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Marcos Guesa
Estamos no ar, estamos ao vivasso.
Bola
Não, não, não.
Marcos Guesa
Não sou, não. Grande Marcos Guesa. Bem, o que é esse samba que tá rolando aqui no nosso fone?
Bola
Tá entrando um samba, é.
Marcos Guesa
De onde tá vindo esse samba?
Bola
O que você tá ouvindo no samba, Azaghi?
Marcos Guesa
Tá entrando um samba aqui, velho.
Bola
Entrou um samba...
Marcos Guesa
Peraí, que loucura.
Bola
O Renato tá bem louco com essa camisa que ele tá usando, né?
Marcos Guesa
Que loucura. Olha só, estamos ao vivaço hoje, né?
Bola
Com duas lendas.
Marcos Guesa
Consternados, sim.
Bola
Que não tem nada a ver, um é campeão olímpico, o outro é campeão do humor. Mas vamos entender.
Marcos Guesa
Mas consternados, sim, bola.
Bola
Por cá de quê?
Marcos Guesa
Porra, a Argentina no final.
Bola
Ah, puta que paroca, bicho.
Marcos Guesa
Puta que liu os paroca, véio.
Dedé Santana
Argentina?
Bola
Argentina e Espanha.
Marcos Guesa
Meu Deus do céu, mas enfim. Mas vai que a Espanha ganhe e fique mais divertido, né?
Bola
Quem ganha?
Marcos Guesa
Não, não sei quem. Eu acho que vai ser a Argentina, essa merda.
Bola
Não vai, não vai.
Marcos Guesa
Vai ganhar essa merda aí.
Bola
Não vai.
Marcos Guesa
Vai ganhar essa merda.
Bola
Vai perder na final, vai ver aquela cara de bunda do Leonel.
Marcos Guesa
Aí estamos pedindo demais, né?
Bola
Pra ver aquela alegria.
Marcos Guesa
Mas enfim, estamos aqui ao vivá, são 2h03.
Bola
Saúde.
Marcos Guesa
Hoje, obviamente, você já sabe tudo o que você tem que fazer. Se você puder, estamos chegando a 3 milhões aí no Instagram, no YouTube. Então chega junto com a gente. Vamos lá. Mete o dedo aí pra seguir, compartilhar, curtir.
Bola
Daqui a pouco a gente fala do patrocínio, né, Carica? Da nossa queridíssima Philips.
Marcos Guesa
Hoje tá aí a Philips, presente já pros nossos convidados.
Bola
Um belo fone de ouvido pra vocês.
Marcos Guesa
Boleto, olha quem tá aqui, rapaz. Primeiro, vamos ficar de pé, porque atleta olímpico e medalha de ouro, a gente tem que ficar de pé, como nos Estados Unidos.
Dedé Santana
Não gostei.
Bola
E aplaudir. E aplaudir, é verdade.
Marcos Guesa
E o segundo, é uma lenda, é uma lenda do Mundo Brasileiro, então vamos ficar de pé, que também é...
Bola
O cara é um trapalhão, velho. É a mesma coisa que ser um Beatle, sabia, Dedé? É, é um Beatle, é um Beatle. Você é um trapalhão, cara.
Marcos Guesa
Dedé Santana e o grande Diego Hipólito, que é um cara espetacular. Não é pra qualquer um ser campeão paulista ou carioca. Já é um negócio difícil a rodo. Aí tu é campeão sul-americano, porra, mais difícil ainda. Aí tu é campeão mundial, mais difícil ainda. Aí tu vira medalhista de ouro olímpico, aí você atingiu o Nirvana.
Dedé Santana
Você ganhou outra medalha agora, sabia? Ganhou de quê? Da paciência de me aturar. De ouro? Ganhei uma medalha de ouro, vai ser de diamante. Tenho paciência que ele me atura, cara. Que esse cara me atura no camarim, você não sabe.
Marcos Guesa
Aí você me pergunta por que dessa fusão, né, aleatória. Não tem nada de aleatório, eles estão com um circo. É isso, meu querido Dedé Santana e Didi.
Dedé Santana
Didi, pode ser o novo Didi. Grande Dedé Santana.
Marcos Guesa
90 anos, hein Dedé?
Dedé Santana
90 anos.
Marcos Guesa
Maravilha, que delícia.
Dedé Santana
Já sou indo pra 91 já.
Bola
Que honra, puta merda.
Marcos Guesa
Que alegria de você aqui, cara. Você não tem noção... o quanto a minha geração... Ah, rapaz... Cara, era um amor, né? Muito além... Eu rezava pra vocês não morrerem, cara.
Dedé Santana
Não, sabe o que acontecia? Não é que vocês gostavam da gente. É que a gente fazia rádio, cinema, televisão... Televisão e revista. Revista e quadrinho, e vocês não tinham pra onde correr. Não tinha pra onde correr.
Diego Hipólito
Não tinha como escapar.
Dedé Santana
Não tinha como escapar.
Marcos Guesa
Mas assim, eu rezava pra vocês não morrerem. E quando vocês se separaram, Foi em que ano vocês se separaram? Você se lembra o ano?
Dedé Santana
Eu não me lembro.
Marcos Guesa
84, 83?
Dedé Santana
Eu sou muito idata, sim.
Marcos Guesa
Eu tinha 8, 9 anos.
Dedé Santana
É.
Marcos Guesa
Eu fui nos dois filmes.
Dedé Santana
Ah, foi nos dois?
Marcos Guesa
E, inclusive...
Dedé Santana
Fala melhor, você gostou mais do meu. Mais do de vocês.
Marcos Guesa
É melhor do que o de... De sozinho ficou pior. Mas o filme de vocês três, o da SWAT, não foi?
Dedé Santana
É, atrapalhando a sua... Poxa, o cara lembra.
Marcos Guesa
Eu lembro, eu tô falando, cara.
Dedé Santana
E outra coisa, eu fiz aquele roteiro em três dias. Eu bolei a história, eu fiz o roteiro em três dias e eu dirigi o filme com equipamento médio, não era equipamento bom, não era top, não tinha grana pra fazer, não tava preparado pra fazer, nós mesmo, bancando. Vocês bancaram do próprio bolso.
Marcos Guesa
E deu retorno.
Dedé Santana
Rapaz, você não vai acreditar, você não vai acreditar. A gente fazia show. A gente não filmava sábado e domingo. Sabe por quê? Porque a gente fazia show pra arrecadar o dinheiro pra trazer pra botar no filme. Era incrível. O Mussu falou comigo assim, você não diz que é diretor de cinema? Eu disse, não, aprendi, aprendi com um cara que era um mestre, né, e tal. Ele falou, então você vai dirigir o filme, eu vou dirigir, você vai dirigir e você traz uma história amanhã pra mim aqui, porque o Mussu era o principal do nosso escritório ali. Eu falei, amanhã eu fui pra casa maluco, falei, meu Deus, Eu vou escrever de filme assim, de repente, né?
Bola
Rapidinho.
Dedé Santana
Porque foi de repente.
Bola
Então.
Dedé Santana
Aí, cheguei em casa, fiquei pensando, aí passou um trailer do... Uma chamada na Globo. Pararám, pararám, da Suáte.
Bola
A música da Suáte.
Dedé Santana
Falei, já sei o que eu vou fazer. Vou fazer Atrapalhando a Suáte. E foi aí que tudo começou. E a metade do roteiro foi feito durante a filmagem. Eu fui bolando, as vezes eu falo, não, faz isso, faz aquilo. E engraçado, aí passa-se muitos anos, eu fui ver um seriado que chama La Casa de Papel.
Bola
Sim, sim.
Dedé Santana
E foi nessa base também, foi feito nessa base. Eles criando roteiro na hora e tal.
Marcos Guesa
Eu acho que assim, sabia?
Bola
Quanto tempo de gravação desses caras?
Marcos Guesa
Você lembra?
Dedé Santana
Não podia passar de 30 dias, que o dinheiro só dava pra 30 dias.
Bola
Puta merda.
Marcos Guesa
Mas o filme deu dinheiro na época?
Dedé Santana
Não foi o que a gente esperava. Mas também não puderam... Dois filmes ao mesmo tempo.
Marcos Guesa
Mas sobrou um qualquer pelo menos?
Dedé Santana
Sobrou, sobrou.
Marcos Guesa
Ah, então é bom.
Dedé Santana
Tá bom. Se sobrou, tá bom. Se sobrou pouquinho, tá bom. um E foi uma correria, né? Porque cada um assumiu uma função. O Mussu falou, eu cuido da música. Falou, Dedé, lembra que tem que botar musical no filme. Eu falei, meu Deus, tem que botar musical no filme. Aí o Zacarias cuidou de uma parte, eu cuidei, ele cuidou da música. E eu fiquei com a direção...
Bola
O Mussu cuidou da bebida.
Dedé Santana
Eu fiquei junto com o Vitor Lustosa. O Vitor Lustosa era roteirista do filme dos Trapalhões, né? E eu peguei ele e falei, você vai me ajudar a dirigir esse filme aí, vambora. Que legal, cara. Que eu aprendi direção com... Pessoal pensa que eu caí de paraquedas na direção, mas não foi não. Eu fiz escola com Ari Fernandes. Sabe quem é Ari Fernandes? Não, não. O cara que criou o Vigilante Rodoviário. Era ele, e ele falou, dou aula pra você se você vier na minha casa. Eu acordava cedinho, rapaz. Eu tinha uma Kombi 59, eu pegava aquela Kombi e corria lá pra casa dele de manhã.
Bola
Tem até hoje ou não?
Dedé Santana
Não, agora não tem mais.
Bola
Que vale um caminhão de dinheiro hoje em dia, hein?
Dedé Santana
Hoje seria, né?
Bola
Vale um caminhão de dinheiro.
Dedé Santana
E eu ia pra casa dele e ele ficava me ensinando cinema, lente aqui, esse é direito, esquerda e tal, né? Que era um sonho que eu tinha na vida, eu não queria, eu não sonhava que queria ser artista, eu queria ser diretor de cinema ou piloto de avião, é o que era o meu sonho.
Bola
É mesmo, piloto de avião?
Dedé Santana
Piloto não dá, meu pai era de um cirquinho pobre, sabe aquele cirquinho de lona apurada e tal? E era muito dinheiro, não podia, né?
Bola
Mas você tinha essa vontade.
Dedé Santana
Tinha essa vontade.
Bola
Que legal.
Dedé Santana
E agora, cinema, eu dirigi o primeiro filme meu na Marra, né?
Bola
Eu percebi, pô.
Dedé Santana
Foi nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos? Nos Estados Unidos, nós chegamos pra... Eu não sei se vocês sabem, nós filmamos em Los Angeles. Na Universal Studios, Saltimbanco. Chegou lá, o diretor ficou doente. Aí o Renato, aliás, quem me deu grande oportunidade foi o Renato, né?
Marcos Guesa
É isso aí, Dedé, me ajuda, Dedé. É isso aí, Dedé.
Dedé Santana
É isso aí, vamos.
Marcos Guesa
A tristeza no rosto, Dedé, você vai fazer, Dedé. Você vai fazer a direção, você vai fazer a direção, dedé.
Dedé Santana
Sabe como é que foi? Eu tava no hotel lá, nós estamos no hotel da Universal Studios, e o diretor ficou doente. E lá também tinha o tempo certo de filmar, tava gastando em dólar, não podia passar do tempo. Aí o Renato me chama lá, falou, o que que foi, velho? Que eu chamava ele de velho. Que ele é velho desde novo que ele é velho. Ele é velho, velho. Sempre foi velho. Ranzinhos, né? Velho pra caramba. Só eu pra aturar ele mesmo. Aí eu cheguei lá e falei, o que que é? Ele falou, você não disse que ia dirigir cinema? Eu falei, disse não, vou dirigir. Então você vai começar hoje. Eu falei, o que hoje? Tava Lucinha Lins. Eu lembro. Até a Lucinha Lins falou sobre isso, né? É. Que quando terminou as filmagens lá, eu fui aplaudido pela equipe americana, nem me lembrava.
Bola
Que legal, cara.
Dedé Santana
A Lucinha Lins falou isso, eu até chorei lá mesmo.
Bola
Você pegou e matou no peito, então.
Dedé Santana
Na marra, né? Tive que...
Bola
Na marra, exatamente.
Dedé Santana
E agora veio o pior, Diego. Eu não falava inglês uma palavra.
Bola
Como que você fazia?
Dedé Santana
Aí pegaram o intérprete, Ficava do seu lado. Mas eu não achei tão difícil dirigir lá, porque você vai com a equipe de manhã, eu fazia isso com a equipe de manhã e com o intérprete, eu falava, olha, aqui eu quero um carrinho assim, aqui eu quero isso, aqui eu quero uma lente aqui, nessa hora eu quero fazer uma... Eles anotavam tudo, então, na hora de filmar, você só dizia, roda e corta, só. Entendi. Roda, acabou, cortou. Eles, ok, ok. Eles mudavam tudo sozinhos. Não foi difícil dirigir lá.
Marcos Guesa
Bom, o Diego Hipólito e o Dedé estão juntos.
Dedé Santana
Qual que é a ideia?
Bola
Fazendo o que, exatamente?
Marcos Guesa
Conta pra gente essa novidade.
Bola
Essa novidade de vocês dois juntos.
Marcos Guesa
Como é que surgiu isso?
Diego Hipólito
Eu conto tudo.
Dedé Santana
Que nós fazemos tudo.
Bola
Tudo não, pelo amor de Deus.
Dedé Santana
Conta aquela parte do redondo, do redondinho lá, do picadeiro.
Diego Hipólito
Então, na realidade, eu entrei no circo, né, já tem cerca de cinco anos, e quando eu retomei ao Abracadabra, que foi onde eu iniciei, por convite do Frederico Hader, a gente voltou, a gente começou a trabalhar em conjunto, eu e o Dedé. Né? Que foi um encontro de gerações, que eu digo...
Dedé Santana
O Hedder, Hedder.
Diego Hipólito
É o Frederico, é o Frederico Hedder.
Dedé Santana
É o Frederico Hedder, que é o nosso diretor, produtor. Ele é do teatro, claro.
Marcos Guesa
Eles são maravilhosos, eles são de São Gonçalo também.
Diego Hipólito
Exatamente.
Dedé Santana
Ele é também de lá, é.
Marcos Guesa
Sim. A mãe dele é ótima, eles são ótimos. Eu adoro o cuidado que eles têm.
Diego Hipólito
A mãe dele foi arravessada junto com a minha mãe.
Marcos Guesa
É, como é que é o nome dela?
Diego Hipólito
Eu imagino agora na minha cabeça.
Marcos Guesa
Regina, não sei. Tânia, é o nome deles. Queridos demais, são pessoas maravilhosas.
Dedé Santana
Você conhece a mãe do Diego? Não conheço. Minha mãe é uma compadre. É fora de série, rapaz.
Diego Hipólito
Minha mãe é muito engraçada.
Dedé Santana
Uma mulher inteligente. Mas ela é muito inteligente.
Bola
Você vê pelo estilo que ela fez.
Dedé Santana
Eu sou fã. Sou fã da... Dona Eugênia. Da ideia da dona Eugênia. Sou fã.
Diego Hipólito
Minha mãe é muito engraçada. Minha mãe tem 10 máquinas de lavar.
Dedé Santana
Dez?
Diego Hipólito
Dez máquinas lavadas.
Bola
Por quê?
Dedé Santana
Não sei, eu não entendo.
Diego Hipólito
Até hoje eu não entendo.
Dedé Santana
Você tá zoando.
Bola
Juro. Mas todas funcionando.
Dedé Santana
Ela tinha nove, todas funcionando.
Diego Hipólito
O que acontece? Ela tinha nove. Uma parou de funcionar.
Bola
Tá.
Diego Hipólito
E aí ela comprou mais uma porque uma tinha parado de funcionar e ela consertou a outra. Então ela tá com dez máquinas funcionando.
Dedé Santana
Foi consertando e foi ficando.
Marcos Guesa
Mas como assim? Ela viu uma lavandeirinha em casa?
Dedé Santana
Todo mundo acha.
Marcos Guesa
Tem gente que faz salgado.
Diego Hipólito
Todo mundo acha.
Bola
Cara, que coisa.
Diego Hipólito
Quando minha mãe para de aparecer no meu Instagram, todo mundo, cadê a Dona Geni? Por que você não tá filmando ela? Porque eu filmo, porque ela lava a roupa todos os dias. E aí eu falo, gente, eu não tenho como fazer minha mãe parar de lavar a roupa.
Dedé Santana
Ela gosta.
Bola
Mas deixa eu entender, ela lava a roupa de quantas pessoas, irmão?
Diego Hipólito
Cara, às vezes ela lava só dos cachorros. É tipo... É, assim, é uma vontade. Mas também, olha só, a gente tinha até... Recentemente, a gente tinha oito cachorros, agora nós temos seis.
Bola
Ah, então puxa cachorros.
Marcos Guesa
Ela tem que puxar.
Dedé Santana
Uma máquina... Uma máquina para cada cachorro.
Diego Hipólito
Na casa mora o meu irmão, que eu tenho irmão mais velho, mora a minha tia, o marido da minha tia, que é o Magno, e a minha mãe e o meu pai.
Dedé Santana
Só cinco pessoas.
Bola
É dez máquinas.
Dedé Santana
Eu acho que era a hora de Deus pra fazer frio.
Bola
Duas já bastava, irmão.
Diego Hipólito
Mas assim, não tem o que fazer. E ela gosta.
Rica Perrone
É que eu acho que ela veio
Diego Hipólito
de uma realidade, né? Que tipo, minha mãe foi muito humilde, né? Ela veio da roça. E hoje em dia, graças a Deus, nós temos uma condição financeira melhor. E minha mãe, ela vive muito isso. Então, tudo ela tem muito, tá? Minha mãe... Estavam reclamando na minha rede social que as panelas estavam feias lá de casa.
Bola
Tá.
Diego Hipólito
E graças a Deus eu tenho condição de comprar o aparelho dos melhores. Eu comprei dois jogos novos.
Bola
Zerado.
Diego Hipólito
Assim, eu comprei já tem uns oito meses e ela nunca usou nenhum.
Dedé Santana
Ela quer usar.
Bola
Ela, não.
Diego Hipólito
A gente tem que usar esse. Tem que fazer nessa daqui.
Bola
Que pega o gosto.
Rica Perrone
Não tem o que fazer.
Diego Hipólito
Não tem o que fazer, ela gosta disso. Minha mãe é muito engraçada.
Bola
Nesses dias eu vi uma máquina que está lascada, irmão. Você viu a nova máquina? Não sei quem lançou. Ela funciona com o IA.
Diego Hipólito
Com o IA?
Bola
Tem um painel, você só... Ela já vê o peso, já vê tudo. Ela não quer a mais chique não.
Diego Hipólito
Ela gosta das mais simples. Quando eu participei do Big Brother eu ganhei máquina de lavar também depois.
Dedé Santana
Ganhei, ganhei.
Diego Hipólito
E aí ela nunca usou essa daí, tá lá bonitinha, tá lá em caixa, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, Pô, se precisar, fala pra ela
Bola
vender uma pra nós, irmão.
Diego Hipólito
Ela não vende.
Bola
Não vende?
Diego Hipólito
Não vende.
Dedé Santana
Não vende, não troca.
Bola
Que coisa, irmão.
Diego Hipólito
Mas ela tem muito o que fazer. Ela gosta. Lá em casa tem uma quantidade de sofás surreal.
Bola
Ah, para.
Diego Hipólito
Colchão.
Bola
Mas vocês moram num galpão.
Diego Hipólito
Não.
Dedé Santana
Porra. Se não é casa, é um galpão.
Bola
O Leandro guarda tudo isso, irmão.
Diego Hipólito
Não, é muito absurdo. Muito absurdo.
Dedé Santana
Caraca, Diego.
Diego Hipólito
É.
Bola
Que figura.
Diego Hipólito
Você vê como cachorro. A gente tem seis cachorros e nós tínhamos oito. É, tudo lá é um número grande.
Bola
É a mais. Caramba, que coisa.
Dedé Santana
É conversar com ela.
Diego Hipólito
Mas a minha mãe, ela é muito engraçada. E ela ama o Dedé, né? Todas as vezes.
Dedé Santana
Quem não ama o Dedé? Quem não ama o Dedé?
Marcos Guesa
Só as ex-mulheres que de repente não. Foram quantas, Dedé?
Dedé Santana
É, deixa eu fazer as contas aqui. Foram três.
Bola
Três? Até que não foi muito.
Dedé Santana
Mas, graças a Deus, eu... Se dá bem com todos. A 37 anos agora, eu dei sorte, rapaz.
Bola
Que bom.
Dedé Santana
Deu sorte. Arrumei uma rainha.
Marcos Guesa
Uma rainha.
Dedé Santana
Porque ela era a primeira rainha da Utuber Fest Santa Cruz do Cuxu. Eu digo, eu sou paiasso, mas não sou bobo. Peguei logo uma rainha, né?
Bola
Que beleza.
Dedé Santana
É Christiane Bublitz. Ela é alemoa, né?
Bola
Alemoa.
Dedé Santana
Eu também tenho sangue de alemão, sabia?
Bola
Não sabia.
Dedé Santana
É por parte de um amigo íntimo do meu pai.
Diego Hipólito
É.
Dedé Santana
Não, peraí, o que que houve? Não, não, peraí, não entendi. O que que aconteceu?
Bola
Foi parte de um amigo íntimo do seu bairro.
Dedé Santana
Não, não, eu vou te explicar.
Bola
Explicar.
Dedé Santana
É que quando a minha mãe tava pra me ter, antes nunca tivesse metido, né?
Bola
Antes nunca tivesse metido, é verdade.
Dedé Santana
Ela precisou de uma transfusão de sangue. E a única foi naquela época lá. E esse alemão que o enfermeiro conhecia, o sangue compatível, cedeu o sangue pra minha mãe. Minha mãe era afrodescendente, meu pai descendente de cigano da Ucrânia. E o cigano, ele tem uma coisa, se você fizer um benefício pra ele, o primeiro filho que nasce, ele põe o nome do alemão. Por isso que o meu nome é Manfre, porque o nome desse alemão era Manfre.
Bola
Entendi.
Dedé Santana
Por isso que eu digo que tem sangue de alemão.
Bola
O alemão fez um benefício pro teu pai.
Dedé Santana
Botou o nome, é coisa de... E
Bola
o circo vem desde o teu pai, Dedé?
Dedé Santana
É.
Bola
O circo vem desde o teu pai?
Dedé Santana
Eu nasci na barraca do circo, né?
Bola
Teu pai já mexia com isso.
Dedé Santana
Eu entrei em cena a primeira vez com 3 meses de idade.
Marcos Guesa
Ele é de São Gonçalo.
Dedé Santana
São Gonçalo. Pô, conterrâneo. Nós, Niterói, né? Nós somos orgulhosos.
Marcos Guesa
É isso aí.
Dedé Santana
São Gonçalo.
Bola
Só eu não nasci em São Gonçalo.
Marcos Guesa
Você nasceu ali na Venda da Cruz.
Bola
Como já onde a Sabina nasceu?
Dedé Santana
Fala onde eu nasci o nome, eu quero.
Marcos Guesa
Venda da Cruz.
Dedé Santana
Vaca Braba.
Marcos Guesa
Ele nasceu na Vaca Braba, ali entre o Morro do Castro, Barreto, ali, ali.
Dedé Santana
Agora todo mundo vai saber.
Marcos Guesa
Covanca.
Dedé Santana
Agora tu não vai saber que eu tô preparando um filme agora, que vai se chamar Pra Sempre, Trapalhão, né? Eu não queria botar Trapalhão no meio e tal, mas o diretor... Meu nome
Bola
é bom, meu nome é bom. Pra Sempre, Trapalhão.
Dedé Santana
É o Felipe Cunha. O Felipe Cunha é o produtor, o diretor, e ele falou, não, tem que botar Trapalhão.
Bola
Eu também acho.
Dedé Santana
Aí eu vou contar essa história toda.
Marcos Guesa
Conta aí, conta aí.
Dedé Santana
Lá no Acabraba, onde eu nasci.
Bola
Quem que tá no filme?
Diego Hipólito
Conta lá.
Dedé Santana
É, tem... A Dira Paz vai fazer minha mãe, né?
Bola
Ah, que legal.
Dedé Santana
A Dira Paz. Tem outros também ainda.
Bola
Boa.
Marcos Guesa
Mas vamos lá, conta aí, Dede.
Dedé Santana
A história foi essa, então. E o pessoal não queria me registrar, rapaz.
Marcos Guesa
Por quê?
Dedé Santana
Porque o nome era alemão, em 36, aquela época tava vindo da guerra. Eles não aceitavam botar o nome. Meu pai falou, não, vai ser Manfred. E teimou com isso. Aí o meu tio era um ator dramático, falou, vamos lá, foi lá, fez um drama, rapaz.
Bola
Chorou.
Dedé Santana
Como é que chama ali onde registra? Cartório. No cartório? Isso. E ele fez um drama, todo mundo chorou e tudo, né? Mas o cara não registrou. Aí meu pai era palhaço, né? Fez palhaçada, o pessoal deu risada.
Bola
Alegrou todo mundo.
Dedé Santana
Não registrou. Aí meu pai ia saindo e falou, você tem naquele convite, né? Naquele tempo chamava permanente. Meu pai falou, você tem permanente? Aí meu pai falou, meu tio falou, tem uns 10, me dá essas 10 aí. Foi com a permanente lá, distribuiu, aí o cara chamou, não vem aqui, vamos registrar. Aí registrou. Já tinha corrupção nessa época.
Marcos Guesa
Molhar a mão é coisa Pai, né? Mas Dedé, pô, você nasceu no circo, com três meses, você falou que já tava no palco.
Dedé Santana
Eu entrei sem querer, com três meses, é até uma história, não sei se dá tempo de contar.
Marcos Guesa
Claro que dá, fica à vontade.
Dedé Santana
É assim, meu pai tinha, chamava LP antigamente.
Bola
Os discos, famosos discos.
Dedé Santana
Ali tinha cachorro latindo, criança chorando.
Marcos Guesa
De efeito.
Dedé Santana
Tiro, efeitos especiais, né? Então ele preparou um disco com choro de criança. E botou um boneco, minha mãe era uma escrava, porque todo o papel de escrava ia pra minha mãe, porque o circo antigamente era circo, teatro. A primeira parte era picadeiro, número de assistência, e a segunda parte era palco. Era peças, dramas, comédia e tal. Isso era um drama, chamava Cabana do Pai Tomás e tal. E aí, na hora, tinha uma hora que minha mãe era vendida pra uma fazenda e o filho ficava. E aí, a criança chorava, então meu pai falou, prepara o disco. Preparou. Aí, na hora de entrar, eu ficava num cachotinho na beirada do pão.
Bola
Botava uma palha ali.
Dedé Santana
Não era nem berço, era um cachotinho. Então, a minha mãe na hora falou, Ah, eu vou entrar com o manfre mesmo.
Bola
Vem de entrar com o boneco.
Dedé Santana
Entrou comigo no colo. E eles com disco preparado pra chorar. Aí na hora da venda, tiraram eu do colo da minha mãe. Você chorou de verdade. Exatamente. Eu não sei se tava quentinho e tal.
Bola
Que maravilhoso.
Dedé Santana
Eu chorei. E a plateia toda chorando. E os artistas começaram a rir. E a plateia não entendeu. Aí, meu pai parou, meu pai fazia o senhor dos escravos e tal, brancão, alto. Ele parou e falou, olha, eu vou explicar o que aconteceu. É que o meu filho, esse que tá aí, ela é minha esposa, explicou pra plateia e ele chorou na hora certa. Então, foi o meu primeiro aplauso. Foi com três meses de idade. Que beleza, hein? E minha primeira vaia aos 16 anos, né? Por que que teve a vaia?
Bola
O que que você aprontou?
Dedé Santana
O meu pai tava com o Chico Somená do campo aqui, né? É... E trazer aqueles duplos sertanejo e tal. E tava anunciado Tuniquitinoco nesse sábado.
Bola
Porra, porra, Luiz Brabo.
Dedé Santana
Lotava, né?
Bola
Brabo, porra.
Dedé Santana
Lotava. Era Luiz Gonzaga, Tuniquitinoco. É, Tuniquitinoco. Cascatinha e Iana. É, Trio Paradura.
Bola
Trio Paradura, Irmãs Galvão.
Dedé Santana
Era os caras que lotavam.
Bola
As marcianas.
Dedé Santana
É, o circo lotou, rapaz, de uma maneira que estavam quase quebrando o circo. E eles não chegavam.
Bola
Nossa.
Dedé Santana
Porque eles faziam três, quatro shows. Outro circo, outro circo, outro circo.
Bola
Atrasou.
Dedé Santana
E do meu pai era o último. E o meu pai toda hora dizia, vai lá, entra e faz alguma coisa. Eu entrava e fazia alguma coisa.
Bola
Fazia uma graça.
Dedé Santana
Não veio, não veio. Entra lá de novo, faz alguma coisa.
Bola
Na terceira vez... Jogava, jogava, você pros leão, né, meu?
Dedé Santana
Na terceira vez, o povo começou a vaiar.
Bola
Lógico, né, meu?
Dedé Santana
O povo... Aí meu pai entrou correndo no picadelo. Chegaram, chegaram, chegaram. Então, minha primeira vaia tinha 16 anos de idade. Entendi.
Bola
Mas é bom já acostumar também, né?
Marcos Guesa
Diego Hipólito também... Cara, olha, eu vou... Nós somos, o Brasil é testemunha ocular do fatídico queda de bunda. A queda de bunda e você foi lá e arregaçou, porque não deve ser fácil, não deve ser fácil para um atleta se preparar tanto Né? E cair de bunda.
Bola
Ainda mais no Brasil, né?
Marcos Guesa
E aqui no Brasil é assim, né?
Bola
Tá cheio de... Verdade prata não vale bosta nenhuma.
Marcos Guesa
É, ninguém se esforça por porra nenhuma e adora criticar. Você foi muito criticado, zombado.
Bola
É, mas depois deu a volta por cima e arrebentou.
Marcos Guesa
E eu queria que você contasse um pouco dessa tua trajetória, né, cara? Que é espetacular.
Diego Hipólito
Então, eu tive uma carreira de muitos altos e baixos, e era uma época que a televisão era muito predominante. Então, tudo que acontecia, ao mesmo tempo que você ganhava espaço na televisão, era muito julgado, como se você falhasse. E eu tinha tentado as Olimpíadas de 2004 e eu não tinha me classificado porque nessa época a equipe não era tão... não é que não era tão preparada, nós não tínhamos uma técnica tão avançada. Então eu já era quarto do mundo no ano de 2003 e eu não me classifiquei para as Olimpíadas de 2004. Então já era uma frustração a questão de não ter me classificado e tinha tido um ano muito... No ano de 2004, foi um ano de muitos resultados. Eu consegui oito medalhas em Copas do Mundo. A primeira foi no dia 4 de 4 de 2004. E depois eu consegui 69 medalhas em Copas do Mundo na minha carreira toda.
Bola
69?
Diego Hipólito
69.
Bola
Cara, que beleza, irmão.
Diego Hipólito
E eu competi menos do que 69, porque eu ganhava muitas vezes no solo e no salto também. E isso com 11 cirurgias, tá? Que eu operei 5 vezes o pé direito.
Bola
11?
Diego Hipólito
É, 11 cirurgias. 5 o pé direito, 1 o pé esquerdo, 2 o joelho direito, 2 o ombro esquerdo, 1 coluna, eu enxertei dos 2 joelhos pra reconstruir meu pé, rompi o bíceps, quebrei meu pé mais de 30 vezes. E isso você pensa que num período de 10 anos...
Bola
Mas era cena de ginásio ou andar de moto, bicho?
Diego Hipólito
Cena de ginásio, cena de ginásio.
Dedé Santana
E não desistiu, né?
Bola
Ufa, que beleza, bicho.
Diego Hipólito
Eu tinha 8 hérnias, e isso nesse período todo, Antes das Olimpíadas de 2008, que foi uma Olimpíada que eu era muito conhecido no Brasil, existe uma responsabilidade muito grande. Por mais que eu não tivesse um amparo muito grande naquela época visando, o Brasil não preparava com uma equipe multidisciplinar grande como existe hoje. Hoje em dia a Confederação Brasileira é super equipada. Os atletas têm tudo do bom e do melhor. Nessa minha geração era eu e o treinador. Então, eu fui três meses antes, eu tinha tido dengue hemorragica, dois meses e meio antes eu tive dengue hemorragica, que emagrece dez quilos. Eu tinha operado meu joelho exatamente três meses antes dos Jogos Olímpicos, mas eu cheguei nos Jogos Olímpicos ainda como favorito. E eu competi o primeiro dia, no primeiro dia... Eu me classifiquei em primeiro lugar.
Marcos Guesa
Foi em Pequim, né?
Dedé Santana
Em Pequim.
Diego Hipólito
A gente não tinha o tablado olímpico no Brasil, tá? Eu competi no jogo...
Bola
Não tinha?
Diego Hipólito
Não, no Brasil não tinha.
Dedé Santana
Porra.
Diego Hipólito
Hoje em dia nós temos vários. Inclusive no meu instituto, o Instituto Hipólito, tem o tablado que a Rebeca compete, salto que a Rebeca compete, a parola que a Rebeca compete. Então, hoje nós temos... A ginástica evoluiu muito. Então, eu cheguei como favorito, só que assim, eu virei um atleta celebridade. E isso é muito ruim. Porque eu perdi um pouco da noção também muito do que era referência pra mim. Então, atleta é atleta. A gente tinha encontrado o Carioca antes do nosso podcast aqui. E a gente tava conversando sobre as questões anteriores e tipo, era um período que a ginástica via só o Diego Hipólito.
Marcos Guesa
Era muito amador. Como é que era o nome daquela menina? Tinha tua irmã?
Diego Hipólito
Era os DDDs, né? A Dayane Santos, o Diego Hipólito e a Daniela Hipólito.
Dedé Santana
Isso aí.
Diego Hipólito
Então, era muito tudo em cima só dos três atletas.
Marcos Guesa
E tinha uma menininha nos anos 90 ali.
Diego Hipólito
A Jade Barbosa.
Marcos Guesa
Jade Barbosa.
Diego Hipólito
Não, não. Anos 90, a Luísa Parente.
Marcos Guesa
Luísa Parente. Luísa Parente também.
Diego Hipólito
Ela foi a primeira percursora, né?
Marcos Guesa
Exato.
Diego Hipólito
Ela conseguiu duas medalhas em jogos pan-americanos de ouro, uma no salto e eu não lembro a outra onde foi. E depois veio o surgimento da Dani em 2001 com a primeira medalha mundial da ginástica, a Dai em 2003 com o primeiro ouro em campeonatos mundiais. E depois no masculino eu tive 2005, ouro, 2006, prata, 2007, ouro, 2011, bronze, 2014. bronze e medalhista olímpico no Rio 2016, fazendo 10 anos agora, né?
Rica Perrone
Legal.
Diego Hipólito
Então, quando eu caí de bunda em Pequim, foi muito difícil, porque era uma geração que, tipo, você caiu, você é criminoso. Então, eu não tinha coragem de sair na rua. E eu saí na rua, algumas vezes eu apanhei de pessoas que eu nem conhecia.
Marcos Guesa
Não, não é possível que você apanhega.
Diego Hipólito
É mesmo.
Bola
Não é possível.
Diego Hipólito
Isso todo mundo sabe, é uma coisa
Marcos Guesa
que era muito grave.
Diego Hipólito
Então, é...
Bola
É o que você falou, você era muito mirado, era muito alvo em tudo em você.
Diego Hipólito
Em tudo, em tudo. Só que eu lidava muito bem com isso.
Bola
Que bom, pô.
Diego Hipólito
Em todas as críticas, eu sempre fui muito tranquilo. Que eu acho que foi isso que me fez parar até no circo, porque aí eu tive as Olimpíadas de 2012, que eu caí de cara.
Marcos Guesa
Londres.
Diego Hipólito
Mas Londres eu tinha operado quatro vezes naquele ano. Eu, dez minutos antes da competição, eu tive que enxertar... Enxertar não, tipo... Pô,
Bola
você é um herói, amor. Você tá brincando, velho.
Diego Hipólito
Colocar...
Marcos Guesa
Infiltração.
Diego Hipólito
Infiltração de xilocaína no meu pé pra eu conseguir competir. E se você desse um soco no meu pé, eu não sentia meu pé. Dez minutos antes da competição. Eu entrei e aí caí de cara. E ninguém sabia que eu tava tão ruim. Eu tinha...
Bola
Não sabia mesmo.
Diego Hipólito
Tipo, uma semana antes das Olimpíadas de Londres, eu tinha feito uma... É um inchaço do osso. É quebrar como se quebrasse o...
Marcos Guesa
O estresse. Seria um estresse.
Diego Hipólito
Não, é uma... Eu esqueci o nome. É um inchaço do osso.
Bola
O osso incha.
Diego Hipólito
É. É como se você quebrasse por excesso de treino ou por uma grande pancada. E eu tinha feito isso um mês antes no pé anterior. No pé esquerdo. Depois eu fiz no pé direito. Então... Eu tava muito quebrado antes das Olimpíadas, só que era uma vaga que era de direito minha, não era uma vaga do país, era uma vaga que eu tinha conquistado por ter sido medalhista mundial, então não tinha como eu não entrar. Então, Rio de Janeiro, eu já era mais velho, eu tava com 30 anos de idade, pra ginástica, 30 anos de idade, na minha geração, era o máximo de... De idade. Ninguém ficava até essa idade. Os atletas na minha final tinham 10 anos a menos do que eu.
Bola
Caramba!
Diego Hipólito
Era uma idade muito diferente. Então, quando eu entrei, eu já tinha uma super responsabilidade. A minha classificação olímpica foi muito difícil, porque eu tinha tido mudança de treinador, meu treinador tinha sido acusado de abuso sexual. É, um mês...
Marcos Guesa
Eu lembro disso.
Diego Hipólito
Um mês e uma semana antes dos Jogos Olímpicos, eu ia entrar no Faustão, aí não entrei, aí desmaiei antes do programa. Foi uma superconfusão na classificação olímpica. Então, quando eu entrei, eu tava muito diferente. Eu tava muito assim, meu Deus do céu, preciso entrar nessa competição. Me classificar foi muito difícil.
Bola
Imagina.
Diego Hipólito
E eu só continuei na ginástica depois de 2012, porque 2013 mudou a aparelhagem. O solo, os aparelhos, antigamente, eles não tinham mola. Depois de 2013, eles começaram a ter mola.
Bola
Entendi.
Marcos Guesa
Mas foi mais porque teria a Olimpíada no Rio e eles deram um gás, é isso?
Diego Hipólito
Não, isso não foi por conta do Rio de Janeiro. Foi porque, como os atletas tinham muitas lesões, eles mudaram os equipamentos para impulsionar. E também, na hora de chegar, ele machuca menos.
Marcos Guesa
Amortecia.
Bola
Sim, sim.
Diego Hipólito
Então, todos os aparelhos, eles tiveram mudanças. O salto, vocês lembram que era um cavalo, né? Que ele era lateral? Hoje em dia, ele é uma mesa. É chamado de mesa de salto. Ele é diferente do que ele era nessa época. Então, tudo melhorou. Então, eu falei, cara, Deus tá me dando uma oportunidade de eu continuar na ginástica. Só que, mesmo assim, a gente só começou a ter essas aparelhagens no Brasil em 2014. Foi a maior compra da história de aparelhos que o Brasil teve. Que são os aparelhos, inclusive, que tem Não, tem mais. Hoje em dia a ginástica é muito equipada. Nós somos exemplo mundial a ser seguido. Hoje em dia a ginástica é o máximo, mas para eu chegar lá foi muito difícil. Então, quando eu cheguei no Rio de Janeiro, as pessoas acharam que eu cheguei sem responsabilidade. Muito pelo contrário, era a minha única oportunidade.
Bola
Sem responsabilidade?
Diego Hipólito
É, não, eu digo assim, mais tranquilo.
Marcos Guesa
Vou competir, não tenho peso.
Bola
Você deu o peso do mundo nas costas.
Marcos Guesa
Não, não, mas não é isso. Ele tá dizendo o seguinte, Paulo, ele entrou ali já meio que, ah, ele vai participar, mas não tem um compromisso com a vitória, assim.
Diego Hipólito
É o que todo mundo achava, porque... Só que na minha cabeça eu falava assim, caramba... Pô, já tinha surgimento de grandes atletas, e graças a Deus, porque o céu tem espaço pra todo mundo brilhar, mas aí tinha Arthur Zanetti, tinha a Jade, tinha a Rebeca, tinha a Dani, tinha a Flávia, tinha o Nori, tinha o Francisco Barreto, tinha o Sasaki. Tinham grandes atletas nesse time. Então, a responsabilidade não era sobre o Diego, só que nesse dia tinham 18 mil pessoas assistindo. Então, quando você entra, é um estádio fechado, todo mundo torcendo por você. E eu sinto, sabe que por mais que eu tenha sido muito criticado, eu acho que o brasileiro gostou muito de mim. Então, isso que me motivava. Você acha? Mas isso que me motivava. Porque eu não desistia, porque eu via, cara, as pessoas falando comigo, pô, não desiste não, tenta mais uma. Então, quando eu fui medalhista, Foi algo muito surreal. Eu acho que minha história parece que foi escrita à mão. Eu acredito muito em Deus. Então, quando... Por que eu falei dessa história toda? Porque depois que eu entrei, saí da ginástica, a gente fica um pouco sem rumo, né? O que eu vou fazer? Conquistei tudo.
Marcos Guesa
Dediquei uma vida inteira para o esporte.
Bola
Deve ser difícil. Porque você começou moleque também.
Diego Hipólito
Muito novo. Comecei com 7 anos de idade. E eu terminei minha carreira com 30 para 31. Então eu falei, o que eu vou fazer? Eu não tenho mais condição de ficar na ginástica. Eu vou terminar no auge. E eu tinha muitas lesões, né? A minha quantidade de lesão, eu falei, não tem como eu ser mais competitivo.
Marcos Guesa
Hoje ainda te prejudica? Você tem sequelas?
Diego Hipólito
Eu tô com uma cinta aqui, não
Dedé Santana
sei se dá pra ver. Incrível, né? Ele lá no circo, ele salta, dá pirueta. Ele faz números no circo.
Marcos Guesa
Você faz os números no circo.
Dedé Santana
Lá no Abracadabra, ele dá salto pirueta.
Diego Hipólito
Mas é diferente. Quando eu entrei no circo, eu tive o convite do Fred. Rita, o nome da mãe do Fred.
Marcos Guesa
Rita, dona Rita, um beijo.
Diego Hipólito
Dona Rita, um beijo.
Marcos Guesa
Rita do mudo do ar.
Diego Hipólito
Exatamente, querida. E quando eu entrei no circo, eu falei, não vou entrar, porque eu tinha a impressão de circo de Circo de Soleil. Tipo, vou entrar mais um artista lá no meio. Eu falei, cara, eu achava algo... Eu tinha uma impressão não tão positiva do circo. E esse circo que a gente está, foi o primeiro circo a ter orquestra ao vivo.
Bola
Porra!
Diego Hipólito
Nós temos guitarrista, nós temos tecladista, nós temos...
Dedé Santana
Bailarino, bailarina, quatro cantores. É o musical, rapaz.
Diego Hipólito
Exatamente. Nós estamos... Mas, mas... Não vai lá. Depois eu falo exatamente onde está o ciclo, que a gente tem que... Vocês tem que ir lá pra ver, pra entender.
Dedé Santana
É na Arena Sabesp lá.
Diego Hipólito
Na Arena Sabespia, exatamente no coração de São Paulo, que é ali do lado do shopping, no shopping da Moca Plaza Shopping ali.
Bola
É sensacional.
Diego Hipólito
Ele foi o percursor de muitas coisas.
Bola
Tem quatro cantores... Caraca, né?
Diego Hipólito
Quatro cantores ao vivo. Nós temos os irmãos Brauna, que são covers, back vocals da Ivete Sangalo. São campeões do Canta Comigo também. Nós temos o Wesley, a Sadile. Nós temos mais de 20 bailarinos no palco. É o primeiro lugar onde teve um circo com o picadeiro, ele é todo de madeira em cima. As cadeiras, foi o primeiro circo a ter cadeiras acolchoadas. Foi o primeiro circo, se eu não me engano, a ter ar-condicionado. Primeiro circo a ter telão de LED. É o primeiro circo... Há muitas coisas. E é muito impressionante. O primeiro circo a ter uma praça de alimentação que tem até um carrossel no meio da praça de alimentação.
Bola
Mas deixa eu entender uma coisa, Diego. Esse circo é teu e do Dedé, é isso?
Diego Hipólito
Não, esse circo é do Frederico Leder.
Bola
Tá, entendi.
Marcos Guesa
Grupo Hedder.
Diego Hipólito
Que foi a pessoa que me levou ao circo.
Bola
Entendi.
Diego Hipólito
Porque nessa época, eu tive um período, bem na pandemia, que eu quebrei financeiramente. Eu não sei como, eu tinha restaurante em São Paulo, eu tinha patrimônio... Pô, fechou tudo, irmão.
Bola
Teve que parar tudo.
Diego Hipólito
Cara, eu não sei o que aconteceu, parece que... Eu acredito muito em Deus.
Dedé Santana
Eu sei o quê, já passei por isso várias vezes.
Bola
Verdade é experiência.
Dedé Santana
Tem experiência. Quebrar é comigo mesmo, fala comigo.
Marcos Guesa
E o Diego também, já quebrou o pé quantas vezes.
Dedé Santana
Quebrar é com ele.
Diego Hipólito
Exato. E o circo, na realidade, eu me reinventei, porque quando eu entrei, depois virei mestre de cerimônia, que aí me ajudou nas minhas palestras.
Dedé Santana
Rapaz, ele apresenta tão bem o espetáculo, é incrível. Ele entra, ele apresenta o espetáculo, E até eu falei pra ele, eu não gosto de você apresentando espetáculo. Não, eu não faço bem, não. Não é que você não faz bem, é que você é uma atração. Acho que você tem que aparecer na hora de fazer os seus saltos. Você aparecendo antes já quebra um pouco. Porque ele apresenta muito bem o espetáculo, né?
Bola
Que legal.
Diego Hipólito
E é muito bonito, porque assim, é uma história, pra vocês entenderem também, a minha vida foi muito sobre profetizar o bem, né? Falar coisas boas, sobre a palavra. E o Abra Cadabra é exatamente isso.
Marcos Guesa
Onde a mágica acontece.
Diego Hipólito
Exatamente.
Marcos Guesa
Quando a mágica acontece.
Bola
Abra cadabra.
Dedé Santana
Eu fico muito feliz porque o Frederico Hedder inovou o circo no Brasil. Hoje tem vários circos imitando ele. O estilo de palco, de formação de escada, bailarinos. Tem muitos circos que já começaram a imitar ele. E isso é a renovação do circo no Brasil. Porque o Beto Carreiro me dizia assim, ah, daqui cinco anos não existe... Vai acabar. Só que ele nunca pensou que ia aparecer um Frederico Hedder que ia dar um movimento... Que ia inovar desse jeito. Inovou. Porque o que inovou primeiro foi o Beto Carreiro. E agora o Frederico Hedder é incrível, hein? Só você vendo o espetáculo. Não é um circo comum, né? E não é Soleil, porque Soleil pra mim, que sou artista circense, sou nascido em Barraca do Chico, Soleil não é um espetáculo circense. É um espetáculo que tem número circense, mas não é um espetáculo circense. Agora, o Redé não, é um espetáculo circense.
Bola
Ele continua tradicional ainda, com palhaço, com mágica.
Dedé Santana
Inclusive, ele me pediu, no início, ele falou, quero uma coisa, eu falei, bem manjada, uma coisa bem tradicional de circo. Você faz umas piadas tradicional de circo e tal. Até eu ensaiei um negócio bem manjado, bem tradicional de circo. Ele falou, porque eu quero isso, eu quero aquele tradicional mesmo.
Marcos Guesa
Você sabe o que acontece, Bola? Eu, quando eu faço show lá no Claro, no Rio, Teatro Claro, é do Reden, né?
Dedé Santana
É do Reden.
Marcos Guesa
Cara, o foyer do teatro que é uma das coisas, é um diferencial.
Dedé Santana
Ele é.
Marcos Guesa
Rapaz, o pipoqueiro com aquela roupa, sabe assim?
Dedé Santana
É, ele faz essas coisas.
Marcos Guesa
É cara, entendeu?
Diego Hipólito
Isso é uma coisa que vocês, que as pessoas ficam muito impressionadas.
Dedé Santana
Sim.
Diego Hipólito
Porque o padrão de roupa do Heather É Broadway.
Bola
O cara é exigente.
Diego Hipólito
Isso.
Dedé Santana
Você chega no teatro e faz.
Marcos Guesa
Já é um espetáculo.
Bola
Com certeza eu vou. Quero ver isso.
Dedé Santana
E ele não larga na mão dos outros não. Ele que tá lá. Ele fica de noite ali. Se o patrão, se o chefe não tiver...
Marcos Guesa
O camarim bola. O camarim é impecável. O respeito com o artista. É muito bacana. O camarim, tem um frigobar meio classic, a luzinha no lugar, sabe? O sofá, o tapete, o cuidado do artista pro palco, sabe? É tudo bem acabado, bem cuidado. Não, é não, não, não, não, é outro padrão.
Dedé Santana
Quando eu fui no teatro dele, eu falei, ô Heder, por que que você se meteu em circo, cara? Você faz um teatro tão lindo, tão... Ele falou, rapaz, eu amo o circo, a minha paixão. Eu fui no circo em São Gonçalo, lá em Niterói, A primeira vez, com sete anos de idade, ele viu um tal de Lambança. Eu falei, eu vi o palhaço Lambança, eu falei, eu quero fazer isso, eu quero o circo, eu quero... Ele tinha sete anos de idade. E pra mim trabalhar com ele, ele vinha há dez anos me convidando. Dez anos? Dez anos.
Bola
Por que demorou tanto, Dedé?
Dedé Santana
Demorou porque eu falei, eu tô com uma certa idade, você faz três sessões sábado, três domingos e tal.
Bola
Um cinquenta cinco, irmão.
Marcos Guesa
Você tá fazendo os três sábados?
Dedé Santana
Não, agora ele falou, Dedé, agora você vai trabalhar comigo. Por quê? Eu passei pra duas sábados e duas domingos. Falei, fechou, assinamos hoje.
Marcos Guesa
Aí duas em sábado e duas no dia.
Dedé Santana
Aí eu fui lá pra ficar três meses, né? Fui pra ficar três meses. Já tô há quanto tempo, Marcos, acho? Quase dois anos, né? Quase dois anos.
Bola
Caramba, meu.
Marcos Guesa
É cachaça.
Dedé Santana
Rapaz, não, é bom trabalhar lá. Você se sente orgulhoso. Você, como circense, entrar num espetáculo desse, você se sente bem, Rafael.
Bola
Você tem orgulho.
Diego Hipólito
É, nós estávamos em Anápolis antes, antes
Dedé Santana
de Goiânia... São José foi um sucesso, assim, estupendo.
Bola
Imagino, pô.
Dedé Santana
Santos também foi... Você ficou quanto tempo,
Marcos Guesa
por exemplo, você foi pra Anápolis, você ficou quanto tempo lá?
Dedé Santana
Três meses.
Marcos Guesa
Três meses.
Dedé Santana
Três meses em Santos.
Marcos Guesa
Vocês tem que ir morar no lugar.
Dedé Santana
É, tem jeito. Tem que ficar lá.
Bola
É de quinta a domingo?
Dedé Santana
Meu Deus. Quinta a domingo.
Marcos Guesa
É uma renúncia, né?
Dedé Santana
É.
Marcos Guesa
Vida de cigano, né?
Dedé Santana
Mas eu gosto. É a vida. Vai gostar lá.
Marcos Guesa
A tua descendência é cigana, né?
Bola
Você nasceu no circo, pô.
Dedé Santana
Nasci.
Marcos Guesa
Teu pai era cigano, que você falou, então...
Dedé Santana
Descendente, né?
Marcos Guesa
Descendente de cigano, mas cigano é, né?
Dedé Santana
A única coisa de cigano que eu sei é o que meu pai falava comigo quando eu ia pedir dinheiro pra ele. Ele falava, Bona tá de mico, quer dizer, esse gano tá sem dinheiro.
Marcos Guesa
O Dedeé, como é que você conheceu o Renato Aragão, o seu Renato, não
Dedé Santana
tô brincando com o Renato Aragão. Não, ele não liga não. É sacanagem, é sacanagem. Tudo é sacanagem. É sacanagem. Mas como é que você conheceu o Renato Aragão? Tudo começou, você conheceu o Arnaud Rodrigues.
Marcos Guesa
Arnaud Rodrigues. Que faleceu de uma forma bizarra, né, num barco, né, pescando, né, meu.
Dedé Santana
Foi salvar uma criança.
Marcos Guesa
Ele foi salvar.
Dedé Santana
Ele foi salvar uma criança que tava se afogando.
Bola
Mentira.
Dedé Santana
Eu acho que ele não nadava direito, sei lá, salvou a criança e morreu. Tadinho. O Arnold Rodrigues, eu estava no teatro Recreio, no Rio de Janeiro, fazendo uma peça quieta, era Walter Pinto, pessoal só puxando na internet para saber quem são esses caras. E ele ia todo dia lá assistir, todo dia. Eu falei, esse cara deve ter alguma mulher aqui, porque era teatro de revista.
Bola
Botar direto aqui, né?
Dedé Santana
Muita mulher e tal. E um dia ele me esperou na saída. Você sabe quem sou? Eu falei, quem que não sabe, né? Ele era um dos diretores da TV Tupi do Rio de Janeiro. Falei, você é o Arnaud? Ele falou, é, sou o Arnaud, rapaz. Eu falei, você tem alguma namorada aqui? Não, rapaz. Eu venho aqui te ver todo dia. Eu falei, me vê?
Bola
É mesmo?
Dedé Santana
Ele falou, é, venho te assistir. Gosto muito do teu trabalho. E vou te levar pra televisão. Eu falei, não, não quero ir pra televisão, eu não queria ir pra televisão. Acabou que eu fui pra televisão.
Bola
Convenceu.
Dedé Santana
É, e ele falou, você vai pro ensaio, eu vou chegar mais tarde. Eu tive uma grande decepção na minha vida, Porque a urca, a plateia era os artistas, ficavam na plateia e na hora do ensaio eles chamavam, mas a plateia era tudo ali, era obrigado a ficar assistindo o ensaio. E tinha ali, tinha Lúcio Mauro, era Jarará Queiratinho, tava lá também. Pô, só os fracos, né?
Bola
Caramba, né?
Dedé Santana
Só astro mesmo ali, né? E eu entrei. Eu entrei e ele falou, Dedé, quem é o Dedé aí? Dedé, eu falei, eu, eu, eu. Aí o cara falou, vem aqui o assistente. Eu vi quando ele perguntou pro assistente, quem é esse aí? Não sei, o Arnaud que mandou, diz que é de teatro e tal. Aí ele falou, então vamos lá, vamos lá, você entra aqui e fala. Aí eu entrei e comecei a falar, o meu amigo, ele falou, para, para. Espera, quem é esse cara, Dedé? Rapaz, você fala muito baixo, você não serve, não. Sai, sai, sai.
Bola
É mesmo.
Dedé Santana
Rapaz, foi uma vergonha que eu passei. Eu não tinha coragem de sair do palco.
Bola
Que isso.
Dedé Santana
Ali a plateia e eu fui. Fui devagarinho, saindo ali e tal. Não sabia como sair dali. Bom, eu trabalhava num teatro a dois mil lugares, que era lotado quase todo dia. Sem microfone, o cara disse que eu falava baixo. Olha só, aí eu falei, nunca mais eu boto... Pra chegar no Renato, né? Nunca mais eu ponho o pé em televisão.
Bola
Não quero nem saber.
Dedé Santana
Quando eu ia saindo, quando eu ia saindo, tinha um gay, magrinho, era muito conhecido do pessoal lá, que ele era figurinista na TV Tupi. Ele falou, você é aqui, meu amor, e tal. É, tô aqui. Eu tava arrasado.
Bola
Tô aqui, mas tô indo embora.
Dedé Santana
Sabe o que ele falou pra mim? Ele falou, você vai trabalhar aqui? Eu falei, acho que não. Ele falou, é pena. Aqui não tem nenhum artista igual a você. Se tivesse igual a você aqui, arrebentava. Eu falei, eu não vou embora, eu vou ficar. E aí resolvi ficar.
Bola
Bateu o pé.
Dedé Santana
Aí o Arnaud chegou, eu expliquei pro
Bola
Arnaud o que tinha acontecido.
Dedé Santana
O que tinha acontecido, o Arnaud falou, não, peraí, tu vai entrar no meu quadro então. Cê entra no meu quadro e tal, cê faz um garçom, dá pra improvisar? Eu falei, dá. Cê faz um garçom então, uma hora eu te puxo. Eu falei, vem cá, quando cê briga comigo, cê pode me puxar com força? Ele falou, por quê? Porque eu tô atrás do balcão, você me puxando, eu vou dar um voo por cima do balcão, vou cair em cima da mesa, vou rolar no chão. Mas como fazer isso? Eu falei, você só me puxa. Porque eu sou do circo, puxa com força. Só do circo. Ele me puxou, dei um voo por cima do balcão, caí. Rapaz, era ao vivo o programa.
Marcos Guesa
A plateia chorava de rir.
Dedé Santana
A plateia aplaudiu e tal e tal. Aí eu fiquei fazendo o quadro dele. Meses depois, ele me chamou lá e falou, olha, preciso falar com você. Tem um rapaz aí que veio do Ceará, né, e ele não tá acertando muito. E nós fomos falar com ele e ele disse que tá acostumado a trabalhar com um companheiro, com um colega e tal.
Bola
Ele gosta de ficar sozinho.
Dedé Santana
E ele não sabe fazer esse tipo de humor sozinho assim e tal. E nós escolhemos você, Dedé. Você vai ser o cara. Se quer trabalhar com ele, eu vou ver ele trabalhar. Eu vou lá ver ele. Aí eu fui escondido com o Arnaud na plateia, assisti. Eu falei, Arnaud, esse cara é muito bom, rapaz. Ele tá fazendo coisa errada. Vocês botaram o cara pra dançar e cantar, é o que ele não sabe fazer. mas o resto, ele é muito bom então, se é topa, topo. E aí foi o primeiro encontro, eu morava ali em Ipanema, tinha um apartamento, ele levou o Renato lá, e quando ele me apresentou o Renato foi engraçado, porque ele falou, eu falei muito prazer Dedé, ele falou muito prazer Didi, ele já era Didi nos caras. E ali foi o nosso primeiro encontro. Aí ele me mostrou os textos, eu li o texto e falei assim, quem escreve isso? Ele falou, eu. Eu falei, você escreve isso? Falei, é eu que escrevo. Eu falei, cara, o dia que você fizer o que você escreve, você vai ser o maior humorista do Brasil. Ele falou, ah, vocês cariocas. Ele tinha um sotaque bem carioca.
Marcos Guesa
Vocês cariocas são muito cariocas.
Dedé Santana
muito gozador e tal. Eu falei, não, rapaz, eu tô falando sério e tal e tal. Ele botou estar na história dele, que fizeram na Globo, tem essa cena. E aí eu falei com ele, mas quando você for escrever, me chama, eu quero escrever com você. Aí eu ia lá, para escrever com ele, eu falava, vamos botar coisa de circo. Ele falou, como coisa de circo? Aqui você dá um tapa, né? Eu te dou um tapa, você quer, mas como faz isso? Eu falei, eu vou te explicar. Aí a gente ia cedo para a televisão, eu dava uma cerveja.
Bola
Ensaiava.
Dedé Santana
Cerveja para o contra-renga. Ele botava um tapete e a gente ensaiava cair, levava a tapa e tal, e funcionou. Aí não deu outra, rapaz.
Marcos Guesa
Mas só os dois?
Dedé Santana
Só os dois. Na Tupi, na Tupi.
Marcos Guesa
Aí virou o Trapalhão, não?
Dedé Santana
Não, ainda não.
Marcos Guesa
Aí foi na Record, né? Era o que isso aí? Era o programa do Arnaud?
Dedé Santana
A Tupi já não pagava a gente direito. Quem moralizou a televisão no Brasil foi o Boni, né? Que moralizou que lá na Globo, quando o pagamento caía na sexta-feira, caía no sábado, domingo, eles te pagavam na sexta. Era certinho, né? Um dia eu entro com ele num quadro, como eu fiz Globo da Morte, já trabalhei em Globo da Morte, falei, vou pedir um amor.
Bola
Você fez Globo da Morte de moto?
Dedé Santana
Eu fiz oito números de circo.
Bola
Putas, que paroca!
Dedé Santana
Eu fiz barra, trapézio, saltei, não... Saltei, né? Saltei, fiz parada de mão.
Bola
Eu sempre fui ruim de equilíbrio.
Dedé Santana
Equilíbrio eu nunca consegui. Agora eu percebi, no Golpe da Morte não serve equilíbrio. É de boa. Não, mas esse dia eu pedi uma moto, eles trouxeram uma moto, e eu rodei com uma moto dentro do cenário com o Renato. E no final eu falei pra ele pular pela janela. Ele é muito corajoso. Ele é meio atleta também, né? Ele deu um pulo na cama e saltou pela janela. quebrou a janela, a plateia ficou doida, né? Aí eu rodei, rodei, rodei com a moto e entrei no cenário. Quinze dias depois o Renato veio pra mim e falou, olha a merda que você fez. E não sei o que que é. Descontaram o cenário no nosso pagamento. Ele era casado, tinha dois filhos. E agora?
Marcos Guesa
Eu tô ferrado, não vai ter comida. Não vai ter comida, Dedé. Olha o que aconteceu.
Dedé Santana
E você sabe que quando começou, os dois eram comediante. Não era Didi e Dedé, era Dedé e Didi. Era dois comediante. Aí eu venho de circo, sou oitava geração circense. Eu chamei ele um dia e falei, Renato, não tá dando certo a nossa dupla. Ele falou, por quê? Porque dois engraçados, dois engraçados não dá certo. Ele falou, e o que a gente faz? Eu falei, um tem que preparar a piada e o outro dá a piada. Então, eu vou fazer o escada pra você. Ele falou, aí você vai se prejudicar. Eu falei, não, não vou me prejudicar. A gente vai fazer um pacto de fazer uma dupla e não separar. E fizemos essa dupla. E ele falou, mas por que eu tenho que ser o comediante? Eu falei, simplesmente porque você é mais engraçado do que eu. Ele falou, você, acho você muito mais engraçado do que eu. Por que que eu vou fazer graça se você faz melhor do que eu? Aí fizemos e deu certo. Aí viemos parar na praça, da praça... João Manuel da Nóbrega. É, praça... Acabou eles convidando a gente pra fazer, foi o dia que a gente ficou com medo, achou que ia mandar a gente embora. O Elen Saldo era o diretor. E ele, não, ele chamou a gente lá pra fazer um programa nosso, né?
Bola
Que legal.
Dedé Santana
E aí, nós fizemos o programa, era de dito, o Guilherme, que já trabalhava com a gente, que é o Pincel. Ah, maravilhoso. Que é padrinho do meu filho que tá aí, né?
Bola
Sargento Pincel.
Dedé Santana
Padrinho do Marcos. E aí começamos a fazer e um dia eles chamaram... Como é que é
Marcos Guesa
o nome dele, Guilherme?
Dedé Santana
Roberto Guilherme.
Marcos Guesa
Que faleceu há pouco tempo.
Dedé Santana
Faleceu há pouco tempo. Aí me chamaram de novo com o Renato lá. Falei, Renato, acho que o programa não funcionou, vão mandar a gente embora, porque...
Bola
Não tão gostou.
Dedé Santana
Aí voltamos lá e eles falaram, não, chamamos vocês aqui porque o programa tá indo muito bem e vocês começaram a ganhar do Fantástico. Então nós precisamos aumentar 15 minutos no programa. Falei, para ganhar do fantástico, vamos aumentar 15 minutos no programa.
Bola
Não era esse ibope de hoje que a turma acha que é 8, 9, era 50, 60.
Dedé Santana
Não, lá dava 90. Aí o Renato falou, caramba, como é que eu vou escrever? Acho que eu vou pegar o Carlos Alberto para me ajudar a escrever, porque o Renato escrevia sozinho. Mas uma coisa eu tenho orgulho, eu levei o humor ciência pra televisão. Eu fui o responsável. Que legal, cara. Quem foi o terceiro? Eu não tô botando azeitona na... Aí entrou o Roberto.
Marcos Guesa
Era você que dividiu o Roberto.
Dedé Santana
O Renato falou, Dedé, que tal se a gente botasse mais um? Que tal? Era 30 páginas, a gente decorava e fazia... 30? É...
Marcos Guesa
A gente... 15 minutos!
Dedé Santana
É, na realidade mesmo, quem dirigia era a gente mesmo.
Bola
Tá.
Dedé Santana
O Heleno Saldo só chegava no final e falava, passa aí pra mim ver. A gente passava, tá ótimo. E ele que assinava.
Marcos Guesa
Normal.
Dedé Santana
É, aí o Renato falou, vamos botar mais um. Eu falei assim, Renato, Vou botar um negão. Ele falou, negão? É, porque todo seriado que vem com negão aí, arrebenta.
Bola
É sucesso.
Dedé Santana
E ele fala, quem? Eu falei, eu tenho negão.
Bola
Ah, já conhecia.
Marcos Guesa
Por causa do samba, né?
Dedé Santana
Eu conheci o Mussum sete anos antes de conhecer. Tá no filme do Mussum.
Marcos Guesa
Maravilhoso.
Dedé Santana
Tá no filme do Mussum. Eu conheci ele sete anos antes de conhecer o Renato. E ele não saía da minha casa, eu ia assistir o show dos originais. Que coisa! E ele entrava no começo, tranquilo, sossegado, deitado, escorregando em pé, sem cair, fazendo... E o povo ria muito.
Bola
Uau, já tem os perfeitos.
Dedé Santana
E ele falava, mas meu compadre... Aí eu fui na casa dele, tá no filme dele, eu fui lá na casa dele pedir pra ele. O Renato falou, ele decora, eu falei, decora, sabia eu lá se ele decorava. Falei que ele decorava. Você sabia que ia funcionar. Eu sabia que ia funcionar. E ele não queria, meu amigo.
Marcos Guesa
Ele não quis.
Dedé Santana
Ele não queria de jeito nenhum.
Marcos Guesa
O Musson não queria.
Dedé Santana
E o Renato, olha, já escrevi pra ele. Escrevi pouquinho, só umas piadinhas.
Bola
Só pra ele se adaptar.
Dedé Santana
Só pra ele se adaptar. O Renato é muito inteligente, caramba. O cara não é fácil. O Renato não é fácil, é inteligente pra caramba. Aí eu falei, vamos, e ele nada, nada, nada. Até que ele falou, meu compadre, eu não sou comediante, eu sou tocador de recorrego. Eu falei, você é comediante, você é quem não sabe. Aí acabei convencendo ele, e aí entrou o Mussu, e o último foi o Zacarias.
Marcos Guesa
Aí o Mussu já rebentou de cara.
Dedé Santana
Quem me apresentou o Mussu?
Marcos Guesa
Quem? Não, o Zacarias, você quer dizer?
Dedé Santana
Não, quem me apresentou o Mussu?
Marcos Guesa
Quem?
Dedé Santana
Jair Rodrigues.
Bola
Jairzão, porra.
Dedé Santana
Porque eu era diretor de uma casa de show aqui em São Paulo, eu tava como diretor, e o Jair Rodrigues cantava lá. E eu falava, Jair, faz um negócio em cena comigo, você é muito engraçado. Eu vou te apresentar um cara engraçado. E me apresentou o Mussu, Jair Rodrigues me apresentou o Mussu. No primeiro dia que eu conheci o Mussu, eu fui no boteco com ele do lado, ele falou, me dá um mé aí. Meia porra, que bebida é essa? Ele falou, olha, ele me chamava de compadre, compadre, eu ponho meio copinho de mel e encho com pinga e misturo. Era pinga com mel que ele tomava. E foi assim, depois veio o Zacarias, quer dizer, o Mussu eu trouxe pro grupo e o Zacarias foi o Renato que trouxe.
Marcos Guesa
Mas como é que o conheceu?
Dedé Santana
Eu não acreditei no Zacarias.
Marcos Guesa
Você não acreditou mesmo?
Dedé Santana
Nem acreditei, porque ele chegou com ele na hora do ensaio de terno, gravata.
Bola
Pô, seríssimo.
Dedé Santana
Com uma voz bonita. Ele era locutor de rádio, era radio ator. Quando ele chegou, eu falei, muito prazer, seu Dedé e tal. Eu falei, Renato... Chamaram o Guanciale.
Bola
Quem que é esse cara?
Dedé Santana
Sim, chamaram o Guanciale. Normal. Eu falei, Renato...
Bola
Não vai servir.
Dedé Santana
Ele falou, esse é o comediante? Ele falou, é. Falei, cara, mas isso tá mais pra gerente de banco do que pra comediante. Comediante. Ele falou, não é gerente, ele foi caixa de banco. E aí, chegou na hora do ensaio, rapaz, eu não aguentei. Eu falei, pô, Renato, você deu na mosca, o cara é melhor do que qualquer um de nós aqui, o cara é bom pra caramba, né? Aí, com aquela voz, na hora de correr, tinha uma cena de correr, ele começou a correr, ele era uma mistura de desenho animado com cinema mudo, ele corria assim. Puts, o cara, eu não aguentava.
Marcos Guesa
O Zacarias é meio um caipira, né? Um mineirinho, um mineirinho.
Dedé Santana
Sabe o que ele falou pra mim?
Marcos Guesa
O que que ele falou?
Dedé Santana
Ele imitou um cara da terra dele, lá de Sete Lagunas.
Bola
É mesmo?
Dedé Santana
Era um cara que vivia lá, que tinha aquele cabelo, que falava daquele jeito.
Marcos Guesa
Ele pegou esse tipo, né?
Bola
Ele viu o Caipira lá e imitou o Caipira.
Dedé Santana
O cara era um grande ator.
Bola
É verdade.
Marcos Guesa
É imortal, né? Portanto, que imitam até hoje. O Gui Santana faz igual.
Dedé Santana
Apaziguador.
Marcos Guesa
Ele era um apaziguador, é. Apaziguador, porque
Bola
de vez em quando... Ou dava treta.
Dedé Santana
De vez em quando dava treta, eu e o Renato. Eu brigava muito com o Renato, né, porque ele achava que tinha que fazer de um jeito, eu achava que tinha que fazer do outro. Eu falei, você não sabe mais do que eu, rapaz, eu sei melhor do que você.
Bola
E quem sossegava era o Zaca.
Dedé Santana
E muitas vezes ele tinha razão. Muitas vezes ele tinha razão, mas a gente discutia muito e tal. E o Zaca disse, pô, o Renato te ama, rapaz. Você é um irmão pra ele, fala com isso. Eu não falo mais com esse desgraçado.
Marcos Guesa
É muito difícil, né, Dede?
Dedé Santana
É conviver.
Marcos Guesa
Conviver.
Dedé Santana
A gente convivia mais com a gente do que com a família. Lógico, lógico. Era dois filmes por ano que a gente fazia. Era show, comercial, televisão. Televisão, revista.
Marcos Guesa
Como é que era a gravação lá, Globo?
Dedé Santana
Era uma carga de trabalho.
Marcos Guesa
Como é que era a gravação? Vocês começavam na segunda?
Dedé Santana
Não, naquela época não era regulamentado. A gente começava 9, 10 horas da manhã e até as 4 da manhã, e no outro dia tava lá 10 horas da manhã de novo. Mas quantos dias vocês gravavam? Dois dias.
Marcos Guesa
Dois dias por semana?
Dedé Santana
E muita coisa que a gente criava na hora, né? O grande, eu acho que a gente faz uma grande injustiça com um grande diretor nosso.
Marcos Guesa
Hilton, não é?
Dedé Santana
Não. Um grande diretor nosso. Chama-se Adriano Stuart.
Marcos Guesa
Adriano Stuart.
Dedé Santana
Ele foi o grande diretor dos Trapalhões.
Rica Perrone
Você acha?
Dedé Santana
Ele vinha de circo também. O pai dele é o Walter Stuart, que fez o Cirquinho Bombril, o primeiro circo e tal. E ele dava todas as dicas pra gente. Ele criou aquele musical. Foi o Adriano Stuart que criou aquilo. Então, é muita injustiça a gente quase não fala dele.
Bola
Vou lembrar dele.
Dedé Santana
Mas ele fez os trapalhões.
Marcos Guesa
O Adriano Stuart.
Dedé Santana
O Adriano Stuart.
Bola
Foi um bom patrulhança dele.
Dedé Santana
É, e a gente ia tocando, errava, ele falava, não, não, não começa não, toca daí, você fala isso, não tá no script, então... Ele só me chamava de vez em quando e falava, Dedé, segura eles lá, não deixa esticar muito e tal. Aí eu tinha que segurar um, segurar o outro e tal.
Marcos Guesa
Pô, ele morreu novo, né?
Dedé Santana
Adriano Stuart, rapaz.
Marcos Guesa
Morreu novo pra caramba.
Dedé Santana
Era um cara... Ele chegou a ganhar prêmio de cinema.
Marcos Guesa
Agora sim.
Dedé Santana
Como ator, ganhou prêmio como ator.
Marcos Guesa
Bom, aí vocês foram, nós quatro vocês se juntaram e fizeram a Record, correto?
Dedé Santana
Nós fizemos aquele título que eu odeio, os insociáveis.
Bola
Os insociáveis.
Dedé Santana
Era os insociáveis da Record.
Bola
É mesmo.
Dedé Santana
É porque o Elen Soto falou assim, vocês fazem o programa, o título, eu arrumo o título.
Bola
Tá.
Dedé Santana
Aí, quando chegamos lá, qual é o título? Ele falou, os insociáveis. E eu olhei pro Renato Reina.
Bola
Que bagulho estranho.
Dedé Santana
Olhei um pouco, falei, pô, legal, pá. Saímos da sala falando, que merda, pá. Mas ele era o diretor, era o diretor da linha de show.
Bola
Eu não sabia disso, os insociáveis.
Dedé Santana
Os insociáveis, o título miserável.
Bola
Que miserável.
Marcos Guesa
Aí, depois viram os adoráveis.
Dedé Santana
Depois, não, depois virou os trapalhões. Os adoráveis é outra época já.
Marcos Guesa
O que que é?
Dedé Santana
Os adoráveis foi na TV Excelsa. Era Ivan Cury, Wanderlei Cardoso, Teddy Boi Marino, tá faltando um aí, o Renato, e eu, eu era o quinto.
Marcos Guesa
Era os adoráveis Trapalhões.
Dedé Santana
Era os adoráveis Trapalhões. Foi criado pelo cara que criou os Trapalhões, chamava-se Emmanuel Rodrigues.
Marcos Guesa
Esse cara inventou os Trapalhões.
Dedé Santana
Esse cara que inventou. Esse cara era um paraibano, mas escrevia muito bem. Você chegava nele e dizia, eu queria escrever uma parte cômica, nós quatro aqui com esse rádio aqui.
Bola
Ele fazia.
Dedé Santana
Ele falava, peraí, peraí, tá aqui, tá aqui, tá aqui, tá aqui, tá aqui, tá aqui, na hora.
Bola
Caramba.
Dedé Santana
Ficava ótimo. Emanuel Rodrigues.
Marcos Guesa
Tá, isso foi...
Dedé Santana
Eu fiz questão de falar no Walter Stuart, no Adriano Stuart.
Bola
Não, maluco, tem que falar mesmo.
Dedé Santana
Porque eu acho que é uma ingratidão a gente não falar nele, rapaz. E o grande cara nosso no cinema, que eu acho que segurou mesmo a gente no cinema, chama-se J. Betancourt. O Betancourt que foi o... Betancourt. Betancourt, que fez os primeiros filmes nossos todos, né?
Marcos Guesa
Que ano foi o primeiro filme? Você lembra o ano?
Dedé Santana
Ai, meu Deus, aí você mexe comigo.
Marcos Guesa
E qual foi o primeiro filme que vocês fizeram?
Dedé Santana
O primeiro foi a Onda do Iê Iê Iê.
Marcos Guesa
Mas não virou muito ou virou?
Dedé Santana
Na época, ninguém fazia mais filme preto e branco. O Jarbas Barbosa estava produzindo Chica da Silva, colorido. E o Atila Iorio, que era um ator premiado, Vida Seca, Assalto Trem Pagador, ele falou, o que vocês queriam fazer? A gente queria fazer cinema. O Atila me levou lá, mas depois de meses conseguimos convencer. Ele falou, era o irmão de Chacrinha, Jarbas Marbosa, era o grande produtor na época. Aí o Jabba falou, olha, eu preciso não me encher mais do saco, eu vou fazer esse filme com vocês em preto e branco, vocês topam? Porque eu tenho muito material lá e vou jogar fora, vou aproveitar esse material. E aí ele falou, mas tem uma coisa, o Chacrinha quer entrar no filme, vocês têm que amar. Aí o Renato escreveu uma história lá que o Chacrinha entrava e tal, e ninguém esperava, bateu todos os recordes de bilheteria. Era um filme em preto e branco, com Dedé e Didi, chamava A Onda do Iê Iê Iê. A Onda do Iê Iê Iê.
Marcos Guesa
Na Onda do Iê Iê Iê.
Dedé Santana
Sabe quem abriu?
Marcos Guesa
Meia Meia, Meia Meia.
Dedé Santana
É, sabe quem abriu o filme?
Marcos Guesa
Quem?
Dedé Santana
Cantando Simonal.
Marcos Guesa
Wilson.
Dedé Santana
Caramba! Nenê, Nenê, Nenê, Meia Meia. Renato e os Seus Bluecaps. Foi um filme que a gente fez sobre a história de um cara que ganhar um concurso.
Marcos Guesa
Aí, mas o primeiro filme, eu puxei aqui, o primeiro filme que vocês fizeram juntos, os quatro...
Dedé Santana
A Onda do Iê-Iê.
Marcos Guesa
Sim, mas depois foi Os Trapalhões na Guerra dos Planetas em 78.
Dedé Santana
Isso.
Marcos Guesa
Aí, isso aí, ó, na Onda do Iê-Iê.
Dedé Santana
Não, esse é a Onda do Iê-Iê. Olha lá, aquele por incrível que pareça é o Renato.
Marcos Guesa
Ah, mas você não mudou muito.
Bola
Ah, não mudou mesmo.
Marcos Guesa
Não mudou, dá pra ver que é você.
Bola
É mesmo o Renato, olha o queixinho dele.
Marcos Guesa
Olha a orelha, a orelha.
Dedé Santana
O queixadinho ali, tá ali.
Marcos Guesa
O Dedé, a orelha que eu tô, o Dedé. Olha a carinha de tristeza, de sempre.
Dedé Santana
Rapaz, dois canastrão, rapaz, nesse filme. É. E tem esse filme em algum lugar? Tem no internet, se acha. Mas dois canastrão de Maicon Maior.
Marcos Guesa
Na onda do iê-iê-iê. Que era a época do iê-iê-iê, né?
Dedé Santana
Do iê-iê-iê.
Bola
Do Jovem Guarda.
Dedé Santana
Mas sabe qual foi a sorte nossa? Eu acho que foi a mão de Deus que entrou aí. Porque os Beatles lançaram um filme na mesma época. Estados Unidos e Inglaterra. E o povo, quando tocava música, começava a dançar no cinema. E acendia a luz, dava aquele... É o Silvio César, o galã.
Marcos Guesa
Silvio César, grande cantor, adoro.
Dedé Santana
É o Silvio César.
Marcos Guesa
Que voz bonita esse cara tem, né?
Dedé Santana
Você sabe que eu ouço o Silvio César, cara?
Marcos Guesa
Eu ouço ele.
Dedé Santana
Ele é duro, cara.
Marcos Guesa
Juro por Deus.
Dedé Santana
Eu adoro o Silvio César. Ele criou a música Hemônica, a música que ganha o...
Marcos Guesa
O Bola nem sabe quem é Gilberto César. Ele é da Bossa Nova, né?
Dedé Santana
Da Bossa Nova.
Marcos Guesa
Sim, é um grande intérprete.
Dedé Santana
E o que aconteceu com a gente? O brasileiro imita muito, né?
Marcos Guesa
Claro.
Dedé Santana
Quando o nosso filme entrou no cinema, eles começaram a dançar no meio das músicas, acendia a luz e dizia que ele deu um away que eu vou te contar.
Marcos Guesa
Que loucura, né, cara?
Dedé Santana
Eu levei uma semana pra ver o filme.
Marcos Guesa
Com medo?
Dedé Santana
É, não, porque eu não sabia que eu podia chegar lá e falar, eu sou o diretor do filme, quero ver, não. Eu queria entrar na fila, mas a fila era grande, então... Que idiotice, né?
Bola
Que coisa, bicho.
Dedé Santana
Idiotice mesmo.
Marcos Guesa
Você não viu antes?
Dedé Santana
E depois, eu vi no cinema no Meia, fui lá no Meia ver o filme, não tinha visto o filme, fui ver lá no Meia, lotado o rapaz, mas era uma coisa incrível.
Marcos Guesa
Mas por que demorou tanto tempo de meia meia pra fazer o segundo nos 78 assim? Por que demorou tanto tempo?
Bola
Quase 10.
Dedé Santana
Aí demorou, demorou bastante.
Marcos Guesa
Mas por quê?
Dedé Santana
Porque ninguém não sei, o Jarbas tomou um prejuízo enorme com Chica da Silva, aí o pessoal não acreditava. Não, agora é cinema novo, vão perder tempo fazendo isso aí, foi um golpe de sorte e tal. E depois apareceu o próprio Jarbas, que fez o Ali Babá e os 40 Ladrões. E arrebentou a bilheteria de novo. Quero ali babar os 40 ladrões. Eu acho que o melhor trabalho meu e do Renato no cinema, porque nós temos sete, oito filmes, só os dois, só Dedé de tudo correto de bilheteria. O melhor trabalho nosso acho que foi no Aladim e a Lâmpada Maravilhosa.
Bola
É o melhor trabalho.
Dedé Santana
O melhor trabalho nosso no cinema. Eu acho que foi esse, que era um trabalho de ator mesmo. E depois o filme mais engraçado, Dedé e Didi, é Robin Hood e o Trapalhão da Floresta. Ali a gente já estava meio de sociedade no filme e tal. Foi feito todo numa fazenda, já o J. Betancro de novo.
Marcos Guesa
Entendi. Eu me lembro essa cena... Qual você acha que é a cena mais clássica do Dedé?
Dedé Santana
Eu lembro. Será?
Bola
Mais clássica é aí, ó.
Marcos Guesa
No cinema, esse aí.
Dedé Santana
Esse aí.
Bola
O Lâmpada Maravilhosa.
Marcos Guesa
Muito bom. Porra, eu tenho um disco, cara, disso aí.
Dedé Santana
Ah, é?
Marcos Guesa
Nesse aí não, eu tenho um disco do Serra Pelada.
Dedé Santana
Serra Pelada.
Marcos Guesa
Eu vi inteiro. Eu sei tudo o que eles dizem.
Dedé Santana
Filmamos lá em Serra Pelada.
Marcos Guesa
Esses estrapanhóis fizeram uma pelada.
Dedé Santana
Tudo câmera escondida.
Marcos Guesa
É mesmo.
Dedé Santana
Nós entramos lá, entramos naquele buraco. Dava um medo, rapaz. Lógico, pô. E a gente não chegou.
Bola
Essa escada é de madeira, né?
Dedé Santana
Esse é o sapo de terra. mas não enchia o saco de terra, botava só um pouquinho, porque era muito pesado. E os caras xingando a gente, tudo quanto é nome, ou chupar sangue, ou chupar cabra, não sei o quê, porque eles não sabiam que era a gente. Porque as câmeras estavam escondidas, mostrando a gente. Quando descobriram que era a gente, parou. Serra Pelada parou.
Bola
Você fez cinema, Diegão? Não. Nunca participou, nada?
Marcos Guesa
Aí, tá aí uma ideia.
Dedé Santana
Tá na hora já, hein?
Bola
Tá na hora.
Diego Hipólito
Quantos foram os seus 67? 67 filmes depois?
Marcos Guesa
67 filmes?
Dedé Santana
Tô com 73, né, Marcos? setenta e três?
Bola
setenta e três filmes?
Dedé Santana
e oitenta e quatro como principal uns quarenta e cinco porra meu deus mas
Marcos Guesa
a cena que eu falei icônica qual que seria?
Dedé Santana
eu me recordo muito bem echo Ai, meu Deus. Eco... Ai, não me lembro bem. Eco... Da caverna aí, velho. Ah, da caverna. Ah, sim, sim.
Marcos Guesa
Eu não sei se é Minas ou Reis.
Dedé Santana
Alibabá.
Marcos Guesa
Alibabá.
Dedé Santana
Eco... Agora, a gente fez um trabalho muito bonito. Foi no Alto da Compadecida.
Marcos Guesa
É bom. Que o Alfano... Ariano, Ariano.
Dedé Santana
Falou assim, de todos que fizeram, eu gostei mais foi dos Trapalhões, porque ficou mais autêntico, né?
Marcos Guesa
Eu adoro essa história, sabia?
Dedé Santana
Eu fiz uma cena ali que o Renato morria. E ele falou assim, prepara aqui, Dede, a gente vai ter que fazer isso umas quatro, cinco vezes, a cena, né? Porque você vai passar por um papel dramático aí na hora. Até pegar o jeito, né? É, porque a hora que ele levava o tiro... Rapaz, eu me emocionei tanto na hora que o Renato levou os tiros e ele caía e eu ia... Segura ele. Rapaz, eu não me segurei, cara. Eu me emocionei tanto que aquela cena ficou, não repetiu mais. Ele falou, você não vai fazer melhor do que isso nunca. Aí ficou. Tem essa cena, o alto da compadecida, que o Renato leva o tiro e eu pego ele nos meus braços, chorando quase.
Bola
Mas agora tem que botar o Diegão num filme dele.
Marcos Guesa
É, mas pô, cara.
Dedé Santana
Agora precisamos botar, quem? Diego e Paulito no cinema, hein? Galã, galã.
Marcos Guesa
Já no circo, já tá.
Bola
Olha o Circo. Olha o Circo, já tá. Olha o Circo, já tá.
Dedé Santana
Olha o Circo, já tá.
Bola
Olha o Circo, já tá.
Diego Hipólito
Olha o Circo, já tá.
Bola
Olha o Circo, já tá.
Dedé Santana
Olha o Circo, já tá. Olha o Circo, já tá. Olha o Circo, já tá. Olha o Olha o Circo, já tá. Olha o Circo, já tá. Será? Porra. Olha o Circo, já tá. Ele tem aquela fibra. Outro dia ele tava machucado e tudo. Olha o Eu falei, você vai entrar? Vou entrar. E ele entra machucado. Chega lá, você não diz que ele tá machucado, Circo, tá nada. Ele faz tudo normal já e tudo. Que beleza, hein? É o verdadeiro circense.
Marcos Guesa
Deve ser um orgulho muito grande, né, Diego? Trabalhar com o Dedé Santana.
Diego Hipólito
Com certeza. Eu vi o Dedé nos domingos. O Dedé é o embaixador do circo brasileiro. E essa temporada, além de ser um orgulho de trabalhar em conjunto dele, é comemoração dos 90 anos, né? Então, é uma temporada especial pra contar a história do Dedé também. Então, desde que eu iniciei com ele, eu falava assim, caramba, tô com o Dedé Santana.
Bola
É, impressionante.
Marcos Guesa
É verdade, pô.
Dedé Santana
Pode beber água aqui.
Bola
Deve, deve.
Marcos Guesa
Eu vou fazer pra você, Dedézinho.
Dedé Santana
Dá aqui, Dedé.
Marcos Guesa
Porra, tá de brincadeira.
Dedé Santana
É. E eu tava dando um resado.
Marcos Guesa
Mas é demais, né, cara?
Dedé Santana
Eu lembro dele me ensinando.
Marcos Guesa
Dede Santana, você não tem noção, você não tem noção da nossa felicidade e você tá aqui.
Bola
Puta merda, cara.
Marcos Guesa
Do seu tamanho, da sua importância.
Dedé Santana
E eu ficava olhando o teu podcast lá e falava, poxa, um dia eu vou conhecer.
Marcos Guesa
A gente bateu um papo uma vez.
Dedé Santana
É.
Marcos Guesa
A gente fez uma reunião de noite e eu fiquei impressionado com o Dedé.
Bola
Eu encontrava você todo ano em Orlando. A gente ia na casa do Gilson jantar todo ano.
Dedé Santana
Ah, isso aí, rapaz.
Marcos Guesa
Todo ano.
Bola
E eu lembro que a primeira vez que eu fui no restaurante do Gilson, que era o Vitórios.
Dedé Santana
O Gilson e o Vitórios, né?
Bola
Isso.
Dedé Santana
Picanha. E nós passamos o ano novo lá.
Bola
Isso, exatamente.
Dedé Santana
Tava eu, a filha do Renato, que tava comigo. Me lembra, ele é o filho da puta. Ali, a filha do Renato tava comigo.
Bola
Eu lembro que eu cheguei, sabe quando você chega e você fala, cara... E
Dedé Santana
o Marcos tava lá, viu?
Bola
Parece o Dedé, meu.
Dedé Santana
O Marcos tava lá também. Tava o Marcos, aí as minhas... Tava,
Bola
tava todo mundo, mas eles eram pequenininhos.
Dedé Santana
Aí as minhas atrizes, sabia?
Marcos Guesa
Ah, é?
Dedé Santana
Ela já fez cinco filmes e faz uma peça com a Ana Rosa, que chama Violetas na Janela. Tá indo muito bem. É. E agora vamos falar de Orlando?
Bola
Vamos. Eu lembro que eu cheguei no restaurante, eu olhei e falei, caramba, parece o Dedé, velho.
Dedé Santana
Que porra, né?
Bola
Aí eu disse, o Dedé tá ali. Eu falei, nem fudendo, cara. Mas nem fudendo que o Dedé tá ali. Aí fui cumprimentar e tal. E todo ano a gente se encontrava lá.
Dedé Santana
É, olha, Orlando, eu fui convidado agora, não sei por quê, pra ir receber uma homenagem e um prêmio na NASA, que vai ser entregue por um astronauta mesmo.
Bola
Puta, que demais, meu.
Dedé Santana
Vai lá dia 6 de dezembro, em Orlando, na NASA. Será que eu... A minha filha me falou, eles querem te estudar. É por isso.
Bola
Pode ser. Que legal, cara. Que merecidíssimo.
Dedé Santana
Merece, cara. Rapaz, eu não tô nem acreditando ainda. Até agora...
Bola
Isso é demais, cara.
Dedé Santana
Pô, me convidar pra ir lá receber um... Porra. Eu não tô acreditando. Até agora ainda... Só vou acreditar na hora que acontecer.
Marcos Guesa
Vai acontecer, óbvio. Mas você quer ver? Eu tive o privilégio de te conhecer no grafite. Lá no programa do Dudu. Lá em Belo Horizonte.
Dedé Santana
Eu fui fazer o show... Belo Horizonte.
Marcos Guesa
Eu fui fazer o grafite num sábado.
Bola
Programa de rádio.
Marcos Guesa
A gente era aqui.
Bola
Ah, eu sei.
Marcos Guesa
E aí, do nada, entrou o Dedé no estúdio, bicho. Ele tava divulgando, acho que o circo dele, alguma coisa lá.
Dedé Santana
Não, era o festival de circo. Ele sabe tudo, velho. Festival de circo lá. Isso.
Marcos Guesa
Aí, eu conheci o Dedé.
Dedé Santana
Estava tendo lá em Mariana. Em Mariana, todo ano tem um festival de circo. A cidade vira um grande circo. Cada lugar que você vai, tem um número, tem um palhaço. Na rua, tem... É uma coisa enorme.
Marcos Guesa
É um desbunde.
Dedé Santana
É um desbunde.
Marcos Guesa
E aí, eu conheci o Dedé. E estamos tentando há bastante tempo dele vir aqui. Graças a Deus. Chegou essa hora. E você tá aqui. E saiba que você... Toda a nossa geração deve muito a você, ao Renato, porque assim, vocês são os verdadeiros embaixadores da alegria, assim, literalmente, do humor brasileiro, mas... O que o Bollange representa pra uma geração que não é a minha, a minha geração assim, passava o Chaves e tal, mas os Trapalhões de Fluminense foram muito mais...
Dedé Santana
Eu acho que o politicamente correto amordaçou vocês. Você acha? Eu amordaço vocês, vocês não podem falar mais nada, aí tem que apelar pro palavrão e tal, né? Porque amordaço, hoje você não pode brincar com nada, né? E nós tínhamos essa facilidade, né? O Múncio era um cara que chegava e falava, com o pai naquela cima lá, você falava assim, ô negão, eu falava ô negão, ele dizia, ô negão, é teu passado e tal, né? Ele pedia, né, pra fazer. Eu falava, Renato, ensinua aí de bico, que eu sou bicho e tal, e tal.
Marcos Guesa
Isso aí pegava muito, né?
Dedé Santana
E ele falava, perua, e eu... Eu adorava fazer isso. Hoje você não pode fazer maná, não pode brincar.
Bola
Não pode brincar com maná, né?
Dedé Santana
É, era uma brincadeira, uma coisa de palhaço.
Marcos Guesa
Mas, Dede, você era pegador, né?
Dedé Santana
Na época, na época, agora não.
Marcos Guesa
Mas você era mulherengo, né?
Dedé Santana
Era, era.
Marcos Guesa
Era muito, né? Era tua fama, tua fama. Eu não sei porque eu não convivia contigo.
Dedé Santana
Era terrível.
Marcos Guesa
Você era terrível, Dedé.
Dedé Santana
Era, era.
Bola
Contigo dá risada.
Marcos Guesa
Você, você... Dizem que você, a mulherada meio que desviou um pouco do teu caminho. Isso faz sentido, Dede Santana?
Dedé Santana
Era meio que girou o foco. Ele ficou sem graça. Não, eu não durmei, mas eu parei depois que eu me casei. Com a Cristiane Alemoa. Também ela é braba pra caramba.
Bola
É, não dá pra brincar.
Dedé Santana
Se pegar ela me esforça.
Bola
Não dá pra brincar.
Dedé Santana
Não dá pra brincar com ela.
Bola
Corta o peru fora.
Marcos Guesa
Desculpa, Cristiane.
Dedé Santana
Mas vamos falar do Hedder. Vamos falar do circo agora. Vamos lá. Hedder Circus.
Bola
É melhor, é melhor.
Marcos Guesa
Vamos lá. Em São Paulo até quando?
Dedé Santana
Abracadabra.
Bola
Que dia está o Circo Aurábio? Como é que tá?
Dedé Santana
É dia 17. Dia 17 é a estreia. A gente pretende ficar aí. Quanto tempo você tá?
Diego Hipólito
Ele é uma curta temporada. Ele funciona quintas, sextas, sábados e domingos. Nas quintas e sextas, 7h45 a sessão. Aí sábado e domingo a gente tem como ver lá pelo próprio Instagram do Abracadabra Circo Musical. Então é... As atrações mudam. O circo tá voltando a São Paulo, né? No coração de São Paulo, né? Que é na Moca.
Dedé Santana
Moca!
Diego Hipólito
Na Arena Sabesp. Que vai ser... A gente depende muito do público, né?
Bola
Pô, nem fala.
Diego Hipólito
Quanto mais...
Dedé Santana
Eu tô torcendo pro público ir pra gente demorar mais.
Bola
É imperdível isso.
Dedé Santana
Eu quero ficar mais em São Paulo.
Bola
Isso é imperdível.
Dedé Santana
A oportunidade que eu tive de vir aqui, que eu moro em Santa Catarina, né?
Marcos Guesa
Meio meio... Você mora lá, né? Em Balneário, né?
Dedé Santana
Minha casa é Santa Catarina, é.
Bola
Que vida ruim.
Marcos Guesa
Mas você mora em Balneário?
Bola
Puts, lá é ruim.
Dedé Santana
Cidade horrorosa, você põe o pé na rua, os carros param pra você passar. Horrível, né?
Marcos Guesa
Onde você mora? Em Balneário, você mora?
Dedé Santana
Agora em Balneário.
Marcos Guesa
Balneário Camboriú.
Dedé Santana
É uma praia que se chama Cabeçudas. Que beleza. Eu falo igual o Múcio, aqui é minha praia.
Marcos Guesa
E ali em Balneário mesmo, né?
Dedé Santana
É muito bom morar em Santa Catarina, tirando o frio, né? É muito bom morar lá.
Marcos Guesa
É muito bom, né?
Dedé Santana
É.
Marcos Guesa
Eu tô por lá sempre também.
Dedé Santana
Mas eu quero ver se vocês vão lá assistir o espetáculo, tá?
Marcos Guesa
Eu quero assistir.
Bola
Eu quero ir, eu quero ir.
Marcos Guesa
Você sabe até quando que vai ser a temporada, Diogo?
Diego Hipólito
Então, é porque, na realidade, circo sempre depende do público.
Dedé Santana
Do público, é o que a gente tá falando.
Bola
Se encher, vai ficando.
Diego Hipólito
Se encher, vai ficando.
Dedé Santana
Eu torço pra encher, pra demorar mais.
Diego Hipólito
Eu acredito que São Paulo sempre foi uma praça muito fiel à obra Cadabra. E como a gente tá com... com novos números, de uma maneira nova. Como a gente contou, o circo, ele é muito diferencial, ele é muito inovador, né?
Bola
Então...
Diego Hipólito
O mais legal é contar uma história, porque a gente fala que felicidade é uma questão de prioridade e ela ocupa e deveria ocupar o tempo e o espaço todos os dias da gente e a gente tem que decidir ser feliz todos os dias. Então, é um musical Dentro de uma lona, de uma maneira... Você não... O tempo... Você não pega chuva, você não... Você não percebe. Não pega barro, não pega... Nada, nada. É tudo em cima de...
Dedé Santana
É tudo assoalhado, circo, é tudo...
Diego Hipólito
É tudo...
Dedé Santana
Isso é um assalto.
Diego Hipólito
E os preços são acessíveis. Então, é... Você pode adquirir o ingresso direto lá na nossa bilheteria de 10 da manhã às 10 da noite. Ou direto pelo ru.com.
Marcos Guesa
Não, nós vamos fazer melhor.
Dedé Santana
Como é que é? Botão linkzinho.
Marcos Guesa
Vamos fazer melhor. Nesse episódio vai estar o link de vendas do espetáculo.
Dedé Santana
Obrigado, cara.
Bola
Lógico.
Marcos Guesa
Debaixo aqui você já clica e já compra o seu regresso. Ou estará em São Paulo, ou você de São Paulo, Teatro Sabesp, Arena Sabesp, quinta, sexta, sábado e domingo. Sábado e domingo duas sessões com o Dedé Santana.
Dedé Santana
E feriados. E feriados.
Marcos Guesa
E feriados. Então você saiba que você pode, vai ter o linkzinho aqui embaixo desse episódio, tanto aqui no YouTube, você pode... E
Bola
chega antes, tem muita coisa, só tem food truck, tem muita coisa legal.
Diego Hipólito
Antes de você comprar, você já tem a lona ali, antes de você chegar na bilheteria, você já tá confortável ali. Depois que você entra no circo, você tem todos os food trucks.
Bola
Estacionamento, tudo.
Diego Hipólito
Tem estacionamento.
Bola
Que legal.
Dedé Santana
Estacionamento muito bom.
Bola
Muito bom.
Diego Hipólito
Lá tem cachorro-quente, tem pizza, tem hambúrguer, tem algodão doce.
Dedé Santana
Pipoca!
Bola
Tem pipoca.
Diego Hipólito
Tem brinquedo para as crianças também. Tem absolutamente tudo. É, tipo, bem completo mesmo.
Bola
Que legal.
Marcos Guesa
Ô Diego, eu queria que você me falasse sobre esse nosso ciclo olímpico. Eu sei que foge um pouco do assunto, mas você vai ter que ir embora já já? Você vai treinar, não é isso aí?
Diego Hipólito
É, a gente tem um ensaio geral assim.
Marcos Guesa
O Dede vai ficar mais um pouco, você vai ter que sair três e meio.
Diego Hipólito
A gente vai falar de esporte, eu tenho uma medalhinha pra você.
Dedé Santana
Olha!
Marcos Guesa
Pra gente?
Diego Hipólito
Claro, do Instituto Hipólito.
Marcos Guesa
Então conta um pouco sobre o Instituto Hipólito, tá? Que nós vamos deixar no nosso cenário, tá? É um presente que fica aqui. A gente faz esse tipo de... Quem vai deixando coisas aqui, ó? Nosso saudoso Oscar deixou a bola aí. Foi pro céu e tá aqui autografada.
Dedé Santana
É bom mandar meu boneco aí pra vocês.
Marcos Guesa
Todo atleta que vem aqui. A galera do vôlei tem bola assinada.
Dedé Santana
Caramba!
Marcos Guesa
Caju e Castanha tem o pandeiro.
Dedé Santana
Me perdoe, rapaz.
Marcos Guesa
Sabe o que a gente tem aqui atrás? O Dede vai ficar em choque. Cadê o gafo?
Dedé Santana
Tá aqui.
Bola
A colher?
Marcos Guesa
Vamos ver se ele sabe de quem é. Quem que fazia isso aqui? Você lembra esse cara?
Dedé Santana
Ah, rapaz.
Marcos Guesa
Vamos ver se a tua memória tá boa.
Bola
Vamos ver se tá bom.
Marcos Guesa
Quem é o cara que entortava a colher?
Dedé Santana
Eu conheço dois que faziam isso.
Marcos Guesa
Quem que fazia isso no Brasil e era famosão?
Bola
Mas não é brasileiro.
Dedé Santana
Eu tô querendo lembrar o nome dele. Uri... Uri... Urigueri. É ele aí. Você acredita que ele mandou e autografou pra gente?
Marcos Guesa
Lá de Israel.
Dedé Santana
Ah, tá. O Urigueri.
Bola
Autografado.
Dedé Santana
Ele pega aqui atrás.
Bola
Ele passa o dedo assim e ele entorta a colher.
Marcos Guesa
Entra aqui, ó. Canetinha, canetinha.
Dedé Santana
É mágico. Urigueri.
Marcos Guesa
É pra assinar aqui, ó. Assina aqui.
Dedé Santana
Cara, o Uriguele foi longe agora. O Uriguele mandou.
Marcos Guesa
Porque tem um amigo nosso lá em Israel, mostrou pra ele. Ele fez um vídeo e mandou a colher pra nós, lá de Israel. Entortada. Ele assinou aí, tá assinada a colher.
Dedé Santana
Que bonita. É, como é que é?
Marcos Guesa
O cara tem a manha, né?
Dedé Santana
Como é que ele entorta isso?
Marcos Guesa
Ô Diego, eu queria que você falasse um pouco do seu instituto, como é que ele funciona, onde é, quem quiser patrocinar, como é que faz?
Bola
Quem quiser participar... Você sabe que o
Diego Hipólito
instituto, indiretamente, também foi culpa do circo, porque eu me tornei captador de recursos do circo, né? Que eu comecei a entender das leis.
Marcos Guesa
Por causa do esporte, né?
Diego Hipólito
Não, porque o Fred me ensinou mesmo. Assim como a gente tem a Sabesp agora, ele me levava nas reuniões e eu comecei a aprender. Então a gente começou a sempre ser um circo, porque manter bilheteria é muito difícil, né? Então o circo é aprovado por todas as leis e eu comecei a entender por conta disso. Então eu comecei... Eu tive um sonho de querer ter um instituto para atender as crianças que não tinham o que eu tive na minha infância, então... Fazem quatro anos e dois meses mais ou menos que existe o Instituto Hipólito, já tem duas unidades.
Dedé Santana
Você não tem imagem aí, né? Muito legal.
Marcos Guesa
Onde é, Diego?
Diego Hipólito
Um é na Penha e o outro em Macuco. E aí atendem 400 crianças.
Marcos Guesa
Onde é Macuco?
Dedé Santana
Macuco é Santos.
Diego Hipólito
Não, Macuco é Rio de Janeiro mesmo, é mais no sentido Terezópolis, ali com as coisas de macacu.
Dedé Santana
É no interior do Rio, no interior do Rio.
Diego Hipólito
E um é na Penha. E ali eu comecei, é um sonho mesmo que eu tinha, foi num período meu complicado, mas eu queria contribuir pra sociedade aquilo que me foi dado, né? Porque eu iniciei, eu tive muitas sortes, né, que foi Deus na minha vida. Mas eu falei, cara, eu quero que essas crianças tenham o que eu não tive. Então, o colam das meninas é feito pela mesma pessoa que fazia o colam da minha irmã. A roupa das crianças dos meninos é feita pela mesma pessoa que fazia a minha roupinha. Eu me preocupei dos meninos pra uma questão até de não ter um bloqueio de questão de preconceito. das crianças fazerem shortinho igualzinho de futebol e camisetinho igualzinho de futebol. A gente tem os aparelhagens iguais, a Rebeca tem, a Flávia tem. Nós temos a treinadora do ginásio, a Vivi, que era treinadora da Jade Barbosa, é uma medalhista mundial, a nossa treinadora. É coordenado pelo Fernando Simon, que é marido da Patrícia Amorim, que é uma pessoa que veio do Espanha.
Marcos Guesa
Sim, da natação, né?
Diego Hipólito
Exatamente, que me levou pro Flamengo. O Fernando foi uma das pessoas que me trouxe, na época que eu estava em Porto Alegre, pro Flamengo. O meu irmão é a pessoa que coordena, que é a pessoa que mais sabe montar ginásio. O ginásio é inteiro de carpê, que é pra ser um ambiente limpo. Obrigatoriamente, qualquer pessoa que entra no ginásio, ele tem que entrar sem o tênis. Qualquer pessoa que vá, autoridade ou quem que seja, o banheiro. é todo sem mictório, mandei tirar os mictórios, e não tem chuveiro, por uma questão que a ginástica já teve problemas de questão de assédio. O ginásio todo é monitorado com câmera, para que a gente tenha a questão de... Muito organizado. Então, as luzes são todas impecáveis, porque tem a questão de cumprimento de horário, né? As crianças, elas podem atrasar dois minutos. Se ela atrasa três minutos, ela tem uma falta. Com duas faltas, a criança é substituída, Porque a fila é uma fila interminável.
Bola
A Rioca ia durar uma semana.
Diego Hipólito
Mas é no Rio. É no Rio? É no Rio?
Bola
É no Rio?
Dedé Santana
É no Rio?
Rica Perrone
É no Rio?
Diego Hipólito
É no Rio? É no Rio? É no Rio?
Rica Perrone
É no Rio?
Diego Hipólito
É no Rio? É no Rio? É no no Rio? É no É no Rio? É no Rio? É no Rio? É no Rio?
Bola
É no Rio?
Rica Perrone
É no Rio?
Diego Hipólito
É no Rio? É no Rio? É no Rio? É no Rio? É no Rio?
Bola
É Todas no Rio?
Diego Hipólito
É no Rio? as crianças já foram ver no teatro, É ver quebra-nozes no teatro no Rio? municipal É lá no Rio no de Janeiro. Todas as crianças, no final do ano passado, ganharam um colchão da Ortobon, que eles doaram pra gente. As 400 crianças ganharam um colchão.
Marcos Guesa
Você cuida de 400 crianças pra... pra peneirar e você já encontrou algum talento ali assim?
Diego Hipólito
O nosso objetivo não é um objetivo social. Todas as crianças que ganham, que tem um talento a mais, a gente encaminha pro Flamengo, que é o clube no Rio de Janeiro, todos os meninos praticamente do Flamengo vieram do Instituto Hipólito.
Dedé Santana
É mesmo, cara.
Marcos Guesa
Porque é lá... Capitador, né?
Diego Hipólito
É, porque a pessoa vê o Diego Hipólito fazendo ginástica, os pais, na realidade, vão lá. Eu sou muito presencial lá, tanto eu quanto a minha irmã, quanto o meu irmão.
Bola
Eu só queria entender, como é que você consegue, irmão, fazer esse trabalho que deve ser árduo e fazer o circo?
Dedé Santana
Esse cara não para. Ele não para. Às vezes ele sai correndo. Pega o carro e fala que tem que correr no aeroporto. Não posso perder esse avião. É uma correria o tempo todo.
Bola
É porque deve ser punk, irmão.
Diego Hipólito
Foi isso que o Carioco tava conversando comigo. A gente tava falando, ah, no esporte. Esporte é muito difícil. Eu falei, eu acho que hoje em dia é mais difícil pra mim.
Dedé Santana
É.
Diego Hipólito
Porque eu trabalho muito mais hoje do que eu trabalhava no esporte. Quando eu era atleta, eu só vivia pela ginástica. Hoje eu sou captador de recursos. Tanto é... para o meu instituto, quanto consigo. Eu palestro bastante, palestra motivacional. Eu tenho a questão...
Marcos Guesa
Trabalhar, pô.
Bola
Não vai fazer filme ainda, não dá para fazer filme.
Diego Hipólito
Mas eu já tive convite de fazer meu filme depois das olimpíadas do Rio de Janeiro. Na época eu não aceitei, eu fiz a minha biografia, mas eu aceitei inicialmente e depois eu desisti porque me recordou muitas coisas da minha infância que eu não tava muito bem tratado. Então por isso até que minha biografia demorou muito a sair e eu não me liguei muito na biografia. Isso é um plano que eu penso futuramente, eu acho que... histórias como a de todos nós que estamos aqui, nós quatro que estamos aqui, são pessoas que venceram na vida. Então, quando a gente vence na vida e as pessoas estão fracas de esperança, principalmente depois da pandemia, que as pessoas estão amando coisas, não pessoas, a gente tem que motivar pessoas. Então, tem as questões que eu faço hoje em dia também, presença VIP, eu nunca imaginei eu ir pra uma festa e ser pago.
Bola
É mesmo.
Diego Hipólito
Vocês que me conhecem sabem que eu sou um pesteiro. Eu vou numa ilha de graça agora recebendo?
Dedé Santana
Com certeza, vamos lá.
Diego Hipólito
Mas eu sou muito presente no instituto, porque é muito importante que as crianças me vejam. Porque motiva demais elas. A gente teve, semana passada, uma competição que era da Federação Carioca, mas que eu estive presente. Eu fiquei o tempo todo lá. E é muito legal, assim, tipo, o Instituto, ele mudou. Eu acho que eu amadureci muito como pessoa. depois do instituto. Eu tive as minhas medalhas olímpicas faz 10 anos esse ano, no dia 16 de agosto. Então faz já muito tempo e eu fico muito impressionado que eu nunca imaginei que uma criança de onde eu vim, sendo vendedor ambulante, como eu fui no Rio de Janeiro, eu poderia ter a oportunidade de estar aqui.
Marcos Guesa
Você era vendedor ambulante, cara?
Diego Hipólito
Fui no Rio de Janeiro.
Bola
O que você vendia?
Diego Hipólito
Eu vendia refrigerante, eu vendia sanduíche.
Bola
Que legal.
Diego Hipólito
Porque a gente tinha uma realidade muito pobre, tá? Eu tive três momentos muito marcantes na minha vida. Um foi quando a gente não tinha o que comer, que foi no Rio de Janeiro. E nesse dia foi um dia que eu falei que um dia eu mudaria a realidade da vida da minha família. E o outro foi a maquiada olímpica, né? Os olhares da minha mãe, né? E o outro, no dia que eu entrei no Big Brother, esses três rostos da minha mãe marcaram muito minha vida, porque... Eu falava uma coisa pra minha mãe, que como eu sou uma pessoa muito mundana, né? Eu gosto de estar na rua. Eu sou uma pessoa que vivo muito.
Marcos Guesa
Rodinha nos pés, que a gente fala, né?
Bola
Eu tenho, cara.
Diego Hipólito
Eu sou o Ronaldinho Gaúcho da ginástica. Eu sou aleatório demais, cara.
Bola
Maravilhoso.
Rica Perrone
Maravilhoso.
Marcos Guesa
Qualquer lugar.
Diego Hipólito
O que que o Hipólito tá fazendo aqui?
Bola
Maravilhoso, velho.
Dedé Santana
Fui dançar com ele lá em Goiás outro dia. Tinha uma banda tocando, e quando eu vejo, tava um poeta lá cantando sertanejo.
Bola
Tava eu cantando.
Dedé Santana
Maravilhoso. Maravilhoso.
Diego Hipólito
Eu tava cantando, o pessoal lá cantando, e eu animo mesmo.
Dedé Santana
Cantando afinado. Mas você é maravilhoso, né? Eu sou um pouquinho... Uma coisa impressionante lá no circo, que no final tem as pessoas que vêm tirar foto comigo, um lado fica o Diego tirando foto, e do outro lado fico eu tirando foto, dando autógrafo. E eu fico aqui tirando foto, olho pra lá, as crianças fazem questão de dar salto.
Diego Hipólito
Fazem salto.
Dedé Santana
Ficam fazendo salto na frente dele.
Bola
É lógico, mas porra.
Diego Hipólito
Mas você sabe que eu fico muito impressionado como a vida é justa assim e legal comigo? Porque o Instituto, eu acho que é só algo que as crianças se fazem por mim. Eu só sou usado aqui em terra, um instrumento, pra poder contribuir pra algo que eu não tive. Mas quando eu vejo e fico pensando, tem 10 anos que eu saí da ginástica, e as pessoas ainda terem conhecimento sobre quem é Diego Hipólito ainda hoje,
Bola
pra mim é muito gratificante.
Diego Hipólito
Mas é muito gratificante, porque eu vi a Hortência, eu vi o Oscar, eu vi grandes atletas, eu nunca imaginei que eu pudesse um dia... Pô, tu é
Marcos Guesa
medalhista de ouro, cara.
Bola
É outro nível.
Diego Hipólito
Barbosa, João do Pulo, vamos lá.
Marcos Guesa
Em esporte individual no Brasil, Marro e Maggi, é contar no dedo. Robert Scheid, não é?
Diego Hipólito
Não são tantos atletas assim.
Marcos Guesa
No ouro individual... Você quer uma medalha
Bola
de ouro olímpica, mano? É um negócio muito forte.
Marcos Guesa
Não, ouro individual no Brasil são poucos, cara.
Bola
Você não tá brincando, meu.
Marcos Guesa
São pouquíssimos atletas... Joaquim Cruz, não Barbosa, perdão. Joaquim Cruz... Vamos lá, Robert Scheid, temos Artuzanete, você, a nossa amiga lá, Rebeca
Diego Hipólito
Andrade, nós temos a Sara do Judô, Aurélio Miguel.
Bola
Os judôs judôs são bons.
Diego Hipólito
Os judôs tem mais medalhas em quantidade. O esporte, a principal atleta da história de todas as modalidades hoje é a Rebeca, que ela tem oito medalhas olímpicas, que é um número absurdo.
Bola
Tá, que paróquia.
Marcos Guesa
É porque aqui também na ginástica tem várias categorias, né? Ajuda, né? Igual na natação lá, o cara tem o americano, o americano que tem 50 medalhas, o Michael Phelps. Michael Phelps tem medalha porque ele anda no 400, no 200, no 200, na
Bola
boleta, costa, peito, carro, porra, o cara domina. Ele vai sozinho, vai com a turma.
Marcos Guesa
É, tem mais chances de medalha. Mas é uma grande atleta, né?
Dedé Santana
A Rebocca, né?
Diego Hipólito
Com certeza. Ela é um gênio da ginástica, né? em conjunto, acho que, do que a gente viu no início, porque tiveram os percursores, mas a gente tá colhendo frutos muito positivos e hoje as ginásticas estão num período muito positivo. A ginástica rítmica, que conseguiu sua primeira medalha mundial da história, tinha muita chance de medalha olímpica, vai chegar nesse próximo ano que tá entrando agora com muita chance de medalha mundial, já nesse ano agora. Desculpa, nesse ano já tem muita chance de serem as primeiras campeãs do mundo da história da ginástica rítmica. É um período que o esporte vive diferente da nossa geração. Eu vejo que o esporte é valorizado. Mas como a gente tem hoje a internet, que deu acesso a muitas coisas, eu vejo um pouquinho menos de heroísmo das pessoas em geral. A gente tá tendo uma Copa do Mundo que eu tô vendo mais pessoas assistindo do que eu vi na última Copa. As últimas Olimpíadas também eu vi mais do que na anterior. Mas a gente tá voltando agora a falar mais de esporte. E o esporte, ele é inclusivo, né? Ele muda absolutamente tudo. Não tem a dúvida. É o que mudou a minha vida, né?
Bola
Não tem a dúvida.
Diego Hipólito
Hoje o circo, na realidade, eu acho que é uma extensão do Diego. Eu nunca imaginei que algo iria me motivar tanto quanto a ginástica me motivava. Eu gosto demais, cara. É muito legal. Eu gosto dos bastidores. Eu fico lá no camarim, fica sempre eu e o Dedé lá. Quem me conhece no meu dia a dia, Eu sou muito bobo, né? O Dede sabe. Eu tenho humor pra tudo. Eu tô rindo o tempo todo.
Dedé Santana
Eu tô dando risada. Eu falo, por que que você tá rindo aí, Diego? Não, é muito engraçado isso aqui.
Diego Hipólito
Eu tô risado o dia inteiro. Mas, ó, quero aproveitar, né? Que eu já tenho que ir pro ensaio. Eu quero convidá-los. Primeiro, agradecer a oportunidade.
Bola
Obrigado.
Marcos Guesa
Você é um parceiro.
Bola
Uma grande honra, irmão, saiba disso.
Diego Hipólito
Queridos, vocês fazem parte da minha história também, com o pânico. Quantas vezes que eu fui, que vocês...
Marcos Guesa
A gente encheu teu saco, né?
Diego Hipólito
Mas você sabe que eu me sentia homenageado, porque assim, eu vi vários artistas que passavam, né? Porque eu acho que muita gente tem ego inflado. E eu saber que um menino, como eu cheguei, que eu tinha oportunidade, tinha tombos e hipólito, né? Que teve uma época que parecia que era muito divertido, que pra mim era divertido, eu olhava aquilo e achava o máximo. Se vocês fizeram parte da minha história, eu acho que é saber que hoje eu tô em outro lugar, outro ramo, me reinventando, continuo pela ginástica. Quero mandar a todos vocês... que vocês assistirem e estarem lá todas as quintas aos domingos com o Diego Hipólito, com o Dedé Santana, um circo diferencial que você tem artistas nacionais e internacionais no coração aqui de São Paulo, na Moca, na Arena Sabesp, com tantas pessoas especiais, mais de 150 profissionais envolvidos. Destinados a alegrar, entreter, mas principalmente emocionar cada um de vocês. Se você quiser adquirir seu ingresso, direto nas nossas bilheterias, 10 da manhã às 10 da noite ou no hu.com.
Bola
Muito obrigado. Tá aí, tá aí.
Marcos Guesa
Bom ensaio. Dede, você fica mais um pouquinho, Dede?
Dedé Santana
Um pouquinho que eu também ensaio. Dede, Dede, vai ficar mais um pouquinho?
Marcos Guesa
Sim, vai.
Bola
E mais um pouquinho, Dede.
Diego Hipólito
Eu tenho que dar o meu presentinho e tal.
Marcos Guesa
Valeu, que é isso, Felipe.
Dedé Santana
Estamos juntos.
Marcos Guesa
Todo mundo sabe que é linha, a Copa ainda tem a final da Argentina.
Bola
Dá pra você ver a Espanha campeã. Isso, a Mamby Light TV.
Marcos Guesa
Mamby Light TV, Espanha campeã, se Deus quiser. E na Bumbi.
Dedé Santana
Desculpa pra mim ensaiar menos.
Diego Hipólito
Não, fiz um spoiler. Você que não me assistiu nas Olimpíadas, não teve oportunidade de ir num Panamericano no Rio de Janeiro, eu faço acrobacias. E, inicialmente, contada a minha história por nada menos que Galvão Bueno. Então, cantado por quatro cantores ao vivo. Depois eu contando sobre a minha história, sobre meus altos e baixos, no meio da plateia. Então, dei o spoiler. Vai lá assistir, Diego Hipólito e Dede Santana.
Bola
Imperdível. Obrigado, irmão, de coração.
Marcos Guesa
Porra, a gente ama o Diego, mas o meu amor por você é monstruoso.
Dedé Santana
Comediante.
Marcos Guesa
Não, comediante, você... Rapaz, você não tem noção da nossa alegria, né, Boletim? De ter você aqui, com essa saúde maravilhosa, com esse sorriso no rosto, com essa lucidez, com a sua memória, cara.
Dedé Santana
Olha, olha, tem os fãs ali, ó. Se eu não viesse aqui, eu apanhava. É verdade. Se eu for o Marquinhos, a Mirella... Até parece. A Mirella, então, não perde ver tudo de vocês. A namorada dele vê tudo de vocês. Que legal, que legal.
Marcos Guesa
Eu tô muito feliz de você estar aqui.
Dedé Santana
Ela fez questão de vir aqui só pra ver você. Obrigado.
Bola
Não tem noção, irmão.
Marcos Guesa
Obrigado. Vamos tirar foto depois aí. Mas, Dedé, vamos tentar mais esse finalzinho do programa pra saber histórias, pô. Eu quero saber como é que vocês foram pra Globo. Foi um divisor de águas, né?
Bola
Foi um divisor de águas.
Dedé Santana
Antes do fantástico. Tem várias histórias.
Marcos Guesa
Vambora, quero saber a boa.
Dedé Santana
Que a gente foi pré-globo, né? Um conta uma coisa, o outro fala outra, cada um conta a história do seu jeito. Mas é assim, você sabe quem foi Augusto César Manutti?
Marcos Guesa
Sim, claro.
Dedé Santana
Ele chegou a ser o diretor geral da linha de show da Globo, né? Mas antes disso, eu tenho um tio que se chama Colé, vê na internet aí. Onde é a câmera? Qualquer uma. Aqui. Vê na internet aí.
Marcos Guesa
A sua câmera é aquela.
Dedé Santana
É, Colé, Colé. ele era o rei do teatro de revista. E foi a época que eu fui pro Rio, eu passei fome no Rio, dormi na praia, eu não sei se vocês sabem, eu aqui em São Paulo fui verdureiro, engraxate, ajudante de mecânico e trabalhei, eu me aposentei até por causa dessa carteira que eu tenho, como é ministério de trabalho? É porque eu trabalhei na Conselheiro Crispiniano como cortador e infestador de camisa.
Bola
É mesmo?
Dedé Santana
Ali perto do Viaduto Chá. Que loucura, meu Deus. É uma história longa. E aí fui pro Rio e passei fome, depois acabei entrando no teatro.
Bola
No meio artístico.
Dedé Santana
E meu tio me deu um emprego lá no teatro, né? Eu não queria falar pra ele, então acabei entrando. E quem estava nessa peça era o Augusto César Manute. Eu tenho que contar assim pra chegar lá. E o Augusto viajou o Brasil inteiro com ele, Rio Grande do Sul e tal, fazendo teatro e tal. De repente a companhia acabou, acabou, de repente eu vejo lá diretor geral da linha de show, Augusto César Barreto. Falei, caramba! Meu amigo, ele é capaz de nem dar bola mais. E era amigo de camarim, a gente era amigo mesmo de chegar. Por exemplo, nós chegamos em Porto Alegre, o hotel era muito caro. Ele falou comigo assim, Dedé, eu falei aí com o gerente, eles deixam a gente ficar no camarim. Ele falou, você topa ficar no camarim? Eu falei, topa, tem banheiro aqui perto, tudo. Nós ficamos morando no camarim do teatro pra não pagar hotel, pra sobrar mais grana pra gente, né? Bom, passou o tempo e tal, aí começou, aí já estavam na Record, eram Os Insociáveis, eu tava fazendo um filme, Planalto dos Macacos.
Bola
Esse nome eu vou esquecer nunca mais, Os Insociáveis.
Dedé Santana
Os Insociáveis. Que nominho, hein? Que nominho, puta. É de doer, né?
Bola
É de doer, irmão. Puta, Dedé.
Dedé Santana
Nós achamos ótimo.
Marcos Guesa
É o nome insosso.
Bola
É, Os Insociáveis.
Marcos Guesa
É insosso.
Dedé Santana
Aí eu vou pegar um avião, porque antigamente você podia fazer, vamos dizer, Globo no Rio e podia fazer Record em São Paulo. Antigamente era assim. Você sabia disso?
Marcos Guesa
Porque não tinha rede, né?
Dedé Santana
Não tinha rede. E nós fazíamos aqui a... a Record, e no Rio a gente fazia a Tupi. Então, eu estava no aeroporto, quem aparece lá no aeroporto ia pegar o mesmo avião que eu, Augusto César Manute. Eu falei, mas nem me dá bola, mas a gente... É, meu anjo, vem cá e tal. Me abraçou, como é que você tá e tal, e tal. Falei, ah, tô bem e tal. Pô, tu não ia me procurar na Globo? Falei, vou procurar, você agora é todo poderoso. Vênus platinado, aquela... Tinha aquela história, né? Vênus platinado e tal. Ele falou, pô, você tem gostado muito de vocês, eu vejo vocês de vez em quando. Falei, o quê? Você tá brincando? Você vê aquela merda que a gente faz lá? Porque era Rede Globo, né? Padrão de qualidade. É, você sabe que ali até, às vezes, até o guarda-roupa a gente arrumava. Eu fui com o Renato na Vila Romana arrumar as roupas pra gente fazer o programa, entendeu?
Bola
Você tinha que se virar.
Dedé Santana
E algum material de contra-rega que eles não sabiam fazer, eu ia lá e eu fazia o material. E era uma coisa bem...
Marcos Guesa
Mas vocês faziam um sucesso na TV Tupi.
Dedé Santana
Isso é. Aí ele falou assim... Vem cá, cês não querem ir pra Globo não?
Bola
Porra!
Dedé Santana
Eu falei, como? Ele falou, cês não querem ir pra Globo? Ah, falei, cê tá louco!
Bola
Tá brincando agora?
Dedé Santana
Agora cê tá com brincadeira! Com o padrão de qualidade da Globo, se querer levar esses palhaços lá!
Bola
Os três, quatro palhaços lá!
Dedé Santana
Não tô perguntando! se tem padrão ou não, tô perguntando se você quer ir pra Globo. Eu falei, ô Augusto, quem que não quer ir pra Globo? Todo mundo quer ir pra Globo. Ele falou, você tá indo pra onde? Eu falei, tô fazendo um filme com o Renato, Planalto dos Macacos, lá no Rio e tal. Você fica onde, hotel? Eu falei, não, eu fico na casa do Renato, produção assim, né? Fico lá na casa dele. Ele falou, tem telefone lá? Tem. Me dá o telefone aí. Ele falou, o Boni vai ligar pra você. Eu falei, pra mim? Eu falei, não, faz o seguinte, é a casa do Renato, ele liga pro Renato. Quem cuida mais da parte de negócio é o Renato. Ele falou, ah, tudo bem. Então, eu guardo um telefonema do Boni hoje.
Bola
Caramba! Vai ligar nada, né?
Dedé Santana
Vai ligar nada, né? Aí, cheguei lá na casa do Renato, a gente filmava no outro dia, falei, Renato, encontrei o Augusto Cezão, tu conhece ele? Claro, rapaz, viajei com ele, conta a história. E ele falou, olha, ele disse que o Boni vai te ligar. Você acredita em Papai Noel e tal.
Bola
Ele e o Cunhinho da Páscoa vão te ligar.
Dedé Santana
Aí ficamos lá, aí esperamos, esperamos, esperamos, nós jantamos, já era umas 10 horas da noite, aí na tele, vamos dormir que amanhã a gente sai 5 da manhã e tal, pra filmagem e tal. Aí, cadê o teu Boninho que ia ligar, cadê ele? Falei, ele vai ligar, rapaz, então sei lá. Eu fiquei meio decepcionado também. Eu sei que era uma hora da manhã, meia-noite, o telefone tocou.
Bola
Não tinha celular.
Dedé Santana
E quem ligou, rapaz? O Boni, o Renato não acreditava que era o Boni. Desligou na cara dele. Achou que era sacanagem minha, brincadeira. Desligou o telefone na cara do Boni, aí o Boni ligou de novo. Aí o Boni falou que iria encontrar com ele, mas não podia ser na Globo. Marcou naquele Antiquários. Antiquários, Antiquários. É, marcou lá. Aí o Renato falou, pô, como é que eu vou? Tem filmagem. Eu falei, eu digo que você não tá bem. Você não tá passando bem, tá doente, eu vou sozinho. E eu vejo o que dá pra filmar comigo e tal, e eu vou pra filmagem e tu fica e tal. Aí ele ficou e foi nesse almoço e tal. E eu nervoso na filmagem, doido. Vim embora, meu Deus, o que que aconteceu e tal. Aí cheguei já na hora da janta, a esposa do Renato, Era uma mãe pra mim, né? Até roupa minha ela lavava lá, e ela fazia jantar, e eu cheguei lá, e aí eu falei, e aí, Renato? E ele não tocava no assunto, e eu doido que ele tocasse no assunto. Aí eu falei, e aí, Renato, como é que ficou? Ele falou... A merda, rapaz, fui lá e tudo, e aí? Ele falou, ah, que merda, cara. Tamo contratado na Globo. Eu falei, porra! O que? Tamo contratado na Globo. E eu falei, como? E outra coisa, ele, o Boni não quer que a gente apareça lá, que vale nada. A gente tem que mandar os documentos, tudo novo.
Bola
Segredo total.
Dedé Santana
Eles vão fazer, vêm fazer o pagamento aqui na casa da gente. Vêm trazer. E vamos ficar quatro meses fora do ar, eu falei.
Marcos Guesa
É, porque a Globo tinha isso, né?
Dedé Santana
Isso aí não é muito perigoso? Ele falou, é, mas a gente tinha que arriscar. Falei, como é que foi o contrato? Tudo que eu pedi, eles deram. Tudo que eu pedi pra nós.
Marcos Guesa
E mudou tua vida de vez ali, né?
Dedé Santana
Mudou a vida de todo mundo, né? Aí a gente não podia falar nada e tal, mas não chegou a quatro meses, acho que com dois meses, três meses... Foi boar.
Marcos Guesa
77, isso foi em 77.
Dedé Santana
Aí fomos gravar o primeiro lá, né? Cai a dura pra trás, o Augusto César quis dirigir. E aí? E ele era aquele cara que falava assim, dá piada? Não, assim não. Agora você vira pra cá e fala pra essa câmera. Foi uma merda. É, o programa foi uma merda.
Marcos Guesa
Porque engessou demais, né?
Dedé Santana
Deu uma puta audiência. O primeiro programa, o segundo foi lá embaixo.
Bola
Mas foi muito dirigido.
Dedé Santana
Afundou, né? E era sete horas antes do Fantástico. Nossa, que horário é esse? Mas eles já deviam estar de olho, porque a gente, como tava ganhando o Fantástico também, já tinha alguma coisa atrás disso.
Marcos Guesa
Aí eles deixaram rolar. Ou botaram o Wilton Franco.
Dedé Santana
Aí chegou um dia... Não, chegou um dia... A gente falou, pois é, cara, e aí e tal. Falou, alguém tem que falar com o Augusto no Camarim e os Quatro. Alguém tem que falar com o Augusto.
Bola
Dá um toque, né?
Dedé Santana
Aí olharam todo mundo para mim. Eu acho que vou fazer essa cena no filme. Acho que vou botar essa cena no filme. Quem é o grande amigo dele?
Bola
Você, lógico, lógico.
Dedé Santana
Vai você falar com ele. Eu falei, cara, tem coragem? Eu falei, tenho. Tem coragem de falar com ele? Eu falei, eu tenho, eu vou lá falar com ele. Fui lá, quando cheguei lá, falei, ô, Augusto, tudo bem? Pô, Dede, tal, tudo bem, tal? Eu falei, ô, Augusto, preciso falar com você.
Bola
Deixa eu te falar uma coisa.
Dedé Santana
Ele falou, Augusto, tá dando muito certo, cara. Tá dando muito certo, porque, pô, você amarrou a gente. Tem que dar piada, virar pra cá, né? Não é isso. A gente é palhaço de circo. Você tem que botar esquema e deixar a gente fazer, ir procurar e tal. Ele falou, olha, pra dirigir merda eu não faço. Se é pra fazer bosta, eu tô fora. E pra dizer mais, tô fora agora, saí. Não dirijo mais você.
Bola
Puta merda.
Dedé Santana
Ficou putaço.
Bola
Puto.
Dedé Santana
Saiu e foi embora. Eu falei, caralho, e agora?
Bola
O que eu fiz, né?
Dedé Santana
Agora tamo ferrado, não tinha televisão pra voltar.
Bola
Então, já tinha saído dois, três meses da outra.
Dedé Santana
Já tinha saído da outra. Falei, caramba. Aí ficamos lá, a gente, todo mundo na mão.
Marcos Guesa
E quem dirigiu aí?
Dedé Santana
A gente tava que não passava uma melancia. É uma bananinha aí, uma bananinha. E a gente estava lá no camarim e tal, e ficamos lá esperando, aí o menino lá da produção, não me lembro o nome, falou, olha, o Boni manda vocês esperarem aqui. E aí ninguém saiu do camarim, ficamos lá no camarim. Aí chegou o Boni, depois de não sei quantas horas, o Boni foi lá, era na Lopes Quinta, ali naquela... O Boni foi lá, no Jardim Botânico. O Boni chegou lá, cara, e a gente tava, rapaz, se cagando todo.
Bola
Lógico, né?
Dedé Santana
Aí o Boni chegou, falou, eu vim falar com vocês aqui. Falou, puta merda. Tirou um papel, falou, tem seis nomes aí, vocês escolhem o diretor.
Bola
Caramba!
Dedé Santana
Aí olhamos lá e tal, olhamos... Aí eu falei, olha, tem um cara aqui, Renato, que eu conheço. Ele falou quem? Adriano Stuart. Você conhece? Eu falei, ele é bom, porque ele é de circo.
Bola
Da liberdade.
Dedé Santana
Não, ele é de circo, o pai dele é circense, fez o primeiro... Então, ele sabe bem o que é esse humor, que é essa coisa de circo. Vamos escolher, escolhemos ele. Dali uma hora, o Adriano tava lá e foi... Foi lá, aí vamos gravar, vamos gravar, aí a Adriana falou, peraí, são quatro, quatro, bota uma câmera no geral, que era uma câmera no geral.
Bola
Abertona.
Dedé Santana
Tudo. E uma em cada um deles. Uma câmera em cada um deles e uma na geral. E vamos lá. Aí erramos. Toda vez que a gente errava com o Augusto, tinha que ir do começo. Erramos, falamos, vai do começo. Ele falou, não, vai do começo não.
Bola
Vai da parte que errou.
Dedé Santana
Toca daí, tal, tal, tal. E ele foi tocando, tocando, tocando. Foi dois programas, bateu de excelente sim. A audiência foi lá pra cima.
Marcos Guesa
Puta, que alívio, hein, Dedé?
Dedé Santana
Foi alívio. Mas a gente... Mas o Hilton Franco, o Hilton Franco... O Hilton foi depois, foi lá na... O Hilton foi na TV Excelsior, não foi na Globo.
Marcos Guesa
Ah, o Hilton não foi?
Dedé Santana
Ah, não.
Marcos Guesa
Não chegou nem a dirigir na Globo?
Dedé Santana
Foi na TV Excelsior. que ele fez os adoráveis, se atrapalhou, hein? Era um puta diretor.
Marcos Guesa
Eu adorava, eu tive o privilégio de conhecer o Hilton.
Dedé Santana
Criança como é, gente inocente. Ele era um criador, ele criou gente inocente, povo na TV, tudo aquilo. Ele era genial também.
Marcos Guesa
O Hilton eu tive o prazer de conhecer, porque ele foi diretor do Beto Carrero World. Antes de morrer ali, a gente trocou uma ideia.
Dedé Santana
Você sabe que eu tenho duas gerações, né? Uma Trapalhões e outra Dedéio Comando Maluco.
Marcos Guesa
Comando Maluco, maravilhoso. Como é que foi essa coisa do Beto Carreiro? Porque é uma história meio doida, né? Porque o Beto Carreiro, a história de vida dele é muito louca, né?
Dedé Santana
Eu conheci o Beto Carreiro com 14 anos de idade.
Marcos Guesa
É mesmo?
Dedé Santana
Ele ajudando o meu pai no circo. Ele não, a família dele. É um caso até bem engraçado. Meu pai chegou com o circo lá, a gente estava todo estourado. Antigamente era... Loninha antiga... E armamos o circo, ele permitiu a gente armar o circo no terreno da casa dele, lado, era um terreno enorme de esquina e a casa dele ficava aqui, tinha até no muro, tinha um portão. Tá no livro do Beto Carreiro isso, tá no livro do Beto Carreiro. do portão você ia pro terreno que eles jogavam bola, e ele cedeu o terreno pro meu pai, até tem uma história engraçada, ele queria ser artista, o Beto, né? E ele foi pro meu pai e falou, o Sr. Cascari, eu queria ser artista. Aí meu pai falou, mas você quer fazer o quê? Ele falou, quero ser cobói brasileiro. Meu pai falou, não vai dar, cara. Por quê? Porque coboi é americano. Você pode ser vaqueiro ou boiadeiro. Agora, coboi não vai dar. E ele acabou sendo um coboi brasileiro.
Marcos Guesa
Ele dava com uma onça, um chicote.
Dedé Santana
É, chicote. E ali que eu conheci o Beto, né? E ali a família dele ajudou a minha família. porque começou a chover muito, não dava espetáculo, o público não vai com chuva e tal, e aí eles começaram, eles davam comida pra gente, dava café.
Marcos Guesa
De onde o Beto era?
Dedé Santana
São José do Rio Preto.
Marcos Guesa
Ah, do Rio Preto.
Dedé Santana
Aí eles te diam água, luz, tudo pra gente. Aí o pai dele fez uma vaquinha com os parentes, libanês tem grana, você sabe. Tem, tem. Tem um ouro, tem um ouro. Eles fizeram uma vaquinha e foram pro meu pai e falou assim, tá no livro do Beto isso. Foram pro meu pai e falaram assim, olha, senhores caras, nós juntamos uma grana aí, dinheiro, e se eu puder mudar. O senhor falou que se mudasse, era bom pro circo, que era novidade. Nós temos dinheiro pra o senhor mudar aqui." Meu pai falou, não, pelo amor de Deus, eu não posso aceitar isso. Ele falou, não aceita. Meu pai, não aceita, aceita. Aí o pai do Beto falou, senhor Oscar, aceita que vai ficar mais barato pra gente. É verdade no livro do Beto. Isso.
Marcos Guesa
Mas o Beto Carreira é um cara...
Dedé Santana
Anos depois, eu tô nos Trapalhões com quem eu encontro no aeroporto. Beto Carreiro. E eu não lembrava direito dele. Pô, eu sou o Sérgio, rapaz, que Sérgio. Pô, tu cansou de ir tocar violão comigo lá em casa, que eu queria ser cantor, eu queria ser artista. Lá eles falavam, pô, tá brincando? Você, aquele cara é pua, ia abraçar ele. A gente foi garoto junto e tal. Ele falou, vem cá, quem faz as propagandas de vocês lá? Eu falei, no duro, no duro, a gente não tem ninguém assim. Tava começando...
Bola
É nós mesmo, né?
Dedé Santana
Tava começando na Globo. Não tem ninguém, é nós mesmo que tratamos, tem um empresário lá, mas é empresário de show, às vezes ele... Que é o Elcio, o Elcio Spanner. Ele que tá... Não, vocês têm que ter um cara, uma empresa e tal, tal, tal. Eu posso fazer isso pra vocês. Ele falou, vou mostrar meu escritório. E me trouxe aqui na Augusta pra ver o escritório dele. Quando eu vi, era quatro andares.
Bola
Caramba!
Dedé Santana
Eu falei, é alugado? Ele falou, não, é meu isso aqui.
Rica Perrone
Porra!
Dedé Santana
É meu escritório. Aí mostrou o estúdio, tudo. Eu falei, porra, cara! Ele falou, então, quer fazer comigo? Eu falei, eu não mando, tem que falar com o Renato, com o Mussu, com o Zacarias. O Mussu e o Zacarias, se eu falar, tá falado. Agora tem que falar com o Renato também. Aí fui lá, falei com o Monsur, Monsur é meu compadre, quem resolve essas coisas é tu, compadre. Eu não resolvo esses negócios, o Monsur não queria saber. O Zacarias a mesma coisa, aí eu fui no Renato, Renato, porra, é uma boa ideia, o Renato é... Ele saca as coisas. É uma boa ideia, nós precisamos mesmo de uma empresa pra isso. Aí chamou o Beto, marquei com o Beto e ele, apresentei o Beto pra ele e ele passou. Seu homem dos comerciais, primeiro comercial que ele arrumou pra gente, os dois primeiros, foi da... Calói pedalando, pedalando, pedalando com a Calói, pedalando, pedalando. A confiança nunca dói. Foi o primeiro que ele arrumou. E o segundo foi com a Pepsi Cola, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pra fazer moeda nossa, copo nosso, talher nosso, figurinha nossa, cartazes nossos. Eu tive esse copo. Três milhões de dólar. Na época.
Bola
Porra.
Dedé Santana
Eu não sabia o que era isso, três milhões de dólar.
Bola
Porra, puta que pariu.
Dedé Santana
Três milhões de dólar.
Bola
Se hoje é dinheiro, imagina na época.
Marcos Guesa
Ele licenciava as coisas de vocês, né?
Dedé Santana
Naquela hora, ele que fez.
Marcos Guesa
Eu tinha esse copo, era um copo branco de plástico.
Dedé Santana
Exato.
Marcos Guesa
Eu sei.
Dedé Santana
Com figurinha vermelha.
Marcos Guesa
A Pepsi tinha copo de Elton John, Tina Turner.
Dedé Santana
Mas era só Rio Grande do Sul.
Marcos Guesa
Não, mas eu tinha.
Dedé Santana
E tinha as moedinhas.
Marcos Guesa
Não, não, a moeda eu não lembro. Eu lembro do copo branco do Estrapalha. Se achar aí, bota aí.
Dedé Santana
E você sabe que se abria a Pepsi, era uma figura nossa. Ah, eu não vou lembrar.
Bola
Eu lembro do copo branco.
Marcos Guesa
Eu lembro do copo branco.
Dedé Santana
Depois tu vê na internet, tem a tampinha, os bonequinhos, o talher.
Bola
Que loucura, né?
Dedé Santana
Você acredita que tem pessoas que levam no circo pra me assinar?
Marcos Guesa
O Bola vai lembrar do copo dos Trapalhões. Claro, isso aqui foi um sucesso.
Dedé Santana
Eu lembro, lógico que eu lembro.
Marcos Guesa
Aí, ó.
Dedé Santana
É isso.
Bola
Eu tinha, caceta.
Marcos Guesa
Claro que você tinha.
Bola
Eu tinha, porra.
Dedé Santana
Claro que tinha. E tem pessoas... que leva lá no circo pra me assinar.
Bola
Olha, eu lembro da tampinha, caraca, mano.
Dedé Santana
Isso aí é... Tem a moeda, não tá a moeda aí, tem a moeda também.
Marcos Guesa
A moeda eu não lembro, eu lembro do copo.
Dedé Santana
Tem os cartazes, o cartaz tem a gente de vários...
Marcos Guesa
Eu tinha esse copo aqui, certeza tinha esse copo aqui, esse branco aqui.
Bola
Eu tinha os dos quatro também, é.
Marcos Guesa
Essa época tinha copo do Queen, copo da Tina Turner, copo do... lembra do... Nos anos 80, né, cara? Muito anos 80 isso aí.
Dedé Santana
E aí que nós fizemos o nosso...
Marcos Guesa
Você ganhou 3 milha, o Estrapalhão ganhou 3 milha pra fazer isso aí, licenciar.
Dedé Santana
Não, era pra produção toda.
Bola
Você juntava a tampinha e trocava por um copo.
Dedé Santana
Era 3 milhões geral.
Bola
Junte 8 mais 10.
Marcos Guesa
Não, não, mas pra licenciar.
Bola
Ó a tampinha. Junte 8 mais 10 cruzeiro é igual a um copo.
Marcos Guesa
Pô, claro, já fizemos muito isso.
Bola
Muita merda.
Dedé Santana
Muito, muito. E aí que o Beto Carreiro entrou na nossa vida.
Marcos Guesa
Aí o Beto Carreiro foi... E vocês mostraram o Beto, né?
Dedé Santana
E outra coisa que pouca gente sabe, quando nós saímos da Globo, o Renato ficou por causa do Crianças de Esperança.
Bola
Certo.
Dedé Santana
Mas eu saí, todo mundo saiu, né? O Múcio tinha acabado de falecer e tal, e não tinha mais programa, não tinha mais razão de eu ficar lá. E todo mundo, naquela época, dizia que o Dedé brigou com o Didi, tinha separado. Sabe onde nós estávamos? Onde? Bota aí, os Trapalhões, em Portugal. Nós somos convidados pelo Boni, que mandou a gente pra lá, pra entregar um prêmio pros comediantes em Portugal.
Bola
Que legal!
Dedé Santana
Era tipo tapete vermelho.
Bola
Uma premiação.
Dedé Santana
Aquela premiação e tal.
Bola
Que bacana!
Dedé Santana
Até teve uma coisa engraçada aí também. Eu acho que eu sou meio maluco, cara.
Bola
Você acha?
Dedé Santana
É, porque a produção veio lá, vocês têm que botar a Smuk, aí nós tínhamos que sair correndo. Não, a gente foi comprar uma Smuk em Portugal, não sabia e tal, aí a produção falou, que cor vocês querem o limusine de vocês? Falei, porque vocês vão chegar na limusine. Eu falei, Renato, Vamos pedir uma carroça. Ele falou o quê? Falei, todo mundo chega de limousine, nós vamos chegar de carroça lá.
Bola
Genial.
Dedé Santana
O Renato disse, é maluco, então falei, vamos chegar de carroça. Aí eu pedi uma carroça. Eu falei, vocês deixam... Antes, a gente vai de carro até a carroça.
Bola
Para antes.
Dedé Santana
E fica perto ali, a gente entra na carroça e chega de carroça.
Bola
Que maravilhoso.
Dedé Santana
E o Renato me xingava, rapaz. A gente tava de Smuk e começou a chuviscar.
Bola
Putz.
Dedé Santana
E a gente na carroça. Aí o Renato falou, eu vou dirigir essa carroça. Eu falei, Renato, não dá, porque os cavalos estão acostumados com o cara que dirige.
Bola
Com o cara que sabe.
Dedé Santana
Não, eu vou dirigir a carroça. Tá bom, então você vai.
Diego Hipólito
Tá.
Dedé Santana
Ele foi, nós chegamos no tapete vermelho com a carroça. O Renato, ao invés de puxar as duas rédeas, ele puxou um lado só e a carroça entrou pelo tapete vermelho. Rapaz, foi um aue. No outro dia, conclusão, no outro dia só deu emoji. Em toda a reportagem, a televisão veio e contratou o Dedé e o Didi para fazer Os Trapalhões em Portugal. Ficamos lá três anos e meio em primeiro lugar de audiência. Que loucura.
Marcos Guesa
Agora, só pra gente poder encerrar, que você tem horário, que você vai encerrar. Só pra encerrar, eu queria saber...
Dedé Santana
Eu tô com pena, mas eu preciso trabalhar. Eu sei, eu sei. Preciso ganhar dinheiro. Só pra encerrar, como é que tá hoje... Como é que tá a sua
Marcos Guesa
relação com o Didi?
Dedé Santana
O Didi tá bem? Ah, sempre foi boa. Sempre foi boa.
Marcos Guesa
Vocês brigaram naquela época do filme.
Dedé Santana
Não, mas foi uma briga de empresa, não foi uma briga nossa.
Bola
Pessoal.
Dedé Santana
E a gente continua se falando do dia a dia. Porque eu não considero, eu digo isso sempre, eu repito isso, Renato não é meu amigo, não é meu colega, ele é meu irmão, cara. Eu tenho ele como um irmão. Aprendi muito com ele. Aprendi muito de família, de convivência, com filhos, porque eu saí muito cedo de casa, meu pai morreu. morreu muito cedo, né? E ele aprendeu muito de circo, de humor, de coisa comigo, e eu aprendi. Foi uma troca muito legal, né? Eu convivia na casa dele, com a família dele, eu dormia na casa dele, entendeu? Ele é um irmão pra mim, eu tenho um carinho muito grande por ele.
Bola
Que legal.
Marcos Guesa
Então, um beijo aqui pro Renato Aragão.
Dedé Santana
Um beijo, meu amigo, tá?
Marcos Guesa
O Rica quer ver o Dedé, pra ele ir embora?
Bola
Deixa o Rica ver a ideia e o Dedé vai embora.
Marcos Guesa
Então, peraí. Ó, nós vamos entrar aqui no ar com o Rica Perrone diretamente nos Estados Unidos, ele tá lá na Copa. E ele queria te mandar um abraço, que a gente vai trocar uma ideia
Dedé Santana
rápida com ele aí.
Bola
Tá com a camisa da Aston Martin, branda Ferrari.
Rica Perrone
Quando eu vi que era o Dedé, eu falei, meu Deus, cara, eu tô
Dedé Santana
lembrando que eu sou muito... Peraí, peraí. Peraí que eu não sei usar isso.
Marcos Guesa
Eu vou botar pra você.
Dedé Santana
Já tá.
Rica Perrone
Oi, Dede.
Dedé Santana
Aí, ó.
Marcos Guesa
É o Rika.
Dedé Santana
Fala, Rika.
Rica Perrone
Quando eles falaram que eu ia entrar aqui, eu entrei na câmera, que estava você, eu falei pro pessoal da produção, falei, caraca, eu sou muito fã do Dede, cara.
Dedé Santana
Brincadeira, cara.
Rica Perrone
Posso te dar um abraço, cara? Nunca falei contigo, é uma honra, cara.
Dedé Santana
Você está onde agora?
Rica Perrone
Eu estou nos Estados Unidos, cara.
Dedé Santana
Não, que lugar?
Rica Perrone
Eu gosto demais de vocês, cara. Nossa, estou em Orlando.
Dedé Santana
Estou, né, Orlando?
Bola
Está ruim, né?
Dedé Santana
Está bom.
Bola
Está ruim lá.
Dedé Santana
Eu tenho uma filha que mora lá, em Orlando.
Bola
Ah, que legal.
Dedé Santana
Ah, é? É. Olha, um abraço. Muito obrigado pelo carinho. Você está com um cara que eu amo aí atrás. É o Zico, né? É o Zico. Olha ali atrás de você.
Rica Perrone
Aí.
Dedé Santana
Pelé. Fiz filme com o Pelé, cara.
Bola
Pelé.
Dedé Santana
O cara mais humilde que eu conheci.
Rica Perrone
Está aí no futebol, assisti aparecendo 17 vezes.
Bola
Ah, é?
Dedé Santana
Oh, oh, oh. Está brincando.
Rica Perrone
17 vezes está aparecendo aí no futebol. Você é uma cacete até hoje.
Dedé Santana
Muito obrigado pelo carinho, viu? Valeu, cara. E em dezembro eu tô aí. Em dezembro eu tô aí.
Marcos Guesa
Ah, e quem sabe você não se encontra. Eu vou fazer a ponte com o Rica Perola. Ele vai ganhar um prêmio na NASA. Ô, Rica, eu vou fazer a ponte com o filho do Dedé. Você vai conhecer o Dedé em dezembro. Se bobear, você vai até na NASA na premiação dele.
Dedé Santana
Ele vai ganhar um prêmio.
Bola
Pronto.
Rica Perrone
Vai ser uma das maiores honras da minha vida.
Marcos Guesa
Demorou.
Dedé Santana
Beijão, cara.
Marcos Guesa
Fica aí, fica aí, Henrique, que eu já te chamo. Fica aí que a gente te chama. Pessoal, eu vou me despedir do Dedé aqui.
Bola
Obrigado, irmão.
Marcos Guesa
Dedé, você precisa ir lá pro circo, então já saiba. Abra a cadabra.
Dedé Santana
Preciso trabalhar, né, cara?
Marcos Guesa
Abra a cadabra.
Bola
De quinta a domingo.
Marcos Guesa
Arena Sabesp. Quinta, sexta, sábado e domingo. Sábado e domingo, duas sessões. Link aqui nesse episódio pra você comprar seu ingresso.
Bola
Uhul. Uhul. Uhul.
Marcos Guesa
Uhul.com. Curta a temporada. Aproveite pra ver o Dedé, o Diego Hipólito. Dedé... Posso aí te dar um abraço?
Bola
Obrigado, cara.
Marcos Guesa
Saiba que você, cara, você é uma das maiores referências.
Dedé Santana
Obrigado, obrigado.
Marcos Guesa
Cheiroso, Bola. Olha que homem cheiroso.
Bola
Eu botei a medalha dentro do fone.
Marcos Guesa
Por isso que ele é uma mulherada amável, porque ele é um homem cheiroso. Fazer a foto aqui. Vem cá, já faz a foto aqui com a gente.
Dedé Santana
Aqui, ó. Ih, nojento.
Marcos Guesa
Saiba que você... Saiba que você, cara, é um patrimônio desse nosso país da arte, do circo, do humor. E o que você fez pelas crianças...
Dedé Santana
Eu não, rapaz, eu se atrapalho.
Marcos Guesa
Você também, porque você criou... Você tá no meio. Saiba que você é um monstro sagrado. A gente te ama muito, viu? E volte sempre quando quiser pra contar mais histórias, a gente quer.
Dedé Santana
Sempre atrapalhou o meu filme.
Marcos Guesa
Pra sempre?
Dedé Santana
Trapalhão. Tô procurando atrás do financiamento.
Marcos Guesa
Como é que é o nome?
Bola
Pra sempre Trapalhão.
Marcos Guesa
Vai sair esse filme?
Bola
Vai sair, vai sair.
Marcos Guesa
Tá, é você e o Didi também? O Renato Aragão também?
Dedé Santana
Só sou eu.
Marcos Guesa
Só você?
Dedé Santana
Vai ser a minha carreira, a história.
Marcos Guesa
A história da sua carreira?
Dedé Santana
Vai ser tipo o filho de Francisco. Eu vou entrar no final, vai ter eu desde criança e tal. Eu inaugurei Brasília, cara. Inaugurei a televisão em Brasília.
Marcos Guesa
Você inaugurou em sessenta?
Dedé Santana
Eu fui o primeiro circo que chegou em Brasília. Eu fiz o primeiro teatro em Brasília com uma peça que chamava de Cabras a JK. Eu tenho história, eu tenho história.
Marcos Guesa
Você tem, você tem.
Bola
Você volta pra contar, pô, volta pra contar.
Marcos Guesa
Acabou que não bateu foto? Vem cá, aproveita e bate aqui foto, que a gente vai entrar com o Rica, pode vir.
Dedé Santana
Vale, vale.
Marcos Guesa
Vem aqui, vem aqui. Aqui a gente não pode sair do ar, porque o Rica vai entrar. Senão a gente serve. Dedé, te amo, vem cá. Ó, meu irmão te mandou um beijo, hein, Dedé. Tá lá no Rio, tá lá em São Gonçalo, te mandou um beijo, meu irmão Márcio. Manda um beijo pro Márcio aqui, ó.
Dedé Santana
Pro Márcio aqui, ó. Márcio, um beijão, cara. Eu ia estar lá agora.
Marcos Guesa
Tá lá em São Gonçalo, meu irmão.
Dedé Santana
São Gonçalo. Beijão, Márcio.
Marcos Guesa
Aê, ó. Aê.
Dedé Santana
Quer ir lá, Dedé, também?
Marcos Guesa
Vem cá, Dedé. Vem cá. Fica aí, rica. Não vai embora, não, que a gente quer falar com você. Aê, vamos lá.
Dedé Santana
Aê. Nojento.
Marcos Guesa
Nojento.
Dedé Santana
Aê. Te amo, Macalé. Tchau, tchau. Obrigado, irmão.
Bola
Um beijo.
Marcos Guesa
Vou te passar o contato do Rica Perrone.
Dedé Santana
Pega aqui, ó.
Marcos Guesa
Aí, quando você for aos Estados Unidos, você fala com ele.
Rica Perrone
Aqui, ó.
Marcos Guesa
Pra ele conhecer o Dedé.
Bola
Rica vai levar o César na Ferrari, meu.
Dedé Santana
Aqui, ó.
Rica Perrone
Pega.
Marcos Guesa
Tira a foto aqui do contato.
Bola
Ele tem duas lá. Aí. Fechou?
Marcos Guesa
Valeu. Obrigado, irmão.
Dedé Santana
Um beijo. Valeu?
Bola
Beijão, obrigado.
Marcos Guesa
Beijo, meus amores. Dedé, foi uma honra, hein?
Dedé Santana
Obrigado.
Marcos Guesa
Fica aí na linha, porque nós vamos
Dedé Santana
falar agora... Ai, Lóvio!
Marcos Guesa
Ai, Lóvio! Olha aí, 90 anos, o cara parece ter 50, bicho.
Bola
Tá melhor que eu, bicho.
Marcos Guesa
Tá animal, né?
Bola
Pô, eu tô com uma dor na pança.
Marcos Guesa
Você tá bem, bola, aí? Quer ir embora? Quer que eu toque com o Rica? Dá pra ir?
Dedé Santana
Tô bem.
Marcos Guesa
Cadê o Rica Perrone? Cadê o Rica Perrone? Rica Perrone tá com todo... Que tristeza, Rica Perrone. Que Copa Merda, meu irmão.
Bola
Vai, Espanha!
Rica Perrone
Espera aí, não.
Dedé Santana
Calma aí.
Marcos Guesa
Que Copa Merda, cara.
Bola
90.
Marcos Guesa
É, Dedé tem 90 anos.
Bola
Ele vai fazer 91.
Marcos Guesa
Não, vai fazer 91.
Bola
Impressionante, né, irmão?
Rica Perrone
Caraca, irmão, eu ia dar um 70 nele, no máximo, irmão.
Marcos Guesa
90, amigão. 50 tem você, porra.
Rica Perrone
Vocês não têm noção da alegria que vocês me fizeram hoje, cara.
Marcos Guesa
Não, eu passei o... Eu passei o contato pro filho dele, ele vai te chamar aí, quando ele for no Shazam, você vai encontrar com ele.
Bola
Ele é gente boa demais, irmão.
Rica Perrone
Ah, cara, eu sou 78, né, meu? Os Trapalhões, pra mim, é tipo religião, né, cara? Eu assistia todas as semanas, todos os filmes. Eu comecei a gostar de Carnaval por causa da Didi e Dedé, Mussum e Zacarias da Uníssono.
Dedé Santana
Claro.
Bola
Porra, é loucura isso.
Marcos Guesa
É isso aí, meu querido amigo Rica Perrone. Que Copa Merda, hein, cara? Pra quem? Eu tava com essa expressão.
Bola
Pra quem?
Marcos Guesa
Eu tava com essa impressão. Copa Merda, Copa Merda.
Bola
No geral?
Marcos Guesa
Ah, Copa Merda, né, Rica?
Rica Perrone
Também, Axé, pior dos últimos anos. Pô, os dois finalistas não encantaram ninguém em nenhum momento.
Bola
Não, isso é verdade.
Rica Perrone
Vamos morrer aqui, Argentina. Não, mas a Argentina... Foi contra a França.
Marcos Guesa
A França. Mas foi tangos e tragédias, né? Mas é o estilo argentino, na tragédia. E vai ser a tragédia, se Deus quiser, domingo.
Rica Perrone
O problema é que eles chegaram grandão, cara. Eles chegaram virando...
Marcos Guesa
Mas assim que é legal. Aí o argentino se perde quando ele se acha, relaxa.
Rica Perrone
E quando é que ele não se acha?
Marcos Guesa
Não, não, olha só, rapidinho. Eles passaram um aperto do caralho em vários jogos. Eles não estavam com essa bola toda. Primeiro foi Copa Série B, só jogaram com o time merda. O primeiro jogo foi ontem. de time grande para a Argentina, ou eu estou errado?
Rica Perrone
Mas o problema é que agora é só ele ganhar mais um, irmão.
Bola
Esse aqui é o problema de você
Rica Perrone
nesse jogo três, quatro rodadas atrás.
Marcos Guesa
Ah, mas tem aquele velho ditado, não dá para ganhar todas. O que você acha?
Rica Perrone
Carica, a satanás está no controle, Carica. A satanás tomou a cara há alguns anos. É só você ver o que anda acontecendo com o mundo. A coisa está feia, a Argentina está ganhando, Carica. Isso não está certo.
Marcos Guesa
Não, e tem um Zé Ruela que trabalha com a gente aqui, o nosso diretor. Vem com a camisa da Argentina, cara.
Bola
Não podia ter deixado de entrar na firma. Não podia entrar na firma.
Marcos Guesa
Cadê o Renato? Vem cá, Renato. O cara tá com o casaco da Argentina.
Bola
Não é que pode, bicho.
Marcos Guesa
Não é que pode.
Bola
Ele torra.
Marcos Guesa
Não, por causa do burro chaga. Eu falei, vai se foder.
Bola
Por causa de quem?
Marcos Guesa
Eu falei, cara.
Bola
Burro chaga, burro animal.
Marcos Guesa
Ô, Rica, conta pra galera. Quem foi Simeone? O ódio, o meu ódio nasceu de verdade com o Simeone. Nem foi com o Maradona, nem com o Caninja, não. Simeone é o cara que eu mais odeio. Eu torço contra o Atlético de Madri porque tem Simeone, cara.
Rica Perrone
Simeone é a estrada e mais alguns, né? O que batem os rolantes argentinos ao
Bola
longo da história... Olha aqui a carinha dele.
Marcos Guesa
Olha aqui. Vê se não é pra expulsar um cidadão desse aqui.
Rica Perrone
O que é que é esse, cara? O que é que é esse, mano?
Bola
O cara vem com... Ainda o negócio é falso ainda.
Marcos Guesa
Ele ainda pagou pra AFA.
Bola
Tá escrito tudo torto atrás.
Marcos Guesa
Ele ainda deu dinheiro pra AFA.
Rica Perrone
Se é argentino, é falso.
Bola
É nada, então.
Rica Perrone
Até o original é falso da Argentina.
Marcos Guesa
É, o vinho é uma merda.
Bola
Você sabe por que não tem terremoto na Argentina, Rica?
Rica Perrone
Por que não?
Bola
Por que que não tem terremoto na Argentina? Não, na Argentina não tem terremoto. Porque nem a terra engole eles.
Rica Perrone
Ô, boleta, escolhe um aí, ó. Tu falou que eu tava de astromático, boleta da Ferrari, ó. Escolhe um boleto.
Bola
Esse é do Senna.
Rica Perrone
McLaren.
Bola
Esse é bonito, hein? Meca.
Rica Perrone
Eu tô muito vadia hoje, né? Eu sou Ferrari, tô usando tudo aqui.
Bola
Você tá putinha. Tá, você tá vindo. Mostra do outro lado, Rica, pra nós ver os bonés aí. Que você mostrou atrás do quadradinho.
Rica Perrone
Ih, desculpa.
Diego Hipólito
Não, faltou o da McLaren.
Bola
Eu vou escolher um.
Rica Perrone
Landinho Norris.
Marcos Guesa
Eu tenho um desses.
Diego Hipólito
Landinho.
Rica Perrone
Senna.
Marcos Guesa
Seninha?
Bola
Seninha é bonito.
Rica Perrone
E esse aqui da Mercedes.
Bola
Posso escolher da Mercedes?
Rica Perrone
Pode.
Bola
Então quero, do Senna eu tenho, eu quero, irmão. Ganhei um puta bonelinho do Carica.
Rica Perrone
O Carioca não vai ganhar porque ele tirou foto com o Jack Short sem mim.
Bola
Ixi, Maria.
Marcos Guesa
Sem mim, não. Você que não entrou. Você que bateu a foto. Como é que você ia entrar na foto? Só se você fizesse selfie. Porra, ele me arrumou uma foto com o Jack Stewart.
Bola
Eu tenho também foto com o Jack.
Marcos Guesa
Lá no espaço da Heineken.
Bola
Quando o Rubinho corria de Stewart.
Marcos Guesa
Lá na Fórmula 1. Ô, Rica.
Rica Perrone
Eu vou fazer inveja para vocês, viu? Principalmente para o Boleta também.
Dedé Santana
Faça.
Marcos Guesa
Eu só quero dizer que...
Rica Perrone
Eu comprei meses lontem para o GP de Monza. Vou realizar meu sonho de ver a Ferrari.
Bola
Caraca, em Monza? Puta merda.
Marcos Guesa
Ô, Rica, eu... Se ganhar, eu morro.
Bola
Porra, irmão.
Marcos Guesa
Só pra te falar uma parada. A melhor coisa da Copa foi ver você. É a minha opinião. A melhor coisa da Copa chama-se canal do Ricardo Perroni e o Espício.
Bola
Tava bravo, hein? Puta merda.
Marcos Guesa
Eu vi quase todas as lives, todos os dias. E eu adoro o seu trabalho. Você sabe que eu gosto de você como pessoa e profissional.
Rica Perrone
Eu tava muito nervoso, Carica. Você achou que eu tava muito nervoso?
Marcos Guesa
Não, ontem foi foda. Ontem foi foda. Aquela Inglaterra vai se foder.
Bola
Eu concordo.
Marcos Guesa
Número e gênero integral. Os caras tinham... Com o time daquele, que papelão, né, brother? Que papelão, né? Mas que merda, hein?
Rica Perrone
Hoje de manhã, a gente analisando com o Liska lá, o painel do jogo, né? Cara, o lance do gol da Argentina tem 10 jogadores da Inglaterra dentro da área pequena, e a bola tá fora da área.
Marcos Guesa
É bizarro, né?
Bola
Era uma barreira.
Marcos Guesa
É isso, cara.
Dedé Santana
É.
Marcos Guesa
O Rica, você tá sabendo dessa investigação que abriram contra a Argentina por causa da faixa das Malvinas? Você viu isso aí, cara?
Dedé Santana
Que loucura.
Rica Perrone
É que eles têm que fazer uma... Eles têm que fingir que a Argentina vai ser punida em alguma coisa, né? Porque dentro do campo ela não é punida em nada. Ela pode fazer tudo que ela quiser. Aí eles proibiram a torcida da Inglaterra de entrar com faixas falando das Malvinas. E aí a Argentina...
Bola
Entrou.
Rica Perrone
Entrou com jogadores com a faixa das Malvinas.
Bola
Ah, que beleza. Que beleza.
Rica Perrone
Não vai acontecer porra nenhuma, relaxa. Os caras estão aqui sendo investigados pela FBI, a AFA está sendo investigada pela FBI nos Estados Unidos e não acontece nada.
Bola
Não vai acontecer nada, tem razão. Tem razão.
Marcos Guesa
Que loucura, hein, cara? Que loucura.
Bola
Mas vamos lá. Na top mil, o que dá?
Rica Perrone
Hoje, depois da classificação do jeito que foi ontem, eu acho que a Argentina vai ser campeã, infelizmente, cara.
Bola
Puta vida.
Marcos Guesa
Não, você errou a França. Você errou a França, então isso é um bom sinal.
Bola
Pegou, né?
Dedé Santana
Peguei.
Marcos Guesa
Eu estava junto contigo, eu achei que a França ia levar essa Copa que nem a gente em 2002, com o pé nas costas.
Rica Perrone
Não, vai dar a Argentina. Tenho certeza que vai dar a Argentina.
Marcos Guesa
Mas você sabe o que é louco, Ricardo?
Bola
Absoluta.
Marcos Guesa
Futebol é muito parelho e muito mental. E muito aquela coisa do craque do indivíduo. Eles têm o Yamin Amal lá, o Amal. E a Argentina tem o Messi bizarro, bizarro. Teve um lance lá que foi 30 caras dando voadora nele. Ninguém tira a bola do cara, vai se fuder, mano.
Rica Perrone
Porque não tem ninguém a escritar a voadora nele, meu Deus do céu.
Bola
Não tem que dar no joelho, né, porra. Tem que dar no joelho.
Marcos Guesa
Ele é realmente psicopata. Quando eu vi a carinha dele, quando faz o gol da Inglaterra, eu virei pro meu filho e falei assim, filho, se liga no olhar do Messi, ligar o modo psicopata do cara. Eu só falei isso pro Nico.
Bola
Não dá pra botar o cara que acertou o Neymar aqui no Brasil? Na costa?
Marcos Guesa
Não, Márcio Nunes. É Márcio Nunes? Faltou o Márcio Nunes. Então, mas faltou o Márcio Nunes do Messi.
Rica Perrone
Você sabe que tem uma coisa curiosa? Eu tenho alguns amigos, muitos médicos, minha esposa é médica, e eles me falam uma coisa assim, não foram três ou quatro, eu já ouvi de vários, os caras falam assim, o autismo, num grau tipo do Messi, que é quase insignificante para o convívio social e tal, Quando focado em um esporte, ele é um ganho. Porque o cara tem um nível de concentração que nenhuma outra pessoa consegue ter.
Bola
Absurdo!
Rica Perrone
O Messi usou esse grauzinho lá. Acho que é o autismo que ele tem, que ele tem um leve...
Marcos Guesa
Eu não sei.
Rica Perrone
Eu já li que era autismo, mas eu não sei se tem uma outra palavra. Mas o Messi tem tipo um hiperfoco. E ele consegue ter um nível de concentração acima das pessoas normais. Porque ele joga esse foco inteiramente ali. Porque ele é muito obcecado por isso, muito profissional e tal. E aí ele consegue tirar proveito disso, do excesso de concentração que ele tem. E isso não está no jogo que a gente está olhando de fora. Está no mínimo detalhe daquele drible curvo. sabe, do cara tá enxergando detalhadamente a coisa com muita precisão e isso é um ganho pra ele e outra vez também uma outra pessoa falou pra mim que quem tinha esse tipo de característica jogava tênis ia muito bem
Dedé Santana
Entendi.
Marcos Guesa
Ô, Rica, eu tô te ligando, até pedi pra te chamar hoje justamente pra ver se a gente consegue reverter esse cenário. Falei, não, liga pro Rica Perrone, porque eu tava com todos os pressentimentos que a Argentina ia pra final, mas hoje bater o pressentimento de que eles vão perder de uma forma... fizeram a gente sofrer até agora, em todos os sentidos, mas o final, pra gente, vai ser feliz. Eu tô te ligando só pra dizer isso pra você. Sim, e recebendo a medalha de segundo lugar. Eu tô te ligando, podem anotar aí, podem guardar essa imagem aí, a internet pode rodar. Eu fiz questão de te ligar por assistir o hospício quase todo dia com o Lisca, maravilhoso o Lisca, adorei ele. O Duda, né, o Duda Garbi. E assim, tô te ligando pra te avisar que vai dar bom pra nós. No final vai dar bom pra nós, tá? Pra isso que eu fiz questão de te ligar.
Bola
Pra nós espanhóis.
Marcos Guesa
Pode me cobrar. Bateu aquela coisinha ruim.
Bola
Quando você vier pra cá a gente paga uma paella pra você, irmão.
Marcos Guesa
Aquela coisinha ruim que tava batendo aqui.
Dedé Santana
Nossa, eu não vou comer.
Marcos Guesa
Aquela coisinha ruim que tava batendo em mim pra eles avançarem, eles inverteram, porque eu vou dizer o que que acontece com o futebol e o psicológico. A Argentina, ela tava com aquele psicológico de tipo assim, caraca, a gente tá sofrendo, passando por time pequeno. Mas a gente tá passando, né? Egito, só sofrimento, Suíça, Cabo Verde, eles sofreram. E agora, como eles ganharam de um time grande, eles inverteram. Eles vão estar no papel da França e a Espanha sem peso. Você não concorda?
Rica Perrone
Eu concordo, cara, mas eu acho que a Argentina está com aquela coisa meio de ninguém me bate, ninguém consegue me parar, sabe?
Bola
Pode fazer três que nós viramos.
Rica Perrone
Isso no futebol tem um peso grande, sabe? Então, assim, a gente sabe que tem... A Argentina tem as armas dela, né? O Messi, que é genial, e a bravura dela. E eu acho que é um jogo, cara, que é a frieza. É quase que uma corrida do Senna com o Schumacher. É a frieza absoluta contra o cara que é coração quente e não sabe o limite, entendeu? Acho que a Argentina vai no talo do talo e a Espanha vai com toda aquela frieza dela para tentar, sabe, conseguir o resultado pelo método. Vai ser uma final muito maluca, mas eu estou bem perto.
Bola
É domingo às 14h, é isso? A final?
Rica Perrone
É 16h aí.
Bola
16h aqui.
Dedé Santana
Aqui? É.
Rica Perrone
Todos os jogos agora são 16h.
Diego Hipólito
É, enfim.
Marcos Guesa
Eu acho, cara, que a França estava com essa parada, ninguém me bate, sou foda, e num pênalti mudou o jogo. Os caras sentiram, em nenhum momento da Copa, eles sentiram pressão, né? E a Argentina, em nenhum momento da Copa, sentiu que ela era fodona. Tem isso, hein?
Rica Perrone
Eu acho que esse é o que a gente tem para se apegar. Além da Espanha ter uma defesa muito, muito competente, coisa que a Inglaterra está de sacanagem. A Inglaterra está de sacanagem.
Marcos Guesa
É, sacou. Meu amigo, boa sorte. Vou estar falando contigo. Se a Argentina perder, pode ligar.
Rica Perrone
Nossa senhora.
Bola
A gente se fala.
Marcos Guesa
Tá comemorando com a camisa do Botafogo.
Bola
A gente se fala na terça que vem.
Marcos Guesa
A gente se fala na terça. Ó, pode seguir aí o canal do Rica e o hospício tá todo dia, Rica.
Rica Perrone
Todo dia, até segunda-feira, quando o Lisca volta ao trabalho, nós perderemos o Lisca e vamos atrás de um substituto à altura.
Marcos Guesa
É isso aí, o hospício do Da Garbi, Lisca, e o nosso querido Rica Perrone, e também tem o canal do Rica Perrone. Pode seguir o canal do Rica Perrone, que eu sigo. Ele faz as melhores análises de esporte e futebol que eu conheço, não tem ninguém disparado. Para mim, você é o novo... Como é que é o nome dele?
Bola
Caracate.
Marcos Guesa
Não, do Jornal dos Esportes, porra. Caralho, fugiu agora. É uma mistura de João Saldanha com o nosso querido... Com o nosso querido da vida como ela é, porra. Caralho.
Rica Perrone
Estava louco, nem me bote no mesmo prateleiro.
Marcos Guesa
Claro, vou te colocar. Vou te colocar. Porra, fugiu o nome agora. O 01, Nelson Rodrigues. Você é herdeiro de Nelson Rodrigues e João Santana. João Santana, não.
Bola
Joel Santana.
Dedé Santana
Não, não.
Marcos Guesa
Viajei.
Bola
In the middle, in the right, in this.
Marcos Guesa
Não é João Santana, é Saldanha.
Dedé Santana
João Saldanha.
Bola
Você é uma visão.
Marcos Guesa
Não, não estou aumentando, não. Você é filho de João Saldanha. Você é do João Saldanha e Nelson Rodrigues. Confia.
Rica Perrone
A loucura do Saldanha e do Nelson Rodrigues, não dá.
Marcos Guesa
Seu texto é muito bom. Seu texto é muito bom. Fica com Deus, irmão.
Dedé Santana
Beijo, irmão. Valeu, rapaziada.
Bola
Não esquece meu boneco.
Dedé Santana
Beijo. Valeu.
Marcos Guesa
Estamos aqui só para agradecer a nossa querida Philips que patrocinou esse episódio histórico.
Bola
Ainda dá tempo de você ver uma final de Copa do Mundo na melhor TV do mundo.
Marcos Guesa
Exato.
Bola
Ainda dá tempo.
Marcos Guesa
Ambilight TV e também depois você vê série, vai ter o Campeonato Brasileiro.
Rica Perrone
Enfim.
Bola
Tem um monte de coisa para você ver.
Marcos Guesa
Ambilight TV e aqui, a nossa querida Boombitch que está aqui.
Bola
Isso é sensacional.
Marcos Guesa
Está aqui no centro.
Bola
Qualidade de som. Isso aqui é Boombitch espetacular.
Marcos Guesa
Aqui, já peguei a Boombitch aqui, botei no meio.
Bola
Espetacular.
Marcos Guesa
Tá aqui a BoomBeat.
Bola
A qualidade de som disso aí é um negócio absurdo.
Marcos Guesa
Tá aí o QR Code na tela, compra nas melhores lojas. Tem no Mercado Livre, tem na Magalu,
Bola
tem em todas as lojas.
Marcos Guesa
Você pode comprar.
Bola
As outras não chegam nem perto.
Marcos Guesa
A BoomBeat que é sensacional pra você curtir um sonzinho no seu banheiro. Leva pra qualquer lugar, 15 horas de duração de bateria.
Bola
Portátil, serve como powerbank.
Marcos Guesa
Te ajuda como powerbank.
Bola
É maravilhoso.
Marcos Guesa
Enfim. Vamos nessa, gordinho?
Bola
Vamos, até semana que vem.
Marcos Guesa
Melhoras aí, você está um pouquinho enjoado aí do intestino.
Bola
Peguei um negócio, deu um intestino.
Marcos Guesa
Está com dor aí?
Bola
Inflamação.
Marcos Guesa
O Bola fez o programa com dor, o programa inteiro, ele está assim, olha. Mas vai ficar tudo certo. Me avisa, hein?
Bola
Obrigado, beijo, pode deixar.
Marcos Guesa
Vamos nessa?
Bola
Muito obrigado, Rafael.
Marcos Guesa
Só para dar a última aqui. Eu vou estar em Porto Alegre.
Bola
Imperdível.
Marcos Guesa
Carioca botando pilha em Porto Alegre. Atenção, Porto Alegre.
Bola
Alô, Riggs. Não marca bobeira que você vai ficar sem ingresso.
Marcos Guesa
Estou chegando, daqui a 15 dias eu estou aí. Carioca botando pilha em Porto Alegre.
Dedé Santana
Não marca bobeira.
Marcos Guesa
No Riggs. Está aí, olha. Porto Alegre-Rigues, dia 1º, Bento Gonçalves, dia 2º, Caxias do Sul, esperando vocês aí, lá na Ux. Pessoal de Porto Alegre, Bento, estaremos juntos.
Bola
Vamos lutar, cambada, vamos lutar.
Marcos Guesa
Tá bom? Beijão pra todos vocês e até a próxima.
Bola
Obrigado, valeu, beijo, tamo junto.
Data: 16 de julho de 2026
Host: Bola e Carioca
Convidados: Dedé Santana (humorista, eternizado pelos Trapalhões), Diego Hypólito (ginasta campeão olímpico)
O episódio reúne duas lendas nacionais de mundos aparentemente opostos: Dedé Santana, ícone do humor circense e televisivo, e Diego Hypólito, medalhista de ouro na ginástica artística. O ponto de encontro? O circo Abracadabra, projeto inovador que une tradição circense com musicalidade e performance, do qual ambos participam juntos atualmente. Ao longo do papo, o clima é de muita descontração, histórias de bastidores, superação, homenagem à cultura brasileira e, claro, as inevitáveis risadas que fazem do Ticaracaticast um programa único.
Sobre a dureza dos bastidores do circo e humor:
Sobre superação:
Sobre legado:
O episódio é uma verdadeira carta de amor à perseverança, ao humor nacional, à cultura popular e à capacidade de se reinventar. Dedé Santana, aos 90 anos, esbanja carisma e vitalidade, transmitindo a história do circo, dos Trapalhões e do humor brasileiro. Diego Hypólito, além de inspirar jovens no esporte, mostra humildade ao abraçar o picadeiro e ampliar seu legado social.
Frase de encerramento: "Saiba que você é um patrimônio desse nosso país da arte, do circo, do humor. E o que você fez pelas crianças… a gente te ama muito, viu?" – Marcos Guesa para Dedé Santana ([122:43])
O episódio é uma aula de trajetória, adaptação, humor e brasilidade, com resgates históricos e muito afeto. Indispensável para fãs de circo, esporte e televisão, e para quem precisa de uma dose de otimismo e catarse cultural – com boas gargalhadas garantidas.
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