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Richard Rasmussen
Fala,
Boletá
cambada!
Lucas Carioca
Quem disse que a gente não entra
Richard Rasmussen
ao vivo a esse horário?
Boletá
Hoje, um pouco mais cedo, obrigado pela presença de todos vocês. Tamo junto, é nóis, valeu. E lembre-se, sempre inscreva-se no nosso canal.
Lucas Carioca
E a TV lá, preciso pegar o controle remoto. Cadê? Corre aqui alguém.
Boletá
O controle remoto, a TV está com nossa logo.
Lucas Carioca
É que está com a nossa logo, é que eu estava vendo o jogo.
Boletá
Agora você vai dar pro Soja Mato Grosso.
Lucas Carioca
Aí, boa, Zaque.
Boletá
Zaque não é fraco não, rapaz.
Lucas Carioca
Rapaz, aí as pessoas vão perguntar, são exatamente 10h17, vão falar assim, por que que nós estamos entrando ao vivo esse horário, bola?
Boletá
Porque a gente achou uma coisa que não aconteceu.
Lucas Carioca
Nós fizemos a nossa parte.
Boletá
Fizemos.
Lucas Carioca
A seleção brasileira não fez a dela. E as pessoas que estão aqui em questão são pessoas que tem uma agenda.
Boletá
Tem uma agenda, exatamente.
Lucas Carioca
Então isso foi preto.
Boletá
São pessoas importantíssimas.
Lucas Carioca
Exatamente. A gente simplesmente falou assim, poxa, Se o Brasil, hoje poderia estar... Hoje poderia estar rolando um Brasil e Argentina.
Boletá
Exatamente.
Lucas Carioca
Poderia.
Boletá
Você imagina, acho que nem essa hora dá certo.
Lucas Carioca
Imagina o povo, teste pra carinha. Mas como isso não está acontecendo, os nossos convidados que estão aqui podem cortar pra lá, meu querido. Zacarias.
Boletá
Olha que coisa linda. Olha que bonitinho.
Lucas Carioca
Tá bonito, você tá bonitão.
Boletá
Você tá estilo Monaco, irmão.
Richard Rasmussen
Meu Deus, que homem que eu estou.
Boletá
Só falta um rolecão no pulso. Só falta isso.
Lucas Carioca
Como a agenda desses homens aqui são agendas muito concorridas, tivemos que... Estamos ao
Richard Rasmussen
vivo agora, se você... Onde eu estou? Acabei de sair do hospital, acabei de sair do hospital, e aí estou com esses dois arrombados.
Lucas Carioca
É assim que faz.
Richard Rasmussen
Só eles fazerem isso com o amigo Lucas Beber. Vamos falar um pouco do agro. Vamos falar mal do agronegócio?
Lucas Carioca
A vida selvagem, o agro.
Richard Rasmussen
Você quer ouvir? Quer ouvir? Porque quando você fala mal, vocês querem ouvir. Linka agora aqui e vem com a gente. É isso aí.
Boletá
Boa, boa, é isso aí. Vamos falar do agro.
Wesley
É.
Boletá
Pra turma entender mais.
Lucas Carioca
Não, mas só pra rapaziada entender porque que o Tica tá entrando 10 horas da manhã. Justamente por isso, porque as pessoas têm agenda e a gente... Eles não teriam agenda se fossem as
Boletá
duas e isso foi... Pra gente conseguir fazer esse programa bacana pra vocês.
Lucas Carioca
Foi agendada há um mês atrás.
Boletá
Exatamente.
Lucas Carioca
Então pra gente não perder essa pauta sensacional, entramos 10 da manhã, se você quer vir às 2 da tarde, está aí também o episódio, já está completo pra você.
Boletá
Boa.
Lucas Carioca
Tá bom?
Boletá
Hoje ele trouxe rapé pra você cheirar.
Richard Rasmussen
É, vai dar uma rapezada hoje.
Lucas Carioca
Não, nem ferrando, nem ferrando, eu sou careta. Não, hoje não, vou fazer mais tarde,
Henrique
depois do jogo da Argentina. Eu já, já.
Boletá
Ah, pronto.
Richard Rasmussen
Não,
Lucas Carioca
rapaz, não, não tenho condições psicomotoras, psicoemocionais para... para... não estou preparado. Um dia que eu estiver contigo lá na selva, aí acho que é hora
Richard Rasmussen
que vocês vão lá navegar pelo Rio Negro comigo, cara.
Lucas Carioca
Coimbrirui, Coimbrins.
Boletá
Pô, isso deve ser muito legal, cara.
Henrique
É, precisa marcar, ué.
Lucas Carioca
Mas você faz isso sempre?
Boletá
Tá fácil.
Richard Rasmussen
Eu faço isso sempre, tudo mesmo.
Lucas Carioca
Pô, fui pra África do Sul lá. Maravilhoso, hein? Top. Maneiro. Mas não fiz o roteiro Richard Selvagem, né?
Richard Rasmussen
É, não faltou pegar numa cobra.
Lucas Carioca
Eu fiz, mas não peguei na cobra. Até porque a cobra africana é muito assustadora.
Boletá
É uma cobra gigantesca.
Lucas Carioca
Uma cobra muito robusta, né? Mas assim, conheci lá mais aquele ocidental, sabe? A Cabo Ocidental Sul, é bonito aquilo.
Richard Rasmussen
O Cape Town você foi?
Lucas Carioca
Fui pra Cape Town, mas conheci toda aquela região sul.
Richard Rasmussen
O arco todo, você foi?
Lucas Carioca
O arco todo, quase o arco todo.
Richard Rasmussen
Você foi até Garden Roots? Não.
Lucas Carioca
Não lembro, fui pra Quisna.
Richard Rasmussen
E a Etnais, né? Isso.
Lucas Carioca
Isso, fui um pouquinho mais à frente. Legal, né? Que lugar bonito, né?
Richard Rasmussen
Que lugar bonito.
Lucas Carioca
Como é bonito a África do Sul. Bom, então vamos falar o seguinte, hoje o nosso programa ele é totalmente dedicado ao agro, né Boletá?
Boletá
É, quem é o Lucas Carioca?
Lucas Carioca
Lucas Bebel simplesmente o presidente da Prosoja Mato Grosso.
Richard Rasmussen
Boa.
Lucas Carioca
Tá certo?
Boletá
Já foi nossa parceira há muitos anos aqui.
Lucas Carioca
É a nossa parceira.
Boletá
É a nossa parceira, é verdade. A ProSoja é sensacional.
Lucas Carioca
São nossos parceiros.
Boletá
A baseada é muito bacana.
Lucas Carioca
Também faz um trabalho bacana com a ProSoja, não é isso, Richard?
Richard Rasmussen
Cara, eu devo muito pra ProSoja.
Boletá
A turma não entende o agronegócio, não é isso?
Richard Rasmussen
Nem os biólogos entendem. Sabe o que é triste, Bola? É que assim... Vamos lá. Só pra gente dar aquele kickstart inicial.
Lucas Carioca
Kickstart.
Richard Rasmussen
Vamos lá, hoje nós temos 30% do Brasil tá preservado, só essa informação, que é a essência, 30% hoje tá preservado em terra indígena e unidade de conservação, 30% do Brasil. Pelo menos na caneta tá protegido, mas já é um bom começo, beleza. Isso coloca o Brasil como o número 1 de proteção de área pública. A Austrália tem 19, Estados Unidos acho que tem 13, e assim vai. Nós somos o número 1. Estamos fazendo dos 10 maiores países do mundo. Outros quase 30, 26% hoje de preservação está dentro das áreas rurais. Ou seja, peraí, vamos falar, o Brasil hoje, por exemplo, reserva legal, todo produtor hoje, qualquer produtor, eu quero produzir, compra uma terra, do pequeno ao grande, ele tem que manter de 20% a 80% da sua área, dependendo do bioma que está, como reserva legal ou APP, que são as áreas de preservação permanente, ao longo do rio, se o rio tem essa largura, tem que ter o código florestal.
Boletá
Perfeito.
Richard Rasmussen
Não existe esse código em outro lugar do mundo. Se não me engano, acho que o Paraguai é 20%, mas não existe em outro lugar. Em qualquer lugar do mundo que você vai, Estados Unidos, Europa, o cara produz... Portugal, os caras produzem até nas ilhas, eles produzem, porque querem aproveitar o máximo.
Boletá
Fazenda do Clarkson, que é um documentário que ele compra uma fazenda. Ele era do GTO.
Henrique
Inglês lá.
Boletá
Inglês. E ele lá, ele falou que lá os caras arregaçaram a porra, não tem mais nada. Usa 100%.
Richard Rasmussen
Até a beira do rio.
Boletá
Usa 100%.
Henrique
E o legal disso, né, Richard, quando você fala que os Estados Unidos têm esse percentual de preservação, a Austrália, a Austrália considera o deserto do Outback como preservação. O deserto do Mojave, o deserto de Sonora como área de preservação.
Richard Rasmussen
Que são terras dentro dos aborígenes, a terra original dos aborígenes é o Outback, que é grande parte, a Austrália é um grande deserto, só tem na costa que tem vegetação. E aí eles consideram essas áreas de deserto, ou seja, não só. quantitativo, nós preservamos qualidade, porque aqui, meu amigo, você tá chupando uma laranja e cospe no chão a semente... Aqui é Alimento Mundo. Vai nascer uma laranjeira.
Boletá
Vai fazer Alimento Mundo. Vai.
Lucas Carioca
Vai.
Boletá
Você tá brincando.
Richard Rasmussen
Brasil... Por que então, Bola, nossos amigos biólogos, que você é biólogo também, por que que os biólogos fazem guerra contra o agro, sendo que o agro preserva o tanto quanto a gente preserva a guerra pública?
Boletá
Mas eu acho que é porque ele entende...
Lucas Carioca
Não é isso não, isso é na faculdade que fizeram a cabeça.
Boletá
Ah, mas desde a faculdade.
Lucas Carioca
É na academia, papai.
Richard Rasmussen
É na academia.
Lucas Carioca
É na academia, papai.
Henrique
E...
Lucas Carioca
O cara é programado ali já por um professor, né?
Richard Rasmussen
É ali.
Lucas Carioca
Ali onde tudo começa.
Boletá
É que o cara não é bem informado.
Lucas Carioca
Não, o cara não quer...
Boletá
Não tem informação certa.
Lucas Carioca
O cara nem estuda. O cara já vai programado com aquele viés. Já tá com viés no estudo. Já tá tudo enviesado. Já tá contaminado. Já não tem mais a dialética, ó. A visão ampla pra fazer realmente uma pesquisa É, como é que eu posso dizer?
Boletá
Séria.
Lucas Carioca
Com isonomia, não tem, porque já tá...
Richard Rasmussen
Eu também aprendi isso, cara. Eu aprendi. Eu, assim, devo muito pra ProSogia, porque durante dois anos eles abriram a porteira pra gente falar...
Boletá
Eu falei, na hora que a gente foi participar com eles, eu falei... Eu, graças a ProSogia, comecei a entender direitinho. Porque a gente sabe de uma coisa, beleza. Mas na hora que você começa a conviver com essa turma, que você fala, caceta, os caras são brabos, irmão. Os caras são bons, velho.
Richard Rasmussen
A gente fez uma série de um ano, cara. Eles me levaram pros Estados Unidos pra ver como é, pra comparar a diferença de infraestrutura.
Boletá
Ah, você fez isso?
Richard Rasmussen
Que legal! Um ano de série, eu saia a campo, um ano, e assim, eles me deram, o que eu falei, abriram a porteira e falaram, nós não vamos influenciar, influenciar em nada. Eles foram pros Estados Unidos, eles falaram, tá aqui um carro, tá aqui produtores, qualquer, conversa com quem você quiser, pergunta o que você quiser, faz o que você quiser, pergunta os Estados Unidos. A mesma coisa no Brasil. Eu quero que você visite aí os produtores e converse com eles. Me deram a liberdade, porque eu não queria... Então a série no nosso YouTube deu milhões de visualizações, cara. E porque o povo quer saber essas coisas. Agroverdade, chama. Agroverdade.
Boletá
Puta, que bacana.
Lucas Carioca
Lucas, você como presidente da ProSoja, quais são as dificuldades hoje dos produtores no Brasil? Porque a gente sabe que a economia brasileira Hoje, o maior ativo do Brasil é o agronegócio. Eu acho que é a maior fonte de renda e de produção do Brasil para o nosso PIB. Você sabe quanto corresponde o agro hoje para o PIB brasileiro?
Henrique
Mais de 25%. E mais de 25% dos empregos hoje gerados é pelo agro também no Brasil. Praticamente um a cada três empregos é gerado pelo agro. Então o agro são pessoas. A gente sempre usa um modelo, acho que Mato Grosso é um laboratório para o agro nos últimos anos. Nós tivemos a pandemia que trouxe muitas coisas ruins, tristes, mas ela trouxe um ensinamento muito positivo. Mato Grosso, por incrível que pareça, é um dos estados menos industrializados do país, porém o que mais se industrializou nos últimos 20 anos, e é previsto pelo IPEA, inclusive tem uma fala do Aldo Rebelo disso, que será o maior estado industrializado do futuro. E isso graças à agricultura, hoje o Mato Grosso fosse um país, ele fica alternado com a Argentina, ele é o terceiro ou quarto maior produtor de soja do país, produzindo biocombustível, o Richard visitou lá, biorefinaria de etanol de milho. Você é produtor rural? Produtor rural.
Boletá
Que legal, Lucas.
Henrique
O biodiesel, e aí você tem o DDG que vira alimento, essa indústria gera arrecadação de emprego. Então, por que que eu trago o exemplo da pandemia? Nos últimos 20 anos, Mato Grosso foi o estado que deu os maiores saltos no crescimento econômico e no PIB. Aí você fala, mas isso tá concentrado na mão de poucos. Mas é o estado que nos últimos seis anos tem dado os maiores saltos na melhora do índice de desenvolvimento humano, E também nos melhores, nos maiores saltos no índice da educação, maior melhora percentual no índice da educação. E durante a pandemia, Mato Grosso e Minas Gerais foram os estados que mais cresceu a economia, enquanto a economia do país, de outros países dos estados, retraiu então, mostrou de fato a força que o agro tem, não só para quem vive daquilo, mas para a população, para o país, e tem sido responsável tanto pelo superávit quanto o saldo na balança comercial.
Boletá
A gente foi empresário em Primavera do Leste, uma cidade com 40 anos, É um negócio absurdo a cidade, mano.
Richard Rasmussen
E não é só o água. É tudo que gira em volta do água.
Boletá
Tudo que gira em volta, exatamente.
Richard Rasmussen
Máquina, serviço, restaurante, hotéis.
Boletá
Escolas.
Lucas Carioca
Gira, né? Economia. O dinheiro, cara, tem aquele... Eu adoro esse ditado do cem reais. Que um cara vai no hotel... Ah, eu vi isso.
Richard Rasmussen
Muito legal.
Lucas Carioca
É, muito legal.
Richard Rasmussen
O cem reais como circula. Diferente de quando você paga com cartão. Não era isso que você viu, não?
Lucas Carioca
Não, é o cara vai no hotel. Aí... O gringão vai no hotel e fala assim, olha, eu queria ver se os quartos estão legais. Aí o cara fala assim, pra você dar uma olhada nos quartos, você precisa deixar cem reais aqui, você pode conhecer o hotel inteiro, achar que você pode ficar ou não. Aí o cara deixou cem reais. Aí o coro do hotel foi correndo no açougue com cem reais na mão, falou assim, bicho, a carne que eu tava te devendo, paga aí. Aí o cara do açougue foi no produtor, falou assim, tá aqui ó, tava te devendo cem reais, tá te devendo cem reais.
Boletá
O produtor foi no plantador de soja.
Lucas Carioca
É, porra, o fornecedor de carne, o cara é o batedor.
Boletá
Sim, sim.
Lucas Carioca
Porra, tá aqui cem reais pra você aqui, cem reais porque, porra, eu tava te devendo aí. Aí o cara, beleza. Aí o cara do açougue, Foi na tchucha.
Boletá
Falei pra prima.
Lucas Carioca
Prima, tá aqui os cem reais que eu tava te devendo. A prima, beleza. Aí a prima voltou no hotel e falou assim, ó, da noite de ontem, tem cem aqui.
Richard Rasmussen
Voltou, fechou conta.
Lucas Carioca
Aí do nada o gringo volta e falou assim, ó, não gostei do hotel, vou querer mesmo cem reais de volta. Resumo da ópera.
Boletá
O cara pagou seis pessoas.
Lucas Carioca
Os cem reais girou e todo mundo se acertou.
Richard Rasmussen
Quando você paga com cartão 100 reais no posto, já não é mais 100 reais, já ficou 90, o cara recebe 97. Aí esse mesmo cara paga outra coisa com cartão, o dinheiro sempre vai ser o dinheiro, né? Porque o 100, 100, 100 vão valer 100. Mas quando você vai pagando no cartão, quem fica com o dinheiro é o banco, né? Mas no fim, você fica... Se passar
Lucas Carioca
100 vezes e 100 reais, o dinheiro todo do cartão. Mas você entende? A dinâmica...
Richard Rasmussen
A dinâmica do dinheiro, é.
Lucas Carioca
Você vê, uma nota que o cara deixou de crédito, ela andou pra resolver o problema de todo mundo, E voltou para o do cara.
Henrique
O legal disso, Carioca, antes você perguntou, né, a maior dificuldade, eu acho que a maior dificuldade é ainda ser reconhecido e compreendido, porque o produtor, ele já começa junto com você no amanhecer, no seu café da manhã. No caminhão que tá levando a mercadoria pro mercado, que saiu aquele produto, foi produzido numa fazenda, foi industrializado, gerou arrecadação. Chega no supermercado, a pessoa chega lá pra pegar uma caixinha de leite, mas não sabe que lá teve o DDG do milho que produziu o etanol pra fazer aquele leite. O farelo do soja que virou óleo de soja e biocombustível que também foi usado pra alimentar aquela vaca. A pessoa que tirou o leite da vaca.
Boletá
Na feira que nós fomos. Tinha o estandar pro soja. Tinha uma casinha. Tipo, cê entendeu o que que é a soja, o que que cê produzia. É impressionante. É impressionante, irmão. Nós fomos lá pro soja.
Lucas Carioca
É o petróleo, né?
Boletá
O que que cê faz com a soja? Cê acha que soja é só leite
Lucas Carioca
de soja, óleo de soja.
Boletá
Cara, é tudo, irmão. É tudo. É escova de cabelo. É tudo. É impressionante.
Henrique
E o legal disso é que semana que vem vai tá aqui na Paulista, no shopping. Ajuda aí.
Boletá
Puta, que legal.
Henrique
Cidade de São Paulo vai estar a casa aqui pra vocês.
Richard Rasmussen
A casa pra soja vai estar aqui.
Boletá
Isso é muito legal.
Henrique
Verem o quanto a soja e o milho fazem parte do nosso dia a
Wesley
Não, vai estar dia.
Henrique
onde?
Boletá
Shopping?
Lucas Carioca
São Paulo. Cidade de São Paulo.
Henrique
Cidade de São Paulo.
Boletá
Cara, passem, né? Vão ver isso que é impressionante, cara. É muito legal. Você saber... Ah, soja. Eu tomo leite de soja e óleo de... Cara, a soja serve pra tudo. É impressionante.
Lucas Carioca
Ô Lucas, só que uma dúvida que eu tenho, qual é a maior luta do produtor em relação, e depois o Richard eu queria uma colocação também, qual é a dúvida que o produtor tem e as dificuldades em relação a Ibama versus Ministério da Agricultura? Porque por exemplo, pra você pegar uma terra hoje pra plantar, licença, como é que funciona isso hoje? A burocracia é muito grande, tempo, como é que tá isso aí? Como é que tá essa dinâmica?
Henrique
Legal a pergunta acho que antes de começar a falar a gente tem que considerar que a gente não concorda com ilegalidade. A gente está sempre do lado do que é legal. Hoje a taxa de desmatamento ilegal no Brasil é menos de 2 por cento. Ainda tem e acho que tem que ser punido fortemente quem é. Porém quando você fala disso o maior problema da regulação do Brasil é a amorosidade e a burocracia que às vezes força o cara fazer coisa errada, porque o cara...
Boletá
Ele vai ser punido.
Henrique
Não, e às vezes leva anos para destravar uma licença, que o cara tem o direito adquirido, ele tem a terra, tem o georreferência...
Boletá
Ele pode fazer pela lei, mas até
Richard Rasmussen
liberar... Tem previsão legal.
Henrique
Tem previsão legal. E ainda assim rola, a terra tem que cumprir a função social dela, até porque desapropria. Então, essa é uma das dificuldades que tem. Então, falta conversar isso, acredito que tem que ter tem que deixar de lado a ideologia. É triste quando uma ministra do meio ambiente chama a nós de ogro o negócio. Na verdade, entendeu?
Lucas Carioca
Mas ela que é ogro, né?
Henrique
É, eu não tô aqui pra criticar, mas assim... Sim, sim. É lamentável num país como o nosso, que tem essa biodiversidade, que o Richard pôde conhecer lá no Mato Grosso, acompanhar, viver. E o sistema de produção nosso...
Boletá
Coisa que ela nunca fez, né?
Henrique
É, e o sistema nosso, que é algo de orgulho, acho que nós estamos agora podendo surfar uma nova onda, que é dos biocombustíveis, que é justamente os combustíveis limpos, que são produzidos através dos grãos e que mesmo assim você produz alimento desse processamento. E da maneira que é feito hoje através do plantio direto você sequestra o carbono. Então diferente da Europa que é emissora, hoje nós temos pesquisa da Embrapa que mostra por hectare o sequestro médio anual de 1,9 tonelada, eu tô falando de balanço. considerando emissão e sequestro. Então, torna o nosso biocombustível mais verde. Se você der um Google aí, tem a Stellantis, que é a maior fabricante de automóveis do mundo, ela fala que hoje o carro, a etanol brasileiro, ele emite menos que um carro elétrico na Europa. E aí, como que uma ministra que nós temos toda essa capacidade de contribuir pro meio ambiente, mundial produzindo alimentos, ela nos chama ainda de ogro-negócio. Então, acho que precisa ter, as pessoas precisam conhecer mais, eu não quero criticá-la aqui.
Boletá
Sim, sim, lógico.
Henrique
Eu quero convidar ela a fazer o que o Richard fez. Exatamente. Richard, pisar lá na lavoura.
Boletá
Não só no Brasil.
Lucas Carioca
Mas ela já pisou na lavoura, irmão?
Henrique
Ela precisa pisar, ela precisa.
Lucas Carioca
Mas ela já procurou vocês?
Henrique
Ainda não, mas eu estou convidando aqui, aproveitando.
Lucas Carioca
Ué, mas... É fácil falar.
Richard Rasmussen
Ela é amazônida e tá vindo aqui pra São Paulo agora, pra fazer correr aqui em São Paulo. Ou seja, na Amazônia ela não é bem vista.
Henrique
Então, o legal disso, o Richard... Quando eu levei o Richard pra fazer o circuito a ProSorja, teve gente que falou, ó, aquele cara é esquerda, tem posicionamento. Eu falei não.
Richard Rasmussen
Todo mundo que é medo do meio
Henrique
ambiente tem essa... E eu achei legal que o Richard foi lá, e esse cara me questionou de uma maneira fora do comum, e ele gostava de causar polêmica. É a credibilidade dele, é a credibilidade.
Lucas Carioca
E o que mais te impressionou lá, Richard?
Richard Rasmussen
Primeiro que é assim, vamos lá. Primeiro que é o que a gente tem que começar na cabeça, é assim. Em qualquer lugar do mundo que você vai, e eu viajei o mundo, então eu tô no meu lugar de fala, tá? O produtor rural é um herói. O francês que faz o vinho e coloca o queijo é um herói. O americano que põe cornflakes e orange juice na mesa é um herói. Aqui virou um bandido, por quê? Então, assim, tem algo errado nesse local. Por que que nosso produtor... Sendo que nosso produtor é o único produtor do mundo que planta com sustentabilidade. Em nenhum país europeu, nem nos Estados Unidos, o produtor compra uma terra e tem que deixar 10%. Se você falar pra um americano, deixa 10% da sua área aqui, 10%, tá? Não 20, 80, 10. Pra sociedade, ele vai falar, ou fuck you, ou ele vai falar how much, é isso. Quando você vai me pagar ou vai, foda-se você. Aí eu deixo. Aí eu deixo. Então assim, a primeira coisa que a gente tem que colocar na cabeça é isso, o nosso produtor é diferenciado, tá? Nós estamos falando dos caras que respeitam o código de clareza. Ah, mas tem cara que faz. Esses caras estão em legalidade, um monte de outros problemas que têm que ser resolvidos, dando título terra, pra ter CPF, porque quando você tem terra que não tem CPF, você não adianta, você não consegue saber. Qualquer um faz. Então é isso que nós temos que pensar, mas é uma outra discussão. Ah, mas Richard, eu sou contra o negócio. Por causa que o negócio, ele desmata. Existe o desmate legal e o ilegal, ok? Nós temos que colocar isso em mente. Segunda coisa, ah, mas eu não como milho. Porra, cara, então você não entende porra nenhuma. Primeiro, o milho está onde hoje? Não é o milho que você tá roendo na festa, na canjica, na festa de São João. É na pipoca. Fora isso, está também. Mas assim, o milho está nos nossos combustíveis hoje. O biocombustível brasileiro hoje, o milho tá chegando nas... 40% do carro a diesel, né? Exato. Nós estamos chegando aos pés da cana. O milho tá crescendo demais. Então, o que que acontece se dá problema no milho? Se o javali vai lá e come metade, ou mesmo o queixada come metade da produção do milho. O que que vai acontecer com o milho? Por que que a gente torce contra o agro? Se metade do milho tiver problemas de clima, de tempo, que são os problemas que eles têm, que são os grandes desafios deles.
Boletá
Chuvarada, seca.
Richard Rasmussen
Muita chuva, muito seco, etc. os bichos que comem, etc. Se comer metade do milho, o que vai acontecer com o milho? Ou o cara vai deixar de produzir, vai plantar outra coisa. Ou o preço vai subir pra cacete. Aí o cara vai e fala assim, mas eu não como milho. Sim, mas quando você vai abastecer o carro, vai subir o preço do combustível. Quando você for comer carne de boi, carne de galinha, tem tudo. O seu cachorro come o quê? Come milho, porque ele come carne. E o que você dá? O DDG, que é um subproduto, né, que tira o etanol, né, e tira o DDG, ele está em tudo, todos os bichos, galinha, porco... Ração, né, brother? Todas as rações, todas as comidas que a gente come.
Henrique
O Brasil, lembrando que o Brasil tem a proteína animal mais barata do mundo. Nós conseguimos produzir com a maior eficiência, um boi aqui não custa nem metade do que você gasta na Europa pra produzir ele, um frango não custa metade
Boletá
do que você gasta na Europa. Lá eles não tem espaço, eles não tem nada lá, né?
Henrique
Quanto isso interfere na inflação do nosso país e no poder aquisitivo, apesar que acho que é uma discussão muito grande falar de salário mínimo, de poder de compra, mas se nós não tivéssemos um agro tão forte e um clima abençoado que o Brasil tem, nós não teríamos, nós teríamos muito mais fome, muito mais dificuldade no nosso país.
Richard Rasmussen
Que esse é o problema, o problema E eu tô falando do aspecto agroambiental, que é o meu lugar de fala, né? O problema é que os caras lá de fora, da Europa, dos Estados Unidos, você acha que eles estão preocupados com macacos que vivem na floresta e gostam das florestas? Honestamente, vocês ainda acreditam nisso?
Lucas Carioca
Eu acho que não. Eles querem as patentes...
Boletá
Eles querem plantar e...
Lucas Carioca
Não, como é que é o nome? Eles querem as... Isso aí que eles têm. São donos de quase tudo aqui no Brasil?
Richard Rasmussen
Sim, de patentes. Patentes internacionais.
Lucas Carioca
De plantas e tal.
Richard Rasmussen
De sementes, de tudo.
Lucas Carioca
Você sabia disso?
Boletá
Sabia, que eles queriam levar o açaí.
Lucas Carioca
Eles patentiam as nossas plantas.
Richard Rasmussen
Nunca foi pelo macaco ir pelas florestas. Nunca foi. Parem de ser inocentes, gente. É, né? Como é que você faz pra atacar um setor que você não consegue? Quem é dono da comida é dono da geladeira, é dono da casa. O Brasil é dono da comida.
Henrique
Hoje no mundo, aproximadamente um a cada dez pratos servidos no mundo, sai do Brasil.
Boletá
Olha que beleza.
Henrique
Da década de 1975 pra cá, nós produzíamos menos de 35 milhões de toneladas de alimento.
Boletá
Década de?
Henrique
1975.
Richard Rasmussen
Nossa época.
Henrique
35 milhões.
Lucas Carioca
Há 50 anos.
Henrique
Hoje, hoje o Brasil aumenta, ocupando 200% só a mais diária, produz praticamente 8 vezes mais do que produzir, não, perdão, 10 vezes mais, porque nós vamos ultrapassar 360 milhões de toneladas esse ano.
Richard Rasmussen
Quanto você acha que a gente planta em percentual? O Brasil, qual a área do Brasil hoje é agrícola?
Lucas Carioca
Acho que nem 6%.
Richard Rasmussen
8%.
Wesley
É.
Henrique
8%. Agricultura.
Lucas Carioca
Só isso.
Richard Rasmussen
Agricultura, 8%.
Henrique
E agricultura e pecuária vai dar 30...
Richard Rasmussen
É, mais 15... Só que parte das... É que tem pasto nativo, tem pasto que é nativo, que é natural.
Henrique
Tipo Pantanal.
Richard Rasmussen
Pantanal é natural, ninguém desmatou.
Henrique
Que também é uma discussão polêmica.
Boletá
É. E hoje a coisa que mais se planta ainda é soja? Ou não?
Henrique
A cultura mais plantada é a soja, só que daí a gente tem que considerar, e é algo legal também, que também entra na nossa eficiência hoje, quando você compara com a Europa, os Estados Unidos, lá os caras tem neve. Então, eles conseguem fazer uma safra por ano.
Boletá
Aqui tem o rodízio, né?
Henrique
Nós plantamos a soja, fazemos o plantio direto, sem revolver o solo, que eles revolvem todo ano, e isso desprende carbono, nós não revolvemos, então sequestra carbono, e aí a gente planta o milho, e aí faz duas safras por ano, ou algodão, ou outras culturas, o próprio trigo sul faz muito soja e trigo, soja e milho, o centro-oeste, soja, milho e algodão, e aí duas safras ocupando a mesma área por ano. E com médias espetaculares através da pesquisa científica.
Richard Rasmussen
Não tem como competir com o Brasil. Esse é o problema dos caras.
Lucas Carioca
E aí eles ficam fazendo esse lobby
Richard Rasmussen
lá fora, Aí começam essas organizações que vêm pra cá.
Henrique
Tem documento, basta vocês darem um Google, eu não tô inventando.
Boletá
Não, sim, lógico.
Henrique
Chamado Farms Here, Forests There. Fazendas aqui, florestas lá, por uma associação de um estado norte-americano. Isso já tem mais de 20 anos, eles falando justamente, vamos plantar aqui e os brasileiros que preservam lá. E nesse documento eles falam de patrocínio de ONGs pra justamente evitar a produção brasileira.
Richard Rasmussen
Capetão.
Henrique
pra não ter mais oferta de alimento pra regular o preço e eles poderem competir.
Lucas Carioca
É, porque tipo, ah, se vocês comprarem do Brasil, estão destruindo o pulmão do mundo.
Richard Rasmussen
Percebem? E isso faz com que todos os processos aqui sejam mais caros. Mas o Brasil tá correndo atrás de tudo. Sabe o que é incrível? Toda vez que vem essas exigências, o Brasil tá correndo atrás e cada vez mais tá entregando essas exigências.
Boletá
É mesmo.
Richard Rasmussen
Então, os caras não tem como fugir. Não tem como fugir, cara. Hoje, o Brasil hoje produz como nenhum outro país. Nos Estados Unidos eu fui visitar um campo de milho lá, o Cornfield, que é um dos... Foi em que estado você foi? Que eu fui, você lembra?
Henrique
Ai, o Illinois, acho que eu não lembro o nome.
Richard Rasmussen
Foram dois ou três estados.
Boletá
O combustível é feito do milho lá, né?
Richard Rasmussen
É.
Henrique
Lá que começou, mas hoje a maior biorefinaria de etanol de milho do mundo está em Sinop, lá no Mato Grosso. É a maior biorefinaria do mundo.
Boletá
Que legal.
Henrique
E é um brasileiro que fez a primeira indústria no Paraguai e agora ele tá fazendo indústria, tem duas ou três no Mato Grosso, três já no Mato Grosso, tem na Bahia, tem no Maranhão, tem no Mato Grosso do Sul, tá fazendo no Goiás e também tem indústria que tá vindo de norte americano lá também investir aqui o milho.
Boletá
Que legal!
Henrique
Aumentando Como que daí entra justamente aquela narrativa do, a agricultura não gera, não industrializa, não gera emprego. É bem o contrário, tá dando um boom enorme na indústria. Só pra você ter uma noção, bola, pra cada tonelada de milho processada você faz mais de 420 litros de etanol, já estão chegando a atingir 450 litros. E o Estado arrecada mais de 300 reais por tonelada processada. Porra. Quanto que isso gera de imposto de melhora na infraestrutura, na educação, na saúde das pessoas?
Lucas Carioca
É impressionante como... Se o agro parar,
Richard Rasmussen
nós estamos fodidos, irmão. Se o agro parar, você planta. Não, só planta mandioca. Você sabe o que é marrom por fora e branco por dentro? É, eu já sei. Já sabe, já sei. Eu pensei que ia pegar o vermelho.
Boletá
Cuidado com a mandioca.
Lucas Carioca
Mas vermelho não tem.
Richard Rasmussen
Outra coisa, o que você está vestindo aí?
Boletá
Isso aqui?
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão.
Lucas Carioca
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão.
Henrique
Algodão.
Boletá
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão.
Boletá
Algodão.
Henrique
Algodão. Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão.
Boletá
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão.
Boletá
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão. Algodão.
Henrique
Algodão. Algodão.
Wesley
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão.
Henrique
Algodão. Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão.
Wesley
Algodão.
Henrique
Algodão.
Lucas Carioca
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão.
Lucas Carioca
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão. Algodão. Algodão.
Wesley
Algodão.
Richard Rasmussen
Algodão. Algodão. Alg 20 árvores que eu preciso ocupar o terreno, 20. Eu estou plantando mil árvores de volta, é licenciamento ambiental, é meu direito. Aí o cara que tá no apartamento, que já tá no lugar que foi devastado, onde existia indígena, fala, mas eu... Eu falei, os veganos falam, mas espera um pouco, a tua floresta aqui tá usando algodão, ela é mais importante que a floresta da minha soja, que o boi tá alimentando o boi? Eu falei, qual que é o teu princípio de valores? Quer dizer, todo mundo aqui tá usando algodão. Tinha 40 negros na sala querendo me comer vivo. Falei, vocês todos tão usando o goldão? Eu falei outra coisa, eu falei, eu olhei aqui e falei, se ainda fizesse bem pra saúde, eu falei, dos 40, 38, tinha 38 gordinhos na sala, mano. E tem mais um detalhe, pra viabilizar
Henrique
economicamente o algodão você tem que plantar soja, é as duas culturas juntas, se tu plantar só algodão tu tu vai virar monocultura, vai virar doença, a soja acaba sendo uma rotação, o milho acaba sendo uma rotação.
Boletá
Dizem que o algodão é difícil de plantar.
Henrique
É, então todo produtor de algodão é produtor de soja.
Lucas Carioca
É, tem que plantar junto, né?
Henrique
Exato, planta a soja, colhe e planta o algodão.
Lucas Carioca
Quando é que começa o plantio da soja?
Henrique
Normalmente em meados de setembro.
Lucas Carioca
Começa, daqui a pouco começa o plantio.
Henrique
Se chover bem, em janeiro já inicia a colheita, vai até final de março.
Lucas Carioca
Tá colhendo agora, vai começar a colher algodão agora.
Henrique
Agora milho e algodão, agora já tem mais de 60% do milho colhido no Mato Grosso. E está iniciando a colheita do algodão, que o algodão tem um ciclo maior. Ele é plantado antes que o milho, pra aproveitar a chuva, geralmente planta em janeiro. Então o produtor planta uma soja mais precoce, colhe na última semana de dezembro, início de janeiro, planta o algodão e
Boletá
aí carca na soja.
Lucas Carioca
O algodão leva 6 meses o algodão? 8 meses, de quanto tempo?
Henrique
Ele é mais ou menos, ele tem um ciclo maior, então de janeiro até agora, Mais ou menos isso, janeiro, fevereiro.
Lucas Carioca
Sete meses pro algodão...
Henrique
É, uns seis meses, cinco a seis meses.
Lucas Carioca
Seis meses.
Richard Rasmussen
Agora, tem um processo muito interessante que a gente precisa dar aqui um corte, porque esse foi o primeiro programa que eu fiz lá, foi sobre a questão dos incêndios, do fogo. Isso é muito importante, isso é muito importante.
Henrique
Lembrar disso.
Richard Rasmussen
Que é uma preocupação que todo mundo tem. Quando você coloca no Google, fala assim, o produtor bota fogo. Senhoras e senhores, por favor. O produtor não tem interesse, o fogo destrói. O que que acontece?
Henrique
É um inimigo, nossa.
Richard Rasmussen
Ele tá colhendo milho, certo?
Boletá
Certo.
Richard Rasmussen
A palhada do milho, quer dizer, o bagaço, a planta, a planta, ele escolhe o milho, né? O grão. O talo. Mas a planta, o talo, fica ali no solo. Ele fica ali. Isso protege o solo, a umidade, a riqueza, né? Todos os nutrientes ficam protegidos. não devolve carbono pra natureza porque não tá revolvendo. Quando você revolve, você devolve o carbono pra natureza. Aí eles deixam ali. E eles plantam em cima dessa palhada a soja. Se pegar fogo, isso acaba com a vida deles. É cinco anos de investimento que vão embora porque todos esses nutrientes que estão ali vão ser perdidos. Então, o produtor rural não põe fogo. Isso é técnica normalmente de roçado em guia.
Henrique
Pois é, coisa antiga.
Boletá
Cachacatu na antiga vinha botar fogo em cana.
Richard Rasmussen
Não faz mais hoje.
Henrique
É legal isso porque o plantio direto é algo assim que... O brasileiro teria que ser matéria de escola, entender o que é o plantio direto. Que justamente o que o Richard falou, aquela palhada fica protegendo do sol, então você mantém uma temperatura mais baixa, tem menos evaporação, solo acumula mais água. Quando decompõe aquela palha, ela vira alimento da matéria orgânica, então aumenta a atividade biológica.
Lucas Carioca
É compostagem, tipo uma compostagem.
Henrique
Que vai disponibilizar mais nutriente pra planta. Vai aumentar a matéria orgânica, então quando queima, aquela alta temperatura, além de não deixar apalhada, mata esses microorganismos. Para você voltar aquela produtividade, principalmente na cultura da soja, vai demorar em média de quatro a cinco anos de novo. Então é um prejuízo tremendo. E vai desprender carbono novamente, então é prejuízo de todo lado pro produtor. E eu fui pra China, Richard, ano passado, ano retrasado.
Boletá
A China planta muito ou não?
Henrique
Planta, só que só faz uma safra por ano.
Lucas Carioca
Só uma, por causa do clima, né?
Henrique
Aí eles têm que optar a soja ou milho, que também é a principal cultura que eu vi.
Boletá
Entendi.
Henrique
Lá, principalmente na fronteira com a Rússia, que tem aqueles solos negros.
Boletá
Pô, nós estamos bem pra cacete, então, né, irmão? Nós estamos foda, né?
Henrique
Solos negros que tem uma fertilidade fora do comum. Pô, nós estamos... Puxar uma safra. Que também é a diferença nossa, porque o solo... do Mato Grosso é um solo pobre, por natureza. Ele puxa por arenoso, tem alumínio tóxico, é muito ácido, mas com a tecnologia desenvolvida, nós transformamos ele num solo altamente produtivo. E a China tem aqueles solos negros de alta fertilidade, matéria orgânica natural, e os caras tacam fogo todo ano. Eles escolhem o milho, guardam a parte da palhada pra tratar o animal no inverno, e o que não guardam... Aprender
Boletá
com a gente, irmão?
Henrique
Eles já estão ficando interessados.
Boletá
Nós damos aula pra eles.
Henrique
Com certeza. A tecnologia brasileira...
Richard Rasmussen
É que eles não têm essa oportunidade, porque tem a neve, né?
Henrique
Até a soja, Abola.
Lucas Carioca
Eles podiam plantar sorvete, mas eles não plantam.
Boletá
Isso, plantar sorvete.
Richard Rasmussen
Até a soja... Sabor de milho, né?
Lucas Carioca
Sabor de milho, baunilha.
Boletá
Sorvete de milho é bom.
Lucas Carioca
Eles não plantam, pô. Eles dão molho pra eu recolher. Eu colho o gelo já com milha.
Boletá
Por que você vê você falando? A gente aqui é muito foda, irmão.
Henrique
Até a soja, que é uma planta nativa de lá, uma planta naturalmente do clima temperado, a nossa pesquisa da Embrapa ali na década de 70, Tropicalizou ela e hoje a gente tem uma média de produtividade praticamente o dobro que é a média da China.
Richard Rasmussen
Não sou muito foda, Brasil. O eucalipto que é plantado na Austrália, que é da Austrália, a gente aqui é eficiente em não sei quantas mais vezes do que eles próprios. Porque a planta é de lá, a soja é de lá, a gente é melhor aqui. O Brasil ganha prêmios hoje. Uma coisa que a gente tá desenvolvendo, que os outros países estão atrasados, não tem, é a questão dos bioinsumos, né? Dos biofertilizantes, né? Todas as partes, dos biológicos. O Brasil ganhou agora um Oscar, quer dizer, o Oscar da... E a gente
Lucas Carioca
não vê na mídia, né?
Richard Rasmussen
A gente não vê na mídia. Biólogos...
Lucas Carioca
A Embrapa tem um trabalho bacana pra caramba, né, cara?
Richard Rasmussen
Maravilhoso.
Lucas Carioca
A Embrapa revolucionou aqui o Brasil, né? A Embrapa, eu acho que é uma das poucas entidades governamentais que tem um trabalho, assim, de 40 anos, que salvou, literalmente, nos estudos, nas pesquisas, né? Falam muito bem da Embrapa. Embrapa, né?
Henrique
Com certeza, lá na década de 70, na época, o setor político teve aquela visão de mandar nossos estudantes para fora do país para aprender, principalmente na parte de ciências agrárias e agronomia, e os caras foram lá.
Boletá
Aprenderam mesmo.
Henrique
Aprenderam o que tinha de melhor e adaptaram aqui para o Brasil, e a Embrapa fez esse boom da agricultura tropical. Isso não representa só alimento, não representa economia, tem que lembrar que representa paz. Porque quando você tem falta de alimento no mundo, isso gera guerra. Os países vão atrás do território, o povo briga por petróleo, mas petróleo você vive ainda, agora sem alimento você não vive. Então, o Brasil é um país que garante a paz para o mundo diante da oferta de alimentos que ele teve através da tecnologia da agricultura.
Lucas Carioca
Então, Lucas, quer dizer que um quarto do que o mundo come sai daqui.
Henrique
Não, é um a cada dez pratos.
Wesley
Ah, tá.
Boletá
Um a cada dez pratos.
Lucas Carioca
Um quarto é em proteína animal.
Henrique
É.
Lucas Carioca
Não é isso, a proteína animal?
Henrique
Hoje que é exportado, o Brasil é o maior exportador de carne bovina já, maior de carne de frango, suíno tá, acho que é o terceiro ou quarto maior suíno.
Boletá
Caramba.
Henrique
Então aí, proteína vegetal é o hoje, que é a soja, que inclusive em 2019 os Estados Unidos eram o maior, 2018, 2017 os Estados Unidos eram o maior produtor exportador, 2018 o Brasil virou o maior exportador, 2019 o maior produtor exportador de proteína do mundo, lembrando que
Richard Rasmussen
a proteína... E mantendo florestas.
Henrique
Isso que eu quero dizer.
Richard Rasmussen
66% do Brasil, 66% do Brasil está em florestas preservadas. Como é que eu, que sou um biólogo da conservação, não quero ser amigo de um setor que preserva metade desses 66%?
Lucas Carioca
E tem uma vantagem...
Henrique
Corresponde a 48 países da Europa esse número.
Richard Rasmussen
Como que eu não vou ser amigo desse segmento? Eles têm condições de... Eu sou muito fã também.
Boletá
Eu sou muito fã também.
Lucas Carioca
E tem uma coisa que eu aprendi. Quando a gente esteve lá no evento da Pró-Soja, isso, que eu fiquei bolado, o produtor levou a gente, são os mananciais, não é verdade?
Boletá
Com tudo cuidadinho, tudo certo.
Henrique
Guardião das águas.
Lucas Carioca
Exatamente, porque eles preservam a área de manancial, porque falam assim, ah, porque só quer preservar manancial, Não, é porque sem manancial ele não tem nem água pra produzir.
Boletá
Como é que ele vai regar o bagulho, né?
Henrique
É legal vocês falarem isso, porque na década de 70, 60, quando começou a colonização, como é que era o lema, Richard, me ajuda?
Richard Rasmussen
Era ocupar... Era ocupar para conquistar.
Henrique
Para conquistar, que era ocupar para conquistar.
Richard Rasmussen
O governo dava um motosserra. Se o cara não desmatasse, ele tomava a terra do cara. A gente esqueceu essa história. 50 anos atrás, foi ontem.
Henrique
Então, esqueceu isso. Ocupar a Amazônia pra não deixar os gringos tomarem a Amazônia nossa.
Lucas Carioca
Projeto Rondon. Famoso Projeto Rondon. Eu sou dessa época aí.
Richard Rasmussen
Um herói Rondon.
Henrique
Isso.
Lucas Carioca
Eu lembro que o Projeto Rondon, no início dos anos 80, tinha vizinho meu que ia pra Rondônia.
Wesley
É.
Lucas Carioca
Pra poder justamente ocupar.
Henrique
Exato. E aí entra essa parte do manancial de água, porque que na época, devido à malária, eles pediam pra você derrubar até o rio. você tinha que derrubar hoje é um crime isso mas mesmo o produtor lá naquela época derrubando que era estimulado hoje se você pegar Mato Grosso que é o maior estado produtor e eu falo hoje é maior que a Argentina na produção de soja 95% das nascentes estão
Lucas Carioca
preservadas há aproximadamente 95% no estado do Mato Grosso.
Henrique
Nós temos uma foi feita uma catalogação georreferenciada de altíssima precisão inclusive hoje a Secretaria de Meio Ambiente usa essas imagens porque é de uma base de dados de alta precisão. tem um convênio conosco, nós fizemos esse monitoramento em mais de 105 nascentes, nos maiores municípios, em 105 mil nascentes, nos maiores municípios produtores do Mato Grosso, e 95% das nascentes estão em bom estado de conservação.
Boletá
Que beleza.
Henrique
Dificilmente você vai encontrar isso em outros estados produtores, mais antigos que o Mato Grosso. E quando você falar em outros países, os maiores produtores agrícolas... Esquece.
Boletá
Esquece mesmo.
Richard Rasmussen
Mas os caras nos Estados Unidos, cara, eles plantam lá, a densidade do milho é diferente. Assim, eu não sou produtor, mas quando eu parei lá...
Boletá
Mas você entende um pouco a lógica.
Richard Rasmussen
Não, atendo assim, porque aqui no milharal, quando você entra no milharal pra roubar umas espigas, você consegue entrar. você consegue entrar. Lá nos Estados Unidos é tão denso que você não consegue entrar, o milho tá tudo junto. Então o que eles fazem? Esse negócio de biológicos, que é só pra explicar, biológicos são o quê? É bactérias boas, né, fungos bons, que são, que existem na natureza e que ajudam a conservar as florestas e podem ajudar a conservar e são utilizados pra pra hoje, como fertilizantes, né? Foliares, biodefensivos também, como defensivos, enfim, o Brasil tá no topo disso, tá? Então, lá eles nem conhecem isso, os Estados Unidos tão começando. Os caras plantam o milho até a beira do rio. Então, nós fomos em lugares que você... Tá encostado, aqui existe uma lei do Código Florestal que chama APP. Então, depende da largura do rio, você tem que manter... X tanto de floresta em volta, de mata ciliar em volta, não sei o que. Beleza, lá não tem isso. Então, o que acontece com esse NPK, que é o nitrogênio, fósforo e potássio que eles colocam como fertilizantes químicos lá, que é o que eles usam mais, é químico, né? Acaba dentro do rio. Então, o que acontece? Quem se alimenta? As algas. Então, a gente vai ver, os rios lá estão mortos. Porque é tanto defensivo que as algas prosperam e matam a vida. Muita alga causa desequilíbrio, não tem oxigênio dentro do rio, consome oxigênio do rio. Morre o peixe. Morre os peixes. Então, assim, esse é o problema que nós estamos muito à frente. Mas nós estamos muito à frente deles, né? Sendo que aí, mesmo assim, o cara de lá é um herói, o agricultor. Agora, sabe o que falta no Brasil, que eu fico impressionado lá? É assim, você...
Boletá
Eu ia te perguntar se alguma coisa
Richard Rasmussen
lá... Claro, as coisas boas que nós temos que trazer aqui.
Henrique
Infraestrutura.
Richard Rasmussen
Infraestrutura. Então, você tem estrada de ferro. Você não anda... Você sai com o caminhão da sua propriedade com carregando milho, você não anda 50km, 50km.
Boletá
Já tem onde ser.
Richard Rasmussen
Estrada de ferro. Estrada de ferro leva até uma hidrovia.
Boletá
Eu comentei aqui outro dia, você vê aqueles filmes de tornado e tal, toda fazenda tem um silo, tem uma estrada de terra pro cara armazenar a produção dele e o tornado leva, mas tá lá.
Henrique
Só um número legal disso, os Estados Unidos, se você considerar o Alasca, o Havaí, ele tem, acho que é 15% a mais que o território brasileiro. Se for considerar só o território mesmo ali dos Estados Unidos, é menor até que o Brasil, mas tudo junto dá 15% a mais. Eles têm, proporcionalmente, 7 vezes e meia a mais ferrovia que o Brasil. O Brasil, desde a década de 60, nós chegamos a ter 35 mil quilômetros de ferrovia. Hoje nós temos menos que 32 mil quilômetros. Diminuiu.
Richard Rasmussen
Não, porque não deixa ambientalmente, tem uma estrada que tem que sair, que é a estrada do ferrogrão, famoso.
Henrique
900 quilômetros.
Richard Rasmussen
Vai andar do lado da BR, vai economizar 40% do seu... Vamos lá, o que que é isso aqui? Isso aqui.
Lucas Carioca
Madeira.
Richard Rasmussen
Não. Isso é carbono.
Henrique
As pessoas têm que entender essa porra.
Richard Rasmussen
Isso aqui é carbono. O que que é o processo, quando a gente fala em sequestro de carbono, que todo mundo fala, e fala de Amazônia, que é o lugar mais pobre do Brasil hoje, infelizmente.
Lucas Carioca
Miserável, né?
Richard Rasmussen
Porra, então a floresta não tá pagando a conta. Entende? A floresta tem que pagar a conta. Se é o lugar mais lindo e mais importante do mundo, por que lá que estão as pessoas mais pobres? Mas beleza, vamos lá. Isso aqui é carbono. Quer salvar uma floresta? Quer salvar uma floresta? Vamos pro teu corte. Quer salvar uma floresta? Não adianta botar no teu Instagram dando um beijo. Pode ser cortar uma árvore, pode salvar uma floresta. Com certeza muito mais do que dar um beijinho na árvore. Beijinho na árvore não salva a floresta, o que salva é inteligência de uso dos recursos naturais. A gente não sabe fazer isso, bola. Isso aqui é o carbono, porque uma floresta respira CO2 e O2. Quando ela tem equilíbrio e já tá montada, ela não tá trazendo um grande sequestro de carbono. Quando você maneja, vai pra dentro da floresta e fala, essa árvore tem 40 anos. Vou usar ela. É jardinagem, jardinagem. Todo o carbono tá lá naquele lenho. Aí você tira aquela árvore, leva ela embora. Olha só as vantagens que você cria. A primeira delas, você tá dando emprego e tá criando renda. Porque olha só, essa mesa, quanto vale essa mesa? Entendeu? Isso é valor, isso é agregar valor à madeira que vai morrer.
Henrique
Vai morrer.
Richard Rasmussen
Aquela árvore vai cair, morrer e despejar o carbono de volta. Porra, vamos usar aquela árvore, nós temos uma árvore aqui, vamos ser inteligentes. Você dá emprego, cria riqueza.
Henrique
Manejo.
Richard Rasmussen
E outra coisa, você acelera o processo de sequestro do carbono. Por quê? Porque uma árvore lá, aquela mamãe enorme, que tem hoje já 40, 50 anos, ela jogou um monte de semente ali. Aquelas sementes caíram no solo e nasceu uma plantinha que tá tímida. Por quê? O que come a planta? Luz solar. Chega a luz solar no sol da floresta. Não, quando eu tiro a mamãe, chega a luz solar. Aquelas filhotes começam a brigar pra chegar lá em cima no docel. Tá acontecendo o quê? O sequestro de carbono acelerado. Porque é uma competição, tá chegando o sol. Então você, olha, só tem vantagem. Isso é ciência, é entender de biologia, papai.
Henrique
Entendeu?
Richard Rasmussen
Então o cara acha, cortar uma árvore pode ser bom, cara. Dentro de um processo de manutenção. Tem a maneira de fazer, com estudo, com lógica.
Lucas Carioca
Isso é feito hoje no Brasil? Tem empresas fazendo, como é que dá isso?
Richard Rasmussen
Só que você vai na internet e pergunta, vai numa escola e pergunta. A turma não sabe, mano. A gente tem que ensinar isso, cara.
Boletá
Não é justo.
Henrique
Também queimar árvore às vezes é bom. Vou dar um exemplo que é a produção do etanol. O que o pessoal faz? Nós não temos gás lá no Mato Grosso pra atender a usina. Então o que o povo faz? Planta eucalipto. Esse eucalipto vai sequestrar carbono.
Boletá
Certo.
Henrique
Eu vou lá, corto o eucalipto. Aí, no momento de destilação, eu preciso usar a energia desse eucalipto pra aquecer a caldeira pra evaporar e fazer o etanol. Então, eu libero de novo o carbono, mas é um ciclo. Porque eu primeiro sequestrei para emitir, e esse eucalipto deixou raiz, e esse eucalipto deixou raiz debaixo da terra também, então parte desse carbono ficou preso mesmo assim, então acaba sendo mais limpo do que o próprio gás utilizado em outros países para processar.
Richard Rasmussen
Os caras queriam proibir tudo, você viu essa? Tudo que é exótico. Estamos fodidos, porque o café que a gente toma também é exótico, a manga que a gente chupa também, a banana também. Então, peraí, queriam proibir tudo que é exótico, ou seja, eucalipto, tilápia, que isso não são animais nem plantas do Brasil. Mano, se você tirar o eucalipto do Brasil, Você para o Brasil, porque as caldeiras todas, inclusive para fazer o etanol... Celulose, né irmão? Não, você para, o eucalipto tá em tudo, as pessoas não entendem isso. E ele sequesta cinco vezes mais carbono do que uma floresta nativa nossa.
Henrique
Ele cresce muito rápido, entendeu?
Richard Rasmussen
Então... Ou de onde vão usar essa madeira? Vão parar de usar... Sabe, assim, não queremos mais que o
Boletá
eucalipto... Qual que é a intenção de proibir isso? Qual que é a grande sacada?
Richard Rasmussen
Porque é exótico, porque é meio ambiente, é exótico...
Henrique
É narrativa, não tem ciência. O cara olha o lado que eu queimo eucalipto, mas não vê todo o lado bom que tem antes de eu queimar.
Richard Rasmussen
Assim que proibiram, que queriam proibir a tilápia, que não vai acontecer, óbvio, que é um peixe que todo mundo come no Brasil, o Brasil é um dos principais...
Wesley
É o St.
Henrique
Peter's.
Richard Rasmussen
É o St. Peter's.
Boletá
O St.
Richard Rasmussen
Peter's é para os jatores aqui. Eu ojeio uma importação Filé de sampim. Da JBS, vindo do Vietnã. Puta que pariu, esse Brasil é incrível, mano. Fecha uma porta pra abrir outra.
Henrique
Que engraçado isso, deixa pra lá. É engraçado.
Boletá
Vamos proibir pra alguém trazer.
Lucas Carioca
Porra.
Boletá
Puta merda, bicho.
Henrique
O povo fala que não depende do agro. Qual que é o alimento que a gente mais consome no mundo?
Boletá
Arroz, feijão, não sei.
Henrique
Leite.
Boletá
Leite, tá.
Henrique
E pro leite você tem que produzir soja, milho também pra confinar o boi e pra ajudar a auxiliar. E além do pasto, qual que é o segundo mais consumido? O trigo.
Richard Rasmussen
É o trigo.
Henrique
E sabia que também aí vem a tecnologia. O hectare que mais produziu trigo no mundo foi aqui em Goiás, há dois, três anos atrás.
Boletá
Isso quer perguntar, a gente planta trigo aqui?
Henrique
Planta, porém o Brasil ainda não é autossuficiente. A gente planta metade, porque nós importamos do Canadá, Estados Unidos e Argentina.
Richard Rasmussen
O clima deles é melhor, né?
Henrique
O clima deles é melhor, eles têm subsídio. A gente não consegue concorrer com eles por conta do subsídio, então o produtor deixa de plantar, que também é uma alternativa para sequestro de carbono, trigo e plantio direto. O sul faz porque favorece mais.
Lucas Carioca
É o clima mais ameno, né? Pro trigo tem que ser um clima mais ameno, né?
Henrique
E aí logo em seguida vem o arroz e tudo isso é agro. Quando você vai pro Mato Grosso acho que tem essa divisão também que eu chamo de ideológica porque eu não tenho nada contra aqui. Até eu falo que a ProSoja Mato Grosso hoje nós temos 10 mil associados no Mato Grosso. Do assentado da reforma agrária até o maior produtor do mundo são associados da ProSoja Mato Grosso. E tanto faz, o pequeno ou o maior, eles plantam feijão, eles plantam arroz, eles plantam milho, eles plantam soja, e tudo isso vai pra mesa. Então essa história que só o pequeno produtor põe a comida no prato também, é algo para causar divisão que não é uma verdade é o pequeno produtor põe sim e o grande também põe porque você pega hoje você tem fazendas enormes de produção de gado leiteiro em Minas Gerais. Você tem fazendas enormes no Goiás que produzem feijão e rigado no Mato Grosso no Paraná em São Paulo. Você tem o arroz também acaba virando O Natan lá, o nosso diretor, vocês conhecem também. Natan normalmente tem feito arroz, soja e feijão, no mesmo ano, irrigado dentro da fazenda. Então, ele não é um pequeno produtor. Então, essa narrativa de que só a agricultura familiar põe a comida no prato, acaba sendo uma injustiça. com todos os produtores, na verdade tem que acabar esse negócio dessa divisão no Brasil, que é algo que acaba gerando um conflito desnecessário.
Richard Rasmussen
Esse fla-flu aqui, fla-flu tem que terminar.
Boletá
Todos os produtores tem o fla-flu, é.
Richard Rasmussen
Torcida de futebol é outra coisa, é outra coisa.
Lucas Carioca
Deixa eu te fazer uma pergunta, Richard, em questão da fauna. Como é que a fauna fica no meio dessa...
Richard Rasmussen
Excelente.
Lucas Carioca
Dessa brigadilha. Não, não, dessa coisa de plantar, expansão.
Richard Rasmussen
Excelente pergunta.
Lucas Carioca
Como é que ficam os bichos no meio disso aí?
Richard Rasmussen
Excelente pergunta. Kunamatata.
Boletá
O Pardal.
Richard Rasmussen
Vou ficar lá na mata. Vou assistir a Disney. E o Simba é amigo do Pumba. Até os sete anos, quando você acredita que o Simba é amigo do Pumba. Beleza. Com 37, você tem que ir pra um psiquiatra.
Boletá
O Leão vai comer o lógico, caralho.
Richard Rasmussen
Então assim, o que tá acontecendo especificamente, é um exemplo muito bom que a gente vai dar. Especificamente no Centro-Oeste Brasileiro, tá? Vamos lá. Goiás, Mato Grosso, tá acontecendo isso. Não sou eu que tô dizendo, tá? Porque vão falar pra mim, é o Richard, é um biólogo, eu sou mais economista, né? Eu tenho um mestrado no canal da economia, uma bacharel aqui na USP, e eu tenho uma faculdade meia boca de biologia aqui, beleza. Só que 30 anos que eu ando falando com os caras que são os foda, tudo pós-doc que eu converso. Tem um deles chamado Leandro Silveira, que a gente está comentando agora, que é o cara do Instituto Onça Pintada, né? Ele mora do lado desse Parque Nacional das Emas. Ele mora do lado. Trinta anos que ele estuda onça pintada. Tem um mapa que mostra a distribuição das onças pintadas dentro do parque e fora do parque. Fora do parque é um mosaico produtivo, tá? É a turma que planta. em volta do parque. As onças pintadas, se você olhar o mapa, pena que ele não tem aqui, mas assim, eu uso nas minhas palestras para explicar para os biólogos o que acontece para as pessoas. Se eu olhar dentro no centro do parque, as coleiras que ele coloca, dão um sinal GPS. Você não vai ver nenhuma marca de GPS ali. As onças estão todas na borda do Parque Nacional das Emas e dentro das fazendas, dentro do agronegócio. Por quê? Porque a onça...
Lucas Carioca
Comida!
Richard Rasmussen
Comida? Comida. Por quê? Qual o principal alimento da onça pintada? O queixada.
Henrique
Onde está o queixada?
Richard Rasmussen
Trabalho científico publicado. Podem falar o que quiser, eu levo as porradas dos caras falando, você tá falando fake news. Trabalho publicado, científico. Tanto é verdade que o estado do Goiás é ina, Eu não lembro. Eu não lembro o nome da secretária, porque hoje os licenciamentos ambientais são feitos não mais por Ibama, que tá perfeito. O cara tá em Brasília. No Ibama, o que que ele sabe de Goiás? Ele tá sentado em Brasília. Quem tem que fazer licenciamento ambiental é quem tá lá.
Boletá
É lógico.
Richard Rasmussen
Que sabe. O queixado é um animal que está com status de ameaçado no Brasil inteiro. Inteiro, tá? Ele tá... Não existe mais no Sul, tá ameaçado no Sudeste. O que que aconteceu no Centro-Oeste brasileiro? Com a chegada da comida, que é o milho, ele passa hoje, 60% no estado do Goiás, 63% trabalho científico publicado, tá? Vamos lá, depois qualquer coisa eu mando pra vocês.
Boletá
Pesquisa, hein?
Richard Rasmussen
Pesquisa. 63% do tempo dentro do milho. 14% dentro da cana, já são 77%. e 8% na mata de galeria, que é o grande...
Boletá
A floresta.
Richard Rasmussen
Ou seja, eu tô dizendo que vão ter só milho, não. Mas hoje, o mosaico, que hoje lá acho que é 40% que vocês têm que preservar lá, no Cerrado, não.
Henrique
No Cerrado, 35%.
Richard Rasmussen
35%. Então o cara tem que manter a PP, que é em volta dos rios, mantém 35% reserva alegaia, tem ali o Parque Nacional e tem o celeiro, o refeitório dos animais. O Queixada hoje, tá dentro do... prosperou, melhorou a população, que bom, devia ser os violos, devia aplaudir, não tá contra.
Boletá
Não tá mais considerado em extinção.
Richard Rasmussen
Não, ele é ameaçado porque isso é nacional e devia, na minha opinião, ser regional esse levantamento, né? No caso do Centro-Oeste Brasileiro, a população de queixada, não só de queixada, se você vai num campo produtivo hoje, você vê curicaca, ema, tatu, anta, você vê capivara, você vê queixada.
Lucas Carioca
Cara, queixada o que que é?
Henrique
Queixada é um porco selvagem.
Lucas Carioca
É um javali.
Henrique
Não, não.
Boletá
É um javali morto. O javali é exótico.
Richard Rasmussen
O javali morte é ele, tá? O javali nem tão discutindo porque esse é um bicho...
Henrique
O javali é praga.
Richard Rasmussen
É praga, tem que matar.
Lucas Carioca
É mesmo, tem que matar.
Richard Rasmussen
Pois eu conto uma história boa pra vocês.
Boletá
Conta aí pra gente. Fala que o javali é bravo, né?
Richard Rasmussen
O javali tem que matar. Agora, o nosso silvestre, é um silvestre, não é permitido a caça, eu também não acho que tem que caçar, mas o que eu acho que tem que fazer?
Lucas Carioca
Queixada.
Richard Rasmussen
Manejo.
Lucas Carioca
Eu queria ver esse bicho aí.
Boletá
O Jacuzzi vai voltar pra nós.
Richard Rasmussen
Ele é um pecaridio, né? Ele parece um porco, ele tem um colar branco, ele é um porco bem menor, o javali é enorme.
Lucas Carioca
Esse é o queixada?
Richard Rasmussen
Esse é o queixada. Tá vendo que ele tem o queixo branco?
Boletá
Aham.
Richard Rasmussen
É o queixada. É o maior, nós temos o cateto
Henrique
que é um pouco menor que o queixada. Você chega perto dele, ele estrala o dente.
Boletá
É um porquinho.
Henrique
Parece um chicote, aquele estralhado de chicote assim. Se uma onça entrar no meio disso daí...
Richard Rasmussen
Morre.
Henrique
Morre.
Lucas Carioca
É mesmo.
Richard Rasmussen
Eles atacam a onça, a onça pensa duas vezes.
Boletá
A turma vai tudo em cima dela.
Henrique
Ela tem que ter uma estratégia pra caçar, geralmente ela vai no filhotinho, porque se ela entrar na manada ela... E
Richard Rasmussen
esses caras prosperaram lá. Isso é bom, é uma agenda positiva, né?
Lucas Carioca
Deixar daí a comida da onça.
Richard Rasmussen
Comida da onça.
Henrique
Só que já tá virando excesso também, por conta que tem o aumento aí, por isso que precisa do manejo que o Richard fala.
Boletá
Mas a carne dele é boa pra nós comer, Richard?
Richard Rasmussen
Uma delícia pra comer.
Boletá
Se tá virando excesso, porque não... Nosso
Richard Rasmussen
presidente não tava comendo uma paca esses dias? Qual o problema? Parabéns, é ótimo. Isso é manejo, é criação exito, fora do ambiente natural. Isso é bom, tem que criar os nossos vídeos. Quando tem muito... Por isso que eu
Boletá
falei, se tá virando excesso, de repente você usa pra comer.
Richard Rasmussen
É uma fórmula, é uma fórmula, é tão simples. Eu tô gordo, eu tenho que fazer o quê? Eu tô magro, tenho que fazer o que? Engordar. Pronto. Se tem excesso de uma população, de uma espécie na natureza, qualquer que seja, eu tenho que trazer ela para o equilíbrio. Isso é feito nos países onde a conservação não é emocional e ela é técnica. Quando tem emoção, fode tudo. Porque a turma do amor, e inclusive a biologia, infelizmente está sendo tomada por turma do amor. É uma faculdade barata, põe um monte de gente pra fora, que ama animais, e não se trata disso. Conservação, ela tem que ser técnica. Muitas vezes, é fazer coisas que a gente não quer. Tem pouco bicho, os caras nem plantam com o negócio que eles formam, mas enfim. Se você tem muito queixada, você tem que diminuir, fazer manejo. Se você tem pouco, você tem que introduzir. Tem que criar fora. Então, conservação é isso. Aí lá no estado do Goiás, eles fizeram esse trabalho, o próprio órgão ambiental reconheceu que existe um problema. E quando existe um problema, que é um problema a mais, o que tem que ser feito em conjunto com a sociedade? Porque virou uma guerra de meio ambiente com o agro. Não é. O agro é amigo, tá preservando floresta. Como que você vai ser amigo?
Lucas Carioca
Tá alimentando os animais.
Richard Rasmussen
Mas como você vai ser inimigo desses caras? Aí o que o Estado propôs? Isso é uma coisa que está sendo, inclusive agora, estudado no Mato Grosso também. É sensacional, eles vão fazer o quê? Manejo. Existe contágio, tem que trabalhar, né? Tem que trabalhar um pouco, gente.
Lucas Carioca
Mas lá é o Caiado, o Caiado é o homem do campo, a família dele é do campo, o governador Caiado lá.
Richard Rasmussen
Conta quantos, tem uma área lá, quanto que deveria ter de queixado aqui? Olha, pelos nossos trabalhos aqui, porque o queixado não é só contra o agro, ele destrói a nascente da água, ele destrói a natureza, e excesso é ruim. Tem cinco mil. Quantos que deveria ter? Quatro mil. O que que nós vamos fazer? Retirar mil. E vamos fazer o quê? Carne.
Boletá
Sim.
Richard Rasmussen
Vamos produzir. Isso pode ser...
Boletá
Eu só me perguntei se a carne não é boa pra comer.
Richard Rasmussen
O primeiro frigorífico, o SIF, de queixada surgiu agora no Goiás. Primeiro, e eu espero que isso se repita em outros lugares, por quê? Porque quando o meio ambiente não reconhece um problema, que pode ser a mais ou a menos, tem a menos, a ararinha da azul tá desaparecendo, o que não fizeram? foram lá, pegaram as poucas que existiam, botaram numa jaula, reproduziram pra voltar. Não fizemos isso. Fomos lá no traficante lá fora e pegar as que tinha, que já na natureza não tem mais.
Boletá
Erramos.
Richard Rasmussen
Tinha pouco, erramos. Quando tem muito, tira uma parte, processa aqui e equilibra. E quando o meio ambiente não olha pra isso e fala, ah, isso não é um problema meu, ele terceiriza alguém pra resolver esse problema. E pode ser que resolva ou não resolva da forma certa. Então, se junta. O meio ambiente trabalha junto com o cara do agro e chega numa solução, mano.
Boletá
Lógico, óbvio.
Richard Rasmussen
Chega numa solução porque o água tá ajudando a preservar.
Boletá
O exemplo do Peru é assim.
Henrique
O exemplo do Queixada no Peru também.
Richard Rasmussen
O exemplo do Queixada no Peru. A gente só tem exemplos... A gente não consegue trazer exemplos bons pro Brasil. Só pega exemplos merdas e traz as merdas, cara.
Lucas Carioca
Que que é o do Peru? Que que é isso?
Boletá
Do país.
Richard Rasmussen
No Peru. Tão fazendo isso no Peru. Tão fazendo isso na Goiânia.
Henrique
Tão na Queixada.
Lucas Carioca
Ah, tão manejando.
Richard Rasmussen
Manejo, manejo.
Henrique
E o couro tem um valor altíssimo também.
Richard Rasmussen
Vende tudo, couro, carne. E isso pode trazer o quê? Pode ser até um futuro que traga... Conservação se faz com gente de barriga cheia, tá? Qual é o projeto que deu certo de bicho no Brasil? Conta um pra mim. Um que vem na tua cabeça na hora.
Lucas Carioca
Mico Leão Dourado.
Richard Rasmussen
Mico Leão Dourado deu certo. Vamos fazer um que ocorre no Brasil inteiro. Grande.
Henrique
Pirarucu.
Lucas Carioca
Não, tartaruga.
Richard Rasmussen
Cartaruga. Projeto Tamar. Por quê? Por que deu certo o Projeto Tamar? Porque o Tamar trabalhou da forma certa. Você tem que... Você quando quer salvar uma floresta, você tem que perguntar, quem vive aí? Esse cara que você tem que melhorar a vida dele, porque se você não melhorar a vida dele, pode fazer o... Não adianta fazer, tá proibido, não sei
Boletá
o quê, não adianta proibir.
Richard Rasmussen
Quanto que deu certo usar cinto de segurança? Quando multaram, tio.
Boletá
Meteram a multa pesada.
Richard Rasmussen
Meteram a multa pesada, exato. Então você tem que interferir isso junto com alguém. Então, o que nós temos que fazer? Nós temos que pegar esses caras, que estão na floresta e ia ajudar eles. Qual era o problema do Tamar? O pescador pegava o ovo, o pescador enrolava a tartaruga na rede, sei lá, comia tartaruga, não sei o quê. O que que eles fizeram? Tu fazia assim, vem cá pescador, agora se é assim, nós vamos contratar você e você vai ganhar dinheiro. Se você pegar alguma, você chama a gente, a gente vem pegar, a gente não vai brigar com você, a gente vai te ajudar. A gente vem aqui, vai pegar a tartaruga pra soltar, e você vai ser o nosso guardião. Quando você ver que a tartaruga põe ovo, que você sabe onde coloca, porque você está um tempo todo lá, você avisa a gente, a gente vem aqui, tira o ovo e põe. E você vai ganhar, além do... você continua pescando, mas você vai ganhar uma grana.
Boletá
Um extra.
Richard Rasmussen
Ele falou, opa, comecei a gostar de tartaruga. Aí pegaram a mulher dele pra costurar bonequinhos de tartaruga pra vender na loja. A mulher falou, caralho, de repente eu tenho uma receita. Mulher, marido, tô ganhando uma grana agora nisso aqui. Falaram, que lindo. Pegaram o filho dele e colocaram no curso técnico dentro do Projeto Tamar. Mano, só não tem tartaruga voando, tio, porque ele não tem asa. É isso que é conservação.
Lucas Carioca
Tem muita tartaruga, né?
Richard Rasmussen
Conservação se parece com barriga cheia.
Lucas Carioca
Outro dia eu tava aqui no litoral de Santa Catarina e apareceu uma tartaruga.
Henrique
A criação do pirarucu.
Richard Rasmussen
O pirarucu foi a mesma coisa. Quer salvar o pirarucu? Come ele, mano. Aí os biólogos ficam assim, como assim? Dar valor à fauna. Nós não damos valor. Quanto vale um queixada? Vale o quê? A emoção. Eu gosto tanto desse porquinho, ele é tão lindinho. Vai tomar no cu, mano. Desculpa. Tem que dar valor pra ele. Quanto vale um kudu na África? O cara sabe. Quanto vale um antílope na África? Ele sabe o valor. Quanto vale uma girafa? Ele sabe o valor. É isso que preserva, dar valor às espécies. Porque aí a gente cria... O que salva é dinheiro, gente. Para com isso, pelo amor de Deus. É receita, é dinheiro. É um projeto econômico e não emocional. Emoção não salva nada.
Boletá
Nada.
Richard Rasmussen
Nada. Para com isso. Biólogos vão começar a abrir a mente. Nossa, eu fico... Desculpa, desculpa.
Boletá
Não, mas é... Você tem razão, né?
Lucas Carioca
É bom aprender.
Henrique
Eu sou assim...
Lucas Carioca
Eu sou um cara completamente... Eu sou muito desinformado. Eu não sei nada sobre a fauna brasileira.
Boletá
Eu fui no Lito falar sobre isso.
Richard Rasmussen
O Lito terminou o podcast, o Lito, falando essas coisas, que é um cara genial. É um gênio, mas não tinha ideia disso que nós estamos falando. Terminou o podcast, ele olhou pra mim e falou, caralho meu, mudei totalmente a minha cabeça, mano. É.
Boletá
É, a falta de conhecimento é foda.
Richard Rasmussen
Nós não estamos vendendo ilusão aqui, nós estamos vendendo a conservação de verdade.
Lucas Carioca
Eu quero saber lá no Mato Grosso, como é que funciona hoje a fauna lá, junto ao agronegócio, quais são... os animais que estão em...
Boletá
Extinção?
Lucas Carioca
Extinção, e os que estão sobrando lá.
Richard Rasmussen
Prosperaram pra caramba, tá? Vários segmentos prosperaram, tá? Hoje você vê muito mais onça, você vê... Por quê? Porque hoje nós estamos num modelo também, que você tem que pensar que esses caras foram lá, são histórias lindas, eu fiquei emocionado, histórias de caras que foram lá vender o que tinha de terra no sul, Foram lá, essa é a conquista do oeste brasileiro. E compraram terras e viviam com lona de plástico em cima durante anos. Agora todo mundo olha e fala... Faz a tua caminhada, papai.
Henrique
Sem luz, sem ar, sem água.
Boletá
A fazenda de designações, eu cheguei aqui e não tinha nem telefone.
Richard Rasmussen
Não tinha nada. Não tinha estrada, não tinha nada nenhum.
Henrique
Você andou no Meio Oeste americano, né? Até antes vocês falaram da cobra da África, eu te mostrei a cobra do Mato Grosso lá um dia, que nós tava indo pra pegar o voo, e eu encontrei a caninana lá.
Richard Rasmussen
A caninana.
Henrique
E aí eu te pergunto, você encontrou cobra lá no Meio Oeste quando você andou? Não. Você encontrou... Nem lá na... ó, nem
Richard Rasmussen
na Fran... na Espanha, aqui, o caminho antigo que eu fiz, isso aqui é o... é o caminho de Santiago, eu andei 40 dias naquela porra, pra cima e pra baixo, no meio do mato, eu vi um anfíbio. Eu vi um anfíbio. Vai lá agora no norte, no nosso norte, vai andar nos nossos campos, pode ser no sul, pode ser qualquer lugar, você vai ver bicho pra caralho. A fauna, ela está hoje, por quê? Porque os caras não caçam mais, tem. Ah, mas tem um cara que caça. É um cara que caça. Você sabe, existe uma leipa.
Henrique
Eu vou confessar pra vocês, o único animal, Richard, desde os... Eu mudei pro Mato Grosso em 94, com 10 anos, eu só vi um bicho diminuir.
Boletá
Só pra eu entender, teus pais já eram produtores?
Henrique
Lá no Rio Grande do Sul.
Boletá
Você começou.
Henrique
Minha família... Do Rio Grande do Sul. Eu vou fazer a cachaça no Rio Grande do Sul.
Boletá
Eita, aí sim, hein?
Henrique
Depois meu pai começou a plantar, e plantava trigo, depois meu pai trigo e soja, e aí no início da década de 80 meu pai foi um dos pioneiros de Nova Mutu.
Boletá
Que legal, cara.
Henrique
E aí eu acabei nascendo lá no sul, com 10 anos eu mudei.
Boletá
Foi pra Mato Grosso.
Henrique
Pro Mato Grosso. E, cara, contar a história dele, se fosse contar assim, é coisa de filme.
Boletá
Puta, que legal.
Henrique
Que é, que se replica pra todas as famílias, se você conviver com o produtor de lá, quem chegou ali na década de 70, 80, conversar, cada um dá uma história de filme.
Boletá
Com a cara e com a coragem, né?
Wesley
É.
Henrique
E aí eu vi, inclusive teve animais, o curicaca lá em Nova Mutu, onde que eu moro, quando eu cheguei lá, eu não via curicaca. Hoje você vê curicaca, marreco eu não via, hoje você vê marreco. O queixada, Tinha, mas era pouco. Hoje tá virando quase praga de tanto que tá multiplicando. Arara, você via pouco. Hoje tá tendo arara assim.
Richard Rasmussen
No meio da cidade elas faziam.
Henrique
Coisa de louco.
Richard Rasmussen
No meio da cidade.
Henrique
E só teve um animal que diminuiu. E aí a gente se pergunta, tinha o... Por quê? Então, o perdigão. O perdigão é um animal sensível. Na época...
Boletá
Aquela ave.
Henrique
Existia alguns defensivos que acabavam pegando ele. Mas mesmo esse defensivo já foi banido. Não existe mais... Tá. Que controlava. Ele era um tal de furadã. Mas mesmo assim, o perdigão continua diminuindo. E é uma coisa que ninguém fala. Hoje, se eu ando no meio da lavoura de noite, às vezes eu saio, vou...
Boletá
Eu vou na caminhada.
Henrique
Estou indo pra cidade, passo no meio da roça. Sabe o que eu vejo muito? É gato. Gato, o gato tá selvageando.
Boletá
Gato nosso, gato.
Richard Rasmussen
O gato é doméstico, cara.
Henrique
Assassino. As pessoas abandonam o gato.
Boletá
Esse é o perdigão.
Henrique
Esse é o perdigão. Se você for lá na minha fazenda hoje, Richard, eu tenho acho que uns 50 gatos. Eu nunca levei um gato pra fazenda.
Boletá
De onde veio?
Henrique
Eu moro 10km da cidade, as pessoas abandonam. Entendeu? Abandona um gato.
Boletá
Você não vai largar a mão, né, irmão?
Henrique
E é um desequilíbrio que tá virando, mas...
Richard Rasmussen
Mas abandonam por quê? Porque as pessoas... Gato tem que ficar dentro de casa, as pessoas acham que é legal o gato dar um rolê.
Henrique
Aí o perdigão tá diminuindo, tão colocando a culpa no produtor na hora.
Richard Rasmussen
Aí o canaço, um monte de filhote, você libera o filhote. Solta. É que é crime mesmo.
Henrique
Eu moro a 10km da cidade, a gente não vence mais comparação pra gato.
Boletá
E a gata é a que tá acabando com o perdigão.
Henrique
eles caçam, tem o ovo do perdigão, tem o pintinho nasce lá, e você vê.
Richard Rasmussen
Faz no chão.
Henrique
E é algo que ninguém tá preocupando, ninguém tá falando. Vocês são biólogo. É um animal exótico.
Boletá
Eu sabia disso.
Henrique
E é o felino que tem a maior eficiência na caça.
Richard Rasmussen
Aconteceu esse negócio com o pirarucu, o pirarucu É. é um animal de... é um animal, né? Tem um pirarucu bonito pra colocar aí, é bem legal. O pirarucu é o maior peixe de escamas de água doce do planeta, é o maior. Fora que é lindo. É o maior, é a Amazônida. Ele tava à beira da extinção, até 4, 5 anos atrás, ele tava ameaçado de extinção. E hoje saiu. Porque não tinha valor, essa é a verdade. Os caras pescavam lá na Amazônia, faziam questão de controle e lacrimas, assim, não era um bicho que estava disseminado. Agora você vai num pão de açúcar aqui em São Paulo, você vai encontrar O que aconteceu? Criou demanda, criou valor. Quando tem demanda, não oficiosa, mas oficial, isso cria valor. As pessoas começaram a reproduzir o pirarucu. Hoje o pirarucu saiu da lista de extinção, ou seja, comer o pirarucu salvou o pirarucu. comer o pirarucu, salvou o pirarucu. Então, é isso que nós precisamos começar, é o uso dos recursos, isso que chamamos de manejo, uso de recursos.
Boletá
Olha você aí, olha lá. Olha o tamanho do bicho.
Richard Rasmussen
Essa é uma fêmea, fêmea prinha, que a gente foi lá na Uraguaia, que a gente gravou.
Boletá
Que loucura, mano.
Lucas Carioca
Tem pra vender, pirar o cu?
Richard Rasmussen
Pra cacete. Maravilhoso, um dos melhores. Tem que comer. Maravilhoso.
Lucas Carioca
É, eu não gosto de...
Boletá
É que você é muito chegar da peixe.
Lucas Carioca
Eu não sou de chegar da peixe e de água doce, não.
Richard Rasmussen
Mas esse é uma coisa diferente. Você já comeu bacalhau na tua vida? Bacalhau eu adoro.
Boletá
Você gosta?
Richard Rasmussen
É o bacalhau brasileiro.
Lucas Carioca
Ah, é?
Boletá
Pode comer.
Lucas Carioca
Mas faz o processo do bacalhau nele?
Richard Rasmussen
Eles tem também seco e tem um úmido. Mas a carne é maravilhosa, a carne é branquinha. Você vai amar, não tem pitiu, não tem cheiro forte, nada.
Lucas Carioca
E é caro pra cacete ou não?
Richard Rasmussen
Não, hoje já tá muito acessível.
Henrique
Ele é carnívoro, Richard?
Richard Rasmussen
Ele é carnívoro.
Lucas Carioca
O que que é carnívoro?
Richard Rasmussen
Ele come peixe.
Boletá
Come carne.
Henrique
Outros peixes. Inclusive a piranha, né?
Lucas Carioca
Pô, que peixe bonito, né, velho? Ele parece o bacalhau mesmo, né?
Richard Rasmussen
Ele respira ar atmosférico.
Boletá
Ele sobe e respira.
Richard Rasmussen
Ele respira a área atmosférica. Ele é um peixe antigo, a cabeça parece um ferro, é duro.
Lucas Carioca
E é de fundo, é de fundo não, ele sobe, né? Não, superfície. Superfície, né?
Richard Rasmussen
Superfície, é.
Henrique
E ele come a piranha sem ter problema nenhum.
Lucas Carioca
É, porque a piranha é uma praga.
Boletá
Mas comer piranha é gostoso, né? Caldo de piranha.
Richard Rasmussen
A gente é do tempo, nós quatro, da frase máxima que era aplicada em outras coisas, mas que serve pra tudo. Sabendo usar, não vai faltar. Sabendo usar, não vai faltar. Tem que usar os recursos naturais do Brasil.
Lucas Carioca
Se eu tiver que fazer uma pergunta, dois bichos que eu sinto muita falta. O que aconteceu? Fugindo até um pouco do tema, mas como o Richard tá aqui, eu tenho curiosidade. Eu via muito quando criança, dois tipos de... de insetos que eu não vejo mais. Borboleta. E o... E vagalume.
Richard Rasmussen
E vagalume. Por quê?
Boletá
No Itatubola. Hã?
Richard Rasmussen
Muita luz nas cidades. Muita luz nas cidades.
Boletá
E Tatu Bola sumiu também.
Lucas Carioca
Como assim? Muita luz nas cidades?
Boletá
É o Tatuzinho, aquele moleque pequenininho. O jardim de casa tinha 500, irmão.
Lucas Carioca
Por onde andam os vagalumes, as borboletas e os Tatu Bolas e os Tatuís das praias?
Richard Rasmussen
Os borboletas tem bastante. Os Tatuís da praia.
Lucas Carioca
Eu batia em camboinhas assim, caralho.
Boletá
O Tatuí que você pega aquele cano?
Lucas Carioca
É o branco, o Tatuí branco da areia da praia. Eu tinha um monte de Tatuí.
Richard Rasmussen
É um crustáceozinho.
Lucas Carioca
Chama Tatuí.
Boletá
Também não tem mais.
Lucas Carioca
E eu quando ia praia eu fazia assim, já tatuei na mão.
Richard Rasmussen
Mas posso dizer, eu acho que esse aí é porque você não tem ido mais a praia fazer isso.
Boletá
Faz tempo que você não vai pra praia.
Richard Rasmussen
É verdade, acho que acho que tem. Antes era criança e fazia sempre.
Boletá
Mas o vagalume é por causa da luz?
Richard Rasmussen
Vagalume é muita luz.
Boletá
Matar, matar sim.
Richard Rasmussen
Porque ele identifica os outros pela luz. Se você tem muita luz, então ele tá restrito a lugares mais escuros. Nas áreas urbanas, agora não tem mais.
Lucas Carioca
Tinha muito quando eu era criança. Muito vagalume.
Boletá
Mesmo no interior, já, para os lugares, você não vê tanto vagalume.
Lucas Carioca
Eu adorava, quando eu era moleque, brincar com vagalume, cara.
Richard Rasmussen
Ele tem, ele tá assumindo, ele precisa dar a luz pra identificar a questão sexual, né?
Lucas Carioca
Cara, eu via muito quando eu era molequinho, vagalume, cara.
Boletá
A borboleta ainda tá de boa.
Richard Rasmussen
A borboleta tá, tá.
Lucas Carioca
Por onde anda? Eu não vejo mais borboleta, cara. E olha, eu moro num bairro onde tem a ver o nome. Panambi. Panambi, é. É o lugar das borboletas. Panam, panam, panam, panam, né? É... e não vejo borboleta. Como eu via quando era moleque, eu lembro da cara da minha avó no jardim.
Boletá
Ah, mas você vivia em outro canto, né, irmão?
Lucas Carioca
Se eu me via no meio da cidade... É, eu vi em São Gonçalo, tinha borboleta. Eu não vejo borboleta.
Richard Rasmussen
Nas florestas tem muito ainda.
Lucas Carioca
Borboleta?
Richard Rasmussen
Tem muita isso.
Lucas Carioca
Muita borboleta lá?
Henrique
Tem, tem. Tinha... Seu Eurides Furtado lá, ele faleceu faz dois anos, era um produtor de abacaxi lá entre Nova Mutum e Nobres. O cara tinha, acho que ele tem mais 10 livros, publicação internacional sobre borboleta.
Boletá
Que legal, cara.
Henrique
Inclusive, ele catalogou mais de cinco espécies que não existiam, não eram reconhecidos ali de Nova Mutum ali.
Boletá
Porra.
Henrique
Ele, inclusive, a filha dele foi... casada com um primo meu que depois a gente perdeu, falecido, e era uma pessoa que você conversava com ele, não tinha noção do conhecimento que ele tinha, até quando ele faleceu, a Universidade de Mato Grosso fez uma homenagem pra ele pela contribuição que ele deu. Nessa questão da fauna.
Boletá
Dando um pouco de assunto também, Richard, hoje o que está considerado em processo de extinção no Brasil?
Richard Rasmussen
Quase todos os animais estão hoje ameaçados. Poucos estão... O low concern, que é o pouco preocupante. Mas você sabe que é esquisito isso, né? Porque olha como a gente trata isso emocionalmente. A gente tem uma espécie de arara que é uma arara, não tô falando de um insetinho, que falava um insetinho, que eu não vi, uma arara, uma arara é um bicho grande, que existia na Caatinga, que é a Cenopsida spixi, que é a ararinha azul da Caatinga. Não existe mais na natureza. Não existe. Não tem mais. Não tem mais. Ararinha azul. Tinha uma na natureza, uma em cativeiro, soltaram de cativeiro pra... pra morrer junto com a outra, né? Porque quando tá no processo, como esse já tá extinto, dois indivíduos não fazem nada, você precisa de uma população, né? O que que a gente deixou de fazer em algum momento? A gente deixou de fazer aquilo que ninguém quer fazer, por isso que eu falo.
Boletá
Essa aí?
Richard Rasmussen
Não, essa aí é a Arara Azul, é... e a Cintinos, é... porque tanto que eu tô na natureza, mas essa aqui deve ser um... Porque pra estar assim eu devo estar dentro de um zoológico, alguma coisa assim. Esse é a... A Nadorrincos e Ascentinos, a Arara Azul Grande, é o maior psittacídeo que existe. A Arara é a do Blue.
Boletá
Do Blue, do desenho.
Lucas Carioca
Ararinha Azul.
Richard Rasmussen
Ararinha Azul. Existia na Caatinga, ela é da Caatinga, e ela foi diminuindo a população, sei lá, porque a palmeira que ela reproduzia não tinha, porque o índio fazia cocar, porque tinha tráfico de animais, uma série de fatores que a gente nem sabe definir qual foi, foi sumindo. O que que nós deixamos de fazer? ir até a floresta, pegar um grupo de machos e fêmeas, botar atrás de jaulas, chama Conservação Exito, é um nome bonito pra isso. Reproduzir pra ter um banco gênero e falar, pô, apertamos uma segurança aqui, que se esse bicho desapareceu. Desapareceu, não fizemos isso, tá. Aí tem um cara na Alemanha que tem 300.
Boletá
Trezentas?
Richard Rasmussen
Trezentas. Tem um cara na Arábia que tem cento e tantos. Esses bichos estão pelo mundo inteiro. Que saíram como? Através do tráfico. Ilegal.
Boletá
Sim, são no Brasil, então. Fora, tem.
Richard Rasmussen
Sim, mas é um bicho brasileiro. Esse cara não deviam. Esses caras foram, esses caras foram receptadores do tráfico.
Henrique
Mas preservou a espécie.
Boletá
É.
Richard Rasmussen
É, tem um lado ruim e um lado bom. Primeiro, eles são receptadores do tráfico. Segundo, talvez fosse a causa principal. Só que, ainda bem que tem lá,
Boletá
porque senão não ia ter mais. O bicho só existe por causa deles, né?
Richard Rasmussen
Exato, existe por causa deles. Eles estão reproduzindo esses bichos lá, tá? Lá fora, a menos 4 graus de temperatura, coisa que a gente aqui não conseguiu ainda fazer aqui no Brasil. Mas beleza, vamos lá. Então nós fomos lá, pegamos uma ararinha, trouxemos agora, estamos tentando botar ela na natureza, já deu um problema porque deu uma doença nelas que é uma coisa séria, tivemos que tirar, mas enfim. O que eu quero dizer com isso? Os sites, olha como é louco isso, como nós ponhamos a emoção em cima da razão. Nós, infelizmente, os caras que prestaram concurso, muitos que prestaram concurso, muitos que foram pro meio ambiente, foram tomados, foram com essa coisa, eu amo bicho. Claro que eu amo bicho, mas por amar bicho, eu preciso fazer coisas que são importantes, né? Então, o meio ambiente tem que estar com pessoas que pensam primeiro no que tem que ser feito. O CITES, que é um comitê, Commissioned Endangered Trading Species, é um comitê, que nós somos sinatários, que põe todos os animais do mundo, põe eles em níveis de extinção. Então, é nível 1, nível 2, nível 3, dependendo se é mais ameaçado, o CITES 1 é mais ameaçado, ela é CITES 1, mais ameaçado. O que que ele recomendou pro Brasil? Sugerimos ao Brasil, pegar a Arara Cyanopsis Dispixi e a Arara Liliar, que é uma Arara também outra da Caatinga, que também é super ameaçada, e colocar elas em planos de reprodução comercial, assim como tem da Ararinha Azul. A Arara Azul tem. Eu tenho uma Arara Azul.
Boletá
Ah, tá. Tem, tem mesmo.
Richard Rasmussen
Comprei de um criador licenciado.
Henrique
Como você compra um benefito australiano?
Richard Rasmussen
Como você compra? Exatamente.
Boletá
Sim, de um criador autorizado pelo Ibama.
Richard Rasmussen
Não. Tipo assim, vidas não se vendem, não vamos colocar essa... Falei, como não se vendem? Se vendem, tanto que teve um cara que comprou. Então, enquanto tiver gente, você quer mudar as pessoas.
Boletá
Prefere extinguir a espécie do que... Você
Richard Rasmussen
quer mudar as pessoas, você não vai conseguir, você não tem tempo pra mudar as pessoas. Talvez um dia, daqui a mil anos, sei lá. Mas assim, enquanto o homem quiser um animal dentro da sua casa e for... Nós temos que dar, fazer com que não a natureza forneça isso. Um criador forneça isso. Porque aí o cara não tem que chegar da natureza. É tão simples e óbvio isso, cara, que chega a ser, assim, deprimente a gente ver esse tipo de atitude. O Brasil tem que entrar nisso com outra mente. Ah, mas eu não gosto de ter uma arara. Não tenha!
Henrique
Não tenha, mano!
Richard Rasmussen
Mas alguém vai querer ter e a gente precisa oferecer isso legalmente.
Henrique
Do mesmo jeito que você tem que cobrar compromisso, por exemplo, de quem cria um pet. Se você tem um gato, é pra cuidar bem dele, não pra soltar e esse animal virar uma espécie.
Boletá
É isso aí, tem razão.
Lucas Carioca
Entendi, que loucura. Ô Lucas, como é que tá mudando de assunto? O Brasil, a gente sabe que o Brasil adora fornecer coisas pra fora brutas, o minério, a gente não manufatura, a gente deixa de ganhar muito mais, a gente exporta o aço pra comprar o carro lá de fora.
Henrique
Sim.
Wesley
Né?
Lucas Carioca
Como é que tá essa situação com o agro? Por exemplo, o milho, ele vai bruto, a gente tá processando, manufatuando. Como é que tá essa cadeia? O Brasil tá se especializando, Mato Grosso, por exemplo. Fale pelo Mato Grosso que você é de lá. Como é que tá essa situação de pegar o produto tipo algodão, soja, milho, agregar mais valor para exportar não só o grão em si, e sim manufaturar para que a gente até fature mais.
Henrique
É algo que às vezes eu me pergunto e me cobro. E a gente sabe que a sociedade cobra muito isso da gente. Ah, o Brasil é um exportador de matéria-prima e não processa aqui. Realmente, acho que todo mundo tem essa visão, a verticalização é um caminho, porém, como que nós competimos com outros países se os caras têm energia elétrica mais barata, os caras têm imposto? mais barato menos burocracia. Então aos poucos sim você tem eu vou dar um exemplo fantástico. Dias atrás o ex-ministro Cabreira me encaminhou da Indonésia que agora aprovou a adição do B50 ou seja o biodiesel 50%. Enquanto os caras já aprovaram e homologaram a utilização de 50% aqui no Brasil nós estamos ainda brigando para passar dos 16%. E os Estados Unidos, quando teve a Primeira Guerra Comercial, Estados Unidos e China, lá em 2019, eles eram o maior exportador de soja do mundo. Hoje, praticamente, eles estão processando tudo. Hoje, o ano passado, nós exportamos só pra China, 86 milhões de toneladas de soja. Os Estados Unidos exportou aproximadamente 20. Por quê? Porque eles estão investindo pesado no uso de biocombustível. que é uma das alternativas que além de ser verde e limpo ele também traz segurança energética para nós nós tivemos o fechamento do distrito de Ormuz se nós tivéssemos mais oferta de biocombustível nós ficaríamos menos dependente esse ano estava faltando diesel durante a safra o pessoal racionando nós podíamos perder a nossa colheita desperdiçar alimento por falta de E agora o
Boletá
bicho voltou a pegar lá.
Henrique
Agora de novo. Então nós temos que acelerar o uso de biocombustível no Brasil. E lembra do exemplo que eu dei do etanol de milho mais de 300 reais de arrecadação. O biodiesel não é diferente da soja. Então nós vamos aumentar a arrecadação, a industrialização, geração de emprego.
Boletá
O álcool está indo bem a cana.
Henrique
muito bem, só que hoje o milho tem oferecido mais viabilidade econômica e você produz ao mesmo tempo energia e alimentos. E antes quando nós falamos do eucalipto, o eucalipto também tem toda uma cadeia, você tem o cara que é especializado em plantar, o cara que é especializado em cuidar, porque é uma plantação, você tem que cuidar de pragas, o cara que é especializado em colher, O cara que é especializado em adaptar. E lá na usina, quando você utiliza essa energia, é aproveitado até o excedente do calor, porque lá tem uma biocaldeira. Só a usina de Nova Mutumbo, que ela processa, ela gera energia elétrica para uma cidade de mais de 60 mil habitantes. Só com o vapor remanescente da usina. Então, você aproveita em toda ponta aquela energia e gera acaba também tendo maior oferta energética, que é mais barato. A fábrica, além de ser autossuficiente em energia elétrica, ela tem energia pra vender.
Richard Rasmussen
Você tem isso na escola.
Henrique
Hoje o Brasil processa... Por que que
Lucas Carioca
não tem isso na escola, Lucas? Por que que vocês não se movimentam pra começar junto ao Ministério da Educação,
Henrique
porque tem que ser... Já está sendo feito.
Lucas Carioca
É, tem que ter isso, cara.
Boletá
Cara, uma pessoa que eu...
Henrique
O cara que eu sugiro vocês trazerem aqui, que é um ser humano fantástico, foi o ministro mais novo da história do Brasil, é o Antônio Cabreira. O cara é uma enciclopédia humana em termos tanto de cultura quanto de conhecimento de agricultura. e ele tem um trabalho chamado de Olho no Material Escolar, ele é uma das pessoas que lidera isso, e eu não tô falando número vago, eles fizeram um levantamento hoje, 60% do conteúdo de material escolar feito pelas escolas hoje, ele fala mal do agro.
Richard Rasmussen
Porque é de 50 anos atrás.
Henrique
E somente 3%, somente 3% que eles constataram que tem... Comprovação científica, o restante é tudo opinião. Então, peraí, cara, vamos ser sérios. E o nosso país é naturalmente agro, o clima nosso favorece, tudo favorece, nós temos um potencial de indústria. Agora, bola, como que nós vamos também falar industrializar enquanto nós temos 30 mil quilômetros de ferrovia? os Estados Unidos tem mais de 230 mil quilômetros. Como que nós vamos competir o nosso farelo de soja industrializado, o nosso biodiesel pra exportar com o americano, já que eles jogam num trilho de trem, eles não pagam... Eles gastam menos da metade que nós pra levar pra qualquer lugar do mundo pela eficiência logística que eles têm.
Lucas Carioca
Mas como é que tá sendo esse trabalho hoje, por exemplo? governamental, o PPPs, para melhorar. É, eu acho um absurdo uma soja sair de Rondonópolis e vir parar no Porto de Santo de Caminhão.
Boletá
É o maior jeito é vir com imóvel.
Henrique
Então, isso é engraçado porque hoje nós temos a ferro-norte, que interliga Rondonópolis a Santos, mas mesmo assim ainda vem caminhão, porque como nós não temos concorrência, nós não temos a ferro-grão, que aqui eu tenho que destacar hoje, olha só...
Lucas Carioca
O que que tá faltando pra ferro-grão sair? Vamos lá.
Henrique
Menos ideologia, é 900km, não tem um palmo construído ainda, essa ferrovia, praticamente todo o traçado dela, mais de 90% do traçado é dentro da área de domínio da BR-163, não tem que desmatar. A única área que seria desafetada, na reserva do Jamanxim, que seria 800 hectares, que seriam, e vai ser dada uma compensação de 51 mil hectares para compensar esses 800 hectares. Isso ficou travado quase cinco anos no STF e agora, dias atrás, que foi liberado, somente isso que foi ajuizado, porque o pessoal vai pôr mais ação pra tentar impactar. Se construída essa ferrovia, 3,4 milhão de tonelada de carbono seriam emitido a menos por ano.
Richard Rasmussen
Mesma coisa com a hidrovia, nós paramos com a hidrovia. Paramos, a gente deixou isso. Por ano.
Henrique
Só na economia de Mato Grosso ficaria oito bi por ano, que seria aquele exemplo dos cem reais que ficou no hotel, oito bi ficaria por ano, seria economizado de frete.
Boletá
Só por causa da ferrovia.
Henrique
Porque você teria concorrência. Hoje o problema da ferro-norte é que ela não tem concorrência. Só tem ela. Então no pico da safra, quando tem muita procura, que nós temos o gargalo da armazenagem também, o frete rodoviário e ferroviário fica igual. Às vezes até o ferroviário fica mais caro, porque não tem caminhão.
Boletá
Então.
Henrique
E aí nós teríamos viabilidade econômica, viabilidade ambiental, porque você diminui, e nós seríamos mais eficientes pra competir com outros países.
Lucas Carioca
Mas tem alguma previsão pra sair ou não? Como é que tá? E que pé tá isso?
Henrique
Então hoje graças a Deus o governo teve um olhar já está andando o processo dentro da NTT na metade do ano que vem já deve ir a leilão a concessão inclusive o governo nesse ponto tem que falar e parabenizar nesse ponto porque eles permitiram o processo de concessão mesmo travado no STF se no STF não tivesse destravado eles iam ter que segurar, mas pelo menos eles deixaram andando.
Lucas Carioca
Já adiantou o processo.
Henrique
Mas vai demorar pelo menos uns 10 anos ainda pra construir essa ferrovia, que faz mais de 20 anos que a gente trabalha.
Lucas Carioca
Mas por que leva 10 anos pra construir uma ferrovia?
Henrique
Porque o Macron vem aqui, pega na mão do cacique Rauny e fala que isso vai ser prejudicial pra natureza, enquanto que ele é o presidente da França.
Lucas Carioca
Que destruiu tudo.
Henrique
Que junto com a Alemanha, tem o mesmo tamanho do território do Mato Grosso, França e Alemanha, eles têm 70 mil quilômetros de ferrovia, nós temos menos de 400 operando hoje. Agora tivemos a inauguração de mais 100 e poucos quilômetros.
Boletá
Mas como só cuidar da vida dele e da mulher dele?
Henrique
E ele vem dar pitaco aqui pra nós.
Boletá
Quero falar sobre isso.
Lucas Carioca
Quer dizer, mais 10 anos pra construir uma rodovia de quantos quilômetros?
Henrique
900 quilômetros.
Lucas Carioca
Dez anos.
Henrique
Dez anos, pra chegar de Sinop até Merituba, que é... O povo chama Porto de Merituba, mas na verdade lá é uma estação de transbordo, que vai pra Barcaça, da Barcaça sobe pra os portos mais ao norte, onde que embarca o navio e vai pro mundo inteiro.
Richard Rasmussen
E os caras lá na Europa fazem o que querem, aquele que se foda, mano. Os alemães, quando acabou o gás russo, eles foram lá, eu sou filho de alemão, meu pai contava as florestas lá de Teuteburgo, onde os saxons... Foram pra baixo. Puseram pra baixo as florestas em Teutoburgo e queimaram. Os caras lá aumentaram a temperatura do carvão mineral, que é altamente poluente.
Henrique
E que se foda o resto do planeta.
Richard Rasmussen
Cadê o protocolo de Kyoto? Foda-se o protocolo de Kyoto, cara. Então assim, eles fazem o que querem e ficam exigindo a gente cada vez mais, entendeu?
Henrique
E é legal eles andarem de Tesla, que é tocado a usina de carvão.
Richard Rasmussen
O que adianta ter um carro elétrico lá? Quando acaba a bateria, você enfia na parede e a parede tá te dando o que? A tomada. Carvão mineral, bola.
Boletá
Tem que derrubar árvore.
Richard Rasmussen
Carvão mineral, porra. Então assim, cara, não tem sentido nenhum, cara.
Boletá
É, maturma é. E como é que nós estamos de maquinário aqui no Brasil? Já tá modernão também?
Henrique
Muito moderno. Legal você falar isso.
Boletá
Isso eu gosto muito, cara.
Henrique
Porque até o Cabreira sempre fala, ele fala que a soja, o grão da soja tem mais tecnologia que um iPhone, porque você imagina todo esse ecossistema genética, nós transformamos uma planta temperada em uma planta tropical, nós colocamos o dobro da produtividade que é onde ela é nativa e tem todo esse maquinário, esse ecossistema que tem uma tecnologia violenta. Uma das marcas, das principais marcas esse ano lançou uma máquina que ela vai fazendo uma leitura por infravermelho antes de colher, tipo a três metros antes da plataforma, ela sabe qual que é a produtividade que vai dar essa soja, o grão, ela já vai ajustando as peneiras, o vento, todo o sistema industrial, porque uma colheitadeira é uma indústria que anda, ela pega o pé de soja e tira o grão, limpa e devolve a palhada pra lavoura, ela se ajusta, praticamente daqui a pouco o operador vai só pilotar, porque ela faz todo o ajuste que antes era um cérebro humano e tinha que fazer, ela vai se ajustando automático. Então, eu tive um exemplo em 2010, foi o ano que nós começamos a utilizar na nossa propriedade, a maioria dos produtores, o piloto automático dentro das propriedades. E aí eu achei engraçado que em 2019 eu fui para os Estados Unidos numa conferência de agricultura e eu encontrei um dos ex-presidentes da Associação Norte-Americana dos Produtores de Soja. E ele falou que ele veio para o Brasil, acho que em 2013, numa fazenda, andou durante o plantio num trator, viu o piloto automático, viu que tava funcionando bem, daí ele voltou pros Estados Unidos e comprou pra fazenda dele.
Boletá
Que legal!
Henrique
Que o piloto automático, ele foi criado lá, mas ele foi desenvolvido e viabilizado aqui no Brasil. Então...
Boletá
O negócio é foda, mano.
Henrique
O meu pai foi em 97 para os Estados Unidos e ele falou, ó, eles estão 50 anos na nossa frente hoje.
Boletá
É, então.
Henrique
A gente tá igual em algumas coisas, a gente tá na frente. Um exemplo é a produtividade de soja, nós produzimos mais que eles. E o milho a gente perde, mas vamos chegar lá, nós vamos preparar saídas.
Boletá
Um último episódio da Fazenda do Clarkson, ele arou e plantou os grãos sem motorista, sem nada, tudo via satélite.
Henrique
Mas ainda ele cometeu um crime, ele arou, nós não aramos.
Boletá
É, lá alisaram, alisaram a porra toda e foda-se. Mas lá passou a máquina, e atrás vinha plantando o grão, tudo GPS, e do cara, a máquina que estava vindo, parou. Falou, caralho, quebrou essa merda. Ele foi ver, tinha um ninho. Tinha um bichinho. Tinha um ninho. A máquina leu que tinha um ninho e parou. Tinha um ninho e parou. Demais, cara. Mas assim, fez sem nada. Ele só via no celular, se tava andando e beleza, arou e arou e plantou. Colher, colher, colhedeiro, trator do lado, enfim.
Lucas Carioca
E agora, como é que tá essa questão, o drone, né? O drone é uma evolução.
Henrique
É uma revolução, né?
Boletá
O drone é o tamanho dessa mesa, né?
Lucas Carioca
Uma revolução.
Henrique
Já tem produtor que tá trocando a aviação agrícola pelo drone. E tem produtor também que tá tirando o pulvisador autopropelido só pelo drone. É uma nova revolução e tem muito a evoluir, ainda está nos primórdios, mas vai evoluir, mas está sendo muito usado, muito ampliado.
Boletá
Um negócio gigantesco, né cara?
Henrique
Tem uma eficiência fora do comum, vai permitir também outras culturas, que eu falo que o Mato Grosso ainda também, o Mato Grosso e o Brasil, Nós estamos nos primórdios da agricultura.
Boletá
Sim.
Henrique
A parte de hortifruti e granjeiro, o drone vai viabilizar muito para o pequeno produtor, que às vezes ele tem dificuldade de contratar pessoas para trabalhar, braçal, para fazer aplicação. Se expor menos ao defensivo com o drone, ele vai resolver tudo isso.
Richard Rasmussen
Exatamente.
Henrique
Futuramente, esses estados tropicais vão virar Califórnias aí.
Lucas Carioca
É porque o hortifruti, ele é muito próximo às grandes cidades, né?
Wesley
Exato.
Lucas Carioca
As plantações. As plantações, porque Santa... É muito perecível.
Henrique
Exato.
Lucas Carioca
Santa Fresta. Então, por exemplo, pega aqui, Ibiúna, que é, sei lá, 60 quilômetros de São Paulo. Pô, é um grande produtor de hortifruti, né?
Wesley
É.
Lucas Carioca
A sua área mesmo ali, Cotia, deve ter muito produtor.
Henrique
É, e isso já não é... Ô, perdão.
Lucas Carioca
Eita.
Henrique
Não estraguei o áudio?
Lucas Carioca
Peraí, não vai estragar.
Boletá
Só desligar.
Lucas Carioca
Não vai estragar. Desliguei, porque aí não queima. Fica tranquilo. Fica tranquilo, Lucas.
Richard Rasmussen
É, tudo bem.
Henrique
Poxa, fui derrubar em cima.
Lucas Carioca
Não, não tem problema, relaxa.
Wesley
Relaxa.
Boletá
Você manda um trator pra nós, Lucas, não esquenta a cabeça.
Lucas Carioca
Não, relaxa.
Boletá
Tá tudo certo, né?
Richard Rasmussen
Tá tudo certo, né?
Boletá
Tá tudo certo, irmão.
Lucas Carioca
Eu vou desde moleque... Joga aqui o paninho.
Boletá
O que você quer, Oscar? O que você quer, seu vagabundo?
Lucas Carioca
Vamos lá.
Boletá
Ó o Oscar ali, ó. Ah, vem aqui, Oscar.
Richard Rasmussen
Meu Deus, que oxente.
Henrique
Cara, que besteira.
Lucas Carioca
Não, relaxa, meu irmão, relaxa. Tá em casa, tá em casa. Já resolveu.
Richard Rasmussen
Oh, meu Deus. Pronto, pronto, pronto.
Wesley
Tá resolvido.
Lucas Carioca
Vê o cachorro aí, bola.
Richard Rasmussen
Cachorro do... Oh, meu... São muito carinhosos esses caras aí, mano.
Lucas Carioca
É o quê? O francês?
Boletá
Não, isso aí não é... É francês.
Lucas Carioca
É francês também?
Boletá
É grandão.
Lucas Carioca
É um joguinho.
Boletá
Arrumcador também. Já vai ver o tio Rígido. Já vai ver o tio Rígido. Ele tá com uma licença.
Lucas Carioca
Arrunca pra caramba, né? Mas vamos lá, Lucas. Vamos lá, continuando aí a... Pode deixar, Lucas.
Wesley
Relaxa.
Lucas Carioca
Pronto, dá pra ligar.
Henrique
Será que vai, cara?
Boletá
Ah, já foi. O importante é secar. Secou, tá tudo certo.
Wesley
Ai, meu Deus.
Henrique
Eu não posso pegar.
Lucas Carioca
Você não coloca.
Richard Rasmussen
Aí. Próra.
Lucas Carioca
Bora, Richard. Bom, vamos lá. Voltamos, voltamos.
Boletá
Onde paramos?
Lucas Carioca
Voltamos, voltamos, voltamos.
Richard Rasmussen
Alô, alô, alô, alô.
Boletá
Puta susto, coitado.
Henrique
Da tecnologia.
Lucas Carioca
Eita. Tá ruim aí, bola?
Boletá
O meu tá bom.
Richard Rasmussen
O meu tá bom.
Henrique
Tá saindo aí o áudio.
Lucas Carioca
O meu tá ruim. Alô, alô, alô. Agora o meu tá bom, o meu tá bom, o meu tá bom.
Henrique
Tá bom.
Lucas Carioca
Tá bom aí o seu?
Boletá
O meu tá ótimo.
Henrique
Eu tô ouvindo todo mundo.
Lucas Carioca
Então, beleza.
Boletá
Não queimou nada.
Lucas Carioca
Mas vamos lá, vamos lá, vamos lá. A gente tava no Hortifruti, correto?
Henrique
Exato.
Lucas Carioca
Lá na... Esse tipo de manejo, ele é mais próximo às grandes cidades, né? Alface...
Richard Rasmussen
É, tem que ter fresquinho, né? Mais perecível.
Henrique
Mas você encurta isso com a logística, né?
Boletá
É, então, exatamente.
Henrique
A partir do momento que a gente tiver trilho de trem, você põe um container lá, refrigerado, em cima... Puta mal na roda, é. Nós mandamos pro mundo inteiro, né?
Lucas Carioca
Manda pro mundo inteiro.
Boletá
Tem razão.
Lucas Carioca
Manda pra o mundo inteiro.
Richard Rasmussen
É, a Amazônia agora, eu tô fazendo uma série sobre a Amazônia, sobre pequenos produtores da Amazônia, porque a gente acha também que o agro é tudo grande, né? E o Brasil é construído essencialmente pelos pequenos produtores, né? E a Amazônia é um modelo que precisa, né? Porque você vê aquela estrada que eu percorri lá. Tudo é caro, eu parei pra comprar uma camiseta, eu gastei acho que 600 reais numa camiseta e num shorts, cara.
Boletá
Na Gucci do que?
Richard Rasmussen
Não, pois é, a mulher falou disso, mas infelizmente é porque aqui é caro pra chegar. Não tem, não tem estrada, os caminhões, o custo é agregado, né? O valor do produto, né? Então, o que nós temos que ter? Nós temos que ter estrada, acesso, nós temos que ter pequenos produtores produzindo Amazônia, produzindo, porque senão fica tudo caro, tudo que tem que chegar de longe pra Amazônia. Por que virou uma maldição nascer na Amazônia? Minha mulher é de lá, né? Virou uma maldição, cara, porque você tá... Tudo é mais caro, tudo mais complicado, sabe?
Lucas Carioca
Como é que tá a Amazônia hoje em relação, por exemplo... Desmatamento. É, desmatamento, mas parece que tá... Tem muito problema de violência, né, em relação à falta de segurança nos rios. Isso confere?
Richard Rasmussen
Isso confere, em alguns... Na calha ali dos... Pessoalmente dos Solimões ali, você tem pirataria. É rota de droga, né? É rota de droga, e tem guerra entre os caras das drogas também.
Henrique
É até mesmo o transporte de grão, teve relato ali de barcaça, até chegar nos portos mais ao norte, aonde que passa pra navio, o pessoal tem que investir em segurança, porque às vezes os caravãos sequestram as balsas, cobra resgate, entendeu?
Boletá
É a pirataria mesmo, né?
Henrique
Então, essa parte tem que combater. Tem algo legal da Amazônia, eu pude... Dois anos atrás eu fui pra Manaus, a gente visitou o pessoal lá da... Uma indústria que tem lá, Bertolini, a gente vê muito na BR eles passarem, eles trazem muito de Manaus, televisão, eletrodoméstico, que é produzido na Zona Franca. E eles têm fábrica de carroceria de caminhão, eles fabricam barcaça, e fabricam, eles tem essa parte de logística, eles dominam.
Boletá
Tão fraco, né?
Henrique
Legal, e uma coisa legal que eles fizeram lá, Richard, e até seria legal a gente conhecer, eles falaram pra nós, eles fizeram uma balsa, que é uma indústria de açaí, Dentro, é um barco, um navio, dentro do rio, a própria Bertolini fez, e eles estão industrializando, eles vão nas cooperativas do povo que mora ali, encosta essa balsa aí, pega a produção deles, processa tudo ali dentro do navio já, vem um outro barco, carrega o produto processado, leva, e aí eles vão indo na beira do rio, encostando nas comunidades e processando açaí. Então, quanto que a gente tem pra avançar, quanta riqueza tem na Amazônia de forma sustentável, basta ter logística, incentivo, investimento...
Richard Rasmussen
A Amazônia não é só castanha e açaí, entendeu? Isso aí é rústico.
Boletá
Não é. Fala que tem remédio aí.
Richard Rasmussen
A Amazônia é tudo. A Amazônia, sabe o que é mais? É mineral. Isso que ninguém pensa. Porque a floresta cresce de novo. É madeira e é recurso. A riqueza da Amazônia tá embaixo do solo.
Henrique
Até o legal disso é o fertilizante. Hoje o Brasil, quando a gente fala, nós somos o celeiro do mundo. Até onde nós somos o celeiro do mundo, nós importamos 85% dos fertilizantes. E o nosso solo tá repleto de nutrientes. Nós podemos ter todos os nutrientes aqui, dentro do nosso país.
Boletá
Aí... Exporta quanto, você falou?
Henrique
Nós importamos 85% pra nossa produção agrícola, o maior exportador de alimentos do mundo tem que importar 85% do fertilizante pra produzir.
Lucas Carioca
E não precisava, a gente poderia ser autossustentável.
Henrique
Não precisava, a Amazônia é riquíssima, dá pra explorar com sustentabilidade. Aí sabe o que a gente faz? Nós compramos potássio do Canadá, que é retirado dentro de uma reserva indígena, que eles recebem em royalties e é investido dentro daquele povo indígena e se desenvolve. E nós aqui não podemos fazer para melhorar as condições dos nossos indígenas e realmente trazer segurança alimentar, porque agora nós estamos com impasse. Nós temos aproximadamente de 40, 30% do fósforo para a próxima safra que não foi comprado por conta do fechamento do distrito de Ormuz. e que tá com preço altíssimo, mesmo que abri, talvez não viabiliza. Isso pode dar quebra de safra. Isso é ameaça na segurança alimentar, é ameaça na arrecadação, ameaça na exportação. Porque a partir do momento que a gente perde exportação, outro ocupa nosso lugar lá fora no mercado. Será que depois a gente reconquista isso? Então, isso é um golpe para a nossa economia. E nós tínhamos que estar discutindo isso aqui no nosso país.
Lucas Carioca
E não está sendo discutido.
Richard Rasmussen
Não está sendo da maneira que é. Carajás, por exemplo. Carajás é um buraco, né? no meio da, que é uma mineração, que tá no meio da Amazônia, e cara, já se paga a conta da proteção? Que que protege? Porque a gente é engraçado, a gente fala assim, a gente tem, porque isso que eu falei no papel, 30% do Brasil hoje tá protegido de terra indígena e unidade de conservação, mas está protegida mesmo? Entendeu? Porque o papel não protege. Quando a gente fala que os 26%, quase 30% das áreas agrícolas estão protegidas pelo Código Florestal, estão protegidas mesmo, porque tem um satélite que aponta, tem um
Henrique
CPF... 25% do território nacional é dentro de propriedades particulares agrícolas.
Richard Rasmussen
Exatamente. Então, quando um cara faz qualquer tipo de desmate, por exemplo, na hora toca o sino da porteira e vem alguém porque o satélite acusa. Agora, e nos parques nacionais? Nós estamos protegidos de verdade? Você acha que ninguém entra no parque nacional? Terra indígena não sai madeira? Desculpa.
Boletá
Garimpeiro.
Richard Rasmussen
Desafio. Garimpo. Eu desafio. Se alguém vier falar comigo isso, eu posso mostrar coisas, entendeu? Então, assim... Como que a gente tem que fazer? A gente tem que botar dinheiro lá dentro. Então, por exemplo, um Carajás. Carajás é uma mineradora, né, que tá ali, que é a Vale, e ela é um buraco, tudo bem, só que protege uma área gigantesca de floresta, porque ela tem dinheiro pra fazer isso. É o dinheiro que gera tudo isso, bola? As pessoas, romantizado de um dinheiro, capitalismo...
Lucas Carioca
E não tem novas licenças, novas carajás sendo implementadas no Brasil?
Richard Rasmussen
É isso, e tem que estimular. Em parques nacionais tem a indígena, tem muita coisa. Lá na terra, de onde vem o lado do Mato Grosso, de onde vem o Lucca, tem os índios parecidos. Agora não é índia, é indígena, desculpa. indígenas parecidos. Não sei, mas quem falou que não pode falar índio? Alguém falou que agora é isso.
Lucas Carioca
O que que é feio falar índio, índio é moda hora.
Richard Rasmussen
Você vai um indígena e pergunta se ele se importa com isso.
Lucas Carioca
Claro que não.
Richard Rasmussen
É sempre quem não é que tá importado com esses termos, que tá fazendo para lacrar.
Lucas Carioca
Índio vai, vamos ceder. Não vamos ceder.
Richard Rasmussen
Não vamos ceder, né?
Lucas Carioca
Não vamos ceder.
Richard Rasmussen
Aí vão lá, o que que tem os parecidos? Precisa de uma das maiores terras que existe indígena do Brasil. Eles plantam 1,4%. Antes, os caras que viviam lá, os jovens, não ficavam em casa, porque é bonito ser indígena, ou índio, enfim. O cara vive com fome, sem saúde, pelado no meio do mato, com muriçoca picando, tem que sair pra caçar os ursos. O cara fala, não quero ficar nessa merda não, eu vou trabalhar pro agronegócio. Aí ele sai da terra dele e vai trabalhar pro agronegócio que fica em volta. Aí ele chega ali, ele olha e fala, pô, É a mesma terra que tem em casa.
Wesley
É.
Richard Rasmussen
Mesma terra. Por que que eu não posso plantar lá? Quero plantar lá. Os caras parecidos conseguiram isso, foi uma luta grande, 1,4% da terra deles. Eu vi colheitadeira de 5 milhões de reais com um cara de 20 anos, índio, lá parecido, indígena parecido, pilotando aquela merda e colhendo. Isso é progresso. Vai uma ONG dessas aí tentar vender facilidade pra eles. Não, temos que nos juntar. Vamos juntar a casa do cacete. Eu tenho a melhor internet da cidade, tá dentro da terra indígena. Lá tem saúde, comida. Ah, você quer ser advogado? Não tem problema. A cooperativa nossa aqui, Copihana lá, nós vamos pagar a tua vida lá.
Lucas Carioca
Tá tendo isso hoje, os índios estão fazendo esse movimento.
Richard Rasmussen
E vem gente do Brasil inteiro aprender com esses indígenas. Eu sou da seguinte filosofia, o indígena resolve o que ele quer fazer. E às vezes não é só a questão...
Lucas Carioca
Mas ele tem essa autonomia? Ele tem essa autonomia?
Richard Rasmussen
Não, mas tem que ter.
Lucas Carioca
Mas eles têm ou não?
Richard Rasmussen
Não, porque tem os caras da ONG vendendo coisa lá, tem os... A FUNAI tá fechando as portas. Depende muito. Tem FUNAI em épocas boas e FUNAI em época ruim, porque depende também de quem tá liderando a FUNAI, quem tá lá na FUNAI.
Lucas Carioca
Como é que tá? Aqui não é mais FUNAI, é o que agora?
Boletá
É FUNAI.
Lucas Carioca
É FUNAI ainda? É indígena. Fundação Nacional Indígena, é isso?
Richard Rasmussen
O que a FUNAI deveria fazer? Proteger o interesse do índio? Deveria fazer o quê? O que você quer fazer? Eu quero ficar escondido aqui pelado no meio do mato. Ok, nós vamos proteger esse teu direito. Não, eu quero... Tá aqui, eu quero... O que que tem? Dá pra plantar aqui? Então vamos ajudar você a produzir uma pequena faixa. O que que tem aqui? Madeira? Vamos ajudar você a explorar madeira, porque já é explorado. Já é hoje explorado, só sai ilegal. Minério já é explorado, só que sai ilegal. Por que não regulamentar tudo isso? Quem que ganha com isso? É a pergunta que fica. Quem que ganha com isso? Tem muita gente ganhando dos problemas, tá? E não querendo resolver o problema.
Lucas Carioca
É claro.
Richard Rasmussen
Vamos pensar sobre isso. Essa é verdade.
Lucas Carioca
Quer atender o telefone aí, Boleto?
Boletá
Vamos lá, rapidinho.
Lucas Carioca
Vamos ver se tem alguém na linha. Aqui. Você pode entrar na nossa plataforma. Tá aí o link na descrição do chat. Você pode entrar aí. Entra em nossa plataforma. Você pode ligar aqui. Você pode mandar o superchat. Sei que vai ter que soltar o superchat da hoje. Tô sem iPad hoje.
Richard Rasmussen
Tá bom.
Boletá
Quem fala?
Lucas Carioca
Olha, deu um bizinho.
Wesley
Wesley, tô aqui de Limeira.
Lucas Carioca
Opa, fala aí.
Boletá
Como é que você chama, irmão?
Wesley
Wesley aqui de Limeira, bom dia.
Lucas Carioca
Tudo bom, Wesley?
Boletá
Bom dia, Wesley, tudo bem? Como é que você tá?
Wesley
Bom dia ao Richard, bom dia ao Bodo, bom dia ao pessoal por aí, ao Lucas.
Richard Rasmussen
Bom dia.
Wesley
Cara, graças a Deus, bem, primeiramente, parabéns pela pauta, parabéns pelo espaço, porão.
Boletá
Obrigado, irmão.
Wesley
hoje em podcast e tudo mais, e é muito importante isso. Um tema que vocês falaram aí, que até o Lucas levantou, que é a parte da energia renovável, né? Aqui no interior de São Paulo, nós temos muito a produção de cana-de-açúcar e a laranja. E é pouco explorado esse reuso do bagaço de ambos os produtos para a produção do biocombustível, da energia renovável. Falta um pouco de incentivo pela parte do governo e interesse também dos municípios na produção dessa energia e vamos dizer o aumento do consumo depois abaixar também imposto abaixar tudo isso nessa energia renovável.
Boletá
Entendi.
Lucas Carioca
E você e você é produtor rural.
Wesley
A minha família é produtora rural de bagaço de laranja a gente produz laranja
Richard Rasmussen
Deve ser lá perto de Colina, não? Onde vocês estão? Aqui a gente está em Limeira.
Lucas Carioca
Limeira, Limeira.
Wesley
Limeira, Limeira.
Richard Rasmussen
Limeira, isso.
Wesley
Então aqui é forte essa produção e é pouco incentivo pra essa energia que pode ser renovável, biocombustível.
Boletá
Usar o bagaço.
Richard Rasmussen
Me entendi.
Lucas Carioca
Mas tem uma cooperativa aí, como é que tá a situação? Porque a ProSoja, você vê no Mato
Boletá
Grosso, eles estão... Cuidada de tudo, é.
Lucas Carioca
Não, eles estão se organizando. Como é que tá o interior de São Paulo hoje em relação... E a
Richard Rasmussen
Copercitrus, né, que acho que cuida de...
Lucas Carioca
Não sei. Eu tô por fora.
Wesley
Isso. Isso, a Copercitrus. Ela existe um incentivo, porém ainda é muito pouco. para pequenos produtores, entendeu? Se a gente for fazer a junção desses produtores, eu acredito que isso aumenta, diminui alguns pontos de custo, aumenta essa energia renovável, essa parte biocombustível, bioeletricidade para essas pequenas cidades. Então, ao meu ver, isso poderia ser aumentado, poderia ser mais divulgado também junto aos municípios, às empresas e tudo mais.
Boletá
Boa! É isso aí, meu amigo.
Lucas Carioca
Beleza, um abraço aí, manda um beijo pra todo mundo de Limeira, Piracicaba, toda essa região.
Boletá
Você gosta de laranja?
Richard Rasmussen
Essa não dá bola.
Henrique
Foi legal, foi legal o que ele trouxe.
Richard Rasmussen
Valeu, valeu, valeu, obrigado.
Boletá
Tudo de bom.
Henrique
É legal, porque no Brasil se fala muito das energias renováveis, energia verde, mas é justamente isso. Não só falta incentivo, como desincentiva, porque até a luz solar foi taxada aqui no Brasil. Então você quer... Libertar o país da dependência energética, tornar ele um melhor concorrente, emitir menos carbono e você taca imposto.
Richard Rasmussen
Fiz um pipe investimento lá em casa de energia só.
Lucas Carioca
Eles tão taxando também? Agora tão taxando. Como tão taxando? Como assim?
Richard Rasmussen
É foda, mano.
Boletá
Botou as placas, tudo.
Richard Rasmussen
Tem que espremer a toalha até secar ela toda, mano.
Lucas Carioca
Tá, peraí, como é que é essa taxação de luz solar?
Richard Rasmussen
Taxação do sol.
Lucas Carioca
Como é que é?
Richard Rasmussen
Imposto do sol.
Boletá
Você vai pagar um imposto.
Lucas Carioca
Não, mas você tendo a energia solar
Henrique
na sua casa... Porque você gera, você manda pra concessionária e pega de volta. Então, se tiver excedente, eles já taxam o imposto em cima de você.
Richard Rasmussen
O excedente, que seria essa minha receita, que veio do sol, que veio do investimento que eu fiz acreditando na energia solar, agora o que eu gero, eu vou ter que pagar imposto sobre isso.
Henrique
Aí você incentivaria, você teria energia elétrica mais barata e sim, faria... E você
Lucas Carioca
botar uma bateria aí, você nem liga pra eles, é bom.
Richard Rasmussen
Não, é que eu tenho excesso, por exemplo, no verão eu tenho excesso.
Lucas Carioca
E a bateria?
Boletá
Bateria é uma porra, vou ficar comendo.
Lucas Carioca
Não, você nem conecta na energia da rua, pronto, aí não paga porra nenhuma. Pronto, um abraço, valeu.
Henrique
Não pode. Não pode? Você não pode fazer um grid no Brasil, não pode.
Richard Rasmussen
Ah, não pode fazer um grid?
Henrique
É, tem algumas restrições, até um certo tamanho. De uma altura em diante, você não pode fazer um grid não.
Boletá
É lógico, a gente vai abrir as pernas.
Lucas Carioca
Não, porque aí você faz em bateria e você fica autosuficiente.
Boletá
Não pode, né?
Henrique
Entendeu? Porque daí você se liberta.
Richard Rasmussen
Não, alto o suficiente eu acabo ficando, entendeu? Porque eu fiz, até ampliei agora a minha instalação, eu tô com bastante energia. E ela tá sobrando, eu tenho pico no inverno, por exemplo.
Lucas Carioca
Sim, mas o problema é que à noite você não vai ter, e aí? A bateria só corre, é isso que eu tô falando. Você tem a bateria pra você ter à noite. E durante o dia ele vai enchendo a bateria.
Richard Rasmussen
É, porque o modelo não era pra ser assim, né, cara? O modelo era pra ser... É mais ecológico não ter a bateria, vamos, entre nós.
Lucas Carioca
Por que não? A bateria dura 30 anos.
Richard Rasmussen
Sabe o que os caras tão fazendo agora? Não dura tudo isso, mas sabe o que os caras tão fazendo? Os caras tão pegando os carros agora. A novidade dos carros é que o carro elétrico é um celular, né? Não é um carro, né? É um celular. Aí eles tão pegando as baterias dos carros, que vão estar bem projetadas, e os caras tão montando os grills com bateria desinfeita.
Lucas Carioca
É, eu sei, eu tô ligado.
Boletá
É.
Lucas Carioca
E dura...
Richard Rasmussen
Dura, é.
Lucas Carioca
Pra caralho. Por exemplo, eu tenho carro elétrico. Tem carro aí, acho que o Ciel faz isso. É muito louco, né, cara? Se você conectar ele na rede da sua casa, você tem um aparelhinho. Amigo meu, tem esse aparelho.
Boletá
Ele abastece.
Lucas Carioca
Você tem três dias de energia elétrica na sua casa.
Boletá
O carro abastece tua casa.
Richard Rasmussen
Olha que loucura.
Lucas Carioca
Com o próprio carro, você conecta ele na tua rede.
Boletá
Tá boa força.
Lucas Carioca
Você pode ter esse carro, por exemplo. Você tem lá sua rede, não tem? Beleza. Aí você carrega teu carro. À noite, o teu carro assume a sua casa. Sacou? Por três dias ele segura, se tiver ausência de energia.
Richard Rasmussen
Já me dei uma ideia aí.
Lucas Carioca
Já te dei uma ideia. É verdade, dura três dias, cara. Lucro, né?
Henrique
Mas tem que ter essa visão, é que nem eu falo, o país, se a gente quer... Está na vanguarda da energia verde, tem que incentivar a energia verde.
Boletá
Não tem a dúvida.
Henrique
Se a gente quer industrializar, nós temos que melhorar a logística, nós temos que incentivar. Aí vem as ferrovias. Se nós queremos explorar Nós queremos explorar fertilizantes, nós temos que ter um desentrave ambiental, nós temos que ter uma legislação trabalhista também que compita com países de primeiro mundo, porque lá é diferente dos Estados Unidos, que eu ainda acho um dos melhores sistemas. Hoje tem essa discussão, escala seis por um, por exemplo, eu estou com meu sobrinho estagiando uma fazenda lá no Kentucky, uma das maiores produtoras de cevada dos Estados Unidos. Ele esses dias gravou um story lá, Quinta-feira, amanhecendo o dia, ele já tava com 47 horas acumuladas, ele não tá ganhando nada estagiando. Mas por quê? Porque a fazenda tá contratando sul-africanos, eles foram trabalhar lá, agora é o período de safra desses trabalhadores. Então eles estão fazendo hora porque eles querem ganhar dinheiro, aí meu sobrinho tá lá, Se fosse tão boa a legislação
Richard Rasmussen
nossa aqui nesse sentido, porque que os caras vão daqui e vão prosperar lá nos Estados Unidos? É só pensar, eu não costumo ficar comparando coisa muito técnica, eu gosto de soluções simples pra tudo. O cara sai daqui pra ir trabalhar lá. Então, lá deve ser melhor do que aqui, né? Ou não? Tô errado.
Lucas Carioca
Por que será, né?
Boletá
Deve ser, né? Deve ser, né?
Lucas Carioca
Então, por que será que tem risco pra entrar no país?
Richard Rasmussen
Não precisa ficar entrando em detalhes, é só pensar assim, meu.
Henrique
E esses trabalhadores da África do Sul, se essa escala aí 5 por 2 é melhor, então eles vão, não vão mais pros Estados Unidos, vão vir pro Brasil, né? Vão ganhar mais.
Lucas Carioca
Foda, né, velho?
Richard Rasmussen
Fazer conta, papai.
Henrique
Foda, né?
Lucas Carioca
Tem mais telefone aí, boleta?
Boletá
Temos mais aqui, ó.
Henrique
Quem quer trabalhar menos, não trabalha. Quem quer, trabalha. Agora você não pode tirar o direito de quem quer trabalhar a fazer mais.
Lucas Carioca
Só quero dar um toque aqui do meu show em Porto Alegre. Atenção, Porto Alegre, ó. Impedível. Tô chegando aí. Carioca botando pilha.
Boletá
Muito bom.
Lucas Carioca
Dia 31 estarei em Porto Alegre. Dia 1º em Bento Gonçalves. Dia 2 em Caxias do Sul com o meu espetáculo. Estão rodando aí. Vai ter São Paulo já.
Boletá
Ô, legal, legal.
Lucas Carioca
Campinas já. dia 22 de agosto, então fique ligado aí, tá certo?
Boletá
Vaque é muito bom, não marca bobeira, vai.
Lucas Carioca
Cadê o Boto no Pilha? Tá na tela aí, põe na tela.
Boletá
Compra seu ingresso, compra seu ingresso.
Lucas Carioca
Exatamente, tá aí, ó. Boca Rica. Cadê, cadê, cadê, cadê? Não botou? Aí, garoto. Dia 30 aí, Porto Alegre, dia 1º, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, a turnê Boto no Pilha pra você aí no Rio Grande do Sul. Tem alguém ali?
Boletá
Alô!
Wesley
Alô!
Lucas Carioca
Fala, Boneta! Fala, Carioca!
Henrique
Como é que vocês estão?
Boletá
Eu estou bem e você, Rafa? Fala, Rafa! Tudo bem, irmão?
Richard Rasmussen
Manda um salve aí pro Lucas e pro Richard. Richard, conheci você lá do Serjão, lá em Brasília, cara. Ah, em Brasília! Legal!
Boletá
Top!
Richard Rasmussen
Richard, eu sou muito fã do Henrique,
Henrique
troco muita ideia com ele, acompanho o
Richard Rasmussen
trabalho dele, o seu, e eu quero falar um pouquinho sobre dois pontos com você. Aquele debate seu do 30 contra 1, essa primeira pauta que você falou lá dos veganos, dos pais de pet, tem uma pauta que tá chegando no Brasil e eu quero falar de uma próxima que tá vindo. Os pais de pet vegano já estão empurrando nos animais que os animais, os pets deles também são veganos. Isso é maus tratos. Eu tô louco pra entrar, tô louco pra que isso aconteça, pra gente entrar com ação com esses caras, isso vai ser maus tratos. As empresas que entrarem nessa onda, preparem-se, vão ser infernizadas, nós vamos infernizar, isso é maus tratos. Você não quer alimentar, você é contra o boi, é seu direito. Agora você dá. Você substitui a alimentação. O gato é estritamente carnívoro. O cachorro é unívoro com preferência carnívora. E você alimentar com a mão dele, isso é maus tratos. Não tem um cachorro e um gato. Porque se tiver e alimentar, nós vamos pra trás, nós vamos pra cima disso. Nós vamos nos organizar pra isso.
Lucas Carioca
Já tem ração vegana pra animal? Não, né?
Richard Rasmussen
O que eu saibo é que não existe aqui ainda 100% vegana.
Boletá
Eu nunca vi também, não.
Richard Rasmussen
Se tiver, nós vamos massificar ações contra. Isso é maus tratos e tem lei no Brasil pra isso.
Lucas Carioca
Caraca, eu não sabia disso.
Richard Rasmussen
Tá muito forte lá fora. E a próxima pauta que tá rolando lá fora, que vai chegar aqui, é cachorro trans e cachorro não binário. Tem um monte de vídeo disso rolando lá fora.
Lucas Carioca
Que loucura.
Boletá
Não, aí também já o clima tá passando o limite. O clima tá passando o limite, né?
Lucas Carioca
Não, não. Que loucura, né?
Boletá
A turma não tem mais o que inventar, né, mano?
Lucas Carioca
É cachorri.
Boletá
Não é cachorri.
Richard Rasmussen
Não, é...
Boletá
Sabe o que é isso?
Richard Rasmussen
Sabe o que é isso? Sabe o que é surreal? Pessoal, sociedade.
Boletá
Pelo amor de Deus, sociedade.
Richard Rasmussen
A gente, eu acho que a gente tem que garantir, óbvio, espaços, direitos das minorias, ajudar as minorias, acho perfeito. Mas as minorias não podem condicionar a sociedade toda para que sigam, sejam, a gente pense igual, viver a vida da minoria, cara, desculpa. Como é que a gente tá aceitando esse tipo de coisa? A gente é dar direito sim. dar espaço, ajudar para que eles possam, enquanto minoria, progredir. Mas outra coisa é você pegar isso e fazer com que a sociedade toda... Sabe, eu apoio o meu sexualismo, mas não precisa começar a dar o meu...
Boletá
É, lógico.
Richard Rasmussen
Sabe? Sabe o que eu quero dizer? Não tem nada a ver uma coisa com a outra. A gente tem que ajudar, né? Lógico, óbvio, óbvio. Mas dá pra progredir, pra te tirar todas essas pressões, os preconceitos, eu acho que tô nessa pauta 100%. Eu tenho família, então preciso de familiares que não vão entrar em Itália, que também são, tem bissexual, tem homossexual, não tem problema. Mas transformar tudo, né? Enfim, tem que tomar muito cuidado com isso.
Lucas Carioca
Põe mais um no telefone aí. A galera do telefone tá... Tá ativa, meu irmão.
Boletá
Obrigado, Rafa, valeu, irmão.
Lucas Carioca
Não tá passiva, tá ativa. Enricho de rádio.
Richard Rasmussen
Cadê o biólogo, hein?
Lucas Carioca
Ele não atende, não quer vir aqui.
Richard Rasmussen
Claro que vem, ele adora vocês.
Boletá
Não quer vir, não vem.
Lucas Carioca
Cadê o biólogo, Henrique? Mentira.
Richard Rasmussen
Vamos trazer ele.
Boletá
Já tentamos 30 vezes. Duvido trazer esse cara aqui.
Lucas Carioca
Eu adorei ele.
Boletá
Tentamos 30 vezes já.
Lucas Carioca
É, não quero essa merda.
Richard Rasmussen
Não, é que ele, deixa eu te
Lucas Carioca
falar... Da Praia Seca, porra.
Richard Rasmussen
Exato. O problema que ele não tem...
Lucas Carioca
É... Ele o que?
Richard Rasmussen
Ele ganha dinheiro lá.
Wesley
É.
Richard Rasmussen
Fazendo os vídeos dele. Ele vai sair de lá. Ele tem que ter... Peraí, peraí. Não, nós vamos trazer ele. Eu quero trazer ele aqui.
Lucas Carioca
Duvido você trazer ele aqui.
Richard Rasmussen
Vamos trazer ele aqui, porra.
Lucas Carioca
Duvido você trazer ele aqui. Duvido você trazer ele aqui.
Richard Rasmussen
Ô, seu arrombado!
Lucas Carioca
Bota o áudio aí.
Richard Rasmussen
Ô, vem cá, os caras tão chateados com você aqui. Querem você aqui, ó. Fala com eles.
Lucas Carioca
Porra, tu não vem aqui, professor?
Wesley
Dia 13 eu tô aí.
Richard Rasmussen
Dia 13 eu tô em São Paulo. Pronto, já tá.
Lucas Carioca
Aí, ó.
Richard Rasmussen
Dia 13.
Lucas Carioca
Cadê a Júlia?
Boletá
Dia 13.
Lucas Carioca
Vem com ele, vem com ele, por favor.
Richard Rasmussen
Venho, venho, venho.
Lucas Carioca
E aí, professor? Você tá em Saquarema?
Richard Rasmussen
Tô aqui, ó. Fica aí, fica aí. Fica na tela.
Boletá
Ó o visual, ó o visual.
Richard Rasmussen
Olha aqui, ó.
Lucas Carioca
Vira lá pra câmera.
Richard Rasmussen
Chamei vocês pra virem aqui, vocês não viram.
Lucas Carioca
Não, não tiro o áudio.
Boletá
Pô, que vida ruim, irmão.
Lucas Carioca
Cadê? Aê, aê.
Wesley
Porra.
Boletá
Porra.
Wesley
Vocês têm que vir aqui.
Richard Rasmussen
É carioca. É que nem você, ele tá na praia. O biólogo.
Lucas Carioca
Dia 13.
Richard Rasmussen
Vamos marcar, vamos marcar isso que a gente trazia aqui, papai. Tá, vamos marcar. Eu vou botar com você na feira aí. É dia 13?
Wesley
Não.
Richard Rasmussen
Acho que é 11, 12 e 13.
Lucas Carioca
11, 12 e 13.
Richard Rasmussen
É agora, em julho?
Lucas Carioca
Então, que julho?
Boletá
Agosto.
Lucas Carioca
Que feira que é?
Boletá
Feira Livre, do Pacaembu.
Richard Rasmussen
Ah, da Pets? Da Pets Out? Então, acho que tem que ser dia 12. Consegue dia 12?
Boletá
Dia 12, consegue.
Richard Rasmussen
Eu venho junto com você. Eu vou estar três dias contigo. Vamos ter um podcast. Vamos se me levar. Te amo. Ele é meu aliado pra caralho, nós somos aliados.
Lucas Carioca
Quero ver, eu adorei ele. Eu conheci ele em Brasília, esse cara é um figura, velho. Que cara legal, adorei ele. Mas ele nunca consegue vir aqui. Vamos pro Superchat, Boletá?
Boletá
Soca o pau, irmão.
Lucas Carioca
Hoje um episódio totalmente esclarecendo, esclarecendo.
Boletá
Pra você entender um pouquinho melhor.
Lucas Carioca
Hoje é um episódio pra informar.
Boletá
Esclarecedor.
Lucas Carioca
Informar o que as pessoas trabalham para desinformar. Esse episódio é verdade. Manda bala. As pessoas trabalham pra desinformar, pra criar narrativas, e a gente tá aqui hoje pra esclarecer. Então, se você tem dúvidas, a gente tá aqui pra isso.
Richard Rasmussen
Vamos lá. Metragem Topografia enviou uma mensagem. Bom dia. Fui aí assistir o episódio com o Tito. Sou amigo do Fabiano Ayazaki. A Yark Richard vi no seu vídeo com o Nigro, que tá reformando sua casa. Posso te ajudar com o levantamento da área, incluindo o interno das casas. Metragem Topografia. Aí, ó, já comecei a lucrar, viu? Gostei, pode ir. Manda um arroba. Contato arroba richardrasmussen.com.br. Contato arroba meu nome, richardrasmussen.com.br. É isso aí. Já conseguiu, já conseguiu.
Lucas Carioca
Vamos juntar forças. Ele trabalha com o Fabiano Hayazaki.
Boletá
Topografia.
Lucas Carioca
Meu amigo, meu amigo, um beijo pro Fabiano Hayazaki, um grande arquiteto brasileiro.
Boletá
Obrigado, irmão.
Lucas Carioca
Lá de Rio Preto. Meu amigo, Fabiano, conheci na China, junto, foi comigo pra China.
Richard Rasmussen
Top, seja bem-vindo.
Lucas Carioca
É isso aí, é a metragem, underline e topografia.
Wesley
Tá.
Lucas Carioca
Fechou?
Boletá
Manda pro Richard, irmão.
Richard Rasmussen
Vamos lá. Mais uma aqui, ó. Leandro Dures enviou uma mensagem. Tudo que sai do esgoto dos hospitais, cemitérios e lixões acaba nos rios do país. Cidades rio abaixo bebem a água podre que as cidades rio acima de cima descartaram. Esse é o maior impacto ambiental do Brasil, mas o Ecochato critica o agro.
Boletá
Aí ó.
Lucas Carioca
É o problema, Richa, as águas.
Richard Rasmussen
Eu vou dizer isso, sabe qual é o problema ambiental principal do Brasil, que as pessoas não falam?
Wesley
Qual?
Richard Rasmussen
Saneamento básico. A gente tá cagando no mar. Tá cagando no mar, irmão. Ah, e dentro tem a baleia lá, bonita, lá em São Sebastião, você tá cagando no mar? Nosso grande desafio hoje é saneamento básico, cara.
Lucas Carioca
E chegou a ter lá no Bolsonaro o marco.
Richard Rasmussen
Agora tem o marco, tem o marco.
Henrique
O problema do saneamento no Brasil é justamente porque é uma obra que não aparece, né?
Richard Rasmussen
No Brasil tudo tem que aparecer pra dar voto. Então isso não dá visibilidade, não é bom pra ONG, até as ONGs do saneamento básico. Não tem uma ONG de saneamento básico, só tem ONG de elefante, não tem de macaco. Já pensaram isso? É só como as coisas funcionam no Brasil? As ONGs que aparecem são o quê? A do elefante, essa que é para os elefantes. Cadê a do macaco prego? Que é um problema que a gente tem um monte de macaco prego que tá fora aqui e precisa já estar jogado dentro dessas unidades que tem setas aí, entulhando setas. Por que não faz a ONG do macaco prego? Por que não dá visibilidade? Por que não faz a ONG do cenamento? Por que não dá visibilidade? Esse que é o problema. As pessoas querem aparecer, mano. Porque é o que? O dinheiro. Conservation as a business. A conservação é um negócio como qualquer outro. É isso.
Lucas Carioca
Mas, por exemplo, uma coisa que eu fico pé da vida com o Brasil, tanto em energia quanto em esgoto, É um monopólio. Porque as pessoas falam, ai, a privatização não mudou nada na energia elétrica do Brasil. Ela só vai mudar quando a energia elétrica tiver um concorrente.
Boletá
Claro.
Henrique
Sim.
Lucas Carioca
Entendeu?
Richard Rasmussen
Ah, eu vou, a Sabesp... Que nem telefone e celular.
Lucas Carioca
A Sabesp foi privatizada. Não mudou nada, claro, porque não deveria privatizar a Sabesp. Deveria... privatizá-la e falar assim, o setor, quem quer participar do saneamento básico aí? Quem quer ganhar dinheiro comigo? Você de casa vai escolher, a Sabesp ou a Sabosp, tem a Sabó, Bosp. Então a Sabosp tá com preço melhor, então vou entregar meu esgoto pra Sabosp.
Boletá
Correios.
Lucas Carioca
A Energia Elétrica, é, como é que é o nome daqui, é Enel?
Boletá
Enel.
Lucas Carioca
Enel, mas tem a painel. Eu quero a painel. Por quê? Por que a telefonia e celular no Brasil é do cacete? Eu tava nos Estados Unidos agora. Claro, aqui dá pau lá. Dá pau. Dá pau. Vivo, dá pau lá. É mais rápido. Tô te falando?
Henrique
É.
Lucas Carioca
Mais rápido. Mais rápido, porra. Aí, por quê? Porque aqui no Brasil, hoje, você tem uma... O povo, o Brasil... Qualquer brasileiro hoje tem celular. Mais de um celular por habitante.
Boletá
Por quê?
Lucas Carioca
Porque tem três, quatro empresas, cinco, dez, quinze brigando.
Boletá
Agora liberaram a Starlink, né?
Lucas Carioca
Mas a Starlink, pra vocês aí é maravilhoso, pra vocês salvou. Mas tô dizendo, por quê? Porque não existe o monopólio. Existe a privatização e abre o setor. O esgoto no Brasil é uma concessão, privatizou, mas o cara é um. Então, ele não tem nem estímulo pra investir. Agora, a partir do momento que entra o outro, aí o cara se mexe, melhora o preço, melhora o serviço, melhora tudo.
Henrique
Na verdade, algumas coisas vão na contramão, né? Eu dou um exemplo, a carne. O brasileiro reclama que a carne tá cara, né? Mas a gente tem que lembrá-la atrás. Financiária JBS comprou o maior frigorífico do mundo na Argentina, na Austrália, nos Estados Unidos. E aqui no Brasil tá comprando todo mundo. Então, peraí, o BNDES tá financiando pros caras criarem um monopólio.
Lucas Carioca
E o CAD?
Henrique
E aí ele paga menos pro produtor. O produtor é o que menos ganha.
Boletá
Mas só tem ele, né, irmão?
Henrique
E vende mais caro pra população.
Richard Rasmussen
É muito perigoso isso.
Henrique
Isso é perigosíssimo.
Wesley
É.
Lucas Carioca
É o Brasil brasileiro, o mulato isaneiro. Vambora. Renan enviou uma mensagem.
Richard Rasmussen
60% da borracha brasileira vem do noroeste paulista, porém topim de pneu e borracha asiática colocam o setor em crise. China, EUA, Europa classificam como recurso estratégico. O que será que eles sabem e nós não?
Lucas Carioca
Aí é uma boa pergunta. 60% da borracha brasileira vem do noroeste paulista, por aí o dumping no pneu.
Henrique
A borracha na verdade foi um roubo né, do Brasil, eu não lembro agora
Richard Rasmussen
o país, Rio Pirataria.
Henrique
levaram embora, ninguém pagou patente, ninguém pediu autorização, simplesmente levaram mudas para outros países tropicais e difundiram.
Richard Rasmussen
E plantaram como eucalipto, um do lado do outro, porque o segredo aqui, o cara que ia, ele tinha que sair de manhãzinha cedo, tinha uma seringueira aqui,
Boletá
outra lá, outra lá.
Lucas Carioca
Agora plantaram em forma... Então o cara tá reclamando aqui.
Richard Rasmussen
A borracha é fundamental. Eu conheço pouco de borracha pra dizer.
Lucas Carioca
Você é ruim de borrar? Borracha fraca.
Richard Rasmussen
Borracha fraca. Borracha fraca.
Lucas Carioca
Vamos lá pro último aqui. Entrou um kkk. Alô kkk. Não entendi nada, mas tudo bem.
Richard Rasmussen
Obrigado.
Lucas Carioca
Obrigado.
Henrique
Danilo Rodrigues nem enviou uma mensagem.
Lucas Carioca
Alô kkkkkk. AÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ Comprou o ingresso pra ir no teu show em Joinville e não pude ir. Tava viajando, cumpadi. Porra, fiquei chateado, hein. Porra, ficou chateado. Um forte abraço a todos vocês. Richard, sou teu fã, cara.
Richard Rasmussen
Obrigado, irmãozão.
Lucas Carioca
Acompanho muito o teu trabalho. E a prosógio, Lucas. Satisfação falar com você por aqui. Parabéns pelo trabalho.
Richard Rasmussen
Um forte abraço a todos. Parabéns. Tem que dar realmente parabéns.
Boletá
Valeu, Danilão.
Lucas Carioca
O Danilo mandou aqui o superchat. É isso aí, galera. Então, você quer saber tudo sobre... Você se interessa pelo setor? Vou dar uma dica.
Boletá
Siga os canais da Aprosod.
Lucas Carioca
Vou dar uma dica importante aqui, Lucas. Você pode chancelar isso, o Richard também. Você que é jovem, tá assistindo esse programa, tá um pouco desorientado na carreira, porque hoje eu percebo que o jovem está um pouco perdido As vezes acontece o cara ter 16, 17, 18 anos aí, 19. Cara, vá pro agro. Confia. Procure uma boa faculdade. Você pode indicar algum setor bacana pro cara.
Boletá
Engenheiro agrônomo.
Lucas Carioca
Uma carreira, exato, pra ele poder trabalhar no agro. Agrônomo, veterinário.
Henrique
Hoje o engenheiro agrônomo, quem de fato se dedica o cara desponta, porque hoje nós temos até a informação na palma da mão. Antigamente o cara precisava vir aqui para Exalc, para ser um cara top. Agora o cara forma, se ele for atrás de informação, ele forma em qualquer universidade do país e é legal.
Lucas Carioca
Engenheiro agrônomo.
Henrique
É, é legal lá na nossa região, porque tem engenheiro agrônomo que é aqui da Grande São Paulo, o cara que nem era do campo e o cara se identificou, formou e está sendo um baita profissional lá.
Lucas Carioca
É isso aí, o que mais? O que mais que ele pode se especializar?
Henrique
A veterinária também é algo fantástico.
Richard Rasmussen
Se você gosta de bicho, não seja biólogo.
Henrique
Não, calma aí, Richard.
Richard Rasmussen
Não faça biologia.
Henrique
A biologia tem uma seara muito grande, tentaram tirar esse direito do Brasil. Hoje o Brasil é o campeão mundial em bioinsumos. No país que mais utiliza. E tentaram tirar o direito de você fazer biofábrica dentro da fazenda. Hoje muito produtor. Tem biofábrica de bioinsumos dentro da fazenda.
Richard Rasmussen
Pros bactérias e fungos.
Henrique
Defensivos. Que diminui o uso de químico. E você precisa de um biólogo pra tocar isso dentro da fazenda. Então tem um campo muito grande pro país.
Richard Rasmussen
Mas se gostar de bichinho, acha bichinho fofinho, não faça biologia, por favor.
Henrique
Cara, o biólogo vai somar... Ou seja,
Richard Rasmussen
biólogo é muito importante, é uma profissão que é muito discriminada no Brasil, é muito pouco valorizada.
Boletá
E o curso é muito legal, mas aqui...
Richard Rasmussen
É uma puta profissão legal, é maravilhoso.
Henrique
O que tem que procurar que vai ser a revolução é a inteligência artificial e aplicação de agricultura, já tá surgindo cursos por aí.
Boletá
Eu fiquei essa vez no encontro com um piloto de colhedeira ganha, quase que fui lá trabalhar, irmão.
Henrique
Eu falo que o Mato Grosso é um importador de mão de obra, vem pessoas do país inteiro, a primeira onda o cara vinha do Sul trazer o trabalhador de lá, hoje o matogrossense tá aprendendo a trabalhar, plantar, eu dentro da minha propriedade 90% dos meus funcionários são do Maranhão, ótimos operadores de máquina, ótimo operador de secador dentro da fazenda, Galera...
Lucas Carioca
Hoje, é... Existe algum projeto pra Universidade do Agro? Porque eu acho que seria um negócio, assim...
Richard Rasmussen
Interessante isso.
Lucas Carioca
Uma Universidade do Agro. Ela é toda voltada pra ocupar, né? Porque os Estados Unidos, ele faz isso. Ele tem aqui o lance, ele prepara e... Lança. Tipo lá, você vai pro Vale do Silício, eles têm todo já um...
Richard Rasmussen
Interessante isso, hein?
Lucas Carioca
É, uma Universidade do Agro. Lá em Cuiabá, por exemplo.
Richard Rasmussen
Cuiabá.
Henrique
A gente tá discutindo isso.
Lucas Carioca
Universidade totalmente voltada pra aquela região.
Henrique
Sim.
Lucas Carioca
Pode vir no Brasil inteiro.
Henrique
Pro ecossistema, porque na verdade tem agroindústria, né?
Lucas Carioca
Tipo, esses IBMEC aí, o ISPE, produção
Richard Rasmussen
ambiental, que tem todas as características.
Lucas Carioca
Tudo.
Richard Rasmussen
Porque agro é meio ambiente.
Lucas Carioca
Claro. Até engenharia aeronáutica, engenharia de... Engenharia pra... Logística. Investir em pesquisa e estudo em nova mão de obra.
Henrique
Operação de drone e robô também é um campo tremendo. Hoje tá faltando operador de drone já pra operação agrícola e ganha bem.
Lucas Carioca
E onde o cara pode procurar? Pode procurar a ProSoja pra poder aprender, encontrar um curso, alguma coisa nesse sentido?
Henrique
A gente vai indicar, a gente ainda não tem algo nisso, mas a gente vai ter que construir. Hoje tem também, no estado tem o Senar, né? Que também o produtor, inclusive na produção, eu pago um percentual que vai pro Senar, que vai pra capacitação de profissionais do ar.
Lucas Carioca
É isso aí. Então o QR Code tá na tela, a ProSoja, link na descrição. Cara, vai na minha, quer crescer, quer se desenvolver.
Richard Rasmussen
Posso agradecer aqui?
Boletá
Porra, Paulo, você veio operado aqui.
Richard Rasmussen
Quero agradecer primeiro a ProSógio, o Lucas, a ProSógio de Mato Grosso foi pra mim um divisor de águas na agricultura, eu já tava trabalhando muita questão de proteína animal no agro e as portas que se abriram com a ProSógio de poder me colocar no campo e aprendi muito de agricultura. E se você quiser Abrir a tua mente, você vai no nosso canal, toda semana tem uma playlist chamada Agroa Verdade, tá? A partir de outubro teremos um programa na Bandeirantes chamado Agroa Verdade também, tá? Que vai ser exibido no final de semana, de uma hora de duração, pra que a gente realmente possa ir escutar a verdade. Aqui é verdade, irmão, eu como biólogo teria vergonha de defender algo que eu não acredito fielmente, cara.
Lucas Carioca
É isso aí, tá?
Richard Rasmussen
Então, é isso aí.
Lucas Carioca
Só pra complementar o que eu tava dizendo, Boletá.
Boletá
Pois não.
Lucas Carioca
Quer que eu te tire da tela, se você quer, tá perdido, tá desorientado, quer aprender, cara.
Boletá
Quer ficar mais informado.
Lucas Carioca
Estude o agro, cresça, seja um profissional do agro, que com certeza você vai garantir o seu futuro. Confia.
Boletá
E se não conhece nada, também procura os caras que você vai aprender muita coisa.
Lucas Carioca
É isso aí. A ProSó já tem o link e QR Code na tela. Lucas, obrigado. Manda um abraço pro pessoal. Povo maravilhoso lá do Mato Grosso. Trabalho incrível. O Águas já sabe, pode contar com a gente. Tanto vocês, Farm Show, a própria Canatec também.
Boletá
Tamo junto.
Lucas Carioca
Conte com a gente, a gente quer que o Brasil se desenvolva de uma maneira honesta.
Boletá
O água é pop.
Lucas Carioca
E correta. E uma maneira, né, Boleta?
Richard Rasmussen
Água é muito legal.
Lucas Carioca
Com manejo, com cuidado, com preservação. Então, esse espaço tá sempre aberto pra vocês. Obrigado. Conte com a gente.
Boletá
Sempre.
Lucas Carioca
Pra gente poder informar, trocar essa ideia, pra que você, que esteja do outro lado, porra, é verdade, comece a criar sua consciência. Você pode discordar. Mas aqui você tá sendo informado sem nenhum... Se você também tiver do outro lado e quiser vir aqui pra contestar, espaço aberto também. Isso aqui é um espaço democrático, honesto e sincero pra você que tá aí. É a nossa vontade de te fazer rir, mas também de te informar, né, Boletá?
Boletá
Boa, porque amanhã é as 14 horas da hora normal, hein?
Lucas Carioca
O que nós teremos amanhã, Boletá?
Boletá
10 Santanas.
Lucas Carioca
Puta merda.
Richard Rasmussen
O Didi e o Dedé Santana.
Boletá
Putz.
Lucas Carioca
Didi e Dedé.
Boletá
Dois monstros, cara.
Lucas Carioca
Aí você me pergunta por que o Diego e o Polito estão com o Dedé Santana.
Richard Rasmussen
É verdade que tem a ver, né? Circo.
Lucas Carioca
O Diego e o Polito agora vão para o circo.
Henrique
Legal.
Lucas Carioca
Então amanhã eles vão contar um pouco. Vai ser um prazer receber. Eu conheci o Dedé Santana lá no grafite.
Boletá
Eu conheci o Dedé há muito tempo por causa de Orlando.
Lucas Carioca
Vou ter o privilégio de receber a lenda do humor brasileiro, da nossa infância, Dedé Santana, já com 90 anos, eu acho que ele tá mais de 90 anos.
Boletá
Muito bem-vindo.
Lucas Carioca
Tá bom? Até amanhã, galera.
Boletá
Amanhã às 14h, não perca.
Richard Rasmussen
Valeu, abraço.
Henrique
Obrigadão, gente.
Data: 15 de julho de 2026
Host: Bola e Carioca
Convidados: Lucas Beber (Presidente da ProSoja Mato Grosso), Richard Rasmussen (Biólogo, apresentador)
Tema Central: Uma conversa cheia de humor e conteúdo aprofundado sobre o agronegócio brasileiro, seus desafios, conquistas e a relação com meio ambiente e sociedade.
O episódio é um mergulho intenso, informativo e descontraído sobre o universo do agronegócio brasileiro — com destaque para mitos, verdades, avanços tecnológicos, relações com o meio ambiente, burocracia, desafios logísticos e educação. Lucas Beber, importante liderança do setor em Mato Grosso, e Richard Rasmussen, biólogo e apresentador, unidos aos anfitriões, trazem uma conversa que mistura piadas com divulgações de dados e provocações sinceras ao imaginário urbano sobre o agro.
[00:41 - 02:33]
[04:08 - 04:32]
[04:40 - 07:05]
[07:06 - 08:10]
[08:10 - 08:45]
[09:08 - 11:09]
[15:02 - 18:04]
[23:09 - 27:35]
[26:18 - 27:57]
[30:42 - 44:39]
[50:04 - 62:43]
[86:46 - 91:09]
[41:20 - 85:01]
[96:44 - 98:23]
[80:30 - 129:14]
Sobre imagem do produtor no Brasil:
“Em todo lugar do mundo o produtor rural é herói. Aqui virou bandido. Tem algo errado nesse local.”
— Richard Rasmussen [18:57]
Sobre economia circular:
“Uma nota de cem reais resolveu o problema de todo mundo e voltou pra mão do dono.”
— Lucas Carioca [12:44]
Sobre meio ambiente:
“Beijinho na árvore não salva a floresta. O que salva é inteligência de uso dos recursos naturais.”
— Richard Rasmussen [42:54]
Sobre inovação:
“O grão da soja tem mais tecnologia que um iPhone.”
— Henrique [86:54]
Sobre conservacionismo:
“Conservação se faz com barriga cheia... O que salva é dar valor pras espécies.”
— Richard Rasmussen [60:23]
[103:04 - 124:48]
[130:11 - 131:03]
O episódio serve como uma imersão envolvente e inspiradora no universo do agro brasileiro. Trazendo dados, histórias de superação, provocações sinceras e uma crítica construtiva à forma como o agronegócio é tratado na mídia, na sociedade urbana e nas políticas públicas.
Tópicos como preservação ambiental, inovação tecnológica, importância econômica, desafios regulatórios, manejo sustentável de fauna e flora, além de oportunidades para jovens, são abordados de modo franco, sempre com humor e orgulhosa brasilidade.
Este episódio é leitura obrigatória para quem quer entender o agro além dos clichês.
“Aqui é verdade, irmão. Eu, como biólogo, teria vergonha de defender algo que não acredito fielmente.”
— Richard Rasmussen [130:10]