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Marcelo
Hello,
Boleto
cambada! Tudo bem com vocês?
Lucas Ferrugem
Espero que sim.
Boleto
O Carioca está pegando alguma coisa na mochila, mas ele está aqui já faz tempo, tá, rapaziada? O que você esqueceu?
Marcelo
Não, é que eu queria guardar meus óculos.
Boleto
Ah, guardar os óculos.
Marcelo
Só queria guardar aqui, não me avisaram que estávamos soltando.
Henrique Viana
Não entendi.
Marcelo
Mas enfim, soltar é gostoso demais, né?
Boleto
É ótimo. Enfim... Todos muito bem-vindos, obrigado pela presença.
Marcelo
Boa tarde.
Boleto
Já curtam, compartilhem, inscrevam-se no nosso canal. Muito obrigado. O papo hoje vai ser muito bom.
Marcelo
É exatamente, Marcos Guieza. Estamos ao vivaço aqui, duas horas e doze minutos. E hoje um programa sensacional.
Boleto
Dez anos, hein? Que beleza, hein?
Felipe
Puta merda.
Marcelo
Que história que eu sou testemunha desde o comecinho, cara. Mas assim, lá no comecinho do comecinho mesmo, cara.
Boleto
Do início.
Marcelo
Que era só os três mesmo produzindo os vídeos, fazendo quais... Eu lembro até a câmera, vocês usavam aquela... É, Red, umas Redzinha, umas Canon.
Felipe
Red veio bem depois.
Marcelo
Bem muito depois.
Lucas Ferrugem
A primeira era T5i. T3i era antes.
Marcelo
Era Canon.
Lucas Ferrugem
T3i, só gravava 10 minutos.
Marcelo
Reflex, reflex.
Lucas Ferrugem
Só gravava 10 minutos, a bateria durava 5 minutos.
Boleto
Vocês gravavam o que no comecinho, irmão?
Lucas Ferrugem
Cara, quando a gente começou mesmo, a gente saiu entrevistando o pessoal.
Boleto
Na rua?
Lucas Ferrugem
Não, nas casas, a gente marcava entrevistas. Poderia ser na rua também, talvez tenha rolado também.
Felipe
Não, mas é tipo professor de história, professor de entrevista.
Boleto
Ah, entendi.
Lucas Ferrugem
Jornalista, cientista político, o pessoal que tava analisando o Brasil. E aí a gente ficava entrevistando a galera. Uma, duas, três horas de entrevista. E depois que a gente já tinha umas trinta, quarenta entrevistas, a gente ainda não sabia bem o que a gente ia fazer com aquilo.
Boleto
O que que era fazer?
Lucas Ferrugem
Era 2016, então não tinha esse monte de podcast, canais, era uma coisa ainda bem embrionária.
Boleto
É verdade.
Lucas Ferrugem
Principalmente nesse assunto assim de história, política e tal.
Boleto
A gente tava no pânico aí, no pânico, acabou em 17, porra.
Lucas Ferrugem
Foi em 17?
Boleto
Dezembro de 17. A gente tava no tônico ainda.
Marcelo
Bom, a gente tá aqui começando o programa, hoje nós vamos receber os caras que fundaram o Brasil Paralelo.
Boleto
10 anos de Brasil para fazer algo.
Marcelo
Uma casa, nós vamos saber toda a história.
Boleto
Vai ter surpresa legal pra vocês, aguenta aí.
Marcelo
Dessa plataforma que pra mim é uma benção pro Brasil. O Brasil precisava e o Brasil tem.
Boleto
Com cada matéria boa que tá louco.
Marcelo
Uma plataforma de qualidade, de conteúdo, de documentário, de cultura, de educação, né? O Brasil para ela já fez muitos cursos também com grandes pessoas. Gosto muito Aprendi a amar mais ainda o Império Brasileiro, com os docs que vocês fizeram muito bem elaborados. Enfim, é um trabalho, cara, é um trabalho de muita qualidade, de a busca também pela isenção da história, porque no Brasil a gente sabe que o viés e na história do Brasil, principalmente na educação brasileira, ela tem um viés, assim, é aquele prego tortaço mesmo, que você bate, ele bate cruzado, né? E a Brasil Paralelo... Ela busca contar a história de uma forma mais equilibrada, diante dos fatos da história, com pessoas e personagens importantes. E nós vamos debater muito isso aqui hoje. Tá bom, Boleto? Mas antes, eu queria agradecer primeiramente a WM Tênis. Olha só, todo o pessoal, agradecer de verdade. Me deram raquete de tênis. Vocês jogam tênis ou não? Alguém joga.
Lucas Ferrugem
Eu tô tentando, eu sou aquele cara tardio que tentou tentar depois de velho.
Marcelo
Eu jogo meu filho esporado, tô querendo voltar a fazer aula pra pegar a esquerda, né? A esquerdinha é mais difícil. Então beijo Marcelo, WMT, eu ganhei uma mala também da Wilson, raquete, bola, bolinha. Obrigado, mandou um kit maravilhoso na minha casa, obrigado. E também, eu queria agradecer turistando, turistando o Chile, arroba turistando o Chile, ontem estivemos aqui com um argentino-chileno, Marcelo Dollens, e eu falei de um vinho específico, Maurício Dollens, e provavelmente deve ser, tomara que seja o vinho que eu falei aqui ontem, é um vinho para tomar com o casal. Um vinho pra tomar com a tua mulher. Porque às vezes o vinho que você bebe, a tua mulher acha forte, ou acha ele meio desproporcional. Porra, vinho tem isso, né? Então vinho de mulher. Não de mulher, vinho de casal.
Boleto
Vinho de mulherzinha.
Marcelo
Vinho do mulherzinha. Ele tem as notas mais... Pegadas, mas ele tem a leveza que a mulher precisa. Não, porque a mulher gosta de coisa mais suave.
Boleto
Notas de almíscar com framboesa.
Henrique Viana
É crocante.
Boleto
Ah, tomar no rabo, irmão.
Marcelo
Aí é o Leida, não é o Amayna. É o Leida, mas é do Vale do Leida. Então tá aqui, obrigado pelo presente, tudo estando do Chile, o Amayna Pinonua. É um excelente.
Boleto
E almoçamos bem também, vamos falar com inveja agora.
Lucas Ferrugem
Pinonua é pro casal mesmo, concordo.
Boleto
O Itali mandou aqui ó, toscana focaccia, uma focaccia de pastrana.
Marcelo
Hoje almocei uma focaccia.
Boleto
Puta, que melhor focaccia do Brasil. Toscana Focacceria tá aqui. Obrigado, Zé. Valeu, irmão.
Marcelo
Você é muito presente hoje.
Boleto
Hoje foi um dia cheio. Que bom.
Marcelo
Se curta, compartilhe. Estamos no Spotify, entre os maiores canais do Spotify do mundo. Muito obrigado, Spotify.
Boleto
Amazon Music, também tudo que é canto.
Marcelo
No YouTube, canal de corte.
Boleto
Inscreva-se no canal, por favor.
Marcelo
Faça tudo que você sabe que é necessário. Vou até curtir aqui.
Boleto
Pra ajudar nós.
Marcelo
Pra ajudar, siga também Brasil Paralelo e vamos falar sobre isso. Porque eu tô aqui com o Valerim, Viana, Henrique Viana e Lucas Ferrugi.
Boleto
Isso.
Marcelo
É igual pra cabana. Te chamam de Ferrugi também, o cantor? Você escuta Ferrugi?
Boleto
Depois de uma certa fase na minha
Henrique Viana
vida, começaram a perguntar se eu era parente dele. Só que ele é apelido.
Marcelo
Pode vir mais pra direita, meu querido Ferrugi.
Henrique Viana
Ele é apelido, meu é sobrenome mesmo.
Marcelo
O dele é apelido e o seu... É porque ele tem...
Boleto
Ele é ruivinho, né?
Marcelo
É, ele tem sardinhas.
Boleto
Ah, faz as sardinhas.
Marcelo
É, as sardelas na cara. Lembra que o Ferrugem tinha o Ferrugem na costinha?
Boleto
Ah, então ele era ruivo, né? Isso. Ruivinho.
Marcelo
Enfim, vamos falar sobre os 10 anos. Sem querer eu soltei aqui, tá, pessoal? Depois acerta pra mim, Alpe. O TP. Vamos falar da Brasil Paralelo. 10 anos de Brasil Paralelo. Pô, vocês chegaram até aqui.
Boleto
10 anos de sucesso, hein? Que beleza.
Marcelo
O Lucas Ferrugem, na época, era... Viva o Mojaro.
Henrique Viana
Não, mas eu começo um pouquinho mais pesado do que eu tô agora, e aí eu engordo muito durante a BP, e aí eu reduzo de novo agora.
Marcelo
Se você se importa a gente exibir uma foto como você era antes e depois.
Henrique Viana
Não, claro que não.
Marcelo
Então acha aí o Lucas Ferrugem.
Felipe
Não, no Google.
Henrique Viana
Eu gravei muitas coisas.
Marcelo
Mas era uma porpeta, uma porpeta.
Lucas Ferrugem
Uma coisa que não falta na internet é foto dessa época.
Marcelo
Lucas Ferrugem era um... ele era...
Felipe
Podia chamar.
Lucas Ferrugem
Respeito.
Boleto
E quem que foi a ideia? Como é que vocês bolaram isso?
Felipe
Tomou almofada?
Lucas Ferrugem
De todo mundo.
Henrique Viana
Foi mais ou menos uma reflexão que de Natal em Natal eu ficava mais gordo, numa velocidade acachapante. Aí eu me lembro que a galera já falava comigo, falava assim, ô meu, tu vai morrer.
Marcelo
Porra, você vai morrer, meu.
Boleto
Chegou a pesar quanto, irmão?
Henrique Viana
Tu tá 170 quilos.
Boleto
Caralho, velho, eu pesei 130, meu.
Henrique Viana
É, agora eu peso tipo 89.
Boleto
Porra, agora você tá bem pra cacete.
Marcelo
É o mesmo peso que eu tô.
Felipe
É um peso.
Henrique Viana
100kg de diferença, cara. Então, aí eu vi que eu tava cada vez mais morrendo, as pessoas tavam me avisando que eu tava morrendo.
Boleto
Cada vez mais morrendo.
Marcelo
Morrendo aos poucos.
Henrique Viana
E eu me enfiava, eu me enfiava nos exames de sangue, que não dava tão ruim, aí uma vez eu fui no médico.
Boleto
É, mas isso é uma merda, sabe? O que eu fazia também? O cara, o seu colesterol está bom. E eu não preciso fazer porra nenhuma,
Henrique Viana
meu colesterol tá bom, posso comer 2x agora.
Boleto
Exatamente, não tem nada errado.
Henrique Viana
E aí cara, eu fui num médico sério aqui, doutor Sidney, e falei com ele, ele falou assim, cara, esse teu exame, quando ele piorar, vai ser UTI, não vai precisar ter a fase de vai piorando, entendeu? Vai piorar, tu vai vir pro hospital, não vai ter solução, tu vai morrer um dia. E vai acontecer nos teus próximos 10 anos, estatisticamente falando.
Marcelo
Quer dizer, um Brasil paralelo a esse, de repente, podia não estar aqui hoje comemorando os 10 anos. Olha lá a boleta, o tamanho do menino.
Felipe
Olha lá.
Boleto
Bonito, hein, meu?
Marcelo
Olha.
Boleto
E com a bigodeirinha... Você parecia o Pablo Escobar, né? Você parecia o Escobar, irmão.
Marcelo
Mano, que transformação.
Henrique Viana
Eu acho engraçado que não só tá mais gordo, tá com uma vibe mais traficante também. Então é o Pablo Escobar. Puta Pablo Escobar.
Marcelo
Engraçado que o Vianna e o Vilarino não mudaram nada, mas ele... Que melhor, hein? Não é um outro patamar.
Boleto
Parabéns, irmão.
Henrique Viana
Tu acha que eu tinha condição de dizer que eu tava tentando jogar tênis?
Boleto
Não, não tinha.
Henrique Viana
Não tinha condição nem de tentar pegar o elevador.
Boleto
Não, parabéns.
Marcelo
Que transformação. A gente fica feliz, porque...
Felipe
A gente todos, todos nós, né?
Marcelo
É verdade. E ele também, né, meu? Melhora tudo, né, velho?
Henrique Viana
Não, o pessoal me ajudou muito, o pessoal foi me empurrando, porque a gente foi muito, muito... Eu sempre tive problema de peso. E aí a gente foi muito, muito... Tinha desculpas prontas pra poder não cuidar da saúde, porque tava querendo tocar palma.
Felipe
Tocar palma, muito trabalho.
Lucas Ferrugem
Tocar palma, agora não é o momento.
Henrique Viana
E aí cruza isso com um cara compulsivo.
Lucas Ferrugem
Quando a gente mudou pra São Paulo, acho que foi, pegou a curva.
Boleto
Vocês fizeram de onde?
Lucas Ferrugem
Porto Alegre.
Boleto
Porto Porto Alegre.
Lucas Ferrugem
Alegre.
Marcelo
Então, gaúcho, a gente querendo ou não,
Lucas Ferrugem
o ritmo de vida em Porto Alegre é incomparável, né? Você vem pra cá, no início a gente passou perrengue, ficou assim, todo apertado em coworking e tal, a empresa não tava dando certo no início, quase quebrou.
Felipe
Vocês quebraram, quase quebrou.
Lucas Ferrugem
Era assim, comendo mal pra caramba, dormindo mal toda noite e tal.
Henrique Viana
Eu tenho uma memória, que é óbvio que vai dar problema, né? Sei lá, seis da manhã, eu já sabia as tele-entregas que ficavam abertas tipo cinco da manhã, então lá nos escritórios a gente tava, mandava vir um Mac ali da Pamplona.
Boleto
Cinco, seis horas da manhã.
Henrique Viana
Cinco da manhã, vem um Maczinho, às vezes vem um sanduizinho.
Boleto
Esse é gordo mesmo, brabo, irmão.
Felipe
Entendeu?
Henrique Viana
E trabalhando lá no escritório, vindo sanduizinho.
Boleto
Mas você não fazia o que eu fazia?
Henrique Viana
Nugget.
Boleto
Eu fazia miojo na pia do banheiro com água quente, irmão. Isso aí.
Henrique Viana
Mas por quê, cara?
Felipe
Sério?
Boleto
Porque meu pai não vê, cara. Eu fazia escondido.
Felipe
Você ligava água quente.
Boleto
Ligava já bem.
Marcelo
Com a panelinha.
Boleto
Com a panelinha, metia água quente, ia mexendo, fazia um miojão.
Marcelo
Na pia do banheiro.
Boleto
O Gordo é um bicho lazarento. O Gordo é um bicho...
Henrique Viana
Não dá pra confiar em Gordo.
Boleto
Não dá, não dá, irmão. Esse aqui pedia meca às cinco da manhã, pô.
Henrique Viana
Como é que tu vai confiar nesse cara? Tu tá falando com ele, achando que tá falando sério, e ele tá pensando como é que ele vai arranjar alguma coisa pra comer. O que nós vamos gravar hoje?
Boleto
Então pera um pouquinho que eu tô tentando...
Marcelo
Mas olha só, vamos lá, eu queria saber quem teve a ideia, porque vocês, ou eu tô errado, vocês eram alunos do Olavo, alguma coisa assim, foi aquele Brasil de 2013 que mexeu com vocês, vocês eram jovens, estavam ali saindo da faculdade e vocês tiveram a ideia. Quem teve a ideia, foram os três juntos, vocês estudavam juntos, eu queria saber um pouco dessa história.
Felipe
Porque a gente era amigos, a gente convivia e tal, então é aquela ideia que ela vai... ela vai surgindo, a gente quer fazer alguma coisa junto, não sabe bem o que, né, e aí uma hora brota o negócio, então não é que teve uma ideia assim, foi bem natural. A gente, eu e o Filipe já tinham...
Lucas Ferrugem
Os três já tinham tido negócio antes e quebrado, e coincidentemente... Eu e o Henrique, a gente tinha tido banda na adolescência, várias bandas. Aí depois chegou o maior gajetudo. Começou a agenciar. Pesquisa o nome dele no YouTube. Pesquisa o nome no YouTube.
Marcelo
Vianna, você tá a cara do Messi. Desculpa eu te falar isso.
Boleto
Tá a cara do Messi.
Marcelo
Ele tá a cara do Messi. Tá a cara do Messi.
Felipe
Tá bom, caramba.
Boleto
O Messi é fracão, né, meu?
Lucas Ferrugem
O jeito que ele olha que parece Tom Cruise.
Marcelo
O Vianna tá a cara do Messi, velho. Se botar o cabelinho do Messi, vai dar o Messi. Camisa da Argentina vai cair bem nele.
Felipe
Esses da equipe de futebol não saem nada. Não saem nada, não saem nada.
Lucas Ferrugem
Chega a dar um nervoso, você começa a entrar no assunto. Puta que pariu.
Marcelo
Mas vamos lá, vamos lá. Fala aí, Vila.
Lucas Ferrugem
E aí o... E aí a gente tinha tido, depois desse negócio de band, vamos agenciar, vamos vender uns shows e tal. A gente tinha alguma experiência com fazer marketing, contato com algumas casas de shows lá no Rio Grande do Sul, basicamente. A gente começou a... Eu tinha a própria banda, carreira solo ali, que eu tinha umas músicas e tal. E a gente tinha umas outras bandas também que a gente vendia pra essas casas noturnas.
Boleto
Como de uma banda de vocês?
Felipe
Ele e Filipe Vanellini.
Lucas Ferrugem
Era o meu nome, era solo.
Felipe
Quando começou, que foi no colégio, era No Balanço.
Boleto
Era No Balanço, boa.
Marcelo
Era o que, samba-rock?
Lucas Ferrugem
Samba-rock, samba, pagode, essa mistura, época mais bombada ainda. E aí...
Marcelo
O que, cara?
Boleto
Deu até um desespero.
Marcelo
Não, não, imagina, adoro samba rock, adoro samba rock.
Felipe
Mas foi um negócio legal, a gente teve funcionários e tal assim, mas... Foi
Lucas Ferrugem
uma primeira experiência embranedora ali, acho que nasceu essa coisa de, cara, a gente quer ter um negócio.
Boleto
Vocês tinham quantos anos, irmão? Desculpa.
Lucas Ferrugem
Ah, eu tinha 17, 16, comecei novinho, isso durou até uns 21, vai por aí.
Felipe
E aí, cara, a gente foi...
Lucas Ferrugem
A gente cometeu um crime lá, não sei. É, cometeu um crime, tinha felicidade falsa, tinha aquela história. E aí, a gente foi até esse início da vida adulta aí, e sempre correndo atrás, pedalando, aí pegou o empréstimo do banco e foi, foi. Chegou uma hora que não deu mais, aí quebrou, aí ficou devendo no banco e tal.
Marcelo
A banda, a banda quebrou.
Lucas Ferrugem
A produtora, a produtora que vendia os shows. É, a banda já nasceu quebrada.
Felipe
A gente ficou endividado, quando fechou a nossa empresa em 2012, a gente ficou endividado de 2012 até 2016, por quatro anos pagando...
Lucas Ferrugem
Pagando parcela.
Felipe
Mas a gente pagou direitinho, pagou tudo.
Lucas Ferrugem
Pagou bacana.
Boleto
O Escobar não fazia parte.
Lucas Ferrugem
E aí nesse mês a gente conheceu ele. A gente foi fazer faculdade e tal, conheceu ele na faculdade.
Felipe
Pegamos um empréstimo com ele na faculdade.
Marcelo
Qual faculdade vocês fizeram lá?
Henrique Viana
ESPM.
Boleto
ESPM.
Marcelo
Não foi na PUC de Porto Alegre.
Boleto
Acho que não.
Lucas Ferrugem
Aí nesse momento a gente foi fazer a faculdade, conheceu ele, que também tava quebrado, só que ele tava na outra ponta, ele comprava shows.
Henrique Viana
Eu quebrei comprando o show. Eles compraram vendendo o show, eu quebrei comprando o show, o que claramente não era uma indústria muito próspera pelo jeito.
Boleto
Nada próspera, não é porra.
Felipe
Mas acontece em 2013, essas primeiras manifestações, Dos 20 centavos. Dos 20 centavos. E eu lembro que a mídia na época fez uma coisa interessante, uma provocação que eu acho que foi muito importante. Saíram perguntando pras pessoas sobre o que elas estavam protestando, e ninguém sabia dizer direito, e a mídia começou a bater muito nisso. No fato de que as pessoas não sabiam. E eu acho que isso fez... Essa é uma opinião totalmente pessoal, mas eu lembro disso ficar assim na... Que que eu sou? Eu concordo com essa manifestação, mas de fato eu não sei o que que eu... E isso, sabe, começa a surgir a internet.
Marcelo
Eu te falo o que eu acho que aconteceu, porque eu estava vivendo o epicentro do problema. Aconteceu os 20 centavos. Já era uma direita que não sabia o que queria. Foi pras ruas porque o governo tava uma merda. A Dilma era a presidente, tava horrível.
Lucas Ferrugem
Quando a culpa não foi minha, eu votei no Aécio, lembra?
Marcelo
E eu vou fazer uma revelação bombástica pra vocês.
Boleto
Você votou na Dilma.
Marcelo
Quando deu aquela manifestação... Quando deu aquela manifestação, eu corri pra bande. Corri pra bande. Peguei carona no helicóptero do Datena, vestido de Dilma, e fiz uma matéria sacaneando, porque eu falei, cara, isso é insatisfação com o que tá acontecendo, eu vou tentar... o ser a presidente, o que eu já fazia no Pânico, falasse aí, adianta ir pra rua, essas merdas, era meio zoando.
Felipe
Eu lembro disso aí, assim, eu lembro do teu personagem, não sei se... Aí
Marcelo
eu vou chegar lá, só que aí, aí eu vou te contar o que eu fiz, eu dei uma Brasil paralelada. Nesse interim, eu tava conversando com uma agência de Facebook, que eu tava com uma empresária nova, ela tava me mostrando umas novidades, e era ser o Facebook. Era novidade de a fanpage e tal, de face e tal. E aí, o que que aconteceu? A matéria que eu gravei no helicóptero não foi ao ar.
Boleto
É verdade.
Marcelo
Deram um teatro da tesoura, né? Aí eu falei, o que que tá acontecendo? Ao mesmo tempo veio a seguinte notícia, dá um tempo na personagem. Aí eu, opa, agora não mexe. Não mexe. A pergunta que eu te faço é, uma piada vale 200 milhões? Que bota por ano numa emissora, que eles jogam assim na mão. Eu refleti, eu falei, cara, Que foda isso. Aí eu tava conversando com os caras da agência. Eu falei, vou fazer no Facebook. Oportunidade. Dava 20, 25 milhões cada vídeo.
Boleto
Mas você usou a mesma matéria?
Marcelo
Não, não, não. Eu criei aquela Dilma que xingava.
Lucas Ferrugem
Filha da puta.
Felipe
Você fazia uma risada.
Marcelo
Esse tá uma merda, né? Aí eu comecei a fazer isso, e isso começou a bombar, explodiu. Quer dizer, o problema era ela, portanto ela demorou a ir pra TV, depois não teve jeito, veio o impeachment, quer dizer, essa insatisfação que você falou tava... mas saiba que isso aconteceu. o partido foi atrás e... Que loucura, cara.
Lucas Ferrugem
Que loucura, cara.
Boleto
Entendeu?
Felipe
Algumas coisas não mudam.
Henrique Viana
Eu me lembro que aconteceu com uma galera isso aí, se eu não me engano, o Danilo passou por isso também.
Boleto
Sim.
Henrique Viana
Uma galera passou por isso, né?
Marcelo
Eu passei por isso, cara.
Felipe
Mas a gente ali, a gente ainda, acho que é muito jovem e tá recém começando a pensar, estudar política e tal, trocando, né? Trocando entre nós, reflexões, insights. Na faculdade começa, o debate começa a acontecer e a gente... Uma das coisas que fez a gente ficar amigo, né, tanto eu e o Felipe lá atrás, depois o Lucas na faculdade, é curiosidade, sempre foi muito curioso, sempre gostou de estudar por conta, autodidata e tal, qualquer assunto, qualquer assunto, o mais desinteressante que você possa imaginar. E aí... começa a surgir muita fonte sobre economia, política, história, etc, e tal, e a gente tá na faculdade tendo aula de sociologia, história, não sei o que, e começa a ter debate, começa a ter discussão com o professor, e tal, tal, tal, o Lucas sempre foi muito bom de debate, dava treta com o professor, né, porque ia indo escalando o debate até o professor não ter...
Marcelo
Foi expulso da faculdade em 96.
Felipe
Tá brincando?
Marcelo
96, cara. Convidado, né? Jornalismo, porque eu era já... Pô, eu estudava Santinho de candidato do PT, mano, dentro da facul. E a Chico Alencar, toda hora, bandeira do PSTU. Falei, galera, é isso.
Felipe
Na nossa também, é isso aí.
Marcelo
Eu falei, porra, isso aqui é o que? O antro? É um partido? É uma faculdade? Que porra é essa? Aí eu questionava, e aí... Tomou-lhe.
Felipe
É isso?
Lucas Ferrugem
Caralho.
Boleto
Dá pra você sair, amigão.
Marcelo
Nossa, formei em jornalismo, que bom.
Henrique Viana
A gente fazia administração de empresas, e a nossa professora de sociologia tinha sido líder do MST.
Boleto
Puta merda.
Marcelo
Vendiam os cafezinhos por 70 reais.
Henrique Viana
Ela até era gente boa, a verdade seja dita, ela até era uma pessoa muito gente boa, mas editorialmente, conteudisticamente, a
Marcelo
gente tinha uma... Um viés bizarro.
Henrique Viana
Uma treta muito grande, assim, né? Então, cara, tinha muito esse clima, né? Esse clima... Bélico, né? Por que vocês tão falando isso numa faculdade de business?
Felipe
O que tá acontecendo aqui? E era uma coisa assim, a gente não tava ali... A gente não tava ali com viés de direita. Não era isso.
Henrique Viana
Não, nem sabia que era essa ideia.
Felipe
Era questionando, assim... Que isso, cara? Fatos. Eu queria toda a neutralidade como professor. É claro.
Lucas Ferrugem
Não, eu acho que tinha um choque meio orgânico também, porque os três tinham tentado empreender, se ferrar, não sei o quê. Teve um pouco dessa vida prática fora do mundo acadêmico, assim. Então, era uma coisa meio... quase instintiva, assim, sabe?
Henrique Viana
Todo mundo devendo.
Lucas Ferrugem
É, a gente ouvia aquelas coisas e tal, porra, deixa o cara fazer o negócio, aí o cara pedindo por mais intervenção do Estado e mais burocracia, tipo, pô, sei o que, é o que nos ferrava lá atrás e tal. Sabe, então tinha uma coisa que ainda não tinha ideias muito bem articuladas, mas tive uma experiência prática prévia, que geralmente as pessoas não tem antes da faculdade, é mais fácil de cair no papo, que acabou nos blindando um pouco. E aí a gente ficava conversando sobre esse tipo de assunto, até que uma hora começou a ter umas palestras do pessoal do Instituto Miss Brasil, que ainda existe, do Helio Beltrão, que falava sobre escola austríaca, liberarismo, esse tipo de coisa, que ainda era uma coisa bem nova pra nós. E aí começa um pouco mais de teorização e tal, dos fundamentos da economia, da sociedade e tal. E aí a gente começa a se abastecer um pouco daquilo e começa a gostar e se envolver em discussão.
Henrique Viana
Tinha um moleque na faculdade, que já era um amigo nosso, o Guigas, que já era muito nerd e tal, e logo no meu primeiro semestre na faculdade ele levou o Hélio Beltrão pra dar uma palestra lá em Porto Alegre.
Boleto
Caramba.
Henrique Viana
E... sei lá, o que ele vai falar e tal, um cara meio importante,
Boleto
aí vamos lá ver.
Henrique Viana
Era mais ou menos esse o clima, né? E, porra, em contraste com tudo que a gente tava reclamando que tava escutando na sala de aula, soou muito bem aquele discurso. Que era, cara, liberdade, vamos fazer, vamos acontecer, e aqui o princípio do porquê que mais liberdade funciona e tal, aquilo soou muito bem. A gente falou assim, cara, aquilo que a gente tá escutando na sala de aula é ruim, isso aqui que é maneiro, entendeu? Entendi. Mas nessa época não tinha um raciocínio. Se a gente, se tu perguntasse pra mim naquela época, ah, tu é isto, tu é aquilo, eu ia dizer...
Boleto
Não sabia.
Henrique Viana
Eu ia ser até, sei lá, meio ignorante, talvez, até pra colocar... Pode ser, sei lá. Isso, uma opinião, assim, falar, sei lá, não sei, o que é direita é fascismo, o que é esquerda é comunismo, não sei, entendeu? Então, acho que não era uma identidade na época, era mais uma revolta com o discurso que tava rolando. Historia rápida, eu lembro que uma professora dessas, de comportamento consumidor, passou um trabalho pra gente, faculdade de business. Eu quero que vocês fotografem um consumidor da classe C, sem acesso ao consumo de luxo, um consumidor da classe A, um da classe B, um da classe
Boleto
D... Um de cada classe.
Marcelo
Luta de classes.
Henrique Viana
Aí eu... Cara, eu não tinha ainda uma implicância com esquerda em si, tá? Mas eu peguei uma certa malícia no briefing do trabalho. Falei, que trabalho é esse? É trampa. Aí eu, de sacanagem, peguei o celular e fotografei pessoas aleatórias. Então eu peguei, tipo, uma menina loira da faculdade com uma bolsa Louis Vuitton, fotografei e falei, vou botar como se fosse classe C. Então vai que... Aí a minha cabeça era, vou inverter pra professora...
Boleto
A bolsa é farsa, né?
Felipe
Deixa ela dizer por que não é classe C.
Henrique Viana
Eu quero que tu me explique, Vital. E, porra, aí começou a falar que não, que tava errado o meu trabalho, eu queria explicação. Falei, tem como formalizar a explicação do porquê que tá errado o meu trabalho? E aí isso não andava. Então, muita provocação, muita coisa, mas isso ia despertando na gente um ambiente da gente se sentir meio feito de idiota, em alguma medida, sabe?
Marcelo
A minha tinha dois pontos. Se fosse na manifestação, tinha professor que dava dois pontos fora FHC.
Boleto
Nesse início, eram dois.
Marcelo
Fora FHC, dois. A Faculdade Particular, na época. Ali, na sala de aula, rolando.
Boleto
Mas aí tu fala que foi e não ia, caralho.
Marcelo
Não, aí eu chegava, eu era malandrovis que eu pegava... Qual malandrovis? Não, no sentido de que era, de achar um absurdo.
Henrique Viana
Sim, claro. Então não pode isso.
Marcelo
Eu chegava... No horário, a galera lá, eu ia na diretoria e falava, cadê o professor em sala de aula? Ele ofereceu, eu caguetava, eu falava, ó, ofereceu dois pontos, a galera tá lá. E aí, é isso aí, galera, eu quero meu dinheiro aí. Eu criava um problema, entendeu?
Henrique Viana
Era um cara polêmico.
Marcelo
Eu era o cara que sacaneava o diretório, aí a eleição do diretório eu ficava trolando.
Henrique Viana
Aí tem outro lado também, né? Tem um...
Marcelo
Não, eu tinha... Eu lia o jornal todos os dias, eu lia Arnaldo Jabor, eu lia todos os dias. Aí o professor contando a história, eu falei, professor, eu vi isso aqui, tá errado, cara. Aí ficava puto comigo. Eu falei, não posso contra-argumentar, não posso não concordar com você.
Felipe
É isso aí, é isso aí que a gente fazia.
Henrique Viana
É isso aí, cara.
Felipe
É isso aí, é isso aí.
Lucas Ferrugem
E aí acho que paralelo a esse interesse que começou a ficar cada vez maior e tudo mais, começou a surgir naquela época também o marketing digital, né? Lançamentos, marketing digital, vender produtos online, conteúdo, esse tipo de coisa, uma coisa que tava começando a aparecer. Porque até então, qualquer coisa que você fosse fazer pra discutir esse tipo de ideias, pra falar de história, política, esse tipo de coisa, geralmente se pensa num instituto e tal, né? Alguém aqui vai ajudar a financiar, a gente vai fazer uns eventos, um congresso, uma coisa assim e tal. Era o raciocínio mais lógico, assim. E aí, paralelo a isso, tava surgindo o negócio do marketing digital, que a gente tava super ali, curioso, estudando, interessados e tal. E aí começou, o Henrique foi quem puxou essa dianteira, né? Começou a ideia de, talvez, unir um pouco das duas coisas. A gente... organizar esse conteúdo, tentar entregar ele de uma forma com mais qualidade estética, com algum acabamento, uma forma didática para as pessoas entenderem basicamente o problema do Brasil, como é que a gente chegou até esse momento, uma recapitulação histórica, e tentar o cenário do, como é que é o aparelhamento do Estado hoje, porque que isso acontece, quais são os incentivos, o follow the money, pra onde é que vai o dinheiro, porque que tem as ONGs, esse tipo de coisa. Começou a ideia de tentar transformar isso num conteúdo e, através das técnicas de marketing, anúncios e o lançamento de algum conteúdo online, fazer disso um modelo de empresa.
Felipe
Sustentável.
Lucas Ferrugem
Sustentável.
Felipe
Sem a perda de nenhuma doação de ninguém, de nada.
Lucas Ferrugem
Acho que foi a primeira sacada importante. Cara, até foi um parceiro, conselheiro e tudo mais, Leandro, que deu essa... Cara, e se fosse uma empresa? Uma empresa... Que nem uma empresa, com fins lucrativos, que contrata a gente e tal. E vocês estão fornecendo serviços pra sociedade de informação e tal. Parece uma coisa meio óbvia hoje, mas na época era uma coisa meio...
Felipe
É, porque a gente tava, primeiro isso começou a dar muito certo presencialmente numa coisa que era um hobby, virou um hobby, uma coisa voluntária nossa. A gente chamava as pessoas pra dar aula. E a gente fazia isso com slides e tal, mostrava pros pessoal, e o Brasil começou assim, Marx, Escola de Frankfurt, Estados Unidos, a história do PT, a fundação do PC do B, a gente fazia tudo com slides, com os gráficos, e as pessoas adoravam porque ficava didático pra entender. E essa era a nossa pira, desde a época de trabalhar com o Banner, a gente sempre gostou de comunicação, gostou de... Como é que as pessoas entendem alguma coisa, né? A gente gostava muito de se reunir, às vezes, no final de semana, em vez de ir pra balada, coisa assim. A gente ficava, os amigos ali, conversando sobre... Caramba! Um, né? Ah, estudei um livro aqui, deixa eu contar como é que foi. Aí, em 10 minutos, resumi o livro. A gente sempre consulta essa coisa, resumir conteúdo.
Marcelo
Hoje o cunhado tá uma delícia, né?
Felipe
E aí, esse amigo assiste uma dessas palestras, e aí, pô, muito legal, e eu falei, pô, cara, todo mundo adorando, não sei o que fazer com isso, tá nos tomando um puta tempo, só que, pô, eu tô fudido, tenho que pagar minhas contas, não sei o que
Boleto
vou fazer da minha vida.
Felipe
E ele já conhecia um pouco a história, que a gente tinha uma empresa, tinha quebrado, então ele falou, pô, cara, vocês têm total capacidade de transformar isso num negócio, levem isso pra internet, façam, é conteúdo de qualidade, não tem quem tá fazendo isso hoje. É um mercado enorme. Todo mundo precisa, quer conteúdo. Como é que vai ser esse modelo de negócio? Pô, se virem, encontrem um. E foi o que a gente começou a fazer. A gente se juntou. Uma salinha que era menor que isso aqui.
Marcelo
Isso lá em Porto Alegre. Lá em Porto Alegre.
Felipe
A salinha custava R$ 1.400 por mês. Tinha R$ 10.000, nós tínhamos R$ 10.000 pra fazer o negócio. É...
Boleto
Mas tinha que comprar a câmera, tinha que fazer tudo?
Felipe
Tinha que fazer tudo.
Lucas Ferrugem
Tinha que sobreviver.
Felipe
Alugamos a salinha. Uma câmera que era emprestada, outra alugada, uma coisa assim. No início a gente tentou fazer uma parceria com uma produtora que ia ter 15%, aí não deu certo, não evoluiu.
Marcelo
Eles devem se arrepender bastante.
Boleto
Quase nada.
Felipe
Cara, eu acho que assim, mas não foi nem culpa deles, a relação não evoluiu.
Marcelo
Deus é bom demais, Deus é bom demais. Sabe tudo, né?
Felipe
Exatamente, não ia dar certo. Mas aí por causa disso, a gente teve que se virar.
Lucas Ferrugem
Aprendeu a fazer.
Felipe
Aprendeu a fazer. O dinheiro acabou rápido, obviamente.
Marcelo
O dinheiro acabou rápido.
Felipe
Os 10 mil. Só que até acabar os 10 mil, nós já tínhamos meio que conseguido chegar na ideia No nome, demorou pra chegar no nome.
Marcelo
Que é maravilhoso.
Felipe
Que foi uma coisa assim, uma inspiração e tal. Até tem uma coisa engraçada que até hoje a gente não lembra quem foi que deu a ideia do Brasil Paralelo.
Boleto
Ah, não lembra, é vergonha perguntar isso.
Felipe
Porque a gente tava há muitos dias já com a indefinição do nome e nós já tinha feito um cronogramazinho.
Lucas Ferrugem
Nós tava quase chegando lá, nós já tinha o Paralelo alguma coisa, né? Mas não tinha o Brasil Paralelo.
Felipe
A gente já tinha páginas de captura de lead, tudo pronto pra começar a fazer a campanha. Só que tinha só uns nomes ruins até então.
Henrique Viana
Não tinha nome.
Marcelo
Brasil Brasileiro. Nem perto disso.
Boleto
Brasil.
Felipe
Era um nome inglês.
Marcelo
Paralelã. É, o nome inglês é o primeiro que vem, né? A gente passou por... 97 Brasil.
Lucas Ferrugem
A gente passou por Fander.
Marcelo
Como chama?
Henrique Viana
A gente passou por Fander, Riggs.
Felipe
Mas Fander é interessante, porque Fander já mostrava que... Desde o início a gente
Lucas Ferrugem
tava com essa cabeça...
Boleto
Mostrava que era ruim.
Felipe
Do financiamento fundador. Tinha uma mistura de... A gente já sabia que as pessoas Porque quando a gente decide fazer um negócio, tinha gente que assistia os palestras que falava assim, já tinha pessoas, amigos e tal, cara, vamos montar um instituto, eu vou atrás de umas doações pra gente transformar isso em vídeo. E nós já tínhamos assim, não, isso a gente não quer de jeito nenhum. Nem isso, nem se envolver em política, nem nada. A gente só topa e adiante se for uma coisa 100% independente, que são as pessoas que vão mancar. Então já tinha essa cabeça. Mas aí chega um ponto que a gente fala assim, cara, nós não podemos, nós não temos mais como continuar sem o nome, então hoje nós não vamos sair daqui.
Marcelo
Era o Crown and Founder, que era uma moda naquela época, né?
Boleto
Fazia pra CD, fazia pra...
Marcelo
Isso, as bandas faziam, a galera financiava e entregava o CD.
Felipe
Exato.
Boleto
Aí a banda podia ter feito.
Marcelo
Era uma coisa que tava nessa época surgindo, o Crown and Founder.
Lucas Ferrugem
Estava super forte. Até era a ideia inicial. A ideia inicial era fazer esse conteúdo, e aí com esse conteúdo a gente ia conquistar uma audiência, uma relevância nesse tipo de assunto, e aí lançar uma plataforma de crowdfunding pra esse tipo de iniciativas. Começou assim. Depois a gente abandonou o crowdfunding...
Marcelo
Mas no começo do Brasil Paralelo no YouTube era meio isso, né?
Felipe
Então, mas vamos chegar lá já. Não é exatamente, vamos chegar lá. A gente, nessa madrugada, a gente... Nesse dia, porque a gente fala assim, a gente não vai sair daqui hoje sem o nome. E cara, aí começa, meia noite, uma da manhã, duas da manhã, e nada, e tal, e passa por tudo, e vai pro quadro, e lista vários, e tal. E aí, daqui a pouco, a gente tava num coworking, que era um coworking muito esquerdista. Sabe aquela coisa cool, assim, coisa descolada... Homem de coque. Cara, era tudo, tinha homens...
Marcelo
É, homens de coque samurai.
Lucas Ferrugem
É mais radical, é como de coque roxo, sei lá.
Marcelo
Com o lenço da Louis Vuitton.
Felipe
E a gente, agora vou revelar um pouco da paranoia que a gente sempre teve com alguns detalhes. Um dos detalhes era o seguinte, cara, pra isso aqui funcionar... a gente não pode ser brega, não pode ser assim... Tiegas. Tiegas, umas aulas chatas de história e tal.
Lucas Ferrugem
A gente já tinha esse estigma também em relação à própria direita. Tipo, a direita vai a esticar uma foto e não sabe segurar o shift ali pra foto não ficar torta, fica
Marcelo
tudo cagado e tal. Acabamento.
Felipe
Então a gente falou, quem sabe fazer isso é a esquerda. Então a gente foi pro... A gente já tinha olhado um coworking, tinha uma salinha pequenininha, mas era tipo um coworking de contador e advogado, assim, sabe? Cara, isso aqui não vai dar certo, não vai se inspirar. Vamos pro coworking dos esquerdistas, que só tinha publicidade, só... E a gente falou, e a gente tem que tá lá, falar sobre o que a gente faz, e não pode, e tem que ser uma coisa que soe muito legal pra todo mundo. Sem mentir, sem nada, mas... E cara, e era muito legal, porque a gente falava pra todo mundo. A gente tá aqui pra buscar a verdade, pra falar de história do Brasil, pra melhorar a consciência das pessoas em relação aos problemas do Brasil, e todo mundo, os caras, a galera...
Lucas Ferrugem
Buscar alternativas de financiamento independente, de forma privada, porra, que espetacular.
Felipe
Aí quando começou a sair o clipe de Olavo de Carvalho, a gente teve que vazar, Mas assim, o nome é o seguinte, a gente olhou e falou, cara, o nome do cover que era Área 51.
Boleto
Área 51.
Felipe
A gente apontou, olha aqui, os caras como são... Escolar, é legal, eles tem uma coisa meio misteriosa, eles sabem.
Boleto
Escondida.
Felipe
Mas tem que ter um negócio meio assim, que seja meio um código e tal. E aí a gente chegou no paralelo 15. 15, que é o que passa em cima de Brasília, e falou, opa, tem alguma coisa interessante aí.
Marcelo
Paralelo 15 é bom também.
Felipe
Aí daqui a pouco a gente olhou e falou assim, não, 15 é o caralho, paralelo 30, que é onde o Porto Alegre. Não, não, 30 porra, 15 nada, 30. Aí ficamos nessa e tal, já, opa, temos alguma coisa aí. E aí, cara, daqui a pouco, eu pelo menos não lembro, realmente, eu não lembro.
Lucas Ferrugem
30 depois virou almoia, depois ia ser foda.
Felipe
Brasil paralelo.
Henrique Viana
Eu sempre faço a piada que se eu não lembro é porque não fui eu, né? Porque se fosse eu, eu ia lembrar muito. Brasil Paralelo.
Felipe
E aí, quando a frase saiu assim,
Marcelo
a gente se olhou e... Brasil Paralelo.
Felipe
E é engraçado porque surge desse processo totalmente criativo do brainstorming e depois, quando você começa a olhar, você começa a ver todos os significados. Mas nós não chegamos pelo significado. Mas depois que a gente olhou pro nome, a gente falou, cara, tem um puta significado. Porque a gente sempre teve essa paranoia liberal de não ter dinheiro de Estado, de nada, não sei o que. A gente não acredita que o Ministério da Cultura vai resolver o problema da cultura, que o Ministério da Educação vai resolver o problema da educação. Então tem que ter iniciativas totalmente independentes pra ajudar o povo a se libertar da ignorância. Então fechou, o nome fechou completamente. E aí entra a jornada do... Como é que nós vamos... Bom, primeiro, como
Henrique Viana
é que vamos fazer o conteúdo.
Felipe
E depois, como é que vai ganhar dinheiro. O conteúdo, a gente começa a fazer as entrevistas.
Boleto
Com a camerazinha emprestada.
Felipe
Com a camerazinha emprestada. Amadorismo total. A primeira entrevista não deu certo, porque acabou a bateria e a gente não sabia que tinha que ter bateria extra. Esse tipo de amadorismo, assim. Mas aí, a gente vence essa etapa, começa a acertar, fazer uma fotografia bacana e tal. O Felipe sempre se puxou muito ali de estudar. Didático, estudando YouTube, como é que mexia em câmera e tal. E a gente começa a conquistar, galera. Até o dia que o Lucas tava...
Marcelo
Onde você postava os conteúdos? No YouTube já?
Lucas Ferrugem
No Facebook.
Marcelo
É, o que eu falei, era o Facebook ali naquela época.
Boleto
A gente postava trechinhos. Mas o pessoal não tinha que pagar ainda pra ler.
Felipe
Não, não, não, era os trechinhos. Veja bem, já tinha mostrado a testa de marketing digital. Era os trechinhos como teaser. do Congresso Brasil Paralelo, que seria um evento online.
Boleto
Entendi.
Felipe
Não ia ser um documentário.
Henrique Viana
No começo nem isso a gente fazia, a gente viu uma palestra do J.J. Abrams, e ele falava do Mystery Box, a importância do Mystery Box na campanha, a gente adotou esse conceito. A gente tava largando tipo uns negócios com uma arte maneira e mistéria.
Lucas Ferrugem
Não falava muito bem de quem era, não explicava muito.
Henrique Viana
Mas músicas misteriosas.
Boleto
É.
Henrique Viana
Aí depois a gente começa a falar que vai ter um lançamento e tal.
Marcelo
Foi uma onda, né? Teve vocês, teve o MBL, teve o Terça Livre. Foram surgindo esses canais, né?
Felipe
De muito interesse pelo que era diferente do que a mídia falava.
Marcelo
Exato. Discurso de, porra, contra-argumento, né?
Felipe
Contra-argumento. E aí só que chegou uma hora que nós tínhamos já umas 80 entrevistas de uma média de duas horas. E ele falou, ó, tá muito ruim. Quem vai assistir essa merda?
Lucas Ferrugem
Era um congresso, só que ao invés de ser presencial você ia ver um monte de palestra, você ia ver no YouTube. E aí, o cara que não conseguiu ver ao vivo, ele poderia pagar ali um valor e poder ter acesso ao acervo depois. Essa era a ideia inicial, né? Só que aí, depois que a gente chegou lá na quinquagésima entrevista, a gente viu, cara, vai ser insuportável. Um monte de coisa se repete, os assuntos são muito parecidos e tal.
Felipe
Você distanciou demais daquilo do início que a gente tava fazendo. Que era a gente fazer a didática do negócio.
Lucas Ferrugem
Exatamente, aquela semente lá atrás. E daí, a gente, cara... Chegou um dia que, lembra, a gente voltou de São Paulo com essa conclusão. E lembro, cara, tem aquele prézi lá, que eu usava o prézi na época, que era essa apresentação que a gente fazia antes, que mais ou menos organizava, tinha um certo roteiro ali, do centro do que a gente tava querendo falar. E aí, a gente pode usar aquilo de roteiro, tentar cortar as melhores partes do que cada um falou, meio juntar e tal. A gente não chamava de documentário, a gente não deu conta que isso...
Felipe
Chamava de vídeo.
Lucas Ferrugem
Chamava de vídeo. E aí a gente pode tentar botar dentro daquela estrutura e acho que vai ficar melhor. E aí o que a gente vai vender não vai ser... O que a gente vai vender vai ser o conteúdo na íntegra. E uma outra sacada que foi muito relevante, que assim, beleza, essa é uma parte da motivação das pessoas que apoiaram lá no início. Mas o principal era, cara, nós vamos fazer uma mídia independente, a gente tá comprometido com isso. E pra ser independente a gente precisa de financiamento pulverizado, todo mundo tem que apoiar. E aí a gente vai poder defender essas ideias aqui, tratar desses assuntos que tu não vai encontrar em outro lugar e tal. Então, você tem que comprar o produto, mas você tem que fazer... Tinha essa coisa de causa, de apoio muito forte. E, cara, e pegou. A gente lançou em 2016, final de 2016, a gente tinha essa trajetória de entrevista, porque começou com 10 mil reais pra fazer. E aí, obviamente, acabou rapidinho.
Felipe
Acabou rápido e a gente começou a pegar empréstimo.
Lucas Ferrugem
Começou a pegar pingado empréstimo. Aí, pegava de um amigo, 5 mil aqui, 10 mil ali, pingadinho e tal.
Felipe
Foi até uns... 94 de endividamento.
Boleto
Mas tudo de brother.
Felipe
Tudo de brother. Nós tínhamos terminado a nossa dívida. Por coincidência, por coincidência bem ali mais ou menos um ou dois meses antes de começar, por total coincidência.
Boleto
Já tinham que pagar a dívida da banda.
Felipe
Isso, da banda.
Boleto
Tá.
Felipe
E aí já logo... Já logo pegaram o outro, puta merda. E pra quem assim... Empresa grande hoje, tudo mais, mas pra quem tá no zero, 94 é um universo assado, cara. Só que nós nem pensava. Porque começou a entrar, começou a ficar bom, começou a ter cheiro de coisa grande, de coisa que ia mudar a cabeça das pessoas, e a gente começou a fazer aquilo de captar cadastro pro tal do congresso, que depois deixou de ser congresso e virou esses vídeos, e já tinha lá não sei quantos mil cadastros e tal, e isso nos ajudou muito a pegar os empréstimos, a gente falava com os amigos, e já sabia que a gente tinha quebrado uma empresa e tal, e, mas mostrava, cara, esse aqui vai dar certo, essa vai dar certo, cara, a gente tinha um contratinho, que foi o que a gente usou com todo mundo, que era bem...
Boleto
Mostrava os inscritos que tinham lá... Então,
Felipe
o contratinho era, exato, mostrava tudo que tava acontecendo, e tinha uma parada também da galera acreditada, o que você tava fazendo, achar que era importante o que a gente tava fazendo, e uma dose de, cara, vou apoiar os caras porque é importante. Mas o contrato era bem diritinho, tudo, com juros, não sei o que, tal, tal, tal. Só que os juros começavam a correr depois do...
Marcelo
A jantagem da melhora, não tô brincando.
Felipe
A jantagem da melhora.
Marcelo
E aí a gente... Juros de mercado ou acima do mercado? Essa é a pergunta.
Felipe
Acima do mercado.
Marcelo
Então é... Ágil. Um ágilzinho de ler.
Henrique Viana
Eu quero te ajudar.
Boleto
Coisa besta.
Henrique Viana
Tu tem que me ajudar a te ajudar.
Boleto
Lógico, cara.
Lucas Ferrugem
Se o banco não tá te dando, tem algum motivo, né?
Felipe
E aí o dilema de lançar, porque acho que é um detalhezinho assim, mas que eu acho que é legal, principalmente de quem acompanha o Brasil para lá. Quando a gente tem isso na mão, a gente fala assim, tá, a gente quer muito impactar o Brasil, mas a gente já assumiu essa ideia de que se não for lucrativo, se não for com fins lucrativos, não dá. Porque a gente tem que ser independente, não podemos depender de ajuda e doação.
Boleto
Perfeito.
Marcelo
Ficar na mão de alguém, né?
Felipe
Na mão de alguém. Então como é que faz? Se eu quero que seja de graça pra impactar as pessoas, mas eu também preciso vender o conteúdo. Se eu vender esse conteúdo, pouca gente vai assistir. Se eu botar de graça, como é que eu ganho dinheiro?
Boleto
É, lascou tudo.
Felipe
Então, tinha esse dilema, a gente teve discussões nossas por divergência, por achar que tinha por ali, e no final de muita discussão, a gente chegou no modelo. de lançar totalmente de graça, totalmente de graça, pegar as entrevistas, como o Filipe acabou de falar, pegar essas entrevistas na íntegra, a gente sabia que as entrevistas eram piores do que o documentário, em termos de produto.
Lucas Ferrugem
Melhor do que tinha, tava ali, né?
Felipe
O valor agregado tá no negócio que foi editado.
Marcelo
No filé mignon.
Felipe
Mas a gente estudou um monte, e na internet vários caras falavam, não, as pessoas valorizam isso de ter o conteúdo na íntegra e tal. Então a gente vendeu três coisas, basicamente. Vendeu o conteúdo na íntegra, acesso a um grupo de Facebook de debates, e o principal, que era, seja membro fundador do Brasil Paralelo e apoie a primeira mídia independente do Brasil. Nós vamos ser uma mídia independente, uma grande mídia, a maior mídia, sei lá, tentou lá vender do melhor jeito possível,
Marcelo
que não tem dinheiro público, que não
Felipe
recebe dinheiro público, a gente usou o nosso próprio dinheiro, a gente tá aqui, não sei o quê, não sei o quê. Isso era um vídeo que aparecia no início do primeiro vídeo, do documentário. Vendeu. Muito.
Boleto
Que legal, cara. Puta. E aí, que delícia.
Lucas Ferrugem
Pagou, tipo, o primeiro dia pagou a dívida já.
Boleto
É mesmo.
Felipe
Primeiro dia vendeu 150 mil.
Marcelo
Oi?
Felipe
E em 15 dias, mais ou menos, vendeu 1 milhão e 300.
Boleto
Caraca, velho.
Lucas Ferrugem
E aí começou.
Felipe
Uns 5, 6 mil membros fundadores por aí, mais ou menos.
Boleto
Vocês lembram o tema dessa primeira magrela?
Marcelo
Do congresso, do congresso.
Felipe
O congresso era tudo.
Lucas Ferrugem
Era uma sequência de 5 episódios que era... Começou com esse nome congresso, porque ia ser um congresso, e aí virou uma série de documentários. Basicamente ele começava, primeiro era um panorama do Brasil. Aí tinha uns 40 minutos, índices econômicos, de segurança e tal, algumas pessoas dando opinião sobre isso, um panorama. Depois, retrospectiva da história do Brasil sem o viés marxista. Aí vamos contar e tal. Mas resumidão, assim, porque era 30, 40 minutos pra contar. toda a história do Brasil. Mas já tinha ali uma perspectiva diferente do que o pessoal estava acostumado. Aí depois o 13 é raízes dos problemas. Aí basicamente vem toda a história do desenvolvimento das ideias. De Marx até a esquerda mais moderna, New Left, Gramsci, essa coisa toda. Então como que depois do fracasso econômico da tentativa do comunismo, como que essas ideias foram aparecendo e criando outros caminhos de infiltração na sociedade e tudo mais. Então, explica um pouco como que, teoricamente, essas ideias se desenvolvem e tudo mais. Depois, o aparelhamento do Estado. Onde que isso tá, digamos assim, predominando, em quem tá nos...
Marcelo
Buscar um entendimento da audiência do porquê que o Brasil tá desse jeito.
Lucas Ferrugem
Então era basicamente isso, um panorama.
Felipe
Porque tinha um parêntese legal aí, assim, isso foi uma coisa que a gente viveu muito na pele na faculdade, porque assim, por que essas ideias que são piores, elas são as dominantes? Elas prevalecem. E o que a gente encontrou foi várias coisas, uma delas, muito dinheiro.
Boleto
Cara, injeta muita grana.
Marcelo
E era época da Lava Jato também, né?
Felipe
Cara, muita ONG com muito... A gente mapeou, a gente mostrava, a gente mapeou, eu não lembro o número exato, mas acho que era tipo 15 bilhões de reais nos últimos 10 anos do governo federal só pra ONGs, terceiro setor. E a gente dava um zoom em algumas e mostrava assim, tá essa ONG aqui, ONG de animais marinhos em Porto Alegre, que nem tem animal marinho. E aí, pô, essa ONG aqui, o que tinha de informação financeira lá da ONG e mostrava a folha de pagamento, aí achava lá o cara que era funcionário da ONG e ia chegar esse cara e via que, no fundo, esse cara era um ativista profissional. O cara tava lá na manifestação da MCT, ele era candidato...
Marcelo
É o aparelhamento.
Felipe
Avereador pelo PT. Então, na prática é o seguinte, você tinha uma militância profissional, trabalhando 24 horas.
Boleto
É isso mesmo.
Felipe
Um dia, não sei o que... Com
Marcelo
o dinheiro da gente.
Felipe
Mas obviamente que tinha também esses elementos do episódio anterior, do sofisticação intelectual, né? Não que seja uma produção intelectual de qualidade, mas sofisticado, discutindo muito, debatendo, organizando as ideias e tal.
Marcelo
Cultura, cultura, dedo na cultura, né? Porque é a cultura que realmente transforma, né?
Lucas Ferrugem
Perfeito. Eu acho que surgiu junto com isso, talvez por isso um dos motivos desse sucesso inicial, uma consciência de muitas pessoas de que essas ideias muitas vezes prevaleciam na sociedade porque de algum modo elas estavam financiadas. Existia um aparato para conseguir manter isso acontecer de maneira profissional. Enquanto a partida, ideias que se opunham a isso não... o cara fazia por hobby, por paixão, o cara fazia lá, lançava um livro lá e tal, mas pra fazer a coisa ter representatividade e coisa, precisava de... e aí, de uma certa forma o cara entendeu, cara, a gente precisa apoiar e financiar, né, já que a gente tem, por princípio não vai pegar dinheiro do estado, não vai fazer esse tipo de coisa, Depende da gente, acho que muita gente meio que deu essa virada, esse clique e tal. E aí o resultado disso veio do lançamento da empresa e tal, e aí...
Felipe
E aí quando entrou esse primeiro faturamento, aí ficam evidentes, acho, na nossa trajetória, assim, uma cabeça de negócio muito, muito, assim, uma cabeça muito de negócio. A gente olhou e falou assim, nós vamos montar. a maior empresa de mídia do Brasil. Então, isso aqui não é um dinheiro nosso, né? A gente já tava todo ferrado, não tinha dinheiro pra pagar as contas, não sei o que tal, e a gente estabeleceu um salário de 2.500 reais pra cada um por mês.
Boleto
Só pra ajudar em custo.
Felipe
Só pra sim. Onde nós vamos ganhar dinheiro é nos bônus anuais, que nós vamos colocar como meta agora, então ano que vem vamos correr atrás dos bônus, e no futuro, se a empresa vai dar muito certo, aí nós vamos ter a nossa recompensa, vamos ser dono de uma empresa próspera. Mas ali era assim, cara, vamos agora contratar gente, e advogado, e não sei o que, e os impostos, tem que pagar o imposto desse faturamento todo aí, não sei o que.
Boleto
São poucos, né?
Felipe
E aí, cara, começa...
Marcelo
Acaba que tá piorando.
Felipe
Começa a mudar o negócio.
Boleto
Tá que pariu.
Marcelo
O Boladinho sabe o que é split payment, já ouviu falar?
Boleto
Não.
Marcelo
Relaxa que tá chegando.
Boleto
Que pariu, bicho.
Felipe
Que é esse negócio aí, né?
Marcelo
Isso aí vai ser, vai quebrar muito em pequena empresa, meu irmão. Esse split payment. Sabe o que é isso, Bola?
Lucas Ferrugem
Tô por fora.
Marcelo
Tá por fora?
Felipe
Não sei muito, mas eu sei que...
Marcelo
Agora você vai num restaurante pra pagar a sua conta. Quando você paga a sua conta, vamos dizer que é cem reais. Você gastou cem reais no restaurante. O dono do restaurante pega o dinheiro, os cem, paga aluguel, funcionário, matéria-prima, e o imposto é por último. Dá 40 dias, o cara vai lá e paga o DAIS lá, dependendo do meio, caralho.
Felipe
E ele que diz quanto que é.
Marcelo
Agora não. Dos 100 que você vai pagar, o banco já vai dar os 28% pro direto. E já vai receber 80 quanto? 75.
Felipe
Mas é um pesadelo, cara.
Marcelo
Isso vai quebrar o pequeno.
Henrique Viana
Isso.
Marcelo
Vai quebrar. A Itália deu errado, Polônia deu errado, Grécia deu errado e agora estão apostando aqui no Brasil.
Boleto
Por que a gente copia as coisas que deram errado?
Marcelo
Não, porque o cara quer o dinheiro logo. Porque dizem que 600 bilhões a galera só nega.
Felipe
Já pensou em quanto tempo esses 600 bilhões vira fumaça?
Boleto
Mas só nega porque também nego enfia um Kiribengala na turma.
Marcelo
Então, mas agora não vai ter como escapar. Vai ser na fonte. Na fonte.
Felipe
A gente tem uma história engraçada logo no início.
Marcelo
Até 2033.
Felipe
Tinha um boleto pra pagar.
Boleto
Começa quando?
Marcelo
Ano que vem, mas pra grande empresa. Aí vai graduando, eles vão... Vai entrando, vai entrando. Vai ajeitando. E o embrião dessa porra toda sabe o que que é? Acho que você tinha razão, bola.
Boleto
Do que você disse?
Marcelo
Dinheiro de papel, Pix. O Pix tá sendo a grande mola motriz dessa mudança.
Henrique Viana
Mas a tecnologia sempre dá alcance, né? Sempre dá alcance. Sempre dá alcance. Então a gente tem meios de controle hoje que não tinha antes. E aí os caras vão usar também, o governo vai usar.
Marcelo
Agora vai pagar antes, meu amigo. E detalhe, se o governo te cobrar mais, ele te devolve 45 dias depois. Ao contrário, ele inverteu, né?
Boleto
Mas se você pagar em dinheiro, como é que faz?
Marcelo
Aí dá pra dar o Miguel.
Boleto
Vamos pagar em dinheiro, turma. Vamos pagar em dinheiro, turma.
Felipe
Vai ter negro não aceitando o Pix mais.
Marcelo
Vai cobrar mais caro.
Henrique Viana
E Pix cobra mais caro.
Felipe
Que é o que acontece em países assim, em guerra.
Boleto
Pix é mais caro e em dinheiro tem desconto.
Marcelo
Na Itália voltou o dinheiro, na Grécia voltou o dinheiro.
Henrique Viana
Mas aí os caras vêm querendo proibir o dinheiro.
Marcelo
Aí eles vão botar no caixa eletrônico. Sacou, sacou, lembra do CPMI?
Lucas Ferrugem
Sacou 10, caiu 8.
Marcelo
Mas lembra da CPMI? CPMI é isso?
Henrique Viana
CPMF.
Marcelo
CPMF. Lembra da CPMF? Que descontava assim que você sacava o dinheiro?
Henrique Viana
Contribuição por movimentação financeira.
Marcelo
Que era pra saúde.
Henrique Viana
Uma contribuição.
Boleto
É, contribuição não é, né?
Marcelo
É imposição.
Henrique Viana
A gente tava ajudando.
Felipe
Muito obrigado pela sua contribuição.
Henrique Viana
Você tá contribuindo?
Lucas Ferrugem
A gente tava ajudando, pô.
Marcelo
O nome já fala imposto, imposto. É imposição a você pagar. É imposição. Agora, contribuição é esse nome no cola, irmão.
Lucas Ferrugem
O contribuinte, o contribuinte é foda.
Marcelo
Eu odeio o contribuinte, contribuinte é o caralho.
Felipe
Esse idiota que tá contribuindo com essa merda desse governo.
Marcelo
Eu não sou contribuinte, eu sou imposto pra pagar.
Lucas Ferrugem
Obrigado, eu sou ameaçado, sou subvenido.
Marcelo
O cara vai tomar minha casa se eu não pagar, meu carro. Mas voltando ao Brasil Paralelo, eu me recordo muito dessa época. Acho que a gente até se falava pelo Instagram.
Henrique Viana
A gente no primeiro, logo já no primeiro, tentou te entrevistar, não bateu as agendas, um negócio assim.
Marcelo
Ah, é?
Felipe
Não que se fez, ele falou.
Henrique Viana
Será?
Marcelo
Não vem não, eu já enviei muita coisa pra vocês. Eu era o maior incentivador, eu postava nos stories quando eu assistia.
Henrique Viana
Ah, isso é verdade, você divulgou isso.
Marcelo
Eu ficava em casa vendo, esperando que vocês eram o filha da puta, daqui a 48 horas botava o reloginho na tela. Eu lembro disso.
Felipe
Atrasava o lançamento.
Marcelo
Saíram cada dia um episódio e vocês vinham torturando a gente. Mas eu sempre já, cara, isso aqui é legal, isso aqui é. Esse é o caminho, eu marcava lá, falava com vocês de ideias, chamava no DM.
Felipe
Eu troquei vários áudios contigo, muito do que poupou também.
Boleto
Hoje eu me enche o saco dele daquela época.
Marcelo
Já, eu sou chato, mas é porque eu senti que era...
Felipe
Não, o que é isso?
Henrique Viana
Mas falando sério, muita gente se sentiu representada, que nem você, e eram pessoas influentes, e muito do que bombou foi por isso. Gente influente olhando e falando, pô, olha esses caras aqui. Aí é pra frente, sabe?
Felipe
A gente teve muita ajuda na nossa história. Muita, muita, muita ajuda. Ajuda, ajuda e ajudasse mesmo. Nada em troca. Tanto das pessoas que topavam dar as entrevistas, as pessoas que toparam nos mentorar no caminho. Porque muitas vezes a gente queria entrar num tema que era mais cabeludo, que a gente não tinha vergadura. E professores, pessoas que dedicaram tempo totalmente de graça, totalmente sem querer ganhar nada, pra nos ajudar. Que viram que a gente tava fazendo uma coisa legal e era de boa intenção. Então deixou ajudar vocês. Pessoas que ajudaram a divulgar.
Lucas Ferrugem
É o velho negócio de você quer ajuda e começa a empurrar o carro, né? Esse cara vem empurrando e esse cara vem, sabe? O cara vem tu te movimentando com força.
Marcelo
Fala aí, fala aí.
Felipe
Podia dizer que logo depois, a segunda, a gente começa a estruturar o escritório e tal, e tem que fazer a próxima série.
Boleto
Exatamente. E aí?
Felipe
E aí é o seguinte, a gente faz uma pesquisa com aqueles membros, tinha o grupo do Facebook, qual os assuntos que vocês mais gostaram, não sei o
Boleto
que, não sei o que, o que
Felipe
dá o máximo, assim, É, história. A gente se olhou... História do Brasil.
Boleto
História do Brasil.
Felipe
E o negócio de história que a gente colocou, ele era mais pra cumprir um... Porque precisava contextualizar o Brasil, mas a gente não sabia muito de história do Brasil, assim, não era... E aí a gente começa a falar com os amigos, ia atrás e tal, e primeira... coisa que algumas pessoas, especialistas em marketing digital falaram pra gente na época, assim, cara, esquece, vocês não vão conseguir fazer o cara virar assinante e comprar o pacote de vocês.
Lucas Ferrugem
Brasileiros saem com um curso de história embaixo do braço. História do Brasil é o troço mais chato do mundo.
Felipe
Vai dar errado. Se vocês quiserem fazer pro propósito, legal, bacana, mas não vai dar certo.
Henrique Viana
O primeiro foi maneiro porque falou muito de política nesse ambiente e tal, falar de história variável.
Lucas Ferrugem
Coisas contemporâneas.
Marcelo
Atualidades, né?
Felipe
Entendi. Mas aí a gente fica integrado com esse negócio e a gente tinha na primeira, um dos caras que a gente entrevistou na primeira foi o Luiz Felipe e o Luiz Braganza.
Marcelo
Maravilhoso.
Felipe
E aí a gente vai lá falar com ele, pô, tem um negócio de história aqui, e tu como tem alguma ligação com a história, a gente queria ouvir de ti, tu acha que é legal fazer uma coisa de história? Falei, deixa eu contar uma história pra vocês.
Boleto
E começou a falar.
Felipe
E eu lembro que aquele dia a gente foi, a gente combinou assim, sei lá, uma conversa final do dia e saiu da casa dele de madrugada.
Boleto
Mas estavam gravando ou não?
Lucas Ferrugem
Não, não, não.
Boleto
Bate-papo.
Felipe
Não, bate-papo pra ver se tinha alguma... Pra entender se valia a pena ir naquele negócio.
Boleto
Caraca, velho.
Felipe
E aí, cara, a gente... A gente saiu assim... Com a cabeça completamente assim... Cara, tem muita coisa que a gente não fazia ideia que existia, que nós precisávamos explorar. E eu lembro que dali daquela conversa, eu já saí com o meu patriotismo diferente. Eu já saí com uma coisa, cara, o Brasil, uma certa... Porra, eu sou
Marcelo
imperialista, eu não sabia.
Felipe
Tipo assim, sabe paixão, início de namoro? Cara, eu acho que eu tô me apaixonando por esse país pela primeira vez. E foi uma sensação, e aí a gente se olhou e falou, vamos fazer.
Lucas Ferrugem
Que legal, cara.
Felipe
Contra todas as recomendações de marketing, não sei o que, vamos fazer, e aí começa a última cruzada. Aí a gente começa a vasculhar quem são os especialistas, os historiadores.
Boleto
Pra quem que vocês iam falar?
Felipe
Quais são os livros e tal, e essa paranoia nossa de fazer um negócio muito sério.
Boleto
Sim, sim.
Felipe
Sempre ficar com essa história de direita, não sei o que, é porque o Brasil todo é esquerdo, tu começa a fazer uma coisa diferente, tu é considerado de direita. E a gente sempre falou... Militar. Militar, é. É ditador, extremista, não sei o quê.
Marcelo
Eu, na faculdade, quando eu contestava... Vixe.
Felipe
Ditador.
Marcelo
Você é o... Me chamavam no Rio que eu tinha a personalidade do Carlos Lacerda. Você é uma lacerdista.
Felipe
Uma lacerdista ainda até, né?
Marcelo
Não, mas os caras me chamavam de lacerdistas. E eu falava assim...
Henrique Viana
Mas isso aqui é intelectual? Tem um ambiente, cara?
Lucas Ferrugem
Não era? Você é um lacerdista.
Felipe
Você é um lacerdista.
Lucas Ferrugem
Hoje em dia todos sabem que é.
Boleto
Um ambiente bom, pô.
Henrique Viana
Se eu escuto isso na faculdade, eu tenho que abrir o Google rapidinho.
Boleto
Que aula que você foi expulso do classemoral e cívico? Que aula que você foi expulso?
Marcelo
Porra, várias. Sociologia.
Boleto
Sociologia.
Marcelo
Todas, é. Filosofia. Mas, cara, eu vou te dizer... Dava merda.
Lucas Ferrugem
Eu vou te dizer que essa história que a gente ouviu do Luiz essa primeira vez, que deu essa chacoalhada, Ela nem era num ponto de tipo de disputa ideológica, de uma coisa do... Principalmente mais moderna, quando a gente pega a história militar e tal.
Felipe
Não, não, não.
Lucas Ferrugem
Não, não. Era uma coisa muito... Ele começava lá na formação de Portugal, porque Dom Pelágio e não sei o quê e tal. A grande diferença, que eu acho que foi o que nos chacoalhou, que era um negócio inspirador. Era um negócio... Porque a gente... Todo mundo teve aula de história do Brasil. E sempre aquela coisa jocosa, né?
Boleto
Aí veio o João... O cara subiu no cavalo, levantou a espada.
Lucas Ferrugem
Veio o cara gordo, comendo coxinha, e se cagou. Aí todo mundo era filha da puta. Era sempre isso, então é uma coisa meio que...
Boleto
É isso, é verdade.
Lucas Ferrugem
E aí, cara, ele conta com, sabe, quase como quem viu com os próprios olhos a história, assim, com uma empolgação,
Henrique Viana
a gente ficou... Tinha um outro elemento também, que a história do Brasil, pra mim, ela sempre soava muito isolada. A história do Brasil... Sim, não conectava
Lucas Ferrugem
com o resto do mundo.
Henrique Viana
E aí, essa versão da história, ela nos deu pista pra gente pensar muito sobre, tá, mas de onde que vem o Brasil, né? Porque a gente fala, como é que a gente estuda a história do Brasil normalmente? Aí os portugueses vieram pra cá. Chegaram os portugueses.
Boleto
Foi muito mais legal ouvir toda a
Henrique Viana
história de Portugal pra entender porque que os portugueses chegaram aqui. Aquilo nos deu um senso de conexão. Ah, agora eu não tô perdido. Não sou uma ilha no meio do nada, entendeu? Tem uma história que começa do zero.
Felipe
E normalmente quando se falava de Portugal, se falava dos ciclos econômicos. Porque esse é o viés marxista de contar história. luta de classe, ciclos econômicos, opressor e oprimido, etc e tal, o materialismo histórico, as pessoas só se mobilizam por interesses materiais, essa é a visão do professor de história marxista. E quando você começa a ver toda a história de Portugal e de antes Portugal, da Espanha e antes ainda das cruzadas, e aí das cruzadas você vai vendo como que a coisa vai chegando, e toda a briga dos cristãos e dos muçulmanos na Europa e tal, e de onde é que surge Portugal, que são os condados da Espanha que estão ali pra fazer a proteção, né, dessa faixa ali pra baixo de Lisboa... E
Lucas Ferrugem
depois a conexão da história do Brasil com esses símbolos plantados já lá, então, só de conectar essas duas coisas...
Felipe
O Pedro Álvares Cabral... O Pedro Álvares Cabral chega no Brasil, não sei quem ele tava, mas quem que é o Pedro Álvares Cabral? O cara era grão-mestre da Ordem de Cristo. O que que é a Ordem de Cristo? É a Ordem dos Templários. É a antiga Ordem dos Templários.
Boleto
Aquilo que eu não sabia.
Felipe
Só disso aí você já fica assim... Caceta, o cara que chegou no Brasil, ele era templário?
Boleto
Templário, caralho.
Felipe
Então peraí, o que que tinha na cabeça desse cara? O que que ele tava fazendo? E aí você começa a ir na carta do Pedro Álvares Cabral, o que que eles falavam e tudo mais. Tudo bem. Às vezes o cara pode mentir, óbvio. Às vezes o cara pode dizer que tá com uma boa intenção e não tá tão assim. Mas no mínimo, era interessante o fato de que os caras estavam falando que queriam catequizar os índios. Porque os caras chegaram e falaram assim, esses caras aqui são puros. A gente tem que apresentar pra eles a verdade de Jesus, de Cristo, não sei o que tal, porque na Europa a gente já perdeu, a Europa já tá uma bagunça. Aqui a gente tem chance de fazer uma coisa nova. Ah, mas isso é só um interesse pra pegar o pau brasileiro, não sei o que. A gente não... A Última Cruzada, ela não contesta.
Henrique Viana
Ela fala, inclusive, que ciclos econômicos viabilizaram todas essas empreitadas. É fato que teve o Pau Brasil como ciclo econômico.
Felipe
É escravidão e tudo, todos os problemas.
Lucas Ferrugem
Tudo isso aí.
Felipe
Mas essa é a vida.
Henrique Viana
Mas faz parte...
Boleto
Lógico.
Felipe
Você fala assim, o carioca... O carioca queria ganhar dinheiro e aí começou a fazer humor. E aí... Movido pelo dinheiro, ele foi pra cá. Movido pelo dinheiro, ele foi pra lá.
Henrique Viana
Por que o Carioca fez essa piada agora? Porque essa aqui dá 60 reais a mais. Sabe essa explicação?
Felipe
E esse podcast deles aí, eles querem ganhar um dinheirinho. Quer dizer, tudo isso tem também. A gente precisa se sustentar, é para as contas.
Marcelo
Que bom, é lógico.
Felipe
Empreendedorismo. Mas a gente faz coisas que a gente gosta, a gente se mobiliza por coisas que tocam o coração.
Lucas Ferrugem
Ideais, coisas que a gente acredita, que a gente acredita.
Marcelo
Que coisa mais gostosa. Qual que todos os coaches falam? Os teus pais falam.
Felipe
Propósito, não?
Marcelo
Propósito é muito chato. Qual é o seu propósito? Porra, sobreviver a princípio. Não ficar doente e tocar a vida. Mas é... Cara, se você quer... Essa é muito clichê. Se você quer ser feliz, trabalhe com aquilo que seja... E você nunca vai trabalhar na vida.
Boleto
Exato.
Marcelo
Então acho que é isso.
Felipe
Mas eu acredito um pouco nisso.
Marcelo
Não, acredita não. É isso. O sucesso ele é As pessoas de sucesso, pode ver, elas fazem aquilo que brilha os olhos. Foi o que você falou. Quando eu saí, você sentiu. Naquela entrevista com o cara, ela falou, cara, é isso. É uma certeza, é uma força que te move acordar mais cedo, a trabalhar mais, a fazer e ver. Parece que a neblina vai reduzindo e a estrada vai aparecendo mais, entendeu?
Felipe
a gente faz. Volta e meia tem alguém que briga e fala, não, Brasil pra lá, olha quanto eles investem em propaganda, porque olha o faturamento, aí já começam a misturar as coisas, é fake news e é fake news por dinheiro, começa a criar toda uma teoria, então imagina, os caras mais do mal do mundo, a gente faz fake news por dinheiro, o negócio assim pinta uma imagem.
Lucas Ferrugem
Eu acho que esse negócio foi um pilar fundamental assim também pra nossa empresa e pra ter ganhado energia e fôlego no início e tudo mais, porque no fundo das contas, a energia destrutiva, principalmente em relação ao Brasil, ela é muito imediata, porque a gente tem um monte de problema, uma merda, e o Brasil sempre te surpreende com um monte de coisa e tudo mais, e as pessoas obviamente se atraem muito por isso também, né? A gente gosta de falar da parte ruim das coisas, né?
Boleto
Sim.
Lucas Ferrugem
No Brasil, principalmente. Então, beleza, isso até engaja, mas isso não convence as pessoas a se mobilizarem, se mobilizar inclusive economicamente, a construir algo diferente, só com a destrução por si só, né? Então, acho que de uma certa forma, essa recapitulação da história do Brasil, ela nos permitiu conseguir conseguir fazer algo propositivo, algo que realmente fosse inspiracional, que desse algum orgulho de ser brasileiro, que desse algum nível de patriotismo, assim, sabe? Então, isso tá meio que na gênese da Brasil Paralelo, e a gente começar nessa perspectiva mais otimista. A gente tem algo do que se orgulhar, a gente tem algo... E isso nos vai nos permitir fazer alguma coisa...
Marcelo
Vocês criaram a maior plataforma Brasileira de Conteúdo. É que vocês foram, acho que na minha percepção do começo, além do que vocês imaginaram.
Lucas Ferrugem
Eu acho que sim.
Boleto
Acho que um pouquinho.
Marcelo
Boa de comprar filme, de comprar conteúdo, caraca. A princípio era vocês produzirem e exibirem. Primeiro no YouTube, com a monetização. Mas vamos chegar lá. Mas antes eu queria mostrar o primeiro trailer dos 10 anos do Brasil para... Boa, vai lá.
Boleto
Boa, boa.
Henrique Viana
10 anos atrás, decidimos que nunca dependeríamos
Boleto
de ninguém para buscar a verdade.
Marcelo
Só havia um caminho e ele não
Henrique Viana
era, nem é, ao lado de governos ou grandes investidores.
Marcelo
Ele é ao seu lado.
Henrique Viana
Cada viagem. Cada nova ideia.
Marcelo
Cada vez que pautamos o debate público. Foi com independência.
Henrique Viana
Dependendo apenas da sua confiança. Assim foram nossos primeiros 10 anos. E assim serão os próximos. É hora de celebrar a primeira década da Brasil Paralelo com novidades impossíveis de ignorar. Você é o nosso convidado de honra.
Marcelo
Aí, 10 anos.
Boleto
10 anos.
Marcelo
Quem diria.
Lucas Ferrugem
E tem uma estatística, né?
Marcelo
Olha as câmeras, com uma reflex, né? Que queimava, né?
Lucas Ferrugem
E olha que interessante, tem uma estatística, né? Que no Brasil, não sei se é só no Brasil, mas acho que no Brasil, os primeiros 5 anos das empresas, sei lá, 90% quebra. Uma coisa assim, né?
Boleto
Perto desse número.
Lucas Ferrugem
E aí, depois, nos próximos 5 anos, 10 anos, quase que não sobra ninguém, assim.
Marcelo
Vocês quase quebraram.
Felipe
Quase.
Lucas Ferrugem
Várias vezes.
Boleto
ABP?
Marcelo
Várias vezes.
Boleto
É mesmo?
Henrique Viana
No começo a gente tinha um trauma
Felipe
assim... Ali, na esquina, acabou.
Henrique Viana
Antes de ter um CFO. Antes de ter um CFO a gente tinha um trauma que era o seguinte, tá trabalhando e tal, aí daqui a pouco a gente se organizava, via que não tava vendendo bem, a gente fazia um monte de conta, aí a gente falava com o pessoal, vai quebrar?
Boleto
Não vai dar.
Henrique Viana
Não vai dar. Tem 16 dias, 20 dias de dinheiro aqui, se a gente continuar gastando assim e tal. Gastando assim não é gastando muito, né?
Boleto
Sim, sim.
Henrique Viana
Não vendendo e tendo que pagar.
Marcelo
Produzindo, né? Pra poder gerar mais.
Henrique Viana
É, claro.
Boleto
Funcionário.
Henrique Viana
Então, aí depois teve o Rodrigo, que entrou de CFO da empresa, aí ele começou a organizar isso, dar um pouco mais de previsibilidade pra gente, mas a primeira vez que ele realmente organiza isso, ele constata que a empresa tá pra quebrar em 14 dias, sei lá.
Boleto
Caraca, velho.
Henrique Viana
Tinha quanto? 14 mil reais de caixa?
Felipe
Tinha 14 mil reais de caixa em fevereiro de 2020.
Henrique Viana
É, uma empresa que na época faturava 7 milhões.
Marcelo
Viva a pandemia. Caraca.
Lucas Ferrugem
Foi engraçado, porque a gente achou que... Porque estourou a pandemia, e a gente tava com um lançamento sobre educação brasileira, não tinha nada a ver com a pandemia, todo mundo só queria saber de pandemia, covid, lockdown, começou aquela coisa...
Marcelo
É a pátria educadora.
Henrique Viana
Um prato educador.
Lucas Ferrugem
E a gente com aquele negócio na mão.
Boleto
É bom.
Lucas Ferrugem
Que porra, a gente tava confiante. Tá bom isso aqui. Calma, ninguém quer saber de educação. Agora não é o momento. Mas era o que a gente tinha. Não tinha mais um mês de caixa pra seguir dali pra frente. A gente, cara, a gente vai ter que lançar isso aí. E, cara, se der errado a gente já voltava a Porto Alegre. Vai recomeçar. Era isso o plano.
Boleto
Montar a banda de novo.
Lucas Ferrugem
Era isso o plano. Já tinha o plano de voltar e começar de novo e tal.
Felipe
A gente tinha o acordo entre nós que a gente não ia parar nunca.
Boleto
Tá, se der errado...
Felipe
A gente voltava, sei lá, os três do zero pra uma salinha e nós íamos continuar fazendo os nossos conteúdos.
Boleto
Que legal.
Marcelo
A gente fez o plano.
Lucas Ferrugem
Deu efeito contrário, o negócio foi o maior recorde na época, sei lá, a gente foi de... A gente tinha 14 mil assinantes na época, foi pra 60 mil assinantes.
Felipe
Naquele ano a gente... Não sei se até mais de 100, não sei.
Lucas Ferrugem
Até o final do ano sim, não, eu digo depois do lançamento do Pátria.
Felipe
O Pátria trouxe uns 60 mil assinantes.
Marcelo
O Pátria Educadora, eu falo direto do Pátria Educadora. Porque ele é um alerta pra você, tá no YouTube ainda, tá? Você pode acompanhar, tá no YouTube, mas se eu fosse você assinava Brasil Paralelo.
Boleto
Lógico, óbvio.
Marcelo
Que tem promoção legal. Tem na minha Google TV, tem na minha Google TV, na minha Philips.
Felipe
Top, top.
Marcelo
Eu tenho uma Philips lá em casa.
Boleto
Ambilight TV.
Marcelo
Ambilight TV eu assisto lá, eu tenho... Vocês demoraram...
Lucas Ferrugem
A versão passando a noite é que é estendida, aí tem mais conteúdo.
Marcelo
Então, se você é assinante, cara, tem filho, principalmente, eu faço esse apelo. Eu tenho amigos que são empreendedores do setor da educação, e vocês não têm noção, aquilo é uma ficha do que acontece nos bastidores. Coisa até de banheiro em escola, daqui a pouco nós vamos entrar nesse... É, eles aparelham os fiscais, então é um negócio aí bem delicado. E acontecendo. né? E você que tem filho, você tem que ficar atento na educação do seu filho.
Boleto
Assista, assista.
Marcelo
Até recentemente, lá na Brasil Paralelo, eu falei um negócio que depois virou, né? Lá no...
Boleto
Na entrevista que você deu.
Marcelo
É, do livro, que eu fiz isso mesmo, né? O livro era bizarro, apareceu na minha mesa.
Felipe
A escola do teu filho, né?
Marcelo
É, apareceu o livro na minha... Sabe o kit? Eu olhei, falei, esse devolvo. Não, não, não, devolve, não vai ver a cor do meu dinheiro. Eu fui lá. Ah, não, mas esse livro vai ser tratado em três matérias, eu falei. Então, quando começar o livro, o meu filho sai de sala de aula. E meu filho, porra, pai, tu me ferrou, eu falei. Passa de ano, você vai sair da sala. Fechou ele? Fechou, pai. Fechou, então. Então tá amarrado aqui, tá selado. Aí, você está fazendo um grande mal pro seu filho, diretor. Eu falei assim, não, eu estou ensinando o que você nunca vai ensinar, coragem. Então, ele vai ter que ter a coragem. E deu certo. Ele vai terminar o terceiro ano, já passou pro Ibemec, agora pro vestibulado no que vem.
Boleto
Aí sim.
Marcelo
Vai ser economista.
Boleto
Bonicão.
Felipe
Vacinado. Vacinado agora.
Marcelo
Vacinado. Assiste a Brasil Paralelo também. Assiste aí, cara. Isso aqui que é importante pra você. Então, assim. É um posicionamento que muitos pais, às vezes, não querem se comprometer. Como teve pais que me ligaram e falaram, assisti sua entrevista na Brasil Paralelo, achei demais a sua postura. Eu falei, e você fez o quê? Obrigado, senhor, não quero. Se você concorda comigo, faço o mesmo com o seu. Se você acha injusto, façam mesmo. Mostre pra ele onde tá o cerne da questão. Onde tá o problema.
Felipe
Muita gente entrou em contato com a gente depois do Pátria Educadora. Relatando. Foram muitos relatos. Teve muito professor. Muito, muito, muito. Professores que ficam em silêncio pra não se incomodar, não sei o que. Se tornaram assinantes da Brasília. Muita gente. Mas muitos pais começaram a entrar em contato, mandar e-mails, etc. e tal, dizendo o seguinte, mais ou menos o seguinte. Depois do documentário, eu não consegui dormir. Fui, peguei os materiais do meu filho, fui... Livros.
Marcelo
Entrou em choque.
Felipe
Pra ver, pra ver se, não é possível, isso não deve ser verdade. Verdade.
Boleto
Constatou que...
Felipe
Os materiais escolares, começaram a investigar, estavam afastados, e aquilo despertou pra passar, acompanhar o que o filho tá... Acredite que
Marcelo
isso foi o que aconteceu comigo também, tá? Quando eu vi o sistema, aquele sistema lá de Brasília, com o MEC, depois a outra, aqui a outra. Meu Deus, aquela rede.
Henrique Viana
É isso que torna tão difícil mexer, mudar, inovar, fazer qualquer coisa. Porque você fala, não, mas então vai entrar um cara agora que eu gosto, vai trocar o ministério, o ministro da educação. Que nada, meu filho. Tem aqui, ele pode até botar, ele pode botar o Rambo no ministro da educação. Porque ali do outro lado da rua vai ter o cara que escolhe quem é o professor, do outro lado vai
Marcelo
ter o cara do esporte, do outro
Henrique Viana
lado vai ter o cara do livro didático, do outro lado... E isso aí pra mexer já é meio difícil, já não é bem assim.
Marcelo
Teve lá o Nader.
Boleto
Ele sozinho não consegue em nada.
Henrique Viana
Oi?
Marcelo
O Bolsonaro colocou um cara fantástico.
Henrique Viana
O Carlos Nadalim na CELF.
Marcelo
Carlos Nadalim na alfabetização.
Henrique Viana
Esse cara é muito legal. A gente entrevistou ele no Pátio Educador.
Marcelo
O Nadalim, maravilhoso. O que ele quer dizer?
Boleto
O que ele falou não tem como.
Marcelo
E hoje tá aí, o Paulo Freire, tem muita gente que gosta.
Henrique Viana
Ele fez coisas muito boas ali pela educação, sendo elas, a proposta mais transformadora era, primeiro, cara, a gente não pode, tem sempre aquele papo, né, que o Brasil é um dos piores nos rankings do Pisa, que mede lá o adolescente. O papo dele era bem óbvio, cara, Os melhores países em educação, eles não medem só lá na frente, né? Eles medem um pouquinho mais atrás, pra gente saber como é que a gente tá indo. Então bota ali um teste no quarto, quinto ano, que é o Pearls, o nome, que é o Paralelo ao Pisa, pra gente começar a medir um pouquinho antes, né? Porque chegar lá...
Lucas Ferrugem
Depois que chegou lá, não tem mais muito pra medir.
Henrique Viana
Chega lá com 15, 16 anos, a gente mede, olha, a gente tá nos últimos lugares do mundo. É, já fez.
Marcelo
É, é uma geração perdida.
Henrique Viana
Bota antes.
Lucas Ferrugem
Vai pro mercado de trabalho agora.
Henrique Viana
E foi o Nadalim, que enquanto... O Nadalim, ele não foi... Tanto que ele não é um político, né? Ele exerceu o cargo durante um tempo, ele a vida inteira se dedicou a esse tema, trabalhou com esse tema, dono de escola e coisa assim. Ele que nos mostrou, basicamente, através de documentação, nos apresentou... Ministro da Educação de Portugal, nos apresentou pessoas importantes disso aí, que a educação que funciona, ela é simples como... Cara, é muito simples. Qual é a teoria para a educação funcionar desses grandes países que viram a mesa da educação e tal? Cara, o governo tem que entrar nas escolas, então tem que ter governo, mas o governo entra com uma coisa muito simples. Ele quer saber se as crianças aprendem a ler 60 palavras por minuto até a quarta série e realizam as quatro operações básicas de matemática sem nenhum obstáculo. Tu conseguiu fazer a criança fazer isso cedo?
Boleto
Valeu.
Henrique Viana
Cara, ela tem base educacional. Ela tá alfabetizada e ela tem base educacional. Todas as outras operações matemáticas que ela normalmente precisa na vida, se não for o Stephen Hawking, vão derivar dessas quatro operações matemáticas.
Boleto
Não tem a dúvida.
Henrique Viana
Todo o aprendizado das outros conteúdos e matérias vai derivar dessa habilidade de leitura e interpretação. Então aquilo ali é meio que o motor do carro.
Felipe
Lembrando que não estamos falando do filho daquela família que tem super condições, que não sei o que tal. Estamos falando de 200 milhões de pessoas. Estamos falando de massa.
Henrique Viana
Isso, isso.
Marcelo
De entrada. Estamos falando na entrada.
Henrique Viana
Educação enquanto sistema de país, né? Não que é para cada indivíduo, mas tipo... Estratégia de país, tem que fazer isso aí.
Marcelo
Eu vi no Brasil Paralelo, eu fiquei em choque, teve uma educadora, uma mulher ligada à educação, não vou lembrar o nome dela agora, foi num programa do Brasil Paralelo que eu assisti, que ela chamou a atenção de uma coisa bizarra, porque parece que o melhor, os melhores alunos hoje do Brasil são de Sobral, no Ceará.
Lucas Ferrugem
Ilona Bexkenhazer, ela participa do Pátria Educadora, Ilona é o nome dela.
Marcelo
Isso. E ela foi em um programa, depois acho que repercuti, não lembro agora exatamente o programa, E ela falou que a USP, porque estavam querendo seguir esse modelo lá de Sobral.
Boleto
Na USP?
Marcelo
Não, não. Modelo de Sobral? Pô, porque que Sobral é tão bom? E foram ver que era um método aplicado lá... Um método bem simples e funcional, porque as melhores notas vinham de Sobral.
Henrique Viana
Método simples e incentivou a prefeitura com aqueles que têm as melhores notas, recebem mais orçamento.
Marcelo
É isso aí.
Henrique Viana
Pronto.
Marcelo
E aí, o pessoal da USP aqui, que vem aqui, foi contra. Ah, porra, não é possível. Por que se é contra uma coisa que tá funcionando, vamos trazer pra cá.
Felipe
Não tudo que funciona.
Henrique Viana
Porque o Pátria Educador explica, cara, o propósito número um. É sério, eu falo com a linguagem deles, eu discordo. O propósito número um da educação é saber pra que tu quer educar, né? É, eu quero educar o meu filho, mas pra quê? Se tu achar que ele tem que ser o cidadão revolucionário, porra, todo programa de educação vai mudar. Se tu achar que ele tem que ser um bom trabalhador, tudo vai mudar. Se tu achar que ele tem que ser, sei lá, católico, todo programa vai mudar. Então tu tem que saber pra quê, qual é a finalidade daquela educação. Então mudou a finalidade, muda tudo que o cara valoriza.
Marcelo
Quer ver uma coisa interessante? Vocês são... Bom, pessoas muito inteligentes, são caras bem formados, de uma classe, acredito, de uma classe média baixa que vocês vieram, não é verdade? Acho que eu não tô sendo incoerente, acho que eu tô tentando aqui entender.
Boleto
É isso aí.
Marcelo
Vocês repararam? Vocês, eu sou um pouco mais velho que vocês, mas ali a gente beira a mesma geração, vamos dizer assim, né?
Henrique Viana
Tu tá na faixa superior da geração e a gente...
Marcelo
É, eu tô na ponta e vocês no rabo do cometa. Repara uma coisa, E hoje isso já mudou no Brasil. Vocês não aprenderam mercado financeiro? Vocês não foram educados? Não teve educação financeira?
Boleto
Nunca. Eu brinco aqui, até hoje eu ponho meu dinheiro na poupança. É o que a gente sempre aprendeu na vida. É o que a gente sempre aprendeu na vida. Põe seu dinheiro na poupança.
Marcelo
Ele saiu da Jovem Pan em 2017, até hoje ele deixou o dinheiro no...
Boleto
Não, no FGTS.
Marcelo
Tirou. Tirou porque enchi o sapato.
Boleto
Não, eu tirei um teclazinho pra roubar o apartamento. Nem sabia que eu tinha dinheiro lá.
Marcelo
Então, só pra você entender, então a gente não tem, mas aí eu acho que houve também o lobby dos bancos, deixa na mão do gerente que ele sabe o que faz, né? A gente tem essa cultura de... Hoje, o meu filho, a minha filha, eles têm aula de educação financeira, mas isso foi uma briga dos pais com as instituições, do tipo, cara, meu filho tem que saber o que é juros, tem que saber o que é inflação, tem que saber o que é bolsa, bolsa era boa. Eu demorei anos, olhava aqueles ON, OM, bolsa, pra mim aquilo era um código criptografado. Aquilo não foi educado na primeira educação. Cara, acho que a primeira educação o cara tem que entender o valor do dinheiro, o que é investimento, isso não é ensinado na escola.
Henrique Viana
Cara, mas desde adolescente...
Marcelo
Na nossa época não foi.
Henrique Viana
Desde adolescente sem nenhuma neuropolítica. A questão é, tem cabimento...
Lucas Ferrugem
Mas pra que a educação financeira quer acumular patrimônio?
Marcelo
Eu acho que esse nem é o viés da coisa só. O viés...
Henrique Viana
No Brasil, 70% é endividado, né, cara?
Marcelo
70% é endividado e não é... Quem controla o sistema no Brasil? São os banqueiros. Você acha que o banqueiro quer entregar para as pessoas a informação?
Boleto
Óbvio que não.
Marcelo
Eu falo assim, deixe o dinheiro comigo, que a gente aqui, o meu profissional...
Boleto
Eu cuido.
Marcelo
Não, todo mundo gosta do gerente do banco. Eu odeio, tá? Nem sei o nome.
Boleto
Vou fazer seu dinheiro render.
Marcelo
Me liga e fala assim, o que você quer? Eu já mando, o que você quer? Tá, eu aprendi uma coisa depois de velho, uma coisa importantíssima que eu acho que vale um documentário, que é chamado custódia. A gente trabalha que nem o Fela da Mãe, a gente rala pra caramba, aí a gente ganha o dinheiro que a gente precisa porque a gente tá ralando. Depois, repara, a gente não sabe o que fazer com ele.
Boleto
Deixa na mão dos outros.
Marcelo
Entrega o seu ouro, aquilo que você suou, virou noite, trabalhou, viajou. E fala, cara, eu preciso fazer uma reserva, porque eu vou ficar velho um dia. Aí você entrega na mão do cara que vai cupinizar. E vai fazer um bônus pra ele do que você ganhou. Pô, é digno o que você trabalhou e o que você ganhou. Porque você precisa guardar. Eu não tive herança. Eu preciso me proteger de uma aposentadoria que não vai existir pra minha geração. Isso é sabido. Não vai ter aposentadoria. Atenção, você que contribui pra Previdência, saiba que você não vai receber. Ou se receber, vai receber menos que um bolo de sua família. Então, sim. A gente precisa se preparar. Então as pessoas precisam entender o que é custódia, é a coisa mais importante. Não adianta trabalhar que nem um corno, filha da mãe, e não saber o que fazer. É um pecado, que eu acho que é uma contribuição interessantíssima que o Barsi tem feito. né? A filha do Bassi, o Fábio, toda a galera. Educar as pessoas pra fazer o que fazer.
Felipe
Eu acho que tá acontecendo, Carioca, assim, a internet, as redes sociais, tá dando espaço pra muita gente boa, na área do empreendedorismo, na área de educação financeira. Tá acontecendo, não é de uma hora pra outra, demora no início também. É um despertar, um despertar, não é tão simples. É isso, vai acontecendo. A gente volta e meia faz alguma coisa nessa área, não é o nosso maior foco, mas volta e meia a gente inclui alguma coisa.
Henrique Viana
Tem muita gente que hoje reclama, né, pô, porque na internet tem muito palpiteiro, tem muita influenciadora, etc e tal, e aí tem gente que atrapalha o mercado, seja qual for o mercado, charlatã, etc. Cara, tu lembra como era antes? Antes era muito pior. Antes tu não podia ver um monte de gente falando...
Felipe
Não tinha escolha.
Henrique Viana
Tu não tinha escolha, tu não tinha poder de escolha, cara.
Boleto
Você ia naquele e acabou.
Henrique Viana
É, tem um programa de TV aqui, com uma revista, ou vai estudar na
Felipe
faculdade... E outra coisa, quando não tem poder de escolha... Existe mais incentivo pra ter charlatão, porque o cara não tem concorrência. Então ele começa a baixar a qualidade do que ele tá entregando e não vai ter... Só tem ele. Hoje em dia, cara, tem espaço pra charlatanismo no cara, mas hoje em dia tem a competição. Então o cara que é bom mesmo, ele vai crescer, em algum momento ele vai crescer, as pessoas vão começar a melhorar e indicar, etc e tal.
Henrique Viana
É, tem espaço pra correção, antes o jornal te falava um negócio que podia ser meio charlatão e não tinha o que tu fazer, hoje em dia o cara fala um negócio meio charlatão, vem cinquenta cara fazendo react do vídeo dele, metendo pau, não sei o que, então pô.
Felipe
É, a gente é um pouco assim, a gente tem assim, quem... Tem alguns setores que se incomodam muito conosco, um deles é academias, acadêmicos, né, o pessoal de mestrado, doutorado, de história, não sei o que.
Marcelo
Tipo quem é você, você não é habilitado para fazer isso.
Henrique Viana
Exato.
Marcelo
É a primeira coisa, é que é de descredibilizar.
Felipe
Revisionismo histórico, não sei o que.
Henrique Viana
A galera que é arrogante o suficiente, porque não é a academia que se incomoda com a gente, é a galera que é arrogante o suficiente pra dizer que eles são uma academia e todo mundo que não concorda com eles não são uma academia.
Marcelo
Qual é a sua bibliografia?
Henrique Viana
Porque assim, ó, são centenas de escolas, a gente tem, sei lá, 20% da nossa base de assinantes, que são 800 mil assinantes, são de professores, centenas de escolas, alunos em todas as universidades do país passando o nosso conteúdo, think tank, os nossos entrevistados, que muitos deles gostam muito da BP, tudo doutorado aqui, lá fora, etc e tal, mas aí esses não contam, esses aí não são academia. A academia é nóis, que não gosta. E se não, não é da academia. Então tem...
Felipe
Não produzem porra nenhuma.
Henrique Viana
Os caras são os arrogantes, entendeu? São os arrogantes.
Boleto
Sim.
Henrique Viana
Tu não concorda comigo, tu não é da academia. Não, mas tá aqui, eu sou doutor. Não, mas não é da academia. Mas eu dei aula durante 20 anos. Não, mas tu não é da academia. Não faz sucesso, cara. Formei 5 mil alunos, agora são sucesso nas redes sociais. A academia é nóis.
Boleto
Tu não é da galera, cê vai pra lá.
Henrique Viana
Tu não é da panela, velho, tu não tá convidado pro churrasco, entendeu?
Felipe
Eu não sei se foi no passado ou no retrasado agora, folhou a memória, a gente mapeou, foram 900 trabalhos, teve um ano, não sei se foi o último, não sei se foi o anterior, eu lembro que foi algo em torno de 900 trabalhos de conclusão citando o Brasil Paralelo. E alguns sobre o Brasil Paralelo. Dessa galera. Ah, máquina de revisionismo, ah... Tem que
Lucas Ferrugem
atualizar esse número, foi faz o quê? Uns 5 anos já isso?
Felipe
Faz um tempo isso aí.
Henrique Viana
Era naquele ano, era naquele ano.
Boleto
Tem que atualizar, é.
Felipe
Não, são milhares, são já, com certeza, milhares.
Marcelo
Bom, vamos fazer o seguinte, Boletá.
Boleto
Uma dica boa pra turma, cara.
Marcelo
Uma dica boa.
Boleto
Presta atenção, cambada.
Marcelo
Você já imaginou, Boletá, pagar apenas uma vez por uma coisa que você costuma pagar todo mês? Mensalidade do seguro do carro, conta de luz, aluguel.
Boleto
Puta, esse filme é muito bom, né, Carica?
Marcelo
Pois é, meu irmão.
Boleto
Puta ideia de gênio.
Marcelo
Pra quem gosta de filme bom, documentário e até audiolivro, eu tenho uma novidade imperdível. Pela primeira vez... pela primeira e última vez na história do Brasil Paralelo. Olha o que os caras liberaram pra você. O acesso vitalício com bônus exclusivos.
Lucas Ferrugem
Vitalício?
Marcelo
Exatamente. Você paga apenas uma vez e dá adeus às mensalidades. É acesso pra sempre ao conteúdo da Brasil Paralelo. Eu já tenho essa situação aí. E ainda com um monte de presentes que parceiros trouxeram pra comemorar, sabe o quê? Os 10 anos da BP.
Boleto
Como assim, cara, deixa eu entender, peraí, uma vez só, tem acesso e é algo que eles já lançaram e que ainda vão lançar isso?
Marcelo
Exatamente, Boletim.
Boleto
Porra, que demais, velho.
Marcelo
Olha só, que já vem coisa gigante nos próximos meses. Presta atenção, Bola, uma animação que conta a história da divina comédia e John Money, um filme que eles gravaram com elenco internacional sobre um experimento científico que pautou o debate sobre o gênero no mundo inteiro.
Boleto
Agora, Carica, se eles já fizeram mais de cem originais em dez anos, cê imagina tudo que eles vão fazer nos próximos anos, irmão?
Marcelo
Exatamente, Boleta.
Boleto
Tá aqui, paróquia, hein?
Marcelo
E quem virar vitalício agora...
Boleto
Fala.
Marcelo
Vai ver tudo isso, sem nunca mais. Eu disse, nunca mais. pagar mensalidade.
Boleto
E com um monte de presentes, certo?
Marcelo
Exatamente, um monte.
Boleto
Olha só, se liga.
Marcelo
São mais de R$2.400,00 em presentes. Assinou, ganhou o boletim.
Boleto
Então você que está assistindo, gente, aproveita essa oportunidade que é única, que o Carioca já me avisou aqui, que vai durar pouco. Aponta a câmera do seu celular para o QR Code aqui na tela, tá? Ou entre em Brasil Paralelo .com.br barra ticaracaticast, carica.
Marcelo
Ou então tem um linkzinho aqui nesse episódio, você entra lá, clica... Você vai
Boleto
pagar uma vez só, irmão.
Marcelo
Você só vai pagar uma vez, irmão. E pra sempre você vai ter na sua casa um conteúdo bom pra você, pra sua esposa, pro seu pai, pra sua mãe, pros seus filhos.
Boleto
Eu vou lançar um negocinho pra aluguel, irmão.
Marcelo
Você paga uma vez. Uma vez na vida.
Boleto
Vai ser bom demais, vai. Pagar uma vez só.
Marcelo
Imagina, você não vai alugar Brasil Paralelo, é como uma casa própria, você só vai comprar.
Felipe
É melhor que casa própria, casa própria você tem que pagar o imposto, senão não paga nada.
Marcelo
Cara, corre, porque daqui a pouco vai ter o tal do split.
Boleto
No mar, cabobeiro, quem custa?
Marcelo
Pode ficar mais caro.
Henrique Viana
Os caras vão te pegar dizendo que é pânico eleitoral.
Marcelo
Você sabe o que é o mais louco? Assine a Brasil Pra Lá. Você sabe o que é o mais louco? O mais louco dessa porra toda é igual aquela... Uma vez eu quebrei o pau com a galera do Black Block, do livro e tal.
Boleto
Quebrou o pau, mandou o cara tomar no cú lá.
Marcelo
Ela falou assim, nós quebramos o Bradesco, símbolo capitalista. A maluca falou, aí eu falei assim, minha filha, quem que é cliente do Bradesco? Pobre? E você acha que o banco vai ficar com esse prejuízo ou ele vai repassar pro pobre os vidros que vocês quebraram? Claro que o cara que paga ali, que recebe o salário pelo Bradesco, vai pagar. Então vocês estão atrapalhando a vida do pobre.
Boleto
Ficou bravo com os black blocker.
Marcelo
Olha, eu só não quebrei a cara do cara que eu peguei o copo d'água, fiz assim, porque eu lembrei dos meus filhos. Eu não quero que meus filhos tenham uma cena de eu batendo numa pessoa. Então foi o que me atropelou.
Boleto
Ficou bravo, irmão.
Marcelo
Puta que pariu. O cara me xingou dentro do meu programa, bicho.
Boleto
Te mandou tomar no cu, caralho.
Marcelo
Vamos ver. Vamos ver.
Boleto
Vai.
Marcelo
Isso é passado, Bola.
Boleto
Hoje eu sou uma pessoa... Hoje você é amigo do Tico Santa Cruz.
Marcelo
Eu sou gratitude, gratiluz.
Boleto
Tico não podia ir na rádio.
Marcelo
Sou gratitude, gratiluz. Vamos ver mais um vídeo aqui do Brasil Paralelo.
Boleto
Um VTzinho, roda aí.
Marcelo
Da Brasil Paralelo. Vamos lá. Quer um? Cadê ela? Pede ela um café.
Felipe
Isso.
Marcelo
Quer café?
Henrique Viana
Não, não, não, chega.
Boleto
Um só.
Marcelo
Isso tá
Boleto
bonito, hein? Puta merda. Caraca velho, brabo isso aí.
Henrique Viana
Muito caro, a gente tá muito entusiasmado.
Marcelo
Em breve o lançamento?
Henrique Viana
Em breve, esse ano.
Marcelo
Esse ano lança a Divina Comédia. Queria que você falasse um pouco desse projeto e o quanto ela é importante pra cultura. da nossa querida população brasileira.
Henrique Viana
Maravilha! Cara, é bom, primeiro, né? Por mais que dispense a apresentação, é bom retomar. A Divina Comédia, mesmo que a gente esteja em tempos de muito hype do Odisseia, a Divina Comédia talvez seja o maior poema da história. Pensa que é um livro que já vendeu 600 milhões de cópias, né? Desde que foi feito. E que é patamar de, porra, O Senhor dos Anéis e coisa assim, né? Que não passa disso. E Divina Comédia é uma história que o Dante Alighieri, o cara que basicamente solidificou o conhecimento da língua italiana, criou a identidade cultural italiana, conta a história do percurso dos infernos até o céu. Então ele se sente perdido no meio da vida. E ele canta que ele vai até o fundo do inferno e depois até o círculo mais alto do céu. E o mais interessante é que ele transforma essa jornada poética, muito bonita, estilística, em uma simbologia, em símbolos que servem pra todas as vidas humanas. Então, é o livro mais importante que tem tudo sobre tudo, digamos assim.
Boleto
E lança esse ano.
Henrique Viana
É, e aí a gente pegou esse livro e um colaborador nosso lá, craque demais, o Azaf, que já virou sócio até, pegou umas férias dele e falou, cara, o meu sonho é fazer esse negócio, deixa eu fazer uns testes aqui com as tecnologias todas que a gente tem disponível agora, de AI, animação, etc. Ele já é bom de animação, de edição.
Boleto
Vamos fazer um teste aqui.
Henrique Viana
E ele fez um testezinho, fez um VTzinho.
Boleto
Pula as puta imagens.
Henrique Viana
Aí ele nos apresentou e a gente perguntou, tá, mas dá pra fazer isso aí? Ele falou, cara, assim, se a gente montar um time aqui, dedicar um time e tal, dá pra fazer. E foi fazendo vários testes, melhorando, melhorando, melhorando. A gente ficou segurando um pouco a divulgação pra ver até onde a gente conseguia ir naquilo. Mas... Ficou muito sólido, o fato é que ficou muito sólido. E a gente decidiu fazer, então... É uma coisa que... É uma história que nunca foi bem adaptada pra cinema, em grande medida pela dificuldade que é adaptar, porque, porra, como é que eu vou fazer o cara aí... Os círculos do inferno, depois ir pro céu e tal, isso aí é um horror, né?
Marcelo
Imagina a direção de arte câmera...
Lucas Ferrugem
É, de uma escala megalomaníaca, hein?
Henrique Viana
Hollywood.
Lucas Ferrugem
Bilhões de dólares.
Henrique Viana
E o Hollywood teve coragem de fazer esse negócio? Se o cara bota 250 milhões no Odisseia pra Hollywood fazer isso aí, cara, vai mais. Vai mais. Então é uma história que a gente carece desse negócio, e da mesma forma que várias tecnologias possibilitaram os filmes que a gente tem hoje, as tecnologias atuais possibilitam os que tem vindouros, né?
Boleto
O negócio, cada imagem tá louca.
Henrique Viana
Então eu sei que tem uma polêmica toda com o uso de AI na arte, porque substitui os artistas, etc. Mas isso também não é o objetivo do produto.
Boleto
Sim.
Henrique Viana
Ele mistura, pô, dubladores importantes, qualidade, refino humano. Muita gente, ele gera muito emprego no mercado artístico.
Felipe
Tem muito artista trabalhando.
Henrique Viana
E ele é um projeto que não daria pra fazer de outra forma também, né? Então, tem que ficar bem claro isso, né? Assim, o único jeito de ver é tendo o auxílio dessa tecnologia, senão não existe esse projeto. Então ele não tá competindo com, sei lá, um documentário lá que tu aperta um botão e agora os caras são de AI falando em vez dos entrevistados. Então é diferente, mas a gente tá muito entusiasmado, tá tendo uma recepção muito boa.
Lucas Ferrugem
E é muito legal, é uma obra de uma riqueza, assim, de interpretações que a gente tira pra nossa vida, porque ele vai explorando os níveis do menos grave até o mais grave no inferno, depois purgatório. A nossa obra, esse filme que vai ser lançado, ele vai se concentrar só no período do inferno, se der certo,
Boleto
talvez a gente vai pra purgatório pro céu.
Lucas Ferrugem
Então ele vai trabalhar vários vícios humanos, o contexto que ele vivia na Itália na época.
Boleto
Se der certo, pode ir preparando já, irmão.
Lucas Ferrugem
É, então, acho que tem muita chance.
Boleto
Já pode ir preparando, porque porra... Então
Lucas Ferrugem
é muito legal, você tá no circo dos luxuriosos e aí qual que é a pena que eles estão recebendo por ter vivido uma vida de extrema luxúria e tudo mais, e aí serve como uma metáfora do como que a vida do luxurioso e como que aquilo ali te coloca em perdição na própria vida de uma certa forma, não só especulando uma vida após a morte, mas na própria vida, como que você se fode com aquilo ali e tal. Aí, sei lá, os avarentos, os... Enfim, todos os níveis...
Henrique Viana
Os gulosos, já que a gente falava...
Boleto
Os gulosos, né?
Lucas Ferrugem
Os gulosos se envolvem pra...
Boleto
Os homens.
Henrique Viana
Os homens tem uma pilha com gulosos.
Lucas Ferrugem
É, porque ele bota eles... Porra, é ruim, é ruim.
Felipe
Embaixo.
Lucas Ferrugem
É ruim.
Boleto
Tá lá embaixo. É um pecado capital, né?
Henrique Viana
Comendo pra sempre.
Boleto
Ah, guloso é um pecado capital.
Lucas Ferrugem
Mastigado por um cachorro gigante.
Henrique Viana
Mastigado por um cachorro.
Lucas Ferrugem
É um negócio ruim. Mas é uma experiência estética absurda, você fica colado no negócio.
Marcelo
Então em breve, na Brasil Paralelo, você vai ver a Divina Comédia.
Henrique Viana
E a gente tá fazendo com o auxílio de professores intelectuais que lêem a obra italiano, que dedicaram a vida fazendo isso pra ter uma curacidade muito forte, o que hoje é um tema.
Lucas Ferrugem
É, pra tentar extrair o máximo significado de cada metáfora e tentar, de algum modo, traduzir isso.
Felipe
A discussão do Odisseia em torno disso, a principal discussão é essa.
Henrique Viana
É, a curacidade.
Marcelo
Se não adaptar bem pra uma animação. Tentar fazer a melhor adaptação da divina comédia.
Boleto
Quanto tempo pra fazer esse...
Henrique Viana
O slogan é o melhor que eu posso.
Marcelo
É, dentro daquilo. Lembra do martelo?
Lucas Ferrugem
O melhor que eu posso.
Boleto
Um inferno pra fazer.
Lucas Ferrugem
Pra fazer 8 meses, talvez.
Boleto
8 meses.
Henrique Viana
Talvez.
Marcelo
Eu sou o rei de... Eu enxaco deles há 10 anos.
Boleto
Eu sei disso.
Marcelo
Eu sou pauteiro.
Boleto
O meu seja bem louco.
Marcelo
E um que eu peço há 10 anos e nunca foi atendido.
Henrique Viana
Qual é?
Marcelo
Pô, vocês esquecem, eu falo com vocês.
Boleto
Não é que deve ser chato pra cacete.
Lucas Ferrugem
Neméias.
Marcelo
Ah, ele sabe.
Lucas Ferrugem
Vai sair, hein?
Henrique Viana
Vai sair.
Lucas Ferrugem
Vai sair. Vai sair.
Marcelo
Vai sair.
Henrique Viana
Ocupou ser um celular.
Marcelo
Aí ó, esse cê tem que me lançar aqui.
Lucas Ferrugem
Pô, segunda-feira te bateu, vamo fazer, vamo fazer. Caraca, porque cê sabe que... Caroca pediu demais, agora foi.
Henrique Viana
Esses caras pedem demais e a gente, assim, já dando a real, o que eu sei do Enéas, que ele tinha uma campanha política muito louca e que ele era um cardiologista muito respeitado, um gênio e tal. É isso que eu sei. Mas fica uma galera vindo assim, pô, cês têm que contar a história do Enéas. Porra, a gente tá numa reunião aqui, história de Enéas é essa, vamos fazer história de Enéas.
Lucas Ferrugem
Vamos pesquisar, vamos descobrir agora.
Marcelo
E o título tem que ser Farol Enéas, porque...
Henrique Viana
Farol Enéas, meio envesado o título, achei.
Marcelo
Não, Farol, ele deu a luz, não tô dizendo que ele tenha sido a...
Boleto
A luz.
Marcelo
Não tô dizendo que ele tenha sido o cara... Por que que eu falo tanto do Enéas? Por que que eu ve... O Enéas, ele em 90... Ele viu 2025.
Lucas Ferrugem
É, é. É impressionante.
Marcelo
Nesse sentido, ele era o cara que era tratado como lunático, tem entrevistas dele maravilhosas.
Boleto
Maravilhosas.
Marcelo
Tipo, falando no Falcão que ele teve uma votação expressiva na primeira loucura dele dos 30, assim, meu nome é Né, sei o quê. E o cara dizia coisas que, naquele momento, você achava que ele era um cara arreassa, alucaça. E ele tava dizendo, gente... É... Isso é assim, por causa disso, por causa disso, por causa daquilo. E era interessante em entrevistas, que aparecem trechos hoje na internet, dos jornalistas... sendo piores do que hoje, colocando rótulos nele, e ele, muito pelo contrário, meu senhor, e ele dizendo com muita clareza, e que naquele momento vendia uma narrativa pra gente, que ele era louco.
Henrique Viana
Eu lembro de um vídeo muito bom, acho que é no Roda Viva, que alguém fala, que ele fala assim, nós não podemos deixar essas pessoas governarem o Brasil, elas não têm educação nenhuma e tal. Aí o cara, o jornalista fala, mas isso não é uma visão de excluir certas classes, etc. Muito pelo contrário, eu tenho um amor fraternal por todas elas, devemos amá-las e fazer tudo que pudermos para elas prosperarem. Mas essas são canalhas.
Marcelo
Não, ele fala do presidente que não é alfabetizado.
Henrique Viana
Ah, ele tem esse trecho também, né?
Marcelo
É, que ele fala, pô, mas... Qualquer concursado tem que estudar horrores para fazer isso aqui. Aí o senhor, me desculpa, mas o senhor, o homem não tem nenhum pra assumir o Brasil, isso deveria ser impedimento!
Henrique Viana
Ih, ele tem razão!
Marcelo
Desculpa! Como é que um presidente da república, não tô aqui sendo diretamente ao atual, mas a qualquer um... Entende? Um presidente da república, no mínimo, ele tem que ter um bacharelado, gente. Não é uma questão de excluir. É questão de... É controlar um país. É muita responsabilidade.
Henrique Viana
Isso é um forçamento grande.
Marcelo
Ah, mas e a democracia? Porra, peraí, cara. Então coloca no Banco do Brasil qualquer cara, então. Não faz concurso. Escolhe a dedo no sorteio. Sorteio da Caixa Econômica Federal pra quem vai trabalhar lá.
Boleto
Pega um frentista, põe lá.
Lucas Ferrugem
Vamos ver quem é o mais carismático aí, a gente bora.
Marcelo
É, a gente faz uma entrevista, não faz sorteio.
Boleto
É, o mais legalzão, o mais legal, legal.
Marcelo
Já que não precisa ter habilidade, vamos fazer por sorteio. A eleição, tá, mas o cara, qual é o currículo? Tem que ter um currículo, não tô dizendo muito ganhar porque tem mais títulos.
Henrique Viana
Mas isso aí a gente faz através, deveria se fazer através da cultura. Era pra, em tese, o sistema era pra funcionar mais ou menos assim, ó, estamos escolhendo o líder.
Boleto
Em tese, você falou bem.
Henrique Viana
Estamos escolhendo o líder do nosso país. É... Vamos, claro que vai ter outras coisas que não são só intelecto, a gente não vai escolher alguém só porque é inteligente, a gente não escolhe nada na vida assim, esse cara é o mais inteligente, o mais inteligente pode ser o filho da mãe, né? A gente vai escolher por valor, por moral, por direção, por missão, o quanto o cara comunica bem isso, mas a gente era pra também botar nesse pote de coisas o quanto esse cara é preparado e capaz de fazer o que eu quero que ele faça, o que ele defende fazer e tal. Mas quanto mais tu deteriora a cultura, menos tu tem esse aspecto, e mais tu tem um populismo de baixíssimo nível, de uma inflação de promessa. Tu promete 10, eu prometo 20. Aí tu promete 30, eu prometo 50. Aí 70 ou 80, né? E aí tu vai leiloando, digamos assim, de uma forma mais ou menos legal, legalizado, mas um leilão, né? Então, um cara fala, pô, eu vou dar 200 reais pra quem é pobre, o outro fala que é 500, o outro fala que é mil, o outro fala que é 1.500, o outro fala que é 5 mil, e é isso aí, a gente vai vendo geração pra geração.
Marcelo
Como é que vocês estão analisando? Eu estou tentando colocar um marco ali no começo de vocês. Eu tenho a sensação de que não só o Brasil Paralelo, mas outros, o Oeste, o Terça Livre, milhares de canais, a Jovem Pan também, todo mundo, a própria Globo News, eu acho que essa diversidade, esse crescimento Absoluto na internet sobre influenciadores, pessoas que falam, que mostram, né? Surgiram grandes nomes. Eu acho, queria saber o que vocês acham nesses últimos 10 anos. O que melhorou? Eu acho que piorou. Porque parece que foi feito o exame, junto com vocês e todos os outros, Foi feito uma ressonância magnética, foi detectado o problema.
Boleto
E não cuidaram.
Marcelo
Não é que não cuidaram, avançou e de uma forma... Vocês fizeram Os Três Poderes, eu me recordo desse episódio.
Felipe
Você já teve uma experiência de descobrir que alguém tava fazendo sacanagem com você? enfim, roubando, sei lá, ou mentindo, alguma coisa assim. Quando você começa a desconfiar, você começa a fazer perguntas, a pessoa percebe que você tá desconfiando, e aí o que ela começa a fazer? Ela começa a ficar nervosa, ela começa a ficar, e aí ela acelera a coisa. Eu acho que o sistema, e ainda nem nomear um ou outro partido, dizer que o sistema, assim, o sistema de incentivos de corrupção, de governar mal, etc e tal, que é operado por vários desses políticos todo aí, pelo presidente atual, etc e tal, esse sistema é isso, ele tava muito confortável, porque ninguém tava percebendo. Eu acho que esses últimos dez anos foram dez anos de despertar de consciência, de educação descentralizada, de acesso ao outro lado da história, etc e tal. Então, é que o diagnóstico que você falou, não é só que a gente descobriu que tinha um problema, mas o causador do problema percebeu que a gente estava descobrindo e ficou nervoso. E aí começam as reações, né? Aumenta o populismo, tem problema de liberdade de expressão, etc.
Henrique Viana
Eu acho que melhorou muito, sendo honesto.
Marcelo
Melhorou?
Henrique Viana
Acho que sim. Sim, claro.
Marcelo
Você está sendo otimista, na minha opinião. É que o que, né?
Felipe
Não sei o que...
Henrique Viana
Não, eu acho que melhorou o seguinte, Qual era a chance de melhorar o Brasil anteriormente? Eu acho que era mais baixa que a atual. Por que eu digo isso? Porque as pessoas tinham um grau de compreensão ainda menor. E aqui eu faço análise de todos os lados. Eu acho que as pessoas estão muito mais conscientes em todas as vertentes políticas do que elas acreditam. Muito mais. Incomparavelmente mais. Estão com muito mais meios de ação. a direita militando e pedindo alguma coisa, até a esquerda querendo cancelar alguém, falar que esse cara não é isso, até todos os influenciadores de direita, todos os web comunistas, as pessoas ganharam possibilidade de falar, de arrecadar pessoas para uma ideia, de botar narrativas diferentes, os políticos acabaram por essa dinâmica toda tecnológica, tendo que falar muito com as pessoas, mais do que antes, não é só a propaganda agora que funciona, o cara tem que falar mais e tal. Então, eu acho que isso dá condição de todo mundo pensar melhor, debater melhor, cobrar mais e fazer tudo isso aí. Agora, sobre os reflexos de que a gente gostaria de ver a coisa ir mais rápido, gostaria de ver a coisa não retroceder e tal, acho que serve pra todo lado que tu tiver de fundo, eu acredito nisso, seria muito ilusório tu achar que tu vai jogar um jogo e outra parte nunca vai responder, né? Então, isso não é possível na humanidade, né? Não tem? Se tu olhar, sei lá, toda a Segunda Guerra Mundial, a gente conta a história como se fosse, não, aí, pô, veio o grande mal nazista e depois a gente respondeu e ganhou. Pô, não foi assim, é o tempo inteiro.
Lucas Ferrugem
Vai e volta, vai e volta, vai
Boleto
e volta, vai e volta, vai e
Lucas Ferrugem
volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai e volta, vai
Felipe
e volta, vai e volta, volta Aí
Lucas Ferrugem
beleza, pô, acho que agora a partir dessa consciência o câncer vai melhorar.
Boleto
Vamos cuidar.
Lucas Ferrugem
É, agora que eu sei ali que talvez tenha alguma coisa estranha, vai começar a melhorar. Não necessariamente, talvez você descobriu só um pedaço, aí o cara vai descobrindo, você vai descobrindo, você vai vendo que o negócio é gigante. Então tem um pouco disso, no final das contas, o grau de consciência das pessoas no Brasil vai aumentando.
Henrique Viana
E vai impondo restrições, cara. E vai impondo restrições, que é o seguinte, antes tu não sabia, por exemplo, se eu me preocupo com os gastos do judiciário. Antes eu nem sabia os gastos do judiciário, nem chegava em mim os gastos do judiciário.
Boleto
Não sabia mesmo, verdade.
Lucas Ferrugem
Não é que era melhor.
Henrique Viana
Então agora tu até pode ficar triste e falar assim, pô, eu como cidadão não queria pagar tanto pros gastos do judiciário. Pode ter essa opinião e eu entendo, ela tá certa. Agora... Pô, gera pelo menos um constrangimento, o cara daqui a pouco um olha pro outro lá e fala assim, cara, eu acho que não é assim que a gente devia fazer, viu, acho que a gente devia pegar mais leve aqui nos gastos disso aqui.
Boleto
Será que gera?
Henrique Viana
Gera, gera, gera, gera. Gera na política, gera na política, porque tu acha que o PT tá endossando tanta operação anti-facção agora por causa da eleição, por causa que essa é uma preocupação das pessoas, por causa que as pessoas estão conscientes do problema, se o cara não fizer essa porra ele não tem voto. Então existe, mesmo nas alas diferentes do teu pensamento, existe uma pressão. Por que o Flávio Bolsonaro alivia todo o discurso que o Jair Bolsonaro deu sobre algumas coisas? Porque ele entende que se ele não fizer isso ele não tem voto. Então pra esquerda também funciona uma certa pressão. Então pra todos os lados funciona. Esse ativismo digital, essa oportunidade de falar, de analisar, etc. Mas os caras estarem mais restritos.
Lucas Ferrugem
Tem que lembrar que começou com a culpa não foi minha, eu votei no Aécio, como se o Aécio fosse resolver os problemas do Brasil.
Henrique Viana
A esperança era que o Aécio Neves resolvesse o Brasil pra direita, porra.
Marcelo
É sinistro, né, cara.
Henrique Viana
Então, cara, acho que...
Marcelo
Agora o Teatro das Tesouras, parabéns a Brasil Paralelo, para esclarecer, assista também Teatro das Tesouras, muito bem produzido, colocando ali os fatos é mostrando em evidências em fatos gente porque a narrativa ela pode até existir mas ela tem que partir dos fatos e os fatos ali ficam bem elucidados e você pode ter a ideia do teatro das tesouras que nós fomos Porque assim, veja, hoje nós temos a possibilidade, vocês tiveram lá, moleque, Porto Alegre, um escritóriozinho e criaram um canal de comunicação e informação. Isso há 20 anos atrás era impossível.
Boleto
Impossível.
Marcelo
Porque eram clãs. Ainda são clãs no Brasil. Tem até um canal também que também tem que parabenizar aí, que tá crescendo e mandando muito bem também em relação a clãs. Eles fizeram um sobre os clãs do Brasil.
Henrique Viana
Ah, o Sportmix, né?
Marcelo
Isso.
Felipe
São muito bons.
Marcelo
Você viu isso aí?
Henrique Viana
Muito bom, muito bom.
Marcelo
Muito bom, cara. Não tão bom quanto o Brasil Paralelo.
Henrique Viana
Não, mas são muito bons.
Marcelo
O texto é maravilhoso, mas acho que falta um pouco mais de produção, mostrar. O Brasil Paralelo não, ela é mais cuidadosa, ela mostra os vídeos, ela mostra a reportagem. Eu acho que ali é muita fala, acho que...
Henrique Viana
Mas o bom da vida é que a gente não precisa escolher na internet, a gente pode ver um depois do outro.
Boleto
Exatamente.
Marcelo
Mas ali a sacada é mostrar, por exemplo, antigamente era o poder da mídia. Ainda é, né? Mas era muito mais... Você tinha três canais de TV, dois jornais... Acontece, olha que loucura, eles fizeram o seguinte cálculo, o Brasil é o seguinte, por os estados, com as capitanias, acho que o grande problema do Brasil são as capitanias, e estão aí até hoje, os coronéis. Então, Maranhão tem a família Sarney, Pernambuco são os comunistas lá, os Arrai, não sei o que lá, Bahia, CM, Goiás, pô, eu vi que é o Caiado, a família do Caiado só manda a 200 anos, 200 anos a família Caiado coordena. E aí todos esses caras de cada estado e esses clãs e esses coronéis se encontram onde? Em Brasília. E juntos eles decidem o que fazer. Só que pra chegar nesse poder eles tem meios de comunicação, eles tinham todo um sistema muito parecido. Os Cascunha Lima na Paraíba, né? Cada estado tem o seu... Os Gomes no Ceará juntamente com o cara lá do Iguatemi, entendeu? Então, cada cara... E lá eles elegem o senador, o deputado, e eles lá se encontram, em Brasília, pra decidir um pouquinho pra cá, um pouquinho pra lá, né? Eu acho que o Brasil, um dos grandes problemas do Brasil hoje, sem sombra de dúvidas, Não tem... Hoje se você fizer assim, você pode ajudar um grande problema do Brasil. Chama-se Senado Federal. É a primeira reforma política. Por quê? Como é que pode? São Paulo tem 40 milhões de pessoas e tem 3 senadores. Aí juntou a Amapá com Rondônia, já tá maior que São Paulo. Pra tomar uma decisão... Ah, isso é um problema. Com 80% da receita.
Felipe
Evidentemente isso é.
Marcelo
Cara, é o Senado. O grande gatilho do problema hoje, do que o cara consegue mudar, é o Senado. Junta Rio Grande do Norte, é Sergipe. Caraca, você é Malcomina, São Paulo, Rio. Porra, 80% da verba, do que produz no Brasil, não tem poder. sobre o país, entendeu?
Felipe
Toda vez que tiver uma narrativa, seja no âmbito do legislativo ali de fazer uma lei, ou do executivo de regular o mercado, não sei o que e tal, toda vez que tiver uma narrativa assim, não, porque não dá pra deixar Não dá pra deixar o São Paulo dominar, porque senão não vai sobrar. Toda vez que tiver uma narrativa de concentrar controle, aquele que concentra controle e decidir qual é a melhor maneira de tocar as coisas, sempre desconfia. Porque esse é um dos problemas, não só do Brasil, mas de muitos países que não prosperam. a capacidade que as pessoas, que a população tem de participar do jogo verdadeiro. Por mais que os Estados Unidos tenha problemas, etc e tal, mas a capacidade que a população americana tem de mobilidade social, qualquer um pode prosperar financeiramente, etc e tal. No Brasil também, mas na prática é mais difícil, por uma série de questões, um sistema que acaba sendo complexo e tal, mas é isso. Então, essas permanências muito longas no poder, elas demonstram que o país, ele tem instituições fechadas. ele tem pouca liberdade. E aí, se mobiliza pouco, cresce pouco, fica os mesmos no poder, fica mais confortável.
Marcelo
Mas a grande trava, a grande trava, você que tá assistindo hoje, nós vivemos hoje sobre o judiciário. Os que mandam no Brasil é o judiciário. E te falo, e te afirmo, como foi o primeiro cara a fazer um movimento muito forte nesse sentido, foi Fernando Henrique Cardoso. Fernando Henrique Cardoso, pode procurar aí que você vai encontrar ele dizendo que a palavra final era o STF, quando o STF eram homens ocultos. Na época dos homens ocultos. Se tem um impasse... No regime militar, uma coisa assim.
Henrique Viana
Cara, a família dele é muito tradicional, mas como todos esses aí...
Marcelo
O avô dele fez alguma coisa.
Henrique Viana
É que nem como o Carioca Fala aí.
Felipe
Mais pra trás ainda lá não quero.
Henrique Viana
Quando tu vai... Quando... A história do Brasil, a gente conhece o político de hoje, né? Aí tu tem a impressão de um cara político ali, presidente da câmara, isso e aquilo. Aí tu pega um livro qualquer, às vezes a gente tá estudando um negócio por qualquer outro motivo, né? Pô, vamos estudar aqui esse negócio do Getúlio Vargas, aí tu olha um sobrenome e fala, mas peraí, esse sobrenome é o mesmo?
Boleto
Ah, já tava, é.
Henrique Viana
É, o meu bisavô, ele era, ele foi senador, e o meu tetravô foi governador, e...
Marcelo
A pergunta que fica do...
Felipe
Ele vai chegar lá no golpe do que tirou o imperador.
Marcelo
Pode buscar, nos últimos 30 anos, desde a redemocratização, a última constituição de 88, todos os presidentes de senado e câmara Veja de onde é. Que aqui nós tivemos a cultura, a política do café com leite na Primeira República. Que era São Paulo e Minas. Que foi quebrado com Getúlio. O cara tá... Obrigado Brasil Paralelo.
Henrique Viana
Tá afiado, hein?
Marcelo
É, mas é estudo, né? Brasil Paralelo, obrigado.
Felipe
Vitalício. É vitalício.
Marcelo
Desde 88 pra cá, se você pegar, você que acompanha, que se interessa, porque tem gente que fala, a política é chata. Não, a política interfere na conta do seu condomínio, velho.
Henrique Viana
E não é chata não, puta novela, né?
Marcelo
É gostoso, tá? Mas se você pegar, é uma análise assim, um insight que eu tive agora. Todos os caras que foram presidente da Câmara e presidente do Senado e do Congresso são dessa turma que eu te falei. Não tem cara daqui de baixo. Pode ver, o presidente do Senado hoje é do Amapá, né? Do Amapá, ó, Colombre. E o outro é da... Não sei se é Paraíba ou Paraíba. A Ugo Mota, não sei se é Pernambuco ou Paraíba. Entende? O anterior foi... Pode ver, nunca é dos estados que eu te falei que produzem mais. Sempre dessa... De ser representante dessa turma que eles criam rodízio ali no Censo de Oliveira. Teve o cara do... Que... Lelua, Costinha, que morreu lá, o veinho, careca. Lembra que ele tinha a lojinha, a cantina e ele tava ganhando dinheiro?
Boleto
Lembra?
Marcelo
O veinho careca, que ele até morreu já. Então é dessa turma que eu tô falando, esses caras hoje dos estados menores tem mais poder Por quê? Porque o orçamento vai o quê? 80% dos estados vai pra União. É isso?
Henrique Viana
Dos estados?
Boleto
É.
Henrique Viana
Eu não sei. Acho que muda de estado pra estado, né? Porque...
Marcelo
Não, não. A União retém, depois dela volta.
Henrique Viana
É porque... É porque vai... Cara, então é que esse rolê é grande. É porque vai por contribuição. Lembra que a gente tava falando da contribuição, né? O Brasil é muito maravilhoso. A Constituição de 88, ela era pra descentralizar o orçamento. Porque eles estavam traumatizados com a ditadura militar, que começou a centralizar tudo. Então a ditadura militar tirou o poder dos estados e municípios e puxou pra eles. E os caras traumatizados com isso aí falaram, cara, a gente vai criar descentralização, impostos vão ser arrecadados.
Marcelo
O Severino Cavalcante, me sopraram aqui.
Henrique Viana
Os impostos vão ser arrecadados localmente nos estados e municípios pra União não centralizar tanto poder e não puder ser policialesca.
Boleto
Perfeito.
Henrique Viana
Beleza. Mas existe, por uma série de teorias, existem algumas coisas que é difícil arrecadar localmente, é mais fácil pegar longitudinal, tipo receita de grande empresa, não sei o que, algumas coisas. Aí criaram a figura, numa outra comissão, criaram a figura da contribuição, que seria impostos amarrados específicos a uma causa, tipo contribuição pra saúde.
Marcelo
É o CPMF.
Henrique Viana
É, o CPMF também foi. Então específico pra uma coisa, né? Então específico, eu vou fazer uma contribuição na União específico pra isso aqui. E o resto arrecada localmente. Pô, arquitetura de primeiro mundo, aí você vai olhar, eu não vou lembrar o número de cabeça, mas dá pra hoje em dia com a Iado, você joga aí, você vai olhar o crescimento das... O que a União entendeu muito rapidamente? A contribuição é o bom. Esse negócio de contribuição é legal. Então eles começaram a aumentar muito o volume dessas contribuições. Quando chegou num determinado ponto, aumentou muito o volume das contribuições. Mas tem um problema ainda. Ela é meio associada a esse custo específico. Eu tenho que gastar esse negócio na saúde. Eu tenho que gastar esse negócio na educação, porque essa era a premissa, lembra? Pra um orçamento específico de política nacional, a gente pega e...
Marcelo
O CPMF, ele surgiu para a saúde, especificamente. Para a saúde, porque descambou rapidamente.
Henrique Viana
Mas, então, o orçamento... Primeiro, cresceu muito a contribuição. A União trazia muito dinheiro. Aí olhou esse negócio e falou, tá, mas ainda tem um problema. A gente não gasta esse dinheiro como a gente quer. Como é que a gente resolve isso aí? Simples, a gente começa a dizer que o resto do orçamento vai colapsar, o governo vai ficar insolvente, se a gente não puder desatrelar a contribuição disso aí. E aí passa isso no Supremo, em 2002, 2003, alguma coisa assim, e aí os caras começam a jogar dinheiro pro outro lado. Então, um negócio que nasceu justamente com uma desculpa, te perdeu a desculpa e ficou muito relevante. Então, quando a gente fala que o dinheiro dos estados e municípios sobe, por isso que eu tô falando disso, é porque, cara, eu não conheço nenhuma conta que seja entendível sobre quanto dinheiro de São Paulo vai pra União e quanto volta. Porque são muitos lugares em que isso acontece. Então, a conta da contribuição usa uma forma de prestar conta, a conta dos repasses usa outra forma, o que vai pra empresa privada usa uma forma, via BNDE, não sei o quê. o que vem via orçamento público, usa outra fórmula.
Marcelo
É claro.
Henrique Viana
E aí, porra, pra fazer...
Marcelo
Eu não sei. O cara pega a previdência.
Henrique Viana
Não é simples entender.
Marcelo
As pessoas já pagam a previdência na fonte, porque quando tem a CLT já paga lá. Aí tem que pegar o orçamento de outro lugar pra cobrir o rombo.
Henrique Viana
E a contribuição previdenciária.
Marcelo
Aí tem a do carro. A do carro, pra mim, é a mais bizarra, que é o IPVA. É coisa mais bizarra, caríssimo, caríssimo, caríssimo, agora não é pra carro, não é pra estrada, não é pra selo pedágio, lembra que era o selo pedágio, velho? Que era pedágio, aí o Estado não conseguia operar aquilo, eu vivi, papai tinha que comprar um selo no carro todo mês, tá?
Boleto
Todo ano.
Marcelo
Todo mês. Todo mês, era 5, 6, 7, 8... Era ano, depois a gente falou... Se a gente pode cobrar 200 por ano, a gente pode cobrar 35 por mês. Todo mês tinha que comprar na banca, velho, o selinho e botar no carro. Você nem lembra a estrada.
Henrique Viana
Era assim que cobrava o IPVA antigamente?
Boleto
O pedágio.
Marcelo
Tinha o IPVA, que era uma coisinha pequenininha, tipo, é o seguro aí, licenciamento, que cobra 80 reais, mas era o selo pedágio.
Boleto
Selo pedágio.
Marcelo
Aí veio o IPVA e o que hoje o banco é o hospital. Se tirar o IPVA de um estado, o estado quebra, já tá quebrado.
Boleto
Então queriam fazer igual os Estados Unidos aqui. Por peso, né?
Henrique Viana
Por peso do carro.
Marcelo
Pô, com blindagem então, que é São Paulo.
Lucas Ferrugem
Mas com o passageiro dentro, o motorista dentro ou sem?
Boleto
Isso é importante.
Marcelo
Vamos ver o último VT aqui da Brasil Paralelo e eu queria que ele explicasse também sobre... que é muito interessante o que vem por aí.
Boleto
Roda, roda.
Marcelo
Dez anos.
Lucas Ferrugem
Foi um acidente.
Marcelo
Chame a urologista.
Boleto
Agora!
Marcelo
Ele está bem?
Felipe
Um casal de Winnipeg quer falar com
Marcelo
você sobre seu filho.
Felipe
O garoto perdeu seu pênis durante uma circuncisão. E ele tem um irmão.
Lucas Ferrugem
Então ele vai ser castigado? É uma palavra assustadora, eu sei.
Henrique Viana
Mas ainda é uma procedura bem drástica, não é?
Lucas Ferrugem
Drástica para os seus níveis e sua forma de pensar, mas não para aqueles que vivem em desespero.
Felipe
Meu bebê.
Marcelo
Mamãe te ama, ok? Tudo bem.
Henrique Viana
Mas mudar o sexo de uma pessoa, não é isso que toca em Deus?
Lucas Ferrugem
Bem, eu pergunto a você, Deus não toca conosco? Eu sei que pode ser um pouco difícil, no começo. Mas nunca deixe ela pensar que ela era um garoto, você mantém isso um segredo.
Henrique Viana
E as implicações éticas.
Marcelo
Amor, estou te dizendo, é um filho. Ele está conduzindo seu experimento em um filho.
Felipe
Tire suas roupas.
Henrique Viana
Sim, mas você conhece o caso dos Twins, certo?
Marcelo
Foi um total sucesso. Não foi um sucesso, foi uma falha
Lucas Ferrugem
e o dinheiro está escondido.
Marcelo
Como você sabe?
Felipe
Pode me ajudar com a minha maquiagem, por favor?
Lucas Ferrugem
Claro.
Marcelo
Ouça-me!
Felipe
Não, não estou fazendo isso! Estou fechado! Pessoal, vocês me mentiram a minha vida inteira.
Boleto
A verdade.
Lucas Ferrugem
A verdade é que não sempre é
Felipe
uma boa ideia contar a verdade.
Marcelo
Por favor, sejam bem-vindos ao Dr. John Manning.
Boleto
Brabo, hein?
Marcelo
Dr. John Money, eu queria que você explicasse um pouco sobre essa produção que foi feita fora do Brasil.
Lucas Ferrugem
Foi feita aqui e fora do Brasil, mas o elenco é todo estrangeiro.
Boleto
Aqui e fora, tudo fora.
Marcelo
Que loucura, vocês fizeram... Oigo vieram pra cá. Oi?
Felipe
Trouxe, trouxe.
Marcelo
Dá um edição a esses caras, explica um pouco dessa história e o porquê dessa produção.
Lucas Ferrugem
Então, 2021, 22, a gente fez um documentário chamado As Grandes Minorias. Falava de várias coisas, entre elas alguns experimentos do século 20 e tal, e a gente descobriu essa história. que até então era inédita pra nós, que é a história de dois gêmeos, né, que contou ali no trailer, que do interior do Canadá, dos anos 60, que um deles foi fazer aquela cirurgia de circuncisão, como a gente faz e tal, aí deu um problema na maquininha lá e pum, um deles perdeu o pênis durante a cirurgia. Os pais ficaram desesperados, não sabiam o que fazer e tudo mais. E na época, quem tava bombando em várias entrevistas e tal, era um intelectual muito respeitado e famoso e tal, era esse tal do John Money. Que ele, basicamente, tinha uma teoria de que gênero, já existiu... Ele que foi o cara que disseminou essa ideia de gênero, que separa o sexo do gênero. Então, existe o sexo masculino e feminino, mas tem o gênero, que é um conceito de como você se sente, uma coisa um pouco mais abstrata, mais ampla. E isso é construído socialmente. O sexo tem pouca influência nisso. Dependendo do jeito que uma pessoa é criada, se ela tem mais estímulos com padrões que a gente entende como femininos, ela vai se identificar com o gênero feminino, se for o contrário e tal. Ele defendia isso, ele tinha uns experimentos que ele fazia com pessoas que nasciam intersexo, que tem um pouco, a gente chama de hermaforoditas e tal, que tem aí um pouco das duas coisas, e na época não sabia dizer o que que era, porque não tinha exame de DNA, não tinha como saber se era cromossomo XY, XX e tal, então tinha que decidir o que que fazia com a pessoa e tal, e aí nos testes dele ele viu que independente de qual gênero você escolhia no conceito dele, você, adotando determinado padrão de comportamento, você conseguia fazer a pessoa se identificar com o gênero dela e se desenvolver normalmente. Então, só que ele começou a querer expandir isso. Ele queria dizer que, na verdade, isso era pra qualquer pessoa, independente de ela ter nascido nessa condição específica. Qualquer pessoa, se você condicioná-la em determinado jeito... Teoria da tábua rasa, aquela coisa, né? E aí, os pais assistem uma entrevista desse médico na televisão, Aí ele até mostra uma pessoa que transicionou para outro gênero, para outro sexo e tal. A gente confunde, é complexo. É... E aí, ele... Segundo essa entrevista, ele disse que isso é um procedimento muito tranquilo, deu muito certo, que ele tem muita confiança, é um cara que falava com muita confiança e tal, um cara que transmitia uma certa credibilidade. E os pais ficam mexidos com aquilo, talvez seja essa a solução, porque eles estavam desesperados, procurando tudo que é mérito...
Boleto
Como ele já perdeu o pênis, mudar o gênero. Exato.
Lucas Ferrugem
Na cabeça deles é, talvez ele pode crescer como uma pessoa normal e tal, não vai saber que teve esse problema. E aí eles procuram esse médico, e aí eles ficam receosos. No início, o médico... pro médico era uma baita oportunidade, porque ele começou a ser criticado, aí tem um arqui-inimigo dele, que a gente vê na história aí, que é o Milton Daimon, que ele era um especialista em biologia, um biólogo e tal. E ele, por experimentos que ele fazia com animais e com ingestão de testosterona de fêmeas no útero ainda da mãe, Ele descobria que independente de qual que era o padrão e estímulos que ele dava, chegava um momento que aquilo começava a aparecer e aí... o nível de hormônio que ele recebeu ainda dentro da barriga da mãe acabava predominando, independente de como que você crie e tal. Então, ele era um cara que tentava refutar o Manny e publicava coisas e começou a confrontar ele em diversos momentos e o Manny precisava... Porque ele dizia assim, cara, isso aí pode até funcionar pra esses casos específicos de intersexo que teve uma questão hormonal diferente ali, quando tava na barriga da mãe e tal. E aí ele dobrava aposta, era aquele cara que não aceitava, muito orgulhoso, não aceitava que estava errado, nunca, e sempre dobrava aposta.
Marcelo
Eu conheço um cara ali no Brasil, na República atualmente, que tá bem parecido.
Lucas Ferrugem
Quanto mais ele é apertado, mais ele dobra a poça. É isso aí. Então, esse cara fazia isso. É, sem cabelo. E aí, fazendo isso, ele viu nessa família uma oportunidade, porque aqui é um caso de uma pessoa que nasceu numa condição normal.
Boleto
Uma condição acidente.
Lucas Ferrugem
Que os pais estão meio dispostos a fazer essa loucura, que ninguém ia topar em condições normais. Então vai ser a comprovação da minha teoria. E aí, ele convence os pais a fazer, ele faz uma cirurgia inicial lá, que a criança é castrada e tudo mais. E assim, os pais e com consultas com ele e tal, ele era psicólogo, começa a tentar... Primeiro, ele não pode nunca saber que isso aconteceu pra dar certo, na teoria dele. E ele tem que ficar recebendo diversos estímulos e tal. Então, os pais começam a fazer esse experimento com o próprio filho, né, por influência do Manny. E começa a dar terrivelmente errado. No início parece que vai dar certo, mas depois começa a dar errado. A criança fica toda esquisita e não se entende, não se encontra. Começa a ser uma... A família toda começa a se pedaçar em cima dessa mentira, porque uma mentira vai demandando outra mentira, aí você vai vendo...
Felipe
Eu já menti pro teu filho isso, assim, por anos.
Marcelo
Se você olha no detalhe, é bem dramático.
Boleto
É baseado em fotos reais.
Lucas Ferrugem
É baseado em fotos reais, história real, super bem documentada.
Marcelo
É bem dramático, é bem dramático.
Lucas Ferrugem
Super bem documentada, aconteceu nos anos 60 e explodiu no final dos anos 90. Só que durante todo esse período, mesmo o negócio dando errado, ele ficou publicando que tava dando certo. Então, ele publicava que era um sucesso e tal.
Boleto
Publicou uma mentira.
Lucas Ferrugem
Publicou uma mentira e isso repercutiu muito.
Felipe
Porque foi bem na hora... Incentivou a
Lucas Ferrugem
galera a fazer... Incentivou, porque foi bem na hora que começou todos os movimentos de questionar. Daí você tem um pouco do movimento feminista, de certa forma, tentando vender a ideia de que tudo é uma construção social, porque é sociedade patriarcal, que impõe determinadas costumes, determinadas coisas e tal. Então, isso era conveniente pra essas coisas. Isso, de certa forma, fundou muito do debate que se tem, essa coisa de gênero, ideologia de gênero, que chame como queira chamar, ou até mesmo do feminismo, é... baseado nesse negócio que no fim das contas, deu totalmente errado, é uma prova contrária. Que isso acabou vindo a público, depois nos anos... final dos anos 90, que deu tudo errado, a família se despedaçou por completo, chegou o momento que eles decidem contar e tal, não vou falar muito pra não dar... vem com a história real, se você botar na internet você vai ver.
Marcelo
Pra não dar spoiler.
Lucas Ferrugem
É. E, enfim, pra resumir a ópera, eles vão a público, expõem e tal. O money é exposto, mas no fim das contas, a história não ganha tanta repercussão. Mesmo eles indo na ópera, na época, saiu três documentários na BBC ou quatro, saiu um monte de artigos, saiu livros, saiu um monte de coisa. Na época o negócio deu uma chacoalhada, mas foi morrendo, ninguém mais quis repercutir muito. Até teve uma série ou outra de televisão que fez um negócio inspirado, depois tiraram do ar e tal. Então ficou essa coisa. Uma verdade meio inconveniente e tudo mais, mas que ao mesmo tempo tem muita riqueza ali nessa história, e a gente viu isso em 2000, voltando lá pro início, voltando em 2021, por aí. E a gente, cara, isso aqui é muito potente, só que, cara, isso precisa ser contado num filme, como é que
Henrique Viana
ninguém fez um filme desse negócio?
Boleto
Verdade mesmo, pô.
Lucas Ferrugem
E a gente, porque a história toda, ela tem todo o arco, cara, tudo que você precisa pra contar uma boa história tem ali. E aí a gente, cara, a gente não tinha a menor condição de fazer um filme na época, a gente tava ali aprendendo a fazer documentário e tal. A gente, ah, um dia alguém tem que fazer. Um dia alguém tem que fazer. Não, um dia alguém tem que fazer, nem contava muito que ia dar. E aí 2025, agora a gente conseguiu fazer a nossa primeira ficção, que foi O Senhor do Diabo. Deu certo pra caramba, o público aprovou pra caramba. Parou de pé financeiramente, deu super certo também. E aí nos deu um fôlego pra começar a investir em mais ficções, que sempre foi um sonho e um pouco do que a gente acredita que mais consegue... Que bom, né?
Marcelo
Porque tentaram fazer um filme e ligaram pra um cara errado, né?
Lucas Ferrugem
Pois é, teve essa história.
Marcelo
Mal financiamento aí, que não deu muito certo.
Boleto
Não deu certo.
Marcelo
É, tentaram copiar vocês aí de fazer uma produção fora, né? Deram a ligada aí pro financiador um pouco, contanto quanto controverso, né? É, acontece. Então, quando é que vai lançar?
Boleto
Esse ano lançou também, né?
Lucas Ferrugem
Não, não lançou. A gente ainda tá pra fechar a data. ou esse ano, ou o iniciozinho do ano que vem.
Felipe
É porque esse filme, é aqui que entram as ambições, né? O primeiro filme, O Eficiente do Diabo, já foi um salto enorme. O investimento do filme, apesar de ser muito mais barato do que normalmente se gasta pra fazer filme, porque nosso dinheiro, feito em casa, é eficiente, etc.
Marcelo
É prova de que a Ruanete é desnecessária, basta competência, não é verdade? Vamos combinar aqui?
Felipe
Eu acho que não é que prova que não serve pra nada, mas prova que dá pra fazer sem. Prova que se você fizer um trabalho que o público aprove muito e você tiver um bom modelo de negócio, você pode ser lucrativo. Não quer dizer que não precisa, que
Marcelo
não possa ajudar... Lei do audiovisual, vocês usaram ou não?
Felipe
Zero, não, zero.
Marcelo
Zero, tá entendendo aí, galera?
Felipe
Oficina do Diabo, primeiro filme, 100% financiamento nosso.
Marcelo
Eu não acho a lei do audiovisual de todo ruim.
Felipe
Ela não é ruim.
Marcelo
Porque você sabe a proposta, como é que funciona? A lei do audiovisual é 3% de cada tela vendida, de celulares, televisores, de o que é vendido, eletro, eletrônico, tem tela, exibição, esse dinheiro vai pra esse fundo. É, vai pra esse fundo porque as pessoas consomem sem poder pagar.
Felipe
Mas as deduções são mais legais ainda, né? O pagador de imposto é quem decide pra quem ele vai direcionar aquele imposto que ele pagaria. Então é interessante, o problema é Não
Marcelo
é feito, não funciona.
Boleto
que...
Felipe
Mas enfim, a gente sempre defendeu essa ideia de que se nós fizermos um produto de qualidade que realmente gere valor na vida das pessoas, vai se encontrar uma forma de isso parar de pé. E quando a gente sempre teve essa teoria, E a gente foi comprovando isso com documentários, mas volta e meia alguém falava, é, mas filme é diferente, porque filme... E a gente até achava isso mesmo, na época, né? Filme é diferente.
Lucas Ferrugem
É muito mais difícil, realmente. E é muito mais difícil. Você fica ali, sei lá, dois anos produzindo mais, três.
Marcelo
Ou seja, tem uma coisa que é muito mais caro.
Lucas Ferrugem
Começou, foi retrasado.
Felipe
Os dois deram um ano de produção,
Boleto
mais ou menos, né? Um ano.
Felipe
Tanto o John Money quanto o Oficina.
Lucas Ferrugem
É, a gente começou a dar concepção ali, foi final de 2024. E daí, ele se desenvolveu mesmo ao longo dos dois mil e vinte e cinco. E daí, ele ficou pronto agora.
Marcelo
Teve o do Frangio, só que bocou pra caramba lá. O filme é caro.
Felipe
O filme é caro, o filme é caro. E aí, faz o primeiro, aí começa, vamos investir em filme, começa a investir em filme, e aí, por que não fazer um internacional americano, com ator americano, que daí a gente consegue lançar no mundo inteiro. Pô, mas... né?
Lucas Ferrugem
Mas isso até foi um negócio que veio depois, porque no fim, a gente achava que essa história era muito poderosa, era importante, era relevante ser contada e as pessoas iam se conectar e tudo mais. Só que aí a gente falou, cara, mas pô, a história aconteceu no Canadá. Então, Estados Unidos, Canadá, e ainda nos anos 60, negócio de época, fora do Brasil, e essa história não faz sentido no Brasil. Adaptar essa história pro Brasil, o tipo de debate que tava acontecendo, o tipo de contexto... Só faz sentido se a gente contextualizar lá.
Marcelo
Mas vocês vão vender pro mundo inteiro?
Lucas Ferrugem
A gente consegue operar bem o mercado aqui no Brasil, já fez a sua primeira ficção, deu certo, tem uma galera aqui de confiança que a gente trabalha junto e tudo mais. E muito desse filme é cena interna, é escritório, é sala de aula, é a própria casa, então a gente pode reconstruir várias dessas coisas. Até pra ficar coerente que é um filme de época, então dificilmente a gente encontraria locações específicas pra fazer isso. Então a gente consegue concentrar uma boa parte da produção aqui com a galera operando do jeito que a gente já domina. E aí a gente faz só as externas nos Estados Unidos. Aí eu fui pra lá, a gente foi pra lá no início do ano passado e conheci um produtor de casting lá muito bom, o cara conseguiu um elenco muito bom, um cara talentosíssimo assim.
Marcelo
Da onde? Da onde?
Lucas Ferrugem
A maioria de Los Angeles.
Marcelo
É ali, não tem jeito, é ali. Igual o Rio pra fazer dramaturgia também. O Rio tem a galera lá pra fazer. Os profissionais, né, que... É uma indústria, como se fosse um...
Lucas Ferrugem
É ali, é ali.
Marcelo
Tem pra todos os gostos, pra muito caro, pra médio, pra muito... Tem isso.
Lucas Ferrugem
Foi muito legal, cara. Veio muita gente boa, assim, foi uma experiência espetacular. E aí a gente trouxe, cara, foram 25 americanos que a gente trouxe pro cara, o cara passando quase três meses aqui filmando.
Boleto
É mesmo.
Lucas Ferrugem
Foi uma doideira, cara. Ano passado, e aí no finalzinho, nas últimas duas semanas, a gente foi pro Canadá pra fazer as externas lá e as coisas que tinham que ser lá e tal, né? E aí, é isso, cara. O filme tá espetacular, assim.
Marcelo
Então tá bom, em breve no Brasil Paralelo.
Boleto
Lembre você, amigo, tem a oferta, a maior oferta da história do Brasil Paralelo.
Marcelo
Paga uma vez só pra sempre. Você vai ter Brasil Paralelo pra sempre na sua casa.
Boleto
Acesso vitalício liberado. O QR Code tá aí no marca bobeira.
Marcelo
E link na descrição.
Boleto
Vai lá.
Marcelo
Vai lá. Aproveite essa oportunidade que o QR Code tá aqui.
Boleto
Vai lá.
Henrique Viana
Vai lá.
Boleto
Depois acaba se se lasca. Vai lá.
Marcelo
Vamos pro Superchat boletar.
Boleto
Bora, irmão.
Marcelo
Vamos lá. Dez anos de Brasil paralelo aqui.
Lucas Ferrugem
A Bolsonaro. Muito
Boleto
obrigado, Sandrão. Valeu, irmão.
Marcelo
Abraço com a voz. É porque aqui é a nossa IA. Nós temos uma plataforma agora. Você escolhe a voz da pessoa que vai falar.
Henrique Viana
Entendeu?
Felipe
O cara que manda é verdadeiro.
Marcelo
Ou ele pode mandar em áudio ou ele escolhe na IA a voz.
Boleto
Ele escreve e escolhe a voz.
Marcelo
Você viu que a sua voz está um pouco presa? É a voz do Bolsonaro, vocês perceberam que é.
Boleto
Vamos pro próximo.
Marcelo
Pouco presa. Uma voz caseira, né? Vamos lá.
Lucas Ferrugem
Leandro Dures enviou uma mensagem.
Marcelo
A desigualdade no Brasil vai aumentar exponencialmente. O filho da pátria educadora vai trabalhar em subemprego.
Lucas Ferrugem
Quem estudou bem vai ganhar muito.
Marcelo
Não vai ter meio termo. Parabéns, BP, pela excelência do trabalho.
Boleto
Chupa, Globo! Quem mandou? Leandro.
Marcelo
Leandro. Essa voz é o vinheteiro. É a voz do vinheteiro. Eu acho que é essa do vinheteiro.
Boleto
Tem mais aí?
Marcelo
Tem mais um aqui.
Boleto
Vamos lá.
Marcelo
Vamos ver quem ele escolheu pra ser a voz. Gustavo Abad enviou uma mensagem. Padrão. Sou um pai homeschooler do RS. Fico feliz de ver a galera do BP falando em educação. Abraço a todos. Família Abad.
Boleto
Boa, boa família. Obrigado.
Marcelo
Faz home school, né? Que é um tema também espinhoso.
Lucas Ferrugem
Eu admiro, tem que ter coragem.
Felipe
E não era pra ser, né? Se tornou uma coisa espinhosa, mas é uma coisa que não era pra ser.
Marcelo
É, porque é difícil também, né? Porque o homeschooling, ele é muito bom por um lado, mas também, eu acho que a escola, pra uma criança, a escola, o movimento, o ambiente, obrigado Bola por ter feito essa colocação, é uma... um embrião do mercado de trabalho, né? Que você vai ter um amigo filha da puta, você vai ter um cara
Boleto
que vai... Sim, vai dar conhecimento...
Lucas Ferrugem
Mas até aí...
Marcelo
Ele é um projeto emocional, né?
Felipe
Inteligência emocional. Mas até aí, diz que são saudáveis. E a pessoa escolhe o que ela quer ou não quer. Pode ter um que defende, outro que não defende.
Lucas Ferrugem
A liberdade.
Felipe
Agora, quando a discussão começa assim, eu acho que tem que ser proibido. O que você tem na cabeça? Essa... Discussão em relação a liberdade, discussão moral em relação a se o Estado tem que proibir uma família de educar seu filho. É isso aí.
Marcelo
Bom, eu queria agradecer e parabenizar Felipe.
Boleto
Dez anos, parabéns.
Marcelo
Que tá fazendo falta nas locução, não quer mais trabalhar de locutor no Brasil Paraná. Virou vagabundo, não quer mais ir pra cabine. Cara, é engraçado, eu ouvi a voz dele, ele foi a voz de quase todos os documentários, então...
Lucas Ferrugem
Eu tô voltando, de vez em quando eu faço. Agora, antes de vir pra cá, eu tava gravando um.
Marcelo
Tá aí, garoto. Precisamos mais da sua locução, que é muito boa. Tá, na Brasil Paralelo. Eu adoro, também queria falar do Primeira Arte, dizer que pra você assistir, que pra mim é um primor de documentário.
Boleto
O El Salvador, que é bom demais.
Marcelo
Acho que foi a primeira grande produção de vocês, assim, com muito cuidado, né? pra tanta gente que gosta de música, é sobre a redução. Primeira arte é do caralho, é assim...
Lucas Ferrugem
Aquele primeiro episódio é de chorar, né?
Marcelo
Não, é sensacional. Vocês pegaram o maestro lá pra explicar. É a coisa da redução, né? É impressionante como a música vira um beat e tal. Então, se você quer entender, fala assim, pô, música antiga era muito melhor, hoje é uma merda. Vai lá, põe a Cine Brasil Paralelo, assiste lá. Primeira arte. São três episódios, é isso?
Lucas Ferrugem
São três episódios.
Marcelo
São três episódios, um primor, Uma produção maravilhosa. Também tem muita gente que gosta do Natal, que vocês fazem.
Felipe
Especial de Natal.
Marcelo
Especial de Natal do Brasil para o ano também já é.
Boleto
Eu gosto muito do Rio de Janeiro, Cidade em Chamas, muito bom. Adoro.
Marcelo
Bom também.
Lucas Ferrugem
Bom.
Marcelo
Mas o Primeira Arte é um primor. Então assim, se você gosta de música, quer entender um pouco do conceito, do que é. Porque a gente ouve falar de música, mas entender a matemática, tá tudo lá. Então pra você ter um entendimento do que tá acontecendo com a música, que é a primeira arte, tá lá. Primeira arte na Brasil Paralelo, mais do que recomendado, é um dever. pra você que gosta de música, é um respeito à música e é feito de uma forma assim, bem... é o melhor documentário sobre música que eu já vi, sobre música, não um estilo, um cantor, um artista, não, sobre o conceito da arte música, muito legal. Muito obrigado, Valerim, parabéns pelos 10 anos.
Lucas Ferrugem
Obrigado pelo espaço.
Boleto
Obrigado, você convidou a nós pra festa de 10 anos.
Marcelo
Isso aí, Henrique Viana, Lucas Ferrugem, Né? Monjaradaço aí. Nosso amigo... Viriu! Patrocínio Lily.
Boleto
Nosso Pablo Escobar.
Henrique Viana
Patrocínio Lily. Tu já viu como é que a Lily tem feito propaganda?
Marcelo
Eu vi, cara.
Henrique Viana
Porra, tá bom demais, né? Eu tô no aeroporto esses dias... Com a fita métrica. Eu tô no aeroporto esses dias, vejo uma frase enorme, sem nenhum produto divulgado.
Marcelo
É.
Boleto
Tem problemas.
Henrique Viana
A culpa não é sua.
Marcelo
A culpa não.
Felipe
Nossa, é sério?
Marcelo
Aí eu olhei assim... Com a fita métrica assim, né?
Henrique Viana
Aí eu olhei, que porra é essa? Aí eu olhei embaixo, assim, a marca do Monjara.
Boleto
O Lily.
Henrique Viana
Só isso, só botando no inconsciente, só fazendo inception de que a culpa não é sua, só isso. Só isso, propaganda.
Felipe
Porra, do mal, hein?
Henrique Viana
Achei meio distópico, cara.
Felipe
Meio do mal.
Marcelo
A culpa não é sua, tá?
Henrique Viana
A culpa não é sua é fogo, né?
Felipe
Tá. Do mal.
Henrique Viana
Só isso. Não, e assim, ó, por algum motivo, não sei se tem alguma regulação, alguma coisa, mas não tem, assim, nenhuma menção ao produto.
Boleto
Não, é.
Marcelo
Não, tá claro, né? É porque fala com quem compra.
Felipe
Quem precisa sabe.
Marcelo
Isso aqui é um anúncio dirigido.
Henrique Viana
Os caras devem ter feito, não sei disso, mas estou supondo, os caras devem ter feito um estudo pensando assim, cara, o cara que precisa disso aqui, quando ele lê isso aqui, ele já fica enganado.
Boleto
Já vai, já vai, na hora.
Marcelo
Ele vai na farmácia e já compra.
Boleto
A culpa não é minha, cacete.
Marcelo
E tem uma dica pra comprar agora. Uma dica boa pra rodar.
Boleto
Mas precisa ter a bala, hein?
Felipe
É, tá caro.
Boleto
Que o tal do Monjar é caro, hein? Tá caro, caro. Comprei um, comprei um.
Marcelo
Comprei um, comprei um. Tô chorando. Comprei um, comprei um. Não, mas é meu último mês, se Deus quiser. É aplicativo, tá? Não compra na farmácia, não. Vai na farmácia, compra pelo aplicativo, você ganha cem reais de desconto.
Boleto
Tem promoção, né? Olha aí.
Marcelo
Sabia dessa?
Felipe
Sem pau, né?
Marcelo
Pô, é bom desconto, né? Belo desconto, cemzão, dá pra tomar uma cerveja.
Boleto
Você só paga quatro e oitocentos.
Henrique Viana
O cara tomando Monjaro e pegando cashback pra comprar cerveja.
Marcelo
Sem álcool e sem glúten, tá? Mas cara, parabéns aí pelo trabalho que vocês fazem. Vocês fizeram uma revolução, vocês abriram caminho pra muita gente, vocês profissionalizaram, vocês cresceram, vocês foram acho que muito além do imaginável.
Boleto
Então cada vez melhor, né? Impressionante.
Marcelo
Pô, que bom que a Apple, né? Demorou, mas chegou, né? Vocês sabem do que eu tô falando de poder baixar na Apple Store, né? Demorou quantos anos pra isso acontecer?
Felipe
Demorou bastante tempo. Tem que ganhar dinheiro pra poder investir na tecnologia.
Marcelo
É, eu lembro que...
Lucas Ferrugem
Os caras são complicados, os caras são complicados.
Marcelo
É, não, veja bem, vocês receberam muitas perseguições também, né?
Lucas Ferrugem
Não, e a gente já fez o tecnológico mesmo ali pra... Contratar engenheiro de
Felipe
software não é barato, né?
Marcelo
É, mas hoje com a IAR fica esperto, aí depois passa o Adapta aí pra vocês.
Boleto
Boa. Boa.
Felipe
É.
Marcelo
Então, parabéns, tá? Eu não poderia estar segunda-feira, porque eu tô gravando exatamente nesse horário.
Boleto
No dia.
Marcelo
Exatamente no horário, eu tô gravando. Mas eu queria muito... É do lado da minha casa. Onde vocês vão fazer?
Henrique Viana
Do lado.
Boleto
Você tem a jovem empanha.
Marcelo
Do lado. Até que hora vai ficar?
Felipe
Vai lá, a hora que terminar.
Marcelo
Não, até que hora que vai ficar?
Henrique Viana
Nós vamos ficar, nós vamos dar o pulo lá.
Marcelo
Eu vou estar...
Boleto
Não sei.
Lucas Ferrugem
Aquele pico...
Marcelo
Eu chego em casa meia noite, não vai dar, eu chego em casa meia noite, é, não vai dar.
Lucas Ferrugem
Vai ser ruim. Mas já valeu aqui, aqui a gente já tá comemorando de uma certa forma.
Marcelo
Então parabéns por 10 anos, que vocês prosperem cada vez mais. Você, que tá do outro lado, ter a consciência de que você tá, é... assinando um conteúdo importante pra tua família, entende? Pra você, pra tua família, porque o grande, a grande mudança... Se você está inconformado com os absurdos que você está vendo aí, é na cultura, é no estudo, é no filme, é na arte, é na cultura. Então, Brasil Paralelo já há 10 anos comemorando com muito êxito, mostrando a força que o Brasil tem de mudar pela cultura e você financia, é você, entendeu? Não adianta você pagar coisas que vão desvirtuar. coisas que você acredita, se você acha que é bacana Brasil Paralelo, ela tem esse cuidado com a isenção. Tem esse cuidado em, olha, veja bem, aqui existe uma outra versão, olha isso aqui. Então é interessante, não estou dizendo para você só Brasil Paralelo, não, ela também faz parte de um contexto, então é importante ter esse posicionamento. Está aqui, é isso aqui, isso aqui também existe essa versão. Então tem história do Brasil, Brasil Império, dezenas de produtos maravilhosos, eu quero que você vai se desfrutar Não só com entretenimento barato, é um entretenimento que vai trazer valores e conhecimento pra você.
Boleto
E aproveita agora que é vitalício, Carioca.
Marcelo
Exatamente, oportunidade pra você que recorde naquela link na descrição.
Henrique Viana
É que tem lá, o é o
Boleto
que vai vir, você vai ver tudo, irmão.
Marcelo
Eu sou fã. Manda um abraço pro Renato Dias lá, que é um programa... A Carta das Amigas é muito legal, tá? Eu ia até fazer um lance com vocês, mas a minha agenda não bateu, mas eu queria ter feito... Cara, como eu queria ter feito?
Henrique Viana
Ia ser bom aquela ideia?
Marcelo
Eu era boa aquela ideia. Eu ia ser um destempero. Eu ia dar merda, mas uma merda boa. Não acredito.
Henrique Viana
Foi exatamente assim que a gente já foi olhar na reunião, quando a ideia veio. Falei, puta, vai dar merda.
Marcelo
Isso aqui não vai ser uma merda boa. É uma merda boa. Problema bom. Problema bom. Mas estou aberto.
Lucas Ferrugem
Quem sabe ainda não rola agora.
Marcelo
Claro, tô dentro. Conte comigo, conte comigo. Vamos tentar encaixar a data. Faço muita questão de encontrá-los pessoalmente e deles olharem já com um olhar assim, pô, humorista é complicado. Não sabe de onde vem a porrada, né?
Boleto
Não sabe se tá brincando.
Marcelo
Você já entra no psicológico do cara antes de começar e isso é muito bom. Você já desestabiliza antes. Galera, valeu. Amanhã estaremos aqui de volta, né, Boletim?
Boleto
14 horas, César, Menotti e Fabiano.
Marcelo
Boa! César, Menotti e Fabiano aqui amanhã.
Henrique Viana
Boa!
Boleto
Amanhã, show de bola.
Marcelo
Duas da tarde esperando vocês.
Boleto
Obrigado, beijo, até amanhã. Valeu.
Neste episódio especial, Bola e Carioca recebem Henrique Viana, Lucas Ferrugem e Felipe Valerim, fundadores da Brasil Paralelo, para celebrar os 10 anos da plataforma. A conversa descontraída e recheada de humor mergulha na história de empreendedorismo, nos bastidores do conteúdo produzido, nos entraves da cultura nacional e da política, além de trazer reflexões sinceras sobre mídia, educação, história e inovação dentro do cenário brasileiro.
“Não era uma identidade na época. Era mais uma revolta com o discurso que estava rolando.” – Henrique Viana [21:14]
“Como é que faz? Se eu quero que seja de graça pra impactar as pessoas, mas eu também preciso vender o conteúdo?” – Felipe
“Depois do documentário, não consegui dormir. Fui pegar os materiais do meu filho...” – Felipe
“O Pedro Álvares Cabral chega no Brasil... o cara era grão-mestre da Ordem de Cristo... é a antiga Ordem dos Templários.” – Felipe [55:10]
“Começa a criar toda uma teoria, então imagina, os caras mais do mal do mundo, a gente faz fake news por dinheiro...” – Felipe
“Eu acho que melhorou muito, sendo honesto.” – Henrique Viana
“A galera que é arrogante o suficiente pra dizer que eles são a academia e todo mundo que não concorda com eles não é academia.” – Henrique Viana
“A Divina Comédia talvez seja o maior poema da história... é uma simbologia para todas as vidas humanas.” – Henrique Viana [83:52]
“A história de dois gêmeos... um deles perde o pênis durante uma cirurgia de circuncisão... o médico propõe mudança de gênero – tudo documentado, impactante.” – Lucas Ferrugem [114:45]
“Eu vi que eu tava cada vez mais morrendo, as pessoas estavam me avisando.” – Henrique Viana [07:37]
Sobre o início do negócio:
“O dinheiro acabou rápido, obviamente. Mas até acabar os 10 mil nós já tínhamos conseguido chegar na ideia.” – Felipe [27:37]
Sobre liberdade de expressão e educação:
“Cara, o governo tem que entrar nas escolas... ele quer saber se as crianças aprendem a ler 60 palavras por minuto até a quarta série e realizam as quatro operações básicas de matemática sem nenhum obstáculo. Tu conseguiu... ela tem base educacional” – Henrique Viana [68:54]
Sobre mudança cultural via internet:
“Hoje em dia, tem espaço pro charlatanismo, mas tem concorrência. O cara que é bom vai crescer. Antes tu não tinha escolha.” – Felipe [75:46] “No Brasil, principalmente... só com destruição não se constrói. Recapitular a história nos permitiu fazer algo propositivo e inspiracional.” – Lucas Ferrugem [58:17]
O episódio combina memória, humor e análise com um olhar crítico sobre empreendedorismo cultural no Brasil. Os fundadores da Brasil Paralelo compartilham sem filtros suas dificuldades, visões e conquistas, entregando ao ouvinte reflexões profundas sobre política, educação, mídia e cultura – além de dar pistas valiosas sobre o futuro da plataforma.
Para quem busca compreender os dilemas, desafios e potenciais de mudança no Brasil, este papo é imperdível – repleto de “olhares cirúrgicos”, causos e aprendizados reais.
O episódio termina com homenagens entre os participantes e incentivo à curiosidade, ao estudo e à pluralidade de fontes de conhecimento para pensar criticamente o Brasil hoje e amanhã.