente, não tem, assim... Não tem comprovação científica, não tem pesquisa e tal. Mas no consultório isso aí sai direto, assim, tipo... Principalmente quando é em três, né? Três irmãos, né? O mais velho compete com o do meio, e o mais novo é juntado com o mais velho, sabe?
A
E é exatamente isso.
C
O do meio é o largado, é o não sei o quê e tal.
A
E ele é mesmo.
C
E ele é, por quê? Porque ele roubou o trono do mais... Agora imagina, você é o mais velho, o do meio é o mais novo.
A
Eu sou o mais novo.
C
Você é o mais novo. Mas vamos pegar, por exemplo, tem um título que só o filho mais velho tem. O filho mais velho, ele carrega uma grande responsabilidade, que foi transformar uma mulher em mãe. Então, essa mulher, que quando ela virou mãe, imagina, tudo era novo pra ela, por mais que ela quisesse ter filho, mas tudo era novo. Então, a atenção, muito provavelmente, foi mais redobrada, mais cuidado, mais não sei o que, naquele filho. Só que ela percebe, porra, não precisava de tudo isso. Tem até uma campanha publicitária de fralda que fala sobre isso, né? Primeiros filhos e segundos filhos, né? Então tem lá a mãe lá no... Nossa, esse comercial é maravilhoso. A mãe lá com a filha no colo, recém-nascido, lá de uns 4, 5 meses e tal, tudo numa festa infantil. Aparece uma prima distante e tal. Meu, a menina tava branca, assim, asséptica, sabe? Parecia que passou mertiolate nela inteira, assim, álcool em gel inteira nela. Ai, que lindo, posso pegar no colo? Você lava a mão? Não, não me cobre. E a menina fica assim, tipo, puta, né?
B
Não vou nem relar.
C
Não vou nem relar na criança, né? Corta, tá a mesma mãe, com outro filho no colo. O moleque já com uns 2, 3 anos, maiorzinho no chão ali, do lado ali brincando. No mecânico, carro suspenso.
B
Quer segurar?
C
Aí o mecânico assim já chugando a mão preta de graxa, colocando a toalha em cima assim. Ah, deu tanto, não sei o que. Ah, deixa eu pagar aqui, deixa eu pegar minha bolsa. Segura ele no colo, por favor. Aí o cara pega a criança com a mão preta assim.
B
Que coisa, velho.
C
Então, assim, o que que isso mostra? Que teve um cuidado exagerado no começo, que ela percebeu que não precisava.
B
Mas é o primeiro, né?
C
É o primeiro tudo, né? E aí, o mais novo ali, no caso do meio, uma família com três, né? Nasce muito próximo, a mãe já sabe disso, tipo, ah, vou deixar ele ir mais de boa, não preciso tanto isso, não preciso tanto aquilo, tal. E... Quando ele vem esse serzinho, né, o irmão mais novo, o mais velho, ele... Puta, quem que esse cara tá roubando aqui? Quem que esse... Tá roubando a minha atenção, né? O Freud tinha uma frase que é assim... Senhoras e senhores, com vocês, a vossa majestade, o bebê. Porque é isso, né? É, vó. Imagina, você tem...
B
É isso mesmo.
C
Tem quantos filhos? Tenho dois. Você tem filho também, vó?
B
Não tenho.
C
Dois... Eu tenho uma filha. Quando eles eram moleque ali, dois meses, um mês de idade, chorava, o que que acontecia?
A
Recorre, vai lá, corre.
C
Corre. Todo mundo corre, é isso. Multidão, multidão. Por isso que é, quando... Socorro imediato. Socorro imediato.
B
Nossa majestade, bebê.
C
Vamos atender o que o rei, a rainha tá pedindo aqui, né? Aí vai lá, pega, vê se tá, não sei o quê, se precisa de limpeza, se precisa tá com fome, se não tá, enfim. Aí vem aquela coisa de reconhecimento, carinho e tal. E aí, é... Me lembrou de um caso aqui também, que eu vi do meu professor, na pós, na psicanálise. Ele contou uma história bárbara, que fala sobre o reflexo das coisas que a gente viveu no passado, como isso fica dentro da gente.
A
Arraigado.
C
Fica ali. Ele atendeu um caso de um cara que tinha medo de borboleta. Vamos, vamos, né? Borboleta não faz mal pra ninguém, né?
A
Mas eu sou um caso muito clássico pra ter medo de borboleta, mas vai lá. Vamos ver se vai bater.
C
O cara tinha um puta medo de borboleta, não conseguia ver borboleta, enfim. Vamos, para banalizar, borboleta, né?
B
Tinha pavor.
C
O cara tinha pavor, né? Foi numa sessão de hipnose. botou lá no transe e tal, tudo.
B
Começou a falar.
C
Começou a falar, começou a vir, tô no berço, tô chorando pra caramba, tal, não sei o quê. Aí na técnica, na técnica que eu uso, coloca o adulto na cena. Então eu faço a pessoa sentir aquilo lá e vai pro primeiro momento onde ela sentiu aquilo. Então ela, pô, tô no berço, tô chorando muito, tal, não sei o quê. Beleza. Quando eu chegar no 1, você, hoje, adulto, consciente, vai entrar na cena e vai olhar essa cena e vai me descrever essa cena. O Wilson contando fez genial, assim. A hora que foi no 1, cara, ó, eu tô vendo aqui o bebê chorando, ele tá roxo já, e aí já tá no pânico, né, já tá no desespero ali, roxo. E em cima tem um mobile.
B
Puta, com borboleta. Puta merda.
C
Aí veio a associação. A sociológica.
B
Ele tá olhando direto praquilo.
C
Exatamente. Aí na técnica, o que que a gente faz? O que que ele fez? O que que esse bebê tá precisando agora que só você pode dar pra ele melhor do que qualquer terapeuta do mundo? Puta, esse bebê precisa receber um abraço agora, meu. Vai lá e abraça. Conversa com ele e tal. Como é que tá o bebê? Puta, o bebê agora tá tranquilo. Tá tranquilo, tá de boa, tá suave, tá não sei o que e tal. Colocou o bebê no berço de novo. Ressignificou. Porque pro cérebro não importa se você tá vivendo ou se você tá imaginando. Ele ativa as mesmas áreas, né? A gente já comprovou isso aí já. Ressignificou.
A
Meu pai e minha avó diziam que borboleta, se encostasse a mão, cegava.
C
Eu também, eu vi isso aí também. Mariposa.
B
Mariposa, não borboleta.
A
Borboleta e mariposa.
B
Borboleta não, mariposa.
A
Aí pronto.
B
É igual o sapo.
A
Merda feita.
C
É igual o sapo. Merda pronta feita.
B
O leite do sapo era veneno.
C
Cara, eu não pego o sapo na mão, meio esquisito o sapo, mas eu não pego até hoje porque eu tenho medo de ser um veneno.
A
É, mas a borboleta falava isso.
C
O pó da asa.
A
É, o pó da asa segue.
B
É mariposa.
A
Eu vi a borboleta, não que eu tenha medo, eu adoro borboleta.
B
É igual comer formiga, faz bem pros olhos.
A
Sinto até falta.
C
Fossilista, mando área.
A
Na minha infância eu lembro de ver muita borboleta e vagalume. Eu não vejo nem borboleta, nem vagalume.
B
Hoje em dia é muito raro.
A
Cara, eu vi uma borboleta. Antigamente tinha um monte.
C
Antigamente tinha um monte. Hoje...
A
Eu não vejo.
C
Vagalume, eu vi... Nossa, mas muito... Eu vi uma vez com o Renato Moleque, olha lá.
A
Eu vi muitas vezes com o Renato Moleque.
B
Eu via pra caralho.
A
Eu via muito.
B
Hoje nem me entendi hoje.
A
Eu não vejo mais vagalume. Eu via muito vagalume e borboleta. Muito. Não vejo mais.
B
Uma coisa que eu tinha no jardim de casa, que você não tinha no jardim de casa. Tatu Bola.
C
Tatu Bola, nossa.
B
Você não vê mais. Brincava com vários.
C
Na escola, puta, eu fazia... Brincava com vários.
B
Pegava os tatuzinhos.
A
É.
B
Não vê mais.
C
Tatu-bola, eu fazia... Jardim de casa tinha pra caralho.
A
Bola de gude.
C
Bola de gude.
B
Pegava os meus... Tinha pra caralho em casa, meu. Não se vê mais.
C
O que mais? Quando fica vesgo e bateu um vento, bateu um vento e fica... Vai ficar tudo mesmo. Vai ficar tudo mesmo.
B
Vai que entortava a boca.
C
Vai entortar a boca, é.
A
É, friagem entorta a boca.
B
Uma friagem vai entortar a boca.
C
É. Tudo isso aí. Andar descalço, fio agripado.
B
Leite com manga.
C
Leite com manga, você vai morrer.
B
Vai morrer.
A
Chinelo virado.
C
Aí você vai morrer. É, se não era virado ia morrer. Aí cê fala pra uma criança.
A
Um monte de merda aí, cara. Aí cê fica boboleta, se não é de virado.
C
A pessoa não vive, né? O Lapsa. A pessoa não vive, né? Vai andar, puta, uma boboleta ali. Puta, eu vou morrer, né?
B
Virou neurótico, né?
C
E aí, por exemplo, por que uma criança acredita, né? Porque até os sete anos, falou dos sete anos, né? Até os sete anos, a parte do lóbulo pré-frontal não começou a formar. Começa a formar a partir dos sete, né? Então... a criança não tem um pensamento analítico, ela não... então se você falar, ah, se tomar leite com manga você vai morrer, a chance dela acreditar... é, porque ela tá na onda alfa, onda teta, ela tá na maioria da vida dela ali, do tempo dela, ela tá nessa onda, que é a onda do inconsciente, que é quando você sugere alguma coisa, Entendi. Por isso que hipnose de palco funciona. Eu fazia, de vez em quando eu fazia hipnose de palco.
A
Autosugestão.
C
Autosugestão, tudo funciona, porque você tá com o teu inconsciente ali, borbulhando nessa onda, e aí a coisa funciona, né? Por isso que a criança acaba acreditando, né? A gente acabou acreditando que, puta, se eu ficar a vez que bater um vento, vou ficar a vez, com a boca pra entortar.
B
Fecha a janela que se bater o
C
ventão... Se bater o ventão, já era, né? Se pegar uma borboleta na mão aqui, tudo... Quando você ouviu isso, ela tinha cinco anos.
B
É verdade.
A
Apontar pra fruta estraga.
C
Apontar pra fruta estraga.
B
E não podia apontar pra estrela que nascia uma birruga também no dedo.
C
Isso aí eu não ouvi.
B
Nunca aponte pra uma estrela.
A
Essa eu ouvi.
B
Nasce birruga.
C
É.
A
Também.
C
Vamos testar hoje pra ver se... Você
B
nunca tem estrela em São Paulo, né? Essa eu não conhecia. O Zaque falou que se assube à noite e chama a cobra.
A
Cachorro roivando vai ter desgraça.
B
Ah, eu não sabia dessa também não.
C
Dessa também não.
A
Cachorro irvando à noite vai ter desgraça. Se o cachorro do Naranjo... fudeu. Agosto então, puta que pariu.
B
Lubisome, lubisome. Apocalipse.
C
Apocalipse, apocalipse. O cachorro ruivou e apareceu o maripouco, acabou, lascou.
A
Vamos por... eu tô mudando de assunto aqui.
C
Não, vamos, é aleatório. É a unica associação.
A
Não, é lógico, lógico. Até pra tentar espremer o máximo do seu trabalho de psicoterapeuta. Tem um papo rolando na internet e eu acho muito esclarecedor isso, né? Sobre homem no polo feminino, os red pill.
B
Tá.
A
Tá, né? O homem tem que ser assim, a mulher tem que ser assado, a mulher não gosta de homem sensível demais. Ai, você foi muito no polo feminino, você está romântico. Vamos esclarecer essa babaquice, que na minha opinião é uma babaquice, ou não, posso estar sendo babaca de não reconhecer, essa coisa do homem mais durão, do homem mais sensível, o que funciona, o que não funciona. Na psicanálise, meu querido Fernando, vamos lá, vamos para esse tema, é de pior.
C
É, é um tema, é um tema... Brabo. Brabo.
A
Espinhoso.
C
Espinhoso pra caramba, assim, porque tudo aquilo que a gente, a psicanálise, ela é muito, né, clara ali, né. Tudo aquilo, por exemplo, que a gente nega com veemência, é um desejo nosso. Então, o nega, tudo aquilo que a gente tem, asco, tal, enfim. E quando a gente fala também com uma certa veemência, com uma certa autoridade ali e tal, é porque a gente tá escondendo algo. Então, pô, a mulher tem que ser assada, o homem tem que não sei o que, tal, tudo. Então, peraí, vamos lá. A gente vive numa dualidade interna, né? Então, a gente tem, de um lado, o nosso egocentrismo, e do outro lado, nossa empatia. Que vive ali numa base complementar, né? Então, ora, eu tô 90% empático, e 10% egocêntrico, e vice-versa. Isso eu expando também, vou me expandir isso também pra outras áreas. Então, a gente tem uma dualidade de lado homo e lado hétero. Né? Pois bem, esse é um assunto delicado, tá aí. Esse assunto...
A
Eu acho ótimo.
C
Esse é um assunto bom, sim.
A
Aqui é... Tem que entender, vambora.
C
Quando a gente pega, por exemplo, um comentário desse, pô, o homem tem que não sei o que lá, tem que papapá, papapá. O que que acontece, né? A gente tem o nosso lado hétero e o nosso lado homo. Algumas pessoas... Vamos pegar um homem. Alguns homens são 90% hétero e 10% homo. O que que isso quer dizer? Quer dizer que ele é um cara mais, né, mais masculinizado, mais ânimos e tudo mais. Ele não teme o lado homo dele, porque é um lado pequeno. Não é que ele é machista, ele não teme o lado homo dele, porque é um lado 10%, 15%.
B
Não vai atrapalhar em nada.
C
Não vai atrapalhar em nada. Agora, você pega uma figura que começa discursos assim, tacidos, tal, tudo. Gritando. Gritando. Pode ser que o lado homo dele Seja ali 40%, até maior. Só que às vezes ele vive numa sociedade, ou num ambiente familiar, ou onde
B
ele tá... Que ele não pode mostrar isso.
C
Que ele não pode mostrar.
A
Tipo, tá no polo feminino. Ai, preguiça.
C
Aí ele, é, não sei o quê, tem que ser assim, tem que ser... É porque ele tá temendo aquilo.
B
Tá tentando esconder.
C
Ele tá tentando esconder aquilo, entendeu? Então assim, aí vira esses discursos, tal. O que, qual que é o grande problema, né, num discurso desse, né? Eu até fiz uma palestra num congresso, em abril, na Bahia, falando do comportamento do feminicida, né? Que o feminicida, ele começa com esse discurso, né? Ele tem que ser assim e tal, tudo, e ele esbarra no que a gente tava falando de não aceitar a frustração. Que aí a gente traz o conceito de clivagem de objeto da Melanie Klein, que é aquilo. O cara, ele não sabe, ele não consegue entender que aquela mulher frustra e são objetos diferentes. E aí, aquilo que eu desejo, eu não consigo realizar, não é de ninguém mais. E aí, ele vai lá e destrói. Então, hoje, por exemplo...
A
É a posse, é o possessivo.
C
É, o possessivo, enfim. Então, é um... Assim, o que eu fico preocupado, né? Que são perfis grandes, a galera grande, assim, tal. E eu vejo pelo meu próprio perfil, né? Putz, é uma baita de uma responsabilidade. Se eu falar qualquer coisa lá, É muita mensagem que chega, que infelizmente eu não consigo responder todo mundo. O Fernando me... E gente mandando... Textão. História da vida. Aí eu falo, gente, eu preciso fazer alguma coisa pra ajudar essa galera, porque sozinho eu não consigo. Eu tenho horas no meu dia atendendo lá, que eu não consigo atender todo mundo, né. E aí eu percebo a responsabilidade que é de um perfil grande, de um perfil público, né. O que a gente fala aqui... Pode ser que 20% não vai aceitar e não vai... Ah, beleza, pode ser. Mas os outros 80 ou 50, que seja 10%, se pegar aquilo lá, você pode transformar a vida pro bem ou pro mal.
B
Não tenho dúvida.
C
Então você pega um discurso desse de um cara, de um... Você pega um cara que tá ouvindo um discurso desse, que tá com autoestima baixa, que não sei o quê, que teve uma mãe ausente e tal, ele vai entender que, pô, a mulher tem que ser o que ele tá mandando. Tem que ser o que ele tem... Ele se encoraja dessa forma. Sendo que o trabalho deveria ser ou deveria ser, pô, você teve tua mãe ausente e tal, cara, puta, sinto muito.
B
Vamos melhorar isso, né?
C
Vamos, reconhece isso, sabe? Tua mãe teve você, teu pai tava trabalhando, tua mãe teve você nova, enfim, vamos trazer o contexto que você viveu ali pra poder entender, pra poder trazer o teu olhar hoje. Teu olhar consciente, teu olhar empático, né? Eu falo muito sobre os três, meus três pilares de atendimento e tudo que eu faço é empatia, consciência e amor. Vamos olhar com amor, vamos olhar com empatia sobre essa situação, né? Então, ah, minha mãe foi ausente, não sei o quê. Tem um vídeo meu até que estourou bem, assim, tudo que eu falo sobre isso. Um cara que eu atendia que reclamava que a mãe não falava que amava ele, não falava de jeito nenhum, né? E ele tinha contado sessões anteriores que o prato favorito dele era o escondidinho, que a mãe fazia. E aí teve um dia que ele chegou em casa super tarde, depois de faculdade, trabalho, caramba, tudo cansado, né, não sei o que, tudo. Chegou lá, tava lá na mesa, ó, fiz pra vocês, quenta no micro-ondas, ponto, acabou.
B
Pô, não ama.
C
Aí ele falou aquilo, contei, aí eu guardei, né, falei, ah, agora eu vou pegar na curva. A hora que ele terminou de falar, eu falei, bom, você falou que sua mãe não te amava, né? E esse escondidinho que ela deixou na mesa?
B
Amou pra cacete.
C
Puta, ele começou a chorar. Aí, você entende que é o olhar empático, né? Porra, tua mãe, sabe, ela fala que te amo.
B
Ela podia não falar, né?
C
Ela não consegue, mas é a linguagem do amor dela, né? Então, vamos traduzir isso pra outras formas. Isso é o que eu acredito. Agora, você vem com um discurso desse super... duro, rígido, que o homem tem que ser, que é mulher que não sei o que lá e tudo, esconde um grande temor aí, alguma coisa que tá... que na minha opinião é um homo recalcado aí, um lado... ele teme o lado homo. Então tem que ser o machão mesmo ali, durão, pá, não sei o quê, é porque ele teme o lado homo.
A
Ah, porque não, as vezes não como técnica. A mulher não gosta do homem que está no polo feminino. Você não pode demonstrar... Então, mas isso
C
aí pode revelar que se ele for pro polo feminino, ele pode gostar, e aí se ele gostar daquilo, como é que ele vai falar pra um pai que é militar, por exemplo? ou por um grupo de amigos que é tudo meio machão ali e tal, entende? Ele teme o lado homo, é o temor do lado homo. É o temor de uma...
B
Ele tem que se expressar de alguma forma pra não... Eu sou machão.
C
Eu sou machão, durão aqui, e aí ele quer ensinar outros ali, entendeu?
A
Entendi. Bom, a gente agradece muito aqui essa conversa maravilhosa.
B
Foi muito legal, Fernandinho.
A
Inscreva-se no nosso canal.
B
Quem quiser entrar em contato com você, Instagram,
C
Perdão, tá?
B
É isso. Não, pode falar.
C
É... Meu Instagram, arroba... Tá ali. Ah, tá ali.
A
Psy.
C
Isso, bom.
A
Psy Fernando Segredo.
C
Psy Fernando Segredo. Me sigam aí nas redes sociais, manda mensagem, tudo. Pô, foi um... Nossa. Fiquei muito feliz com o convite.
A
Absorvamos o papo aí.
C
Inclusive, pera aí.
A
Ah, o presente.
C
É, o presente.
B
Já ia esquecer, né, cara?
A
Já ia esquecer, né? Deixa eu ver.
B
Muito obrigado, irmão.
A
Olha aqui, álbum de figurinha.
B
Olha.
A
Deixa eu ver o que é isso aqui. É... Freud.
B
Eu sou Jung, é isso?
C
Jung.
A
Jung.
C
Jung. Jung. Que são, assim, são os meus Jung.
B
Jung.
A
Obrigado, cara.
C
Vê que eu tô informadão, que é Jung.
A
Aqui, ó. Ó lá.
B
Ó.
C
É uma amiga nossa que faz tudo.
A
Copa cerveja, resenha, gol. Ah, que legal. Copinho de boteco, Copa Americana, né?
C
Copa Americana, raiz, né?
A
Raiz, pô. Isso aqui pra tomar um cafezinho. Imagem e arte, é isso?
C
Imagem e arte, isso aí.
A
Obrigado pelo presente, Brasil, pra Copa do Mundo. Aquela cervejinha no Copa Americana não tem nada igual, né?
C
Não tem nada igual.
B
Que legal.
A
Muito obrigado, Fernando, pelo presente. A gente pede pra que você inscreva-se no nosso canal aí, Ticaracatica, vamos chegar aos 3 milhões.
B
Ajuda nós, vambora. Curta e compartilhe. Exatamente. Fique esperto.
A
Isso. Estaremos no Rio Grande do Sul aí em julho, hein? Agora em julho estaremos juntos. Então pode botar a data aí, Isaac, pra nós? Já chegou a arte? não tem problema. Chegou, bota aí pra nós aí. Então estaremos aí em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Porto Alegre, agora no final de julho. Tá aí ó, Porto Alegre dia 31 de julho, primeiro de agosto, Bento Gonçalves dia 2 de agosto, Caxias do Sul.
B
Compre logo o seu ingresso que esbota, tá?
A
Beleza? Então corre aí. Muito obrigado. Valeu, Boleta. Vamos nessa?
B
Até mais.
A
Então, amanhã tem mais. Valeu, Fernando. Obrigado, querido. Eu procuro o Fernando aí.
B
Muito legal, velho.
A
Ajudar você se está embaralhado da cabeça. Todos nós temos um baralho desembaralhado. Então, vamos embaralhar o baralho.
B
Faltam várias cartas no baralho.
A
Vamos organizar o baralho.
B
Boa.
A
com esse trabalho tão importante que é a psicanálise, também tem a psicologia, tem a psiquiatria, quando tanto o profissional da psicanálise e do psicólogo percebem que não tem mais sentido na conversa, vamos para os psicotrópicos.
C
Posso só falar um negócio? De verdade, assim, acho que o que vocês fazem, assim, é um trabalho que eu acho que ajuda muitas pessoas, né? Eu falo, a risada, dar risada, tudo, é um trabalho lindo. E é um trabalho que ajuda muito, eu tenho certeza disso, que no perfil de vocês, é muito... Graças a Deus. Então, continuem, porque...
A
É o bálsamo, é o bálsamo. O humor é o bálsamo da alma, né, meu velho?
B
É, até quando tu não aguentar, nós vamos fazer.
C
Exato, continuem. Então, eu quero agradecer de verdade por estar aqui.
B
Obrigado, pô, obrigado.
C
Tô muito feliz por reconhecer vocês.
A
Que isso, cara. E parabéns pelo seu trabalho. Obrigado, porque eu tava vendo teu Instagram... Tem mensagens ali muito importantes que, como se fosse um manual, que às vezes a gente precisava dar uma voltada assim, sabe? Você tá usando o aparelho assim. Cara, você tá com um aparelho tão bom na sua mão... Por que você não deu uma lida no manual?
B
Vamos fazer direito.
A
Dá uma estudadinha, porque você dá pra melhorar essa máquina tão boa que você tem. Exato.
C
Quando eu comecei a fazer conteúdo, foi isso. Falei, puta, os psicanalistas são muito, com todo respeito, mas deixa eu traduzir um pouco. Lógico, lógico. Não, e é muito legal a gente
A
poder olhar pra gente como se fosse um manual e falar assim, poxa, mas tem esse recurso que eu não sei usar? Eu acho que é meio nesse sentido. Então, aproveitem. E um abraço e até a próxima. Valeu, galera.
B
Beijo.
A
Beijo.
Data: 7 de julho de 2026
Convidado: Fernando Segredo (psicanalista, ex-publicitário, criador de conteúdo de psicologia)
Hosts: Bola e Carioca
Neste episódio do Ticaracaticast, Bola e Carioca recebem Fernando Segredo para um papo descontraído, divertido e profundo sobre psicanálise, programação neurolinguística (PNL), hábitos, trauma, infância, relações familiares, condicionamento, tecnologia, choque de gerações e autoconhecimento. Fernando compartilha histórias pessoais e de consultório, explica conceitos fundamentais da mente humana e responde a dilemas comuns do público – tudo com muita clareza, bom humor e autenticidade.
[03:00]
Fernando afirma que vivemos uma era de excesso de estímulos, o que acelera tudo na vida cotidiana.
Pessoas buscam “botões mágicos” para mudar imediatamente.
“O pessoal quer milagre, quer tudo rápido, como se tivesse um botão de liga/desliga na cabeça.” – Fernando [04:09]
Discussão sobre ansiedade, vício em smartphones e como as notificações contribuem para o colapso da atenção e aumento da ansiedade.
“Eu tirei já há muitos anos notificação no meu celular.” – Fernando [11:01]
[01:35] e [11:46]
Psicanálise traz à tona questões profundas: infância, carência, traumas.
A PNL é abordada como ferramenta para reconhecer gatilhos e associar sentimentos a objetos, situações e hábitos.
“Qualquer coisa pode ser gatilho emocional. Por exemplo, uma garrafa de água pode te dar tristeza se associar a um momento doloroso.” – Fernando [12:22]
Interessante analogia ao experimento de Pavlov e como condicionamentos regem boa parte dos nossos comportamentos.
Técnicas práticas como o uso de elásticos para lembrar de hábitos ou provocar pequenas “punições” e criar novas associações comportamentais.
[08:13], [72:38]
Mudança de comportamento é gradual, exige repetição e resiliência, especialmente com o passar da idade.
University of London: 66 dias para formar um novo hábito, desmistificando o “21 dias” da internet.
Trauma também é um poderoso agente de mudança, mas é menos desejável e saudável do que a mudança por repetição.
“Eu falo muito isso: a evolução é gradual, não dá salto. Pra mudar, exige tempo, compromisso.” – Fernando [08:25]
[29:01], [75:01]
Experiências infantis moldam crenças, inseguranças e padrões de comportamento futuros.
Validação e reconhecimento buscam raízes na relação parental e conceitos de segurança.
“O ser humano busca duas coisas o tempo todo: segurança e reconhecimento. É o petisco humano.” – Fernando [28:55]
Debatem-se temas como frustração, permissividade, uso do “não” na educação, e choque de gerações.
“A criança precisa passar pelo processo de frustração. A educação vem pelo não.” – Fernando [77:10]
Reflexão sobre os padrões familiares e como permissividade ou tirania excessiva se traduz em adultos frágeis ou rígidos demais.
[04:44], [44:45], [45:18], [50:18]
[52:00], [54:27]
A importância de falar sobre traumas e conflitos para evitar que eles explodam de maneira descontrolada.
“A cura vem pela fala.” – Fernando [53:48]
O perdão é apresentado como parte essencial da elaboração emocional, mas sem necessariamente retomar antigas relações.
“Perdoar não significa dar a mão novamente.” – Carioca [52:58]
[75:01], [82:58], [85:22]
Discussão sobre geração X, Y, Z, Alfa e a diferença fundamental na criação: da cinta à super-permissividade.
O equilíbrio entre amor, frustração, presença de ambos os polos – anima/ânimos, independentemente da estrutura familiar.
“Não é quantidade de tempo, é tempo de qualidade com seus filhos.” – Fernando [87:44]
Reflexão sobre o impacto da terceirização do cuidado (babá, escola, tela) na formação das crianças.
[40:18], [38:39], [41:38]
“O inconsciente é um oceano tentando entrar numa casquinha de nós.” – Fernando citando Freud [65:54]
[110:00]
Debate do discurso Red Pill e das polarizações sobre como homem/mulher devem agir; análise psicanalítica do temor do “lado homo” (anima/ânimus).
“Tudo aquilo que a gente nega com veemência é um desejo nosso... O homem que grita muito sobre masculinidade esconde um temor do seu lado homo.” – Fernando [110:41 e 112:59]
Risco de discursos públicos influenciando negativamente jovens inseguros.
Sobre busca pelo milagre:
“As pessoas não querem resolver o problema delas, elas querem milagre.” – Carioca [06:19]
Educação e hábito:
“Ou você muda por repetição, ou por um trauma negativo muito forte.” – Fernando [72:38]
Sobre padrões inconscientes:
“O inconsciente quer aquilo que ele conhece, mesmo que traga dor.” – Fernando [46:57]
Sobre perdão:
“O perdão é a base, pra mim, da vida.” – Fernando [31:33]
Sobre exemplos na infância:
“O filho mais velho tem o título de transformar uma mulher em mãe.” – Fernando [100:54]
Sobre tempo de qualidade:
“Pessoas conscientes têm um grande poder: o poder de escolher o que fazer com seu tempo.” – Fernando [89:50]
Este episódio é uma conversa rara que mistura risadas soltas e profundidade, onde Fernando Segredo explica como traumas, hábitos, padrões familiares e tecnologia influenciam nosso bem-estar emocional. Ele ensina a olhar para si mesmo sem fórmulas mágicas, apostar na fala para a cura, buscar equilíbrio e discernir entre atalhos ilusórios e o caminho real da transformação pessoal.
“A evolução é gradual, não dá salto. Tem que mergulhar, olhar para dentro e falar sobre o que incomoda. A cura vem pela fala.”
— Fernando Segredo [08:25, 53:48]