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Duas mulheres e um copo de vinho. O início perfeito para uma conversa sobre a vida, cultura, histórias e pensamento. Uma seleção de mulheres que deixam rasto, como certos vinhos. Com Inês Meneses.

Estamos de volta à sub-região de Monção e Melgaço com uma garrafa de Dom Ponciano, espumante feito a partir de uvas da casta Alvarinho, bolha fina, aroma a frutos tropicais, boa acidez e boa frescura. Um Dom Ponciano Extra Bruto, método clássico, vai selar esta conversa com uma mulher que tem uma linguagem visual muito definida, uma artista que navega entre a arquitetura e o design. É ela que cria a primeira identidade de muitos lugares. As montras da Hermès tornaram-se o cartão-de-visita da Joana Astolfi que trabalha com marcas como a Claus, Viúva Lamego, José Avillez ou Pau Brasil.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O vinho escolhido para este episódio de Cultas e Vinho Verde é um alvarinho “Vale dos Ares”. Quem já teve tempo para o provar diz que é um vinho intenso com aroma a maracujá, ananás e damasco, com um final de boca persistente e harmonioso. É isso que vamos tentar confirmar ao longo desta conversa com a jornalista Joana Stichini Vilela. Nascida em 1980, publica em vários títulos como o Expresso, a Monocle ou o Observador. A Joana é criadora e co-autora (com o designer gráfico, Pedro Fernandes) da colecção de livros LX 60, 70, 80 e agora 90. Portanto, bem-vindos aos anos '90, década em que os alvarinhos já matavam a boa sede de alguns, sobretudo na região de Monção e Melgaço e de onde vem o nosso vinho de hoje – Vale dos Ares.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Hoje aqui em cima da mesa, dois copos e uma garrafa de Landcraft, um vinho branco feito a partir da casta Loureiro, do Vale do Lima. Cor amarela palha, com notas cítricas maduras e florais, conjugadas com ligeiras nuances de fruta exótica. Na boca revela uma acidez irreverente, textura média e final longo. Margarida Campelo, a minha convidada de hoje nasceu e vive entre a música. Aliás quis fazer música desde cedo. Ouvir a mãe, Isabel, a cantar deve ter reforçado esta vontade. Formou-se em Canto Lírico, no Conservatório Nacional, e em Piano Jazz no Hot Clube de Portugal e na Escola Superior de Música de Lisboa. A Margarida dá aulas na escola do Hot Clube de Portugal e toca com várias bandas por todo o país e, às vezes, pelo mundo fora. Mas a Margarida tem também uma carreira a solo, uma voz linda e não toca só piano. É um desembaraço em palco. Editou em 2023 o álbum Supermarket Joy, fez uma versão muito dançável de um tema de Ágata “Mexe-te mais um pouco” e passou pelo Festival da Canção em 2025 com o tema “Eu sei que o amor”. Tem agora um single novo “Musa de Improviso”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nova temporada de Cultas e Vinho Verde no PÚBLICO. Uma conversa com mulheres que admiro; muitas perguntas e outras tantas respostas (não somos mulheres de ficar sem resposta) enquanto o vinho não perde frescura no copo e espera um brinde, lá mais para o final. Hoje temos um verde rosé da Adega Cooperativa de Ponte da Barca, castas Borraçal, Vinhão e Espadeiro Mole. Um vinho leve, com notas de framboesa, groselha e morangos. Quem inaugura esta nova temporada é a Cláudia Semedo; actriz, jornalista, comunicadora. A Cláudia fez muito teatro, cinema e televisão e está também na rádio. Nasceu em 1983, cresceu num meio diverso e plural e essa diversidade e inclusão estão muito presentes no seu dia-a-dia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Chegamos ao fim de mais uma temporada e com música para os nossos ouvidos: hoje com a pianista Joana Gama; nasceu em Braga em 1983, aos 5 anos já estava no conservatório de Braga a estudar música. Estudou ballet também. A relação com a dança mantém-se até hoje. Volta sempre a Satie e a John Cage. Com Luís Fernandes, com quem colabora habitualmente, editou o álbum Strata em 2025 e já deste ano com Ivan Vukosavljevic´, compositor sérvio, lançou “A Mind in the Heart”. Lê muito, e tem-se aproximado cada vez mais da natureza, estudando-a também. Editou o livro Pássaros e Cogumelos, ou como a partir da natureza temos resposta para as nossas angústias em geral. Para esta conversa, abrimos um Terrunho, Notas Soltas, do produtor José Domingues. Um verde tinto de Monção. “Aroma a bagas silvestres, com notas mais evidentes a mirtilo e framboesas. A boca é rica nestes sabores frutados, com uma nuance vegetal a fazer lembrar violetas. Harmoniza com peixe grelhado ou assado, carnes magras, tapas ou até mesmo a solo.” A solo ou acompanhada, Joana Gama senta-se ao piano e às vezes o piano até é de brincarSee omnystudio.com/listener for privacy information.

A convidada de hoje do Cultas e Vinho Verde é a fotógrafa Pauliana Valente Pimentel. Nascida em Lisboa em 1975, estudou na Sociedade de Belas Artes e formou-se em Geologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde trabalhou como investigadora. Pauliana já expôs no Reino Unido, Itália, Bélgica, Grécia, Turquia, Marrocos, Cabo Verde, Dubai e claro Portugal. Nesta conversa vamos também perceber como chegou esta mulher à fotografia, com um trabalho tão identitário E por falar em viagens, hoje estamos a provar um Lés-a-Lés, da casta Avesso, branco de 2022 Apropriando-me das notas de prova: vinho de cor palha aberta com reflexos esverdeados, com notas de laranja e algum amendoado. É um vinho delicado, fino, subtil e complexo. No conjunto apresenta-se harmonioso, encorpado e persistente.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A minha convidada de hoje é uma mulher que sigo com muito interesse há anos. Foi Comissária do Plano Nacional de Leitura, a partir de 2022. Acaba de deixar o cargo, mas não o prazer de ler, dos livros, do lastro que fica. Um amor pela língua, pela literatura e pelo seu ensino, cá e no Reino Unido. Para esta conversa abrimos um Casa de Paços, um arinto de 2022, reserva Vinhas Velhas. Vem de Barcelos, de vinhas com mais de 30 anos. Nas notas de prova temos: aroma envolvente, excelente acidez, boa fruta cítrica, madeira ligeira. Na boca revela notas cítricas, madeira bem integrada, persistente e cativante. Cativar também é o que pretendemos para estas conversas em que convido mulheres que admiro. A minha seleção.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Trazemos uma das primeiras mulheres djs em Portugal. Nasceu na Beira em Moçambique, cresceu a ouvir Marvin Gaye, Gilberto Gil ou Bonga. Nos anos 1990 já estava na cabine do Frágil, fez rádio, aventurou-se na indústria discográfica, esteve na fundação dos Da Weasel. Foi muitos anos residente no Lux. É a Yen Sung, tem 55 anos, mãe da Maria. Foi já depois dos 50 que se estreou como dj em Nova Iorque e numa passagem de ano no famoso Clube Berghain em Berlim, isto para mostrar que a vida surpreende a qualquer altura. Hoje acompanhadas por um alvarinho Palácio da Brejoeira 2024, elegante e fresco, mistura os aromas cítricos com frutos tropicais. Delicado e complexo pode servir-se como aperitivo, acompanha bem pratos de carnes brancas, peixe e marisco.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Em mais um encontro que junta Cultas e Vinho Verde, podcast do Público, duas ladies na mesa, castas mas pouco. Hoje provamos um Esculpido, 100% avesso, branco, fermentado em barricas de carvalho com vinho proveniente das mais antigas vinhas da Quinta de Santa Teresa em Baião. A convidada é a actriz Isabel Abreu. 47 anos, alentejana, a Isabel é intensa, visceral, muitos títulos à qual a associamos, mas pegando em dois dos últimos trabalhos, em cinema e no teatro: no cinema “Primeira Pessoa do Plural” de Sandro Aguilar, que estreou a 19 de Fevereiro e no teatro, de Tiago Rodrigues: “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Hoje vamos provar um loureiro, Pequenos Rebentos, Vinhas Velhas de 2021, de Márcio Lopes. Este vinho revela um aroma inicialmente reservado, que se desdobra depois em tons florais leves. Segundo provas de nota já mais fundamentadas: na boca é delgado e fino, proporcionando uma textura elegante e uma sensação de leveza. Com a minha convidada de hoje celebramos a poesia, a literatura em geral, os novos e consagrados autores - na sua experiência como editora - olhamos também para o fado e vamos aos hábitos de leitura perante os quais continua a ser muito exigente. Maria Do Rosário Pedreira é editora, escritora, poetisa, cronista e letrista portuguesa, além de a literatura infanto-juvenil também conhecer bem o seu nome. É uma das mais mediáticas editoras portuguesas e foi homenageada o ano passado no Escritaria, festival literário em Penafiel.See omnystudio.com/listener for privacy information.